EU ACHO …

A ARTE DE ESTABELECER LIMITES EM UMA RELAÇÃO

Afirmar e estabelecer limites em um relacionamento é um dos principais fatores para fazer com que as relações cumpram a sua função de trazer conexão, felicidade e amor, em vez de se tornarem uma convivência tóxica. No entanto, muitas pessoas ficam confusas ao tentar estabelecer limites saudáveis, principalmente quando isso envolve aquelas pessoas que são mais próximas e importantes em suas vidas.

E por que enfrentamos essa dificuldade?

Primeiro, o medo da reação negativa dos outros torna a questão um pouco assustadora; e tomar coragem de fazer isso é apenas o primeiro obstáculo. Além disso, é com- plicado saber como fazer isso de uma maneira que seja positiva e que crie mais amor entre as pessoas.

Por isso, digo que estabelecer limites é uma arte e, para iniciar essa construção, é importante criar um clima de confiança. Para fazer isso, você pode começar a fala ressaltando a importância da relação, como: “A nossa amizade é muito importante para mim e, para que ela continue forte assim nos próximos anos, eu preciso te dizer que…”, “É muito difícil para mim te falar isso, mas…” ou “Eu te amo e quero muito que tudo dê certo para você, embora…”.

Outra forma de abordar é procurando criar empatia, para minimizar o impacto de como a pessoa poderá se sentir: “Eu sei que você provavelmente vai ficar chateado e sinto muito, mas…” ou “Eu posso entender se você não gostar da minha atitude, mas…”.

Caso a reação seja negativa, procure não se defender quando a pessoa se sentir magoada. Nem sempre ami- gos e familiares atendem aos nossos desejos e necessidades. Crie empatia e busque entender a decepção ou a dor do outro, porém, acima de tudo, faça o que é certo para você.

Afinal, relacionamentos saudáveis exigem barreiras bem definidas. E a construção dessa boa relação se passa, inclusive, pela ausência da obrigação em atender às expectativas do outro, sem temer a perda do amor e da confiança.

Acima de tudo, tenha em mente que estabelecer limites é uma atitude positiva para garantir a saúde e a vitalidade dos seus relacionamentos, protegendo e aumentando o amor entre vocês.

*** ADAILTON SOARES

OUTROS OLHARES

VERDE DE FOME

O McDonald’s entra no mercado de sanduíches de planta e reforça o crescente interesse dos consumidores em ter menos carne no cardápio

Nos últimos 65 anos, o McDonald’s construiu a sua reputação e se tornou a maior rede de lanchonetes do mundo com uma dobradinha infalível: hambúrguer com fritas. Os suculentos sanduíches de carne bovina, associados às batatas crocantes, transcenderam no universo da gastronomia e viraram um símbolo universal do capitalismo. Em qualquer lugar – até nas cercanias da Praça Vermelha, em Moscou – os arcos dourados da empresa são uma marca reconhecida e, para os fãs desse tipo de comida, altamente desejada. Nenhuma tradição, porém, é capaz de resistir ao passar do tempo. Há alguns dias, Ian Borden, presidente internacional do McDonald’s, revelou que a rede se prepara para lançar, com tecnologia própria, o McPlant, sanduíche feito de vegetais, sem proteína animal.

Desenvolvidos a partir de plantas, os alimentos plant-based representam uma revolução. A indústria tem investido na substituição da proteína animal para atender à demanda especialmente dos mais jovens, que buscam ingredientes considerados mais saudáveis e sustentáveis. Trata-se de um negócio multibilionário. Segundo pesquisa do banco Barclays, o mercado global baseado em plantas pode chegar a 140 bilhões de dólares em 2029, o triplo do montante atual. É isso, obviamente, que motiva as grandes redes de fast-food. Segundo Borden, do McDonald’s, o projeto poderá “se estender para uma linha completa de produtos, incluindo hambúrgueres, substitutos de frango e sanduíches para o café da manhã”.

