EU ACHO …

LEGALIZAÇÃO PARALISADA

A regularização do uso e cultivo de cannabis no Brasil ficou estagnada ao longo de 2020, e não podemos culpar a Covid por isso

Poderíamos até usar a pandemia da covid-19 registrada este ano para justificar a estagnação da legalização da cannabis no país, tanto no âmbito social (recreativo) quanto no medicinal. Afinal, esta doença fez com que a sociedade em geral parasse suas atividades a fim de conter a contaminação em massa da população.

Mas, quando olhamos a postura de outros países, como México, Argentina e o próprio Estados Unidos, que modernizaram suas legislações no decorrer de 2020 quanto ao uso e cultivo da erva, vemos que esta pauta não avançou em terras brasileiras não só por causa do coronavírus, mas também pela imposição de políticas proibicionistas em todas as esferas federais.

A Argentina regularizou o cultivo doméstico no último mês de novembro para fins medicinais. No decreto, quem desejar cultivar deverá ter uma prescrição médica, e uma autorização do governo. A decisão não estipula um número de plantas por pacientes, e ainda permite ainda o comércio de óleos, cremes e medicamentos em farmácias cadastradas.

No México, a lei que legaliza o uso medicinal e social da maconha já foi aprovada pelo Senado, mas ainda precisa ainda entrar em votação na Câmara deste país para entrar em vigor. No entanto, a aprovação é dada como certa. Com isso, o México se tornará o terceiro país a legalizar totalmente a erva, junto com Canadá e Uruguai.

Nos EUA, foi colocada em votação em vários estados, no último processo eleitoral, a questão da legalização da cannabis, e mais quatro unidades federativas aprovaram esta proposta (Nova Jersey, Montana, Dakota do Sul e Arizona). Além disso, a Câmara Federal de lá também aprovou a descriminalização em âmbito federal, faltando apenas a aprovação pelo Senado para entrar em vigor. Isso representará um alívio para o mercado canábico estadunidense, que não pode até o momento usar o sistema financeiro deste país, que é regido por leis federais.

Toda esta conjuntura mundial pela legalização, no entanto, não motivou o STF a retomar a votação recurso extraordinário (RE 635.659), que trata da descriminalização da cannabis, entre outras substâncias. Aqui, a maconha é permitida somente para uso medicinal, e isso com uma série de restrições. Os obstáculos começam em encontrar médicos que receitem a erva, passam pelos altos preços dos medicamentos canábicos, e terminam nos Habeas Corpus que permitem o plantio àqueles pacientes que não tem condições financeiras para arcarem com as importações destes remédios.

Até a própria ONU já retirou a cannabis da lista de drogas perigosas da sociedade. Mesmo assim, infelizmente, não existe perspectiva alguma do Brasil surfar esta onda tão breve. Em tempos de “gripezinha”, maconha é considerada veneno, e, ozônio, remédio. Por isso, é necessário, cada vez mais, mantermos o nosso posicionamento pela legalização, a fim de não permitirmos que as leis que atendem aos usuários não regridam em nossa legislação.


*** LUCIANO CUNHA NOIA – É advogado no Estado do Rio de Janeiro e ativista pela descriminalização da cannabis

OUTROS OLHARES

PÁGINA VIRADA

A crise das megastores abre espaço para as pequenas livrarias, que também enfrentam dificuldades, mas cativam um público que demanda atenção

“As livrarias são fortes solitários, espalhando luz sobre a calçada. Elas civilizam seus bairros.” A frase, atribuída ao escritor americano John Updike, ganhou especial significado nos tempos de quarentena, que afastou as pessoas e tornou as livrarias ainda mais solitárias. Esvaziadas, algumas das mais famosas lojas do mundo estão com sua existência ameaçada. Um dos casos mais dramáticos é o da Shakespeare and Company, de Paris, que nos anos 1920 era frequentada por escritores como Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald, e que publicou Ulysses, de James Joyce. Fechada pelos nazistas na II Guerra Mundial, ela corre o risco de encerrar suas atividades pela segunda vez devido à vertiginosa queda de vendas. Entretanto, sua proprietária, Sylvia Whitman, não pretende desistir. Com ações entre amigos, vendas on-line e os melhores títulos para quem gosta de ler, a Shakespeare and Company tem atributos para sobreviver, assim como outras do mesmo estilo mundo afora, inclusive no Brasil.

