EU ACHO …

ENCONTROS E DESENCONTROS

Com os exames em mãos e devidamente imunizados, Manu e André decidem finalmente se ver

“Tô limpa.” “Eu também.”

Os dois mostraram o resultado do PGR de Covid pela tela do computador. As chamadas de vídeo se tomaram diárias depois de duas semanas falando pelo WhatsApp. Se conheceram no Tinder e não desgrudaram mais.

Manu e André tinham pessoas em comum. Ela tinha estudado com um amigo dele na faculdade, portanto tinham o antecedente de relações passadas minimamente checado, mas até o ponto que não incomoda, porque saber demais é sempre ruim. Ela detestava quando começava a sair com alguém novo e um dos amigos puxava a ficha corrida do cidadão. Torcia para o date não ter sido babaca com nenhuma menina, porque se soubesse disso não ia conseguir continuar. Mas desta vez parecia seguro seguir.

Ambos tinham gosto por corrida, praia e cinema, mas divergiam no quesito musical e séries de TV. Manu sublimou algumas coisas, pensou no que a astróloga comentou do posicionamento de Vênus no mapa astral e disse para si mesma que era exigente demais. “Às vezes a graça está no oposto”, e seguiu dando papo.

Um dia Manu entrou no elevador com o vizinho do apartamento ao lado que estava levando uma garrafa de champanhe “para comemorar 30 anos de casados com a esposa”, disse orgulhoso, e à noite Manu contou do encontro para André. Ficaram comentando o que fazia um relacionamento durar, ambos concordaram que era ter assunto por horas, e riram de felicidade e nervoso da possibilidade de um encontro. De manhã, Manu deixou um bolo na porta dos vizinhos com um cartão bonito que celebrava o amor.

Com os exames de PCR em mãos e devidamente imunizados, decidiram finalmente se encontrar. André chegou trazendo uma garrafa de vinho, “tão boa quanto a champanhe do vizinho, espero”, e Manu pediu para que ele deixasse em cima da pia e tirasse toda a roupa na área enquanto ela desinfetava a garrafa.

Ficou nu antes de chegar na sala, e quando achou que iam transar ali mesmo, ela pediu que ele entrasse no banho. Avisou que tinha toalha limpa e sabonete antisséptico no banheiro, e deixou também um roupão para ele não ter que vestir a roupa que veio da rua.

Quando André chegou na sala, Manu já esperava sem máscara. O roupão de florzinha que usava na natação atrapalhou um pouco o sex appeal dele, mas ela decidiu focar no papo. Pessoalmente não conseguiram reproduzir a cumplicidade das ligações de vídeo, e enquanto André falava, Manu pensava que a internet realmente produz um lugar de intimidade onde é possível falar tudo, mas que no presencial nem sempre era assim. Quando ele chamou sua atenção, ela voltou a cabeça para o momento presente como pedia a analista, e partiu para um beijo.

Tirou o roupão de André e pensou que já estava na hora de trocar, a toalha que revestia a peça já não era mais gostosa assim. Voltou para o momento presente mais uma vez quando ele enfiou a língua em sua orelha. Transaram no chão da sala mais porque ela tinha medo de infectar o quarto do que por tesão. O sexo teve aquela timidez das primeiras vezes, mas ela conseguiu gozar. “Qualquer coisa me faria gozar agora” pensou. Estava tão cansada das reuniões de Zoom – aliás, tinha a impressão de que estava trabalhando mais on-line do que antes presencialmente – que apagou no peito dele sem perceber.

Quanto acordou, André não estava mais lá. Foi embora sem se despedir, deixou um bilhete na geladeira agradecendo o encontro e dizendo que ele precisava ir embora pois tinha compromisso cedo. Manu gelou a espinha pensando aonde ele andava indo na pandemia, e ficou chateada pela fuga e pelo risco. Demorou para perceber, mas caiu a ficha de que tinha forçado a barra esse tempo todo, o cara não gostava de O Poderoso Chefão e nunca tinha escutado Alcione, não podia dar certo.

