EU ACHO …

A HISTÓRIA HUMANA NARRADA COMO LUTA CONTRA A DOENÇA

Narrativas da história humana se preocupam em encontrar algum sentido na passagem de nossa espécie pelo planeta. Ora ela é contada como batalha entre impérios pelo domínio do território. Ora guerras e migrações são explicadas como resultado de força econômica inexoráveis, da busca incessante por recursos. Ora os eventos são associados à personalidade de líderes excepcionais, benevolentes ou cruéis. Mas tudo isso, afirma o economista Charles Kenny, é pouco importante diante da disputa central que define a razão de ser da humanidade: a luta contra a doença, o embate com os microrganismos que volta e meia provocam morticínios sem paralelo e reorientam o curso da história humana. “Pela maior parte do tempo em que a civilização existiu, a peste varreu mais vidas que a fome e a violência combinadas”, escreve em The pingue cycle (O ciclo da peste).

Lançado em plena pandemia, o livro reflete uma pesquisa anterior, de mais de cinco anos. Kenny argumenta que a raiz dos eventos históricos está direta ou indiretamente relacionada a pandemias ou a doenças infecciosas endêmicas, das pestes descrita por Tucídides e Procópio à conquista da América (cuja população nativa foi devastada pela varíola) e à derrota de Napoleão (causada não pelo “general inverno”, mas pelo “marechal tifo”). Kenny constata que a vitória da humanidade sobre os micróbios é, de longe, a maior conquista da civilização, responsável pelo fracasso das previsões catastrofista de Malthus e seus êmulos. “Duzentos anos atrás, quase metade dos nascidos morriam antes do quinto aniversário, a maioria de infecções. Hoje, menos de um em 25.”

Em razão da corrida evolutiva, a vitória jamais é definitiva. Em 2017, diz Kenny, 10 milhões morreram de doenças que poderiam ter sido evitadas. Os desatinos diante do novo coronavírus demonstram como, apesar do progresso, ainda estamos despreparados para reagir a ameaças emergentes. “Em vez de lidar com o risco antes que surja, por meio de melhora nas condições sanitárias e sistemas de saúde mais robustos – ou, como deveria ser, por meio de mais vigilância, triagem, isolamento e pesquisas -, respondemos tarde e em pânico, muita veze com ato de crueldade e abuso do direito humano “, diz Kenny. “De novo em 2020, aprendemos que, se fracassarmos em melhorar esse desempenho num mundo globalizado e urbanizado, pagaremos um preço imenso”. Custaria, nos próximos dez anos, apenas U$ 28 bilhões por ano para universalizar a água encanada e o esgoto em todo o mundo. Dar acesso em todos os domicílios a água potável e vaso sanitário capaz de dispor de dejetos custaria US$ 114 bilhões por ano. Uma ninharia perto do PIB global, estimado em U$ 88 trilhões em 2019 pelo Banco Mundial.

A pandemia de Covid-19 nos dá uma nova oportunidade para encarar o risco com seriedade. “O custo poderia ter sido reduzido, e, mais importante, vidas salvas, se os países estivessem mais bem preparados”, afirma Kenny. “Dado que os que testaram seus cidadãos cedo registraram menos casos e menos transtornos, toda nação deveria criar a infraestrutura e reunir equipamentos para teste, rastreamento e isolamento. “Outra lição da Covid-19, segundo ele, é a importância da cooperação global. Epidemias são um problema para todos, independentemente de onde comecem. “Precisamos garantir que todo o país tenha apoio financeiro e técnico para enfrentar novas ameaças.” Foi assim que a varíola foi erradicada e a peste bubônica deixou de ser uma preocupação. “Pandemias de séculos atrás ainda ajudam a determinar riqueza e pobreza, democracia e autocracia. O último meio século mostra que nem tudo é inexorável.” É possível continuar o caminho do progresso. “Ou talvez a Covid-19 seja um aperitivo do pior que está por vir. Talvez haja retrocesso. Se os profetas antivacina mercadejarem de informação letal sem resposta, se nossos antibióticos forem desperdiçados para ganhar poucos gramas de carne branca num peito de frango, se não fizermos nada para melhorar a cooperação global e a resposta rápida ao surto, sabemos bem com que cara o mundo ficará.”

