EU ACHO …

SERVOS OU SENHORES?

Há cem anos, um dramaturgo tcheco criava o termo robô. Desde então, ele atiça a criatividade e o temor da humanidade

“Escute, Josef”, disse o dramaturgo tcheco Karel Capek a seu irmão, “tive uma ideia para uma peça.”

Josef, um artista de certo renome, pintava furiosamente e não ficou impressionado com a intromissão do irmão. “Que tipo de peça?”, perguntou rispidamente. Karel explicou a trama. No futuro, os seres humanos inventariam criaturas sintéticas, humanoides, para aumentar a produtividade nas fábricas e lutar nas guerras. Construídas como trabalhadores escravos, elas acabarão se rebelando e eliminando a raça humana. Josef ficou indiferente diante da ideia. “Então a escreva!”, ele disse. Mas Karel estava emperrado. Não conseguia encontrar uma palavra adequada para descrever seus trabalhadores artificiais. “Chame-os de “roboti”, disse Josef. Era a palavra tcheca para “servo” ou “trabalhador forçado”.

Karel decidiu que a palavra “robô” se encaixava perfeitamente. A peça Os Robôs Universais de Rossum (RUR) estreou em Praga em janeiro de 1921. A conversa com seu irmão foi contada por Karel Capek em um jornal alguns anos depois, refletindo como ele apresentou a palavra “robô” ao mundo há exatamente cem anos.

A peça foi um sucesso. Uma obra original de ficção científica, ela inspirava-se nos temores do início do século XX sobre o papel da tecnologia no movimento em favor da produção em massa depois da Primeira Guerra Mundial. A visão ousada e temível de RUR, de um futuro em que a humanidade é ameaçada pelos robôs, causou sensação.

Kara Reilly é professora, dramaturga e autora de Automata and Mimesis on the Stage of  Theatre History (Autômatos e Imitações no Palco da História do Teatro). No livro, ela diz: “Todo mundo na plateia conhecia alguém que morreu em consequência da guerra, e a ideia de robôs substituírem os soldados devia ser fascinante. Com o uso de tanques, dirigíveis e imagens fotográficas, a Primeira Guerra Mundial foi uma vitrine para tecnologias emergentes. Tornou as pessoas subitamente cientes da possibilidade muito real de destruição da raça humana por suas próprias criações baseadas em máquinas”.

Os robôs de Capek aprofundaram a discussão sobre se a tecnologia poderia libertar os trabalhadores e erradicar o trabalho manual. Como Reilly comenta, “esses escravos têm o potencial de transformar o mundo em um paraíso para os seres humanos. Em parte, RUR interroga e satiriza aquela luta modernista entre capital e mão de obra para forjar um paraíso dos trabalhadores”.

A primeira tradução em inglês chegou à Broadway em 1922, com o ator Spencer Tracy. Um ano depois, era apresentada no West End de Londres, no Teatro St. Martin, e um crítico da revista Pall Mall Gazette comentou: “Os robôs tornam-se bastante assustadores com seus rostos sem expressão e gestos automatizados. Ao sairmos, os pobres robôs sem alma parecem nos cercar: na rua, na escada do metrô, no trem. Efeito curioso. Poderia ser verdade?”

E RUR era ao mesmo tempo cativante e aterrorizante para o público. Em 1927, foi a primeira peça completa transmitida pela BBC e, mais tarde, em 1938, tornou-se a primeira peça de ficção científica televisionada, quando um programa de meia hora foi ao ar ao vivo pela mesma BBC.

“Eu acho que as ideias de RUR continuaram influenciando a cultura da ficção científica, mesmo em um nível subconsciente”, diz o autor premiado e campeão de vendas de ficção científica Stephen Baxter. “Os robôs de Capek rebelaram-se, como fizeram os robôs desde então, do Exterminador aos Simpsons”.

