EU ACHO …

RELATOS DE UMA CONTEMPORANEIDADE

Uma expressão do século XXI e presente na vida de todos é a tão sonhada qualidade de vida. Com certeza, todos já ouviram esta frase e as empresas tem essa preocupação com a vida de seus colaboradores: nossa política de trabalho visa trazer qualidade de vida para os colaboradores e bem-estar a seus familiares; em contrapartida ocorre a melhora da produtividade destes, sua criatividade, saúde física e mental. Diante das inúmeras atribuições que as pessoas possuem no cotidiano, estas se deparam em muitas das vezes com treinamentos e técnicas que colaborarão com o desempenho e ensinarão um dinamismo para conduzir as situações que ocorrem nas surpresas diárias, afinal, a sensação de que o tempo cronológico urge é uma constante na vida de todos.

Existem muitas fórmulas, treinamentos, dicas, filosofias empresariais sobre administração do tempo e melhor produtividade, contudo, quando chega a hora do show; este ferramental adquirido é deixado de lado, a famosa rotina prevalece e voltamos ao centro do furacão; ficamos a girar, girar, girar, apagando incêndios, um após outro; um círculo vicioso que nos prende e não permite o pensamento além do nosso intelecto com criatividade. Neste tocante, as estratégias surgem para buscar a tão sonhada qualidade de vida, a produtividade e o tal bem-estar social. Porém, é necessário sair do tal furacão que gira, gira, gira.

Diante de tanta tecnologia disponível para facilitar a vida de todos, as obrigações diárias aumentam, facilidades também, porém, é necessário ter iniciativa e assim, emerge uma história da antiguidade e presente na área de humanidades que chama a atenção e muitos a conhecem: viva a sua vida com uma simplicidade espartana.

Afinal, como era de fato a vida em Esparta? Como toda sociedade, as regras existiam e organizavam a sociedade como um todo. Esparta localizava-se na Grécia antiga, a história voltou à tona recentemente com o filme do Rei Leônidas e os 300 de Esparta. Esta sociedade tinha uma disciplina para a educação de todos, militar e social. Seus soldados transmitiam um poder exacerbado, muito treinamento físico, desenvolvimento mental e estratégico para batalhas e já na infância iniciava a educação com um tutor, uma pessoa com mais experiência que conduziria este jovem através dos conhecimentos interdisciplinares, formando uma pessoa forte e capaz de integrar um exército para a defesa do território. Claro que a força de um exército sem a estratégia de nada adianta e esta sociedade pensava militarmente esta questão para derrotar seus inimigos que tentavam tomar seu território a todo custo. Ao final, sabemos que os 300 de Esparta são derrotados devido a uma traição.

Para nós do século XXI, buscamos sonhos e metas muitas vezes inalcançáveis, ternos dificuldades cm atingir propósitos diários, e ainda, gerenciar a própria vida diante das lutas que surgem. Desta forma, os espartanos nos servem como exemplo. Viver ativamente, traçando estratégia para nossa conquista, fortalecendo nosso grupo com positividade e acreditar. Uma pessoa sem ambição, é uma pessoa que não prevalecerá neste mundo competitivo, assim, viva a vida como um espartano.

Prepare-se para a luta, crie a estratégia, aprenda novas ferramentas e siga para suas conquistas, fortaleça seu grupo e principalmente, viva muito bem com tudo o que você conquistou e defenda o seu território juntamente com o seu líder e sua equipe.

JOSÉ CARLOS MORAES – é mestre em Teologia, professor da área de Humanidades na Licenciatura em Ciências da Religião do Centro Universitário Internacional Uninter.

OUTROS OLHARES

ALÔ, ALÔ

A pandemia traz de volta o antiquado costume das ligações pelo telefone

Confinamentos prolongados provocados por pandemias ou conflitos armados tendem a exacerbar a predisposição humana para se solidarizar com familiares e com o próximo. Para ficar apenas em dois exemplos, foi esse o caso nas regiões mais afetadas pela sars na década passada e em Sarajevo, na guerra nos Bálcãs, nos anos 1990. Na visão de psicólogos, essa característica pode ser explicada pelo fato de que, ao longo de nossa evolução, aqueles que enfrentaram períodos de dificuldade em grupo tiveram mais chances de sobreviver.

