EU ACHO …

PEQUENA ENCICLOPÉDIA DOS SERES HÍBRIDOS

CÁGADO-TIGRE-D’ÁGUA (Trachemys Dorbigni)

É um réptil que os humanos insistem em levar para casa, como se fosse adestrável. Mesmo não sendo peixe, sente-se à vontade nos rios, lagos e açudes. O que não o impede de também gostar de terras áridas. Cresce com certa rapidez, logo perdendo o ar de bichinho pet, que atrai a criançada. Seu lado tigre está na cor e nas listras, embora, às vezes, o amarelo rajado da cabeça se aparente com o da abóbora. Agora há pouco, vi um na vitrine de uma loja. Boquiaberto, não tinha a mínima ideia do que fazia ali, naquele cárcere.

FLOR-LEOPARDO (Belancanda cinensis)

Embora rústica, é uma planta de ar versátil. Originária da Asia, tem folhas espessas verde-azuladas, que se dão a ver como um leque sobre a haste. As flores têm forma de estrela, cujas pétalas pintadas se parecem, em cor e textura, com o pelo de um leopardo. Não suporta ficar encharcada e, por isso, se irrita na época das águas. Também fica brava se os gatos intrusos vêm cheirar suas folhas achatadas, ou quando os insetos confundem suas sementes com amoras em cachos. Tem uma beleza selvagem, mesmo quando é plantada em canteiros e vasos.

FORMIGA-LEÃO (Myrmeleon anbiguus)

Atende pelos nomes de cachorrinho-do-mato, piolho-de-urubu, joão-torrão, furão e tatuzinho. Porém, não é formiga, não é leão, nem nenhum desses outros bichos. Tampouco é o mirmecoleão – animal filho de pai leão e mãe formiga, catalogado nos bestiários antigos. Ambígua, ora é uma coisa, ora é outra, mas não é nenhuma ou é todas juntas. Sua larva tem uma mandíbula feroz de mamífero, cheia de pinças e espinhos, com a qual escava um buraco na areia para capturar possíveis vítimas. Sua vida adulta é breve: vai do fim da primavera até os primeiros dias do outono.

GAZELA-GIRAFA (Litocranius walleri)

É um antílope que vive nas regiões áridas da África. Seu pescoço longo e fino compete com o comprimento das pernas delgadas. Tem pelagem castanha, que se torna ruiva quando vista sob o sol da tarde. Suas orelhas enormes, em forma de asas, destacam-se na cabeça miúda. Olhuda, detesta ser observada. E, pelo que se diz, raramente bebe água. Seu alimento favorito são as acácias, com as quais se delicia ao lado de seus pares. O macho tem chifres curvos; a fêmea, um olhar sábio.

ORQUÍDEA-MACACO (Dracula Simia)

Essa orquídea com cara de macaco é um híbrido de extraordinária sutileza. Pode ter expressões variadas, que vãode alegria a perplexidade. Gosta de umidade e altura, embora já esteja quase acostumada à realidade dos jardins e dos vasos. Um dado interessante sobre ela é que as pontas de suas sépalas lembram os dentes caninos do Conde Drácula. Além disso, possui um aroma impreciso de laranja madura, que confunde quem nela busca algum cheiro menos ácido. Sabe-se, inclusive, que ela tem o dom de provocar o riso de quem flagra seu rosto símio em situações inesperadas.

PEIXE-BOI-DA-AMAZÔNIA (Trichechus inunguis)

É um adorável mamífero de água doce. Vegetariano, possui traços bovinos e corpo de morsa. Por emitir sons que evocam o canto das sereias, os zoólogos o chamam de sirênio, ao lado de outros mamíferos aquáticos, como o peixe-boi-marinho e o dugongo. Sabe-se que é muito dorminhoco: em vigília, fica alguns minutos fora d’água, para um respiro, mas passa a maior parte do tempo submerso, em sono espesso. Seus olhos pequenos discernem cores e enxergam tudo de longe, e um pouco atrás deles se encontram os ouvidos sem orelhas. Com os bigodes sensíveis do focinho, percebe as intenções de quem dele se aproxima. Encontra-se, mais do que nunca, sob perigo extremo. Não só pela cobiça de pescadores intrusos, mas sobretudo pelas sucessivas queimadas que devastam a Amazônia.

