EU ACHO …

O CONHECIMENTO NA ATUALIDADE: AVANÇAR OU ESTAGNAR

Muitos possuem um amplo conhecimento dos acontecimentos diários que permeiam a vida cotidiana das pessoas neste mundo globalizado, mas, muitos não possuem acesso aos canais de comunicação disponibilizados por meio eletrônico, pois a internet não se constituiu realidade a todas as pessoas.

Também é visível a questão das fake news, um terreno pantanoso e também, repleto de armadilhas para as pessoas trafegarem. São muitas notícias e não se tem a certeza da veracidade e assim, muitas pessoas compartilham sem antes questionar ou pesquisar se de fato, estas constituem uma verdade absoluta e digna do compartilhamento a quem quer que seja.

Afinal, o que significa a palavra conhecimento? Para alguns, o viver diário e o agrupamento das informações do cotidiano; com base no senso comum constituem um grande aliado no conjunto de informações. Para outros, o conhecimento vem através do saber escolar. Em outras esferas, encontraremos através da história o conhecimento religioso, filosófico, empírico, científico. São muitas preciosidades, descobertas acadêmicas que inundam o ser humano, fortalecem o intelecto, contribuem para o aprimoramento profissional e principalmente, se difunde na academia através dos pensadores.

Estes grandes pensadores são muitos, representados por muitas escolas. Primeiramente pelos grandes filósofos da antiguidade, Sócrates, Platão, Aristóteles; posteriormente, Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Martinho Lutero, Renê Descartes, Immanuel Kant, David Hume, Locke; através de sua forma de pensar e formular seus enunciados deixaram seu legado na história para registro nos anais do conhecimento formalizado.

São obras de muitos anos de vida, e ainda estudadas no ensino superior, saber constituído por pessoas que viveram a frente de seu tempo e que marcaram a evolução dentro de seus períodos. Conhecendo a história, o conhecimento é recebido, tem-se a significativa melhorada capacidade de falar sobre fatos acontecidos, aprende-se a ouvir as pessoas e respeitar os pontos de vista divergentes, entende-se a evolução da espécie. Quem estuda e recebe o conhecimento, não fica alheio ou dependente de nada. É comum um tipo de audição: o mundo é dos espertos e dos mais rápidos. Acredito em parte, mas saliento, porém, que o mundo é das pessoas preparadas, que um dia descobriram a necessidade de se buscar o conhecimento privilegiado transmitido pelos meios de ensino para sair da mesmice, abandonar a tribo dos amenistas (que dizem amém para tudo), fortalecer o currículo profissional e vender o seu perfil, demonstrando de fato que seus serviços são precisos e diferenciados. É necessário pensar a respeito sobre oportunidades que surgem com o conhecimento adquirido pelas pessoas preparadas.

Quando muitos dizem desisto, outros dizem: que oportunidade incrível. Então, quando esta oportunidade surgir, não perca tempo: convide esta oportunidade para almoçar.

JOSÉ CARLOS MORAES – é mestre cm Teologia, professor da área de Humanidades na Licenciatura em Ciências da Religião do Centro Universitário Internacional Uninter.

OUTROS OLHARES

A RELAÇÃO ENTRE OS PARQUES E AS PESSOAS

O Instituto Semeia, organização sem fins lucrativos que busca fomentar parcerias público-privadas para conservação e exploração de parques urbanos e naturais, elaborou pesquisa com a finalidade de compreender o que as pessoas pensam sobre concessões de parques públicos além de tentar entender também as razões que fazem com que a visitação das unidades de conservação existentes seja ainda muito baixa no País.

Para Fernando Pieroni, diretor do Semeia, o poder público não tem condições de, sozinho, cuidar de todos os parques existentes e a melhor alternativa para a conservação seria por meio de parcerias com a iniciativa privada, que faria a exploração econômica dos espaços dentro de uma política ambiental definida pelo poder público. “Não se trata de entregar tudo nas mãos das empresas e deixar que elas façam o que bem entender”, disse. “A ideia é que a iniciativa privada explore esses espaços em troca de contribuir com a conservação deles e dar apoio nas atividades de fiscalização”. O levantamento mostra, por exemplo, que 53% dos pesquisados são favoráveis a concessões e parceiras para a manutenção de parques naturais e 64% apoiam concessões de parques urbanos.