A crise das grandes livrarias não vem de hoje. Instaladas em grandes shoppings ou em estruturas faraônicas de rua, elas enfrentam há anos elevação de custos operacionais em uma ponta e demanda em declínio na outra. Mas o maior adversário é a Amazon. O mamute do comércio eletrônico, que levou muitas lojas do varejo tradicional à falência nos Estados Unidos, tem uma política agressiva de preços, que oferece descontos entre 30% e 50%, com os quais as lojas físicas, carregando pesados custos, não conseguem competir.

Nos Estados Unidos, das redes que no passado dominavam o mercado editorial, hoje só resta a Sarnes & Noble, que perdeu toda a opulência de antes. No Brasil, a Saraiva e a Livraria Cultura, que já foram as duas maiores redes do país, estão envolvidas em complicados processos de recuperação judicial e risco constante de falência, além de enfrentarem a falta de produtos. “É impossível para uma livraria física, que tem altos custos, competir com canais on-line apenas no preço”, diz Marcos Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Como o capitalismo tende a ocupar espaços vazios e nem todos gostam de pescar livros na internet, o mercado está vendo o surgimento de uma nova leva de livrarias que busca seu lugar ao sol fugindo da guerra predatória e focando seu público. Elas estão criando novos modelos de negócios e vão razoavelmente bem mesmo em meio aos problemas impostos pela quarentena. Apesar da queda de receita de 45% no início da crise, o mercado foi se recuperando, e o resultado em outubro ficou 25% acima do registrado no mesmo mês do ano passado.

Em Pinheiros, bairro de classe média alta de São Paulo, a livreira Monica Carvalho montou uma loja acolhedora, de apenas 120 metros quadrados, que se tornou ponto de encontro de leitores. A Livraria da Tarde é administrada por ela e por dois funcionários. O local tem café, promove cursos e saraus, transmitidos virtualmente durante a pandemia. O modelo é parecido com o da Mandarina, também localizada em Pinheiros, que recentemente realizou um evento sobre literatura russa. “Meu cliente não procura preço, procura boas sugestões de leitura. Conversa sobre livros enquanto toma um café com a gente.

Ele aceita pagar o preço cheio do livro porque recebe tudo isso junto”, diz Roberta Paixão, uma das sócias. Asduas livrarias foram abertas no ano passado e, segundo as fundadoras, estão fechando no azul.

Ainda que os ventos estejam soprando a favor dos pequenos varejistas de loja única, que buscam atender um cliente diferenciado, algumas redes também estão conseguindo se expandir, mantendo a estratégia de ter lojas de pequeno ou, no máximo, médio porte. É o caso da carioca Livraria da Travessa, a paulistana Livraria da Vila e a mineira Leitura, que estão, inclusive, abrindo unidades em meio à pandemia. A Leitura, fundada em Belo Horizonte em 1967, é a maior dessas redes, devendo encerrar o ano com oitenta estabelecimentos. Em 2021, ela deve investir cerca de 20 milhões de reais na expansão. O modelo de negócios é baseado na meritocracia. Marcus Teles, presidente da empresa, explica que, para incentivar a concorrência interna, geralmente um gerente é convidado a ser sócio quando um novo ponto é aberto. Segundo Teles, o crescimento é sustentável, a rede não tem dívidas e os empreendimentos começam com capital próprio.

O crescente sucesso das livrarias de bairro pode deter o avanço do comércio eletrônico? Certamente não, e esse nem é o objetivo, dada a luta inglória. A venda on-line é incontornável, pois é prática, rápida e, na maioria das vezes, mais econômica. Mas as livrarias acolhedoras, como a Shakespeare and Company, sempre poderão oferecer atenção, lazer, curadoria e troca de ideias a seus clientes de uma forma que as megastores e as lojas virtuais são incapazes de fazer. Ainda assim, parafraseando Updike, o fundamental e bonito é que as livrarias continuem espalhando luz – e conhecimento -, onde quer que estejam.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 29 DE DEZEMBRO

O CONSOLADOR VINDO DO CÉU

Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei (João 16.7).

