EU ACHO …

NA PONTA DA LÍNGUA

Por que sofremos lapsos de memória – e como evitá-los

Você cruza com um conhecido de longa data e, depois do saquinho ou da cotovelada protocolar destes tempos, a etiqueta manda apresentá-lo ao seu acompanhante. Só tem um problema: o nome dele, tão familiar, de repente lhe fugiu da cabeça. Nessas horas precisamos contar com o traquejo social do outro, que, ao perceber o constrangimento, se antecipa e diz o próprio nome.

Quantas vezes passamos por situações assim! Às vezes o que nos escapa é o nome de algo corriqueiro. A palavra exata brinca de esconde-esconde, e só aparece, num estalo da memória, quando, passado o momento de necessidade, deixamos de tentar procurá-la.

Costumamos dizer que o nome arredio estava na “ponta da língua! O inglês tem a mesma expressão: tip of the tongue. Como o inglês é mais influente do que o português, a sigla que se refere a esse tipo de lapso de memória não é PL, mas TOT. Pesquisadores ao redor do mundo têm se debruçado sobre o fenômeno, tentando compreender suas causas e descobrir meios de evitá-lo.

De acordo com o estereótipo, conforme envelhecemos passamos a esquecer com mais facilidade. Os especialistas, no entanto, mostram que não é bem assim. Embora a idade contribua, de fato, para o aumento dos episódios de esquecimento, estudos na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, mostram que isso tem mais a ver com conhecimento acumulado do que com faixa etária.

Alguém com repertório extenso – que conhece mais pessoas, assistiu a mais filmes, leu mais livros, ouviu mais músicas – terá naturalmente mais dificuldade para lembrar de vez em quando de uma ou outra coisa que absorveu ao longo do tempo. Afinal, seu arquivo mental é maior. Além disso, pessoas com mais idade costumam ter muita informação na chamada memória de longo prazo, que nem sempre é prontamente acessível. Mas o que é mais importante recordar: um momento marcante do passado, uma lição valiosa que a vida nos ensinou, ou um simples nome? E, cá entre nós, nem tudo vale a pena ser lembrado. Tem coisas que merecem ser esquecidas: aquele presentinho de gosto duvidoso no Natal, a relação que não deixou saudade, a série que não engrenou. Aquilo que esquecemos também ajuda a formar quem somos. Essa, aliás, é uma lição especialmente valiosa neste ano estranho de 2020, cheio de momentos que preferiríamos não lembrar.

Mesmo assim, ninguém gosta de ficar com uma expressão na ponta da língua. É possível diminuir a frequência desse tipo de situação? De acordo com os especialistas, sim. O segredo é praticar mais atividades físicas. Um estudo publicado na prestigiosa revista britânica Nature constatou que os adultos, sobretudo os mais velhos, passam por menos episódios TOT quando fazem exercícios aeróbicos – aqueles que elevam os batimentos cardíacos e oxigenam a musculatura, como corrida, natação ou ciclismo.

Por isso, na próxima vez em que ficar com uma palavra na ponta da língua, não se irrite. Dê uma volta no quarteirão, passeie de bicicleta, corra na esteira, o que preferir. Relaxado, imerso em seus pensamentos, você pode até acabar encontrando a palavra que tanto queria.

*** LUCÍLIA DINIZ

OUTROS OLHARES

AS NOVAS MISSÕES DOS DRONES

Os equipamentos voadores ampliam sua atuação e se consolidam como um novo sistema de transporte essencial para negócios, governos e até a preservação do meio ambiente

A evolução tecnológica das naves não tripuladas leva aos céus, cada vez mais, cenários que parecem tirados de filmes de ficção científica. Criadas como objeto de diversão, os drones passaram a executar novas missões, bem mais amplas e estratégicas. Sempre que uma visão aérea ou um voo rápido são necessários, essas máquinas incríveis são acionadas: da vigilância de florestas à fiscalização das eleições, passando pelo transporte de órgãos humanos para transplantes ou objetivos militares, a atuação dos drones apresenta possibilidades quase infinitas.