*** HELIO GUROVITZ – É jornalista e editor de opinião do jornal O Globo

OUTROS OLHARES

ADULTOS QUE BRINCAM

Blocos coloridos, modelismo e quebra-cabeças: jogos e brinquedos geralmente voltados para o público infantil expandiram seu mercado como reflexo do estresse causado pela pandemia

O tempo livre e o isolamento fizeram com que muitas pessoas passassem horas de olho nas telas dos celulares e computadores. O problema é que a maioria da informação consumida online é um amontoado de distrações vazias, que não estimulam a criatividade ou o aprendizado. Boa parte dos adultos, porém, tem usado as horas de lazer para se dedicar a jogos físicos de alta complexidade, como os quebra-cabeças de milhares de peças, o modelismo e até os blocos no estilo Lego.

A psicóloga Ana Carla Bonfá explica que o ato de brincar pode ter diversas funções na vida dos mais velhos. “A atividade estimula a convivência social, o vínculo entre pessoas da mesma família, melhora a criatividade e ainda alivia o stress”, garante. Há ainda um fator emocional que não pode ser desprezado: a reconexão com a infância. “Costumamos nos perder na correria do dia a dia, mas é muito importante olhar para si mesmo, se reconhecer na caminhada até a maturidade”, diz.

João Paulo Leal é especialista em redes de computadores e, aos 36 anos, é um exímio montador de blocos coloridos. Fissurado desde criança pela NASA, a agência espacial americana, viu nos kits de naves espaciais da Lego uma forma de materializar esse gosto pessoal. “Vivo compartilhando vídeos e fotos de astronautas fazendo manutenção em satélites na órbita da Terra. Leio sobre corpos celestes, estou sempre atento a conteúdo sobre o universo. Quando descobri que a Lego tinha parceria com a agência espacial, me interessei ainda mais pelo brinquedo”, diz. Leal afirma que lhe dá grande satisfação “terminar a missão”, ou seja, finalizar a montagem das naves e os foguetes. “Quando compro um set, esqueço de tudo, até de comer”, afirma. Suas próximas aquisições, porém, serão bem mais terrenas: kits de construções históricas como o Taj Mahal, o Palácio de Buckingham e o Capitólio americano. A brincadeira tem preços salgados no Brasil, ainda mais com a alta do dólar. Um dos lançamentos, o Coliseu, de Roma, já esgotado na loja oficial, está à venda no site “Mercado Livre” por R$ 6 mil.

GENTE GRANDE

Diretamente da Dinamarca, em entrevista exclusiva, a estrategista global de marketing da Lego, Genevieve Capa Cruz, contou que a pandemia aproximou as famílias durante o isolamento social e que a marca teve um papel fundamental nisso. A empresa não divulga dados oficiais sobre vendas, mas a executiva garante que as vendas cresceram significativamente no ano passado. Ela confirma que uma das estratégias recentes inclui o lançamento de jogos específicos para adultos, que contemplam figuras mais complexas que vão de flores e jardins até o cenário de séries como “Friends”. Há também reproduções voltadas para um público específico, como famosos estádios de futebol. “Hoje temos no portfólio mais de 70 produtos para atrair adultos, independentemente de suas paixões e interesses”, afirmou Genevieve. Batizada de “Adults Welcome” (Bem-vindos, adultos) a campanha da Lego foi lançada mundialmente no final de 2020.

Para quem gosta de “quebrar a cabeça”, o mercado oferece novidades que vão de mil a 25 mil peças. Um quebra-cabeças da Estrela traz quadros da pintora brasileira Tarsila do Amaral, que podem ser enquadrados depois de montados. A bancária aposentada Simone Bello, de 55 anos, é apaixonada por jogos de arte. Demorou 112 dias para montar as oito mil peças do quebra-cabeça que reproduz “A Boda Camponesa”, pintura de 1567 de Pieter Bruegel, mestre flamenco da Renascença. “Comecei a montá-lo em abril, uma das piores fases da pandemia. Ouvia as notícias na TV enquanto tentava me distrair. Quando estava pronto, decidi enquadrar para ficar como uma recordação desse período mórbido da nossa história”, diz. Há no Facebook diversos grupos de troca e venda de jogos, já que, depois de montado, é possível desmontar o jogo e trocá-lo por outro de mesmo valor. Nas redes sociais, aliás, a comunidade de adultos com esse hobby é gigantesca e reúne até pessoas que estão desesperadas para comprar uma peça perdida.
Já o modelismo é uma técnica antiga e inclui a recriação, em escala reduzida, de aviões, carros, navios de guerra e personagens. Arthur Neto, mecânico de aviões, se apaixonou pelo aeromodelismo na década de 1970 e nunca mais parou. Hoje, aos 59 anos, é obcecado pelos mínimos detalhes de suas pequenas aeronaves. “Os pequenos modelos são bastante fiéis aos originais”, afirma. Como seus outros amigos, ele leva seus brinquedos à sério.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 09 DE FEVEREIRO

