EU ACHO …

A FESTA

“Tudo certo para a festa de fim de ano? Precisa de alguma ajuda?”, pergunta o irmão à anfitriã. “Tudo certo”, ela diz. “Não, não vai precisar de mais nada. Já encomendei as bebidas e eles devem trazer tudo entre hoje e amanhã – preferi a entrega mesmo, para não ter de ir à loja. Sabe como é, todo mundo lotando loja no fim do ano para abastecer as festas, gente que não usa máscara direito e ignora o vidro de álcool em gel na porta. Ah, eu pedi para a empregada passar a noite aqui, ajudar a servir o jantar, lavar a louça, essas coisas. Cada um vai contribuir um pouco para que ela depois possa fazer uma bela ceia com os filhos e a mãe. Desse modo, vou te pedir também uma contribuição, tudo bem?” O irmão hesita, mas responde: “Tá, tudo bem. Só não posso dar muito porque ando apertado”.

Os dias se passaram, a anfitriã satisfeita que todos os convidados poderiam comparecer, inclusive as amigas da mãe, as três. As três mais idosas. Seriam umas 20 e poucas pessoas no total, mas o apartamento era arejado e, se estivesse muito quente, o ar condicionado daria conta. Com o ar condicionado, há ventilação, de modo que estaria seguindo todas as orientações de saúde.

Máscaras? Não, não era necessário. Tudo em família. E 20 e poucas pessoas não é, exatamente uma aglomeração, não é mesmo?

Dia desses a fulana contava que o jantar que fez para o marido tinha mais de 50. Isso, sim, é irresponsabilidade. Onde já se viu? Cinquenta pessoas no meio de uma pandemia? Sorte dela que não virou um covidário. Ou, como é mesmo que falam? Evento de superdisseminação? Não, estava tudo bem arranjando no caso da festa de fim de ano. Como seria bom estar com todos, rever os sobrinhos.

Ah! Mas teve aquele dia em que o sobrinho adolescente encontrou com o amigo no calçadão, o amigo que testou positivo logo depois. Ah, mas tudo bem, foi rapidinho, o encontro foi ao ar livre, os dois estavam de máscara. É verdade que a máscara estava debaixo do queixo, como a garotada faz; mas, imagina! O vírus não passa assim. Passa mesmo é pelos objetos tocados pelos outros, mãos sujas, mãos contaminadas, mãos pegajosas, mãos suadas, mãos de desconhecidos. É preciso esfregar, lavar, entornar todo o vidro de detergente, de álcool. As luvas! Onde estão as luvas?

É claro que o sobrinho foi ao jantar da família. Jantar de Natal? Ceia de Ano-Novo? Faz diferença? E, no momento em que os vemos, lá estão todos, extasiados com a exuberância da liberdade de celebrar juntos, embevecidos com o elixir da ignorância. Ignorância, pois o sobrinho se expôs, o sobrinho trocou ar com o amigo: deu a ele o seu, recebeu dele o dele. Contaminado. Naquele exato momento em que todos se reúnem – precisa dizer que estão sem máscara? – em torno da mesa com farta comilança, está o sobrinho exalando partículas virais para cima dos avós, dos pais, dos irmãos, dos tios, dos primos, das amigas da avó e, é claro, da empregada hipertensa, que naquela noite não está com a família. Ela, que mora apertada, que cuida dos filhos. Ela, que cuida da mãe idosa, mãe também hipertensa e que já sofreu AVC. A mãe que mora na mesma casa com os netos e a filha.

As partículas que o sobrinho exala são invisíveis e aquilo que os olhos não veem o coração não sente e a mente não registra. Não registra. Não registra a febre do avô, que aparecerá alguns dias depois. Não registra a tosse da tia, que aparecerá alguns dias depois. Não registra a contaminação do irmão mais novo, que não terá sintomas, mas que passará a noite na casa da outra avó dali a alguns dias. Não registra o susto dos meninos da empregada hipertensa ao chegarem em casa: a mãe estirada na cama, o suor lhe escorrendo pelo rosto, o esforço para respirar. Dali a alguns dias.

Essa não é uma história real, mas poderia ser. Outras, muito parecidas com ela, estão acontecendo todos os dias ao redor de todo o país e há várias semanas. As pessoas julgam-se irracionalmente invencíveis mesmo quando as mortes se amontoam e amigos e conhecidos padecem. Há até quem torça para ter logo Covid e assim se ver livre, livre. Livre a ponto de se gabar. Veja! Sou imune, não pego mais essa doença. Claro que ignoram os riscos de reinfecção. Pensar nessa possibilidade é demasiado inconveniente.