PEIXE-CACHORRO (Hydrolycus armatus)

Também se chama cachorra e não tem nada a ver como peixe-cadela (Cynopotamus humeralis). Gosta das águas rápidas, vivendo em canais e na mata inundada. Suas escamas mínimas combinam com o corpo comprimido. Na boca oblíqua, a mandíbula (de feição canina) se distingue, e nela se veem compridas presas. Não à toa, sua maxila de cima tem dois buracos para alojar esses dentes quando a boca se fecha e o peixe se ensimesma. Não é fácil de ser fisgado, dada sua rapidez em se livrar do anzol, ao puxar a isca. As piranhas apreciam suas nadadeiras como petiscos e ficam sempre à espreita, por saberem que ele é, de fato, muito arisco.

SOCÓ-JARARACA (Tigrisoma fasciatum)

Dizem que é uma ave muito tímida. Ela atende também pelo apelido socó-boi-escuro, o que acontece porque tem o abdômen em formato levemente bovino. Já o lado ofídico está no pescoço longo, de um cinza-escuro, com toques de marrom e canela. Sua íris é amarela. Habita florestas com rios límpidos, mas não recusa os lugares lúdricos do Cerrado goiano. Come peixes pequenos, larvas e insetos, sem prescindir de crustáceos, moluscos e anfíbios. Por ser reservada, ninguém imagina que possa ser, para outros seres, um desafio. Ama as folhas secas e cultiva a solidão como um privilégio. Os biólogos sabem que é de uma espécie ameaçada.

TARTARUGA-JACARÉ (Macrochelys temminckii)

Carrancuda, é avessa a piadas. Isso, no entanto, não impediu que seus conterrâneos – habitantes dos rios, lagos e pântanos norte-americanos – a apelidassem de “dinossauro”, em parte por conta das largas e pontudas escamas que formam o seu casco. Há de se admitir que ela tem uma certa beleza jurássica, mas ninguém lhe diz isso, por medo da potência aterradora de suas dentadas. Alimenta-se de peixes, patos, garças, sapos, cobras e lagartos. Se fosse bípede e soubesse manusear objetos, a tartaruga-jacaré seria, certamente, uma guerreira formidável.

TREPADEIRA-ELEFANTE (Argyreia nervosa)

É uma planta vigorosa. De ramagem longa e raízes profundas, sobe pelos caramanchões, muros e cercas. Uma fina penugem aveludada cobre seus ramos e a parte inferior de sua folhagem. Por isso o seu verde adquire um tom prateado. Dá flores em forma de sino, e suas folhas são como orelhas de elefante, o que legitima seu lado paquiderme. Mas o que nela mais atrai os humanos está nos efeitos alucinógenos de suas sementes, consideradas sagradas por conta de seus poderes xamânicos. Entretanto, como nem tudo é perfeito, ela está sempre com os nervos à flor da pele. Lenhosa e manhosa, odeia geadas e se aconchega ao calor úmido dos solos férteis.

*** MARIA ESTHER MACIEL – É escritora, diretora da revista 0lympio: Literatura e Arte e autora de Longe, Aqui, Poesia Incompleta 1998-2019

OUTROS OLHARES

A HUMANIDADE REFÉM DOS VÍRUS

Por maiores que sejam os avanços da medicina, inclusive com o desenvolvimento de vacinas, as inevitáveis mutações genéticas seguem sendo o gatilho para novas enfermidades infecciosas que nos ameaçam com pandemias

A medicina tem avançado cada vez mais nos últimos tempos e essa é uma excelente notícia. É inegável, por exemplo, o seu aprimoramento na eficácia da prevenção e do tratamento de enfermidades infecciosas causadas por vírus, e a constante descoberta de novas vacinas nos assegura menor risco de exposição a doenças e maior qualidade de vida. Agora, vamos à má e irremediável notícia desoladora: eles, os vírus, também avançam em suas mutações genéticas, o que impede que sejam definitivamente cercados. Assim, desde que o mundo é mundo, a humanidade foi, ainda é e sempre será refém desses insignificantes, mas perigosíssimos inimigos. Na semana passada, a história se repetiu. A ameaça de uma pandemia começou a assombrar o mundo, a ponto de a Organização Mundial da Saúde seguir cogitando sobre a decretação de “estado de emergência global”.