As pessoas andam aflitas e carentes de consolo. Buscam alívio para suas dores em muitas fontes. O verdadeiro consolo está em Deus. Jesus Cristo, o Filho de Deus veio ao mundo, nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz. Mas a morte não pôde detê-lo. Ele ressuscitou em glória, voltou ao céu, assentou-se no trono e enviou-nos o Espírito Santo, o Consolador, a terceira pessoa da Trindade. O Espírito Santo é Deus, e ele veio para habitar em nós. Ele é o selo de Deus em nós. É o penhor e a garantia de que somos de Deus e de que um dia teremos um corpo de glória. Ele veio não apenas para estar conosco, mas para estar em nós. É ele quem nos guia pelas veredas da verdade. É ele quem nos consola em nossas angústias. É ele quem nos assiste em nossas fraquezas e intercede por nós com gemidos inexprimíveis. O Espírito Santo é Deus em nós, intercedendo por nós, ao Deus que está sobre nós. Ele pode encher nossa alma de doçura, nosso coração de alegria e nossa vida de paz!

GESTÃO E CARREIRA

O QUE PODE SAIR ERRADO?

No Brasil, 90% dos executivos não estavam preparados para lidar com a crise do coronavírus – e isso mostra a importância do gerente de riscos, profissional estratégico para as companhias

Antes de 2020, cogitar uma pandemia tão drástica quanto a da covid-19 só seria admissível em filmes apocalípticos. Prova disso é o resultado da pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que mostrou que 90% dos executivos de 205 companhias nacionais não estavam preparados para lidar com crises desse porte – e nem as próprias empresas estavam prontas. O levantamento revelou que apenas 28% das organizações tinham um plano estruturado de gerenciamento de crise. “Essa é uma situação realmente inesperada, mas o que se vê é que, como poucos empresários tinham preparação para lidar com tamanho revés, a grande maioria descobriu somente agora a importância da área de risco”, diz Ana Carolina Jacob Manzoli, professora na FGV-Eaesp. O profissional responsável pela mensuração de riscos e identificação de possíveis cenários danosos para a organização ou para o mercado em que ela atua é o gerente de riscos, uma função que não é nova, mas foi ressignificada. “Nos últimos anos temos visto como a vulnerabilidade das empresas aumentou. São casos de vazamento de dados, marcas sujeitas aos tribunais das redes sociais, pressões socioambientais – todos fatores que afetam financeiramente as companhias e que cabem ao gerente de risco avaliar”, diz Rafael Souto, fundador e CEO da Produtive, consultoria de planejamento e transição de carreira.

A área de riscos é comumente trilhada por profissionais de administração, engenharia financeira e ciências contábeis, como é o caso de Anderson Abreu dos Santos, de 44 anos, gerente geral de segurança empresarial e risco da VLI, empresa de logística de ferrovias, portos e terminais. “As oportunidades estão aí, o mercado está aberto para contratações, e a sociedade começou a exigir das empresas esse controle de riscos”, diz Anderson, que atua há 20 anos na área. Rafael Souto dá a dica: “A estratégia é estudar os temas e as normativas legais. É uma profissão que exige muito conhecimento técnico”. Na equipe de Anderson, por exemplo, se destacam aqueles que possuem habilidades como planejamento, visão do todo e boa comunicação. “O contato com a alta direção é constante, assim como com todas as áreas da empresa. Saber se posicionar é fundamental”, explica.

UM DIA NA VIDA

ROTINA DE TRABALHO

horas trabalhadas: 8 A 10 horas diárias

DIVISÃO DO TEMPO

25% – RELATÓRIOS INTERNOS – Avaliando e deliberando sobre análises da equipe de risco               

25% – REPORTES – Interlocução com a alta diretoria e com comitês de auditoria interna

30% – CONTATO COM OPERACIONAL – Interlocução com gerentes de outras áreas

20% – GERENCIAMENTO DA EQUIPE – Apoio para o time

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS

Grande capacidade analítica e de liderança. Exige conhecimento de regras éticas e jurídicas. Entre as habilidades comportamentais estão capacidade de planejamento, visão holística e boa comunicação. Já as competências técnicas são as certificações ISO 31000 e ISO 31010.

