EU ACHO …

CONHECIMENTO É PODER

“Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição.”

                                                             Simon Bolivar

Você tem passado por dificuldades financeiras ou tem conseguido manter as portas abertas do seu negócio neste momento turbulento? Se a sua resposta à primeira parte da pergunta for “sim”, não se assuste, você não está sozinho.

A CNDL/SPC Brasil (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) realizou, em 2019, uma pesquisa e descobriu que 48% dos empresários desconhecem o quanto do seu faturamento vai para pagar tributos e que 74% dos consumidores não sabem quanto pagam de tributos. Você faz parte desse grupo?

Francis Bacon, Thomas Hobbes, Michel Foucault, entre muitos pensadores diziam: “Conhecimento é poder”. E, no Brasil, onde o “manicômio tributário” é de deixar qualquer um biruta, essa frase não poderia ser mais verdadeira. A maioria esmagadora das empresas neste país ou pagam tributos indevidamente (isso mesmo, sem precisar) ou deixam de usar créditos de tributos, para abater do valor a pagar.

Mesmo nesse mundo globalizado, em que as informações trafegam na velocidade da luz, há uma enorme falta de conhecimento do que realmente afeta a vida de todo empreendedor/consumidor. fato é que contribuintes pagam tributos a mais sem saber, por falta de controle, orientação e conhecimento; e o Estado agradece. Da mesma forma, muitos empresários e consumidores não aba- tem seus tributos, por não creditarem tudo que poderiam. A boa notícia é que isso ainda pode ser revisto, pois o contribuinte tem o prazo de até 60 meses, retroativo, para apurar e utilizar esse crédito: seja de tributo pago indevidamente (ou a mais), seja de créditos não aproveitados no mês de lançamento. E pode fazê-lo de duas formas. A primeira é administrativa, levantando a situação e já aproveitando ou, até mesmo, solicitando o ressarcimento em dinheiro (dependendo do tributo). A segunda é judicial, mais demorada, em casos com valores mais altos, o que justifica uma ação.

Se, depois de tudo isso exposto, o tema ainda ficou confuso, não se assuste. Até mesmo especialistas precisam desatar o nó na cabeça antes de começar a analisar caso a caso. Se você está no grupo daqueles que ainda não sabem quanto há de tributos para recuperar, vale sempre a pena solicitar uma análise criteriosa de especialistas na área contábil/tributária, para verificar a situação da empresa. Saiba que, constantemente, surgem surpresas “agradáveis” que podem salvar o caixa e permitir a continuidade das atividades empresariais, ainda mais num período de incertezas como o que estamos vivendo. Conhecimento é poder, mas o poder só se transforma em algo se for usado.

*** ALEXANDRE FLÁVIO DE OLIVEIRA é contador, gestor de recursos humanos e pós-graduado em Direito Tributário, atuante há 30 anos nas áreas fiscal e tributária, de planejamento tributário e recuperação de contencioso tributário. É palestrante, consultor e facilitador de cursos e workshops. Atua como membro parceiro no escritório Clam Advogados, coordenando o setor de recuperação de impostos e tributos.

OUTROS OLHARES

DA CABEÇA AOS PÉS

Trazemos conosco uma das maiores riquezas genéticas do mundo. Agora, com o programa “DNA do Brasil”, doenças poderão ser evitadas, conheceremos melhor o próprio genoma e descobriremos nossa mais remota ancestralidade

Os brasileiros carregam consigo, em cada célula do organismo, de um fio de cabelo até os dedinhos dos pés, um raro tesouro científico – até agora bastante desconhecido, mas que desde quando foi anunciado o programa “DNA do Brasil”, será finalmente decifrado. O programa e suas decorrentes pesquisas, coordenados pelas cientistas Lygia da Veiga Pereira e Tábita Hünemeier, ambas do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo (USP), sequenciará o genoma de quinze mil brasileiros de todo o País. Está, assim, aberto o fenomenal caminho para o desenvolvimento de profilaxias e tratamentos de doenças genéticas e também para a descoberta precisa de nossa ancestralidade.

