A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FARTURA E FOME

Faltam evidências de muitos dos supostos benefícios do jejum intermitente

Um saudável controle de peso traz muitos benefícios comprovados: risco menor de diabetes, menos dores nas articulações, chances menores de certos tipos de câncer e um sistema cardiovascular mais equilibrado. Alguns regimes, em particular a dieta mediterrânea, parecem muito adequados para gerar essas vantagens, embora somente quando as pessoas conseguem evitar a sobre alimentação ao segui-los. Agora, novas pesquisas sugerem que outro regime pode oferecer benefícios ainda maiores. Pelo menos essa é a afirmação de alguns que estudam uma abordagem chamada jejum intermitente.

O jejum intermitente (Jl) tem suas raízes em décadas de estudos que mostram que, se alimentarmos roedores em dias alternados, eles não só ficam esguios como desenvolvem menos doenças relacionadas ao envelhecimento e vivem de 30% a 40% mais tempo. Em um artigo de 2019 no New England Journal of Medicine, o gerontologista Rafael de Cabo e o neurocientista Mark Mattson sintetizaram uma grande quantidade de descobertas feitas em animais e, em número menor, em pessoas. Em roedores, e até certo ponto em macacos, o JI reduz peso corporal, pressão arterial e os níveis de colesterol, e melhora o controle glicêmico, reduz inflamações sistêmicas, mantém a saúde cerebral e até aumenta a resistência e a coordenação. Em humanos, estudos mostrara m que várias formas de Jl podem ser eficazes para perder peso, controlar o açúcar no sangue e abaixar a pressão arterial. “Mas, muitos benefícios que vemos em animais não estão ocorrendo em humanos”, diz Krista Varady, professora de nutrição na Universidade de Illinois.

O JI ocorre de três maneiras principais: jejum em dias alternados, quando as pessoas alternam entre dias de fartura (comendo normalmente ou um pouco a mais) e dias de jejum, com uma refeição “magra”, de cerca de 500 calorias; o plano 5:2, que significa comer normalmente cinco dias na semana, mas ingerir uma refeição bem pouco calórica nos outros dois; e a alimentação de tempo restrito, quando a refeição se restringe a uma janela de oito horas (ou, em algumas versões, de seis ou 10 horas).

Cientistas atribuem muitos dos efeitos positivos do JI à chamada alternância metabólica; após 10 ou 12 horas de jejum, o corpo exaure seu suprimento de glicogênio e começa a queimar cetonas. Essa alternância afeta fatores de crescimento, sinais imunes e outras substâncias químicas. “Mas isso não explica tudo”, diz Mattson. “Esses períodos de jejum-comer-jejum-comer ativam genes e caminhos de sinalização que tornam os neurônios mais resilientes”, diz ele, baseado principalmente em pesquisas em animais. “Isso estimula um processo chamado autofagia: as células entram em um modo de resistência ao estresse e reciclagem no qual se livram de proteínas danificadas, diz.

Há boas evidências de que o JI ajuda a emagrecer. Dois estudos compararam o regime 5:2 com uma dieta que reduzia as calorias diárias em 25%; ambos constataram que os dois regimes levaram à mesma perda de peso ao longo de três a seis meses. Mas o JI trouxe um melhor controle do açúcar sanguíneo e uma maior redução em gordura corporal. E um estudo de 2019, feito pela equipe de Varady, mostrou que o jejum em dias alternados favoreceu uma melhora na resposta corporal à insulina mais de duas vezes superior à gerada pela dieta de redução calórica.

O JI também pode ter uma vantagem em reduzir a pressão arterial, diz Courtney Peterson. Em um estudo pequeno, porém rigoroso, com homens pré-diabéticos, o laboratório de Peterson mostrou que restringir refeições a uma janela de seis horas que terminava às 15h levava a uma melhor sensibilidade à insulina e pressão arterial, mesmo sem perda de peso. Quanto a outros benefícios, dezenas de ensaios humanos estão em andamento para testar o JI como uma forma de desacelerar o crescimento de um câncer e reduzir os sintomas de esclerose múltipla, acidente vascular cerebral, doença de Crohn e outras enfermidades.

No fim das contas, as únicas dietas bem-sucedidas – qualquer que seja a meta – envolvem mudanças permanentes em hábitos alimentares. O JI pode funcionar bem no longo prazo para quem gosta de pular refeições e detesta contar calorias. Mas Varady viu uma alta taxa de desistência em um estudo de um ano de duração e é cética quanto a janelas de tempo restrito que fecham muito cedo: “Ninguém quer pular o jantar”.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.