No Brasil, o setor de logística está em fase de testes para que, em breve, ocorra o transporte de pequenos objetos e alimentos. Empresas de entregas e grandes lojas de departamentos esperam ansiosas pela agilidade do serviço e baixo custo da operação. O piloto de avião e instrutor de voo de drones, Wagner Delbaje, explica que as viagens em naves não tripuladas são muito seguras. “A grande questão é a responsabilidade no monitoramento. É muito fácil pilotar um drone”, afirma Delbaje. Segundo o piloto, há modelos customizados para tarefas específicas e complexas, mas é possível comprar equipamentos profissionais também para uso recreativo, como fotografias e filmagens, por cerca de R$ 10 mil.

O meio ambiente é um dos beneficiados imediatos com as inovações. Cientistas da USP, em parceria com a Universidade da Pensilvânia, desenvolveram um modelo autônomo que é capaz de desviar das árvores e mapear 400 mil metros quadrados em apenas 30 minutos. A Fundação Nacional do Índio (Funai) também utiliza os recursos das naves não tripuladas para sobrevoar áreas remotas e identificar populações isoladas. Foi assim que, em 2018, divulgou imagens de uma tribo no Vale do Javari, próximo ao Peru. A organização governamental WWF-Brasil, que tem como foco a defesa ambiental, investiu cerca de R$ 300 mil na compra de novos aparelhos. As naves foram doadas para entidades ligadas aos índios e têm como objetivo monitorar ameaças de fogo e desmatamento na Amazônia. Os próprios índios manuseiam os equipamentos.

Drones já são usados na agricultura há um bom tempo. A novidade é que hoje eles estão cada vez mais poderosos. São capazes de mapear as pragas e aplicar defensivos agrícolas especificamente nas áreas afetadas. A gerente comercial da XMobots, empresa especializada em equipamentos para o setor, Thatiana Miloso, conta que o investimento inicial para aparelhos adaptados para a agricultura é de cerca de R$ 70 mil. O retorno, segundo ela, é imediato. “O drone vingou no agronegócio porque consegue resultados altamente precisos. A câmera vê a planta de uma forma diferente, com infravermelho próprio, e tem a capacidade de separar o que está saudável. A eficiência e rapidez trazem grandes vantagens para o produtor”, diz Thatiana.

PRISÃO NAS ELEIÇÕES

As eleições municipais também contaram com o auxílio desses vigilantes voadores. “A melhor forma de se prevenir é ser transparente com a sociedade. Hoje temos instrumentos tecnológicos que permitem a detecção de propaganda irregular”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça. Nas diligências executadas pela Polícia Federal, foram “operados 100 equipamentos”, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Um candidato a vereador foi preso em São Vicente, depois de ser flagrado pela câmera de um drone fazendo boca de urna.

Os americanos já usam a tecnologia dos drones em conflitos militares. Segundo a ONG inglesa Bureau of Investigative Journalism, o governo dos EUA promoveram, desde 2001, ao menos 13.654 ataques ao Iêmen, Afeganistão, Somália e Paquistão. A precisão dos drones é mortal e não expõe os soldados a reações inimigas.

A agilidade dos drones também é um importante instrumento de logística para a área da saúde. Em Nevada (EUA), a empresa de logística MissionGO bateu recorde ao transportar órgãos por 16,5 km em apenas 25 minutos. Em Ruanda, a companhia Zipline integra o sistema de saúde local com transporte de suprimentos médicos por drone. Os equipamentos utilizados também são capazes de monitorar a temperatura dos órgãos e diminui o número de pessoas envolvidas na operação. A multifuncionalidade das naves sugere uma revolução no transporte, com mais segurança e agilidade. As novas missões têm em comum um ganho de eficácia e diminuição de custos — o segredo do sucesso.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 18 DE DEZEMBRO

A ESCOLHA ENTRE A VIDA E A MORTE

Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal (Deuteronômio 30.15).