Trata-se de uma nova cepa do coronavírus, jamais vista pelos cientistas, que em menos de setenta e duas horas “voou” da China para o Japão, Taiwan, Tailândia, EUA, Arábia Saudita, Vietnã, Cingapura e Brasil. Como dito anteriormente, vírus são mutantes, ou seja, o coronavírus, em si, não é novo (já causou a epidemia de SARS que em 2002 matou quase mil pessoas). Nova é a atual cepa. Na China, até a quinta-feira, as autoridades contabilizavam dezessete mortes, quinhentas e quarenta e sete pessoas com a doença confirmada e outras mil e setecentas internadas. No Brasil, uma mulher foi diagnosticada com suspeita em Minas Gerais, após passar uma temporada em Shangai. “Não conhecemos o real potencial dessa variante do coronavírus, não temos vacina contra ela e nem tratamento específico”, disse à ISTOÉ Leonardo Weissmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia. “O vírus é um parasita intracelular obrigatório. Se agirmos em determinado ponto do vírus, podemos estar agindo em toda a célula”, afirmou a também infectologista Nancy Bellei. Ou seja, ele sempre dá um jeito de nos driblar.

RESISTÊNCIA MORTAL

Os vírus estão cada vez mais resistentes, seja pela ação da natureza ou pela mão do homem. Exemplifica essa situação a morte de um homem na cidade paulista de Sorocaba. Faleceu de febre hemorrágica brasileira, e vale lembrar que havia vinte anos que tal vírus não era constatado no País. Mesmo “quieto”, silenciosamente, ele foi mudando geneticamente, até que voltou a atacar. Para continuarmos a falar de Brasil, na quinta-feira divulgou-se a morte de quarenta macacos na região sul, e a importância disso é que tal animal funciona como sinalizador de que o vírus da febre amarela está de novo atuando – a mesma febre amarela que é transmitida ao homem pelo mosquito aedes aegypti, também vetor da dengue, entre outras doenças. De volta ao coronavírus, ele é transmitido pelo ar, pelo toque ou por objetos contaminados. Sintomas? Coriza, dor de garganta e febre. Nada diferente, portanto, do mais persistente dos vírus – o da gripe. Enquanto o HIV morre em segundos em contato com o ar, o da gripe sobrevive numa maçaneta de porta por quase um mês. É assustador. E mais assustador, ainda, é lembrar da tragicamente famosa “gripe espanhola”. Mutação do H1N1, ela dizimou entre 1918 e 1920 cerca de 40 milhões de pessoas (trinta e cinco mil no Brasil, entre elas o presidente Rodrigues Alves), cinco vezes mais do que as mortes ocorridas na Primeira Guerra Mundial. O vírus da gripe é, sim, o mais mutante dos sequestradores que nos mantêm como reféns.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 16 DE JANEIRO

O FRUTO DO SEU TRABALHO

A obra do justo conduz à vida, e o rendimento do perverso, ao pecado (Provérbios 10.16).

O que o homem semeia, isso ele colhe; as sementes que cultivamos determinam os frutos que colhemos. Quem semeia o bem colhe os frutos doces desse investimento; quem semeia o mal vê seu malfeito caindo sobre sua própria cabeça. Quem semeia vento colhe tempestade, e quem semeia na carne, da carne colhe corrupção. Nosso trabalho sempre trará resultados para o bem ou para o mal. A obra do justo conduz à vida. O que ele faz é abençoado e abençoador. Suas obras são movidas por Deus, feitas de acordo com a vontade de Deus e visam a glória de Deus. O justo não realiza suas obras com o propósito de alcançar o favor de Deus; ele as faz como gesto de gratidão pela graça recebida. Suas obras não são a causa de sua salvação, mas o resultado. Suas obras glorificam a Deus no céu e conduzem os homens à vida na terra. O rendimento do perverso, porém, conduz ao pecado. Suas obras não arruínam apenas a ele mesmo, mas transtornam os outros também. Porque o coração do perverso não é reto diante de Deus, suas obras incitam os homens ao pecado. Sua boca é um poço de lodo; seus pés se apressam para o mal, e suas mãos laboram para a perdição. Quem é você? Quais são os frutos do seu trabalho? Em que campo você está semeando? Quais sementes está espalhando? Que frutos está colhendo? É tempo de semear para a vida, e não para o pecado.

