EU ACHO …

UMA VACINA PARA A BURRICE

Neste final de ano uma notícia muito importante passou despercebida da grande mídia, que estava ocupada entre as festas de Reveillon e a natação do presidente.

É que cientistas de uma prestigiada universidade europeia acabam de publicar um estudo na revista Mind & Science, onde revelam que conseguiram isolar o vírus de uma doença terrível.

A Burrice.

Sim.

O estudo comprovou o que muitos especialistas já desconfiavam: a Burrice é uma doença contagiosa causada por um vírus.

Um vírus que não só atinge o indivíduo infectado, mas que muitas vezes causa uma mutação genética que pode transmitir a doença para todos os seus descendentes, segundo casos registrados, mas que os cientistas mantiveram em sigilo.

Pior.

Os cientistas revelaram que, na última década estamos enfrentando uma pandemia de Burrice cujas consequências podem ser até mais grave do que as do coronavírus.

Os primeiros sinais da pandemia de Burrice surgiram quando grupos de terraplanistas começaram a se reunir em todo mundo para divulgar suas ideias.

– Ali percebemos que alguma coisa estava acontecendo…ou era uma brincadeira ou estávamos diante deum perigo iminente, declarou o cientista líder do estudo.

Não era uma brincadeira.

O cientista continua:

– Quando começamos a estudar o que se passava no cérebro dos terraplanistas, várias mutações do vírus começaram a surgir culminando com a eleição do Donald Trump. Era Burrice para tudo quanto é lado.

Os cientistas, com intensa dedicação, conseguiram isolar o vírus.

Uma vez identificado, analisando sua composição genética, os pesquisadores traçaram a origem do Burrice-vírus há centenas de milhares de anos.

Comprovaram que quando o primeiro primata se apoiou apenas sobre duas patas, um Burropata a seu lado disse:

– Calma gentem que isso é modinha de verão! – e postou no Instagram com emojis de risadinha.

Mas foi a matemática, na Grécia antiga, o vetor de contaminação que levou a doença para todos os continentes.

O estudo é muito importante porque trouxe luz a um assunto tabu já que, como ocorre com diversas doenças neurológicas, o indivíduo que sofre de Burrice não se dá conta, ou não admite sua condição.

– Aceitar a doença é o primeiro passo para a cura – afirma um dos autores do estudo.

Se você está preocupado se está contaminado, faça um teste: se está compreendendo este texto, principalmente as entrelinhas, então pode ficar tranquilo.

Você ainda não se contaminou.

Mas é importante compreender sua forma de propagação.

O Burrice-vírus, é transmitido pela boca e contamina através do ouvido. Isso mesmo.

Um doente fala daqui e se você estiver distraído, e contamina daí.

E nem é necessário estar no mesmo ambiente.

A transmissão pode se dar pelo rádio ou pela televisão, caso inédito nos anais da Ciência.

O estudo informa ainda que o Burrice-vírus pode ficar hospedado, latente, por muitos anos sem que o indivíduo apresente sintomas.

No entanto, determinadas condições como a educação, o convívio com outros infectados, o poder, as eleições ou mesmo a ambição podem despertar o vírus adormecido. E aí, adeus.

A descoberta do vírus é uma notícia muito importante, porque dispara a corrida entre todos os grandes laboratórios para iniciarem as pesquisas por uma vacina.

Um famoso laboratório já está em contato com os pesquisadores para conseguir o material genético do vírus, matéria prima indispensável para a criação de uma vacina.

Ao menos começamos 202l com as esperanças renovadas para, em pouco tempo, o mundo todo conseguir exterminar um dos maiores males da humanidade.

Ou melhor, o mundo todo fora o Brasil afinal, vacina por aqui é assunto polêmico.

Se é que vocês me entendem.

