EU ACHO …

ASSASSINATO CIRÚRGICO PODE?

O contexto faz uma tremenda diferença

Quem tem o direito de mandar matar um inimigo em outro país em nome da segurança nacional? Em princípio, se as regras da ONU fossem seguidas ao pé da letra, ninguém. O artigo 51 da Carta da ONU foi traçado na época das guerras convencionais e permite apenas atos de autodefesa até que o Conselho de Segurança se reúna e intervenha em caso de conflito entre duas nações. Nada de assassinatos cirúrgicos, uma tática que se tornou padrão na guerra assimétrica contra organizações terroristas como a AI Qaeda e o Estado Islâmico.

É também um recurso usado sistematicamente, embora de maneira contida, em termos relativos, por Israel, em geral contra líderes do Hamas e do Hezbollah. O assunto voltou espetacularmente à cena com o assassinato do cientista-chefe que tocou o projeto nuclear secreto do Irã, Mohsen Fakhrizadeh. Ele foi emboscado numa estrada por dois utilitários cheios de comandos especiais que neutralizaram os seguranças e chegaram a tirar o físico nuclear de seu carro para ter certeza, via rajada de balas, de que a missão estava cumprida – a versão de que foi tudo feito por veículos e armamentos manejados remotamente é muito fantasiosa até para os padrões do Mossad.

Qual a diferença entre a morte de Fakhrizadeh e os atentados praticados por agentes do regime iraniano? Tecnicamente, nenhuma. Mas entra aí o contexto – e faz uma tremenda diferença. O Irã representa uma ameaça existencial a Israel de uma forma que não tem a contrapartida oposta. Israel não ameaça varrer o Irã do mapa e nem provê dinheiro, armas e ideologia a organizações poderosas corno o Hezbollah, hoje a força político-militar dominante no Líbano, cuja própria razão de ser é a destruição de Israel.

O Oriente Médio não é um ambiente que dê espaço a ingênuos, e Israel sabe muito bem que a eliminação de Fakhrizadeh, já aposentado, não muda em nada o programa nuclear iraniano, sempre a uma curta distância de transitar para a bomba atômica. A tática foi usada na última década, combinando assassinatos cirúrgicos contra cientistas nucleares e ataques cibernéticos com o vírus Stuxnet, conseguindo no máximo atrasar o projeto. Talvez o aspecto mais relevante do assassinato do físico iraniano tenha sido o timing na transição do governo de Donald Trump para ode Joe Biden, com a certeza de que o novo presidente será muito mais condescendente com o Irã e menos flexível com Israel. Estaria Benjamin Netanyahu tentando criar um fato consumado, uma reação armada iraniana que explodisse no colo de Biden antes mesmo de sua posse? Os iranianos não seriam bobos de cair nesse tipo de armadilha. Todos os envolvidos entendem que haverá retaliação, mas não aleatória ou irracional. Aliás, no acerto de contas do Irã, ocupa o primeiríssimo lugar o poderoso general Qassem Soleimani, explodido num bombardeio cirúrgico feito por drones americanos no aeroporto de Bagdá. A eliminação de Soleimani, que tinha o sangue de americanos nas mãos, não provocou o tipo de conflito generalizado sobre o qual se voltou a falar agora, mas com certeza será vingada. O direito de matar, legítima ou ilegitimamente, sempre vem com a etiqueta de preço.

*** VILMA GRYZINSKI          

OUTROS OLHARES

À BEIRA DA EXTINÇÃO

Locais sagrados do universo literário em Paris, Nova York e São Paulo intensificam a luta para manter a relevância e as portas abertas em uma crise sem precedentes

A livraria mais famosa do mundo fica no coração de Paris — por enquanto. Isso porque a Shakespeare and Company fez no dia primeiro um pedido inusitado aos seus clientes: “Comprem livros ou fecharemos as portas”. A mensagem, enviada por ninguém menos que a proprietária Sylvia Whitman, surpreendeu por não ser um simples golpe de marketing e apresentar a realidade nua e crua do setor. Se antes da pandemia o modelo de negócio já estava em crise, com as portas fechadas e a baixa circulação de pedestres, até os endereços mais icônicos e charmosos da literatura anunciaram o perigo. O resultado é uma discussão global: as livrarias fazem parte do “serviço essencial” ao cidadão durante uma crise sanitária? A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que sim e foi mais longe. Pediu à população para que não comprasse livros na Amazon e valorizasse as livrarias alternativas da cidade.

