EU ACHO …

A VACINA PARTICULAR É ÉTICA

E serve de exemplo, se não interferir em programas públicos

O que mais convenceria os ressabiados com a vacinação contra a Covid-19 do que ver pessoas mais ricas tirando dinheiro do bolso para pagar pela própria imunização? “Se é bom para eles, deve ser bom para mim também” é uma das alavancas lógicas mais comuns de equalização social em todos os terrenos. Esse é apenas um dos argumentos a favor das vacinas pagas administradas por instituições particulares. Desde que não interfiram em absolutamente nada nos programas públicos (nos países que os têm, é claro) e não provenham do es­ toque destinado a eles, as “vacinas dos ricos” contribuiriam, ainda que esparsamente, para desafogá-los e desaguariam no objetivo comum, o de vacinar pelo menos 70 % da população e mostrar para esse vírus reincidente quem pode mais, ele ou nós.

As questões éticas desencadeadas pela pandemia são provocativas, quando não de arrancar cabelos metafóricos, principalmente quando envolvem disparidades de riqueza. Harald Schmidt, professor de ética na Universidade da Pensilvânia, conseguiu sair da obscuridade acadêmica quando defendeu a ideia de que a vacinação nos Estados Unidos privilegiasse negros e outras minorias para “equilibrar o jogo”, considerando-se que são desproporcionalmente atingidos pela doença. Schmidt se encrencou – ou fez bonito para os colegas, dependendo do ângulo – ao dizer que as pessoas mais velhas, prioritárias em todas as hierarquias de vacinação por estar no grupo de maior risco (com 80% a 90% das mortes por Covid-19 na faixa de pacientes acima de 65 anos), são “mais brancas” por pertencerem ao grupo com maior acesso a tratamentos de saúde.

No plano macro, a natural desconfiança dos humanos com os que têm muito, em especial quando operam numa esfera em que outros têm pouco demais, aumentou com a informação de que a concentração de riqueza deu mais um salto quase incompreensível para nós, mortais comuns. As 500 pessoas mais ricas do mundo aumentaram sua fortuna em 1,8 trilhão de dólares no miserável 2020 que acabamos de encerrar. Cinco pessoas têm hoje mais de 100 bilhões de dólares (Jeff Bezos, Elon Musk, Bill Gates, Bernard Arnault e Mark Zuckerberg). Todos fazem extensivas contribuições de combate à pandemia, especialmente Bill Gates. Pobrezinho: em vez de ser reconhecido como grande benemérito, é o acusado número 1 pelos conspiracionistas de ter os mais sinistros propósitos com o vírus e a vacina. Gates com a manga levantada tomando a vacina dificilmente convenceria os que a veem com suspeição. Em 1956, quando um erro de fabricação de laboratório inoculou milhares com o vírus ativo da poliomielite, provocando uma natural rejeição, Elvis Presley, no furor dos 21 anos, foi convocado para uma vacinação pública, para dar exemplo. Não é inconcebível que uma fila de influencers tomando a vacina paga tivesse efeito parecido agora. Estabelecendo-se, por motivos autoexplicativos, que todos os políticos abririam voluntariamente mão do privilégio desde o início.

  *** VILMA GRYZINSKI                

OUTROS OLHARES

AMIGOS DE TODAS AS HORAS

Os bichos domésticos, tradicionais companheiros do ser humano, ganharam ainda mais destaque como apoio psicológico em tempos de isolamento

Quando a pandemia de coronavírus passar – e ela há de passar – os livros de história e um lote de trabalhos científicos dedicarão bom espaço aos efeitos psicológicos provocados pelo isolamento social forçado – e, na quarentena, um grupo especial de moradores habituados a permanecer em casa tem chamado atenção: os animais de estimação. Há um duplo olhar, o dos bichos como companhia para seres humanos, os melhores amigos de gente isolada, e os cuidados com os próprios cães e gatos.

O primeiro reflexo pode ser medido pelo interesse, nos últimos dias, por centros de adoção. Não existe estatística oficial, mas um grupo de ONGs dedicadas à fauna acredita ter crescido 50% a procura no Brasil por cachorros, sobretudo, desde o início do confinamento – embora exista um movimento na contramão, ode pessoas que abandonaram os pets, supostamente incapazes de oferecer atenção. O movimento poderia ser ainda maior, não fossem as evidentes (e necessárias) dificuldades de circulação. “Não conseguimos realizar grandes feiras de adoção”, diz Luísa Mell, uma das mais respeitadas ativistas de direitos animais no Brasil, ela mesma recentemente recuperada da Covid-19. Numa outra ponta, como contrapartida, crescem os negócios virtuais. Os proprietários do canil Levy Buli, em Ibiúna (SP), que vende cães de raças enrugadas e “da moda” (pugs e buldogues franceses e ingleses) a preços que vão de 2.500 a 12.000 reais, já perceberam mudanças consistentes. “Nossas vendas pela internet cresceram de 30% a 40% nas últimas semanas”, diz o dono, Charles Levy. Outro canil, o Pomerânias, de Porto Alegre, está entregando os cachorros por via terrestre, sem o uso de aviões, meio de transporte habitual. Grandes redes, como a Petz e a Cobasi, revelam ter venda inédita, embora não apresentem cifras, com reforço na entrega de rações e acessórios por delivery.