A vida é feita de escolhas. Somos escravos da nossa liberdade. Não podemos deixar de decidir. Até a indecisão é uma decisão, a decisão de não decidir. Quem não é por Cristo, é contra Cristo. Quem com ele não ajunta, espalha. Moisés, o grande libertador de Israel, fez no final de sua vida um desafio solene ao povo, no limiar da terra prometida: Os céus e a terra tomo hoje, por testemunhas, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (v. 19). A vida é feita de escolhas. Não podemos ficar neutros nem em cima do muro. Somos escravos da nossa liberdade. A própria indecisão é uma decisão, a decisão de não decidir. Quem não se decide pela vida decide-se pela morte. Estamos nessa encruzilhada. Colocaremos nossos pés no caminho da vida e da bênção, ou no atalho da morte e da maldição. Andaremos pelo caminho largo que conduz à perdição, ou pelo caminho estreito que conduz à vida. Entraremos pela porta larga da condenação, ou pela porta estreita da absolvição. Qual é a sua escolha? Qual é a sua decisão? Hoje é o dia da decisão. Agora é o tempo oportuno. A vida e a morte estão diante de você. Escolha a vida, para que você e sua descendência possam viver uma vida plena, abundante e eterna.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 17 DE DEZEMBRO

A ESPOSA DO CORDEIRO

… Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro (Apocalipse 21.9b).

O apóstolo João é chamado para ter duas visões: a queda da grande meretriz, que se embriagou com o sangue dos mártires; e a glória da noiva, a esposa amada do Cordeiro de Deus. A igreja glorificada é apresentada como a noiva de Cristo. Quando João contempla a noiva, vê nela a glória de Deus. Todo o esplendor dos atributos de Deus enfeitava a noiva. Ela era gloriosa. A igreja é a escrava resgatada. Estava cativa e foi liberta. Cristo amou a igreja e se entregou por ela. Cristo santificou a igreja e a purificou por meio da lavagem de água pela palavra. Cristo adornou a igreja para apresentá-la a si mesmo gloriosa, sem mácula, nem ruga, santa e sem defeito. Cristo alimenta a igreja e dela cuida. Seu amor pela igreja é perseverante, sacrificial e santificador. Como o noivo se alegra da noiva, assim Cristo se alegra da sua igreja. A igreja, a noiva do Cordeiro, está sendo preparada, ataviada e santificada para o grande encontro com o seu noivo. Aquele será o dia glorioso, em que Jesus virá com grande poder e glória para buscar sua noiva. Os remidos serão recolhidos dos quatro cantos da terra. A igreja entrará para o banquete da salvação. Então, celebrar-se-ão as bodas do Cordeiro numa festa que nunca terminará. Essa festa será no melhor lugar, com as melhores companhias, a melhor música e as melhores iguarias. Será uma festa preparada para pessoas preparadas. Só entrarão nessa festa nupcial aqueles cujas vestiduras foram lavadas no sangue do Cordeiro!

GESTÃO E CARREIRA

O LADO B DA GIG ECONOMY

A precarização das condições de trabalho dos profissionais de aplicativos e a concorrência desleal que derruba alguns microempreendedores trazem à tona a necessidade de regulamentar a economia dos bicos

No mundo do jazz, o termo “gig” significa apresentação musical única. Nos últimos anos, esse vocábulo saiu dos palcos para ganhar o mercado e definir um estilo de trabalho que está se tornando típico nos nossos tempos: a economia dos bicos, ou gig economy, em inglês. Esse modelo de trabalho se caracteriza por um arranjo alternativo de emprego, seja pontual, seja temporário, e pela falta de vínculo com um empregador único. Tal modalidade não é nova, mas vem sendo alavancada devido às flexibilizações das leis trabalhistas e,principalmente, aos avanços tecnológicos que possibilitam a criação de plataformas que conectam trabalhadores autônomos a empresas ou pessoas que necessitam de sua expertise ou serviço.