Apesar da atenção recebida, ainda é cedo para cravar um final feliz ao pequeno – mas poderoso – endereço na margem esquerda do Rio Sena. Com vendas em queda, a livraria de língua inglesa que leva o nome de William Shakespeare é tão relevante quanto o museu do Louvre ou a Torre Eiffel, por exemplo. O local faz parte da vida de escritores renomados há mais de um século e, por isso, a grande repercussão do pedido de socorro. “Como muitas empresas independentes, estamos lutando, buscando um caminho para sobreviver nesse momento em que operamos com prejuízo”, informou Sylvia Whitman, em um e-mail enviado aos clientes. Fundada em novembro de 1919, a Shakespeare and Company ganhou fama inicialmente entre os escritores ao abrigar o lançamento de “Ulysses”, obra máxima de James Joyce, em 1922. Foi a partir daí que o local virou motivo de peregrinação entre os amantes das letras.

A crise do setor é generalizada e se manifesta em vários países. Para o presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Bernardo Gurbanov, um dos problemas é a compra de livros pela internet, que vem substituindo o comércio presencial. “Ir a uma livraria é como ir a um bom restaurante em vez de comer em casa”, diz. Ele lembra ainda da semelhança da livraria parisiense com a Livraria Cultura, cuja loja na Avenida Paulista é um ponto turístico de São Paulo. Em recuperação judicial, a Cultura também possui um futuro incerto. “O contato do leitor com o livreiro é muito importante e as novas gerações já não têm muito interesse nisso,“ explica Gurbanov. Para ele, o segredo da Shakespeare and Company é a “bagunça organizada” dos livros. É preciso estar presente para encontrar, acidentalmente, um bom exemplar. Em Nova York, quem está com o futuro ameaçado é a Strand Book Store, fundada em 1927 e um cartão postal da cidade. Assim como a Shakespeare e a Cultura, a Strand, uma das maiores livrarias de livros novos e usados do planeta, corre o risco de sumir do mapa. A Strand é um dos locais que definem a imagem clássica do negócio livreiro: iluminação controlada, chão de madeira e ares de biblioteca. Mas sua clientela diminuiu drasticamente.

REAÇÃO IMEDIATA

Para sobreviver, as livrarias estão tratando de apelar para a criatividade. Em Paris, o pedido de socorro teve efeito imediato e a Shakespeare and Company foi obrigada até a suspender temporariamente as vendas. A procura pelo seu clube de assinaturas, chamado “Amigos da Shakespeare and Company”, no qual o leitor recebe, por um preço fixo, livros exclusivos, carimbados e cuidadosamente embalados, chamou a atenção do público. Apesar de prática antiga, o novo clube promete entregar livros em qualquer lugar do mundo. Quando procurada no Google, a Strand manda um alerta: apoie o nosso negócio e compre um “gift card”. É uma espécie de grito de socorro.

Outra questão que vai além do comércio está na formação de novos leitores, algo mais difícil na era das redes sociais. “Uma educação de qualidade será a grande responsável pela mudança da situação que as livrarias físicas enfrentam”, afirma Gurbanov, referindo-se ao caso brasileiro. Na Shakespeare e na Strand, porém, o problema vai além da educação de qualidade e revela uma mudança cultural profunda, que mostra a queda do prestígio do livro como objeto de consumo. A praticidade da compra remota e os livros digitais tornaram as visitas às livrarias cada vez mais eventuais. E muitos clientes simplesmente desapareceram.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 12 DE DEZEMBRO

OLHE PARA CIMA, AINDA HÁ ESPERANÇA

Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! (Isaias 6.5).

As crises são inevitáveis, imprevisíveis e inadministráveis. Espreitam-nos por todos os lados, todos os dias, amedrontando-nos com sua carranca. As crises, contudo, também representam um tempo de oportunidade em nossa vida. São como uma encruzilhada. Podem tornar-se a estrada do nosso triunfo ou a rota do nosso fracasso. As crises revelam os covardes e levantam os heróis. A grande questão, portanto, é: Para onde olhar na hora da crise? O profeta Isaías estava vivendo uma crise avassaladora. Sua nação estava de luto. O rei Uzias estava morto. Os ventos contrários da crise sopravam com fúria indômita, carregando em suas asas instabilidade política, econômica, moral e espiritual para a nação. Nesse momento, Isaías teve a mais importante experiência da sua vida. Ele olhou para cima e viu Deus no trono; olhou ao redor e viu a nação rendida ao pecado; olhou para dentro e viu a enormidade do seu próprio pecado; olhou para frente e viu o desafio de Deus para sua vida. Alguns saem da crise derrotados, outros saem vitoriosos. Não foque sua atenção na crise; volte seus olhos para Deus. Ele está no controle de todas as coisas e é poderoso para pôr um fim em todas as suas crises.