Os efeitos positivos da aproximação entre humanos e bichos são conhecidos desde a Antiguidade – uma espécie evoluída de lobo teria sido o primeiro animal domesticado, entre 20.000 e 40.000 anos atrás, na Europa. A relação, no entanto, se desenvolveu exponencialmente nas últimas décadas. “Antes, os cachorros viviam presos em correntes, comiam restos da comida dos donos. Hoje, há humanização, o cachorro é tratado como um filho”, diz Fernando Baiardi, especialista em comportamento animal. De acordo com dados do Instituto Pet Brasil, o país tem 139,3 milhões de bichos caseiros, em sua maioria, cães. São terapêuticos, sem dúvida, como sempre foram, especialmente para pessoas solitárias – condição que agora abraçou o mundo. “Sentia a casa vazia, as meninas tristes, debruçadas no celular”, diz o gerente de vendas paulistano Marco Baúso. “O Thobias trouxe a alegria e a união familiar de volta.” Thobias é um adorável vira-lata adotado na semana passada, o novo ímã das filhas, Giovanna e Natalie, e da mulher, Solange. A publicitária Samila Ximendes e seu namorado, o editor de vídeos Paulo Goulart, recorreram à mesma artimanha para aliviar o desânimo. “Sentimos que era o momento ideal para incluir um cachorro em nossa vida”, diz ela, que batizou a cadelinha de Marrom. “Podemos educá-la com mais tempo e calma.”

Estabelecido, por experiências próprias, o benefício comportamental de cães e gatos para nós, impõe-se outra preocupação: e os bichos durante a pandemia? Não há evidência científica de que possam pegar o vírus (embora uma tigresa do zoológico do Bronx, em Nova York, tenha testado positivo). Os pelos dos animais, porém, podem ser depositários de microrganismos, como um corrimão ou uma maçaneta. Sabe-se que precisam de exercício. “Passear em matilha faz parte de sua programação genética, é um de seus instintos mais primitivos, e isso é algo que nem sempre é levado em conta”, diz Fernando Baiardi. “O cachorro precisa realizar atividades físicas e, se isso não acontece, essa energia pode ser transformada em ansiedade e incômodo e traduzida em latidos ou destruição de objetos.” É necessário, portanto, “cansar” o animal para manter seu bem-estar, embora a atual condição imponha restrições. Gatos, nesse aspecto, são mais fáceis. Os felinos, por serem mais independentes e territoriais, tendem a ter uma adaptação mais tranquila à quarentena. E, desde já, é preciso olhar para a frente, para quando as portas se abrirem. “O coronavírus vai passar, mas os bichos ficam”, diz Glauce Castilho, idealizadora do projeto Adotados e Amados, de São Paulo. Ou seja, nada de tratá-los como brinquedos infantis.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 17 DE JANEIRO

A OBEDIÊNCIA TEM UMA LINDA RECOMPENSA

O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado (Provérbios 10.17).

Há muitos caminhos que são espaçosos, largos e sem nenhum muro, mas esses caminhos com tantos atrativos e nenhum obstáculo desembocam na escravidão e na morte. A Bíblia chega a dizer: Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte (Provérbios 14.12). O sábio é categórico em dizer que o caminho para a vida é de quem guarda o ensino. A obediência ao ensino da Palavra de Deus livra os nossos pés da queda e a nossa alma do inferno. A rebeldia, porém, é como o pecado da feitiçaria, é uma rebelião contra Deus. Tapar os ouvidos à repreensão de Deus é colocar o pé na estrada do erro, é marchar célere para o abismo, é chegar ao destino inglório da condenação eterna. Só os insensatos vivem às cegas, despercebidos, sem nenhum senso de perigo. Uma vida sem reflexão é uma vida construída para o desastre. O caminho seguro da vida é a estrada da obediência. Obedecer a Deus e andar conforme os seus conselhos é o caminho seguro na estrada da vida. Essa estrada é estreita e apertada. Não são muitos os que andam por ela. Mas seu destino é a glória, a bem-aventurança eterna. Aqueles que andam pelas veredas da obediência receberão uma linda recompensa.

