EU ACHO …

AS LIÇÕES DA PANDEMIA

Se há algo de positivo a ser extraído da maior tragédia sanitária dos últimos 100 anos, é a certeza de que é no meio do furacão que se escancaram também as oportunidades de correções imediatas

Os sistemas de saúde do mundo nunca foram testados ao limite como agora, durante a pandemia de Covid-19. Se há algo de positivo, porém, a ser extraído da maior tragédia sanitária do último século, é a crença de que, conforme ensina a história, é justamente no meio do furacão que se escancaram as fragilidades e as possibilidades de correções. Dez meses após a chegada do novo coronavírus ao Brasil, estão evidentes os gargalos e as saídas para que o país aprimore as estruturas de assistência médica de forma a oferecer a seus cidadãos saúde de melhor qualidade. Não que eles fossem desconhecidos – muito longe disso -, mas a urgência por soluções diante da catástrofe atual funcionou como um holofote que jogou luz sobre os obstáculos que impedem ou prejudicam o atendimento.

Meu temor é o de que, apesar da maior visibilidade dos problemas e do discurso de mudanças repetido especialmente nos momentos mais agudos da pandemia, o Brasil esteja perdendo a janela de oportunidade de promover efetivamente as transformações necessárias para uma organização de saúde mais eficiente, segura e financeiramente sustentável. E as portas que foram abertas se fecharão se não tivermos voz ativa, se não promovermos um chamamento constante.

Os sinais de que as aberturas para as mudanças necessárias trazidas à tona pela Covid-19 podem estar se fechando vêm de lados distintos. Ninguém pode discordar da relevância do SUS para a população brasileira, tampouco negar o papel fundamental que o sistema desempenha durante a pandemia. Sete em cada dez brasileiros têm no SUS a única possibilidade de atendimento à doença e a todas as outras enfermidades que podem acometê-los. E, apesar das deficiências historicamente conhecidas, a estrutura demonstra extrema resiliência nesses meses sob o coronavírus. Além disso, o SUS empreende o trabalho de atenção primária à saúde e de medicina de família, cuja base é a prevenção de doenças, máxima que deve ser o objetivo de todo sistema de saúde. No entanto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2021 prevê a destinação de cerca de 40 bilhões de reais a menos para o SUS do que o alocado em 2020. Mesmo depois da clara demonstração da importância do SUS, vamos perder a chance?

A questão leva a outra pergunta: a pandemia ensinou o verdadeiro significado de valor quando se trata de saúde? Temo que ainda não. Embora tudo seja muito bonito no papel, muitas empresas do segmento contratam e mudam suas estratégias conforme o vento sopra e o que sai mais barato. A tônica do debate atual é a necessidade da ampliação de ações de prevenção. O envelhecimento da população, somado a hábitos de vida que elevam o risco para doenças cardiovasculares, por exemplo, coloca o desafio de frear a escalada de casos por meio de medidas preventivas. De outra forma, a roda continuará girando no sentido da indústria da doença e não da saúde. Entretanto, demasiadas vezes o raciocínio do responsável pelo financiamento é: se você investe em gerar saúde, daqui a um ano o paciente pode não ser mais seu. Você planta saúde para o paciente do outro. Portanto, não vale a pena. Infelizmente, por muito pouco as posições em favor da atenção primária andam para trás.

A mesma coisa acontece quando falamos da troca da remuneração por serviço pela remuneração por valor. O pagamento por serviços executados estimula a realização de exames e procedimentos. Quanto mais numerosos eles forem, mais se lucrará. Esse modelo está na base da indústria da doença. O pagamento por valor, no entanto, prevê a remuneração baseada em programas de qualidade, segurança e prevenção, aquilo que agrega valor. Basta, porém, uma crise para muitas organizações repensarem o novo modelo e desejarem voltar a fazer exames de ressonância magnética sem uma indicação precisa.

É preocupante que o conceito do valor em saúde ainda esteja tão volátil. Propostas de novas operações na área continuam a ter como meta somente o ganho financeiro e não o que a iniciativa entregará de benefício verdadeiro ao paciente. Qual o propósito, por exemplo, de criar formas de uberização de laboratórios em busca de exames mais baratos? De que maneira isso agrega valor à saúde? O que é preciso é evitar o uso desnecessário de exames, algo que, no fim, pode prejudicar somente o paciente. Ele é quem fica sujeito a desconfortos e exposto à radiação sem precisar. Além disso, o excesso de testes encarece o custo das operadoras e quem pagará o preço será o paciente, no momento do reajuste.