GESTÃO E CARREIRA

GUIA PRÁTICO DE COMO SE VESTIR PARA TRABALHAR

Dicas de estilo para jovens profissionais

Há algum tempo, numa galáxia não muito distante de nós, os homens de quase todas as profissões usavam terno e gravata para trabalhar. Concordam? Mas as coisas mudaram e, hoje em dia, a etiqueta de roupa para o escritório ficou bem mais flexível. Isso criou um dilema bastante perturbador para alguns: o que vestir no escritório? Se antes o terno era praticamente um uniforme, o que facilitava bastante a escolha da roupa pela manhã, agora temos que queimar diariamente alguns neurônios em busca do look ideal, já que o mercado oferece uma gama de opções. Como estou sempre preocupado com o visual dos meus leitores, vou ajudá-los a criar uma impressão positiva no ambiente de trabalho. Nesse contexto, reuni algumas dicas de estilo para jovens profissionais.

ENTENDA A EMPRESA CULTURALMENTE

A lição mais importante é compreender a cultura da empresa em que você trabalha. Existem diferentes “dress codes” para um grande escritório de advocacia e uma startup de tecnologia, por exemplo. Tanto o underdress (se vestir pior que os colegas) como o overdress (muito melhor que eles) podem afetar negativamente sua imagem. Melhor é seguir a filosofia do escritório!

VISTA-SE UM DEGRAU ACIMA DA SUA POSIÇÃO

Falei acima sobre o perigo do overdress, mas isso não quer dizer que você deve ser mais um na multidão. Jamais! E lembre-se, quem não é visto, não é lembrado! Pelo contrário, busque sempre se destacar, apenas sem exageros. Uma boa alternativa é se vestir um degrau acima da sua posição, nunca um degrau abaixo ou dois acima. Pense no cargo que quer chegar daqui a um ou dois anos. Agora, vista-se de acordo com ele, pois estilo nunca faz mal a ninguém!

CASUALIDADE X DESLEIXO

Você trabalha numa startup, onde a casualidade impera? Ok! Isso quer dizer que pode acordar e colocar qualquer roupa do armário para ir trabalhar?

Não! Casualidade não é sinônimo de desleixo. Fique atento ao caimento das roupas, pense na combinação calça/ camisa/calçado e garanta, assim, uma boa imagem profissional entre seus parceiros ou superiores. Você pode ser básico e, ao mesmo tempo, passar seu recado.

DETALHES E CONFORTO

Eu já devo ter repetido essa frase dezenas de vezes no site, mas a falarei de novo: os detalhes fazem toda a diferença! E quem me acompanha, sabe o quanto amo um acessório. Acrescentar ao look um relógio estiloso, vestir um belo par de sapatos ou colocar um pocket square no blazer são coisas que darão um up no seu visual. Lembre-se também do conforto. Para trabalhar bem, você precisa estar confortável com sua roupa. Esse é um fator fundamental para se levar em conta na hora de se vestir. Então, quando for escolher ou comprar uma roupa, lembre-se de que o conforto vem em primeiro lugar!

SEJA TRADICIONAL SE O CARGO FOR MAIS FORMAL

Uma regra básica? Quanto mais você mexe com dinheiro do cliente ou da empresa, mais deve ser tradicional e conservador nas suas roupas. Sejamos honestos: advogados, contadores, administradores e gerentes de banco não passariam muita credibilidade de bermuda e chinelo. Ninguém quer ver o gerente de sua conta vestido como se estivesse no clube e falando de transações financeiras, né?!

INSEGURANÇA? APOSTE NA SIMPLICIDADE.

Se você está inseguro sobre o que usar, aposte na simplicidade, como, por exemplo, um costume azul marinho para ambientes formais e jeans com blazer nos casuais. Tenha em mente que não está se vestindo para chamar a atenção de uma mulher bonita no bar, o seu foco é passar credibilidade! Melhor deixar a ousadia para sextas e sábados à noite.