Por um lado, essa dinâmica acomoda uma mão de obra que estava desempregada, ou serve como complemento de renda. Por outro, ela causa impactos negativos, como a precarização das relações de trabalho e o monopólio de mercados. Por isso, começa a haver uma discussão sobre a regulamentação da modalidade.

O MAIOR EMPREGADOR DO BRASIL

No ano passado, segundo levantamento feito pela consultoria McKinsey, a gig economy já representava um terço da força de trabalho dos Estados Unidos e, neste ano, deve chegar a 43% dos trabalhadores. No Brasil, em 2019, impulsionado pelos altos índices de desemprego, o trabalho informal avançou para 41% da população ocupada, um nível recorder de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o instituto, 17% dos 3,8 milhões de trabalhadores na informalidade atuam nas plataformas digitais, como Uber, iFood e Rappi. Essas empresas são, juntas, a maior “empregadora” do país, acomodando 4 milhões de autônomos.

Tornando o exemplo mais explícito: se reuníssemos quem atua nessas plataformas em uma única folha de pagamentos, ela seria 35 vezes mais longa do que a dos Correios – a maior empresa do país, com 109.000 funcionários. “No contexto de estagnação econômica, o mercado informal cresce porque um trabalhador formal custa caro. As empresas querem continuar produzindo, mas sem os encargos da mão de obra. Por isso, abrem oportunidades informais por projeto ou por tempo parcial”, afirma Juliana Inhasz, coordenadora da graduação em economia do lnsper. “Para aqueles que não têm uma profissão ou qualificação e estão desempregados, as plataformas se tornam uma oportunidade.”

De forma geral, é possível dividir o grupo de profissionais dessa categoria em dois. O primeiro é composto de pessoas com formação e que querem atuar em sua área como freelancer, numa tentativa de trabalhar com mais flexibilidade. No segundo grupo estão as pessoas que não encontram opções de emprego e têm na economia dos bicos a principal ocupação e fonte de renda. Mas o modelo tem uma característica central para todos os tipos de profissionais: as empresas não se responsabilizam nem pelo serviço, nem pelo trabalhador; funcionam apenas como intermediárias, deixando as pessoas desamparadas.

FIM DO ROMANCE

A falta de amarras da gestão tradicional já foi vista como algo muito positivo nessa nova economia. Mas agora isso está sendo apontado como uma das grandes fragilidades do sistema, pois tem deixado os trabalhadores mais inseguros. Quem trabalha na gig economy tem mais preocupações com instabilidade financeira, escassez de trabalho, falta de seguro de saúde e imprevisibilidade de agenda, o que pode resultar em prejuízos na vida social e familiar. “As pessoas romantizam. Você tem um emprego? Tem, mas de baixa qualidade, sem FGTS, INSS nem os demais direitos trabalhistas”, diz Bruna de Sá Araújo, advogada especialista em direito do trabalho e membro do Instituto de Estudos Avançados em Direito (lead). “Isso é muito ruim no longo prazo, pois como esse trabalhador vai se aposentar? Como ele fica se acontece um acidente que o impossibilite de trabalhar?”

Fica sem renda e sem seguro. A Justiça brasileira entende que não há vínculo empregatício entre os trabalhadores das plataformas digitais e as empresas que administram as ferramentas. A fragilidade do modelo de trabalho ficou bastante evidente quando, em 2019, um entregador da Rappi faleceu durante uma entrega e a empresa (que havia sido procurada enquanto o trabalhador passava mal) se isentou de qualquer responsabilidade. Após ser acionada pelo Procon, a Rappi reiterou que não se sentia responsável porque não há relação de subordinação com os entregadores. A plataforma afirmou que não contrata os entregadores, pelo contrário: são eles que contratam a ferramenta para alavancar seus negócios. O Superior Tribunal de Justiça também criou uma jurisprudência ao dar ganho de causa à Uber em uma disputa entre um trabalhador e a empresa levada à Justiça de Minas Gerais. Portanto, ficou definido que motoristas de Uber não têm vínculo trabalhista com a empresa.

