EU ACHO …

QUANDO O NINHO FICA VAZIO

Eles foram embora e agora ela é uma menina solta. Em pleno 2021, com o mundo de ponta-cabeça, mas que segue girando, como lidar com essa coisa que ela é? Se sente uma menina, cheia de vontades, cheia de querer, cheia de energia, toda criativa, saudável, que se acha importante, mas não é mais a peça principal do “game”. Foi substituída pelo jogo da vida, das vidas de quem ela achou que seria insubstituível.

Poxa vida, onde foi que ela errou, tanta gente avisou, deu tanta volta na vida por causa da responsabilidade afetiva e deu tanto amor, mas o jogo virou e sozinha ela tem tempo para pensar.

O que era interessante já não é, tudo fica sem significado, mas ao mesmo tempo é um sinal de vitória, sinal de que tudo está bem, de que tudo saiu como planejado.

Mas poxa, como é difícil ficar sozinha porque os rebentos foram embora de casa.

Como viver, seguir sendo essa mulher múltipla, sem a mola propulsora chamada filhos, aqueles que ela perdeu para o jogo da vida. Onde buscar motivos para preencher o espaço de uma vida inteira? Fica o sentimento de tristeza e desânimo junto com essa longevidade tão desejada, com a “skin” em dia, porque ninguém fala desse novo “lifestyle”.

Não tem ninguém que fale, mas tem uma galera que faz. Já que os filhos deram no pé, agora é fazer o que antes não se fazia. E vale namorar – mas tentar não se apaixonar -, estudar (tem faculdades que nem cobram alguns cursos), ser estagiária sênior, ir para a academia, ser baiana de escola de samba, ver o que tem para os 50+ e 60+ – aliás, a pirâmide populacional do Brasil já sofreu grande mudança e as empresas que não focarem na mulher 60 + estarão bem desatualizadas.

Tem um desconforto chato no ar, mas vai ter que superar…

*** ELIANE DIASé empresária do show business, advogada e mãe do Jorge e da Domênica

OUTROS OLHARES

A REVOLUÇÃO MUSICAL DO 8D

Com a nova tecnologia, é possível “sentir” os sons de maneira espacial, em vez de apenas ouvi-los

O professor de teoria musical do Conservatório de Milão, Pasquale Bona (1808-1878), definiu a música como “a arte de manifestar os mais diversos afetos da nossa alma mediante o som”. Apreciada nas mais diversas situações, as melodias musicais nos envolvem de forma tão intensa que acabam nos remetendo a personagens e memórias afetivas. Do ponto de vista da física, no entanto, a música nada mais é do que um padrão de ondas sonoras que se propagam no espaço. Sob esse prisma, uma nova tecnologia promete uma revolução na experiência de ouvir música e sons de maneira geral: o 8D.

Estamos acostumados a escutar sons de maneira linear, ou seja, em um formato onde o som é dividido em dois canais, o esquerdo e o direito. É o chamado efeito “estéreo”, uma simulação do sistema de percepção dos nossos ouvidos. No caso do áudio em 8D a manipulação das ondas dá a impressão de que o som surge de vários lugares e percorre diversos caminhos neurológicos, não apenas a partir de dois emissores. É uma experiência mais próxima do impacto acústico que sentimos em uma sala de cinema, por exemplo. Com fones de ouvido, o som 8D cria uma sensação imersiva onde é possível sentir a música, não apenas ouvi-la. Para o Para o engenheiro de som Maurício Gargel, o som 8D é uma nova fronteira na maneira como pensamos em áudio. “O sistema altera os elementos da reverberação das ondas e a forma como elas chegam aos ouvidos, dando sensação de que o som ocupa um espaço físico”, afirma. “A mixagem 8D envolve a cabeça do ouvinte, formando uma ambiência própria”, diz Rodolfo Marcial, DJ dos estúdios Kondzilla Records. O DJ ressalta a importância da utilização de um equipamento adequado para aproveitar todas as nuances. “Só é possível aproveitar todo o efeito com um sistema de som surround que proporciona melhor ambientação ou um fone de ouvido do tipo que envolve toda a orelha,”, explica.