Outro dado curioso é que 83% dos entrevistados concordam que “mesmo quando tem dinheiro governo não é eficiente na gestão dos seus recursos”.

No que diz respeito à visitação de parques naturais, 47% responderam que a principal barreira é o alto custo da viagem. Quanto aos parques urbanos, a grande distância entre local de residência e destino é o principal empecilho para 31%. Questões como segurança e infraestrutura deficitária também são citados como barreiras. O estudo ajudará na elaboração de propostas de concessão e também nas estratégias necessárias para que as pessoas olhem com mais interesse para os parques, sejam nacionais, estaduais ou municipais.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 10 DE JANEIRO

CUIDADO COM O FLERTE

O que acena com os olhos traz desgosto, e o insensato de lábios vem a arruinar-se (Provérbios 10.10).

O homem pode tropeçar e cair tanto pelo que vê como pelo que fala. O texto se refere a um olhar lascivo e foca o flerte malicioso. Esse aceno com os olhos é um laço, e aqueles que estendem essa armadilha caem nela como presas indefesas. O resultado é o desgosto, a decepção e o sofrimento. O pecado não compensa. É uma fraude medonha. Promete mundos e fundos, prazeres e aventuras, delícias e mais delícias, mas nesse pacote tão atraente vêm a dor, as lágrimas e a morte. Muitos casamentos foram desfeitos a partir de um aceno com os olhos. Muitas vidas foram arruinadas emocionalmente porque corresponderam a esse aceno com os olhos. O patriarca Jó disse: Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela? (Jó 31.1). Entrar por esse caminho escorregadio é cair no pecado da defraudação, e defraudar alguém é despertar na outra pessoa o que não se pode satisfazer licitamente. O segredo da felicidade não é a mente impura, os olhos maliciosos e os lábios insensatos. A felicidade é irmã gêmea da santidade. A bem-aventurança não está nos banquetes do pecado, mas na presença de Deus. É nessa presença que há alegria perene e delícias perpetuamente. Cuidado com os seus olhos. Ponha guarda na porta dos seus lábios!

GESTÃO E CARREIRA

SELEÇÃO ESPERTA

O uso da inteligência artificial vem tornando os processos de recrutamento mais velozes e eficientes, mas há desafios no caminho

No ano passado, o Banco Santander precisava preencher 30 vagas em seu programa de trainee no Brasil. Não seria uma tarefa complicada, se não fosse preciso analisar um número absurdo de currículos de candidatos de todo o país — foram mais de 43.000 inscritos, um número próximo do quadro de pessoal do banco, que tem 48.000 funcionários. Imagine quanto tempo a área de recursos humanos gastaria para entrevistar cada um dos interessados. Com ferramentas de inteligência artificial, porém, o Santander conseguiu rapidamente identificar os candidatos com os perfis desejados e precisou convocar apenas 60 pessoas para a fase final de entrevistas. “Sem a ajuda da inteligência artificial, não seria possível atrair candidatos de qualidade em tamanha escala”, diz Vanessa Lobato, vice-presidente de RH do Santander.

O uso da tecnologia faz todo o sentido num país como o Brasil, onde preencher uma vaga demora quase 40 dias — na Índia, esse processo não leva mais do que 16 dias. De acordo com um levantamento da Gupy — startup brasileira que usa a inteligência artificial para analisar e ranquear os candidatos com o perfil mais adequado para as vagas anunciadas —, um analista leva em média 21 horas e 40 minutos para examinar 1.000 currículos. Para executar o mesmo trabalho, um software gasta 3 minutos. É fácil entender por que a inteligência artificial vem se tornando uma aliada do RH na captação, na seleção e no recrutamento de candidatos, sobretudo quando o processo é concorrido e recebe um alto volume de inscritos, ou quando há dificuldade para encontrar o especialista com o perfil desejado.

Além de proporcionar ganho de tempo no processo de seleção, a inteligência artificial ajuda os profissionais de RH a se sentirem mais seguros de que estão contratando o candidato certo para a vaga disponível. Maior empregador no varejo brasileiro, o GPA usa a tecnologia para identificar o perfil mais indicado para cada uma das mais de 1.000 lojas do Extra e do Pão de Açúcar. Só nos últimos três meses, o grupo realizou mais de 5.000 contratações com a ajuda da inteligência artificial. “Na fase de inscrição, aplicamos um teste chamado de fit cultural, que ajuda a contratar as pessoas que mais se ajustam à cultura do GPA”, diz Maria Schneider, diretora de RH e atratividade do grupo. Apesar de o uso da plataforma ser recente, a expectativa dela é reduzir não apenas o tempo total do processo de seleção como também a taxa de rotatividade de pessoal. Essa é a mesma intenção do Santander, que tinha dificuldades para encontrar determinados profissionais para suas agências do Nordeste e do Centro-Oeste.