QUEM CONTRATA

Setor financeiro e empresas de grande porte que operam em mercado regulado (como de energia, telefonia, farmacêutico e químico).

ATIVIDADES-CHAVE

Determinar riscos e identificar possíveis cenários para o mercado e para a organização; criar planos de contingência para cada risco avaliado; analisar e alimentar planilhas com estimativas de eventos que poderiam causar prejuízos à empresa.

O QUE FAZER PARA ATUAR NA ÁREA

Graduações como Economia, Ciências Contábeis, Administração e Engenharia Financeira oferecem base de conhecimento, mas especializações como as certificações ISO, cursos de auditoria, matemática estatística e legislação são diferenciais.

PONTOS POSITIVOS

Tem forte influência nas estratégias da companhia e convive com todas as áreas, desde as operacionais até as administrativas.

PONTOS NEGATIVOS

Está à frente de um departamento que trabalha com estatísticas e análises, com foco em previsões que podem mudar a todo o momento. A resiliência e o equilíbrio podem ser grandes desafios.

SALÁRIO: de 5.425 A 17.532 reais.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CÉREBRO E ANSIEDADE – VII

DESACELERE SUA MENTE!

Existem quadros de distúrbios ansiosos que podem ser revertidos por meio de terapias. Confira 10 saídas para evitar e conter a sensação de alerta constante

Atualmente, ter uma rotina caótica ´praticamente algo comum entre o grande público – lidar com adversidades no trabalho, cuidar dos filhos, da casa e, às vezes, tudo isso de uma só vez. Consequentemente, se forma um quadro bastante favorável para o desenvolvimento de algumas patologias, mais especificamente falando dos transtornos relacionados à ansiedade.

No entanto, junto com esses distúrbios, também se estimula a descoberta de novos meios mais eficazes e menos dependentes de substâncias químicas para combatê-los, como é o caso das terapias.

POR QUE SEGUIR ESSE CAMINHO?

Por mais tentador que seja recorrer logo às promessas de alívio rápido que os remédios proporcionam, é preciso analisar a situação de cada quadro com calma. O psiquiatra Sander Fridman explica que, em casos mais simples, provenientes de momentos críticos e isolados da vida de uma pessoa, as psicoterapias podem ser a melhor escolha. “A medicação poderá tirar do paciente a oportunidade de aprender com seus sintomas a sinalizar seus desencadeantes emocionais internos e psicossociais externos, tornando o aprendizado ou cura psicoterápica um pouco mais difícil”, finaliza Fridman.

FAÇA SUA ESCOLHA

Dentre as terapias alternativas, existem diversas maneiras para buscar o controle sobre os sintomas de uma crise de ansiedade, seja por meio de psicoterapias ou exercícios mais voltados para atividades físicas.

HIPNOTERAPIA: antes vista como charlatanismo, a técnica ganhou bastante crédito na ciência quando o assunto são as terapias para tratar distúrbios mentais.

A hipnose clínica, por meio de ressignificação do subconsciente, pode reconstruir o sentido de algo que serve de gatilho para uma reação ansiosa, como o medo de alguma situação, objeto ou animal em casos de fobias.

A nível emocional, uma sessão de hipnoterapia é capaz de proporcionar um relaxamento profundo ao indivíduo que vive na ansiedade todo dia. Vale lembrar que não há nada de místico na técnica; portanto, é necessário mais de uma sessão para que os efeitos positivos apareçam.

IOGA: uma forma de se abstrair do estresse cotidiano é a prática regular da ioga. Os exercícios trabalham desde a postura até técnicas de respiração que ajudam a pessoa a relaxar e diminuir a tensão relacionada à ansiedade.

PILATES: visando aperfeiçoar a respiração e corrigir a postura corporal, a atividade também é uma opção interessante para quem busca controlar o distúrbio.

EXERCÍCIOS FÍSICOS: além de estarem diretamente relacionados à diminuição dos níveis de ansiedade com a produção de endorfina (neurotransmissor ligado ao bem-estar), a falta deles também indica o aumento dos sintomas do transtorno e da depressão – isso sem falar de outras tantas patologias ligadas ao sedentarismo. Vamos lá, se mexer um pouco não faz mal a ninguém!

