EU ACHO …

FELIZ MESMO ANO!

A quebra do encanto se dará quando encerrarmos o ano sem nenhum sinal concreto de que 2021 será diferente com relação a nossa principal angústia: o fim da pandemia de covid-19

Estamos chegando ao fim de um ano que não vai acabar. O ano de 2020 quebrou o encanto da mágica noite de 31 de dezembro que sempre nos proporcionou a sensação de que, ao amanhecer, teríamos uma nova Era em que tudo seria diferente (para melhor, claro!). A quebra do encanto se dará quando encerrarmos o ano sem nenhum sinal concreto de que 2021 será diferente com relação a nossa principal angústia: o fim da pandemia de covid-19.

Não estamos falando aqui de esperança porque essa é inerente à natureza humana e sempre nos impulsiona a pensar num amanhã melhor. Estamos nos referindo a quebra de uma atitude “folclórica” que sempre fez parte da cultura de final de ano e essas quebras nos fazem pensar no porquê alimentamos essas crenças e qual o sentido, para cada um de nós, de ter que acreditar que a última noite do ano não será mágica e que amanheceremos, no dia 1º de janeiro, vivendo o mesmo mundo real do dia anterior.

Na Educação, essa simbologia está sendo materializada pela ausência do famoso “resultado final”. Esse fato é consequência do ciclo emergencial 2020/21, viabilizado pela legislação e adotado por quase todos os sistemas públicos e por algumas escolas particulares. 

Consiste na não finalização do ano letivo de 2020, que será continuado em 2021. Esse ano letivo prolongado comportará a série em que o aluno se encontra em 2020 e, de forma sequencial, a série que ele estará em 2021. O currículo deverá ser composto pelas aprendizagens essenciais das duas séries.

Alguns educadores têm reagido de forma inconformada ao fato de o aluno estar automaticamente na série seguinte em 2021. Argumentam que não acham justo que os alunos que não realizaram as atividades remotas recebam o mesmo tratamento. Tenho argumentado exaustivamente que não podemos usar a mesma lógica que usamos em anos “normais” e que não podemos concluir com tanta certeza de que apenas o descaso se fez presente. O ano contínuo nos convida ao resgate, à recuperação do que não foi aprendido, à empatia para avaliar e à predisposição para seguir em frente.

Na Educação ou na vida, mudança de ano sempre foi uma convenção. Nós é que acreditamos demais na mágica da noite de Réveillon. Talvez esse final de ano nos desperte para o fato de que a realidade é uma sequência de escolhas, consequências e contingências individuais e coletivas da qual, inexoravelmente não podemos fugir e que a melhor forma de lidarmos com o momento presente é encarando-o de frente. Sendo assim, feliz mesmo ano para todos!

OUTROS OLHARES

OS MEDICAMENTOS MAIS PROCURADOS PELOS BRASILEIROS DURANTE A PANDEMIA

■ TRATAMENTO E PREVENÇÃO DA COVID-19

Maior site de pesquisa de medicamentos do país, o Consulta Remédios fez um estudo inédito sobre quais as drogas que despertaram mais interesse dos brasileiros durante a pandemia. Em primeiro lugar no levantamento realizado entre abril e setembro aparecem Itens associados nos últimos meses à prevenção e ao combate do coronavírus. Mesmo sem nenhuma comprovação de eficácia em tratamentos contra a Covid-19, a Ivermectina monopolizou a curiosidade dos internautas, ocupando o primeiro lugar no período. Somente em julho o serviço registrou mais de 7 milhões de buscas a respeito da substância utilizada no tratamento de infecções provocadas por parasitas intestinais.

■ SAÚDE MENTAL

Muitos distúrbios de humor e crises de ansiedade foram desencadeados pelo período de isolamento. Não por acaso, a plataforma registrou alta na procura por informações relacionadas a drogas como o Donaren e a Fluoxetina, ambas utilizadas em tratamentos contra a depressão.