GESTÃO E CARREIRA

O MITO DA RESILIÊNCIA

O mantra de que ser resiliente é a melhor resposta para aguentar a pressão, encarar o excesso de trabalho e aturar chefes insensíveis traz sérias consequências físicas, mentais e motivacionais. Entenda por que abusar dessa característica é prejudicial

Saltar de novo. Em latim, esse é o significado literal da palavra “resiliência”. O termo vem sendo usado desde o século 19 para descrever, na física, a capacidade de os objetos voltarem ao normal depois de passarem por deformações – como uma mola que, após ser esticada ao extremo, se recompõe como se nada tivesse acontecido. Do ponto de vista psicológico, a resiliência se traduz na capacidade de se adaptar a circunstâncias estressantes e se recuperar de eventos adversos. Há alguns anos, a palavra se espalhou pelo mundo do trabalho a ponto de se tornar um jargão corporativo.

Não é raro encontrar vagas que exijam que o candidato tenha a resiliência corno uma de suas habilidades, ver a palavra estampando os valores de uma companhia ou achar cursos cujo objetivo seja tornar os negócios mais resilientes.

Em momentos de transformações rápidas e de crises profundas, corno a que estamos vivendo com o novo coronavírus, o interesse do mercado pelo tema se intensifica: a resiliência parece ser a resposta para que empresas e profissionais saiam a salvo lá na frente, quando tudo passar. Ouvimos que, se formos resilientes, conseguiremos nos adaptar às mudanças e ter força mental suficiente para seguir em frente e dar a volta por cima.

Mas não é bem assim. Se colocarmos todas as fichas nessa característica acreditando que aguentaremos cargas excessivas – e comprarmos o discurso que, infelizmente, ainda é altamente difundido de que ternos de suportar qualquer coisa para manter o emprego -, o risco de extrapolarmos os limites físicos e mentais será enorme. Se não conseguimos retornar à forma original depois de submetidos a tal deformação elástica, como diz a física, significa que algo está errado. Alguns estudos mostram que mesmo as competências adaptativas se tornam inadequadas quando levadas ao extremo. Uma pesquisa feita por Rob Kaiser, presidente da Kaiser Leadership Solutions, que atua na avaliação e no desenvolvimento de líderes, aponta que forças se tornam fraquezas quando submetidas ao extremo. Isso quer dizer que a resiliência tem, sim, seu lado prejudicial. “Pessoas com esse perfil podem, por exemplo, se tornar altamente persistentes com objetivos inatingíveis, ou tolerantes demais às adversidades”, diz Derek Lusk, Ph.D. em psicologia de negócios e chefe de avaliação executiva da AIIR Consulting, que atua no planejamento de sucessão, transformação de liderança e mudança de cultura. Entre os desfechos comuns está o esgotamento mental e físico. “Começa com resiliência em excesso e termina com burnout, diz Roberto Aylmer, professor na Fundação Dom Cabral, especialista em gestão estratégica de pessoas e diretor da consultoria Aylmer Desenvolvimento Humano.

SINAL VERMELHO

Derek ressalta que algumas análises científicas mostram que a maioria das pessoas perde muito tempo persistindo em objetivos irreais, um fenômeno chamado síndrome da falsa esperança. Mesmo quando comportamentos passados sugerem claramente que é improvável que as metas sejam atingidas, o excesso de confiança e um grau acima da média de otimismo fazem com que as pessoas desperdicem energia em tarefas inúteis. Isso, levado ao limite, gera problemas de saúde sérios.

Além disso, existe outro ponto: a confusão entre resiliência e subserviência, que é aceitar tudo calado. “Ser resiliente é, também, se posicionar, saber dizer não e negociar projetos”, diz a psicanalista Cláudia Cavallini, consultora e professora da HSM Educação Executiva. Segundo ela, uma pessoa resiliente na dose certa se adapta, mas consegue voltar ao seu estado original, que tem a ver com seus valores, sua personalidade e com as coisas de que não abre mão. “Ela sabe onde se reenergizar e se reequilibrar”, afirma. Para encontrar a medida certa, a professora reforça a importância do autoconhecimento e a atenção aos sinais do corpo. Se anda estressado ou ansioso demais, com hábitos alimentares ou físicos em excesso (como comer ou fazer exercícios demais) e reagindo de maneira fria ao que acontece, é hora de rever a postura (veja mais no quadro Por um Triz). Existe uma metáfora que exemplifica bem essa questão. Quando um lutador está no ringue e cai depois de um golpe, a resiliência é o tempo que ele leva para levantar e voltar ao jogo, que é medido na contagem do juiz. “Quando ele volta rapidamente mesmo muito ferido e pede mais, como se não sentisse os golpes, está sendo resiliente demais”, diz. A pessoa resiliente de maneira positiva demora um pouco: sente o impacto, o digere e volta fortalecida.