Da mesma forma, deve-se questionar a procedência de empreendimentos cujo apelo é o de financiar procedimentos cirúrgicos. Será que aquele paciente precisa mesmo da cirurgia? A experiência mostra que, em geral, o número de casos que necessitam de cirurgia é menor do que o de procedimentos realizados. Em um programa de segunda opinião para correções cirúrgicas para dor nas costas instituído no Hospital Israelita Albert Einstein, concluiu-se que 61% das indicações eram desnecessárias. A quem o financiamento de cirurgias vai de fato beneficiar? Porque não criar e investir em sistemas de prevenção por meio do estimulo à prática de exercícios físicos, do combate à obesidade e do controle do stress, clássicos fatores de risco para boa parte das enfermidades associadas ao estilo de vida? É preciso refletir a respeito do valor que a organização entrega ao paciente e à sociedade. O paciente pode recorrer a ela para um exame ou uma cirurgia, mas, se os procedimentos não tiverem indicação médica verdadeira, a instituição estará prestando um péssimo serviço para a saúde.

Não podemos perder a oportunidade que a pandemia nos trouxe de reformular a cadeia de assistência médica no país. É uma chance de preparar o Brasil para os desafios do futuro, que exigirão sistemas voltados à prevenção e ao uso racional de tecnologia, e tendo o paciente no centro de tudo. É a chance de focarmos a melhoria da indústria de insumos, a melhor gestão do SUS, o estabelecimento de uma rede de meta genômica para estudo e acompanhamento da evolução de vírus em nosso país – que seria fruto da parceria público-privada que se fez notável durante a pandemia. Porém, será que daqui a seis meses, como é comum no Brasil, teremos nos esquecido de tudo e estaremos discutindo mais uma vez o preço de um equipamento sem considerar alguns dos princípios básicos que os meses sob o coronavírus nos mostraram, como o de aferir o valor em saúde que a tecnologia proporcionará? Será que teremos novamente colocado na gaveta os projetos e programas de atenção primária? Será que os discursos eram só discursos? Fazendo uma analogia com o momento mais decisivo do futebol, quando a bola está na marca do pênalti à espera do artilheiro, o Brasil tem condições de fazer um golaço na saúde se mostrar que as lições da Covid-19 foram aprendidas. Caso contrário, a vitória nos escapará dos pés.

*** SIDNEY KLAJNER – é presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

OUTROS OLHARES

EXPERIMENTEI, GOSTEI, FIQUEI

Com as universidades fechadas, alunos foram obrigados a estudar a distância e descobriram aí uma modalidade da qual não querem mais abrir mão

Ensino on-line virou uma das palavras-chave deste 2020. Primeiro, teve conotação negativa, quase que sinônimo de caos, já que os alunos precisaram engatar a jato nas aulas a distância sem nenhum preparo para encarar tamanha sacudida. Quem mais sentiu o baque foram os menores, que estão aprendendo aos poucos a se virar e a ganhar independência. Já os universitários fizeram a passagem para o estudo remoto com maior suavidade, como era mesmo esperado: a maturidade é componente essencial para manter disciplina e foco e conseguir lidar sozinho com aqueles momentos de aspereza acadêmica. A boa experiência está agora levando uma parte da turma a dar caráter permanente a algo que se supunha provisório, em trilha semelhante à que percorrem jovens de outros países. Muita gente testou, gostou e está resolvendo ficar na modalidade conhecida oficialmente pela sigla EAD – a do ensino universitário a distância. A desconfiança sobre as faculdades on-line já vinha se dissipando no Brasil, onde elas estrearam há pouco mais de duas décadas e por um bom tempo foram vistas como “graduação de segunda classe”. O avanço na qualidade dos cursos, aliado à assimilação deles pelo mercado de trabalho, lhes conferiu credibilidade. E assim a demanda escalou a ponto de, há um ano, se dar um marco histórico: pela primeira vez, o número de calouros se concentrou mais na modalidade a distância do que na presencial, cravando 2,5 milhões de jovens. No balaio universitário brasileiro, eles já representam um terço do total. Pois nestes últimos meses o fechamento dos portões universitários acabou por dar novo empurrão a esse nicho tão em alta mundo afora, atraindo gente que, antes, nunca consideraria estudar de casa. A paulista Thabata Cipriano, 24 anos, planejava iniciar a graduação em administração de empresas em uma sala de aula com lousa e professor do lado, até que assistiu às lições remotas de direito da cunhada e resolveu dar uma chance ao EAD, sem convicção. “É uma vantagem poder definir hora e lugar para estudar, além de assistir ao conteúdo quantas vezes quiser. Não volto para o presencial”, decreta.