No Brasil, a primeira grande rede de fast-food a apostar no hambúrguer plant-based foi o Burger King, com o lançamento do Rebel em setembro do ano passado. Até agora, o sanduíche vendeu 2 milhões de unidades – o equivalente a quase 200 por hora – e já responde por 10% das vendas de lanches. Ariel Grunkraut, vice-presidente de vendas e marketing do Burger King, diz que as pesquisas já vinham apontando para o desejo do brasileiro de consumir menos carne. “Atualmente, dezenas de marcas estão querendo aproveitar um mercado que a gente desbravou”, pontua.

Uma das grifes mais tradicionais em proteína animal, a Wessel, acaba de se render ao novo segmento. Conhecida pelos cortes premium de carne bovina, a empresa familiar desenvolveu a linha Meta Foods, com um hambúrguer feito de vegetais e temperos naturais. Os exemplos se sucedem. A foodtech Fazenda Futuro foi uma das pioneiras no plant-based ao chegar às geladeiras dos supermercados com uma linha de produtos sem proteína animal, em maio de 2019. Exporta para México, Uruguai, Colômbia, Holanda, África do Sul, Austrália e Emirados Árabes Unidos. A partir de janeiro, desembarca na Inglaterra, Alemanha e Itália. Em fevereiro, o objetivo é começar a vender nos Estados Unidos.

De fato, o mercado todo dedicado a essa novidade passa por uma forte expansão. Marcas tradicionais como Seara, da JBS, e Marfrig se preparam desde o ano passado para lançar substitutos para as carnes. Mesmo assim, continuam poderosas no segmento que as transformaram em gigantes globais. Marcos Leta, sócio da Fazenda Futura, vê nisso uma vantagem para o seu negócio, que já surgiu “verde”. Ele acredita que o fato de a empresa não ter nascido como uma companhia de frigoríficos, mas com o propósito de ser uma alternativa à indústria de proteína animal, fará com que as vendas cresçam num ritmo superior ao das rivais. “Elas, afinal, continuam matando bois”, afirma.

Alheia à polêmica de quem já nasceu verde ou é recém-convertida, a Seara está prestes a completar um ano no mercado de plant-based. Antenada com a nova demanda, a linha chamada Incrível oferece quibe sem carne e bacalhoada sem bacalhau. José Cirilo, diretor de marketing da empresa, diz que o grande impulso veio dos millenials (nascidos entre os anos 80 e meados dos anos 90) e que as vendas superam o que havia sido projetado em nove vezes. Desempenhos assim explicam porque ninguém quer ficar de fora do segmento.

Existem, obviamente, inúmeros desafios pela frente. Um deles diz respeito ao preço. Os produtos que imitam carne são entre 40% e 60% mais caros, o que só deve mudar à medida que o consumo se popularizar. Outra frente de trabalho é o desenvolvimento de tecnologias que permitam o preparo de plantas capazes de reproduzir de forma integral o sabor e a aparência das carnes. Também é preciso ficar atento às calorias. Os sanduíches de carne vegetal não necessariamente engordam menos, embora o Rebel, do Burger King, tenha alegados 20% menos calorias.

Para especialistas, os plant-based trazem ressalvas. A principal é que são alimentos ultra processados. Portanto, não devem ser tratados como saudáveis. “Apesar de serem vegetais, ainda são alimentos industrializados,” diz Thais Sarian, nutricionista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Erika Yuri, sua colega do Hospital Sírio-Libanês, reforça o alerta: “Estudos mostram que o consumo habitual de processados e ultra processados tem relação com obesidade, câncer, depressão, hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes”. A dica da especialista a quem quer aderir à onda do plant-based é avaliar muito bem a formulação dos produtos. “Procure saber do que o alimento é feito para fazer a melhor escolha.”

De todo modo, a ampla e crescente oferta de carnes vegetais embute alternativas para aqueles que pretendem diminuir ou simplesmente cortar a proteína animal, seja porque estão em busca de uma alimentação mais equilibrada, seja por atenção especial com a proteção dos animais. Por enquanto, está distante o dia em que os bois poderão viver tranquilamente, sem ter de saciar a fome humana. Mas o primeiro passo – ou a primeira mordida – já foi dado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE SABEDORIA PARA A ALMA

DIA 03 DE JANEIRO

DEUS CUIDA DO JUSTO

O Senhor não deixa ter fome o justo, mas rechaça a avidez dos perversos (Provérbios 10.3).