É preciso prestar atenção, também, no sentido do que está fazendo, como explica Maria Cândida Baurner, sócia da People & Results, especializada em carreira e cultura empresarial. Isso porque, quando a resiliência está desconectada do que tem significado para você, ela se torna tóxica. “Seguir no piloto automático – ‘se eu for resiliente chegarei ao outro lado’ – não se sustenta no longo prazo se não há significado”, diz.

DISCURSO ULTRAPASSADO

O grande problema é que muitos líderes confundem produtividade e otimismo desenfreado com resiliência. Esses ingredientes criam um ambiente de pressão por bons resultados e de produtividade a todo custo, que leva os funcionários a assumir riscos desnecessários, como ir ao escritório mesmo estando doente. Claro que a positividade tem benefícios, mas a obsessão pelo otimismo afasta os líderes da realidade de maneira semelhante ao excesso de confiança. “O otimismo é desejável quando alinhado com a verdade”, diz Derek.

Na visão de Anderson Sant’Anna, professor na Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da FGV, hoje em dia há muitos mitos em torno de que precisamos ser bons e felizes o tempo todo – o que se torna uma ditadura da alegria. Uma das consequências é a sensação de que temos de suportar qualquer absurdo com um belo sorriso no rosto, senão não teremos vez. “Isso acaba virando jargões corporativos que mais prejudicam cio que contribuem. É impossível ser resiliente o tempo todo.” Segundo ele, o discurso da liderança e da própria companhia acabam, algumas vezes, exagerando no argumento de que é preciso aguentar sempre. “Muitos acham que, por meio de incentivos como ‘você é forte’ ou ‘você dá conta’, podem motivar o profissional. Mas, em determinados momentos, isso surte o efeito contrário”, afirma.

Por trás desse discurso de que é preciso aturar tudo pode existir uma ideia perigosa: a pressão para trabalhar o máximo possível. “A resiliência se torna exploração quando é mal definida dentro de uma organização tóxica”, diz Derek. Esse quadro costuma se instalar em empresas administradas por líderes que promovem uma cultura de alto desempenho às custas das pessoas. “Eles farão o que for preciso para atingir seus números, incluindo maus-tratos e exploração de funcionários”, afirma. Por isso, já passou da hora de muitas empresas repensarem o conceito de resiliência. “Não se trata de seguir sem pensar, com confiança e otimismo exacerbados para superar desafios, e sim de saber se adaptar da maneira correta, e dentro da capacidade de cada um, a situações de ameaça ou a adversidades”, diz. Se bem usada, a resiliência é se recompor em momentos de estresse para, de uma maneira humana e equilibrada, buscar objetivos alcançáveis e seguir em frente. Ela não pode ser usada por líderes e pelo mercado como uma desculpa para empurrar os profissionais para o excesso de trabalho e para o abuso psicológico. Resiliência não é saltar para o precipício.

POR UM TRIZ

Cinco indícios de ode você está extrapolando

  1. Apresentar sintomas físicos e emocionais, como muito estresse ou dores no corpo
  2. Insistir em objetivos inalcançáveis
  3. Desperdiçar tempo em tarefas sem sentido
  4. Ter tolerância demais e aceitar tudo sem contestar
  5. Ser mais duro e insensível

SEM PERDER A MÃO

Três pilares que ajudam a encontrar o equilíbrio

1. TENHA UMA REDE DE APOIO

Contar com pessoas de confiança que possam conversar com você é essencial. Por meio de outras perspectivas é possível refletir sobre as situações e ajustar o comportamento

2. APOSTE NO AUTOCONHECIMENTO

Ter clareza de quais são seus valores e objetivos de vida e saber o que traz realização ajuda a escolher caminhos mais conscientes. Quando estamos cientes daquilo que nos faz bem, fica mais fácil identificar o que é prejudicial e, assim, buscar outras alternativas

3. NÃO ESQUEÇA O QUE É RESILIÊNCIA

A resiliência é a capacidade de reagir da forma mais adequada possível – de acordo com a situação que você está vivendo – e, em seguida, voltar ao estado de equilíbrio. Quando vivemos algo ruim, é natural responder com emoções negativas, mas é importante compreender quando é o momento de deixar aquele sentimento ir embora e seguir adiante

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MINDFULNESS – IV

COMECE JÁ!