ORIGEM

O som multidimensional foi inventado em 1980 pelo engenheiro de som argentino Hugo Zuccarelli. Ele acredita que escapou da morte na infância graças à boa audição, que o levou a desviar de um carro em alta velocidade. Após sua graduação na Politécnica de Milão, estudou a fisiologia humana para criar um tímpano artificial que funcionasse como microfone. A partir daí, criou uma espécie de “cabeça-microfone” e batizou a engenhoca de “Ringo”. A homenagem não foi ao baterista dos Beatles, como era de se esperar, mas ao compatriota Óscar “Ringo” Bonavena, pugilista e ídolo na juventude. O engenheiro se aventurou pela indústria da música e o mercado cinematográfico até chegar à NASA, a agência espacial americana.

Artistas utilizam sistemas de som em formato 8D em estúdio há anos, como é o caso de “The Final Cut”, lançado pelo Pink Floyd em 1983. Na música que batiza o álbum, é possível ouvir tiros e latidos de cachorro que soam “fora” da gravação, efeito sonoro que chamou a atenção do público. Um tipo de gravação semelhante, chamada de “binaural”, foi utilizada pelos Rolling Stones no álbum ao vivo “Flashpoint”, de 1991. O efeito dá a impressão de que o ouvinte está no show, bem no meio do público. A grande diferença é que agora, com o avanço da tecnologia dos videogames e sistemas de áudio, o formato 8D está acessível a todos, não apenas aos artistas que gastavam milhões para simular o efeito em estúdio. Na internet, é possível testar a experiência no Youtube, em canais como 8D Tunes, Era e Soundee. O músico mineiro Pedro Baapz lançou a música “Viajante do Tempo” no formato 8D porque queria envolver o ouvinte. “Tentei criar uma maneira para que o som ficasse circulando ao seu redor”, diz. Para sentir o que essa experiência sensorial pode proporcionar, é só escolher um ambiente silencioso, uma cadeira confortável e um bom par de fones de ouvido. O único problema é que, depois de ouvir o áudio do futuro, será difícil se acostumar com os sons do presente.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 20 DE JANEIRO

QUANTO VALEM AS SUAS PALAVRAS?

Prata escolhida é a língua do justo, mas o coração dos perversos vale mui pouco (Provérbios 10.20).

As palavras de um justo são mais preciosas do que os metais mais nobres. A língua do justo é prata escolhida: tem beleza e valor. Quando o justo fala, as pessoas são edificadas, consoladas e encorajadas. Quando o justo abre a boca, uma torrente de sabedoria jorra de seus lábios. Suas palavras são medicina para o corpo e bálsamo para a alma. A língua do justo é como a luz que aponta a direção, é como o sal que dá sabor, é como o perfume que inebria a todos com sua fragrância. Quem ouve o justo não anda em trevas, mas na luz; não caminha por trilhas incertas, mas segue por caminho seguro; não cruza os desertos tórridos e inóspitos, mas atravessa os campos férteis da prosperidade. Quem acolhe as palavras do justo segue o caminho perfeito de Deus, é sustentado pelo braço onipotente de Deus, até chegar à cidade de Deus, para reinar com o Filho de Deus. Se a língua do justo tem palavras tão belas e preciosas, o coração do perverso, de onde fluem suas palavras, vale muito pouco, pois é um poço de perdição, um laboratório de engano, uma usina de mentiras, um território onde domina a maldade. É tempo de avaliarmos o valor das nossas palavras: elas são prata ou escória? São belas e atraentes ou feias e repugnantes? Têm valor como a prata escolhida ou valem muito pouco como o coração do perverso?

GESTÃO E CARREIRA

COMO SE COMUNICAR MELHOR

Problemas de comunicação geram prejuízos milionários para as companhias e aumentam o estresse dos profissionais. Aprenda a dominar essa competência que se torna ainda mais importante em crises como a atual.

Momento é difícil. Talvez precisemos fazer uma reestruturação no time”. A frase, dita por um líder de uma empresa de tecnologia, tinha o objetivo de informar a equipe sobre as medidas que a companhia tomaria para enfrentar a pandemia de coronavírus, que se intensificou no último mês em todo o país. O gestor em questão tentou ser transparente, mas sua fala sem detalhamento soou precipitada e se transformou em pânico no time. Resultado: baixa produtividade, fofocas sobre demissões e reduções de salários e boataria sobre fechamento de unidades. Cada um entendeu – e repassou – a mensagem de um jeito. Tudo se tornou um telefone sem fio, no qual a informação inicial é distorcida ao pular de pessoa em pessoa.