O Brasil tem confirmado essa tendência e um dos termômetros desse canal de solidariedade é o telefone — tanto o celular quanto o fixo. O tráfego de ligações no país em março registrou um aumento de 50%, segundo a consultoria Celfinet. A quarentena trouxe de volta as chamadas para parentes e amigos, um hábito que andava meio esquecido desde que os celulares viraram uma espécie de computador de mão, mais usados para acessar redes sociais e enviar mensagens por aplicativos.

O brasileiro não apenas está telefonando mais vezes, como está passando mais tempo ao telefone. Com base nas informações das operadoras, a duração das chamadas aumentou 20% no mês passado. O advogado Luís Claudio Couto, de 25 anos, se surpreendeu quando trocou o tradicional recado pelo Facebook por um telefonema para desejar parabéns ao pai pelo aniversário de 61 anos. “Com a quarentena, aproveitei para ligar para meu pai e dizer quanto sinto sua falta, quanto gostaria de estar próximo e dar um abraço. A pandemia me fez dar importância ao afeto”, contou Couto. A apresentadora Aline Malafaia percebeu a mudança de hábitos. No último aniversário, em abril, recebeu dezenas de telefonemas no lugar das mensagens de texto. E aproveita a nova rotina para reencontrar virtualmente amigas que moram fora do Rio de Janeiro. “Anda faltando dia para falar ao telefone. E há momentos em que fico angustiada. Só uma conversa para aliviar”, disse Malafaia.

É curioso que, com tantos recursos de comunicação por mensagem e por voz e imagem, os telefones estejam tendo um revival. Segundo Paula Chimenti, professora da área de estratégia, organização e sistemas de informação do Instituto Coppead de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há uma explicação. “Para muita gente, a pausa do telefonema virou uma válvula de escape para fugir de uma nova rotina em frente ao computador”, afirmou. “Neste momento, estamos todos refletindo sobre a importância do contato humano. Vamos sair mais conscientes desta crise”, completou Chimenti.

Falar ao telefone celular ou fixo também já não custa o mesmo que antigamente, quando adolescentes pendurados na linha se tornavam um peso a mais no orçamento de qualquer família. Conforme a chamada telefônica foi caindo em desuso, as empresas criaram incentivos para diminuir a perda de receita. Principalmente entre os mais jovens, as ligações foram substituídas por mensagens de texto, e-mail, chamadas via Skype, FaceTime ou Snap. Quase todos os pacotes contam com planos de ligações ilimitadas para todas as operadoras.

Segundo o consultor Sergio Quiroga, ex-presidente da Ericsson, o aumento nas chamadas telefônicas na pandemia não é coisa só do Brasil, mas um fenômeno que se repetiu em países como Espanha, Itália e Portugal durante a pandemia. Nos Estados Unidos, uma reportagem do jornal The New York Times relatou que a operadora americana Verizon estava administrando uma média de 800 milhões de chamadas diárias, mais do que o dobro do número registrado no Dia das Mães, uma das datas historicamente mais movimentadas no ano. “Como não há mais aquela pausa para o café, as pessoas pegam o telefone e ligam. O novo normal ainda precisa desse momento do cafezinho. Isso fez com que as empresas tivessem de redimensionar a rede para conseguir suportar o aumento do uso”, disse Quiroga.

No mundo dos negócios, a volta dos telefonemas tem razões menos sentimentais. Uma mensagem por aplicativo pode ser ignorada. A empresária Edilma Lima, dona de uma confecção de fraldas reutilizáveis no Rio de Janeiro, passou a ligar diretamente para os fornecedores que demoravam a responder por mensagens e aplicativos. Na clínica Fisioterapia Barra, também no Rio, a secretária Valéria Shirley Santos passou a ligar da linha fixa para todos os pacientes que têm hora marcada. A intenção é reagendar os horários para evitar aglomerações. “Se liga pelo celular, o povo não atende um número desconhecido. Nunca tinha usado o telefone fixo desde que comecei a trabalhar aqui, há dois anos. O mais curioso é que as pessoas estão atendendo”, contou Santos.