Procurou o vinho que ele tinha trazido para embalar o sono na madrugada, veria o primeiro da icônica trilogia do Coppola pela décima vez só de teimosia. André não sabia o que estava perdendo. Foi até a bancada da cozinha onde ele tinha deixado, mas não achou a garrafa. Andou a casa inteira, mas nenhum sinal, até que ela se tocou que ele tinha ido embora e levado o vinho junto.

No dia seguinte, puta e frustrada, Manu desinstalou o Tinder pela segunda vez. Na hora que desceu para ir ao mercado, encontrou a vizinha no elevador com uma mala enorme e quis saber se eles estavam indo viajar. “Ter alguém para fugir da cidade na pandemia deve ser maravilhoso”, comentou e perguntou se os dois tinham gostado do bolo. A vizinha agradeceu, disse que comeu tudo sozinha e que, na verdade, aquela mala era parte da mudança do marido. Depois de 30 anos tinha percebido que convivia com um chato intolerante e sem assunto e que, na verdade, esse tempo todo de pandemia ela se sentiu em cárcere privado com o mala.

Aliviada com o fato de estar sozinha, Manu comprou o melhor vinho do supermercado e à noite bebeu fazendo um Facetime com as amigas. Torceu para não ter que passar os próximos 30 anos detestando alguém, e escreveu uma mensagem para a astróloga dizendo que na verdade ela estava muito satisfeita com a posição de Vênus sim.

*** PAULA GICOVATE

OUTROS OLHARES

CHÁS EMAGRECEDORES

Aproveite e também inclua os chás nas suas refeições

Os chás para emagrecer são um ótimo recurso para completar a dieta, para quem pretende não só emagrecer, como também desinchar e perder barriga, além de serem uma ótima opção caseira e natural. O chá de gengibre, o chá mate com limão e o chá verde são alguns dos indicados, pois ajudam na retenção de líquidos, a saciar o apetite e a aumentar o metabolismo, ajudando na queima de gorduras.

CHÁ VERDE: é termogênico e ajuda a aumentar o metabolismo, ajudando o corpo a gastar energia mesmo quando parado.

CHÁ PRETO: além de ser termogênico é um chá antioxidante, ajuda a eliminar radicais livres pelo corpo e aumenta a queima de gordura.

CHÁ BRANCO: tem mais ação antioxidante do que a cafeína presente nas flores, porque as flores não passam pelo processo de fermentação e são colhidas antes mesmo de abrirem.

CHÁ DE CAVALINHA: muito indicado para quem tem retenção de líquido.

CHÁ DE HIBISCO: utilizado para queimar gordura, reduzir o inchaço, melhorar o funcionamento intestinal e controlar o colesterol. Como é diurético, serve para baixar a pressão arterial e proteger as funções dos rins e fígado.

CHIMARRÃO: muito consumido, principalmente na região Sul, é uma erva que ajuda a acelerar metabolismo e inibir o sono, dando mais energia e disposição durante o dia.

TERERÊ: diferente do chimarrão, o Tererê é consumido gelado, tendo os mesmos benefícios do chimarrão.

CHÁ MATE: é um alimento que acelera o metabolismo, ajuda na queima de gordura, reduz colesterol e é um bom estimulante para o dia a dia.

Estes são os chás mais comuns e indicados para consumo quando se quer emagrecer. Atenção às grávidas, lactantes, hipertensos, cardiopatas ou qualquer outra pessoa que tenha restrição na dieta, verifique sempre antes com seu nutricionista ou médico sobre a liberação do consumo. Para preparar flores e folhas deve esquentar a água, antes de subir fervura, colocar as flores e folhas e deixar no máximo 3 minutos em infusão, depois coar e consumir quente ou frio. Já para os chás de raiz deve deixar a água ferver, colocar as raízes e manter em infusão por até 10 minutos e depois coar.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 22 DE JANEIRO

A BÊNÇÃO DE DEUS ENRIQUECE

A bênção de Deus enriquece, e, com ela, não traz desgosto (Provérbios 10.22).