Problemas de comunicação como esse são graves e se tomam altamente preocupantes nas crises, quando os discursos precisam de mais clareza, efetividade e rapidez. Uma comunicação malfeita – no caos ou na bonança – gera perdas milionárias às companhias e acaba com a produtividade. Um estudo feito nos Estados Unidos e no Reino Unido pela Holmes, consultoria de relações públicas americana, descobriu que as empresas perdem, em média, 62,4 milhões de dólares ao ano devido a falas mal interpretadas, que levam os funcionários a cometer erros e falhar nas decisões. “É por meio da comunicação que qualquer ideia, filosofia ou situação é transmitida aos profissionais. E, sem a devida clareza e cuidado, tudo pode ruir”, afirma Diogo Arrais, professor de língua portuguesa, consultor e criador do canal de YouTube Mesma Língua.

Importante para todos os cargos, a competência deve ser trabalhada ao longo da trajetória, pois é com base nela que alguns dos pilares mais importantes para crescer (como sua reputação e rede de contatos) são desenvolvidos. “A comunicação deve ser clara e positiva, sem ameaças que possam gerar desconforto e baixa produtividade”, diz Rafael Souto, presidente da Produtive, consultoria de planejamento e transição de carreira. Segundo ele, é essencial olhá-la estrategicamente e cultivá-la em todos os momentos, não apenas nas crises.

FORÇA DO HÁBITO

Para se comunicar melhor é preciso dedicação. Realizar apenas um curso de fim de semana ou treinamentos isolados, sem praticar constantemente nem se aperfeiçoar não surte os efeitos desejados. “A comunicação assertiva é um hábito”, afirma Diogo. Para começar nessa jornada, o professor sugere a tríade ler-se, ouvir-se, ver-se. Essas três atitudes ajudam a mapear os pontos fortes e fracos, a se conscientizar sobre sua postura diante de uma plateia e a fazer reavaliações constantes sobre seu desempenho comunicacional. Porém, ainda mais importante do que dominar teorias, técnicas e metodologias é praticar. “Ninguém desenvolve a comunicação apenas em sala de aula. É preciso se expor e se observar para evoluir”, afirma Fernando Ladeira, diretor de gente e gestão da Falconi, consultoria de gestão.

Por isso, quanto antes você começar a se preocupar com o modo como se comunica, melhor. Se o estagiário não souber falar sobre suas expectativas, desejos e aflições com seu chefe, por exemplo, correrá o risco de não conquistar o desenvolvimento que almeja. Foi com esse raciocínio que a analista de negócios Amanda Destefani das Neves, de 26 anos, conquistou mais espaço na Vulpi, startup de recrutamento para a área de TI. Ela sempre viu a comunicação como um pilar importante na carreira. Seu primeiro emprego, aos 16 anos, foi no Sebrae ­ MG. Na época, ela já precisava conversar com as pessoas, pois atendia os empreendedores durante os eventos da instituição. “Sempre me comuniquei muito, mas não conhecia as técnicas, diz. Com isso em mente, passou a atentar às oportunidades. Até que, ao buscar um MBA em gestão de projetos, encontrou um curso com um módulo de comunicação e oratória. “Isso me chamou muita atenção, pois eu precisava desenvolver essa habilidade.” Gostou tanto do tema que procurou aulas de programação neurolinguística (PNL), que usa a comunicação para ajudar na busca pelo autoconhecimento. Depois disso, ela passou a sermais valorizada na empresa – e se tornou até uma referência na área. “As pessoas me procuram para pedir dicas e conhecer mais sobre as técnicas. Cheguei a dar um curso sobre isso à equipe”, diz Amanda. Para a analista, que passa boa parte do dia em reuniões com executivos seniores, a capacidade de estabelecer relacionamentos e passar confiabilidade por meio da conversa é essencial em seu trabalho. “Há diversas técnicas para isso, como entender o modelo mental do outro e estabelecer uma comunicação a partir disso. Nesse sentido, tudo conta: a maneira como você fala, a velocidade do discurso e o ritmo da respiração.”