Deus não desampara aqueles que nele confiam. Ele trabalha no turno da noite para cumular de bênçãos os que andam retamente. Aos seus amados, ele dá enquanto dormem. Não há Deus como o nosso, que trabalha para aqueles que nele esperam. Ele cavalga nas alturas para nos ajudar. Está assentado na sala de comando do universo, tem nas mãos o controle da história e age de tal maneira que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam. Essa não é a linguagem da conjectura hipotética, mas da certeza experimental. Deus cuida do justo e não o deixa ter fome. Davi disse: Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão (Salmos 37.25). Se Deus assiste aos justos, também rechaça a avidez dos perversos. Deus alimenta os famintos, mas despede vazios os ricos. Deleita-se nos humildes, mas está contra os soberbos. Cuida dos justos, mas desampara aqueles que, de forma avarenta, ajuntam apenas para si. John Mackay, ilustre reitor da Universidade de Princeton, disse que o maior problema do mundo não é a escassez de recursos, mas a má distribuição das riquezas. Precisamos ter o coração aberto para Deus e as mãos abertas para o próximo.

GESTÃO E CARREIRA

QUANDO PROTESTAR VALE A PENA

Reclamar no trabalho ajuda a criar vínculos entre as equipes, mas, se a queixa não for bem conduzida, o profissional poderá sair prejudicado

Se reclamar no ambiente de trabalho pode ser visto como algo ruim para muita gente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Melbourne, na Austrália, mostra o contrário. Durante um ano, Vanessa Pouthier, autora do estudo, observou funcionários de um hospital nos Estados Unidos que atende pacientes em estado terminal. Depois de fazer entrevistas e acompanhar reuniões entre enfermeiros, médicos e outros profissionais, ela concluiu que o vínculo das equipes aumentava à medida que as pessoas reclamavam e tratavam com humor os problemas do dia a dia. As lamúrias também contribuíam para que enfrentassem com mais leveza situações de estresse. “Meu trabalho indica que esses rituais ajudam as equipes a trabalhar melhor em conjunto. Rir junto de uma frustração ajuda a criar um lugar seguro para conversas difíceis “, explica a especialista. Além disso, durante o estudo, ela observou que os próprios funcionários desenvolveram informalmente uma espécie de “senso” de quais queixas e brincadeiras eram realmente apropriadas para o ambiente corporativo. “Eles nunca podiam reclamar de pessoas da equipe, por exemplo; apenas de questões externas”, afirma.

É fato que o ambiente analisado pela especialista é bastante peculiar, já que os profissionais da instituição lidam frequentemente com algo doloroso: a morte. Entretanto, reclamar também pode funcionar positivamente em outras áreas, e não só na da saúde. Além de ser uma forma de mostrar que algo não vai bem, esse comportamento ajuda a trazer à tona problemas que acometem outros indivíduos.

“A reclamação é uma forma de comunicação que traz no discurso incômodos, desconfortos e frustrações. Quando exterioriza isso por meio da verbalização, o profissional evidencia o que está sentindo, e faz com que outras pessoas se identifiquem com aquela situação e se tornem aliadas em busca de um objetivo”, explica Ana Paula Veloso, psicóloga e supervisora de carreiras do Ibmec de Belo Horizonte. Além de espalhar o sentimento de união, as queixas corroboram para evidenciar conflitos que, invariavelmente, não estão sendo vistos por pares e chefes. “Muitas vezes, a outra pessoa não sabe que está incomodando o colega, por exemplo. Se ele não falar, a probabilidade de repetição daquele erro será grande”, explica Daniela do Lago, especialista em comportamento do trabalho.

LINHA TÊNUE

No entanto, existe um limite para o lado positivo de reclamar. O funcionário que só faz queixas e não busca meios para resolver uma insatisfação pode ser rotulado como o resmungão da turma. “Começa a ficar chato ficar perto dessa pessoa. Quem está em volta acaba se afastando”, diz Bia Nóbrega, coach e executiva da área de recursos humanos. Por isso, quando a reclamação é recorrente, é importante levá-la adiante. Mas cuidado ao escolher um ombro amigo para desabafar. “Há pessoas boicotadoras, que podem repassar a informação de forma errada e prejudicar o profissional que fez o comentário”, diz João Kluppel, diretor da consultoria de recrutamento Michael Page.