A teologia da prosperidade está em alta. Muitos pregadores rendem-se a essa visão, movidos pela ganância, e prometem aos fiéis mundos e fundos em nome de Deus. Ensinam que a evidência da bênção divina é a prosperidade material. Essa interpretação, entretanto, está em desacordo com a Palavra de Deus. Há ricos pobres e pobres ricos. John Rockefeller disse que o homem mais pobre que conhecia era aquele que só tinha dinheiro. Os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, pois o amor do dinheiro é a raiz de todos os males. Não postulamos a teologia da prosperidade nem a teologia da miséria. A pobreza não é uma virtude, nem a riqueza, um pecado. A Bíblia é categórica em afirmar que a bênção de Deus enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto (Provérbios 10.22). Deus é a fonte de todo bem. Dele procede toda boa dádiva. É Deus quem fortalece as nossas mãos para adquirirmos riqueza. Riquezas e glórias vêm das mãos de Deus. A riqueza que Deus dá não é fruto da desonestidade. Não é produto do roubo nem da corrupção. A riqueza que Deus dá é fruto da bênção que vem do céu e do trabalho honrado feito na terra. Essa é uma riqueza que não traz desgosto nem tira o sono. Sua fonte é limpa, sua natureza é santa, seu propósito é sublime.

GESTÃO E CARREIRA

ENTREVISTA DE EMPREGO: COMO CONQUISTAR A VAGA DOS SONHOS

Do início ao fim, o guia completo da entrevista de emprego do Na Prática traz tudo o que você precisa saber para mandar bem nessa etapa, decisiva em todos os processos seletivos.

A entrevista de emprego é um dos momentos mais temidos dos processos seletivos. Não por acaso: o candidato fica frente a frente com o recrutador e tem pouco tempo para impressionar. Além disso, precisa controlar o nervosismo, se atentar à forma com que fala, à postura, e responder as perguntas objetivamente.

Dar atenção a esses aspectos, no entanto, pode não ser o bastante para cativar. Destacar-se em uma entrevista de emprego também requer que o perfil, objetivo e habilidades do profissional estejam alinhadas ao que empresa busca.

Com tantas preocupações, se você quer a oportunidade, não vale a pena ir sem se preparar. Siga esse guia completo da entrevista de emprego do Na Prática para não só dominar os pontos básicos como mostrar seu valor e conquistar o entrevistador. Não tem erro!

COMO SE SAIR BEM EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO

Para mandar bem nessa etapa, o candidato precisa se preparar. São muitos detalhes e pontos a desenvolver – deixar tudo para a última hora, ou “improvisar”, é arriscado.

Essa preparação não deve começar na véspera. Na realidade, ela começa com o currículo, que guiará a conversa com o recrutador. Nele, procure apresentar resultados, além das habilidades e conhecimentos. Treine contar e explicar cada um dos pontos que você descreve no documento.

E também saiba resumir a sua trajetória em poucos minutos, sem esquecer de passar pelos momentos ou fatos mais relevantes.

Não deixe de pesquisar a empresa. Além de, na maior parte das entrevistas, os recrutadores perguntarem sobre o que o profissional sabe, aprender sobre a companhia ajuda a entender de quem ela precisa em seu quadro de funcionários. É de alguém que lida bem com autonomia e rapidez? Ou de quem trabalha muito bem em equipe?

Outra coisa a ser trabalhada é a confiança. Tudo bem estar nervoso, mas controle os sinais e os substitua com sinais de segurança e autoconfiança (o que é diferente de arrogância, cuidado!).

A seguir, confira tudo o que é preciso – desde à preparação, até o que fazer depois da entrevista de emprego.

COMO SE PREPARAR PARA UMA ENTREVISTA DE EMPREGO

O autoconhecimento é um dos pontos mais relevantes, porque influencia diretamente em como a pessoa conta a sua história. Segundo Leonardo Gomes, coordenador de seleção da Fundação Estudar, é importante ter clareza sobre a trajetória, experiências anteriores relevantes, pontos a desenvolver, erros do passado, limitações e ter um plano, pelo menos de curto prazo, para a carreira.