O banco decidiu então cruzar dados para identificar funcionários nascidos nessas regiões que pudessem ter interesse em voltar à cidade de origem. Não é incomum também que os empregados recebam avisos com oportunidades de promoção identificadas pela inteligência artificial. Foi o caso da economista Gabrielli Barbato Pereira, que mudou de área há um ano e meio, depois de o algoritmo mostrar que ela tinha o perfil adequado para uma vaga em outra área. “Talvez eu não tivesse percebido a oportunidade sem essa provocação”, diz Gabrielli. Com essas medidas, o banco afirma que aumentou em seis vezes o índice de precisão na hora de identificar o risco de perda de funcionários. Isso porque a inteligência artificial, além de alertar sobre a probabilidade de demissões, tem condições de medir o desempenho e até mesmo a propensão de um empregado à depressão. “Temos algoritmos que identificam e agrupam perfis de funcionários, criando análises preditivas para fazermos uma gestão proativa dos talentos da companhia”, diz Niva Ribeiro, vice-presidente de pessoas da operadora Vivo.

Nesse novo ambiente, ganha destaque o papel das HR Techs, como são chamadas as startups voltadas para a área de recursos humanos. De acordo com um estudo da Liga Ventures, há pelo menos 274 startups no Brasil oferecendo soluções para as áreas de RH. São elas que vêm munindo os profissionais de dados, permitindo que eles deixem para os robôs as tarefas operacionais e assumam um papel mais estratégico. A Gupy, por exemplo, foi criada em 2015 por Mariana Dias e Bruna Guimarães, ex-funcionárias da fabricante de bebidas Ambev que perceberam a falta de ferramentas para automatizar processos em escala. No ano passado, a Gupy triplicou seu faturamento e aumentou o número de funcionários de 50 para 140. Para sugerir os melhores perfis, a ferramenta leva em conta cerca de 200 características dos candidatos, como formação acadêmica, conquistas e interesses, cada qual com seu peso.

Ao todo, são ranqueados mais de 6.000 currículos por minuto. “Mais de 88% dos candidatos contratados estão posicionados entre os 25% primeiros do ranking e mais de 33% dos contratados estão no top 3. Isso significa, na prática, que em mais de um terço das contratações a empresa só precisaria analisar os três primeiros candidatos para encontrar aquele ideal para a vaga”, diz Robson Ventura, diretor de tecnologia e um dos fundadores da Gupy. Outra startup que atua nessa área é a Revelo, cujo objetivo é impactar candidatos e fazer com que eles sejam vistos pelas empresas. “Nossos clientes acabam tendo acesso a talentos que não encontrariam ou que não se candidatariam espontaneamente”, afirma o empreendedor Lucas Mendes, que fundou a Revelo em 2014 ao lado do sócio Lachlan de Crespigny.

Uma pesquisa feita no ano passado pela consultoria americana Boyden com 310 diretores de RH pelo mundo mostra que 75% deles se dizem preparados para implantar soluções de tecnologia e inteligência artificial em suas empresas. No Brasil, esse índice é ainda maior, de 88%. O estudo mostrou que os principais ganhos esperados com o uso da inteligência artificial na área de RH são aperfeiçoar o gerenciamento de desempenho, aumentar as contratações baseadas em habilidades, reduzir o tempo gasto na contratação e melhorar os processos de integração. Ainda assim, as novas tecnologias encontram resistência entre profissionais de RH. “Posso dizer, pela minha experiência com executivos, que eles não confiam em entregar suas decisões aos algoritmos, pois não acreditam em escolhas feitas por nenhum tipo de fórmula”, diz Peter Cappelli, professor na Wharton School, escola de administração vinculada à Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Embora não faltem exemplos de algoritmos com um histórico de acerto em suas previsões, muitos gestores ainda preferem confiar no julgamento humano. “Parte disso vem da autoconfiança em relação aos próprios julgamentos, mas também do medo do desconhecido e da falta de controle”, afirma Cappelli.