Baxter prossegue: “Hoje, pensamos mais em inteligências artificiais possivelmente sem corpo, mais que em humanoides, mas os dilemas morais são os mesmos. Como se controlam os robôs? Não acredito que Capek tenha pensado nisso tudo conscientemente, mas ele nos deu uma fábula, quase uma parábola bíblica, que nos permite explorar essas questões. Cunhar a palavra ‘robô’ foi uma ideia nova para explorar na ficção e na própria ciência”.

Enquanto a invenção do “robô” por Capek se mostrou cultural e cientificamente importante, a popularidade de RUR esvaneceu, e hoje a peça é quase desconhecida. Caitriona McLaughlin é uma diretora de teatro irlandesa que dirigiu a produção de RUR do Teatro Jovem Nacional da Irlanda, no Abbey Theatre em Dublin, em 2017. “Eu procurava uma peça que tentasse articular quem somos como espécie e que tipo de código moral queremos definir para nós”, analisa. “RUR usava alguns temas muito contemporâneos aos quais eu sabia que um jovem elenco reagiria, em particular a super dependência da tecnologia.” O tema de rebelião e revolta também forneceu um fundo cultural importante para a produção. “Trabalhamos na peça em meio a uma série de comemorações centenárias marcando a Revolta da Páscoa na Irlanda e a iminente formação do Estado irlandês, por isso ela parecia estranhamente apropriada.”

Mas, como descobriu McLaughlin, interpretar uma peça de ficção científica de um século para um público do século XXI encerra seus próprios desafios. “O texto em si era um pouco datado e precisávamos encontrar maneira de construir uma visão do futuro criada no passado que ainda parecesse o futuro atual.”

Os robôs trabalhadores humanoides de Capek e o cenário de uma ilha futurista dão aos artistas e diretores a oportunidade de montar diferentes desenhos de palco. “Nossos cenaristas e figurinistas criaram um mundo que era satisfatoriamente retrô, mas ainda sobrenatural o suficiente para sustentar a produção”, diz McLaughlin. “O conceito geral do design tornou-se a lente através da qual pudemos explorar algumas questões muito essenciais sobre a humanidade.”

É fácil ver como RUR influenciou a narrativa da ficção científica, dos androides de Philip K. Dick sonhando com carneiros elétricos ao Exterminador em perpétuo retorno de Arnold Schwarzenegger. Há até um musical de rock no estilo Rocky Horror Picture Show inspirado em RUR. Rob Susman, criador de Save the Robots, diz: “Foi uma peça que li na escola e sempre ficou comigo”. Embora, como indica o coautor Jacques Lamarre, a breguice explícita não estivesse necessariamente aparente no original de Capek: “Nossa versão vai um pouco além, fazendo os cientistas usarem couro e calcinhas”.

RUR também fez parte da carreira florescente de um ícone do cinema britânico. Em 1986, Michael Caine participou do programa de entrevistas de Terry Wogan e contou que seu pai, um peixeiro, lhe havia aconselhado: “Nunca faça um trabalho no qual você possa ser substituído por uma máquina”. (pausa) Então eu me tornei ator (risos). E na primeira peça que fiz interpretei um robô (mais risos). Muito esotérica na sociedade teatral amadora, era uma peça chamada Robôs Universais de Rossum, RUR. Um crítico da South London Press disse: “Caine estava muito convincente como robô”.

Para comemorar o centenário de RUR, um projeto sediado em Praga, The Aitre, fará uma apresentação ao vivo da primeira peça escrita por robôs. Estará disponível gratuitamente em 26 de fevereiro. The Aitre é uma colaboração entre programadores de IA, pesquisadores e representantes do teatro, que fazem as perguntas: Você acha que a inteligência artificial é capaz de criar um roteiro de teatro? Ela é capaz de criar uma peça sobre seu próprio pai, Karel Capek, que escreveu sobre robôs cem anos atrás?