Também é possível treinar para os testes online, como os de capacidade analítica, inteligência espacial, análise crítica de texto e até resolução de cases. Busque referências na internet! O Na Prática já destrinchou os testes de lógica, os de inglês e os desafios de cases, entre outros.

Não basta só se conhecer, você precisa saber contar a sua história. Afine sua habilidade de storytelling. Se tem uma frase que com certeza será dita durante a entrevista de emprego é: “Me fale sobre você”. Por isso, saiba narrar sua trajetória de forma “curta”, tenha uma versão de 5 minutos, e “longa”, com cerca de 8 minutos.

Utilize o método STAR, um jeito de estruturar que ajuda na hora de narrar suas conquistas. STAR é um acrônimo para Situação, Tarefa, Ações e Resultado. Basicamente, é só seguir essa ordem ao narrar seus feitos. Assim, garante que nenhum ponto importante ficará de fora.

Atualmente, as companhias buscam candidatos que se adequem à sua cultura – o famoso “fit cultural” -, por isso é muito importante estudar sobre a organização para a qual se aplica. Além disso, é bom saber sobre o contexto da indústria, em específico. Estude os seguintes pontos:

MACROECONOMIA: Você não precisa ser um expert, mas é bom saber como anda a situação política e econômica do Brasil. Qual a situação mundial? Qual é a aposta para ser a nova superpotência mundial?

INDÚSTRIA: Quem são os principais clientes no setor da empresa? E os principais concorrentes? Quem domina o mercado?

EMPRESA: Como é a cultura da empresa? Sua missão, visão e valores? Como ela se comporta nas redes sociais? Como sua marca se posiciona? Quais seus principais produtos?

ÁREA/FUNÇÃO: O que a área para qual você está se candidatando faz? Como se encaixa na empresa como um todo? Qual é o perfil dos profissionais? Como você pode contribuir para essa área?

Por fim – e, definitivamente, não menos importante – estude as perguntas mais básicas, sem se esquecer de se preparar para as mais difíceis. Não dá para prever as questões mais originais que o recrutador fará. Mas, tendo pesquisado sobre a empresa, você pode tentar se preparar para responder pontos que surjam.

Por exemplo, se autonomia é um foco da organização, pense em como explicaria como você lida com esse valor durante o dia a dia. E assim por diante.

COMO ESCAPAR DE “SAIAS JUSTAS”

Algumas “saias justas” podem ser evitadas. Por exemplo: atrasos. Quem mora em lugares que têm trânsito diariamente, precisa sair mais cedo. Mas se acontecer, ligue para o recrutador quando perceber que não vai conseguir cumprir o horário e explique honestamente a situação. Dê espaço para ele decidir se espera você chegar, ou se remarca a entrevista de emprego.

Quando o entrevistador pergunta algo com que você não está confortável em responder, como sobre sua idade, avalie o contexto e responde com sinceridade.

“Se for muito mais velho do que a média dos profissionais da empresa, diga que isso não interfere na sua disposição para aprender. Se for muito mais jovem, deixe claro que tem maturidade suficiente para assumir a posição”, explica Isis Borge, gerente de divisão da consultoria Robert Half.

Já no começo da conversa, você pode perceber que o entrevistador está sendo meio “frio”, ou mal-humorado. Lembre-se que ter dias ruins é comum e pode acontecer com todo mundo. Não encare como uma questão pessoal, relacionada a você, nem deixe que seu nervosismo aumente por conta disso.

Avalie o clima: tente “quebrar o gelo” com assuntos amenos no início da conversa e, se o interlocutor se mostrar fechado, foque em ser objetivo e dar respostas diretas.

COMO FAZER UM VÍDEO DE ENTREVISTA DE EMPREGO

Se nas etapas previstas no processo seletivo, um dos requisitos é que o candidato grave um vídeo, o ideal é seguir as normas previstas. Preste atenção em quantos minutos o vídeo precisa ter e até sobre seu formato.

Essa etapa está se tornando mais comum, e, na realidade, trata-se de mais uma forma que os recrutadores têm de conhecer você. Utilize a oportunidade para despertar interesse sobre você e sua trajetória.