E assim vamos. Assim seguimos. Até o dia em que recebemos de nosso pai, mãe, avô, avó, o terrível telefonema.

“Oi. Vi agora na internet. Deu positivo.”

*** MONICA DE BOLLE – é pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics e professora da Universidade Johns Hopkins

OUTROS OLHARES

MEDO DA AGULHA

Um movimento antivacina com foco na contra HPV mistura saúde, ciência, religião e política – um microcosmos do que pode acontecer com a imunização contra a Covid-19

No segundo sábado de novembro, um grupo de mães do Acre realizou a primeira assembleia da Associação Brasileira de Vítimas de Vacinas e Medicamentos (Abravac). Realizada com o aplicativo Zoom, a reunião marcou o início de um novo capítulo numa história sem data marcada para acabar. As fundadoras dizem que tudo começou quando suas filhas e, em alguns casos, também filhos tomaram a vacina contra o HPV, sigla em inglês para um vírus transmitido sexualmente que pode provocar câncer. A partir desse ponto, dizem as mães, os adolescentes e pré-adolescentes passaram a apresentar sérios problemas de saúde.

Uma jovem de 17 anos – ela prefere que seu nome não seja revelado – é uma das que sofrem com convulsões frequentes, dores de cabeça e fraqueza desde 2015, quando tomou a vacina. Sua família foi uma das primeiras a procurar o Ministério Público do Acre, em 2017, para relatar o que entende ser uma consequência da vacina. “Logo depois que a primeira mãe nos procurou, vieram mais três ou quatro. Em seguida, eram dez e, com o passar do tempo, foi aumentando mais e mais”, disse o promotor Gláucio Oshiro, responsável pelo caso. No último levantamento, havia 48 casos. “Minha filha tinha 12 anos quando tomou a vacina. Era esperta, gostava de esportes, de natação. Agora não anda mais sozinha, não deixamos fazer mais nada. Ontem mesmo ela teve uma convulsão. As convulsões não param. É dia sim, dia não”, disse a mãe.

Quando o Ministério da Saúde foi acionado para atuar em parceria com o governo do Acre, no primeiro semestre de 2018, os adolescentes já tinham passado por diversos médicos da rede pública e particular sem que fossem detectados problemas orgânicos. Decidiu-se, então, selecionar os casos mais graves. Isso foi feito entre o fim de 2018 e início de 2019. Um grupo de 16 viajaria até São Paulo para ser investigado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), centro de referência na América Latina. Quatro jovens se recusaram, mas 12 pegaram o avião e participaram dos testes coordenados pelos pesquisadores Renato Luiz Marchetti e José Gallucci Neto, diretor da Unidade de Videoencefalografia, especializada em atividade cerebral.

Além de exames clínicos e laboratoriais, os jovens foram monitorados constantemente por vídeos que registram e determinam a natureza de eventos suspeitos de epilepsia, alteração súbita do nível de consciência, coma, encefalite, desmaios, movimentos involuntários, alterações metabólicas, acidente vascular cerebral e estados catatônicos. Em outubro de 2019, ao fim do check-up, apenas um casal de irmãos foi diagnosticado com epilepsia de natureza genética, que costuma se manifestar na adolescência. Os outros dez casos foram classificados pelos especialistas como sendo de crises psicogênicas não epilépticas, conhecidas pela sigla CNEP, um fenómeno de origem psicológica. Ou seja, foi descartado qualquer problema com as vacinas contra HPV.

Os médicos da USP avaliaram que a CNEP coletiva foi desencadeada pelo medo do ato de vacinar, agravado por um ambiente predisposto contra a imunização e que disseminou insegurança. A demora no diagnóstico definitivo – foram quatro anos desde os primeiros casos – e condições psicossociais, como famílias disfuncionais, contribuíram para que o surto da doença psicológica se espalhasse. “É algo que pode ocorrer individualmente, quando, por exemplo, uma criança, tem medo da agulha. Mas também pode acontecer uma epidemia, em grupo. É uma situação bastante grave. É uma doença incapacitante”, afirmou Marchetti. Vídeos de adolescentes com crises compartilhados pelas redes sociais podem também ter influenciado outros jovens a apresentar os mesmos sintomas.