Os benefícios da atenção plena e da meditação são os mais diversos: a práticas traz melhorias para a saúde física e mental. Confira

As vantagens da meditação se estendem não apenas para a mente, mas para o corpo todo. A seguir, os 10 principais benefícios do hábito para uma maior qualidade de vida!

1. DEIXA VOCÊ MAIS FELIZ

“Como a psicóloga PhD em neurociências Sarah Roberts exemplifica, ‘é sublime poder sentir a água correr pelas costas durante o banho da manhã; é gratificante poder ouvir o filho descrever o seu dia sem ficar olhando para ele e pensando na lista de coisas a fazer. O exercício do foco no momento presente nos protege de passar o tempo todo no passado, ruminando sobre o futuro ou inventando situações hipotéticas provocadoras de ansiedade’”, indica o neurologista Martin Portner.

2. REDUZ O ENVELHECIMENTO

O encurtamento dos telômeros – estruturas na porção final dos cromossomos do DNA – acontece após cada divisão celular. “Na velhice, esse desgaste chega a um ponto em que não é mais possível que aconteçam divisões celulares sem falhas, o que pode desencadear doenças degenerativas. A prática regular de meditação aumenta o nível da enzima telomerase, que protege os telômeros dessa deterioração em cerca de 30%, reduzindo o processo de envelhecimento para graus menores”, destaca o psicólogo coach e trainer em programação neurolinguística Roberto Debski.

3. INFLUENCIA (POSITIVAMENTE) AS RELAÇÕES SOCIAIS

”Uma pesquisa realizada no Wake Forest Baptist Medical Center na Carolina do Norte, Estados Unidos, ensinou meditação a voluntários e suas atividades cerebrais foram monitoradas antes e depois das sessões. Foi constatada uma diminuição da ação da região denominada amígdala (cerebral), responsável por regular as emoções, e houve uma redução dos níveis de ansiedade em cerca de 39%”, comenta Roberto Debski. Tal fato comprova que a prática favorece o equilíbrio emocional, assim, a conexão com os outros acontece com menos interferências.

4. PROMOVE CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

Ao meditar regularmente, você amplia a consciência, traz a sensação de conexão e compaixão, não só com os outros, mas com o meio ambiente. Pessoas que meditam com frequência estão mais conectadas à natureza, inclusive sendo o local de escolha para as práticas”, salienta Roberto Debski.

5. DÁ MAIS ENERGIA

Lembra que a meditação ajuda a manter o foco? É dessa forma, direcionando o foco, que obtemos uma economia na energia e diminuímos o desperdício da mesma.

6. AUMENTA A IMUNIDADE

Sim, há conexão entre meditação e sistema alto imune. Uma prova disso é o estudo publicado na revista acadêmica americana Psychosomatic Medicine, que comparou um grupo de meditadores com outro de não-meditadores. “Ambos receberam uma vacina contra a gripe; mais tarde, quando os anticorpos furam mensurados, verificou-se que o primeiro grupo estava muito mais protegido contra a gripe quando comparados aos demais”, conta Martin Portner.

7. REDUZ PROBLEMAS DO CORAÇÃO

De acordo com a Associação Americana do Coração, meditar regularmente diminui em cerca de 47% o risco de infarto do miocárdio em adultos, que tinham, em média, 59 anos – acompanhados de 2000 a 2009.

8. AJUDA A ORGANIZAR MELHOR O TEMPO

“Meditar é educar a mente. Quando aprendemos que a consciência é parte da gente, mas não somos nós, conseguimos mergulhar num autoconhecimento profundo”, observa a terapeuta vibracional e mestre em Reiki, Andrezza Ferrari. Para a profissional, a partis desse momento, a prática leva ao domínio dos pensamentos ao ponto de trazer mais foco, afetando a forma como organizamos nosso tempo.

9. MELHORA O SONO

Seja para dormir melhor ou combater a insônia, a meditação diminui a tensão, relaxa o corpo e a mente. Dessa maneira, principalmente aquelas pessoas que praticam antes de dormir notam um efeito benéfico durante a noite, uma vez que a tranquilidade necessária para descansar é potencializada.

10. INCENTIVA A CRIATIVIDADE

Quando você se conecta consigo mesmo, toma consciência das suas potencialidades e expande sua consciência, a criatividade, assim como a produtividade.