A BOCA DO ÍMPIO, ESPADA AFIADA

O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento (Provérbios 11.9).

A boca do ímpio é uma arma mortal. Sua língua, uma espada afiada. A Bíblia diz que a língua é como uma fagulha que incendeia uma floresta. Uma palavra dita com a motivação errada ou com a entonação de voz errada pode provocar desastres irreparáveis. É como subir no alto de uma montanha e abrir um saco de penas. Elas serão levadas pelo vento e acabarão espalhadas por todos os cantos. Impossível recolher todas de volta. A boca do ímpio propaga palavras cheias de veneno. Sua boca é uma sepultura aberta, que destrói o próximo. Porém, a língua do justo é remédio que cura, é bálsamo que consola, é veículo que distribui o conhecimento. Quando o justo fala, de seus lábios jorra o conhecimento que conduz à vida e à libertação. O justo conhece a Deus, a fonte de todo conhecimento verdadeiro. O justo conhece não apenas de ouvir falar, mas na intimidade. Esse conhecimento é fruto de comunhão e deleite. Tape seus ouvidos à voz dos que descerram a boca para blasfemar contra Deus e falar impropérios contra o próximo. Aproxime-se daqueles que trafegam pelas veredas da verdade e dela são embaixadores. Junte-se a essa caravana que sobe para a Sião celestial e deleite-se naquele que é a verdade.

GESTÃO E CARREIRA

FUJA DESTES GOLPES

Vagas falsas, tentativas de roubo e venda de cursos para “garantir” trabalho. Além do desemprego, profissionais brasileiros ainda precisam se desviar de golpes.

Em junho, o engenheiro ambiental e sanitarista Caique Almeida, de 33 anos, entrou para a temida lista dos desempregados. A companhia onde ele trabalhava perdeu contratos por causa da pandemia e precisou reduzir a equipe. Caique, que é natural de Lorena (SP), atualizou o currículo e começou a procurar trabalho. Ele só não sabia que iria entrar em outra lista: a de golpes de emprego. “Em agosto, uma pessoa entrou em contato comigo. Ele disse que era chefe de engenharia de uma empresa chamada Delta Engenharia, que prestava serviço para a Transpetro e que achou o meu currículo em um site de recrutamento. O homem se identificava como João Gouveia.”

Os dois bateram um papo rápido e o tal João ofereceu uma vaga para Caique. Ele logo se empolgou; não só por voltar a trabalhar, mas porque a oportunidade era boa: salário de RS 9 mil, benefícios e participação nos lucros. Mas tinha um porém, o engenheiro precisava enviar os documentos para a contratação no mesmo dia, ou iria perder a vaga. “Foi quando ele me questionou sobre duas certificações que eu tenho, mas estão vencidas, então precisava fazer uma reciclagem.” As certificações são a NR 33 e a NR 35, que são exigidas para quem trabalha em espaços confinados e para trabalhos em altura, respectivamente.

Acontece que não dá para conseguir esses documentos de uma hora para a outra – a carga horária do curso de reciclagem dessas duas normas é de 24 horas. Ele explicou a situação e João indicou uma escola parceira da Delta Engenharia que poderia emitir os certificados desde que ele fizesse o curso no final de semana. Caique achou estranho, mas entrou em contato, pelo número de telefone que o recrutador passou. “Falei com uma pessoa chamada Armênio, de uma certa LCF Treinamentos. Ele pediu meus dados e no final falou que eu precisava pagar R$1.000; foi quando percebi que tinha coisa errada.” Caíque se recusou a fazer o pagamento e foi falar com um conhecido que também tinha uma escola de certificação. Ele conseguiu emitir a documentação e enviou para o João. “Ele sumiu. Entrou em contato só no dia seguinte, dizendo que o certificado não estava válido. Comecei a questionar e, no final, ele acabou me bloqueando.”