A falta de preparo e equipamentos dos profissionais de saúde que cuidaram desses casos no Acre antes da viagem a São Paulo só agravou a situação. Atendidos muitas vezes em unidades de pronto-socorro, alguns desses jovens chegaram a ser medicados com drogas para epilepsia e a ser internados. Houve casos até de intubação. Outras vezes, não receberam atenção por não apresentarem algo físico. “As crises não são falsas. Mas, por não terem fundo orgânico, muitos profissionais de saúde entendem como não sendo algo real”, disse o promotor Oshiro. Hoje pelo menos esse problema está sanado. Alysson Besten e Lins, secretário de Saúde do Acre, disse que foi montado um centro para atendimento dos adolescentes, com médicos, psicólogos e assistentes sociais. O maior obstáculo, segundo Lins, é que muitas famílias não levam seus filhos e filhas ao centro.

Quem achava que o diagnóstico feito pela USP encerraria a questão errou feio. Muitas mães simplesmente não aceitaram o veredito. Uma delas é a presidente da Abravac, Edilene dos Santos Conceição, mãe de M., hoje com 16 anos, que tomou a primeira dose da vacina contra HPV em 2015. Ela contou que os primeiros sintomas da filha foram dores e fraqueza nas pernas. Após a segunda dose, tomada em 2018, a adolescente começou a desmaiar. Conceição disse que relacionou o problema à vacina quando, na igreja Assembleia de Deus, ouviu o testemunho de uma fiel contando que uma parente havia ficado 40 dias na UTI, muito tempo na cadeira de rodas e sem enxergar quase nada. A família atribuía o problema ao imunizante e a cura a Deus. “Era um testemunho. Quando ouvi, fiquei atenta e angustiada. Pensei nos sintomas de minha filha”, disse Conceição. Em vários grupos conservadores se espalhou a ideia de que a vacina HPV, por combater um vírus sexualmente transmissível, estimularia o início da vida sexual dos adolescentes, uma suposição sem amparo em nenhum grupo de pesquisas respeitado pela comunidade científica.

No meio médico, a principal voz contra a vacina HPV e a favor das mães que negam o diagnóstico da USP é Maria Emília Gadelha Serra, que se tornou conhecida durante a pandemia do coronavírus ao propor aplicação retal de ozônio como tratamento. Serra disse que entrou no caso do Acre a pedido de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. “Ela pediu para eu ver o que acontecia no Acre”, disse Serra. Procurada, a ministra afirmou que não se manifestaria. Em outubro de 2019, Serra falou contra a vacina HPV a políticos na Assembleia Legislativa do Acre. No mês seguinte, a médica fez uma apresentação numa sessão da Comissão de Seguridade e Saúde da Câmara dos Deputados. Em ambas as ocasiões não faltaram teorias conspiratórias. Em conversa, Serra disse que o estudo da USP é uma “farsa” e defendeu que os adolescentes fossem submetidos a angiografia por ressonância magnética – que visualiza as veias e artérias. Marchetti, da USP, disse que o exame foi feito apenas nos casos em que era necessário para descartar o diagnóstico de hipertensão intra­craniana e que Serra usa um discurso pseudocientífico na tentativa de desacreditar a ciência. O advogado Lucas Loesch, diretor jurídico da Abravac, afirmou que a entidade não quer imputar culpa ou responsabilidade a ninguém, mas buscar mais de uma opinião sobre o caso das meninas do Acre. “Ouvir a opinião de um único instituto é frágil. Pelo menos três institutos de renome deveriam avaliar os casos”, disse Loesch, que espera que a entidade recém-criada receba doações para contratar novos estudos.

Na segunda semana de novembro, o Ministério da Saúde divulgou uma nota afirmando que fake news e tabus são um problema. Citando especificamente o caso da vacina contra HPV, o texto diz que a desinformação é um dos fatores que afastam os adolescentes dos postos de saúde. Com as vacinas contra o coronavírus chegando perto do estágio de aprovação, o medo de vários especialistas é que movimentos como o das mães do Acre contaminem o esforço de imunização que terá de ser montado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 20 DE DEZEMBRO

COMO EXPERIMENTAR PLENITUDE DE ALEGRIA

Tu me farás ver o caminho da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmos 16.1).