ASPECTOS TÉCNICOS

Primeiro, separe o equipamento em que irá gravar e o prepare. Pode ser uma câmera, um celular, ou até uma webcam. O importante é que ele seja feito no formato horizontal e gravado durante o dia, para aproveitar a luz natural.

Em câmeras ou smartphones, tente estabilizar a imagem utilizando apoios ou tripés. Lembre-se também de verificar (antes!) como está a captação do áudio.

AMBIENTE

Escolha um lugar silencioso e organizado para gravar sua apresentação. Qualquer barulho exterior pode dificultar a captação do som. Certifique-se de que não haja distrações ao seu redor – tanto para você, quanto para o espectador.

APARÊNCIA

Vista-se como se você fosse a uma entrevista presencial. Baseado na sua pesquisa sobre a empresa e a vaga, escolha entre uma roupa mais formal ou mais casual. É importante que o traje não fuja do contexto ou se destaque mais do que o conteúdo.

CONTEÚDO

Por mais que seja um vídeo curto, na maioria das vezes, serve para instigar o recrutador. Por isso, aparecer lendo não é uma boa ideia. Escreva um roteiro simples e objetivo, que resuma bem quem você é, ao menos profissionalmente. Leia várias vezes até que consiga falar para a câmera com segurança.

Não decore palavra por palavra, porque pode não parecer sincero no relato. Também evite tocar nos pontos exatos do seu currículo, porque o recrutador já tem acesso a ele. Foque em explicar os movimentos da trajetória.

Por exemplo, por que escolheu migrar para outra área? Que habilidades desenvolveu em tal etapa da carreira? O que fez para se desenvolver nos meses em que esteve desempregado?

Contar por ordem cronológica, nesse caso, é sempre uma boa ideia. Mas se você quer se diferenciar ainda mais, trace a história de uma forma criativa, que faça sentido e tenha coerência.

Tome cuidado para não deixar o vídeo relaxado ou descontraído demais. Guie-se pela formalidade exigida pela vaga.

COMO SE COMPORTAR EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO

Como cativar de início

CUIDAR DO VISUAL

Escolha seu vestuário com atenção e tente adequar ao tipo de empresa a que se aplica. Na dúvida, aposte em roupas sóbrias e clássicas.

SER GENTIL

A cordialidade é uma das formas de conquistar. Seja gentil com todos que encontrar na empresa, desde a hora em que entrar. “Já liguei várias vezes para a recepcionista para saber como o profissional tinha se comportado diante dela, quando chegou ao prédio”, explica Raphael Falcão, diretor da consultoria Hays. “Se é grosseiro com ela, não adianta nada ser extremamente educado depois.”

IDENTIFICAR O ESTILO DO ENTREVISTADOR 

A ciência já provou, diversas vezes, que a similaridade tem papel forte no quanto “agradamos” alguém. Não é diferente nos processos seletivos. Dessa forma, é indicado ao candidato avaliar a forma com o outro se porta e “imitar”. Isso não é o mesmo que mentir ou mudar sua personalidade. Há um tempo, Felipe Brunieri, na consultoria Talenses, deu a dica:

“Cada recrutador tem uma personalidade diferente: alguns são mais sisudos e formais, enquanto outros preferem uma abordagem mais coloquial e descontraída. Identificar rapidamente esse estilo, e se adaptar a ele, conta muitos pontos ao seu favor.”

O QUE RESPONDER EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO

A técnica de storytelling pode ser bastante útil em uma entrevista de emprego, principalmente se o objetivo é ser lembrado pelo recrutador entre dezenas de candidatos. Storytelling, basicamente, é a arte de contar boas histórias. No contexto do processo seletivo, quatro perguntas podem te ajudar a montar o seu discurso de apresentação.

1. QUEM SOU EU?

A importância do autoconhecimento, aqui, é dobrada. Identifique o que será o centro da sua história, com base na mensagem que você quer passar. Você é extremamente dedicado e entrega bons resultados? Busque mostrar isso. 

O que você destacaria em sua trajetória? O que faz muito sentido para você? O que quer reforçar que represente quem você é como profissional?