MENTOR NETO – é escritor e cronista

OUTROS OLHARES

A PRAIA INCLUSIVA

Programas adotados em diversas cidades do litoral brasileiro garantem que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida tomem um banho de mar pela primeira vez e até pratiquem surfe com apoio de voluntários e total segurança

Em Fortaleza, a praia de Iracema, além de ser centralizada e muito movimentada, conta com a equipe do programa Praia Acessível, que utiliza cadeiras anfíbias e esteiras de acesso para garantir que pessoas com dificuldade de movimentação consigam se banhar no mar. Todo serviço é acompanhado por instrutores e voluntários, além de ser gratuito. Nas praias do Rio de Janeiro, a acessibilidade é oferecida em mais de uma praia. Além dos serviços que auxiliam as pessoas com dificuldade de locomoção a tomar banho no mar, a ONG Adaptsurf dá aulas de surf adaptado, tanto teóricas quanto práticas. A equipe de voluntários é capacitada e conta com fisioterapeutas e profissionais de educação física. A procura é sempre alta.

Tratam-se de iniciativas altamente louváveis. Muita gente não conhece o mar, e nem é pela distância da praia. É pela dificuldade de se locomover em segurança pela areia e entrar na água, problema enfrentado por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, de crianças até idosos. Nesse contexto é que projetos públicos e de ONGs se propõem a oferecer o serviço a essa faixa da população, garantindo que muitos tenham o direito de aproveitar a praia como qualquer cidadão. Iniciativas de acessibilidades nas praias estão se multiplicando pelo País e podem ser encontradas hoje, por exemplo, em Maceió, Natal, Bertioga, Guarujá, Santos, Balneário Rincão, entre outras.

Na praia dos Crushs, faixa da Praia de Iracema em Fortaleza, o programa Praia Acessível é sucesso desde que foi implantado em 2016. Até outubro de 2019, o serviço, fruto de parceria entre a prefeitura da cidade e o governo do Estado do Ceará, é gratuito e já atendeu mais de 7,5 mil pessoas. Ele funciona na maior parte da semana e todos os dias durante os meses de verão e de férias de meio de ano, além de ser sucesso de avaliação do público. Tais credenciais garantiram o primeiro lugar no Prêmio Nacional de Turismo em 2019, organizado pelo Ministério do Turismo. Suas cadeiras anfíbias podem ser utilizadas tanto na areia quanto na água, e a grande esteira de acesso leva do calçadão até a margem. Há também um grupo profissionais especializados que auxiliam os banhistas.

SURFE ACESSÍVEL

O secretário de Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira, afirma que a satisfação com o trabalho garante o sucesso Programa Praia Acessível, tanto que a equipe de funcionários, cerca de 15, é praticamente a mesma desde o início. “Eu mesmo sempre vou lá quando posso, é um alimento da alma. Não só a pessoa fica feliz, mas a família também”, diz ele para descrever a sensação de ver as pessoas com mobilidade reduzida tomando um banho de mar pela primeira vez.

No Rio de Janeiro, a ONG Adaptsurf vai além: aliado aos serviços de acessibilidade do banho de mar, também reúne turmas de interessados em participar de aulas de surfe adaptado na Barra da Tijuca e no Leblon. Há também aulas de bodyboard e stand up paddle acessíveis. Desde 2007, já foram mais de quatro mil aulas de surfe oferecidas à população. O grupo trabalha com turmas de 25 alunos, aumentando a oferta em função da procura nos meses de verão e aceitando turistas para aulas experimentais. O fisioterapeuta e sócio fundador da Adaptsurf, Luiz Phelipe Nobre, ajudou a dar início ao projeto pelos benefícios físicos e mentais que tais atividades proporcionam às pessoas com deficiência. “Num mesmo espaço há várias pessoas, com ou sem deficiência, usufruindo das ondas e da praia – isso é inclusão social”, afirma. Ambos os programas, tanto o de Fortaleza como o do Rio, além de sucessos locais, atraem pessoas de outras regiões e estimulam o turismo. Pereira conta que percebeu um aumento no fluxo de visitantes na Praia de Iracema e Nobre afirma já ter recebido alunos para as aulas de surfe de diversos estados e até de outros países. Praias mais acessíveis são realmente uma excelente ideia.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 19 DE JANEIRO

VIGIE A PORTA DOS SEUS LÁBIOS

No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente (Provérbios 10.19).