■ VIDA SEXUAL

A julgar pelas pesquisas feitas no Consulta Remédios, o período de quarentena não afetou a libido de muitos casais. Medicamentos contraceptivos e remédios indicados para disfunção erétil tiveram um aumento na procura por esclarecimentos.

■ EMAGRECIMENTO

Quatro em cada dez brasileiros ganharam peso durante a pandemia, o que se refletiu na busca de informações sobre dietas na plataforma.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 31 DE DEZEMBRO

JESUS, NOSSA BENDITA ESPERANÇA

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pelo mandato de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança (1Timóteo 1.1).

A esperança de milhões de pessoas está morta, esmagada pelo desespero. Elas vivem com os olhos inchados de tanto chorar, feridas pelas revezes da vida. Estão sem esperança e sem Deus no mundo. Vão atrás de religiões e colhem decepções amargas. Buscam a psicologia de autoajuda e sentem-se ainda mais insatisfeitas. Correm para os banquetes do pecado e saem de lá mais frustradas. Na ânsia de encontrar sentido para a vida, muitos recorrem às fontes das aventuras e bebem todas as taças dos prazeres deste mundo, mas se sentem ainda mais infelizes. É nesse cenário cinzento de desespero que Jesus se apresenta como a nossa esperança. Ele é a nossa esperança porque morreu por nós, para nos salvar. Ele é a nossa esperança porque vive para nós, para nos santificar. Ele é a nossa esperança porque voltará para nós, para nos glorificar. Jesus pode ser o motivo perene do seu júbilo e a âncora segura da sua esperança. Não deposite a sua esperança nas suas próprias forças, nem na instabilidade da riqueza. Não coloque sua esperança nas coisas que perecem. Coloque seus olhos em Jesus. Ele não é uma miragem enganadora. É o refúgio verdadeiro. Ele é a nossa única esperança!

GESTÃO E CARREIRA

A FORÇA DOS COLEGAS

Formar uma turma de amigos é uma arma poderosa para enfrentar o mundo volátil e complexo em que vivemos

Um grande amigo meu, José Carlos Teixeira, consultor de marketing B2B e professor, me propôs um desafio muito interessante: desenvolver o conceito de um novo verbo. Pensei muito e cheguei à conclusão de que a palavra do momento deveria ser “colegar”. Vou explicar para você por que esse verbo, que sempre foi importante, é ainda mais essencial nos dias de hoje.

Temos urna necessidade de nos cercar de colegas para enfrentar o mundo VUCA. Na expressão americana, essa sigla quer dizer “volátil” (de mudanças aceleradas): “incerto” (as tendências conhecidas se transformam constantemente por causa da evolução tecnológica); “complexo” (acabou o mundo cartesiano onde as incógnitas eram de mesmo número que as equações; e”ambíguo” (muitas vezes há duas soluções, aparentemente, corretas e temos de conviver com elas).

Pensando nesse contexto tão peculiar que estamos enfrentando, elaborei a seguinte definição para meu novo verbo, “colegar”: desenvolver e sustentar relações pessoais e profissionais baseadas na identidade de valores e de propósito, tendo como alicerces a confiança e o respeito mútuo.

Ou seja, devemos olhar as coisas da vida e fazer nossos julgamentos (valores) de uma maneira similar. Além disso, temos que saber o que nos move, o que nos faz acordar mais cedo, o que nos dá vontade de continuar, sem desistir (propósito).

Acredito que uma turma de colegas é mais eficiente para enfrentar a turbulência do que uma equipe formada tradicionalmente – que é, em geral, formada apenas pela complementação de competências. Isso porque esse grupo está disposto a se sacrificar um pelo outro, a entender com profundidade as diferenças e a trabalhar a diversidade de forma natural, sem nada que o impeça de conversar e encontrar um consenso.

Nesse cenário, a liderança é contingencial. Isso quer dizer que o líder se apresenta dependendo da situação, é aceito, respeitado e, se a situação mudar rapidamente, outro líder assumirá seu lugar sem conflito. E o que é melhor: sem ciúmes nem inveja.