A presença desse público vem deixando mais heterogêneo o perfil dos frequentadores das aulas virtuais – tipicamente mais velhos, em busca de mensalidades mais baratas e embalados em algum emprego. “O rol dos alunos de EAD já estava mais abrangente e diversificado, e isso se acentua neste momento em ritmo veloz”, pontua Sólon Caldas, diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior. Uma ala dos novatos nesse grupo é formada por um pelotão que, às voltas com o home office, avaliou ser boa hora para encaixar os estudos à rotina e regressou às carteiras sem sair de casa. Aos 41 anos, o advogado Benedicto Patrão arranjou um tempinho para realizar o sonho de cursar filosofia. “Venci meus preconceitos e estou adorando”, afirma ele, que se reveza entre dois escritórios e ainda leciona. Outra turma de recém-chegados ao EAD experimentou e decidiu migrar de vez para a modalidade depois de considerar as incertezas sobre quando sua universidade reabriria, além do preço. “Nesses dias difíceis, economizei 600 reais por mês e não sinto que tenha perdido no aprendizado”, diz o paulista Victor Gabriel, 20 anos, que estuda design.

O reflexo desse movimento se traduz nos números captados em um recente levantamento que analisou as idas e vindas dos grupos de ensino listados na bolsa, como Cogna e Yduqs, entre julho e setembro deste ano. O estudo, do banco Santander, conclui que, após o declive dos primeiros tempos pandêmicos, o EAD é hoje o que os faz crescer – enquanto os ingressantes no ensino presencial recuaram até 37%, nos cursos à distância a subida chegou a 54%.  “Estamos em plena segunda fase do avanço da universidade on-line”, define João Vianney, da consultoria Hoper. Escolados nesse terreno, professores e alunos alertam sobre a necessidade de escolher o curso de forma criteriosa, informar-se de quão interativa será a experiência e se organizar em casa. “A distância exige empenho extra, mas a flexibilidade me conquistou”, resume a fotógrafa carioca Gleice Medeiros, hoje aluna de ciências biológicas. Flexibilidade, aliás, é outro dos vocábulos em alta nestes tempos de tanta transformação.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 13 DE DEZEMBRO

O CASTELO SEGURO DA ALMA

Torre forte é o nome do SENHOR, à qual o justo se acolhe e está seguro (Provérbios 18.10).

Muitos refúgios não podem proteger-nos na hora da tempestade. Muitos pensam que o dinheiro é um abrigo invulnerável no dia da calamidade. Mas isso é um completo engano. O dinheiro pode dar-nos um carro blindado e escoltas, uma casa espaçosa e muito conforto, viagens extravagantes e cardápios saborosos, mas o dinheiro não traz paz. O dinheiro não oferece segurança nem felicidade. Outros pensam que o poder político é um refúgio. Mas o prestígio diante dos homens não nos garante proteção diante dos revezes da vida. Há aqueles que julgam que a força da juventude ou a beleza física sejam escudos suficientemente fortes para livrá-los dos esbarros da caminhada. Muitos chegam a pensar que o sucesso e o estrelato são abrigos resistentes o bastante para guardá-los dos vendavais da vida. Mas a verdade é que somente o nome do Senhor é torre forte. Somente no Senhor podemos estar seguros. Somente Deus é o castelo seguro da nossa alma. Porém, somente os justos, aqueles que se reconhecem pecadores, é que buscam o perdão divino e procuram abrigo no nome do Senhor. Aqueles que confiam em si mesmos jamais correrão para essa torre forte. Por isso, quando chegar a tempestade, serão atingidos por uma irremediável calamidade. Faça do Senhor o seu alto refúgio, o seu verdadeiro refúgio!

GESTÃO E CARREIRA

REAL E VIRTUAL

Enquanto a imunização em massa não ocorre, empresas de eventos, setor fortemente abalado pela crise, sobrevivem com modelos digitais e híbridos

Os negócios que dependem da presença física de pessoas são os mais prejudicados pela pandemia. Não por acaso, no topo do rol de setores abalados está o mercado de feiras e eventos. Se meses atrás ele encontrou certo alívio com a parcial reabertura, agora as perspectivas voltaram a ficar sombrias. Pesquisas recentes mostram que 61% da força de trabalho do setor está desocupada e que 31% das empresas fecharam as portas, de forma temporária ou definitiva – um dado extremamente preocupante. O novo coronavírus atingiu o coração de uma indústria de 250 bilhões de reais de faturamento anual, que emprega 6 milhões de pessoas direta e indiretamente e que representa 4,5% do produto interno bruto. Enquanto a crise persistir, só resta aos sobreviventes se adaptar.