E se você causa uma primeira impressão ruim, depois fica difícil reverter o jogo. Então, se vista como quer ser visto! Quer passar uma imagem de seriedade? Ou de criatividade? Ou de trabalhador? Pense em roupas que traduzam esses traços e mãos à obra! Mas muito cuidado para não pesar na mão, hein?! Assim, agora é só refletir sobre qual imagem quer passar, abrir seu closet, e fazer bonito no trabalho!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SÍNDROME DO PÂNICO – III

O QUE É, O QUE É?

As diferenças e os semelhanças entre algumas doenças confundidos com a síndrome do pânico

A sensação de medo e desespero, repentinamente e sem motivo, pode ser um sinal de síndrome do pânico, um transtorno de ansiedade que causa inesperados ataques de fobia e temor em situações simples do cotidiano.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4% da população mundial apresenta síndrome do pânico. Milhares de pessoas vão para o hospital todos os anos após seu primeiro ou pior ataque de ansiedade, acreditando em fortes indícios e fatores envolvidos a diferentes patologias. Esse transtorno se assemelha ou possui alguns sintomas parecidos a outros problemas de saúde, sejam cardíacos ou neurológicos, como ataques cardíacos, tumores cerebrais e esclerose múltipla.

PÂNICO OU INFARTO?

“Durante uma crise de pânico, a pessoa pode ter sintomas parecidos aos de um infarto, como falta de ar, coração acelerado e transpiração excessiva”, esclarece o psicólogo cognitivo comportamental Leonardo Barros. Caso esses sintomas apareçam pela primeira vez, o paciente deve ir imediatamente ao hospital para avaliar se é um infarto. Por outro lado, se ele já teve os sintomas diversas vezes e não foi diagnosticado nenhum problema no coração, pode ser que, de fato, seja síndrome do pânico. O desencadeamento dessa patologia pode ter relação, em alguns casos, com a herança familiar ou com acontecimentos estressantes que podem causar grande ansiedade.

O psiquiatra forense Hewdy Lobo ressalta que o infarto é um adoecimento físico com dores intrinsicamente fortes, correspondente à falta de sangue em algumas partes do coração, diferente do pânico, que apenas recorre a um desconforto, sem lesões. “A diferença essencial é que, no infarto, a dor tende a ser contínua e o desconforto, predominante no peito; no ataque de pânico, os sintomas são sazonais, vão e voltam com desconforto mais generalizado, além do medo de perder o controle emocional”, conclui Hewdy.

Par a evitar que o estresse se acumule ou que a situação saia do controle, o psiquiatra recomenda a prática de atividades físicas regulares, o controle no uso de condimentos, como os temperos de cozinha – que podem contribuir para o aumento da pressão -, além de evitar o uso de drogas e utilizar a respiração a seu favor durante uma crise.

PARECE, MAS NÃO É

A importância de uma consulta ao médico é essencial perante esse transtorno. Suas cousas podem ser confundidas com inúmeros sintomas de outras doenças que podem ser medicadas e tratadas de modo errado, o que pode deixar a saúde gravemente vulnerável.

Além do infarto, diversas outras patologias diferentes podem ser confundidas com a síndrome do pânico, por exemplo, hipotireoidismo, hipertireoidismo, esclerose múltipla, convulsões, acidente vascular cerebral (AVC), arritmia, endocardite e fibrilação arterial. Entenda os sintomas parecidos no gráfico abaixo:

NÃO CONFUNDA!

Alguns sintomas podem fazer com que, frequentemente, pessoas confundam a síndrome do pânico com a fobia social e a timidez. Entenda a diferença entre elas com as explicações de Leonardo Barros, psicólogo cognitiva comportamental.

“A fobia social é um transtorno de ansiedade, assim como o pânico. Porém, caracteriza-se pela extrema angústia diante de situações em que a pessoa se sinta avaliada por todas ao seu redor”, explica. Acontece sempre que a pessoa é submetida à observação externa enquanto executa uma atividade”, resume.

“A timidez não é um transtorno. Ela é controlável e normalmente não é incapacitante, gerando apenas um mal-estar – mesmo que atrapalhe um pouco, não causa danos efetivos na realização pessoal”, conclui o psicólogo.