O engenheiro escapou da fraude, mas não falta quem caia em golpes assim. Entre janeiro e novembro de 2020, a Dfndr Lab (laboratório de segurança digital da empresa PSafe) identificou 2,1 milhões de tentativas de golpe se passando por oportunidades de trabalho. Em 2019, o Procon de São Paulo registrou 1,5 mil denúncias relacionadas a falsas vagas de emprego. Um número baixíssimo em relação ao total de golpes que povoa o mercado. É que a maioria das vítimas não denuncia, em grande parte por vergonha.

ATÉ NO LINKEDIN

Em fevereiro de 2019, a paulista Miriam Gomes, de 37 anos, estava desempregada. Formada em secretariado, ela resolveu usar o LinkedIn para se recolocar; foi quando viu uma vaga de gerente de projetos no escritório de São Paulo de uma empresa internacional. A oportunidade estava toda descrita em inglês e era uma companhia que a profissional não conhecia, então ela fez o que os especialistas indicam: deu um Google. “Encontrei o site deles e parecia coisa séria. Fui lá e me candidatei.”

Duas semanas depois, ela recebeu um e-mail da empresa já com a oferta de emprego e dizendo que ela precisava fazer uma entrevista nos EUA.

“Vieram vários documentos em anexo com todos os detalhes da vaga e com informações de onde eu iria trabalhar. Falavam que iriam pagar todas as minhas despesas de viagem para a entrevista e também já tinham os contatos da agência que seria responsável por todo esse trâmite.”

Na hora, Miriam ficou empolgada com a oportunidade, mas começou a perceber alguns detalhes que a deixaram com a pulga atrás da orelha. Por exemplo: as cartas não estavam em seu nome, mas sim em código – em vez de “Prezada Miriam”, estava algo como “Prezado XYZ345”. “Confirmei que era golpe quando fui rever a vaga no LinkedIn. O post e a página da empresa tinham sido apagados. Pouco tempo depois, o site também saiu do ar.”

Atenção é a regra número um e foi o que livrou Miriam de cair em uma furada. A tendência é que sempre haja algum calcanhar de Aquiles nos golpes. Além de ficar de olho em erros gramaticais nos posts e sites, confira o endereço de e-mail. As empresas têm e-mails personalizados, como vagas@vocesa.com.br (este endereço é fictício, viu?); se você receber mensagem de um remetente como emprego. vocesa@bol.com.br desconfie.

Uma dica para quem usa as redes sociais para procurar emprego e ficar especialmente atento a vagas de empresas confidenciais ou com poucas informações sobre a função. Afinal, você precisa saber para onde está mandando o seu currículo.

EMPREGO DOS SONHOS

Algumas empresas são queridinhas do mercado de trabalho – Google, Amazon, Telefônica, Natura, Itaú. Muitos golpes, então, usam o nome dessas organizações. Em setembro do ano passado, Karen Teodoro estava procurando emprego e se candidatou para uma vaga de analista comercial no site da Nestlé.

Alguns dias depois, ela recebeu o que parecia ser um e-mail da companhia falando que ela tinha sido selecionada para fazer uma entrevista nos EUA. “Queriam que eu fizesse um depósito de US$ 1.800 para garantir a presença na entrevista, e que o valor seria reembolsado pela Nestlé depois. Também pediam cópias dos documentos”, relembra a paulistana, de 41 anos.

Mas a fraude estava clara. O e-mail foi enviado duas vezes, a primeira em inglês e a segunda em português – mal traduzido e com erros gramaticais. Em ambos os casos, os nomes dos remetentes não eram nem de funcionários da companhia. No primeiro, quem assinava era um certo François Thibaut (nome de um educador francês); no segundo, o nome na assinatura era Morris Brown (um bispo metodista que faleceu em 1849, cujo nome batiza hoje uma faculdade nos EUA).

Nota: não dá para cravar sobre o porquê de escolherem nomes de gente relativamente célebre; talvez seja para que apareçam muitas menções quando você dê um Google, e eles  fiquem na esperança de que você não leia o que aparece ao lado delas.