Adaptação, na prática, significa realizar shows, eventos e feiras de forma digital ou híbrida, mesclando vídeo com plateia reduzida. Brenda Valansi, presidente da produtora de eventos culturais ArtRio (realizada também presencialmente em outubro), define assim o desafio: “A agilidade é um fator decisivo. Ser digital não é copiar o modelo presencial. Trata-se de um ambiente novo, com um novo tipo de conexão que demanda outra linguagem”, diz ela, cujo evento recebeu 8.100 pessoas nos doze dias de realização, com todas as prevenções para evitar a propagação do vírus. Embora existam exemplos positivos, não é (definitivamente) um momento fácil – e os números mostram isso. Somente o cancelamento de feiras, congressos e eventos corporativos resultou em perdas de mais de 80 bilhões de reais. Pior. Segundo Jamil Abdala, presidente da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios, antes que a situação se normalize, a queda da arrecadação bruta será três ou quatro vezes maior.

No esforço para conter os danos, eventos on-line cresceram consideravelmente. Com isso, empresas que já estavam inseridas na estratégia tiveram mais sucesso do que outras. É o caso da Atmo, que realiza transmissões ao vivo há quinze anos. Nos últimos meses, o serviço cresceu 400% e as receitas dobraram. Mais do que uma medida emergencial, a tecnologia demonstrou ser capaz de impulsionar o setor de formas pouco exploradas. Sabendo ser impossível fazer o show presencial com o cantor Daniel e o grupo Roupa Nova, a Opus Entretenimento organizou uma live comos artistas para promover o espetáculo, que será realizado no ano que vem. Resultado: a ação virtual atiçou as expectativas dos fãs e resultou na venda de 60% dos ingressos.

Outro ajuste viável é o modelo híbrido, que combina a presença física com a transmissão de vídeos. Em São Paulo, em outubro passado, ocorreu a Expo Retomada, basicamente um evento para apontar o paradigma de futuros eventos. Foram reunidos expositores e clientes em potencial, com visitas escalonadas e live streaming (exibição pela internet). A oportunidade, porém, não é uma panaceia para todos os problemas do setor. De acordo com Milena Palumbo, diretora-geral da GL Events Brasil, que administra o São Paulo Expo e outros espaços de exposição, o problema dos eventos híbridos é que eles ainda não geram tanta receita: “Apenas 5% deles conseguem se monetizar com a mesma envergadura dos físicos”.

Notícias conflitantes sobre a possibilidade de novas restrições em São Paulo e outras capitais brasileiras esfriaram os ânimos dos mais otimistas quanto à retomada. A regressão traz instabilidade a todo o mercado, que está ávido por eventos e negócios. Ainda assim, mesmo que tudo volte à normalidade nos próximos meses, o setor deve levar de dois a três anos apenas para recuperar as perdas de 2020. O fato é que as empresas que têm conseguido se manter em pé são aquelas com maior fluxo de caixa, sem o qual não é possível preservar o negócio ou se adaptar. As muito endividadas ficaram pelo caminho, inclusive provocando o desmantelamento de uma cadeia de mão de obra especializada. Marcelo Bohrer, coordenador do Fórum de Turismo da Grande Florianópolis, afirma que mais de50% das prestadoras de serviço perderam as condições de atuar, o que levou a um fechamento precoce e ocasionou demissões. “Isso significa um retrocesso de cerca de dez anos na formação e especialização de empresas do setor”, conclui Bohrer.

Nem todos, porém, estão tão pessimistas. Paulo Ventura, diretor superintendente do Expo Center Norte, um dos maiores espaços para eventos de São Paulo, acredita que o mercado deve voltar mais forte do que nunca no ano que vem, a depender da retomada das atividades. “Dificilmente as pessoas deixarão de comparecer a feiras, congressos e convenções”, diz. Brenda Valansi, que advoga a importância da adaptação, acha que o primeiro semestre de 2021 ainda será bastante desafiador, principalmente para exposições que demandam grande público. A opinião de Valansi está alinhada com a da maioria dos profissionais entrevistados, que concordam ser praticamente impossível realizar eventos com aglomeração até que a população tenha sido imunizada pelas vacinas que estão em desenvolvimento. Trata-se de uma corrida contra o tempo. Felizmente, organizadores e público têm boas chances de vencê-la.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SÍNDROME DO PÂNICO – IV

É SÍNDROME DO PÂNICO?

