A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PSICOPATAS – TEM TRATAMENTO?

Com o diagnóstico correto, é possível conviver com o distúrbio

Os transtornos mentais não têm cura, por não serem doenças, e não são fáceis de ser tratados, uma vez que são manifestações complexas. Mas após um diagnóstico obtido por meio do Psychopathy Cheklist-revised (ou PCL-R), o teste desenvolvido pelo psicólogo Robert Hare, a pessoa que possui o distúrbio deve ser encaminhada para tratamento. Apesar de possuir traços de psicopatia, não significa que a pessoa obrigatoriamente será criminosa. Por isso, na maioria dos casos, o tratamento ajuda a controlar os sintomas, amenizar comportamentos agressivos, melhorar a convivência familiar e social.

DIAGNÓSTICO

Identificar clinicamente a psicopatia em um indivíduo não é tarefa fácil, por se tratar de uma área do conhecimento ainda sem consensos na comunidade científica. O diagnóstico costuma ser feito com entrevista médica psiquiátrica e com exame neuropsicológico e psicológico, com entrevista estruturada por profissional com formação específica. Para ser diagnosticado, o psicopata precisa preencher três dos seguintes critérios:

1. Incapacidade de adequar-se às normas sociais com relação a comportamentos lícitos, indicada pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;

2. Propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais;

3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;

4. Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas;

5. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;

6. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou de honrar obrigações financeiras;

7. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado alguém.

Para a psicóloga clínica Luciana Jaramillo Caruso, o diagnóstico de transtornos de personalidade em geral é dificultado pelo fato de existirem várias graduações, fazendo com que nem todos os psicopatas apresentem níveis de agressividade e intensidade de comportamentos iguais. “Dentre essas graduações, estão os que cometem pequenos delitos, mentem compulsivamente e ignoram regras, características que podem facilmente ser confundidas com as de criminosos comuns. Existem também os que cometem os mais variados tipos de crime; tais como os serial killers (assassinos em série), considerados os psicopatas mais violentos que, neste caso, são identificados com maior facilidade”. Além disso, ocorre também o desinteresse de muitos profissionais da área de saúde com relação ao transtorno, por entenderem que essa patologia é permanente, ou seja, apesar de ter tratamento, não há cura, acabam por desacreditar no atendimento especializado”, enumera.

TRATAMENTO

Apesar de não se saber completamente o motivo do desenvolvimento do transtorno, nem os fatores que desencadeiam o comportamento agressivo, o ambiente pode ser um grande influenciador nesse comportamento. Por isso, possibilitar qualidade de vida desde a infância é fundamental para evitar o desenvolvimento da psicopatia. “Acredita-se que esse fator, somado a condições econômicas precárias, possa estar superando fatores genéticos na formação dos psicopatas atuais. Estes indivíduos vivenciaram, geralmente, situações de pobreza, desamparo e desamor nas quais seus familiares, por vezes, se tornaram seus maiores “inimigos”. Isto pode facilitar o desvio de conduta e, consequentemente, favorecer a instalação deste transtorno. Desde cedo, tais indivíduos têm de aprender a lidar com os mais diversos tipos de problemas e, na maioria das vezes, precisam se tornar indiferentes aos sentimentos”, esclarece Luciana.

Os fatores psicológicos responsáveis pelo desenvolvimento da psicopatia envolvem ainda as vivências infantis e juvenis desses indivíduos. Essas experiências são, muitas vezes, repletas de maus tratos, humilhações, abusos e uma variedade de outros fatores que, somados, podem levar ao enrijecimento do indivíduo. É possível controlar os sintomas da psicopatia com disciplina, remédios que diminuam a impulsividade, como anticonvulsivantes e antipsicóticos, tudo isso aliado à psicoterapia estruturada. Mas o tratamento só traz sucesso quando existe algum controle do psicopata pelos pais, quando criança, e por autoridades, quando adulto.

Quando não há o diagnóstico e o tratamento precoces, os psicopatas estão mais suscetíveis a práticas criminais, por terem limitação da capacidade de atender às regras pré-estabelecidas. Os especialistas defendem que a recuperação desses criminosos se dê em sistemas prisionais onde os mesmos possam ficar juntos, já que assim causam menos intercorrências do que quando ficam em presídios junto com outros encarcerados sem esta alteração da personalidade. “Na Europa já existe este tipo de situação em que o adulto psicopata é monitorado e obrigado a se apresentar às autoridades periodicamente. No Canada existem prisões separadas para os psicopatas. Psicopata reconhece outro psicopata e eles se respeitam entre si, porque sabem o que podem esperar uns dos outros”, defende a psicanalista Júlia Bádány.

CRIANÇAS PSICOPATAS

Um estudo realizado na Universidade da Nova Gales do Sul, no Inglaterra, revelou que traços de personalidade como a falta de emoções e a insensibilidade, tipicamente relacionadas à psicopatia nos adultos, também podem ser detectados em crianças a partir de três anos. Os pesquisadores analisaram mais de 200 crianças com idades entre três e seis anos, dos quais 10% apresentaram traços como falta de empatia, de afeição e de remorso. A pesquisa determinou que esses participantes com idade pré-escolar que têm dificuldade no desenvolvimento de consciência são deficientes na forma como expressam emoções. O mesmo ocorre em adolescentes e em adultos.

A orientação para um pai que observa esse comportamento no filho é levá-lo a um psicólogo para fazer um diagnóstico e tratamento. “Busque avaliação psicológica e/ou psiquiátrica imediatamente, pois apesar de ser condição disfuncional de difícil tratamento, pior ainda é nada fazer para minimizar”, conclui Hewdy Lobo. O objetivo não é tratar os pequenos com medicação, mas sim diagnosticar o transtorno cedo, para encorajar essas crianças a desenvolver o quanto antes melhores habilidades emocionais.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.