A turma de colegas tem de definir seus objetivos com clareza e comunicá-los bem, compartilhar resultados tangíveis e intangíveis e manter certa cerimônia entre os membros – respeitando os limites do próximo. Se eu sei o que lhe machuca, não devo dizer na discussão só para enfraquecê-lo.

Pertencer a uma turma é a formação ideal para resolver problemas complexos do ambiente VUCA e também para poder viver sob pressão, mas com alegria e com realização coletiva. Vamos colegar?

LUIZ CARLOS CABRERA – escreve sobre carreira, é professor na eaesp – FGV e diretor na PMC – Panelli Motta Cabrera & Associados

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÉREBRO E ANSIEDADE – IX

“EU SUPEREI A ANSIEDADE”

Depoimentos de pessoas que conseguiram lidar com o transtorno

“ME MANTER OCUPADA AJUDA A AFASTAR OS SINTOMAS”.

DÉBORA SOARES, RIO DE JANEIRO (RJ)

“Sempre fui ansiosa. Tinha hiperidrose (suor em excesso) desde criança devido à ansiedade. No começo de 2014, comecei a ter vontade de ficar deitada o dia todo, sem ânimo para nada. Depois, surgiu um medo de perder as pessoas que eu amo. Comecei a ter dor no peito e dificuldade para respirar, achava que ia enfartar.  Tive a primeira paralisia do sono (o cérebro acorda e seu corpo, não). Foi horrível e não sabia explicar pra ninguém o que era. Um dia, estava deitada e tive a sensação que ia desmaiar, não sentia meus braços e a falta de ar ficou maior do que nunca. Fui para a emergência e o médico disse que era ansiedade. Não acreditei, achei o médico incompetente, porque aqueles sintomas não poderiam ser de ansiedade. Voltei para casa e uma hora depois fui a outro hospital. Encontrei uma médica que me diagnosticou com TAG. Aí sim, vi que meu problema era emocional. Mas não foi fácil. Todas as noites tinha crises piores. Na mesma semana, fui ao psiquiatra que me passou doses fracas de remédio que foram aumentando com o passar do tempo. Cheguei a tomar quatro tipos de medicamentos por dia, todos tarja preta e vermelha.

Não conseguia ir em festa de família porque passava mal, tinha dores de barriga, formigamento pelo corpo, o coração batia tão forte que eu tinha a impressão de ouvir ele batendo. E continuei assim durante os meses, praticamente isolada.

Em novembro do mesmo ano, perdi minha casa, pois o mercado que tinha ao lado pegou fogo. Minha vida ficou de cabeça para baixo e achei que iria ter um surto. Mas pelo contrário: com a correria, eu me esqueci de tomar os remédios e, como me vi obrigada a ser forte, consegui melhorar um pouco. Fui morar com meu namorado e como a gente gosta muito de medicina alternativa, comecei a me tratar com ervas, fiz ioga, acupuntura e tomava florais. Minha fé me ajudou demais. Vi que o chá de melissa me fazia dormir a noite toda. Depois que minha vida foi voltando aos eixos, comecei a me lembrar de tudo e sentia que minhas crises queriam voltar. Foi quando encontrei uma gatinha atropelada na rua. Ela estava muito machucada e precisei tratar dela integralmente. Toda vez que eu pensava em ter crise, ela miava e ia cuidar dela. Foi assim durante um mês eu me vi quase curada desde então. Além dela, tenho mais seis bichos, então sempre me distraio com eles. Passei a trabalhar com artesanato, fazia de tudo pra manter minha cabeça ocupada, já que, qualquer momento parada, é motivo para se ter crise.

Depois de tudo isso, parei para analisar o motivo de isso ter acontecido logo comigo. Tive certeza de que todas as cobranças por ter 24 anos na época e ter que ser alguém na vida me fizessem adoecer. Me sentia fracassada por ver as pessoas conseguindo as coisas e eu, não.

Nesse meio tempo, meu tio também foi diagnosticado com TAG, e a família passou a me entender, já que achavam frescura e diziam que eu tive isso porque não fazia nada, não trabalhava. Sofri bastante com o preconceito de quem não sabe o que é ter TAG.

