A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A SAÚDE MENTAL E A COVID-19

Crescimento da depressão e da ansiedade é pior do que se esperava

Não era preciso uma bola de cristal para prever que a pandemia de Covid-19 seria devastadora para a saúde mental. A doença ou o temor da doença, o isolamento social, a insegurança econômica, a ruptura da rotina e a perda de pessoas queridas são fatores de risco para a depressão e a ansiedade. Agora, estudos confirmaram as previsões, mas também trazem surpresas quanto a grande escala do impacto sobre a saúde mental, sobre a forma como o consumo de mídia exacerba esse impacto e a intensidade desse problema sobre os jovens.

Um relatório publicado em agosto pelos Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, por exemplo, constatou que os sintomas de ansiedade triplicaram e a depressão quadruplicou entre 5.470 adultos pesquisados na comparação com uma amostragem de 2019. Também duas pesquisas nacionais, feitas por pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston e da Universidade Johns Hopkins, descobriram que a prevalência de sintomas depressivos (Universidade de Boston) e de “distúrbios psicológicos graves” (Hopkins) havia triplicado em relação a levantamentos de 2018. “Essas taxas superaram as registradas em outros grandes traumas como o 11 de setembro, o furacão Katrina e os tumultos em Hong Kong”, diz Catherine Ettman, principal autora do estudo da Universidade de Boston. Alguns dos grupos mais afetados nesses estudos eram de pessoas que tinham problemas preexistentes de saúde mental, indivíduos de baixa renda, pessoas não brancas e aqueles próximos a alguém que sofreu ou morreu de Covid-19. Mas, no estudo de Ettman, o grupo nos EUA que registrou o maior aumento em depressão (uma alta de cinco vezes) foi o de etnia asiática. A psiquiatra Ruth Shim sugere que o crescimento pode refletir o impacto do racismo e injúrias relacionados à origem da pandemia na China.

Um achado inesperado nas três pesquisas foi o efeito descomunal sobre jovens adultos. No estudo dos CDC, 62,9% das pessoas de 18 a 24 anos relataram ansiedade ou distúrbio depressivo, 25% contaram usar mais drogas e álcool para lidar como estresse ligado à pandemia, e 25%disseram ter “seriamente considerado suicídio” nos 30 dias anteriores. Jovens adultos também integram o grupo etário mais afetado em um raro estudo em tempo real, que monitorou o rápido aumento da “angústia aguda” e da depressão em três pontos entre meados de março e meados de abril. “Esperávamos o oposto, porque estava claro que os mais velhos enfrentavam riscos maiores do vírus’ diz a autora sênior Roxane Cohen Silver. Silver suspeita que os jovens “podem ter sofrido mais rupturas: formaturas, casamentos, o ano final do segundo grau e da faculdade. ”Todas essas transições foram interrompidas, assim como contatos sociais e escolares, que são muito importantes para os jovens”.

O estudo dela, que envolveu 6.500 pessoas, aponta para um grande fator para a ansiedade em todas as idades: a maior cobertura da mídia sobre o surto. Especialmente problemática é a exposição à informação conflitante. Silver, que estudou as consequências psicológicas de eventos como o 11 de setembro e o atentado à maratona de Boston em 2013, afirma que a fixação na cobertura da mídia é um conhecido fator de risco. “Se as pessoas estão muito ligadas na mídia, elas têm mais chances de exibir e relatar distúrbios, mas esse distúrbio parece atraí-las mais para a mídia. É um ciclo do qual é difícil se desvencilhar.” Silver e outros que investigam traumas em massa têm sugestões para se manter o equilíbrio mental em tempos desafiadores. Limitar o consumo de mídia e evitar os relatos sensacionalistas são alguns deles. Manter contatos sociais via Zoom, telefone e outros métodos seguros contra a Covid também é vital, diz o psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas. “Diferentemente de outros desastres, as pessoas estão mais distantes dos amigos e da comunidade”, diz Pennebaker, que está examinando o impacto da pandemia na saúde mental pela análise de posts na plataforma de mídia social Reddit.

Pennebaker pensa que menos abraços e menos oportunidade de compartilhar o luto podem ajudara explicar porque as pessoas não parecem estar se ajustando ao novo cotidiano. “Não é como foi o 11 de setembro ou um terremoto, em que algo grande acontece, e todos voltam ao normal rapidamente.” Seus outros conselhos são manter hábitos saudáveis de sono, exercício, alimentação e bebidas. E um diário também.

A pesquisa mostra que a escrita ajuda as pessoas a processarem emoções difíceis e encontrarem significados. “Se você está muito preocupado com a Covid, tente escrever a respeito.”

CLAUDIAWALLIS – é uma premiada jornalista de ciência com trabalhos publicados em The New York Times. Times, Fortune e New Republic. Ela foi editora de ciência de Time e editora-chefe de Scientific American Mind.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.