Rudolf Rosa, um especialista em psicologia de robôs na Universidade Carlos, em Praga, que usa o apelido de RUR desde o seu tempo de escola, foi convidado a chefiar o projeto. Tecnicamente, não serão robôs a escrever a peça, pois, como Rosa explicou em uma entrevista recente, “embora os robôs existam e sejam usados, ao contrário das ideias clássicas, eles não são muito inteligentes. A inteligência geralmente está escondida em outro lugar, em poderosos computadores e servidores em centros de dados. Os robôs são mais como bonecos”.

Os robôs de Capek atuaram mais como advertência do que como previsão. RUR nos pedia para imaginar até onde a busca incansável por progresso tecnológico poderia levar a humanidade. Hoje, cem anos depois, a humanidade, em sua maior parte, continua a controlar firmemente suas máquinas. Mas quem sabe, talvez no bicentenário de RUR, humanos e robôs estejam unidos na comemoração.

OUTROS OLHARES

CINEMA EM CASA

Mini projetores vieram para ficar e se tornaram um dos equipamentos mais cobiçados nestes tempos de pandemia

Há um novo produto de consumo que virou uma febre nestes tempos de coronavírus e isolamento: os mini projetores digitais. Em plena quarentena obrigatória eles estão ganhando popularidade e se tornaram uma opção a mais para cumprir o distanciamento social com rigor e conforto e transformar qualquer ambiente da casa em uma verdadeira sala de cinema. A qualidade da imagem e do som supera as expectativas. Além disso, o mini projetor é uma máquina portátil e versátil que pode acompanhar o dono em qualquer lugar que ele vá. O equipamento garante uma autêntica e agradável experiência cinematográfica, permitindo a projeção de filmes a partir de celulares, computadores ou de qualquer outro equipamento de reprodução de imagens.

Com pouco mais de 300 gramas e preços que variam de R$ 400 a R$ 3,5 mil, os mini projetores podem substituir perfeitamente um aparelho de TV com vantagens sobre o tamanho e a definição da imagem. Para quem pode gastar mais, o LG Minibeam tem resolução da imagem ideal para jogos e filmes. Pode ser usado também para fazer apresentação de trabalhos digitais, como planilhas e desenhos, além de ser um equipamento auxiliar para aulas e palestras. Vários mini projetores dão acesso à Internet. Segundo Gustavo Yoshida, gerente de produtos e trade marketing de TI da LG Electronics Brasil, a imagem pode ser projetada em até 100 polegadas. “Temos uma projeção grande, sem distorção de imagem”, afirma.

Existem diversas marcas e modelos. O que se deve observar no momento de adquirir um mini projetor são três itens principais. O primeiro é a resolução, que pode deixar a apresentação mais agradável visualmente. Ao projetar a imagem na parede, para assistir um filme, o conteúdo não pode ficar borrado. Depois, o nível de ruído. Quanto mais silencioso for o mini projetor, melhor, para que não haja interferência no som do filme. E o último item é o preço. Cabe buscar um produto que tenha o melhor custo-benefício. Além disso, as características do local onde a imagem vai ser apresentada podem interferir na escolha. O microempresário Willian Spassini, morador de Rio do Bananal (ES), conta que têm dois projetores Epson, Power Lite X17 e S27, e dá uma dica. “Caso não se tenha uma parede legal para projeção, é só usar uma lona fosca de fundo escuro”, diz. Aí, a experiência de cinema será completa.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 29 DE JANEIRO

O CAMINHO DO SENHOR

O caminho do Senhor é fortaleza para os íntegros, mas ruína aos que praticam a iniquidade (Provérbios 10.29).

