A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A PESQUISA E AS MÁS COMPANHIAS

Como o criminoso Jeffrey Epstein comprou influência em Harvard

Em maio passado, a Universidade Harvard (onde leciono) divulgou um relatório sobre seu relacionamento com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Foi um mea-culpa franco e direto, destacando três áreas. A primeira foi a contradição entre tratar de agressão e assédio sexual no campus enquanto aceitava dinheiro de um abusador de menores. A segunda foi a mofa dos padrões acadêmicos quando, depois de doar US$ 200 mil para o departamento de psicologia, Epstein foi indicado como pesquisador visitante, apesar da falta de qualificação acadêmica. A terceira foi sua ligação com o Programa para Dinâmica Evolutiva (PED) de Harvard. Mesmo depois de sair da prisão, Epstein se manteve um visitante frequente: já um criminoso sexual fichado, ele foi aos escritórios do PED mais de 40 vezes entre 2010 e 2018. Ele tinha um escritório no campus, um cartão-chave e uma senha com a qual podia entrar nos prédios fora do expediente.

A vida acadêmica é dura em parte porque pesquisadores com boas ideias têm de competir por fundos. Quando a revisão por pares funciona bem, ela identifica as melhores ideias para apoiar, normalmente usando painéis e não indivíduos, para assegurar que diversas opiniões sejam representadas. O processo é imperfeito, mas mulheres, pessoas de cor, acadêmicos jovens, pesquisadores de universidades que não são de elite e pessoas que defendem ideias não convencionais pelo menos têm uma chance. Porém, mais de dois terços das doações de Epstein – US$ 6,5milhões – foram para o diretor do PED, Martin Nowak. Epstein encorajou outros a doar outros US$ 2 milhões ao geneticista George Church. Ambos já eram bem estabelecidos e financiados; Epstein ajudou os endinheirados a ficarem mais endinheirados.

Para piorar, Epstein era um moderno eugenista, cujos interesses estavam atrelados a uma louca noção de semear a raça humana com seu próprio DNA. Dada essa postura, é perturbador que ele concentrasse sua generosidade em pesquisas sobre a base genética do comportamento humano. A genética humana é um domínio eticamente sensível e intelectualmente contestado, e devemos garantir que os mais elevados padrões de rigor científico estejam em vigor e que explicações não genéticas para o comportamento recebam uma chance justa para competir.

Cientistas podem alegar que o dinheiro de Epstein não os fez abaixar seus padrões, mas temos amplas evidências de que os interesses de financiadores muitas vezes influenciam a pesquisa. O New York Times concluiu que, neste caso, ele levou os pesquisadores “a dar crédito a algumas das equivocadas ideias científicas do Sr. Epstein”. Verdadeiro ou não, deveria nos preocupar que um homem corrupto tomasse decisões que afetavam as pesquisas em uma das mais renomadas universidades dos EUA. Ele não tinha competência acadêmica, mas fez escolhas sobre quais propostas de pesquisa eram promissoras.

Além disso, quando Epstein se encrencou, vários docentes o defenderam e até o visitaram na prisão. Quando seu advogado, o professor de Harvard Alan Dershowitz precisou de ajuda para argumentar (por razões semânticas) que Epstein não era culpado, ele procurou o psicólogo de Harvard, Steven Pinker. Este diz que não sabia como seu conselho era usado e só ajudou Dershowitz como “um favor a um amigo e colega”. Mas este é o ponto: Epstein comprou amigos influentes, e esses amigos tinham amigos que o ajudaram, mesmo que inadvertidamente.

Essas questões vieram à tona porque Epstein era um criminoso, mas Harvard não é a única a aceitar dinheiro contaminado. Universidades precisam desenvolver políticas para garantir que o financiamento à pesquisa se baseie em mérito, não em nepotismo, e pesquisadores que buscam confiança pública têm de ser capazes de mostrar que suas próprias bússolas éticas não se desviam pelo magnetismo do dinheiro.

*** NAOMI ORESKE – é professora de história da ciência da Universidade Harvard. É autora de WhyTrust Science? (Editora da Universidade Princeton, 2019) e coautora de Disceming Expens (Universidade de Chicago,2019).

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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