2. PARA QUEM VOU CONTAR MINHA HISTÓRIA?

A forma com que alguém conta uma história costuma mudar de acordo com quem a ouve. A mesma lógica se aplica ao entrevistador: é preciso reforçar o que você vai contar de acordo com quem você está falando e a oportunidade que aquela pessoa representa. 

Imagine que você participou da associação atlética durante sua faculdade. Se é uma vaga que lida com aspecto financeiro, você pode destacar experiências com fluxo de caixa e administração de finanças. Se for algo voltado para marketing e comunicação, pode, em vez disso, resgatar seus aprendizados ao divulgar eventos para milhares de pessoas. Não se trata de mudar toda a narrativa, mas ajustar os detalhes. 

Use números quando for possível – métricas concretas ajudam sua história a ser mais marcante.

Escreva sua apresentação com base nessas perguntas, mas tenha uma versão curta e uma mais longa, para escolher dependendo do que o entrevistador pede, ou demonstra querer.

Treine contar a história o bastante para que consiga fazer isso com naturalidade. No entanto, tome cuidado para não narrá-la mecanicamente.

3. O QUE ME DIFERENCIA?

Muitos jovens têm experiências similares no papel: faculdade, estágio, intercâmbio, empresa júnior, etc. O esforço aqui deve ser direcionado para contar o que você fez de diferente. Como enfrentou um desafio ou mudou algum processo? Como buscou e aproveitou as oportunidades? De que forma realizou algo além do previsto?

4. MINHA HISTÓRIA É CONGRUENTE?

As mensagens ambíguas que uma história incongruente transmite podem levar um recrutador a assumir que você está inventando aquele interesse na hora ou que ele não é verdadeiro, por exemplo. Caso sua apresentação pessoal contenha focos de interesse, garanta que eles encontrem respaldo no que você está falando.

Se você não tem background congruente com seus interesses, não invente. Em vez disso, corra atrás de ter uma experiência alinhada, que traga a fundamentação necessária para a mensagem que você quer passar. Seja um curso (inclusive, online), um trabalho voluntário relacionado à causa que te move, etc.

COMO DEMONSTRAR INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Em tempos de automação intensa do trabalho, a inteligência emocional vem sendo cada vez mais valorizada nos processos seletivos. Em suma, ter um alto nível de inteligência emocional significa ter capacidade de gerenciar seus sentimentos, de modo que eles sejam expressos de maneira apropriada e eficaz.

Ela é muito útil pessoalmente, mas também profissionalmente – e para a empresa. Significa que você lidará bem com conflitos, por exemplo.

QUAL SEU NÍVEL DE INTELIGÊNCIA EMOCIONAL? FAÇA O TESTE!

Compilamos sete passos para mostrar essa habilidade em uma entrevista de emprego.

  1. Ouça ativamente
  2. Mostre emoções
  3. Compartilhe o crédito por suas conquistas
  4. Mostre como você está tentando melhorar
  5. Não tenha medo de falar sobre conflitos
  6. Pergunte sobre a cultura e valores
  7. Mostre que você pode aprender com seus erros

O QUE RESPONDER EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO: PERGUNTAS E RESPOSTAS

1. “Me fale sobre você…”

2. “Quais são seus pontos fortes e fracos?”

3. “Como você se vê daqui a 10 anos?”

4. “Por que devo te contratar?”

5. “Por que não devo te contratar?”

PERGUNTAS QUE VOCÊ PODE FAZER

Toda entrevista de emprego tem aquele momento em que o entrevistador pergunta se o candidato tem alguma questão. Esse é o momento ideal para tirar dúvidas que tenham ficado. Como quão flexíveis são os horários, como se dá a interação entre as equipes, qual seria sua principal responsabilidade se conseguisse o cargo.