MAIS FRAGILIDADE NAS CRISES

Em momentos como o atual, em que o novo coronavírus colocou as pessoas em quarentena impedidas de sair de casa, alguns informais (como os motoristas de aplicativo) veem sua renda diminuir brutalmente. E esse é mais um ponto de atenção da gig cconomy. “Na Justiça do Trabalho existe a premissa da irredutibilidade do salário, mas, no caso do motorista ou entregador autônomo, por exemplo, que fica por qualquer motivo impedido de trabalhar, ele recebe menos ou nada, e sem nenhum resguardo”, afirma Bruna de Sá Araújo.

A brasileira líder em entrega de comida iFood, avaliada em 1 bilhão de dólares, que recebeu em 2018 a maior rodada de investimentos da história em toda a América Latina (cerca de 2 bilhões de reais), com operações também no México e na Colômbia, e que faz 18 milhões de entregas por mês, assumiu certa responsabilidade durante a pandemia. A empresa criou um fundo solidário no valor de 1 milhão de reais para dar apoio àqueles que contraírem a covid-19 e necessitarem permanecer em casa sem trabalhar.

Além de ficar à mercê do mercado, outro ponto que pode ser problemático é o excesso de trabalho. “A ausência de subordinação permite que você faça seu próprio horário; no entanto, você ganha proporcionalmente ao que produz. Então, quanto mais trabalha, mais ganha. E, para ter uma renda decente, esses profissionais têm de manter longas jornadas”, diz a advogada Bruna. A Uber, inclusive, já olhou para essa questão. Como muitos de seus motoristas trabalhavam mais de 12 horas por dia, colocando a si mesmos e aos passageiros em risco, a empresa passou a limitar o tempo que o trabalhador fica online. Ao atingir 12 horas, a ferramenta desconecta o motorista, que fica impossibilitado de pegar mais clientes.

OS QUALIFICADOS TAMBÉM SENTEM

Os profissionais com nível superior e que escolheram atuar como freelancer por causa da flexibilidade ou da possibilidade de tirar um sonho do papel também têm suas críticas. É o caso da publicitária Bruna Cosenza, de 26 anos, que escolheu se tornar autônoma depois de algumas passagens por grandes agências, como Thompson e DM9. “Eu queria encontrar um propósito em meu trabalho e também percebi que um modelo com horário mais flexível me faria mais feliz”, diz. Preparando-se para pedir demissão, ela se inscreveu em algumas plataformas de freelance e seguiu com as duas atuações. Quando sua renda como autônoma alcançou a formal, ela fez a transição. “Nesse meio tempo, conversei com mentores e ex-chefes e fiz cursos de escrita criativa e SEO. Montei um portfólio em um site bacana e passei a trabalhar minha imagem no LinkedIn, postando bastante conteúdo”, explica.

Foram seis meses de preparação e o retorno veio: Bruna tornou-se Top Voice no LinkedIn caracterizando-se como influenciadora em sua área.No início, sentiu que a produção de conteúdo não estava sendo bem remunerada. “Nessas ferramentas, quem consegue o trabalho é o profissional que oferece o menor valor”, diz Bruna. Outro ponto negativo, para ela, é a prospecção de clientes, já que a maioria dos trabalhadores autônomos tem de sair em busca de novos contratos, sendo, ao mesmo tempo, quem vende, produz e cobra – os pagamentos, aliás, às vezes demoram demais, por se tratar de um trabalho freelancer. Embora já consolidada, Bruna está sentindo o baque da crise da covid-19: um de seus clientes fixos cancelou o serviço, e a renda dela caiu 40%. “Por outro lado, estou lançando meu segundo livro, que só tirei do papel graças à flexibilidade. E também criei cursos online para novos escritores, o que mantém a minha renda”, diz Bruna, que já é autora do livro Lola & Benjamin

E A CONCORRÊNCIA?