Ainda que os temores pareçam exagerados, é certo que os algoritmos não livram os processos seletivos do viés inconsciente — as ideias preconcebidas que levam uma pessoa, por exemplo, a avaliar melhor quem tenha gostos parecidos com os seus. Essa é uma das principais discussões em torno do tema, principalmente depois da notícia de que a varejista Amazon teria descartado uma ferramenta de recrutamento baseada em inteligência artificial ao perceber seu viés sexista, que privilegiaria candidatos homens. Para evitar o risco, as startups vêm montando comitês de ética e usando ferramentas como a da americana Textio, que emprega a ciência de dados para revelar o viés de gênero oculto nos descritivos de vagas e sugerir alternativas para contorná-los.

Para Eduardo Migliano, cofundador da 99 Jobs, plataforma de recrutamento online, é difícil fugir do viés, uma vez que as máquinas se baseiam em dados que as empresas já têm — e em práticas que já seguem. “Por trás da inteligência artificial há pessoas, como gestores brancos e graduados em universidades renomadas. E são eles que treinam as máquinas”, diz Migliano. Ele lembra o caso da saboneteira automática, cujo sensor só era ativado em mãos brancas porque ela não foi ensinada a reconhecer mãos de negros. “Os algoritmos ainda geram preconceito. Eles estão sendo treinados para replicar nosso comportamento e seguir nossos padrões, e não para trazer um novo mundo.”

Mesmo com todo o seu potencial, a inteligência artificial apresenta outras limitações, como a incapacidade de avaliar traços comportamentais do candidato. “A interação humana é a única ferramenta capaz de fazer essa avaliação com mais assertividade. O refinamento sem a interação humana perde a eficiência”, afirma Fernando Mantovani, diretor-geral da empresa de recrutamento Robert Half no Brasil. Existe mais um agravante: o hackeamento da inteligência artificial. Sabe-se que há pessoas que tentam manipular a tecnologia colocando no currículo palavras que farão com que sejam escolhidas, ainda que não tenham a competência exigida. “Certa vez, um candidato usou o CPF de toda a família para testar formas de passar em um processo”, diz Migliano. Episódios como esses mostram que as máquinas ainda têm muito a aprender com a gente. E nós, com elas.

MAIS AGILIDADE

O Brasil ocupa o topo da lista de países onde a seleção de pessoas é mais demorada – e a tecnologia pode ajudar a mudar essa realidade

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NA MENTE DOS DEPRESSIVOS – III

REMEDIANDO O SOFRIMENTO

Os antidepressivos podem ser uma saída eficaz para quem precisa superar a depressão, mas como eles funcionam?

A depressão é um dos transtornos mentais mais sérios que existem, segundo os manuais de diagnóstico de doenças psíquicas. E, assim como a maioria das doenças, há casos em que certos remédios são indicados para um tratamento eficiente. Tais medicamentos, quando receitados e administrados por um profissional, atuam no sistema nervoso central, elevando os níveis de neurotransmissores e aumentando a excitação cerebral. Cabe ao psiquiatra definir quais fármacos são os mais indicados em cada situação, já que a intervenção médica deve ser individualizada, levando em consideração as condições clínicas de cada paciente.

GRANDE OFERTA

Atualmente, dezenas de classes de remédios antidepressivos são encontrados no mercado. Há uma grande variedade, pois cada grupo apresenta diferentes mecanismos de ação. “É como se eu tivesse vários tipos de ferramentas que pudessem se adaptar ao problema em questão”, explica o psiquiatra Rodrigo Pessanha. O profissional completa destacando a importância dessa diversidade, uma vez que, dessa forma, o tratamento torna-se mais personalizado. “São levados em consideração aspectos como a idade, o peso corporal, a existência de uma doença subjacente e a possível utilização de outros medicamentos de uso geral”, aponta.

Entre essas classes, as que se destacam são os antidepressivos tricíclicos, mais eficazes em casos de depressão crônica ou profunda; os inibidores da monoamina oxidase (IMAOs), usados para a depressão maior e de longa duração; e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), utilizados apenas em depressão moderada.