O caminho de Deus é perfeito. O caminho de Deus passa pelas veredas da justiça. É o caminho estreito que conduz à salvação. Esse caminho é aberto a todos, mas não aberto a tudo. Nele trafegam os pecadores arrependidos, que nasceram de novo e foram lavados no sangue do Cordeiro. Nesse caminho enfileiram-se os que amam a santidade e todo aquele cujo coração é totalmente do Senhor. O caminho do Senhor não apenas conduz os íntegros à vida abundante, mas também os protege dos aleivosos perigos. O caminho de Deus é chão para os pés do íntegro e muralha protetora contra os dardos inflamados do maligno. Ao mesmo tempo que protege o íntegro, o caminho do Senhor é uma inevitável ruína aos que praticam a iniquidade. O caminho do Senhor não é neutro. É como uma espada de dois gumes: oferece vida aos que obedecem e condena os que praticam a iniquidade. Aos que correm para os braços de Deus arrependidos, buscando sua graça, abrem-se os portais da glória. Porém, aqueles que fogem de Deus, desobedecem à sua Palavra e escarnecem da sua graça recebem a dura sentença de se apartarem para sempre daquele que é a fonte da vida.

GESTÃO E CARREIRA

GUERRA BIOLÓGICA

Pandemia traz à tona a importância desse profissional, o especialista em biossegurança, que atua no combate a micro-organismos nocivos.

Existem pelo menos 150 espécies de bactérias nas suas mãos neste momento, de acordo com um estudo da Universidade do Colorado. E provavelmente são bactérias bem diferentes das que habitam as minhas mãos. A pesquisa identificou 4.700 tipos diferentes em apenas 51 pessoas. Só cinco dessas espécies estavam presentes em todos os indivíduos.

Ou seja: cada ser humano, mesmo que saudável, carrega nas mãos um zoológico de micróbios que, dependendo da circunstância, podem se tornar uma ameaça à saúde. Por isso que sua mãe sempre pediu para que você lavasse as mãos antes das refeições – ainda que ela não tivesse acesso a estudos de biossegurança de universidades estrangeiras. É por isso que a OMS faz o mesmo pedido hoje, no que diz respeito ao Sars­Cov-2, o novo coronavírus.

Com a exceção de épocas de epidemia generalizada, porém, essa realidade da biologia passa despercebida. Tão despercebida quanto uma espécie de profissional que age quietinha para diminuir os riscos de contaminação: o especialista em biossegurança. Ele trabalha para evitar possíveis contaminações por bactérias e vírus. Sua função é pôr em prática urna série de protocolos de segurança que limitam o contato entre humanos e micro-organismos. Se hoje você tira os sapatos para entrar em casa ou dá banho de álcool em gel nas compras de supermercado, está seguindo esse tipo de protocolo, criado por especialistas em biossegurança.

“É muito comum a gente pensar nesse profissional dentro de ambientes hospitalares e de laboratório. Mas, se você vai fazer a manutenção de um ar-condicionado, por exemplo, pode ter a atuação de um engenheiro especializado em biossegurança para evitar a disseminação de bactérias ou fungos”, diz Jorge Mesquita, gerente médico da Vendrame Consultores (uma consultoria de segurança do trabalho).

CONHECENDO O INIMIGO

Ou seja: o campo de atuação é bem amplo, então o caminho para se tornar um especialista em risco biológico muda de acordo com a área.

Médicos, enfermeiros, dentistas e farmacêuticos já saem da graduação preparados, porque no próprio curso eles passam por mais de um módulo de biossegurança, nos quais aprendem protocolos de higienização, esterilização e sobre o uso de equipamentos protetivos. Esses cuidados fazem parte da rotina da área da saúde, afinal.

Já aqueles que se aventuraram por outros setores, como engenharia, turismo ou até beleza e gastronomia, podem recorrer a uma capacitação, que varia desde cursos livres até uma pós-graduação formal. O Sebrae, por exemplo, oferece palestras sobre o assunto para orientar os pequenos e médios empresários que voltaram ao atendimento presencial durante a pandemia.

Para Adriana Silva, professora no curso de Biossegurança do Senac EAD, a demanda por profissionais que entendem desse tema está em ascensão. “Em todos os locais que exista qualquer tipo de atendimento, como supermercado ou recepção, os responsáveis precisam saber as noções básicas de prevenção para evitar que doenças se propaguem.”