GESTÃO E CARREIRA

CLÁSSICOS RENOVADOS

Com inteligência artificial, o Globoplay melhora a resolução de imagem das novelas que fizeram história

Durante a quarentena, os serviços de streaming mostraram ainda mais sua força. Tentando se destacar em meio a gigantes internacionais, como Netflix e HBO, o Globoplay aposta nas obras-primas da teledramaturgia brasileira. O Grupo Globo está desenvolvendo um projeto de melhoria da resolução da imagem das novelas de seu acervo por meio de inteligência artificial e processamento em equipamentos de digitalização, recuperação e edição audiovisual. ”O uso da inteligência artificial para a melhoria de resolução de imagem é um processo ainda experimental, porém promissor na indústria audiovisual”, afirma Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo. Segundo o executivo, embora o avanço alcançado nesse estágio de desenvolvimento não seja equivalente ao HD (alta definição), a nova tecnologia vai se aproximar de uma qualidade bastante satisfatória, considerando as limitações do formato existente na época das gravações dos clássicos da emissora.

AOS NOVELEIROS DE PLANTÃO

O relançamento de clássicos da teledramaturgia na plataforma começou em 25 de maio

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MINDFULNESS – V

HORA DE PRATICAR

Dicas que irão ajudar na hora de começar a meditação

Depois de regular a alimentação, escolher o horário adequado, um local tranquilo, vestimentas confortáveis e acessórios apropriados, é hora de realmente meditar. Por isso, separamos dicas para lidar da melhor forma com os pontos mais importantes, como a respiração, o controle dos pensamentos e as melhores posturas.

POSICIONAMENTO

A forma clássica de meditar é em posição de lótus – pernas cruzadas e braços apoiados nos joelhos, com as costas eretas. “Fique sentado de forma que não cause dores ou desconfortos e deixe a coluna alinhada”, ensina a professora de yoga Vivian Shoji. Porém a posição de lótus não é uma regra para quem deseja meditar. Outra maneira é usar uma cadeira. Para isso, primeiro alongue-se começando com a coluna para depois, alinhar a cabeça e o pescoço, antes de repousar no local em que irá meditar. Sente-se na cadeira com os pés apoiados no chão e as mãos no colo, uma sobre a outra.

RESPIRAÇÃO

Respire profundamente durante todo o tempo em que estiver meditando. Inspire lentamente, contando até cinco segundos e expire em três segundos. Sinta o ar entrando e saindo do seu corpo, sem alterar o ritmo. ‘Durante a inspiração, mentalize a paz e, ao expirar, imagine-se eliminando a ansiedade. Faça isso, inicialmente, contando um minuto e aumente aos poucos, estimulando-se e gerando prazer e paz interior”, explica a terapeuta Comportamental Nara Louzada. A respiração é parte fundamental na meditação, é ela que ajuda a relaxar.

DURAÇÃO

Não vá pensando em ficar meia hora meditando logo na primeira vez. Se você ficou um minuto, mas conseguiu se manter em um estado de aquietamento, valorize. O mais importante é conseguir reservar esse momento para você, pelo menos uma vez ao dia. Quando estiver mais confortável e confiante, você pode aumentar a duração e prolongar a prática. Para ajudar marque um temporizador ou um aplicativo que avise a hora de retornar. Vale ressaltar que o tempo de cada momento de meditação depende de pessoa para pessoa. Um minuto já é válido, porém, são necessários pelo menos cinco minutos para garantir os benefícios. “Para iniciantes, a meditação deve variar de 10 a 30 minutos. O importante é respeitar seus limites e adicionar os períodos gradativamente”, explica a professora de meditação Denise Dourado.

PENSAMENTOS

No início, os pensamentos virão, mas não tente dominá-los. Deixe os passarem por você. Com o tempo, esse barulho interior cessará e você experimentará uma paz inigualável”, explica Denise. Uma maneira de afastar as ideias é focando na respiração. Outra opção é prestar atenção aos sons e aos aromas ao seu redor para se assegurar de que você está plenamente presente ou seja, o passado já foi, o futuro ainda não chegou e o que importa é o agora. Essas atitudes farão com que sua mente entre em harmonia com o ambiente, tornando o dia a dia (mesmo com o estresse rotineiro) mais leve e calmo.

AUTOANÁLISE

Após completar o processo, meditativo, não se levante de imediato. Abra os olhos, perceba o local, analise a sua prática e assimile o que ela proporcionou. Mexa braços e pernas devagar, alongue-se e aos poucos, volte a sua rotina, completa a terapeuta holística Patrícia Cândido. Você saberá se a prática foi boa conforme a sua disposição ao retornar. Se estiver mais tranquilo e concentrado, o exercício foi um instrumento positivo de bem-estar e de alto conhecimento.

PASSO A PASSO

Para aqueles que, apesar de estarem cientes dos benefícios e terem tentado todos as dicas, não conseguiram meditar, existe uma alternativa: associar a atividade à caminhada. “É uma meditação ativa. Devemos perceber os passos, o movimento das pernas, a respiração, os pés tocando o chão e se alternando nas passadas. Todos estes são chamados de âncoras e facilitam a atenção e a concentração. A junção das duas atividades favorece os que não conseguem ficar parados, aprimora o condicionamento físico e melhora a capacidade respiratória”, explica o psicólogo Roberto Debski.