Porém, se não tenha nenhuma dúvida na cabeça e, mesmo assim, queira aproveitar a oportunidade para se destacar ainda mais, tenha algumas perguntas na manga. A seguir, alguns exemplos:

  1. Como a empresa vai estar daqui a um ano? De todas e quaisquer perspectivas – produto, pessoas, equipes, receita.
  2. O que significa sucesso para funcionários em posições iniciais nessa empresa?
  3. Como você descreveria a equipe e o gerente do time em que eu trabalharia?
  4. Se você me oferecesse o emprego, o que recomendaria que eu fizesse para começar com o pé direito?
  5. O que preciso realizar nos primeiros 90 a 120 dias para ser um sucesso e causar impacto?

REDAÇÃO PARA ENTREVISTA DE EMPREGO

Em algumas entrevistas, o recrutador pede uma redação. O tema pode variar, mas em geral é sobre a empresa ou o candidato, sua trajetória. Para o primeiro assunto, o objetivo é entender o que o profissional sabe sobre a companhia, se pesquisou, se preparou, e se compreende o negócio. No segundo, ele busca sinais de que o candidato tem noção sobre seus objetivos e se suas ações mostram autoconhecimento, vontade de se desenvolver e alinhamento com suas metas.

Não importa o tema, alguns pontos de atenção são indispensáveis. Por exemplo, gramática correta, já que os recrutadores avaliam isso também. Evite gírias, abreviações e, se conseguir, varie o vocabulário. A repetição de palavras, principalmente próximas, pode deixar o texto cansativo.

Porém, tenha cuidado ao usar com frequência palavras muito complexas: o material pode se tornar confuso e perder a coesão, que é um dos quesitos mais valiosos para quem avalia nesse contexto.

Estruture o texto em uma linha de pensamento que faça sentido. Por exemplo, introdução, desenvolvimento do tema e conclusão. Não se esqueça de um título relacionado, que não exponha todo o conteúdo da redação, mas que deixe claro seu teor.

COMO SABER SE FUI BEM NA ENTREVISTA?

O que fazer depois da entrevista de emprego é uma dúvida entre muitos candidatos. Se você sentir que a conversa fluiu bem e a oportunidade te interessar bastante, pode mandar um e-mail de agradecimento pela disposição do recrutador.

Durante a conversa, se o entrevistador pediu que você solucionasse um problema, envie um e-mail aprofundando sua proposta. Ou envie os trabalhos que mencionou.

Mostrar interesse é importante para conseguir a vaga, no entanto, tenha cuidado e perceba se ele deixou espaço ou não para um novo contato.

No caso de ter sido recomendado por alguém, mesmo que não seja de dentro da empresa, é importante ressaltar isso no e-mail de agradecimento. Converse com a pessoa que te recomendou e demonstre interesse na vaga, o feedback positivo pode acabar chegando aos ouvidos do recrutador.

Não tem como ter certeza de ter ido bem ou mal depois de uma entrevista. Existem sinais, mas eles são subjetivos e, ao mesmo tempo, pode ser difícil percebê-los. Ainda que o ideal não seja focar nisso durante a entrevista, se o entrevistador parecer estar gostando da conversa, pode ser que você tenha impressionado.

Se as próximas etapas foram discutidas, ou se o tempo da entrevista foi maior do que o previsto, também podem ser bons sinais. Outro é se o recrutador tentou “vender” a empresa e a vaga para você.

De qualquer forma, a “falta” desses sinais não é decisiva, por isso não se desanime se não lembrar de nenhum deles.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O RACISMO DOS EXAMES MÉDICOS

Muitos diagnósticos são inerentemente tendenciosos contra os não brancos

A Covid-19 causou danos a negros, indígenas e a outras comunidades não brancas, e as instituições médicas nos EUA deveriam fazer todo o possível para eliminar as desigualdades raciais arraigadas. Mas muitos dos sistemas de avaliação por imagens usados no tratamento médico estão exacerbando o racismo na medicina. Eles automaticamente alteram os resultados dos exames de pessoas não brancas, gerando erros e podendo resultar na não prescrição do tratamento necessário. Na medicina moderna, são comuns esses ajustes dos resultados das avaliações com base étnica, sobretudo nos EUA. Para determinar as chances de morte de um paciente com insuficiência cardíaca, por exemplo, um médico que siga diretrizes da Associação de Cardiologia Americana usa fatores como idade, frequência cardíaca e pressão arterial sistólica para calcular uma pontuação de risco, que ajuda a determinar o tratamento. Mas, por razões que a AHA não explica, o algoritmo automaticamente adiciona três pontos na marca de pacientes não negros, fazendo parecer que negros têm menor risco de morrer por problemas cardíacos simplesmente em virtude da raça. Isso não é verdade.