Quem fala muito erra muito. Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio (Provérbios 17.28). A Palavra de Deus é categórica: Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (Tiago 1.19). Muito transgride quem fala para depois pensar, fala sem refletir e fala mais do que o necessário. Devemos falar a verdade em amor. A verdade é o conteúdo, e o amor é a forma. A verdade sem o amor agride; o amor sem a verdade engana. Só devemos falar o que é bom e oportuno. Só devemos abrir a boca para transmitir graça aos que ouvem. O tolo fala muito e pensa pouco; fala muito e comunica pouco; fala muito e acerta pouco. O prudente, porém, modera os lábios e amplia sua influência. Fala pouco e reflete muito; fala pouco e comunica muito; fala pouco e abençoa muito. Devemos ser cautelosos em nossa fala, pois a vida e a morte estão no poder da língua. Podemos vivificar ou matar um relacionamento dependendo da maneira como nos comunicamos. A comunicação é o oxigênio que nutre nossos relacionamentos. Nossa língua, portanto, precisa ser fonte de vida, e não cova de morte; precisa ser medicina, e não veneno; precisa ser bálsamo que consola, e não fogo que destrói.

GESTÃO E CARREIRA

#TAMO JUNTO?

A sociedade no mundo do franchising pode ser – como diz o ditado – uma faca de dois gumes. Por isso, é importante conhecer bem com quem você vai dividir os seus sonhos empresariais. Executivos de redes brasileiras com partilham experiências que podem servir de exemplo para quem pensa em ter um sócio para chamar de seu.

Pode ser uma parceria de sucesso ou um encontro entre empreendedores que mais se parece um pesadelo. A tão temida – ou amada – sociedade no mundo dos negócios está presente em grande parte das empresas. Por um lado, pessoas podem somar vivências, conhecimentos e capital, mas, por outro, podem juntar visões opostas e níveis de comprometimento diferentes.

É importante pontuar os dois lados, pois nada é mais cercado de singularidades do que uma sociedade empresarial. Por isso, antes de qualquer coisa, é importante pesquisar a fundo o histórico de um potencial sócio para seus negócios. ”Além de conhecer o perfil, nos aspectos pessoais mesmo, é importante fazer o levantamento sobre a idoneidade dessa pessoa, se tem dívidas contra ela e como ela está nesse ponto de vista”, comenta o advogado especialista em franchising e sócio do escritório Cerveira, Bloch, Goettems, Hansen e Longo Advogados Associados, Daniel Cerveira.

Quando o assunto entra no mundo do franchising, os cuidados precisam ser ainda maiores. É muito comum os contratos de franquia terem restrições relacionadas à mudança da composição societária. “Há contratos que estabelecem um sócio como sócio operador, aquele que vai precisar estar diretamente ligado ao negócio, no dia a dia da sua condução”’, destaca Cerveira.

Então é importante, antes de assinar qualquer documento com a franqueadora, analisar e solicitar ajustes para que você não cometa nenhuma infração contratual com a entrada e saída de sócios.

TUDO EM CASA

Na rede de franquias Tio Coxinha, a formação societária já surge na própria franqueadora que é formada por dois casais de tios e sobrinhos. É algo familiar e que surgiu pela conjuntura e não foi pensada para ser assim. “A necessidade financeira e a vontade de montar o próprio negócio impulsionou a mim e a meu esposo a procurar os sócios. Fizemos a proposta a eles e hoje, além do financeiro, dividimos também as responsabilidades, preocupações e resultados”, revela a sócia-fundadora da marca, Elizabete Monteiro.

Para a receita dar certo, Elizabete e o marido, Jeferson, apostaram na jovialidade e no interesse em aprender que o sobrinho Tiago e sua esposa, Nayara, têm. A diferença de idades entre os casais é de mais de uma década. “Em uma sociedade, todos têm que estar de acordo para que as novas ideias aconteçam. São quatro cabeças diferentes pensando e com visões distintas, então esse processo de convencimento, não só meu, mas deles também, é o mais desafiador no dia a dia”, revela Elizabete.

MUDANÇAS

Mas o sucesso que Elizabete teve na sociedade logo de cara não foi o mesmo para o empresário da rede de franquias de segurança eletrônica Castseg, Márcio Castilho.

O empresário já teve alguns sócios na rede. “Comecei com o meu pai e depois tive outros que deram muito certo e outros que não deram tão certo. Estava decidido a não querer mais trabalhar em sociedade”, lembra o executivo.