Para evitar o telefone sem fio, a sugestão dos especialistas é reportar a queixa ao gestor direto. Quando não é possível (em caso de denúncias, por exemplo, envolvendo a própria liderança), o indicado é usar ferramentas que as empresas costumam disponibilizar para ouvir os empregados. Dentre elas estão pesquisa de clima, canais de sugestões e ouvidoria. Mas lembre sempre: a queixa precisa ter fundamentos.

Se você está decidido a levar a frustração para o líder, reúna evidências. Se acha que seu salário está aquém dos resultados entregues, por exemplo, estruture uma planilha com todos os projetos já concretizados e o retorno financeiro que trouxeram para a organização. Se há colegas com o mesmo problema, aproveite para unir forças. Elenque também sugestões que possam aliviar sua frustração. Se o prazo para entregar um projeto está apertado, por exemplo, proponha urna nova agenda. “Ao levar um conflito para o chefe sem uma sugestão para solucioná-lo, você é parte do problema”, diz João Xavier, diretor-geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos, consultoria que atua com gestão estratégica de pessoas.

Na hora de reclamar é essencial focar sempre a situação que desencadeou o problema, sem apontar culpados (com exceção de situações mais graves, como denúncias de assédio moral ou sexual). Se o gestor anunciou a demissão de funcionários em uma área e você não concorda com a decisão, por exemplo, foque o fato. “Se o funcionário disser que não concorda com os desligamentos, porque a empresa poderia ter feito um planejamento melhor, ele não estará atribuindo a responsabilidade a uma pessoa, mas a urna ação tomada pela companhia”, diz João Kluppel, da Michael Page. E, claro, é preciso entender as peculiaridades do modelo de negócios da empresa. “Se a organização começa a atender clientes às 5 da manhã, não adianta reclamar que o expediente começa muito cedo”, explica Daniela.

OUVIR E AGIR

Do outro lado, as empresas também precisam saber lidar com as queixas relatadas. De acordo com Vanessa, da Universidade de Melbourne, é fundamental que as organizações respeitem os momentos de desabafo. “É importante que os gestores reconheçam os benefícios em vez de descartar essas reclamações como distrações ou atividades que não agregam valor”, diz. De acordo com a especialista, reunir-se com os colegas para reclamar e fazer piadas sobre os problemas contribui para a geração de emoções positivas entre as pessoas. “Isso ajuda o profissional a ter uma mente mais aberta, aspecto particularmente importante no ambiente de trabalho moderno, onde a regra é haver equipes que trabalhem além das fronteiras ocupacionais e organizacionais”, explica.

Quando não escutam ou só punem as reclamações, as empresas criam ambientes com profissionais frustrados, o que leva a perda de talentos, aumento de turnover, absentismos e afastamentos. Um funcionário que tenha acabado de chegar a uma empresa e escute da maioria das pessoas de seu departamento que o CEO costuma ser grosseiro com as pessoas, por exemplo, pode desistir do emprego. “A generalização da reclamação deteriora o ambiente. E os melhores profissionais são os primeiros a ir embora, porque eles têm maiores chances de empregabilidade”, diz a coach Bia.

Por isso, ao identificar um mimimi pelos corredores, é importante que o líder haja rapidamente, até porque, muitas vezes, os incômodos não chegarão formalmente aos seus ouvidos. O papel deve ser assumido, principalmente, pelo gestor direto que, teoricamente, conhece com mais profundidade o time. “Assim que percebe um mal-estar na equipe, o líder tem de intervir e confirmar ou não suas impressões”, diz Ana Paula, do Ibmec. Além disso, é mais fácil atuar na resolução do caso se as insatisfações são identificadas com rapidez. “Tão logo perceba o problema, o chefe deve chamar o funcionário para conversar, ouvir com empatia e atenção, para depois avaliar o que é ou não procedente”, orienta João Xavier. É claro que nem todo ambiente corporativo dá espaço para que os profissionais falem sobre suas lamúrias. Existem empresas onde a reclamação é pouco ou nada tolerada. Quem atua em organizações com esse perfil deve ter cuidado redobrado na hora de se queixar, para evitar retaliações e até mesmo a demissão. “São estruturas muito rígidas e que existem há muito tempo. Quando alguém reclama de algo e coloca em xeque uma cultura que sempre funcionou é mal visto”, diz Ana Paula.