Toda vez que uma sensação ruim vem, eu rezo e vou fazer qualquer coisa, até varrer a casa serve. Me manter ocupada ajuda a afastar os sintomas. Hoje agradeço a Deus por eu ter sido escolhida para ter a TAG, porque comecei a rever minha vida e a absorver apenas o que eu acho que vale à pena. Gosto mais de mim e me respeito mais. Aprendi a ser mais paciente comigo e a respeitar outras pessoas com problemas psicológicos. Por sorte tenho o Leonardo, hoje meu marido, que me mantém no meu ritmo e sempre me ajuda. E vivo sempre com o lema: um dia de cada vez “

“EU RECEBI MUITO AMOR, PACIÊNCIA, CARINHO E ATENÇÃO”

LUCIANE SMIDT, RIO DE JANEIRO (RJ)

“Sempre fui uma pessoa espiritualizada, determinada, alegre, inteligente, corajosa e bastante ativa. No entanto, em meados de março de 2013, comecei a apresentar insônia, dores intensas de cabeça, intercalada com dores musculares que me levavam a internações recorrentes. Estes sinais e sintomas desencadearam crises de pânico, seguidos de uma ansiedade que invadia e sufocava meu peito. Meu coração acelerava, suava frio, minha respiração ficava ofegante, sentia uma sensação de impotência e um medo terrível me consumia, principalmente, quando se aproximava o horário de ir para o trabalho.

Durante uns três meses vivenciei esses fatos, até que um dia a ansiedade era tamanha que não consegui sair de casa para ir trabalhar. Procurei um médico psiquiatra, pois já fazia terapia há algum tempo devido ao estresse ocasionado pelo trabalho. Fui afastada do emprego e medicada. Chorava muito, me isolei dos amigos, perdi minha autoestima e só queria dormir. Estava deprimida. Contudo, nunca aceitei a condição na qual eu estava, pois tenho um filho com síndrome de Down e sabia o quanto ele precisava da mãe saudável e forte!

Eu recebi muito amor, paciência, carinho e atenção, principalmente, do meu esposo. Na época, estávamos namorando fazia dois meses. Eu morava no Rio Grande do Sul e ele, no Rio de Janeiro e, nas crises de ansiedade, de orava comigo. O Lucas, meu filho, era o meu cristal. Ele é budista, realizava práticas várias vezes ao dia, queimava incenso e recitava mantras para mim. Seu sorriso, beijo e carinho alimentavam a minha força de querer sair daquele buraco negro.

Foram seis meses para eu sair da crise. Nesse período, mudei de psiquiatra e as condições para ela me tratar eram manter o tratamento medicamentoso, fazer terapia três vezes na semana, retomar a natação, incluir academia para socializar e buscar uma prática religiosa. Com o passar dos meses, a terapia foi reduzida para duas vezes na semana e já havia identificado que a minha cura dependia de pedir demissão do hospital em que eu trabalhava. Mesmo assim, eu precisava me superar, jamais aceitei fugir desta forma. Eu amava o meu trabalho, foram 15 anos de amor e dedicação.

Nessa fase, minha relação de intimidade com Jesus era imensa. Eu orava, realizava práticas meditativas do budismo, praticava regularmente atividade física, elaborei um plano alimentar voltado para a energização dos chakras e decidi que retornaria ao trabalho por mais alguns meses. Fui recebida pela equipe de trabalho com muito carinho, homenagens e festa. Nos dois primeiros. meses, tive algumas crises de ansiedade, mas respirava fundo lentamente, me lembrava das pessoas que amava, fechava os olhos, orava para Jesus e imaginava estar sendo banhada por luzes do arco-íris. Trabalhei por mais um ano, feliz, até optar pela demissão. Não sofro de ansiedade há mais de dois anos. Optei por administrar a minha vida com a família, os estudos e cuidando da alimentação das pessoas que buscam uma nutrição integral, aquela que nutre o corpo físico, a mente e a alma!”.