RISCOS MENORES

Os ISRS, introduzidos no mercado recentemente, se diferenciam pelo fato de intervirem no aumento do nível de serotonina, enquanto os mais antigos ficaram conhecidos pela atuação nos sistemas de noradrenalina. “Em função do risco que podem trazer ao paciente, mesmo que sejam muito eficientes em alguns casos, os primeiros antidepressivos foram gradativamente substituídos por medicamentos mais recentes, cujos riscos são muito menores”, relata Rodrigo. Graças a esse menor perigo – e à grande difusão que tiveram nas duas últimas décadas -, atualmente, os ISRS são os antidepressivos mais receitados por médicos em diversos países.

Isso se deve, também, à diversidade de características encontradas nos medicamentos dessa classe. “A paroxetina, por exemplo, é bastante sedativa, enquanto a sertralina tem efeito estimulante. Isso vai ser vantajoso na escolha do remédio adequado, frente às características do paciente e do distúrbio depressivo que ele tem”, relata o psiquiatra.

NOVOS MEDICAMENTOS

Diferentemente dos antidepressivos já citados, há alguns anos começaram a surgir remédios de ação pós-sináptica, como o Vortioxetina, que, segundo o fabricante, possui eficácia “significativamente superior”. Além dele, outras substâncias – criadas para outros fins -vêm ganhando espaço no combate à depressão. “Temos uma série de outras opções de tratamento que não usam antidepressivos, como o carbonato de lítio, que é empregado como um complemento”, explica o psiquiatra Rodrigo Pessanha.

Outro exemplo disso é a utilização de hormônios tireoidianos, mesmo para pacientes que não apresentam hipotireoidismo. “Em alguns casos, também são usados estimulantes do sistema nervoso central, como o metilfenidato – conhecido aqui no Brasil como Ritalina – e, mais recentemente, vários estudos foram feitos a respeito do uso do anestésico cetamina”, aponta. Essa substância, segundo as pesquisas, tem um efeito “surpreendentemente rápido” no alívio dos sintomas depressivos, além de apresentar relativa melhora em relação às ideias de suicídio, especificamente. A psiquiatra Maria Cristina de Stefano aponta que “os estabilizadores do humor e os medicamentos que controlam a ansiedade são utilizados em conjunto, além dos neurolépticos e dos anticonvulsivantes”.

AFINAL, VICIA?

Apesar da prescrição médica, muitas pessoas diagnosticadas com depressão têm receio de iniciar o tratamento à base de remédios. Tudo porque existe a ideia, no senso comum, de que antidepressivos causam dependência. Segundo o neurocientista Aristides Brito, tal conceito é um mito. “Como são tratamentos longos, fica a sensação de que viciam”, assegura.

Um dos motivos para essa imagem negativa se dá pela utilização de ansiolíticos no tratamento à depressão. Esses medicamentos têm a capacidade de controlar a ansiedade, induzir o sono e colocar a pessoa em estado hipnótico. Segundo a psiquiatra Maria Cristina, os fármacos dessa classe são empregados apenas pelo tempo necessário, já que “eles agem em neurotransmissores diferentes dos antidepressivos e diminuem algumas das atividades dos neurônios”, sendo necessários cuidados médicos constantes. “Eles provocam sensação de prazer e por isso acabam viciando. Assim, devem ser retirados de forma gradual para não provocar abstinência e outros problemas”, alerta o neurocientista Aristides Brito.

COM CAUTELA!

Apesar de necessário, o uso contínuo de antidepressivos pode trazer alguns riscos à saúde e alterações na funcionalidade de determinadas partes do corpo. Algumas mudanças biofísicas podem surgir, ocasionando temporariamente insônia, erupções cutâneas, além de dores – como de cabeça, musculares, articulares e de estômago. Náuseas e diarreia também podem ser um problema.

Os antidepressivos podem causar uma redução da capacidade de coagulação do sangue, já que há uma diminuição na concentração do neurotransmissor serotonina nas plaquetas.

O médico responsável pela prescrição do medicamento precisa estar atento ao uso de outros remédios.

Se o antidepressivo for tomado junto com outro fármaco que aumenta a atividade da serotonina, é possível desenvolver a síndrome da serotonina. Com isso, podem ocorrer palpitações, sudorese, febre alta, pressão arterial elevada e, por vezes, delírios. Além disso, podem causar espasmos musculares e tiques, assim como a diminuição do apetite e do desempenho sexual do paciente. Durante a gravidez, o uso deve ser acompanhado pelo médico responsável.