A felicidade existe e está ao nosso alcance. Não é apenas um destino aonde se chega, mas a maneira como se caminha. A felicidade não está num lugar específico, mas numa atitude definida. Jesus falou sobre a felicidade nas bem-aventuranças. O problema humano não é buscar a felicidade, mas contentar-se com uma felicidade limitada. Deus nos salvou para a maior das felicidades. A felicidade verdadeira está em Deus. É na presença de Deus que existe alegria superlativa e abundante. O principal propósito da nossa vida é conhecer e desfrutar da intimidade com Deus.  Nas bem-aventuranças, Jesus nos fala sobre um relacionamento correto com Deus, conosco mesmos e com o próximo. Somos felizes quando nossas relações estão harmonizadas. A felicidade que o mundo oferece é uma farsa, porém. O glamour do mundo é irreal. O sorriso que as pessoas estampam no rosto não passa de uma máscara. As taças doces do pecado são veneno que intoxica a alma. Os prazeres transitórios desta vida desembocam numa constante perturbação. A verdadeira felicidade está em Deus.  É na sua presença que encontramos plenitude de alegria e delícias perpetuamente.

GESTÃO E CARREIRA

A IGUALDADE É COLORIDA

Comunidade LGBTI+ ganha força na sociedade, mas ainda é vítima de muito preconceito, especialmente no ambiente corporativo. Mas já há bons exemplos a ser seguidos.

A crise do coronavírus aqueceu o debate em torno das pautas ligadas ao grupo LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Intersexuais e outros). Segundo levantamento da empresa de pesquisa Kantar, apenas em mensagens publicadas no Twitter nos cinco primeiros meses deste ano, houve um aumento de 100% em relação ao mesmo período de 2019, saltando de 2 milhões para 4 milhões de posts. Vale ressaltar, ainda, que outros temas relevantes à sociedade também são tratados com destaque nesses grupos. “Este ano, notamos a vontade do movimento LGBTI+ de se unir e reforçar as pautas das lutas das mulheres e da população negra”, observa Elder Munhoz, diretor de Operações da Divisão Insights da Kantar. “A pandemia também reforçou o apoio a marcas que são responsáveis, que olham além das vendas para atender melhor às comunidades internas e externas por meio de comportamentos positivos”, declara Munhoz.

As causas LGBTI+ ainda sofrem preconceito de grande parte da sociedade, mas já são bem mais aceitas do que num passado recente. O desafio, agora, é levar as empresas a incentivar e fomentar políticas de diversidade e inclusão no Brasil.

Especialmente, diante de uma taxa de desemprego de 12,6% no último trimestre, segundo o IBGE, e do fechamento de quase 5 milhões de postos de trabalho. Com o Dia do Orgulho LGBTI+ celebrado no domingo 28, o debate torna-se ainda mais oportuno. Na opinião de Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos, a pandemia deu maior visibilidade à desigualdade no País. “Pessoas vulneráveis são as que mais estão sofrendo durante a crise econômica, social e política que vivemos”, diz Magri. Ele acredita que a sociedade brasileira vai sair desse processo com uma dívida ainda maior do que a que já existe em relação à população negra, das mulheres e do grupo LGBTI+.

“Se a crise leva as empresas a fazer cortes, isso, somado ao racismo e ao preconceito, as tornará mais masculinas e brancas, salvo as que já adotam políticas afirmativas.”

Um estudo realizado pelo Instituto Ethos, analisando o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil, traz dados interessantes. A pesquisa aponta que a sub-representação e as dificuldades de ascensão na carreira são alguns dos principais problemas enfrentados por grupos como afrodescendentes, mulheres, pessoas com deficiência e o público LGBTI+. “Já houve avanços de inclusão de mulheres e negros, mas com predominância em cargos mais baixos”, diz Magri. Publicado em 2016, o estudo indicou que só havia um conselheiro afrodescendente entre as 500 companhias pesquisadas, enquanto a população brasileira é composta por 54% de negros. “A diversidade da população não se expressa nas empresas”.