Ele estava em busca de uma empresa de consultoria financeira. Ao conversar com um consultor de empresas focado em franquias, Castilho recebeu a indicação de Leandro Moura, que estava disposto a entrar em sociedade e dedicar o tempo para trabalhar. “Eu confesso que relutei, mas encontrei nele o sócio e a ajuda nas finanças que precisava, e está dando muito certo”, afirma Castilho.

A união tem dado certo, tanto que a rede está com mais de 200 lojas em 22 estados brasileiros e planeja crescer 25% em número de unidades até o fim de 2020.

CAMINHOS DIFERENTES

No entanto, nem sempre uma sociedade termina por motivos negativos, às vezes pode ser apenas uma mudança de rota. Foi o que aconteceu com o Grupo Haguanaboka, formado pelas marcas Torteria Haguanaboka e La Torta By Haguanaboka.

Valéria Verdi chegou a ter um sócio que estava no seu ciclo social. As famílias deles são amigas. Em um dos papos, decidiram que a expansão da marca poderia ser o momento certo para assinarem a sociedade. Ele tinha acabado de deixar uma multinacional. Ela queria deixar o legado do que criou. “Deu tudo muito certo por quase três anos, porém em 2018 decidimos romper a sociedade por motivos pessoais da parte dele, que foi apresentado a novos desafios profissionais, em outra cidade, mas em sua área de formação”, conta Valéria.

Foi um rompimento tranquilo, afinal, tudo entre eles era muito bem acertado: cada um tinha o seu espaço. Valéria cuidava do operacional das marcas e o ex-sócio era quem cuidava da burocracia. “Eu tinha 52% e ele 48%, então, eu tinha uma maior autonomia em decisões finais. Ele era mais tranquilo, e eu sempre mais agitada, com muitas ideias. Acredito que um completava o outro”, diz.

QUESTÃO DE DIVISÃO

Enquanto a sociedade de Valéria durou, as obrigações estavam bem distribuídas. Essa, inclusive, é uma das dicas mais importantes, segundo a consultora de franquias e coordenadora do Curso de Gestão Estratégica de Franquias, do IAG – Escola de Negócios da PUC Rio, Leila Toledo Martinho.

Leila reforça que existe m dois papéis distintos: o papel do investidor e o papel do operador. Ambos os sócios podem desempenhar os dois papéis, mas devem estar claras quais são as atribuições de cada um não apenas na sociedade, mas também na gestão do negócio. “Um pode ficar responsável pelas compras e pelo financeiro, coordenando a administração, e o outro pela gestão de pessoas e pelo comercial, lidando com a equipe e com os clientes”, exemplifica a especialista que conhece o mundo do franchising, afinal, foi executiva do Grupo Boticário e também sócia-franqueada de uma rede com 12 unidades O Boticário no Rio de Janeiro.

IDEIAS QUE NÃO BATEM

É recomendado que a empresa tenha processos e se estabeleçam pontos de controle para que ambos saibam o que vem sendo feito e possam tomar as decisões de forma conjunta. Reuniões de acompanhamento entre os sócios devem ser frequentes.

Entretanto, pode haver decisões divergentes, especialmente porque estamos falando de pessoas, e pessoas pensam e agem de forma diferente, aí, talvez, seja preciso discutir a relação. “Um sinal claro é quando os sócios evitam encontros, não conversam mais entre si, as reuniões vão ficando escassas. Outro sinal é o desinteresse. Um dos sócios passa a estar menos presente, não ter mais disponibilidade para o negócio, enfraquecendo a relação”, diz Leila.

Outro momento que justifica uma DR (discutir a relação) é quando se instala uma crise. A recomendação aqui é se concentrar no entendimento da situação e na busca de alternativas para sair da crise.

QUESTÃO DE EMPATIA

Na rede de alimentação Boali, não só o cardápio é saudável, a relação entre os sócios também. As DRs quase não existem, afinal, Rodrigo Barros, Victor Giansante e Fernando Bueno se dão bem enquanto sócios por uma questão de empatia. Eles têm o hábito de se colocar no lugar do outro. “A transparência e o respeito na relação é a força potencializadora da nossa sociedade”, comenta o CEO da Boali, Rodrigo Barros.