Outro indício de picaretagem era o salário, que era de dar inveja a qualquer executivo: US$ 349 mil por ano. Em português, RS 145 mil mensais – segundo dados do Glassdoor, um analista comercial da Nestlé ganha até R$ 6 mil, ou seja, o salário oferecido era muito acima da média. “Percebi que tinha alguma coisa errada.

Nem inglês eu falo, não tinha como ter sido selecionada para uma vaga dessas.” No mesmo ano, a companhia divulgou um alerta de ofertas de emprego falsas que estavam usando o nome da multinacional.

Quando o golpe envolve o nome de uma empresa real, a recomendação é avisar a companhia – eles não vão poder ajudar em muita coisa, mas, sabendo que existe um golpe, já dá para alertar o mercado e até rever a segurança interna para garantir que não exista nenhum vazamento de dados. “Também vale a pena falar com a equipe de recursos humanos para confirmar quais são as práticas de recrutamento e se a vaga é real. Porque acontece de a oportunidade existir, mas o processo seletivo para chegar até ela ser falso”, diz a advogada trabalhista Alessandra Wasserman da Mello e Rachel Advogados.

E claro: quando a esmola é demais, o santo desconfia. Vagas com salários muito altos e benefícios vantajosos não costumam ser divulgadas no LinkedIn nem ficam rodando pelos grupos de WhatsApp. Só profissionais muito qualificados e com carreiras longas costumam ter remunerações astronômicas. É aquilo: quando um CFO do Bradesco pede demissão, não adianta mandar currículo. Caso apareça a oferta de uma vaga dessa estatura, não tem outra: é venda de terreno na Lua. “Desconfie, porque esse tipo de oportunidade não vai para o mercado. E não podemos esquecer que estamos em um momento de crise, as empresas não estão pagando tão bem assim”, ressalta a headhunter Daniela Verdugo.

Ela ainda lembra que nenhuma companhia vai fechar uma vaga, por mais urgente que ela seja, da noite para o dia. Se um recrutador falar que você precisa entregar os documentos dentro de poucas horas, caso contrário a oportunidade vai para outra pessoa, é golpe com certeza. Esse tom de urgência é proposital para que o candidato não tenha tempo de pensar sobre a oferta ou pesquisar sobre a empresa.

OS GOLPES MAIS COMUNS

O universo dos golpes não se restringe a gente se passando por empresas. Também há as agências de emprego falsas – negócios mequetrefes que atraem pessoas com a promessa de emprego rápido, mas cuja única intenção é fazer dinheiro vendendo cursos, como aquele do qual Caíque se safou.

Em 2016, o Ministério Público e o Prodecon (Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor) deflagraram uma operação contra uma quadrilha do ramo. Ela controlava 14 sites que ofereciam cursos com certificados supostamente necessários para conseguir vagas em empresas. Em 2019, a polícia fechou uma agência falsa em São Paulo. Ela faturava entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por dia com a venda de cursos.

O caô é aquele: dizer que a vaga de emprego está garantida, e que só falta o tal curso. Daniela alerta que isso de “garantia de emprego” é algo tão real quanto garantir um lote no céu. “A recolocação profissional depende de uma série de fatores: existir uma vaga, ter o perfil que o cargo exige, passar no processo seletivo. Nenhum consultor pode garantir que você vai “conseguir” uma posição. “Ponto.

A tentativa de atrair candidatos para a venda de cursos é o principal golpe das agências patifes. Mas não são só os cursos. Algumas têm a pachorra de exigir um percentual dos primeiros meses de salário caso o profissional consiga o trabalho.

Segundo Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP, é tudo estelionato mesmo. Artigo 171 do Código Penal. “Se a empresa falar que você precisa fazer um curso, pagamento de teste psicológico ou se oferecer para melhorar o currículo, faça o boletim de ocorrência. Ela vai ser notificada, obrigada a devolver o dinheiro e ainda vai receber uma multa.” Caso você realmente precise de alguma habilidade complementar, a empresa que te contratar é a responsável pelo treinamento – e não pode cobrar nada por isso.

Por último, nada de sair informando dados pessoais a torto e a direito. Outra faceta dos golpes contra quem busca uma recolocação é usar do desespero da vítima para roubar informações pessoais. Imagina só: você recebeu uma proposta de emprego, o “recrutador” pediu cópia dos documentos e depois sumiu. Isso já pode ser o suficiente para um golpista tentar se passar por você e solicitar um cartão de crédito, por exemplo.