CEO da Consultoria de Sustentabilidade e Diversidade Gestão Kairós, Liliane Rocha destaca que as companhias evoluíram muito na comunicação sobre o tema, mostrando seu posicionamento, fazendo palestras e envolvendo as comunidades. Entretanto, ainda têm muito a avançar em seus programas de diversidade. “É necessário construir metas e indicadores a curto, médio e longo prazos para a contratação, retenção e promoção dessas pessoas. Há muitas empresas bem posicionadas e com boas práticas, mas que não apresentam crescimento nos números de mulheres, negros e LGBTI+”, diz. Segundo ela, para que este crescimento ocorra, é necessário fazer censos demográficos internos, criar e escutar os canais de denúncia e colocar metas e indicadores para estabelecer uma curva ascendente. “Esse trabalho não pode parar”.

DIVERSIDADE E INCLUSÃO

Embora as previsões para o período pós-pandemia não sejam animadoras, algumas companhias têm se esforçado para colocar em prática a política de inclusão. Uma delas é a Sodexo, que atua na área de serviços de qualidade de vida e montou uma estratégia que engloba cinco áreas: Gênero, Cultura e Origens, Pessoas com Deficiência, Orientação Sexual e Identidade de Gênero e Gerações. Presidente da empresa no Brasil, Andreia Dutra afirma que diversidade e inclusão fazem parte do negócio e que isso influencia no crescimento sustentável. “Equipes diversas são mais engajadas, inovadoras, criativas e têm melhor desempenho”, declara. “Trabalhamos para criar uma cultura que englobe as diferenças e celebre ideias, perspectivas e experiências únicas em tudo o que fazemos.” Segundo ela, esses movimentos ajudam a criar uma cultura inclusiva dentro e fora da empresa para que, no futuro, não sejam necessárias políticas afirmativas para garantir a inclusão e a diversidade no mercado de trabalho.

Na Gerdau, o presidente, Gustavo Werneck, declara-se apaixonado pelo tema diversidade. “O Brasil é muito atrasada e preconceituosa”, afirma. Para ajudar a romper as barreiras em relação ao assunto, ele participa de reuniões com outros executivos, para abordar a questão dentro do programa CEO’s Legacy, da Fundação Dom Cabral, iniciativa que reúne executivos orientados para a construção de legados relevantes e sustentáveis. “Queremos influenciar companhias a criar planos de inclusão. O ideal é que fornecedores e clientes também avancem neste tema”, diz Werneck.

Ele considera que o setor de serviços tem evoluído no assunto. Já o segmento industrial, mais conservador e machista, ainda está muito aquém. “Qualquer empresa que disser que tem dificuldades para evoluir com a questão da diversidade está buscando desculpas para não avançar”. A Cisco é outra companhia que trata do assunto com a importância que ele merece. “Temos trabalhado muito o ambiente, o respeito e a inclusão”, diz o presidente, Laércio Albuquerque. Segundo ele, globalmente, 62% dos executivos da empresa fazem parte de grupos que se enquadram nas políticas de diversidade. “Quando se cria um ambiente genuíno de inclusão dentro da empresa, todos os funcionários ficam felizes e o ambiente de respeito aflora.” Esse conceito é ótimo e parece evidente. Só precisa ser adotado por mais empresas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SÍNDROME DO PÂNICO – XI

PROMOVA O SEU BEM-ESTAR

Saiba como algumas estratégias rotineiras e mudanças alimentares podem ajudar você a vencer o pânico

Uma das características da síndrome do pânico é a forma repentina como se apresenta, causando sofrimento e desespero, muitas vezes, pelo fato de a pessoa não saber o que fazer. Assim, é importante que o paciente colabore com si mesmo com a tomada de atitudes benéficas para o tratamento.

Sem contar que, se todos os alimentos que consumimos causam algum impacto (tanto positivo quanto negativo) em nosso organismo e no dia a dia, isso vale também para o transtorne do pânico. Afinal, uma alimentação equilibrada é importante em diversos aspectos de nosso bem-estar, o que também se aplica à saúde mental.

Sendo assim, a seguir, você encontra algumas dicas das psicólogas Milena Carbonari e Jaqueline Muros que podem ser úteis nos momentos de crise e para o dia a dia do paciente, além de alimentos para incluir ou eliminar da dieta.

5 DICAS PARA AMENIZAR OS PICOS DE PÂNICO

PROCURE ENTRAR EM CONTATO CONSIGO MESMO

Quando um pensamento ansioso ficar muito intenso, causando a impressão de “vou morrer”, é importante respirar fundo e se lembrar de direcionar suas emoções e pensamentos. “Muitas vezes, estamos fora de nós mesmos quando alguns pensamentos negativos nos invadem.

