A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NA MENTE DOS DEPRESSIVOS – II

A RAIZ DO TRANSTORNO

Entender as causas da depressão é um passo importante para o tratamento

Diante do diagnóstico da depressão, uma das questões que mais perturba a mente é “por que isso aconteceu?”. Essa reflexão passa pela cabeça da pessoa que está convivendo com o transtorno, daqueles que estão ao seu redor (tentando, ou não, ajudar) e também do profissional de saúde mental. Isso porque a identificação das causas propicia a informação necessária para que o distúrbio seja tratado e até mesmo estudado. “O entendimento dos desencadeadores do quadro depressivo favorece o desenvolvimento de novas pesquisas que poderão servir como instrumentos para o diagnóstico precoce, a escolha terapêutica adequada e a revisão dos caminhos para valorizar os momentos da vida”, destaca a professora de neuroanatomia e neurobiologia Marta Relvas.

É fato que existem diversos fatores capazes de causar a depressão, que se desenvolve de maneira distinta em cada indivíduo. No entanto, os especialistas acreditam que a combinação de fatores genéticos e ambientais está por trás da maioria dos casos.

HEREDITARIEDADE

Investigações promovidas atualmente estão comprovando, cada vez mais, a relação entre genética e depressão. Uma pesquisa conduzida por estudiosos da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, avaliou 424 pais deprimidos e 143 filhos de pessoas desse grupo. Ao mesmo tempo, em outro grupo, acompanhou o mesmo número de pais sem depressão e 197 filhos.

Depois de 23 anos de estudos, os resultados demonstraram que os filhos adultos dos indivíduos deprimidos possuem maior propensão aos sintomas da depressão (assim como mais problemas físicos e emocionais) quando comparados aos filhos dos pais saudáveis. Além disso, 70% dos que possuíam pais portadores do distúrbio alegaram ter outros membros da família com o mesmo quadro, enquanto apenas 45% do outro grupo relatou o mesmo caso.

Em 2016, um artigo publicado na revista científica Nature Genetics evidenciou 17 variações genéticas ligadas ao transtorno. Ao analisar perfis de genes de mais de 450 mil voluntários, dentre os quais 121 mil declararam possuir histórico de depressão. De acordo com Marta, fatores genéticos representam papéis importantes no desenvolvimento do transtorno do humor depressivo, que apresenta característica de herança genética quantitativa, ou seja, uma gravidade gradual de sintomas. “Por causa de seus fenótipos contínuos de apresentação, o distúrbio possui um padrão de transmissão de herança não mendeliana e, em geral, ocorre em famílias com um modo de herança complexo – provavelmente multifatorial poligênico, resultante da interação de múltiplos genes de vulnerabilidade com o ambiente”, explica. A professora também ressalta que essa abordagem orienta que patologias ligadas à depressão podem ser causadas por fatores ambientais e que os genes influenciam as suscetibilidades desses fatores.

UM MUNDO DE RAZÕES

Os nossos genes criam tendências, mas são as condições externas que motivam o transtorno. Grandes traumas, como doenças e a perda de pessoas queridas, também são capazes de gerar o quadro depressivo por estabelecerem mudanças repentinas e significativas na vida das pessoas. Contudo, ainda existem cenários em que o declínio gradativo do emocional produz o mesmo efeito. Fatos como problemas no relacionamento amoroso, desentendimentos familiares e insatisfação profissional colaboram com a perda de perspectiva.

“O mais incrível não é simplesmente o fator externo, mas a interpretação deste. Quando a pessoa se vê para baixo, acha que o mundo está contra ela e não consegue enfrentar as situações que a vida apresenta, atitude que desencadeia a depressão. Assim, vários sistemas neurais são enfraquecidos, e o córtex pré-frontal direito começa a ser ativado. Então, há uma junção de elementos que podem ser considerados causadores: situação, interpretação, sistema neurológico de neurotransmissores e ativação do córtex pré-frontal”, salienta a psicóloga e coach Graziela Vanni.

QUÍMICA DO CORPO

De acordo com Marta Relvas, uma das causas que também pode ser considerada como causadora da depressão é a alteração no sistema monoaminérgico, que tem como alvos neurotransmissores conhecidos como noradrenalina, serotonina e dopamina. A profissional explica que as principais ideias atuais são de que o aumento de concentração de monoaminas cause mudanças adaptativas em neurônios-alvo. “Uma das teorias é que essas mudanças ocorrem por alteração de vias de sinalização intracelular, levando a fosforilação de proteínas e alterações de expressão gênica. Evidências sugerem que vias de sinalização intracelular representam papéis fundamentais na disfunção de múltiplos sistemas de neurotransmissores e processos fisiológicos no transtorno depressivo”, finaliza.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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