Um recente estudo publicado no New England Journal of Medicine apresentou 13 exemplos de algoritmos que usam a etnia como um fator. Em cada caso, o ajuste resulta em potencial prejuízo para pacientes identificados como não brancos. Negros, latinos, indígenas e asiáticos, todos são afetados, em diversos graus, por cálculos diferentes. Essas “correções” são supostamente baseadas em premissas, há muito desmentidas, de diferenças biológicas inatas entre as etnias. Essa ideia persiste apesar de muitas evidências de que raça, que é uma construção social, não é um substituto confiável para a genética. Cada grupo étnico possui grande diversidade em seus genes. É verdade que algumas populações são geneticamente predispostas a determinadas condições médicas – as mutações BRCA associadas com câncer de mama, por exemplo, ocorrem com mais frequência entre descendentes de judeus asquenazes. Mas esses exemplos são raros e não se aplicam a categorias étnicas como “negros” ou “brancos”. A confluência equivocada entre etnia e genética é em geral composta por ideias ultrapassadas que as autoridades médicas (em sua maioria, brancas) perpetuaram a respeito dos não brancos. Por exemplo: um teste renal inclui um ajuste par a pacientes negros que pode prejudicar um diagnóstico preciso. Ele avalia a taxa de filtração glomerular (TFG), que é calculada medindo-se a creatinina, uma proteína associada com degradação muscular que é depurada nos rins. Os resultados dos pacientes negros são automaticamente ajustados por causa de uma teoria, agora desacreditada, de que uma massa muscular maior “inerente” aos negros produz níveis mais altos da proteína. Isso infla o valor total de TFG e pode potencialmente mascarar problemas renais reais. Os resultados podem impedir que eles recebam tratamentos vitais, inclusive transplantes. Ao citar essas questões no início deste ano, a estudante de medicina Naomi Nkinsi conseguiu fazer a Escola de Medicina da Universidade de Washington abandonar o ajuste no TFG. Mas ele continua sendo amplamente utilizado em outros lugares.

Um novo estudo publicado na Science examinou um algoritmo usado no sistema de saúde dos EUA para prever riscos de saúde em geral. Os pesquisadores estudaram um grande hospital que usava esse algoritmo e descobriram que, com base em registros médicos individuais, os pacientes brancos eram, de fato, mais saudáveis do que os negros com o mesmo nível de risco. Isso porque o algoritmo usava custos de saúde como um substituto para necessidades de saúde, mas a desigualdade racial sistêmica significa que os gastos com tratamentos de saúde são mais altos para os brancos em geral, portanto as necessidades dos negros estavam subestimadas. Em uma análise dessas descobertas, a socióloga Ruha Benjamin, que estuda raça, tecnologia e medicina, observa que “a desigualdade codificada de hoje é perpetuada precisamente porque aqueles que projetam e adotam essas ferramentas não estão pensando cuidadosamente sobre o racismo sistêmico”.

Os algoritmos que estão prejudicando pessoas não brancas poderiam facilmente se tornar mais imparciais, seja corrigindo os pressupostos racialmente preconceituosos que possuem ou removendo a raça como um fator, quando ela não auxilia no diagnóstico ou no tratamento. O mesmo vale para aparelhos como o oxímetro de pulso, que é calibrado para a pele branca – uma situação particularmente perigosa na pandemia de COVID, em que pacientes não brancos correm risco maior de infecções pulmonares perigosas. Os gestores da medicina precisam priorizar essas questões agora, para oferecer recursos justos e que, com frequência, possam salvar as vidas de pessoas que ficam numa situação mais vulnerável por um sistema inerentemente racista.