A advogada criminalista da Viseu Advogados Carla Rahal Benedetti lembra que, antes da contratação, a companhia não pode exigir absolutamente nada do candidato; nem dados bancários ou documentos.

Caiu no golpe? O jeito é evitar as futuras fraudes. “Além do boletim de ocorrência, você pode entrar em contato com os bureaus de crédito, como o SPC e o Serasa, para informar sobre o golpe. Eles criam um alerta que avisa caso tentem usar os dados em fraudes ou compras sem a sua autorização.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MOVIMENTOS EM DESORDEM

A ataxia é um conjunto de sintomas causados pela degeneração de neurônios do cerebelo, da medula e dos nervos periféricos; avanços da pesquisa genética revelam esperanças de cura

De início um tropeço sem grandes consequências, depois desequilíbrios e quedas frequentes, sem falar na estranha dificuldade para executar movimentos automáticos, como descascar uma fruta, manipular os talheres, andar de bicicleta, dirigir o carro. Ações cotidianas, que em geral realizamos sem nos dar conta, são comprometidas pelos primeiros sintomas das ataxias, distúrbios que podem ter origens diversas, mas guardam em comum a lesão de neurônios do cerebelo, da medula espinhal e dos nervos periféricos. Sem eles a comunicação entre o cérebro e os músculos fica deficiente e desordenada.

A palavra “ataxia” vem do grego ataxis e significa falta de coordenação. Caracterizada por falta de equilíbrio e dificuldade para realizar movimentos voluntários (o que inclui andar, falar e deglutir), não é propriamente uma doença, mas um conjunto de sintomas resultantes da degeneração de neurônios, que pode estar associada a um grande número de patologias e situações. Estima-se que duas em cada 100 mil pessoas do mundo sofram com alguma forma de ataxia; o distúrbio atinge igualmente homens e mulheres.

As ataxias adquiridas podem ter causas diversas, como trauma craniano, abuso de drogas, deficiência de vitaminas, degeneração cerebelar, lesão na medula espinhal, nos nervos periféricos ou em ambos. Mais comuns, porém, são as ataxias hereditárias, cujos sintomas costumam se agravar com os anos, principalmente se o paciente não tiver acesso a terapias complementares como fonoaudiologia e fisioterapia. Na última década, os avanços dos estudos sobre genética têm renovado a esperança de pacientes com ataxias hereditárias, famílias e médicos.

Ataxias se dividem em quatro grupos, dependendo de onde ocorre a mutação genética. No caso das autossômicas dominantes, basta herdar um dos alelos de um gene com a mutação (do pai ou da mãe) para desenvolver o distúrbio, as autossômicas recessivas é preciso receber os dois alelos do mesmo gene. Jáas ataxias ligadas ao cromossomo X e mitocondrial, em que a mutação está presente no DNA mitocondrialsão raríssimas.

A maioria das ataxias autossômicas dominantes pertence a um grupo de doenças genéticas neurodegenerativas chamadas ataxias espinocerebelares, caracterizadas pela perda progressiva de neurônios do cerebelo – estrutura que mais parece um cérebro, localizada junto do tronco cerebral, à altura da nuca.

No Brasil, a mais prevalente é a do tipo 3, também conhecida como ataxia de Machado-Joseph, cuja mutação genética se encontra no cromossomo14. As alterações iniciais incluem problemas de equilíbrio e de coordenação motora, com comprometimento de braços e pernas. Dificuldades de articulação da fala tornam a voz pastosa, motivo pelo qual muitos pacientes são discriminados, pois as pessoas tendem a julgá-los embriagados. Para compensar a falta de equilíbrio, a marcha adquire ritmo característico, com os pés afastados. Em alguns casos são observados movimentos oculares anormais e problemas de deglutição. Os primeiros sinais costumam aparecer entre 25 e 55 anos.

Na forma recessiva do distúrbio os sintomas são mais variados dependendo da alteração genética envolvida. O tipo mais frequente é a ataxia de Friedreich, que é também a forma de ataxia mais comum no mundo. Os sintomas geralmente têm início antes dos 25 anos e incluem diminuição dos reflexos nos membros inferiores, dificuldade de localizar pés e mãos no espaço, curvatura anormal da espinha dorsal (cifoscoliose), cavidade alta nos pés (pés cavus). Além disso, cardiopatias, diabetes e incontinência urinária são comuns nesses pacientes à medida que a doença progride.