COMEÇO, MEIO E FIM

Um dos deslizes mais comuns que cometemos nos diversos momentos de comunicação – de um e-mail a uma palestra – é não ter clareza sobre o que (e como) queremos transmitir. Por isso, fazer um planejamento prévio é tão importante. “Não pensar em um roteiro é um dos erros mais graves, pois sem ele as ideias podem ser jogadas aleatoriamente ao público, dificultando a compreensão da mensagem”, explica Osório Antônio Cândido da Silva, especialista em comunicação verbal. Quando não temos clareza sobre o passo a passo das informações, corremos o risco de fazer com que o nervosismo se imponha e de esquecer alguma ideia importante. Não precisa decorar nada, mas ter clareza sobre todos os assuntos a ser abordados faz diferença. Ouvir feedbacks sinceros também ajuda. Essa é uma das estratégias de Leo De Biase, de 47 anos, cofundador da BBL, holding de entretenimento especializada em games e e-sports. “Todo mundo tem um vício de linguagem ou acaba usando muito uma palavra. Estar aberto a ouvir é essencial para melhorar”, afirma o empreendedor, que costuma palestrar no Brasil e no exterior e sempre pede que a plateia lhe dê feedbacks. “Gosto de conversar com as pessoas que estavam na apresentação, tanto para saber se conseguiram absorver bem o conhecimento quanto para identificar os aspectos que posso melhorar”, afirma o fundador, que tem um coach de apresentações que acompanha todas as suas palestras e conduz treinamentos semanais. Leo tem mais uma arma que usa quando a audiência é mais informal: o humor. “Antes de qualquer apresentação, pesquiso sobre o público para saber qual linha seguir, se mais formal ou com um pouco de graça.” Segundo o professor Osório, o humor é mesmo um ótimo aliado, principalmente em uma auditório lotado, em que o contato visual fica prejudicado. “O recurso ajuda a se manter cm sintonia com o público e passa uma imagem agradável”, diz.

PILAR DA LIDERANÇA

Os líderes têm uma responsabilidade fortíssima sobre a comunicação. Afinal, se não souberem passar, com clareza, qual é a estratégia da empresa e como cada funcionário pode ajudar a companhia no curto, médio e longo prazo, a engrenagem não vai girar bem. Quando sabem se comunicar com eficácia, os gestores fazem com que as companhias em que trabalham conquistem

retornos 47% mais altos para os acionistas, segundo a pesquisa da consultoria Holmes PR feita com 400 empresas nos Estados Unidos e no Reino Unido. Além de melhorar os indicadores econômicos, essa competência dos chefes também ajuda no clima organizacional.

Alguns gestores compreendem bem a importância dessa competência. Um deles é Nelson Campelo, que não revela a idade e é presidente da Atos, empresa de tecnologia. “Comunicação e liderança caminham lado a lado. É muito difícil ser um líder se você não se comunica adequadamente e para diferentes públicos”, diz o executivo. Sua preocupação com a competência começou cedo – e estava relacionada a um traço de sua personalidade: a timidez. Para se desafiar e perder o receio de falar em público, começou a dar aulas de estrutura de dados em universidades, quando ainda estava no início da carreira. “Sabia que, se quisesse crescer, precisaria aperfeiçoar a comunicação.” Além de praticar nas aulas, Nelson criou uma rotina de leitura em voz alta em frente ao espelho e participou de diversos cursos de oratória. Um dos que mais o marcaram foi conduzido pelo ator Richard Olivier, que usa ensinamentos do teatro para melhorar as técnicas de apresentação. “À medida que você evolui na carreira e tem mais responsabilidade, como gestão de clientes e equipes, a comunicação vai se tornando ainda mais importante”, diz. Por isso, Nelson tem uma agenda focada nos encontros com os times. Semanalmente, ele conduz reuniões com os diretores do comitê executivo da Atos na América do Sul e está sempre aberto a ouvir os empregados da companhia.

Para continuar próximo das equipes em meio à crise do coronavírus, que colocou grande parte da força de trabalho em home office, Nelson faz um bate-papo online com os funcionários no qual conversam sobre as novidades e a adaptação ao trabalho remoto.

Outra vantagem de líderes que são bons comunicadores é que eles ajudam a disseminar uma cultura de transparência, baseada na confiança e no compartilhamento de informações. “A qualidade de diálogo da alta liderança estabelece um padrão na empresa”, diz Marco Tulio Zanini, professor e consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele explica que é importante ter em mente que não se trata apenas de uma competência que facilita o trabalho em equipe – também tem uma relação direta com a produtividade. “Um time bem informado dá muito mais resultados. Além disso, um diálogo que soma inteligências, ou seja, que se baseia em diversos pontos de vista, é essencial para a tomada de decisões inteligentes.”