Aprenda, com treino e, sobretudo, com paciência, a tomar as rédeas de si e direcionar a mente para onde, quando e o que desejar”, lembra Milena.

O AUTOCUIDADO É IMPORTANTE

Cuide-se! Não se esqueça de que é preciso atender às suas necessidades de lazer e descanso. “Fazer passeios simples ou grandes viagens, passar um tempo com pessoas que lhe fazem bem ou assistir a um bom filme são necessidades básicas que muitas vezes negligenciamos”, aponta Milena.

RITUAL PARA DORMIR

Preserve um ritual para esse momento. A televisão ligada durante toda a noite é um dos fatores que, geralmente, afeta o sono. Além disso, nesse período do dia, é indicado que as refeições sejam mais leves para que se tenha uma noite tranquila.

EXERCITAR-SE FAZ BEM

Insira práticas físicas adequadas ao seu dia a dia e consulte um médico para indicar os tipos ideais para suas necessidades. “Atividades físicas podem ajudar no reequilíbrio dos hormônios que provocam relaxamento e bem-estar”, comenta Milena.

A ROTINA PODE COLABORAR

Ter horários delimitados para determinadas atividades é importante tanto para o cotidiano quanto para as noites de sono. “Crie uma rotina de tarefas durante o dia e evite cochilos fora de hora”, lembra Jaqueline.

COLOQUE NO PRATO

CHOCOLATE

Aqui vale uma ressalva: os tipos mais recomendados são aqueles com 70% de teor de cacau ou mais. Isso porque estão presentes em maior quantidade substâncias importantes, como a tirosina (que estimula a produção de serotonina), além de minerais importantes como cobre, manganês e magnésio.

BRÓCOLIS

Esse vegetal é rico em ácido fálico, essencial para a liberação da serotonina.

ESPINAFRE E FOLHAS VERDE-ESCURAS

Aposte nos vegetais folhosos com essa cor. Eles possuem quantidades generosas de magnésio, nutriente que atua na produção de energia. Além disso, apresentam potássio e vitaminas A, C e do complexo B, que ajudam a manter o sistema nervoso tranquilo.

ALFACE

É uma importante aliada para controlar crises de ansiedade e pânico por conter lactucina, substância com propriedades calmantes.

FRUTAS OLEAGINOSAS

Nozes, castanhas, amêndoas e, principalmente, a castanha-do-pará são ricas em selênio, um antioxidante que auxilia na diminuição do estresse.

LARANJA, MARACUJÁ E JABUTICABA

Frutas ricas em vitamina C ajudam a prevenir o cansaço, combatem o estresse e dão aquele reforço no sistema imunológico. A jabuticaba também é rica em vitaminas do complexo B.

PEIXES E FRUTOS DO MAR

Algumas espécies de peixe, como salmão, sardinha, arenque e atum, além de camarões e lagostas, frutos do mar bastante consumidos, são ricos em ômega-3, um ácido graxo com diversos benefícios para o organismo.

PIMENTA

A capsaicina é a substância presente na pimenta que gera a sensação de ardência tão característica. Ela também faz com que o nosso cérebro produza mais endorfina, o neurotransmissor responsável pela sensação de euforia. As mais recomendadas, nesse caso, são a pimenta-de-cheiro, a vermelha e a malagueta.

EVITE CONSUMIR

CAFÉ

A cafeína presente no café (e também em bebidas como refrigerantes de cola e chás) excita os mecanismos do organismo, já que a substância age diretamente no sistema nervoso. Isso pode provocar uma descarga de hormônios do estresse, além de intensificar os sintomas de nervosismo e agitação. “O ideal é reduzir o consumo a uma xícara de café por dia e evitar outros alimentos que contenham a substância”, recomenda Fernanda Martins.

AÇÚCAR

Quando uma pessoa consome um alimento cheio de açúcar, ela “pode se sentir inicialmente eufórica, mas depois perceber um rápido choque e uma redução profunda em seu nível de energia, podendo levar à tontura e à dor de cabeça”, reforça Fernanda Marques.

ÁLCOOL

“Assim como o açúcar, o álcool é rapidamente absorvido pelo organismo e, da mesma forma, aumenta os sintomas de hipoglicemia após seu consumo”, explica Fernanda. Por isso, é importante consumi-lo com moderação, já que seu excesso pode aumentar a ansiedade e as oscilações de humor.