Nas raras vezes que entram em um embate percebem que o desacordo sempre traz aprendizado. Outro ponto determinante para os sócios da rede que oferece cinco modelos de negócios é a estrutura interna bem definida: é importante deixar claro quem está no comando e eles sabem bem disso. “O perfil dos sócios é do tipo complementar, sendo o Victor um apaixonado por gastronomia, o Fernando é mais analítico e cuida de toda a parte financeira, já eu sou mais de execução e comunicação”, descreve Barros.

AMIGOS NOS NEGÓCIOS

A empatia entre os sócios da rede Boali é semelhante à dos sócios da rede de prestação de serviços de limpeza Maria Brasileira. Felipe Buranello e Eduardo Pirré se conheceram em uma franqueadora no ramo de construção civil. De colegas de trabalho viraram bons amigos e, mais tarde, sócios na rede que é uma das maiores da América Latina no âmbito residencial.

Pirré fica muito à frente do mindset digital, como a implantação do e-commerce. Ele comanda a Maria Brasileira digital porque gosta de tecnologia, é muito focado nisso. Já Felipe é mais tradicional, cuida da parte institucional, contato com franqueados, consultoria, operacional, coordena a parte financeira e o jurídico, ou seja, a parte burocrática. Ele é daqueles que anda com uma agenda debaixo do braço.

Para os dois empresários, a sociedade é praticamente um casamento. “Tem que ter uma visão igualitária em um ponto específico: colocar sempre o bem-estar da empresa em primeiro lugar”, opinam os sócios que tem um trato: não trabalham com parentes, afinal, defendem que nunca se deve contratar quem não se possa demitir.

Eles são famosos entre os franqueados da Maria Brasileira por terem uma relação próxima até mesmo no escritório. Não existem salas separadas, sentam-se juntos no mesmo espaço.

QUESTÃO DE FAMA

Já na rede Saladenha, a fama dos sócios se dá por outro motivo. Os empresários Renato Flora e Pedro Almeida contam com um novo e ilustre sócio: o chef de cozinha, empresário e apresentador de TV Edu Guedes. ”Um sócio ‘famoso’ abre muitas portas, tem uma rede de relacionamento fora da curva, e isso faz com que aceleremos os processos, diminuindo a curva de aprendizado”, pontua o sócio-diretor da marca, Pedro Almeida. Atualmente, com nove unidades espalhadas entre a capital e o interior paulista, além dos estados do Rio de Janeiro e Santa Catarina, a chegada de Guedes ao comando da Saladenha intensifica os trabalhos de expansão da marca pelo País projetados para os próximos dois anos, com previsão de abertura de 60 novas unidades até 2021.

NOS TRILHOS?

Independentemente se você é franqueador ou franqueado, o especialista em franquias do IAG da Puc Rio, Marcos Caiado, diz que a melhor forma de se evitar conflitos é trabalhar antes, ou seja, na prevenção. “Quando os sócios sentem que suas expectativas não estão sendo alcançadas, é preciso entender o porquê. O diagnóstico é fundamental”, complementa Caiado.

Se os sócios não conseguirem equacionar o problema, o ideal seria compartilhar esta informação com quem tem mais experiência

Nesse caso, se falarmos de sócios franqueados, a dica é ir atrás de ajuda do franqueador. “Este poderá oferecer algumas propostas de solução. Uma delas é auxiliar os sócios na reorganização das ações de cada um no negócio. Outra hipótese seria um dos sócios comprar a parte do outro ou ainda passar o negócio para um outro franqueado”, elenca o especialista.

Ao chegar a esse ponto, o melhor a se fazer é procurar um advogado. O sócio do Urbano Vitalino Advogados, especialista em Direito Contratual e Administrativo, Hermes de Assis, lembra que contratos de franquia são instrumentos usualmente pesados e que merecem atenção, ainda que muitas vezes não haja grande espaço para negociações. “A alteração costuma precisar da concordância de todos. Este é o primeiro ponto. No caso das franquias, acrescenta-se a necessidade de anuência do franqueador. Supridos esses dois requisitos, a mudança dos sócios se dará mediante a alteração do contrato social da empresa, com o respectivo registro na junta comercial competente”, finaliza Assis.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MANDA NUDES?