Quando se fala em tesouro genético no caso de brasileiros, expressa-se a mais pura verdade. Explica-se isso por dois longos períodos de miscigenação. O hominídeo surgiu na África, foi para a Europa e, posteriormente, à América, em uma longa migração de aproximadamente sessenta mil anos. De volta ao nosso povo, além das andanças que formaram e desenvolveram a espécie humana, há um incrível e maravilhoso fator: a população brasileira é uma das mais miscigenadas do planeta, e tal fato nos fez portador do tesouro já referido. O genoma, como sabemos, é o conjunto de toda a formação e informação genética, integrado por cerca de trinta mil genes. Se reunirmos, no entanto, toda a população brasileira, os códigos genéticos serão idênticos em 99,99% das análises. A diferença de um indivíduo para outro é de 0,01%. Parece ínfima demais? Que ninguém se iluda. No campo da ciência, essa diferença é infinitamente grande, diferenciando-nos, e muito.

A pesquisa que agora será iniciada, em parceria com a rede mundial de laboratórios do Grupo Dasa, resumidamente nos leva então a dois pontos vitais: 1) a descoberta das mutações genéticas específicas do brasileiro e, com isso, poderemos estabelecer o grau em que ele se diferencia em relação à população de outros países.

2) será viável descobrir a ancestralidade genética dessas especificidades – lembrando que nem tudo que é genético é hereditário, mas tudo que é hereditário é genético.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 05 DE JANEIRO

FAÇA UMA POUPANÇA

O que ajunta no verão é filho sábio, mas o que dorme na sega é filho que envergonha (Provérbios 10.5).

John Wesley disse, com razão, que devemos ganhar tudo o que pudermos, poupar tudo o que pudermos e dar tudo o que pudermos. A previdência não pode nos levar à usura nem à generosidade irresponsável. Precisamos ajuntar no tempo da fartura como José fez no Egito. Não podemos gastar tudo o que ganhamos nem comer todas as sementes que colhemos. Precisamos poupar a fim de termos um saldo positivo nos dias de vacas magras. Vivemos numa sociedade consumista, que ama as coisas e esquece as pessoas. O consumismo nos ilude com a tola ideia de que somos o que temos. Na década de 1950, consumíamos cinco vezes menos do que consumimos hoje e não éramos menos felizes por isso. Na década de 1970, mais de 70% das famílias dependiam apenas de uma renda para se manter. Hoje, mais de 60% das famílias dependem de duas rendas para manter o mesmo padrão. O luxo do ontem tornou-se a necessidade do hoje. Entramos nessa espiral consumista e acabamos comprando coisas de que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar pessoas que não conhecemos. Precisamos trabalhar mais; precisamos poupar mais; precisamos investir mais. Esse é o caminho da sabedoria!

GESTÃO E CARREIRA

OLHAR ZELOSO

Em dez anos, a carreira de cuidador de idosos foi a que mais cresceu no Brasil. Diante do envelhecimento acelerado da população, a profissão se torna um caminho promissor, mas enfrenta desafios como falta de regulamentação e alta informalidade.

Aquela máxima de que o Brasil é uma nação jovem já não é mais verdade. O país envelhece – e rápido. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2050 o número de brasileiros acima dos 60 anos irá mais do que dobrar, passando de 24 milhões para 64 milhões de idosos. Para ter uma ideia da velocidade do envelhecimento, a França levou um século para que a população com idade igual ou superior a 65 anos aumentasse de 7% para 14%.

Aqui, isso vai ocorrer em duas décadas. O fenômeno, batizado pelo gerontólogo Alexandre Kalache, um dos maiores especialistas sobre o tema, de “revolução da longevidade”, implicará diversos desafios para a economia e para a sociedade, mas também trará oportunidades de carreira e negócios. “Com a expectativa de vida mais alta, a forma de encarar a velhice também mudará. Sendo assim, teremos mais produtos e serviços para esse público, como academias e agências de viagens especializadas”, diz Márcio Minamiguchi, demógrafo do IBGE. Consultor financeiro e de aposentadoria, gerontólogo, terapeuta ocupacional e cuidador serão alguns dos cargos que irão surgir ou ascender com a inversão da pirâmide etária no Brasil.