INTERESSE GENUÍNO

Quando Fabio Ribeiro, de 39 anos, gerente geral de marketing da Panasonic do Brasil e autor do livro A que Causa Dedicar a sua Vida, ainda era estagiário, teve de lidar com um grande desafio: dar uma aula para 50 pessoas sobre informática. A tarefa em uma solicitação de seu chefe e ele não podia negar. “Foi difícil, mas, apesar das mãos suando e das pernas trêmulas, decidi encarar o desafio, independentemente de meus sentimentos”, diz Fabio. O conhecimento técnico ele possuía, o problema era a falta de expertise para apresentar. Resultado: ele desembestou a falar, sem pausa nem preocupação com a entonação da voz ou a postura corporal.

Mas o episódio serviu como um alerta: era hora de se desenvolver. Assim, fez um curso de aperfeiçoamento da expressão verbal e corporal e começou a estudar a psicologia da comunicação. Vinte e cinco anos depois de sua primeira experiência em frente a uma plateia, Fábio é agora um experiente palestrante e líder de workshops. “Nos 3 minutos iniciais ainda fico nervoso, mas hoje sei como me preparar e conheço técnicas que me ajudam a transmitir bem a mensagem”, afirma. Entre os recursos, ele cita o entendimento sobre o público, a atenção à entonação da voz e à linguagem corporal, e o olhar atento aos ouvintes. “Em torno de 30% do tempo aposto no improviso e adapto a apresentação à forma como as pessoas estão reagindo. Isso gera mais conexão.” Perceber como os outros estão se sentindo, aliás, é uma das coisas mais importantes para quem quer se comunicar melhor – afinal, a maior parte dos problemas de comunicação acontece porque, simplesmente, não entendemos como nossas mensagens são recebidas. Na visão da psicóloga Bela Fernandes, sócia da Aylmer Desenvolvimento Humano, reconhecer o impacto que produzimos com nosso estilo de expressão gera a oportunidade de entender como estamos afetando a vida do colega, do chefe ou do subordinado. “Sem esse entendimento, as ferramentas de desenvolvimento, como o feedback, causam mais toxicidade do que colaboração”, afirma.

É por isso que Stella Guillaumon, de 43 anos, gerente geral da Magenta, desenvolvedora de plataformas para e-commerce, tem entre suas estratégias a empatia. A executiva, que fez treinamentos de comunicação e de oratória, finalizou recentemente uma especialização em inteligência emocional – a capacidade de administrar as próprias emoções e usá-las a seu favor, além de compreender as emoções dos outros, construindo relações saudáveis. “Em uma equipe, as pessoas são diferentes, e é preciso entender o perfil de cada uma para, desse modo, saber qual é a melhor forma de se comunicar”, diz. Mas isso não foi sempre assim. Stella conta que, no início da carreira, algumas pessoas diziam que ela parecia um pouco agressiva no trato – o que acendeu o sinal de alerta. “Passei a me observar e a ficar mais atenta ao meu tom de voz e à escolha das palavras. Hoje é algo natural.”

Mais do que falar bem, a comunicação é uma habilidade que exige sensibilidade para entender de que maneira a mensagem que você quer passar está sendo realmente absorvida. Um interlocutor loquaz, mas que não perceba quais são os sentimentos da plateia, não vai comunicar com eficiência. Em sua jornada de desenvolvimento dessa competência, lembre-se sempre de uma frase do consultor de liderança Simon Sinek: “Comunicação não é sobre falar o que pensamos. É sobre garantir que os outros compreendam o que queremos dizer”.

NA CORDA BAMBA

Os cinco principais erros de expressão

1. DESATENÇÃO COM A POSTURA

Ao se comunicar é importante definir seu objetivo – se é persuadir, emocionar ou apenas informar.

2. AMBIGUIDADE

A mensagem precisa ser formulada para atingir um resultado. Sem direção, fica difícil produzir um conteúdo relevante

3. PROLIXIDADE

A comunicação exige começo, meio e fim. Falar demais, sem nenhum norte, não surte efeito e pode queimar sua imagem

4. DESCUIDO COM A LINGUA PORTUGUESA

Palavras escritas e faladas da maneira errada podem colocar tudo a perder.

5. FALTA DE ORIGINALIDADE

Para se destacar dos demais é preciso contar uma história de forma original. Senão, será só mais um conteúdo do mesmo.