O sexting, que se tornou a única alternativa para muitos solteiros nesta quarentena, tem servido para aplacar a solidão, aprofundar o autoconhecimento e despertar novos sentidos

Vestindo apenas uma lingerie preta de renda e uma correntinha dourada no pescoço, Carolina Costa, de 36 anos, começa um ritual que vem se tornando cada vez mais frequente na vida da engenheira paulistana, que vive hoje na Alemanha. À meia-luz e com o celular apoiado em um suporte na cabeceira, ela solta o sutiã e aperta os seios com as mãos, em uma performance que é assistida em tempo real por seu crush paulista, a quase 10 mil quilômetros de distância. Os dois se conheceram pelo Instagram naquela sequência conhecida de curtição de fotos e papinho nos Stories até engatar uma conversa mais intensa via Direct.

“Já tinha feito sexo virtual alguma vezes, mas acontecia mais quando estava com insônia, conversando com algum contatinho. Na pandemia, como não tive alternativa, comecei a praticar”, diz Carolina. Isolada no período da quarentena europeia e fazendo home office, o meio virtual se tornou o único cenário possível para o sexo. “A parte chata é a técnica. Às vezes, estou no clima, mas preciso ajustar a luz ou fazer testes para checar se estou no meu melhor ângulo”, confessa.

Na opinião da psicóloga e sexóloga Ana Canosa, as formas com que nos relacionamos precisaram se reinventar durante o isolamento. “O sexting, que consiste na troca de mensagens picantes pelo WhatsApp, o envio de nudes e as orgias pelo Zoom acabaram se tornando uma maneira de o ser humano resolver suas limitações. As práticas já faziam parte do mundo, mas foram se intensificado na pandemia”, diz.

No caso da publicitária Maria Clara*, de 33 anos, foguinho e gotinhas d’água na lista de emojis preferidos no WhatsApp simbolizam bem este período. “Funciona assim: você conversa com a pessoa e, se curtir minimamente, faz [sexo virtual]. Começa com uns nudes, engata a primeira foto e vai”, resume. Ela conheceu a maioria dos seus affairs no aplicativo OkCupid, que conecta os candidatos de acordo com estilo de vida, gostos e espectros políticos – a seleção inclui até a pergunta “Bolsonaro sim ou não?”. “Diria que é o meio do caminho entre se masturbar sozinha e trepar com alguém na vida real”, explica. Ela toma o cuidado de não mostrar o rosto nas trocas de vídeos e imagens, mas não esconde as diversas tatuagens espalhadas pelo corpo. “Não tenho vergonha de nada.

Quem compartilha é que deve ter.” Os conteúdos prediletos enviados por ela são fotografias dos seios e vídeos em que se masturba, além de áudios gemendo: “Nossa, isso funciona muito, mas já os caras não têm muita criatividade”, ela diz. E confessa que, no mundo virtual, sente-se bem mais à vontade para falar o que presencialmente não teria coragem.” Não sei ser vulgar transando com alguém na vida real.”

A vantagem das relações on-line, segundo a psicóloga Ana Canosa, é poder escolher como se mostrar para o mundo, já que o sexo presencial envolve certo medo do julgamento do outro. Para ela, o fenômeno do slow love, que é a chegada do amor mais tardiamente, faz com que os jovens tenham relacionamentos com menos profundidade no decorrer da vida. “Claro que as pessoas que gostam de envolvimento vão sentir muita falta, mas outras não”, explica. De acordo com enquete realizada em maio deste ano dentro do aplicativo Happn, 31% dos usuários brasileiros praticaram sexting durante a quarentena – deste total, 16% enviaram mensagens eróticas, 10% compartilharam fotos e 5% trocaram vídeos. A série Emily em Paris, da Netflix, promete apimentar ainda mais esse universo. A trama, do mesmo criador de Sex and the City, narra as peripécias sexuais contemporâneas a partir da personagem interpretada por Lily Collins, filha do cantor Phil Collins.