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasei) expõe uma preocupação importante em relação às plataformas de entrega de alimentos: a diminuição drástica, chegando a zerar em alguns casos, da margem de lucro dos pequenos restaurantes parceiros. Além disso, o investimento em dark kitchens, ou cozinhas fantasmas (restaurantes criados apenas para vender delivery por meio de aplicativos), sem exigir licenças específicas, causa uma concorrência desleal que pode, no limite, provocar a falência de pequenos negócios.

Quem sentiu um pouco desses problemas foi Ana Carolina de Oliveira, de 46 anos, proprietária do Marilyn Restaurante, localizado em uma região com muitas empresas no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Ex-consultora de pequenos e médios empreendimentos, ela focou seu negócio na venda de refeições executivas saudáveis feitas na hora. Desde a abertura de seu comércio, firmou parceria com o iFood, mas isso não foi vantajoso para ela. “A empresa cobra uma taxa de 27% sobre o valor da venda para utilizar o entregador deles. Isso consome toda a nossa margem, mas entendi que seria um custo de divulgação e fomos testar o processo”, afirma.

Mas a experiência não foi boa. Segundo Ana Carolina, a empresa mobiliza os entregadores para a região com maior demanda e reduz a área de delivery do restaurante onde há menos entregadores disponíveis. “Muitas vezes, a ferramenta limitava meu alcance de entrega a menos de 3 quilômetros. Outras vezes, quando não havia nenhum entregador, eu era bloqueada sem saber, como se meu restaurante estivesse fechado”, lembra. Já aconteceu também de entregadores ficarem com a comida e não entregarem. “Nem nós, nem o iFood temos controle sobre a qualidade dos profissionais”, afirma Ana Carolina. “Além disso, os restaurantes que entram nas superpromoções que o aplicativo sugere não estão ganhando dinheiro e não conseguem sobreviver por muito tempo.” Como alternativa ao modelo, a empresária já propôs pagar 9 reais para profissionais que fazem entregas de bicicleta, os bikers, que ganham em média 3 reais por serviço nos aplicativos, mas eles não toparam. “Os brasileiros não são ensinados a empreender. Esses trabalhadores têm a falsa sensação de que precisam de alguém para intermediá-los e fazer com que ganhem dinheiro. É isso que essas pessoas veem nessas ferramentas”, diz Ana Carolina. Em um ano, foram vendidas apenas 12 refeições do Marilyn via iFood, e a empreendedora decidiu sair da plataforma.

REGULAÇÃO DO SETOR

Está em tramitação na Assembleia Legislativa da Califórnia, nos Estados Unidos, urna lei que obriga as empresas de aplicativo Uber e Lyft a contratar seus motoristas como empregados. Se aprovada, a lei passará a valer naquele estado para todas as companhias que fazem parte da economia dos bicos. Com a contratação, os motoristas terão benefícios como seguro-desemprego, plano de saúde, salário mínimo, licença-maternidade e paternidade e pagamento de hora extra.

“Infelizmente, aqui no Brasil a jurisprudência aponta para a ausência de vínculo entre essas empresas e seus trabalhadores, e eu acredito que essa regulamentação, embora necessária, esteja longe de acontecer”, diz a advogada Bruna de Sá Araújo. “Eu usaria a Constituição Federal como parâmetro, estabelecendo limite de jornada, patamar mínimo salarial e resguardo do empregado em caso de acidente ou doença. Precisamos pensar em uma forma de esse empregado começar a contribuir com a Previdência.”