ACUPUNTURA: a técnica se utiliza da aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo visando liberar a tensão da região afetada. Dependendo da intensidade dos sintomas, o método pode proporcionar alívio imediato ou gradual, conforme ocorrerem mais sessões. O especialista nessa área vai colocar as agulhas em vias nervosas, fazendo com que o cérebro libere substâncias relacionadas ao prazer, relaxamento e à redução de dores locais, como a dopamina, endorfina e serotonina.

TERAPIAS PARA A MENTE

A organização sem fins lucrativos Associação de Ansiedade e Depressão da América (ADAA, sigla em inglês), dos Estados Unidos ainda indica outras opções efetivas de terapias:

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC): essa terapia é uma forma bastante efetiva de aprender a lidar com uma crise ansiosa. Esse procedimento ocorre pela identificação e compreensão dos sintomas do paciente para ajudá-lo a, progressivamente, mudar os pensamentos relacionados à ansiedade e, por fim, controlar os comportamentos derivados de uma crise.

Na TCC, a pessoa aprende a encarar o distúrbio, sendo parte fundamental, não dependendo apenas do profissional. E, segundo a ADAA, os benefícios podem ser notados, geralmente, entre 12 a 16 semanas de tratamento.

TERAPIA DE EXPOSIÇÃO: neste tipo de intervenção, o foco é em fazer o paciente encarar as situações que ativem uma crise de ansiedade, como determinados medos no caso das fobias.

Vale lembrar que o processo não ocorre de uma hora para a outra. Ou seja, se a pessoa tem medo de altura, por exemplo, não significa que ela vai ser colocada na beira de um penhasco para superar o distúrbio. Além das fobias, o método também é recomendado para quem apresenta o quadro de Transtorno-Obsessivo Compulsivo, os TOCs.

TERAPIA DE ACEITAÇÃO E COMPROMISSP (TAC): como o próprio nome diz, o processo se dá por meio de exercícios para aceitar e se comprometer a mudar pensamentos e controlar sentimentos que ativam o gatilho da crise de ansiedade. Uma técnica utilizada nesse tipo de terapia é a mindfulness, que consiste em levar a pessoa a um estado mental de experimentar situações sem julgamentos, aprendendo também a viver o momento presente.

TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA (TCD): com técnicas da TCC, essa terapia busca focar os pontos positivos da pessoa, na questão emocional e comportamental, para fazer com que aprenda a identificar, admitir e enfrentar de maneira mais racional as questões que, eventualmente, levam a uma crise de ansiedade.

TERAPIA INTERPESSOAL (TIP): antes usada apenas em casos de depressão, a TIP hoje também pode estar presente em tratamentos de outros distúrbios, como de ansiedade e bipolar, por exemplo. O terapeuta bisca focar na interação em sociedade atual do paciente do que em suas características pessoais.

APOIO É FUNDAMENTAL

Apesar de todas essas terapias disponíveis para ajudar a aliviar os sintomas, são necessárias também a participação e colaboração de amigos e familiares da pessoa. A psicóloga Fernanda Medeiros ressalta que não se deve tratar o quadro como “frescura”. “Uma boa maneira de auxiliar e desconstruir o preconceito que ainda existe em relação aos transtornos mentais, ou de ordem psicológica”, conclui a especialista.

NO CASO DOS PEQUENOS

Quando o transtorno de ansiedade surge logo na infância, terapias alternativas podem ser mais interessantes o tratamento medicamentoso. Isso porque a criança ainda está em fase de desenvolvimento, seja psíquico, social ou biológico, e os remédios podem interferir nesse processo. “A terapia com um profissional psicólogo aparece, portanto, como uma maneira mais incisiva nos casos de ansiedade infantil. É por meio disso que a criança pode vir a experimentar novas maneiras de pensar e agir em situações que lhe causam ansiedade”, indica Fernanda Medeiros.

Além dessas opções, a criação dos pequenos em um ambiente seguro, segundo a psicóloga, é a melhor saída até para prevenir que um distúrbio venha a se desenvolver.