O aumento repentino da demanda foi sentido de forma diferente em cada empresa de telefonia. Na Claro, o tempo médio das ligações aumentou 20% em março. Marcio Carvalho, diretor de marketing da empresa, lembrou que, na primeira semana do isolamento social, o tráfego geral das redes de telecomunicações cresceu o equivalente a 12 meses. Na Oi, o aumento da demanda exigiu medidas de gerenciamento de rede. Rodrigo Abreu, presidente da companhia, disse que o movimento é uma tendência natural diante da necessidade de substituir o contato no dia a dia. Na Vivo, as chamadas, que aumentaram tanto na rede fixa quanto na móvel, tiveram avanço de 26% em sua duração. No caso da TIM, a mudança de hábito do brasileiro reviveu a época das grandes promoções, em que as operadoras anunciavam faixas de horário em que as ligações saíam mais em conta. Agora o horário do rush para a operadora é por volta das 20 horas.

A pergunta que muitos se fazem é se a nova moda dos telefones é algo passageiro ou se voltou para ficar. Para Eduardo Peixoto, do Cesar, um centro de inovação em design, tecnologia e educação com sede no Recife, a pandemia trará mudanças na forma de se comunicar. “A gente achava que o home office não funcionava, que a videoconferência não era prática. Muitos tabus estão sendo quebrados”, disse. Peixoto acredita que não está descartada a hipótese de que a pandemia tenha reavivado os telefonemas por um bom tempo — pelo menos, até que uma vacina contra o novo coronavírus seja inventada.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 11 DE JANEIRO

FONTE DE VIDA OU ARMADILHA DE MORTE

A boca do justo é manancial de vida, mas na boca dos perversos mora a violência (Provérbios 10.11).

Jesus disse que a boca fala daquilo que o coração está cheio. A língua reflete o coração. Externa o que é interno. Põe para fora o que está por dentro. A língua nos coloca pelo avesso, mostra nossas entranhas e escancara os segredos do nosso coração. A língua pode ser remédio ou veneno; pode dar vida ou matar; pode construir pontes ou cavar abismos. Pode ser fonte de vida ou armadilha de morte. O sábio Salomão diz que a boca do justo é manancial de vida. O justo fala a verdade em amor. Sua palavra é boa e traz edificação. É oportuna e transmite graças aos que ouvem. Da boca do justo jorram aos borbotões louvores a Deus e encorajamento ao próximo. Sua boca é como uma árvore frutífera que alimenta e deleita. É como um manancial cujo fluxo leva vida por onde passa. Na boca dos perversos, porém, mora a violência. Na boca dos perversos há blasfêmias contra Deus e insultos contra o próximo. A língua dos perversos semeia contendas, promove intrigas, instiga inimizades e produz morte. A língua dos perversos é um poço de impureza, um esgoto nauseabundo de sujidades e um campo minado de violência. Devemos pedir a Deus um novo coração para que nossos lábios sejam manancial de vida, e não armadilhas de morte.

GESTÃO E CARREIRA

TRAVEI. E AGORA?

Por que nós temos apagões mentais em momentos decisivos no trabalho – e o que fazer para evitar esses bloqueios

Você vai apresentar um importante projeto. Mas na hora H paralisa: as mãos tremem, a voz falha, as palavras desaparecem da mente. Alguns o encaram, outros trocam olhares constrangidos, e nada sai como planejado. Depois do desempenho pífio, só restam vergonha e culpa por ter falhado. Episódios como esse acontecem cotidianamente no mundo corporativo, inclusive com profissionais experientes. A explicação é científica. Com desafios constantes, o ambiente de trabalho se tornou um lugar estressante. De acordo com o órgão American Institute of Stress, estudos apontam que a tensão nas empresas é, de longe, a principal fonte de desassossego para os adultos. Há cobrança por resultados, cortes e mudanças constantes. Quando se vê diante de uma situação decisiva, o indivíduo, já sobrecarregado emocionalmente, empaca, acionando os mecanismos de defesa do sistema límbico, região cerebral relacionada à emoção. Quando isso acontece recursos cognitivos, como o raciocínio, a linguagem e a memória, são desligados. Sobressaem-se os físicos: o fluxo sanguíneo é direcionado para os músculos, os batimentos cardíacos aumentam, há queda de pressão. É nesse momento que você trava.