Para as especialistas, é papel dos governos proteger esses trabalhadores. “Em mercados que começam a crescer e a gerar distorções nas relações de trabalho, o Estado tem de entrar para garantir melhores condições aos profissionais, longe da exploração, só que sem deixar a flexibilidade se perder”, diz Juliana, do lnsper. Essa equação não é simples de resolver.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SÍNDROME DO PÂNICO – VIII

REDES QUE SALVAM

Amigos e familiares também são uma importante ferramenta na luta contra a síndrome do pânico. Saiba como eles podem ajudar

Conviver com transtornos de ansiedade é extremamente cansativo emocionalmente. As crises de pânico trazem consigo intensas explosões de sentimentos ruins que tomam a mente em momentos delicados – reuniões de trabalho que parecem verdadeiros turbilhões de medo, encontros amorosos repletos de anseio, horas de convívio que se tornam verdadeiros prolongamentos de angústia e solidão. Todos esses quadros podem desenvolver a agorafobia (medo da crise) e, com isso, a pessoa acaba se fechando às vivências, deixa de sair de casa e levar uma vida saudável com medo da próxima crise. Esse isolamento aliado ao estresse emocional causado pelos sentimentos produzidos pela crise faz os amigos e familiares se afastarem e, assim, o transtorno tende a se agravar.

RECONSTRUINDO A SEGURANÇA

Em meio a essa situação de fragilidade e insegurança, é importante manter o convívio social para que os laços emocionais estejam saudáveis. Dessa forma, a pessoa poderá progredir no tratamento e na convivência com o transtorno. Como forma de ajudar quem tem síndrome do pânico a se reconectar com o sentimento de pertencimento, com as pessoas próximas e todas as formas de convívio social, além de fornecer ferramentas de autoconhecimento importantes para identificar medos e gatilhos emocionais, existem os grupos de apoio. É dessa forma que será possível compartilhar suas experiências, trocar conhecimentos e criar uma rede de ajuda mútua.

A participação dos amigos e familiares também é muito importante para a pessoa em crise. Os laços afetivos da família, se forem saudáveis, podem fornecer elementos importantes para reestabelecer a segurança de quem possui a síndrome, como o respeito, o acolhimento e a escuta. Além disso, o apoio das pessoas próximas é de grande ajuda para que quem que enfrenta o transtorno possa ter motivações para buscar ajuda de psicólogos e se manter no tratamento.

A rotina de interação social saudável contribui para a autoestima e possibilita os primeiros passos para sair do isolamento, recobrar o cotidiano e inserir atividades prazerosas no dia a dia – são ações que contribuem para o tratamento. O psicólogo Roberto Debski comenta os benefícios de compartilhar os problemas enfrentados: “Toda rede de suporte social é importante quando nos encontramos doentes ou com problemas. Sozinhos, o peso é muito grande, porém quando dividimos com aqueles que amamos, o fardo se torna suportável e mais fácil de superar”.

SEJA UM BOM AMIGO

Ainda é muito comum que transtornos psicológicos sejam menosprezados no meio social. Não é raro que portadores desses distúrbios ouçam comentários como “isso é coisa da sua cabeça”, “é só frescura” ou “isso é normal, todo mundo sente medo, é só você se esforçar”. Esse tipo de agressão diminui a autoestima de quem apresenta a síndrome e contribui para o agravamento da situação de crise. Sempre que tiver que lidar com pessoas que enfrentam a síndrome do pânico ou demais transtornos, é importante ter em mente que também podemos contribuir para a melhora desse indivíduo com respeito ao sofrimento. Afinal são distúrbios sérios que superam sentimento de medo ou angústia comuns e exigem tratamento. Se você é uma pessoa com síndrome do pânico, procure estar perto de quem entende sua situação e que te respeite. Mantenha bons laços afetivos para que você possa se sentir seguro (a) para progredir no tratamento.

AJUDA EM GRUPO

Se você sente que precisa de um auxílio com seu tratamento e gostaria de ter com quem compartilhar sua vivência ou conhece alguém nessa situação, os grupos de apoio são uma opção de ajuda. Na internet, é possível encontrar grupos em sites e redes sociais. Dentre eles, o Grupo Apoiar tem um portal com mapas de localidades dos diversos grupos espalhados pelo Brasil. Confira em: www.apoiar.org.br/grupospelobrasil.asp