Foi o que aconteceu com a biomédica Juliana Marin, de 35 anos. Em 2013, ela foi aprovada no processo seletivo de uma empresa que faz terceirização de mão de obra em Mogi das Cruzes (SP). Entretanto, como o salário não correspondia exatamente ao que ela buscava, a empresa fez uma proposta: pagaria o valor pretendido após o período de experiência (ou seja, três meses depois). Só que as mudanças não ocorreram conforme o combinado. “Passados cinco meses, fui ao RH para conversar. Eles pediram para eu ter um pouco mais de paciência”, diz Juliana. Como o dissídio coletivo seria pago em alguns meses, a empresa queria identificar de quanto seria o reajuste para calcular o novo salário da funcionária. Quando completou nove meses na companhia, o dissídio foi pago, mas a biomédica recebeu 500 reais a menos do que o prometido na contratação. Angustiada com a situação, decidiu falar novamente com o RH. A atitude, porém, custou seu emprego. “Reclamei de manhã e fui demitida no final do dia. Disseram que não era por causa de performance. Quando questionei se o motivo era a reclamação que eu tinha feito, não obtive resposta”, diz.

BEM-VINDO, RECLAMÃO

A boa notícia é que esse tipo de organização, que não dá bola para o que pensa o funcionário, está, aos poucos, perdendo espaço. Cada vez mais organizações se abrem para a comunicação transparente. Nesses lugares, empregados que reclamam – e que identificam problemas – são vistos com bons olhos. Foi justamente o que aconteceu com Diogo Barros, de 30 anos, gestor comercial da Osten, grupo de concessionárias de carros de luxo. Em setembro do ano passado, ele procurou o RH para falar de um problema que incomodava muitos colegas: a comida do refeitório. “A quantidade era limitada e o tipo de comida não agradava muito”, diz.

Como manda o manual da boa reclamação, Diogo levou não só a indignação mas também uma sugestão: trocar o restaurante pelo vale-refeição – ideia que ele já havia validado numa pesquisa com os colegas mais próximos. Depois de registrar a queixa, a empresa decidiu fazer uma votação entre os funcionários, que, majoritariamente, apontaram a preferência pelo vale. “Eu já tinha proximidade com o pessoal do RH, o que facilitou a conversa. De qualquer forma, sou expansivo. Naturalmente exponho o que sinto. Acredito que bastante gente tenha receio de reclamar porque muitas empresas não absorvem sugestões e críticas. Por saberem disso, as pessoas acabam ficando com medo de ser malvistas”, diz Diogo. Em janeiro deste ano o esforço dele deu certo: todos passaram a usufruir do novo benefício, e o refeitório foi desativado. Assim como aconteceu com Diogo, reclamar, muitas vezes, gera bons frutos.

COM CLASSE

Antes de sair reclamando, siga o passo a passo:

1 – Fale sobre sua queixa, preferencialmente, para o chefe direto

2 – Prepare-se antes da conversa

3 – Leve evidências que comprovem o que você está dizendo

4 – Pense em sugestões para solucionar o problema

5 – Não direcione a reclamação para uma pessoa, foque a situação. Por exemplo, se seu colega tem o hábito de reduzir muito a temperatura do ar-condicionado, diga ao gestor que sente frio e que isso está afetando sua produtividade. Você não precisa sair apontando culpados

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PSICOPATAS – VOCÊ CONHECE UM?

1 em cada 100 pessoas tem o transtorno, e você pode estar convivendo com um deles!