Carla Tieppo, neurocientista e professora na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, diz que ficamos ainda mais suscetíveis a bloqueios quando nos defrontamos com cenários novos – como uma palestra para desconhecidos ou uma entrevista de emprego. “Sou professora há 20 anos e, diante dessa emergência emocional, não vou ter problemas para dar aula por ser uma atividade que já está no automático. Mas, numa situação não automatizada, a pessoa não consegue ativar os circuitos cerebrais corretos”, diz Carla. Segundo ela, não existem dados precisos sobre casos de travamento, mas o problema está, em geral, associado à ansiedade. Como três em cada dez indivíduos possuem traços de ansiedade, não é difícil imaginar que seja algo comum. “Aqui no Brasil, a crise, o desemprego e a necessidade de conquistar espaço no mercado de trabalho vulnerabilizam ainda mais as pessoas”, diz a médica.

O psiquiatra e palestrante Roberto Shinyashiki diz que dois aspectos ajudam a frear o descontrole: domínio pleno do conteúdo e treinamento prévio para conduzir a circunstância, seja ela qual for, com segurança. “Muitas vezes, o profissional paralisa ao perceber que não está agradando”, diz. Segundo Roberto, os inseguros e os autoconfiantes, dois extremos, são os mais propensos a viver apagues e, por não conseguirem fazer uma leitura correta do contexto, acabam se prejudicando em momentos decisivos.

VALE PARA GERAL

Como ninguém está livre desse problema, o mais importante é enfrentar. “A imagem que o profissional deixará depende de como ele vai reagir após o travamento”, diz o consultor de carreira Marcelo Veras, presidente da Inova Business School. O conselho, nesses casos, é ser transparente, pedir desculpas e dizer que não está conseguindo falar naquele momento, mas que irá se preparar para apresentar melhor na próxima vez. Já no dia seguinte deve-se ter proatividade, procurar o chefe e pedir uma segunda chance. A boa notícia, segundo Marcelo, é que na nova economia há uma tolerância diferente ao erro. “Hoje, as empresas já conseguem entender que errar faz parte da jornada do funcionário e do processo de aprendizagem e evolução dele”, diz.

Confira, a seguir, cinco dicas que podem ajudar a prevenir bloqueios em situações-chave da profissão.

1 – REVISITE A SITUAÇÃO

Após o evento, que pode ser uma reunião importante, a apresentação para um investidor ou até mesmo uma entrevista de emprego, procure lembrar com detalhes o que aconteceu: o objetivo é identificar que momento exatamente o deixou vulnerável. Os motivos podem ser vários, como a ansiedade para gerar resultados, uma mudança com muita incerteza, um estresse forte na vida pessoal. “A maior par te do processamento do cérebro é inconsciente. Muitas vezes, a pessoa não sabe qual é o gatilho. Por isso, o autoconhecimento aprofundado é a ferramenta mais poderosa para reverter esse tipo de bloqueio”, afirma a neurocientista Carla Tieppo. Além de psicoterapia para identificar medos e inseguranças, especialistas indicam atenção plena às atitudes, às reações e aos pensamentos que surgem no momento de paralisia mental, para evitar que aconteçam novos episódios. A anotação dos fatos para futura analise é indicada. Um antigo bullying na escola pode estar por trás do blackout num momento crítico. Só de pensar em experimentar aquela sensação novamente, o indivíduo perde o controle. Ao saber o que o tira do eixo, o profissional se prepara e, claro, age de maneira racional.

2 – NÃO IMPROVISE

Se você possui tendência a travar, saiba que a falta de domínio pleno do assunto favorece os lapsos. A melhor maneira de minimizar os riscos é criando um roteiro (com ações e diálogos) bastante detalhado. O começo da história, ou seja, como você vai iniciar sua apresentação, é decisivo. Há pesquisas que mostram que os níveis de ansiedade caem de maneira significativa após os primeiros 60 segundos de apresentação. “Divida o tema em partes e organize a sequência dos argumentos, sabendo o caminho que pretende percorrer do início ao fim”, orienta Reinaldo Polito, professor de oratória e autor de livros como 29 minutos para Falar Bem em Público (Editora Saraiva). Criar um roteiro previne travamentos de modo em geral. Está assumindo a liderança de um time? Sente no computador e organize suas ideias, simulando situações com seus funcionários e frases que diria a eles. Isso reduz o receio do novo e melhora significativamente a comunicação, evitando panes futuras. Em palestras e reuniões, lance mão de slides com os assuntos mais importantes em tópicos. Se perder o fio da meada, basta olhar de relance para se situar. “Usar infográficos que vão além do tradicional gráfico de pizza deixa o conteúdo mais consistente e atrativo e ainda ajuda a nortear a apresentação”, sugere o consultor especialista em criatividade Denilson Shikako. De acordo com ele, o site Infogram oferece diversos modelos gratuitamente.