A MEDITAÇÃO E AS ORAÇÕES ESTÃO ME AJUDANDO A ENCARAR A VIDA DE UMA FORMA MAIS LEVE

POLLYANA DRUMOND VIEIRA, BELO HORIZONTE (MG)

“Quem é a Polly? O que a Polly gosta de fazer? O que a Polly vai ser? Por que a Polly vai fazer isso? Por que a Polly não fez aquilo? Estava aí a causa de eu ser uma pessoa muito ansiosa que sofria de preocupação excessiva, problemas de sono, tensão muscular e mal estar psíquico: as perguntas sem respostas relacionadas à minha vocação!

Desde que me formei em engenharia química há 11 anos, possuía uma certa ansiedade em relação a tudo e a todos. Mas esta aflição foi se acentuando quando pensava na minha vida profissional – saber o que eu realmente gostava e qual era meu verdadeiro talento. Após me formar, entrei como trainee em uma renomada empresa de engenharia em gestão empresarial e por lá fiquei durante oito anos. Acompanhada de minha inseparável amiga ansiedade. Ao sair, atuei em alguns projetos como autônoma e depois fui convidada a trabalhar em uma grande construtora. Possuia outro ritmo de vida, mais tranquilo, menos pressão. Mas a danada da ansiedade estava ali, cada vez mais presente nos meus dias.

Ai veio  esta crise que estamos enfrentando, as empresas começaram a demitir e eu me vi no grupo dos desempregados. Meu mundo caiu! Aquela ansiedade, até então normal, começou a ficar cada dia maior devido às dúvidas vocacionais, à falta de trabalho, e às péssimas perspectivas  econômicas do país. Eu, uma pessoa ansiosa e profissional gabaritada, precisava utilizar este momento a meu favor. Para não cair  em crise de paranoia no futuro, aceitei o convite da ansiedade para parar e me olhar profundamente.

Escolhi trabalhar mais minha espiritualidade e fazer o coaching de carreira como forma de apoio. A meditação e as orações estão me ajudando a encarar a vida de uma forma mais leve. Já o coaching me aproximo de minha essência e me fez reconhecer minha verdadeira vocação. As diversas ferramentas de autoconhecimento e os diálogos profundos geraram momentos extraordinários de  reflexão. Desenvolvi novas crenças para criar uma vida pessoal e profissional com mais significado, ajudando a tomar decisões alinhadas com os meus valores. Meu coach me ajudou muito a ter equilíbrio nesse processo de descoberta que, em algumas  etapas, não foram fáceis.

Hoje consigo responder às questões que vão aparecendo e sei quem é a verdadeira Polly. Mas o mais importante é que sei o que devo fazer para ter uma vida pessoal e profissional que realmente me faça sentido, mantendo aquela terrível ansiedade domesticada”.

“O QUE ME LIVROU DAS CRISES DE ANSIEDADE FOI MUDAR POR COMPLETO MINHA VIDA”

TALLIS CONSTANZI, FLORIANÓPOLIS (SC)

“Foi tudo muito de repente. Com 21 anos, eu nunca tinha parado para refletir sobre minha saúde mental, até achar que estava ficando louco. Na verdade, eu já vinha lidando com depressão e ansiedade há muitos anos e nem sabia. Mas nada se comprava aos últimos meses de 2015, quando tive as primeiras crises de ansiedade e pânico. Foram duas crises de pânico que deram início aos incessantes pensamentos mórbidos que eu não conseguia tirar da cabeça. Era como se eu estivesse tentando me assustar, como se eu fosse meu inimigo. Esses pensamentos estavam presentes todos os momentos do dia, a partir do momento que acordava até enquanto dormia, dentro dos sonhos. E foi durante o sono que tive a pior das crises de ansiedade, quando acordei suando frio e com dores no corpo todo. Pensamentos horríveis batendo como pedra na minha cabeça. Tudo me causava náuseas, senão extremo pavor. Mas o que me livrou das crises de ansiedade foi mudar por completo minha vida. Cidade, emprego, curso e relacionamento.”