CONTA CARA

62,4 Milhões de dólares ao ano é o prejuízo que as companhias sofrem em decorrência de mal­ entendidos entre os funcionários

26.041 Dólares é a perda anual de produtividade por funcionário resultante de barreiras de comunicação

DISCURSO AFINADO

Dicas para se sair bem em diferentes meios – de reuniões a mensagens

E- MAILS

A escrita correta e fluida é essencial na hora de elaborar um e-mail. Para isso, é importante ter bom domínio da gramática, além de atentar a repetições, conhecendo bem sinônimos e antônimos. Também é necessário ter habilidade com conjunções (que servem para ligar elementos dentro de uma frase) e preposições (que estabelecem relação entre dois ou mais termos da oração). Mas lembre-se: esse meio é usado para a comunicação rápida. Evite textos muito longos e, caso haja   necessidade de se aprofundar, aposte no anexo ou marque uma reunião.                                                                                                                                                    

REUNIÕES DE EQUIPE

O ponto central aqui é o cuidado com o tempo. fuja da prolixidade. Para isso, é essencial contar com um roteiro que contenha a hora de começar e a de acabar. Além de conteúdo e objetivo quem lidera o encontro precisa ter em mente que o discurso deve ser direcionado ao grupo, e não apenas a uma pessoa. A postura é     outro elemento importante, pois é o que transmite segurança. Fale sempre com objetividade e evite piadas fora de hora.

MENSAGENS

Não é por se tratar de um meio mais informal e rápido de se comunicar que você pode se descuidar da gramática. Antes de apertar o “enter”, reveja o que escreveu. É importante, ainda, não cobrar presença com frases como “cadê você”. Isso gera ansiedade desnecessária. Evite áudios muito longos, pois podem ser inconvenientes, e respeite o horário de trabalho. Também preste atenção na fotografia e na frase do perfil.

PROCESSOS DE FEEDBACK

Quem conduz a reunião deve ter uma postura empática. Prefira começar pelos pontos positivos para, depois, entrar no que deve ser melhorado. E sempre que possível dê exemplos práticos. quem recebe o feedback precisa deixar o ego de lado e demonstrar interesse pelo que está sendo dito também. O segredo é saber ouvir e não ficar, na defensiva, dando desculpas impulsivas. E para os pontos negativos, ouça, anote as questões e esteja aberto a melhorar

PALESTRA DE SUCESSO

Os sete pilares para uma excelente apresentação em público

1 – ROTEIRO BEM ESTRUTURADO

Sem planejamento, você corre o risco de soltar aleatoriamente as ideias, por isso, faça uma lista de tudo o que deseja falar e crie um roteiro, seguindo uma lógica     simples, por exemplo, mostre um cenário instigante, proponha uma solução para o caso, construa sua argumentação em cima disso e finalize com uma proposta de ação.                                                                                                                 

2 – ABERTURA DE IMPACTO

Os primeiros minutos da apresentação são para atrair a atenção de quem está ouvindo você. Para deixar o público curioso, use o chamado “ima da atenção”, que pode ser uma citação, uma pergunta instigante, uma história motivadora, um vídeo ou um desafio.

3 – CUIDADO COM A VOZ E A GRAMÁTICA

Treine e atente a pontos como entonação, volume da voz, velocidade e dicção. Procure não ser monocórdio e altere a intensidade e a rapidez. erros gramaticais também prejudicam a imagem profissional. Ler é o melhor exercício nesse caso, para aperfeiçoar tanto a gramática quanto o vocabulário.                                                                                     

4 – EXPRESSÃO CORPORAL EM PRIMEIRO PLANO

Estima-se que 55% da comunicação seja feita sem palavras. Procure desenvolver uma dinâmica corporal condizente com seu estilo, gesticulando com moderação e de forma coerente em relação ao que está sendo dito. Os gestos, sem excesso, reforçam ideia do que está sendo passado.                                                                                                             

5 – CONEXÃO COM A PLATEIA

Nosso cérebro perde a conexão com o que está sendo dito em cerca de 10 minutos. Por isso, uma apresentação, mesmo que curta, precisa contar com os tais “ímãs da atenção”. De tempos em tempos, interaja com a plateia e use recursos para atraí-la. O humor pode ser um aliado. Por meio dele você mantêm a sintonia com o público, se mostra mais agradável e sustenta a atenção.                                                                                                                  

6 – TERMOS TÉCNICOS E JARGÕES SÓ EM ÚLTIMO CASO

Em todas as áreas existem siglas e expressões especificas. Evite esses termos em auditórios que não estejam familiarizados com eles. Se o uso for indispensável, explique imediatamente o significado para não causar desconforto.