FILHOS E NETOS

já foram identificadas cerca de 30 mutações genéticas associadas a diferentes formas de ataxia espinocerebelar. O que se observa em muitas delas é uma repetição excessiva de determinada sequência de nucleotídeos que pode variar de um tipo para o outro. Essas repetições anormais podem aumentar de uma geração para outra, fenômeno que os especialistas chamam de antecipação e que leva a manifestações mais graves e mais precoces da doença nos descendentes.

Na ataxia de Friedreich, a mais estudada até hoje, há um excesso da sequência guanina-adenina-adenina (GAA) nos dois alelos do gene FRDA, envolvido no processo de codificação de uma proteína chamada frataxina e localizado no cromossomo 9. A frataxina participa da regulação do aporte de íons ferro no metabolismo das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela respiração celular. Com o gene FRDA defeituoso e logo, a síntese de frataxina comprometida, as mitocôndrias absorvem ferro demais, o que leva à produção exagerada de radicais livres que por fim matam a célula. Por um desses mistérios que a genômica ainda não desvendou, as células mais afetadas são as do cerebelo e as da medula espinhal.

Não é fácil distinguir clinicamente as várias formas de ataxia, daí a importância dos testes genéticos, especialmente quando o histórico familiar sugere o padrão dominante da doença. O diagnóstico da ataxia de Friedreich é mais específico: por meio de técnicas moleculares pesquisa-se diretamente o gene da frataxina em busca do excesso de cópias do trinucleotídeo GAA. Esses testes são fundamentais não apenas para a intervenção clínica precoce, mas também para o aconselhamento genético dos pacientes que desejam ter filhos. Nas ataxias autossômicas dominantes, o risco de uma criança nascer com o mesmo problema é de 50%. Quando um casal tem um descendente afetado por uma ataxia recessiva, como a de Friedreich, o risco de o problema se repetir na próxima gravidez é de 25%.

A probabilidade de uma pessoa com Friedreich ter filhos ou netos com o mesmo problema depende da constituição genética do parceiro. Se a esposa ou o marido saudável não tiver em seu DNA nenhum gene recessivo para essa característica (que faz transmitir, mas não apresentar a doença), o filho não desenvolverá a ataxia, mas pode passar essa configuração genética para os próprios filhos. Se a terceira geração vai ou não desenvolver os sintomas mais uma vez dependerá da herança que receber de seu outro genitor. Estudos desenvolvidos no Brasil e no exterior têm apresentado resultados importantes. Trabalho publicado em 2006 na Nature Chemical Biology por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Scripps em La Jolla, Califórnia, alcançou resultados animadores ao conseguir reativar o gene da frataxina em cultura de células extraídas de portadores do distúrbio. Se reativar genes é um dos caminhos possíveis, o contrário, isto é, o silenciamento genético, parece ser uma alternativa ainda mais interessante, principalmente depois que os cientistas americanos Andrew Fire, da Universidade Stanford, e Craig Mello, da Universidade de Massachusetts, receberam o Prêmio Nobel de Medicina em 2006. Eles desenvolveram uma técnica conhecida como interferência de RNA, com a qual conseguiram inibir o funcionamento de genes defeituosos. Os experimentos realizados em nematóides, um tipo de verme, oferecem uma informação importante: nas gerações sequentes também se verifica a inibição dos genes defeituosos.

A interferência de RNA abre boas perspectivas não só para o tratamento e prevenção das ataxias hereditárias, mas para uma série de outras doenças genéticas. “É algo promissor, mas ainda não pode ser aplicado imediatamente”, adverte a médica lscia Lopes Mendes, chefe do departamento de genética médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ela, muitas pesquisas sobre ataxia têm sido feitas no Brasil. A especialista destaca o trabalho do neurologista Marconde Cavalcanti França Jr., um dos premiados no Congresso Anual da Academia Americana de Neurologia, em Boston. França Jr. usou técnicas de imageamento cerebral, entre elas a espectroscopia de prótons por ressonância magnética, em pacientes com ataxia de Friedreich.

Os resultados mostraram que também o cérebro pode ser comprometido pela doença, pois até então se acreditava que as lesões ocorressem apenas no cerebelo, na medula e nos nervos periféricos. Isso explica as sequelas cognitivas observadas em alguns pacientes.