3 – TREINE, TREINE MUITO

Segundo um estudo publicado na revista Science, conduzido na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, o método da decoreba ainda é um dos mais eficazes para lembrar o conteúdo. Por isso, ensaie repetidas vezes até dominar completamente o que pretende dizer, lendo o roteiro que você mesmo elaborou. Ao constatar que já está com tudo memorizado, peça a um amigo ou familiar para avaliar seu desempenho. Eles podem, inclusive, usar o celular para gravar sua apresentação. Assista ao vídeo e analise quais são os pontos que precisam ser melhorados. No mais, sempre que tiver oportunidade de usar a palavra, em reuniões informais de trabalho, aproveite para se manifestar. isso ajudará a ir se soltando.

4 – COMBATA PENSAMENTOS NEGATIVOS

O administrador de empresas Eduardo Lellis, de 35 anos, caminhava para fazer uma apresentação de resultados quando ouviu um colega se referir a ele como “moleque”. Então com 20 anos e já ocupando uma posição de gerência num banco, foi tomado por pensamentos ruins bem na hora de falar. “Os dados estavam na tela e, mesmo tendo ensaiado, não saía nenhuma palavra. Meu líder, que falaria em seguida, percebeu meu nervosismo e assumiu a apresentação”, lembra. É por isso que um dos conselhos de Roberto Shinyashiki para evitar apagões é mapear os diálogos internos. “São as chamadas vozes que nos fazem pensar que não vamos conseguir, que os superiores não nos valorizam”, diz. Anote suas fraquezas numa folha e corra para resolvê-las. Eduardo fez isso. “Certamente eu teria outras situações semelhantes pela frente e precisava melhorar a autoconfiança, a inteligência emocional e a parte técnica”, afirma ele, que hoje é empresário no ramo de lubrificantes automobilísticos. Além de observar as atitudes das pessoas que o inspiravam, Eduardo fez cursos de liderança, de negociação e de comunicação.

5 – SEJA VOCÊ MESMO

Uma das maneiras mais eficientes de se proteger do enguiço mental é saber quem é você e qual a hora certa de agir. “Uma breve pausa com respiração profunda num momento de estresse sinaliza para o cérebro que a pressão passou”, diz Carla Tieppo. Há oito anos, depois de travar em uma convenção comercial para 400 pessoas, onde tinha a missão de apresentar um projeto, a consultora de marketing Elisa Akikusa, de 47 anos, decidiu que precisava desenvolver o autocontrole. Embora dominasse o assunto, no momento de subir ao palco para representar a empresa, titubeou. Durante os 15 minutos de palestra, perdeu o fio da meada várias vezes. “Tive brancos e muita dor no estômago”, diz. Além de pedir desculpa ao gestor, foi buscar ajuda da psicóloga da empresa. “Vi quanta dificuldade tinha de falar sobre mim mesma e continuar focada, olhando nos olhos dela. “Para solucionar isso, Elisa se matriculou num curso de teatro para executivos com duração de um mês. Ali, ganhou mais consciência de suas características pessoais, melhorou a expressão corporal e descobriu que podia criar personagens (dissociados da imagem pessoal) para enfrentar situações novas no trabalho. “Hoje, consigo racionalizar e ser fiel ao meu estilo. Isso me deixa mais confiante”, diz. No cargo de coordenadora de marketing, ela deixou para trás o passado de travar em público. “Ainda fico nervosa, mas não gaguejo e passo a mensagem de maneira objetiva.”