PREPARANDO O BATALHÃO

A paulistana Simone Tinelli, de 44 anos, é uma especialista em biossegurança na área de beleza. Em 2002, ela fez um curso de cabelo e maquiagem no Senac, e já mostrava uma preocupação especial com o assunto. “Eu ficava me questionando sobre a melhor forma de fazer a higienização dos pincéis, escovas e lâminas, mas, naquela época, isso não era muito falado nem existiam cursos específicos”, relembra.

Quando começou a trabalhar em salões de beleza, ela adotou os protocolos básicos de biossegurança – uso de máscara, luvas e lâminas descartáveis. Além disso, Simone também trabalhava com equipe de filmagem de comerciais e, muitas vezes, precisava improvisar para manter tudo limpo durante as sessões. “Imagina você fazer uma gravação no meio do mato, onde não tem nem um pote de água filtrada para poder lavar a mão. Então sempre estava com álcool em gel ou lenço umedecido; o pessoal até achava que eu tinha TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), porque ficava limpando as mãos toda hora.”

Hoje, após tantos meses de pandemia, o pessoal que esteve nessas equipes de filmagem deve saber que Simone não tinha TOC; era simplesmente uma pessoa preocupada em atuar na prevenção de doenças. Ela continuou sua profissão, sempre buscando informações sobre biossegurança por conta própria. Mas a especialização de fato só veio em 2017, quando resolveu abrir uma barbearia e foi para a Inglaterra estudar na London School of Barbering. Lá na terra da rainha, ela deixou de ser um peixe fora d’água. A preocupação com a saúde já era um foco central nos salões de beleza britânicos, assim como a oferta de produtos e equipamentos – tanto que na capacitação como barbeira ela passou pelas aulas de biossegurança que os alunos da área da saúde sabem de cor.

“Hoje, a gente está falando da Covid-19. Mas a verdade é que os salões de beleza possuem uma alta taxa de transmissão de outros patógenos graves, como o HIV e os vírus das hepatites.” De fato, em 2014, uma pesquisa do Hospital Emílio Ribas identificou que uma em cada dez manicures de São Paulo estava contaminada com o tal vírus de hepatite (8% com o da hepatite B e 2% com o da hepatite C) por causa do uso de alicates e navalhas contaminadas com sangue de clientes. Desde então, a autoclave (máquina de esterilização para alicates e navalhas) passou a ser item obrigatório dentro dos salões. Mas vale notar que isso protege mais as clientes que as profissionais. A cliente tem a segurança de usar um material limpo, mas ainda pode contaminar a manicure com seu sangue caso esteja infectada – daí a necessidade de luvas e máscaras para essas profissionais.

Simone, enfim, se jogou de cabeça nos estudos com o objetivo de mudar a realidade dos estabelecimentos brasileiros. “Comecei a me aprofundar no assunto, a pesquisar e entrar em contato com os órgãos competentes, como a Anvisa, para estimular as discussões.” Hoje, além de gerenciar sua barbearia, ela oferece consultoria de biossegurança para outros salões e empresas do setor de beleza. No entanto, Adriana, do Senac, considera essa parte educacional um dos maiores desafios da profissão, porque montar um relatório de riscos e indicar o melhor protocolo de segurança é até simples. Complicado mesmo é conscientizar todo mundo. “É difícil fazer com que as pessoas sigam as normas. A pandemia trouxe uma mudança de hábitos. Mas a população tem memória curta. E a educação precisa ser constante.”

UM DIA NA VIDA

ROTINA DE TRABALHO: 8 horas diárias

DIVISÃO DO TEMPO

30% – Gerenciamento. Análise dos riscos e determinação dos processos de biossegurança que devem ser seguidos.

20% – Manutenção: limpeza de materiais, controle dos equipamentos, gerenciamento de resíduos e preparação dos procedimentos emergenciais.