7 – IMAGENS FORTES

Apoiar o discurso com imagens é explorar uma característica forte da percepção humana: a capacidade de retenção da memória visual muito maior do que a da memória auditiva. Associe os trechos importantes de sua fala a imagens de impacto. Se for usar slides, tenha cuidado na apresentação e no texto.

QUAL É O SEU ESTILO?

O americano Mark Murphy, fundador da consultoria Leadership IQ, definiu as maneiras mais comuns de se comunicar. Saber qual é o seu jeito e compreender qual é o dos chefes, colegas e clientes ajuda a alinhar o discurso e a ter sucesso na comunicação

PESSOAL

  • Ênfase no relacionamento humano
  • Necessidade de estabelecer conexões emocionais
  • Prazer em ouvir o outro
  • Tendência a diplomacia

ANAÍITICO

  • Argumentos baseados em fatos e dados
  • Linguagem objetiva
  • Tendência à autonomia

FUNCIONAL

  • Foco no processo
  • Pensamento passo a passo
  • Tendência ao controle

INTUITIVO

  • Foco no contexto geral
  • Pouca paciência para os detalhes
  • Tendência ao follow-up

Faça o teste para descobrir qual é o seu estilo de comunicação aqui: bit.ly/34l mVSc

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ATENÇÃO PREMATURA

Estudo finlandês revela que crianças que nascem antes dos nove meses de gestação têm maior probabilidade de desenvolver depressão

Além de todas os cuidados habituais com a gravidez, um levantamento realizado na Finlândia aponta que há uma nova fonte de preocupação para os pais e familiares. Já é de conhecimento geral que o parto prematuro pode favorecer o surgimento de algumas doenças, como o transtorno do déficit de atenção e a hiperatividade. Esse novo estudo, porém, vai mais longe: aponta uma relação entre os bebês que nascem antes dos nove meses e a depressão. O grupo de cientistas finlandeses da Universidade de Turku observou o desenvolvimento gestacional de recém-nascidos e fez uma comparação com o estado psíquico dessas crianças e adolescentes ao longo dos anos.

No estudo, os pesquisadores analisaram dados de 37.682 bebês nascidos no país nórdico entre janeiro de 1987 e dezembro de 2007, todas diagnosticadas como depressivas. Foi feita uma análise então com 148.795 crianças que nasceram no mesmo período, mas que não eram portadoras do transtorno. Segundo Alfredo Maluf, psiquiatra do hospital Albert Einstein, os dados permitem uma avaliação adequada. “Quanto mais trabalhos desse tipo tivermos, melhor será nossa compreensão sobre a doença”, afirma. O médico explica que a depressão pode ser desencadeada por fatores externos e biológicos, como as deficiências neurológicas, por exemplo. Em crianças que nasceram prematuras, no entanto, a doença está mais relacionada aos fatores de risco da mãe. “Ao nascerem antes da hora, os cérebros dos bebês não estão suficientemente prontos, por isso há relação com problemas biológicos”, explica. Os resultados da pesquisa apontaram que as meninas nascidas prematuramente, com menos de 28 semanas de idade gestacional, têm três vezes mais chances de desenvolver depressão. Mas essa condição também pode ser observada em bebês de ambos os sexos com baixo crescimento fetal. A depressão atinge de 1% a 2% das crianças e de 3% a 8% dos adolescentes no mundo. No Brasil, não há números exatos, mas há indícios de que cerca de 10% dos adolescentes sofram desse mal.

ESTILO DE VIDA

A psicóloga Joviana Quintes Avanci, pesquisadora da ENSP/Fiocruz, analisou o estudo sob as características das mães brasileiras, uma vez que são distintas das europeias. “No Brasil os fatores mais relevantes são os relacionados com os atritos familiares”, afirma.

A especialista acredita que, quanto mais precoce for a intervenção, mais adequado será o diagnóstico, uma vez que, em crianças, ele é mais difícil de ser feito. Ao acender a luz amarela sobre essa relação, esse estudo pioneiro permite que os pais possam acompanhar o desenvolvimento psicológico dos filhos desde cedo – e intervir com mais assertividade quando necessário.