DEU PANE

Soluções práticas para sair da situação embaraçosa

  •  Faça uma pergunta e “passe a bola” para os participantes responderem. Enquanto eles falam, você reorganiza suas ideias para retomar.
  •  Use “macetes” para ganhar tempo e contornar o nervosismo. Acertar a altura do microfone, mesmo que esteja correta, arrumar a ordem das folhas e falar um pouco mais devagar são técnicas que ajudam a retomar o raciocínio.
  •  Se perder a sequência da fala, diga: “na verdade, o que eu quero dizer é”. Essa frase o obriga a recobrar o que estava dizendo.
  •  Foque na pessoa com o semblante mais tranquilo do local e sorria brevemente olhando para ela. Essa atitude ajuda a aumentar a sensação de autoconfiança.
  •  Se você for extrovertido, encaixe uma breve história divertida na fala (relacionada ao tema) ou   brinque sobre o próprio esquecimento para quebrar o gelo.
  •  Peça uma pequena pausa, saia por alguns minutos do ambiente e faça exercícios de respiração profunda para voltar e retomar mais calmo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NA MENTE DOS DEPRESSIVOS – IV

IDENTIFICANDO A DOENÇA

Importante passo para a recuperação do paciente, o diagnóstico da depressão pode ser feito por médicos de diversas especialidades

A depressão tem um apelido nada agradável: o mal do século 21. Não é para menos. De acordo com uma projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), em pouco mais de uma década, a doença será a de maior abrangência no mundo – inclusive, atualmente, ela é considerada a mais incapacitante das patologias.

Para um grupo formado por médicos e pesquisadores voluntários (a Força Tarefa para Serviços Preventivos dos Estados Unidos – USPSTF, na sigla em inglês), a aplicação de avaliações que visem o diagnóstico de casos depressivos deveria ser constante para adultos de todas as idades. O motivo para isso seria o fato de que, segundo a equipe, a identificação precoce do distúrbio ajudaria na recuperação e a diminuir os prejuízos causados pela doença. Outra organização que fez recomendação semelhante foi a Academia Americana de Pediatria, mas, dessa vez, com os testes voltados a crianças a partir dos 11 anos.

A RELEVÂNCIA

Talvez, mais importante do que o progresso do tratamento da depressão seja a observação dos sintomas e o diagnóstico do transtorno em si. Isso porque, para que a recuperação seja eficiente, o reconhecimento preciso logo no início do quadro é essencial, levando-se em conta os aspectos pessoais de cada um e o contexto em que está inserido. Para se ter uma ideia da importância da análise correta, mais da metade dos pacientes identificados como quadro depressivo não passa por acompanhamento médico, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 73,4% alegou não se sentir mais deprimido, apesar do diagnóstico.

DETECTANDO A DEPRESSÃO

A identificação do estado depressivo é feita baseada nos relatos dos pacientes. Um dos métodos utilizados é a partir da aplicação de questionários, como os recomendados pelas organizações americanas. Nos Estados Unidos, inclusive, há modelos padronizados, que podem ser aplicados inicialmente por médicos de assistência básica. Já no Brasil, esses questionários, traduzidos do inglês, também são utilizados, mas apenas quando há uma suspeita inicial ou como acompanhamento de pesquisas científicas. Por aqui, o diagnóstico completo é realizado por um ‘profissional de qualquer área durante ‘ uma consulta médica. “O médico deve encaminhar para o psiquiatra, que é o especialista indicado para tratar doenças emocionais e mentais”, explica a psiquiatra Maria Cristina de Stefano. A partir disso, a pessoa deprimida passa a relatar as ocorrências relacionadas à doença. “Ela informa ao psiquiatra quais são seus sentimentos, pensamentos, sofrimentos emocionais, desde quando começou a se sentir assim, se já sofreu outros episódios e outras informações que possam ajudar no melhor diagnóstico e, consequentemente, no melhor tratamento”, completa.

SINTOMAS

A mais nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM- 5), o principal guia para profissionais da área da saúde mental, possui critérios utilizados para o diagnóstico e classificação dos estados depressivos. Para o reconhecimento da depressão, o paciente precisa ter experimentado cinco ou mais dos seguintes sintomas por, pelo menos, duas semanas. Além disso, necessariamente, ao menos uma das manifestações A e B deverá estar presente:

A) A) Humor deprimido e desesperança na maioria dos dias.

B) Perda de interesse ou prazer em atividades, na maior parte dos dias, que antes eram prazerosas.

C) Acentuada perda ou ganho de peso ou de apetite.

D) Insônia e sonolência excessiva.

E) Agitação ou retardo psicomotor observáveis por outros.

F) Cansaço e falta de energia para realizar as tarefas mais básicas.

G) Excessivo sentimento de culpa e inutilidade.

H) Dificuldade de concentração, de pensar e de tomar decisões.

I) Recorrentes pensamentos suicidas e de morte.