50% – Treinamento e pesquisa: ensino de processos, auxílio aos funcionários e capacitação própria.

ATIVIDADES-CHAVE

Avaliar os riscos biológicos que podem estar presentes dentro de uma empresa ou linha de operação; definir processos e medidas de segurança; e auxiliar nos procedimentos emergenciais em caso de falha de biossegurança.

PONTOS POSITIVOS

Auxilia na melhora da saúde pública, ajuda a reduzir a incidência de doenças graves.

PONTOS NEGATIVOS

A profissão ainda é pouco conhecida fora do setor da saúde, e um dos maiores desafios é fazer com que as pessoas sigam de fato as orientações e protocolos de segurança.

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS

Habilidade em comunicação, comprometimento com a legislação vigente e interesse em continuar aprendendo.

QUEM CONTRATA

Restaurantes, academias, supermercados, cabeleireiros. É comum o profissional atuar de maneira autônoma, como um consultor.

SALÁRIO:

Até R$ 6.000*

*Segundo fontes consultadas pela reportagem.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HÁ ALGO DE BOM NA DEPRESSÃO?

Enquanto alguns se entregam, outros têm coragem para seguir em frente e buscar por mudanças de vida

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 12 milhões de pessoas têm depressão hoje em dia. A estimativa é de que, entre 2020 e 2030, ela se torne a doença mais comum do mundo.

Clinicamente, a depressão não apresenta nenhum benefício: muitas pessoas se entregam a um estado de sofrimento e de profunda tristeza e paralisam. Com isso, se tornam incapazes de exercer qualquer atividade cotidiana, como sair de casa.

Porém, vocêjá parou para pensar que pode existir um lado positivo nessa situação? Embora seja difícil de acreditar num primeiro momento, a depressão requer um profundo exercício de autoconhecimento e funciona como um importante processo de reflexão e mudança para o indivíduo.

CONHECENDO O MAL

“A depressão é um transtorno da nossa vida emocional”, aponta a psiquiatra Maria Cristina De Stefano. De acordo com a especialista, esse mal pode ser classificado como leve, moderado ou grave, dependendo do nível dos sintomas apresentados. A doença pode ocorrer em qualquer faixa etária e atingir tanto homens quanto mulheres. A depressão é um entristecimento patológico, que deixa a pessoa em um estado de desestímulo e desesperança frente à vida. Gilda Paoliello conta que a pessoa “perde a capacidade de sentir prazer, de fazer projetos e de acreditar em si mesma”. Segundo a psiquiatra, a depressão pode apresentar sentimentos em diversos graus. “Desde a sensação de tristeza, afeto mais característico da depressão, até o desejo de morrer que pode se concretizar nos casos mais profundos”, explica.

NO CÉREBRO

Embora atinja o córtex pré-frontal, região responsável pela manutenção do humor, a depressão ataca o cérebro como um todo. O distúrbio desregula os neurotransmissores, estruturas responsáveis pela comunicação entre os neurônios do sistema cerebral, sendo que os mais atingidos são serotonina, noradrenalina e dopamina.

Outro aspecto que merece atenção é que a depressão pode estar ligada a várias outras doenças das mais variadas formas, sendo causa ou consequência. “Alterações da tireoide, por exemplo, são causas frequentes da depressão. Algumas medicações, como corticoides, hormônios e anticoncepcionais, podem ter a depressão como efeito colateral. O abuso de álcool e drogas também é causa frequente de quadros depressivos”, aponta Gilda.

O LADO BOM

A psiquiatra Maria Cristina De Stefano afirma que tudo aquilo que nos causa uma crise é uma oportunidade única de definirmos novas perspectivas de vida. “Muitas vezes, doenças como a depressão desencadeiam alterações na ‘zona de conforto’ do existir e provocam reflexões, sentimentos e redecisões de como viver. O fato de ser possível superar dificuldades, doenças graves ou perdas importantes, inclusive da saúde mental, em geral, eleva a pessoa a outro grau de compreensão de sentido da vida e proporciona desapegos necessários”, comenta a profissional.