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o número de cuidadores de idosos, por exemplo, passou de 23.949, em 2014, para 36.720, em 2018. Segundo outro levantamento, dessa vez da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), cuidador foi a ocupação que mais cresceu entre os anos de 2007 e 2017. Márcio, do IBGE, lembra que a mudança no perfil das famílias brasileiras tem impacto direto na demanda por essa profissão. “Antes, os lares eram maiores, e geralmente havia alguém para cuidar dos idosos. Hoje, com média de 1,7 filho por casal, a realidade é outra.”

FUTURO PROMISSOR

O aumento do interesse por essa carreira é sentido pela empreendedora Raquel Ferreira D’Amato, que em 2012 abriu a agência Viva Mais Cuidadores, que intermedeia a contratação de profissionais no Rio de Janeiro. “Há cinco anos havia muito mais demanda do que profissionais trabalhando na área”, afirma ela, que tem uma equipe de 50 funcionárias, entre elas a carioca Antônia Bezerra, de 34 anos, que viu no mercado de cuidadores a chance de uma carreira de sucesso. Em 2018, depois de dois meses buscando recolocação após ser demitida do cargo de recepcionista em um condomínio, Antônia, que havia parado os estudos no ensino médio, decidiu se matricular em um curso técnico em enfermagem. “Sempre quis voltar a estudar. Como o setor estava em alta e a formação era rápida, acabei optando pela área”, afirma.

Durante o curso, a profissional percebeu que o nicho de cuidadores de idosos se destacava. “Vi que a procura estava aumentando e, como já havia cuidado dos meus avós, possuía certa familiaridade com o trabalho. A experiência de supervisionar um familiar é diferente de assumir um paciente, mas me permitiu ter uma noção da dinâmica”, afirma. Antônia, então, começou uma especialização no ramo. “Antes mesmo de me formar consegui emprego na agência Viva Mais Cuidadores, por indicação”.

As indicações, inclusive, são uma das principais características do segmento, uma vez que muitos clientes desejam referências dos profissionais antes de contratá-los. Como os idosos às vezes também necessitam de assistência médica, outro aspecto da carreira é a entrada de enfermeiros, como Antônia, no setor. Ana Carolina Bhering do Amaral, coordenadora da área de saúde e bem-estar do Senac São Paulo, salienta, porém, que a formação não é necessária para atuar na área. “O papel do cuidador é auxiliar na rotina, além de estimular a autonomia do idoso e tornar seu dia a dia mais agradável”, diz.

FALTA REGULAMENTAÇÃO, SOBRA INFORMALIDADE

Como o tempo e o investimento financeiro para se formar como cuidador é baixo (os cursos duram, geralmente, quatro meses e custam cerca de 1.000 reais), a carreira tem atraído diversas pessoas em busca de recolocação. Fora isso, outros tantos optam por ingressar na área de maneira informal, atendendo parentes ou conhecidos. Simone Silva de Oliveira, de 46 anos, é um exemplo. A primeira vez que a carioca teve contato com a profissão de cuidadora foi em um antigo emprego, no qual, contratada como empregada doméstica, ela também auxiliava o patrão, um idoso com doença de Alzheimer. Em 2013, após ser demitida do cargo de faxineira em um hospital, Simone aproveitou o dinheiro que recebeu com a rescisão para se profissionalizar com uma formação em enfermagem. “Era um dos meus sonhos antigos. E, como eu já sabia que levava jeito com idosos, decidi me especializar como cuidadora”, afirma. Nos últimos sete anos, ela já atendeu oito clientes e se desdobra em duas jornadas: trabalha meio período como prestadora de serviços em uma agência de cuidadoras e, depois, atende um paciente particular.

Mas nem todo mundo segue o mesmo caminho de Simone e busca capacitação para continuar atuando na área. O fato de a carreira de cuidador ainda não ser regulamentada favorece a presença do alto número de trabalhadores informais no mercado. Para alterar esse contexto, em 2007 foi criado um projeto de lei para finalmente reconhecer o cuidador como uma profissão. A tentativa bateu na trave. Em outubro de 2019, o Congresso vetou a Lei nº1.385/07, que previa parâmetros para a carreira, alegando que o texto impunha requisitos e ofenderia o direito fundamental de livre exercício da atividade.