Faça o teste e respondas às perguntas que podem ajudar você a identificar o distúrbio

“A sensação é de morte iminente – essa é a melhor descrição”, afirma Andreia, de 37 anos, diagnosticada com síndrome do pânico. Os relatos de quem vive essa realidade são intensos e impactantes. Por isso, identificar os sintomas do quadro em si mesmo é essencial para procurar um médico e, com o diagnóstico confirmado, ser encaminhado aos mais diversos caminhos para o tratamento.

É muito importante essa reflexão porque a síndrome do pânico não distingue gênero – apesar da maior incidência em mulheres -, classe social, idade, profissão ou localidade: qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo está sujeita a desenvolvê-la. “Nunca havia passado pela minha cabeça que poderia acontecer comigo, e os meus amigos não acreditam. O difícil é transparecer para as pessoas que está tudo bem mesmo não estando, além de não achar graça de absolutamente nada. Minha mãe e pouquíssimos amigos estão me dando total apoio, e isso é muito importante”, afirma Gustavo Antônio, de 25 anos, que está se tratando para vencer o transtorno.

Além disso, ter consciência da seriedade da síndrome é um dos passos para procurar ajuda especializada, mas também para que os familiares e pessoas próximas possam entender melhor e tratar o outro com o respeito devido e oferecer o suporte necessário.

TESTE

O questionário a seguir foi proposto pela psicóloga Márcia Mathias. Responda pensando em sua rotina.

1- VOCÊ SENTE COM FREQUÊNCIA UMA SENSAÇÃO DE PERIGO EMINENTE?

Esse sentimento pode ocorrer pelo medo desregulado – e, muitas vezes, sem razão -, o que desencadeia crises.

2- VOCÊ TEM MEDO DE PERDER O CONTROLE EM MOMENTOS DE ANSIEDADE?

O “medo de sentir medo” é recorrente em quem possui síndrome do pânico pela forma inesperada como os acessos ocorrem.

3- APRESENTA DORES NO PEITO, MESMO TENDO IDO AO MÉDICO E SENDO INFORMADO QUE VOCÊ TEM UMA SAÚDE ÓTIMA?

O sintoma mais comum do quadro são as palpitações. Sendo assim, se elas não tiverem origem orgânica, pode ser um sinal de que é um sinal produzido pelo transtorno, assim como acontece com outros sintomas, como dormência em partes do corpo e tremores. “É preciso procurar um médico clínico geral para descartar algumas patologias orgânicas que simulam esse quadro psicossomático, como repercussão cardíaca, angina, enfarte e etc.”, pontua o médico Antônio José Marques.

4- PASSOU POR ALGUMA SITUAÇÃO TRAUMÁTICA ATÉ UM ANO ANTES DE APRESENTAR A PRIMEIRA CRISE DE PÂNICO?

Apesar de poder ser desencadeada por medicamentos ou ter raízes genéticas, os traumas são responsáveis por muitos dos casos de síndrome do pânico.

5- SENTE-SE ANSIOSO POR ESTAR LONGE DO LUGAR QUE CONSIDERA SEGURO, POR EXEMPLO, A SUA CASA?

A agorafobia, medo de lugares que possam causar crises, é muito associada ao pânico. Isso porque a insegurança de estar sozinho é muito grande.

DE OLHO NO DIAGNÓSTICO

A quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) é um material de referência para profissionais da área da saúde. Nessa publicação, o transtorno é descrito como ataques de pânico inesperados recorrentes. “Um ataque de pânico é um surto abrupto de medo ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e durante o qual ocorrem quatro ou mais de uma lista de 13 sintomas físicos e cognitivos”. Dessa forma, o manual explica que o termo “recorrente” significa literalmente mais de um ataque de pânico inesperado.

Já o termo “inesperado” se refere a um ataque de pânico para o qual não existe um indício ou desencadeante óbvio no momento da ocorrência – ou seja, o ataque parece vir do nada, como quando o indivíduo está relaxando ou emergindo do sono (ataque de pânico noturno). A lista de 13 sintomas para se atentar são:

1. Palpitações, coração acelerado, taquicardia.

2. Sudorese.

3. Tremores ou abalos.

4. Sensações de falta de ar ou sufocamento.

5. Sensações de asfixia.

6. Dor ou desconforto torácico.

7. Náusea ou desconforto abdominal.

8. Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio.

9. Calafrios ou ondas de calor.

10. Parestesias (anestesia ou sensações de formigamento).

11. Desrealização (sensações de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar distanciado de si mesmo).

12. Medo de perder o controle ou “enlouquecer”.

13. Medo de morrer.