A invisibilidade é uma das características que mais preocupam quando o assunto é psicopatia. Grande parte dos psicopatas passa despercebida e mantém sua personalidade verdadeira escondida, uma vez que eles sabem fazer isso muito bem, sendo ótimos atores e imitadores. Eles só são capazes de enganar as pessoas ao redor se fizerem todos acreditarem que são honestos, genuínos e confiáveis. Quando um psicopata desliza e demonstra características que podem ser consideradas fora do normal, apresenta destreza em justificar seu comportamento com mentiras. É por isso que você provavelmente já conviveu – ou convive! – com um deles. Aprenda a interpretar os sinais e identifica-los!

O QUE É?

“Apsicopatia, também determinada “transtorno de personalidade antissocial”, caracteriza-se pela falta de empatia e consideração para com as outras pessoas, assim como no desinteresse em seguir normas sociais”, afirma o neurologista clínico Fabio Sawada Shiba. Segundo a Associação Americana de Psicologia, o transtorno de personalidade antissocial (TPAS), a psicopatia e a sociopatia não são categorias distintas, mas sim categorias que se sobrepõem e que se complementam. Todos esses distúrbios apresentam como característica comportamentos que incomodam e perturbam, além do envolvimento de seus portadores em atividades perigosas e muitas vezes ilegais. Na psicopatia, os indivíduos não se importam em ferir os sentimentos das pessoas alheias ou desrespeitar seus direitos, fazendo com que suas ações apresentem maior impacto nos outros do que em si mesmos.

A psicóloga clínica Luciana Jaramilho Caruso esclarece ainda que existem diferentes graus de condutas antissociais: “Elas variam desde comportamentos antissociais menos prejudiciais por serem esporádicos e influenciados pelo ambiente; comportamentos antissociais mal adaptativos, demonstrados no TPAS ou em outros transtornos de exteriorização condutas mais extremas observadas nas psicopatias. Dessa maneira, pode ser dado a um indivíduo um diagnóstico de TPAS, sem que esse apresente psicopatia, da mesma forma que um psicopata pode não ter critérios suficientes para o diagnóstico de TPAS. No entanto, o comportamento violento e antissocial não é condição necessária e nem suficiente para a caracterização da psicopatia”.

DIFERENTES TIPOS

De acordo com o psicólogo Breno Rosostolato, o transtorno de personalidade pode ser dividido em oito tipos: “O primeiro é o antissocial, cujas características principais são tendência à agressividade e repúdio às normas sociais; o ansioso, no qual possuem sentimento de apreensão, insegurança e  inferioridade; o paranoide, em que o indivíduo não suporta ser contrariado, desconfia de tudo e tende a distorcer os fatos; a dependente, em que a pessoa tende a deixar que outras pessoas tomem qualquer decisão por ela; o histriônico, que é dramático, teatraliza e é inconstante. Temos ainda o esquizoide, que costuma se afastar dos outros, tendo poucos contatos sociais ou afetivos; o borderline, que possui acessos de ira e é incapaz de controlar o seu comportamento impulsivo. Por fim temos o obsessivo-compulsivo, no qual o sujeito é ritualístico e com comportamentos repetitivos. Possui ideias e pensamentos absurdos”.

COMO IDENTIFICAR?

O psicólogo canadense Robert Hare, especialista em psicologia criminal e psicopatia, elaborou uma escala com vinte características, agrupadas de acordo com aspectos interpessoais, afetivos, de estilo de vida e de sociabilidade. Essa escala é usada para diagnosticar psicopatas, tanto na área da saúde quanto na legal, e pode ajudar a detectar, no dia a dia, indivíduos que sofrem do transtorno.

INTERPESSOAL

1. LOQUACIDADE E CHARME SUPERFICIAL

Os psicopatas utilizam uma máscara de normalidade que é agradável e amigável. Eles podem, por exemplo, realizar boas ações para ganhar a confiança de suas vítimas.

2. MEGALOMANIA E EGOCENTRISMO

Eles costumam acreditar que são mais inteligentes e mais poderosos do que realmente são.

3. MENTIRA PATOLÓGICA E ENGANAÇÃO

É comum que eles contem todo o tipo de mentiras, desde as mais inofensivas até as mais elaboradas. Tudo isso para enganar.

4. SEDUÇÃO E MANIPULAÇÃO

Identificados como astutos, os psicopatas conseguem influenciar as pessoas a fazerem coisas que elas normalmente não fariam. Para isso, utilizam culpa, força e muitos outros métodos.