De acordo com Mário Avelino, presidente da Doméstica Legal, empresa de assessoria jurídica para trabalhadores domésticos, atualmente as regras que se aplicam para os cuidadores são as mesmas dos empregados domésticos. No caso de quem assiste aos idosos, porém, a jornada é de 12 horas de trabalho por 48 horas de descanso. Caso o período da atividade aumente, o tempo mínimo de descanso deve ser proporcional. “Isso é praticamente inviável financeiramente para a maioria das famílias. Como muitos precisam de um cuidador em tempo integral, para respeitar a regra seria necessário contratar três, quatro profissionais”, afirma Mário.

Desse jeito, se torna corriqueiro que as famílias que optam por não cumprir a legislação façam acordo direto com o cuidador, mesmo correndo o risco de sofrer processos na Justiça do Trabalho. O profissional, por sua vez, em muitos casos é submetido a um salário baixíssimo, exerce dupla função e não conta com direitos trabalhistas como Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), férias ou 13º salário.

ROTINA PUXADA

A informalidade e a falta de regulamentação não são os únicos desafios de quem trabalha no ramo. A cuidadora Simone ressalta que, além da parte técnica, é preciso ter habilidades emocionais para encarar a rotina, que inclui clientes com quadros clínicos delicados e o estresse natural da situação. “O cansaço do trabalho é não apenas físico mas mental. É necessário manter o próprio psicológico sadio para não se abater nem prejudicar a recuperação dos pacientes”, afirma.

Além disso, a adaptação entre profissional e cliente nem sempre é tranquila. “É comum trocar de cuidador diversas vezes até encontrar um que se encaixe no perfil da família e do idoso”, diz Raquel, da agência Viva Mais. De acordo com ela, geralmente as contratações são realizadas pelos parentes, mas é possível que os próprios grisalhos solicitem o serviço. “Uma vez, uma senhora de 94 anos entrou em contato conosco pois tinha medo de ficar sozinha e se acidentar. Outros também recorrem a um cuidador porque querem companhia”, diz. Por isso, os cursos de cuidador ensinam desde como reconhecer sinais vitais e auxiliar na locomoção, alimentação e higiene até a lidar com casos de abandono. “É preciso, sobretudo, saber ouvir e estimular a vitalidade dessas pessoas”, diz Ana Carolina, do Senac. Em cinco anos, desde que começou a oferecer o curso na área, a instituição já formou 9.000 cuidadores. De 2015 a 2019, por exemplo, o número de estudantes saltou de 1.194 para 4.700.

E muitos encontram na carreira uma vocação. Foi assim com Dayane Rainha Machado, de 26 anos. Depois de 15 anos cuidando da avó, que tinha trombose e úlcera, Dayane decidiu fazer um curso de enfermagem e trabalhar de vez como cuidadora, seguindo o mesmo caminho das colegas de profissão Antônia e Simone. “Embora difícil, o trabalho é bastante recompensador, pois os clientes são queridos e muitos criam vínculos conosco”, afirma. Dayane destaca também que o modelo de trabalho autônomo, que prevalece atualmente no mercado de cuidadores, embora tenha diversos ônus, permite flexibilidade. “Hoje, a remuneração média de um cuidador varia de 100 a 150 reais por dia, mas isso depende da região, da experiência e dos horários disponíveis. A parte positiva é que você faz o próprio salário”, afirma.

Como esse mercado ainda é jovem e deve passar por muitas mudanças, enquanto o número de idosos que precisarão de assistência irá multiplicar ano após ano, a expectativa é que questões como a regulamentação e a diminuição da informalidade avancem e garantam melhorias para esses profissionais – e consequentemente para os grisalhos que recorrem aos serviços.

RAIO X DO SEGMENTO

A expectativa de vida do brasileiro em 1991 era de 66,9 anos. Hoje é de 76 anos e, em 2039, será de 79.3 anos

No último levantamento do Caged, em 2018, foram registradas 36.720 carteiras assinadas para cuidadores de idosos. O número real será ainda maior, em razão da grande informalidade da profissão

Dados do IBGE apontam que, no último trimestre de 2019, o estado com maior percentual de idosos no país era o Rio de Janeiro, seguido por Rio Grande do Sul e Minas Gerais

Os salários para cuidador variam entre 1.000 (piso da categoria) e 2.000reais, dependendo da localidade, formação e disponibilidade dos profissionais