A educadora sexual Gaia Qav, de 38 anos, criadora do perfil Meu Clitóris, Minhas Regras no Instagram (@meuclitorisminhasregras), acredita que o contato virtual traz à tona a forma como você se olha e aceita o seu corpo. “Quando a gente transa presencialmente, não está se vendo, mas sim a outra pessoa. Já no sexo virtual é preciso se confrontar. E como é que você se enxerga? Está gostando do que vê ou escolhe o melhor ângulo e coloca um filtro?”, questiona. Com mais de 120 mil seguidores, Gaia já está na 10ª edição de seu curso on-line de masturbação para mulheres e homens trans. O maior problema, para ela, ainda é a falta de conhecimento próprio. “A grande maioria nunca olhou suas partes íntimas no espelho. A referência que as mulheres têm ainda é a dos filmes pornôs, com vulvas perfeitas, sem pelos encravados e manchas, corrigidas com edição”, diz. Ela ainda lembra que desde pequenas somos proibidas de nos tocar: “Já reparou como chamam nossa vagina? De aranha, perereca, sempre algum animal nojento”. O primeiro exercício proposto nas suas aulas é que os participantes olhem no espelho e teçam cinco elogios a si mesmos. “Muitos não conseguem, mas se você não pode se olhar e lacrar que é foda, como vai aceitar seu corpo e entender que merece sentir um orgasmo?”, pergunta a educadora. A tarefa seguinte é abrir as pernas, também na frente de um espelho, e examinar tudo, identificando cada parte e experimentando o toque sem pudores. Gaia tem uma companheira há mais de dois anos que mora perto de sua casa, em São Paulo, mas elas só se viram presencialmente duas vezes desde o início da quarentena, em março. “Moro sozinha, mas minha namorada tem dois filhos, então, esperamos alguns meses para ver como a situação ia ficar. São muitas fotos, áudios, vídeos e telefonemas, tudo o que a tecnologia proporciona. É uma forma diferente de despertar os sentidos.”

Os encontros virtuais também foram a maneira que a carioca Bruna Lanza, de 22 anos, encontrou para manter seu relacionamento ativo. Estudante de cinema e estagiária de um canal de televisão, ela conheceu seu novo namorado no Carnaval, pouco antes da pandemia se alastrar pelo país. “A irmã dele não queria de jeito nenhum que ninguém entrasse nem saísse de casa, então ficamos um tempão sem nos ver”, conta. O jeito foi intensificar o costume que os dois já tinham de trocar nudes e mensagens picantes, principalmente pelo Direct do Instagram. “Ao vivo, não sou de falar putarias, mas, virtualmente, falo bastante. O legal é que posso assumir um novo papel.” No seu caso, o hábito de se filmar e se ver nas fotografias elevou a autoestima: “A gente não tem o costume de se olhar e, com as imagens e vídeos, acabei me sentindo mais sexy”.

Algo parecido aconteceu com o pesquisador de tendências João Pacca, de 36 anos, que consegue agora expor sua “persona erótica de dentro do quarto e sem correr riscos”. Para ele, que está isolado e trabalhando de casa, o sexo virtual, que antes era coadjuvante, ocupou o protagonismo nesse filme que se chamou 2020. As chamadas em vídeo, também, permitiram uma interação em outra camada da realidade, articulando novas representações e fetiches. Ele pondera, no entanto, que os grandes desejos são construídos com a intimidade, o que leva tempo. “Na internet, sinto que os encontros são orgásticos, rápidos e pequenos, mas não sei se estou tendo algum preconceito.”

Para evitar a superficialidade que às vezes parece regra nas redes sociais, o fotógrafo e artista Thiago Castro, de 31 anos, faz questão de ir além do sexo. “Tento mostrar preocupação pela pessoa que está por trás da tela, porque não quero seguir com a normatividade de ‘gozou, acabou o interesse’. Nunca gostei disso nem presencialmente”, explica. Após a separação da mãe de seu filho pequeno, ele ingressou no Tinder para encontrar mulheres fora de sua bolha. “Conheci uma pessoa que despertou um desejo diferente do que estava acostumado – que era basicamente troca de imagens de órgãos sexuais -, e começamos a construir narrativas com a escrita e com a imagem, quase como se fosse uma obra de arte”, compara. Thiago também aproveita seu conhecimento artístico para criar, nas fotografias e nos vídeos que compartilha, composições repletas de poesia que brincam, inclusive, com os jogos de luz e sombra. O sexo, assim, passou a ser muito mais prazeroso.