ESTILO DE VIDA

5. TÉDIO E NECESSIDADE DE ESTÍMULO

Tranquilidade e quietude não são coisas que vêm naturalmente para os psicopatas. Eles precisam de diversão e entretenimento constantes.

6. IMPULSIVIDADE

Eles costumam agir inconscientemente

7. IRRESPONSABILIDADE

É comum que não tomem para si a responsabilidade pelas consequências de seus atos.

8. ESTILO DE VIDA PARASITA

Eles usam os outros para obter poder e recursos, e conseguem entrar em suas vidas de forma fácil e rápida.

9. FALTA DE OBJETIVOS REALISTAS A LONGO PRAZO

Ou eles não têm nenhum plano para o futuro, ou seus objetivos são impossíveis e baseados em uma noção exagerada de suas habilidades.

10. PROMISCUIDADE SEXUAL

Os psicopatas têm desejos sexuais depravados e buscam sempre satisfazê-los

11. VÁRIOS RELACIONAMENTOS AFETIVOS DE CURTA DURAÇÃO

Alguns psicopatas têm muitos casamentos curtos. E eles culpam a origem dos problemas em seus companheiros, e nunca se responsabilizam pelo fim do relacionamento.

AFETIVO

12. FALTA DE REMORSO OU CULPA

A ausência de remorso é um grande indicador da psicopatia. Um psicopata pode, porém. fingir culpa para induzir pena em suas vítimas.

13. SUPERFICIALIDADE E EMOÇÕES RASAS

Psicopatas não reagem de forma normal a mortes, ferimentos e outros acontecimentos que têm efeitos extremamente negativos nos outros.

14. INSENSIBILIDADE E FALTA DE EMPATIA

Não é natural para quem sofre do distúrbio identificar-se com as emoções alheias. Eles são capazes de avaliar e entender o que o outro está sentindo, mas não de sentir o mesmo.

15. NÃO ACEITAÇÃO DE RESPONSABILIDADE POR SEUS ATOS

Um psicopata não admite que está errado, a não ser que seja pressionado. Mesmo assim, manipula o outro a fim de não precisar lidar com as consequências.

ANTISSOCIAL

16. DESCONTROLE COMPORTAMENTAL

Mesmo sabendo se encaixar muito bem na sociedade, muitos psicopatas podem cometer deslizes e mostrar traços de personalidade problemática.

17. CONDUTA PROBLEMÁTICA NA INFÂNCIA

Um dos indicadores de agressividade em uma criança pode ser o maltrato dos animais.

18. DELINQUÊNCIA JUVENIL

Psicopatas tendem a exibir comportamento delinquente na juventude, incluindo agressividade contra outras pessoas.

19. REINCIDÊNCIA E QUEBRA DE CONDICIONAL

O índice de reincidência é três vezes maior em um psicopata do que em um indivíduo sem o distúrbio.

20. VERSATILIDADE CRIMINAL

Eles cometem vários tipos diferentes de crime e têm habilidade de saírem ilesos das acusações.

IMUNES A BOCEJOS

Quer testar se alguém é um psicopata? Boceje em frente à pessoa e observe sua reação. Isso porque, de acordo com um estudo realizado na Universidade Baylor, nos Estados Unidos, os psicopatas não sentem a necessidade de bocejar quando veem outros bocejando. Os pesquisadores analisaram as reações do grupo de 135 participantes a um teste de bocejo contagioso. Todos responderam a um questionário sobre personalidade psicopática e, em seguida, assistiram à vídeos de pessoas com inúmeras expressões faciais diferentes. O estudo revelou que, quanto menos empatia a pessoa sentia, maior a probabilidade de ele ou ela ser imune ao bocejo. Os cientistas americanos também fizeram um teste de susto e descobriram que os psicopatas tendem a ser mais destemidos, já que foram esses participantes os que menos se sobressaltaram. O teste, porém, não é uma ferramenta certeira no diagnóstico da psicopatia, e o fato de um indivíduo ser imune ao bocejo contagioso não significa que tenha algo de errado clinicamente com esta pessoa.