Um novo tipo de ataxia espinocerebelar, chamada tipo 10 foi observado no Brasil em 2004.   Inicialmente descoberto no México três anos antes, o distúrbio foi identificado em dez famílias brasileiras pelo neurologista Hélio Teive, coordenador do setor de distúrbios do movimento da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “As características são semelhantes às da ataxia de Machado – Joseph, porém mais brandas”, diz o médico, que atualmente acompanha 60 pacientes com o problema além de outras 160 famílias com casos de ataxias hereditárias dominantes.

GRUPOS DE APOIO

Na falta de ferramentas que, pelo menos por enquanto, atuem diretamente nas causas das ataxias hereditárias, o tratamento baseia-se em medicamentos para aliviar outros sintomas, como câimbras e distúrbios de sono, e em suplementos nutricionais, como a coenzima Q 10, um tipo de vitamina importante para o metabolismo muscular encontrada em níveis mais baixos em pacientes com ataxia de Freidreich.

Os médicos ressaltam que outro aspecto importante é o apoio fornecido aos pacientes por meio de grupos de portadores, como a Associação Brasileira de Ataxias Hereditárias e Adquiridas (Abahe). “Como é uma doença ainda pouco conhecida pela maioria das pessoas é preciso que os pacientes participem dessas associações – para que a ataxia saia do limbo – para acompanhar as novidades sobre pesquisa nessa área, se adaptar às restrições impostas pela doença e melhorar a qualidade de vida”, afirma o médico Orlando Barsottini, chefe do setor de neurologia da Unifesp, que participa das atividades da Abahe e incentiva seus pacientes a fazer o mesmo.

“De fato, a falta de informações sobre os sintomas agrava as dificuldades dos portadores e fomenta preconceitos”, comenta Priscila Fonseca, 30 anos, diagnosticada com ataxia aos 25, vice-presidente da Abahe e organizadora do blog Ataxia Brasil. “Depois de descobrir o problema o paciente costuma passar por três fases: primeiro nega, depois acaba aceitando; em seguida vem a fase em que luta ou se entrega.” Segundo ela, o trabalho na Abahe é fundamental porque a impede de se prender às limitações impostas pela doença.

TIPOS DE ATAXIA HEREDITÁRIA AUTOSSÔMICA

MAESTRO DOS MOVIMENTOS VOLUNTÁRIOS

Ele tem apenas 10% do tamanho do cérebro, mas contém o equivalente à metade dos neurônios deste. Subestimado por décadas, o cerebelo (do latim, pequeno cérebro) começa a conquistar o status que merece nas neurociências. Essa estrutura localizada na parte inferior e posterior do encéfalo, adjacente ao tronco cerebral, tem papel decisivo na integração de processos sensoriais e motores. Muitos circuitos neurais cerebelares funcionam como estação de processamento de sinais que partem do córtex motor com destino aos músculos via medula espinhal. Ao integrar esses circuitos, o cerebelo promove um ajuste fino dos movimentos com base no constante feedback sobre a posição do corpo, que tem origem nos sistemas vestibular e proprioceptivo. Mas a prova da importância dessa espécie de regente dos movimentos voluntários está no fato de a mais leve lesão de sua estrutura resultar em consequências graves para os indivíduos, quase sempre incapacitantes, como as ataxias.

Mais recentemente os neurocientistas vêmreconhecendo o papel do cerebelo para o aprendizado motor e a memória, embora não se compreenda muito bem de que modo essa estrutura se comunica com estruturas reconhecidamente envolvidas nos processos mnemônicos, entre eles o hipocampo. Alguns estudos mostram que a frequência e a amplitude de movimentos aprendidos (por exemplo, dirigir, digitar ou dançar) são codificados no cerebelo. Além disso, técnicas de imageamento cerebral estão ajudando os pesquisadores a identificar outras funções cognitivas que podem ser atribuídas, pelo menos em parte, a essa estrutura encontrada, em versões mais primitivas, nos primeiros vertebrados que habitaram a Terra.

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"Antes y después el mundo se ha hecho pedazos y hay que nombrarlo de nuevo, dedo por dedo, labio por labio, sombra por sombra." Julio Cortazar.

Chica de Campo

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