A depressão cria uma sensação de tristeza extrema que toma conta de todos os aspectos da vida. Em alguns casos, os indivíduos são acometidos por uma sensação tão negativa que acreditam que a única solução dos problemas é a morte. Porém, quando exibem um quadro mais controlado e conseguem se livrar dessas sensações de impotência, o instinto de vida ressurge. Segundo Stella Kill, terapeuta especialista em métodos naturais, ocorre um desejo por mudanças de postura, que podem estar relacionadas a várias esferas da vida. “Pode ser em relação as suas crenças, atitudes, comportamentos em sociedade, alimentação e espiritualidade (que nem sempre está envolvida com religiosidade, mas sim encontrar um caminho de contato com seu interior)”, define.

NOVOS SIGNIFICADOS

Para a psiquiatra Gilda Paoliello, é preciso transformar todas as perdas que a depressão trouxe em ressignificações. De acordo com ela, “uma revisão nos valores e uma nova forma de relação com a vida, com pessoas e consigo próprio”. O surgimento de doenças graves, que colocam a vida em risco, colaboram para esse quadro. “Essa situação é chamada Síndrome do Sobrevivente e se caracteriza por mudanças radicais no modo de vida, frequentemente, para melhor”, explica Maria Cristina.

Mais do que trazer novas percepções e comportamentos habituais, a depressão pode ser vista como mm oportunidade para o indivíduo conhecer melhor a si mesmo. Assim, ele pode entender como seu corpo e cérebro funcionam e a maneira que deve lidar em cada situação. “A busca pelo autoconhecimento é uma, possibilidade de tirar proveito dessa experiência”, afirma o psiquiatra Sérgio Lima.

É PRECISO DESEJAR

O tratamento dia depressão é constituído por vários processos integrados. Além de realizar consultas com um psiquiatra, o indivíduo deve ser capaz de falar sobre seus sentimentos e problemas, além de tomar antidepressivos, que “ajudam a diminuir sintomas mais graves e proporciona conforto mental à pessoa em sofrimento”, esclarece Maria Cristina. É preciso salientar que esses medicamentos “devem ser tomados com o acompanhamento médico, pois podem gerar efeitos colaterais ou precisar de ajustes de doses”, salienta o psiquiatra Sérgio Lima.

Stela Kill aponta que, mais importante do que procurar ajuda profissional, desejar a mudança é fundamental. “Acreditar que é possível sair desse estado é uma excelente ferramenta para que o tratamento siga adiante de maneira eficaz:”, explica a terapeuta·

TRISTEZA X DEPRESSÃO

É muito comum a confusão entre o que é tristeza e depressão. A primeira é um estado emocional e passageiro comum em nossas vidas, ocasionado por algum momento ou situação específicos. Já a segunda é um estado patológico, uma doença que precisa de tratamento. Na depressão, o indivíduo perde o prazer pela vida e se sente desmotivado e fazer qualquer atividade. Uma maneira de diferenciar as duas coisas é verificando o tempo que a pessoa permanece em um estado apático e a intensidade de seu sofrimento, além de se consultar com um médico.

SINTOMAS

A depressão apresenta uma grande complexidade e diversidade de sintomas, uma vez que tem efeitos por todo o cérebro. Confira alguns deles:

• Tristeza profunda;

•Desânimo;

• Pessimismo;

• Sensação excessiva de culpa;

• Perda do prazer de viver;

• Desvalorização;

• Perda ou ganho de peso;

• Alterações na tireoide;

• Insônia hipersônia (excesso de sono);

• Diminuição ou perda do desejo sexual;

• Isolamento social;

• Incapacidade de trabalhar;

• Diminuição da concentração;

• Apatia.