EU ACHO …

CONSUMIDOR SEM CIDADANIA

As empresas privadas estão liberadas no Brasil a descumprir os mais elementares direitos humanos

Será preciso muito tempo para que sejam superadas as chagas provocadas pelo brutal assassinato por racismo de João Alberto Silveira Freitas, que morreu vítima de espancamento no interior de uma loja da rede de supermercados Carrefour, na Zona Norte de Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra. As imagens do crime percorreram o mundo e expuseram a profundidade do problema no Brasil.

Até o momento, foram presos os dois seguranças do estabelecimento, Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, autores das agressões que retiraram a vida de João Alberto, e a funcionária Adriana Alves Dutra, que filmou a cena sem agir para cessar a violência. Um ex-fiscal disse à polícia que a gerência da unidade do Carrefour autorizava o “emprego de violência” em clientes que “estavam causando problemas”.

É evidente que se trata de um caso de racismo. Fosse um branco com a mesma conduta, jamais haveria ação violenta e tão bárbara como ocorreu. Não é preciso recorrer a exemplos, a motivação racista é evidente. Mas a delegada Roberta Bertoldo, incumbida da investigação, declarou, de início, não ver racismo no crime bárbaro. Ora, sem investigação dos fatos e sem conhecer as circunstâncias do ocorrido, a responsável pela elucidação do caso rechaçou que tenha sido racismo. Mesmo com os fatos indicando justamente o oposto.

E extremamente grave a declaração, pois revela que o aparelho estatal está permeado pelo preconceito, impedindo que a hipótese mais adequada, a de racismo, nem sequer fosse considerada. Em outras palavras, a tentativa de excluir o elemento de racismo da investigação demonstra uma conduta racista arraigada nas autoridades.

Experimentamos, claro, progressos com a aprovação de leis antirracistas, de abuso de autoridade, criminalização da homofobia e a própria Lei Maria da Penha. Mas tais marcos legais não mudam o comportamento dos responsáveis por investigar e julgar. Quem efetivamente atua na punição aos crimes contra os Direitos Humanos, contra a igualdade de gênero, contra a homofobia, contra o racismo, contra a cidadania, em geral, é um sistema de justiça composto de homens, brancos e com poder aquisitivo e oportunidades. Em geral, são cidadãos de formação machista, com pouquíssima sensibilidade aos direitos e às agruras das vítimas desses crimes. Inegavelmente, o País, com acertos e erros, idas e vindas, conseguiu reduzir o espaço de impunidade a crimes cometidos contra o Estado e a administração pública. Contudo, o mesmo não aconteceu em relação aos crimes contra a cidadania, sejam eles praticados por autoridades e grandes corporações, ou sob seu poderoso manto. Nos crimes contra o Estado, as empresas e os grupos econômicos são responsabilizados pela lei anticorrupção, pela lei de improbidade e outras legislações se as condutas ou omissões praticadas por seus funcionários ou agentes implicam prejuízos à administração pública.

Tais condutas são amenizadas quando existem mecanismos de compliance, este fenômeno que surgiu com força e aponta para adoção de regras de controle interno às próprias empresas. Procedimentos que buscam garantir a ética e a moralidade públicas no comportamento cotidiano das atividades empresariais.

O objetivo é assegurar os interesses públicos, do Estado e da administração pública, na condução diária dos negócios privados. A existência de compliance ético em relação ao Estado e à administração pública é estimulada pela legislação e pelo próprio mercado, beneficiando as empresas que os praticam.

Praticamente nada é feito, porém, pela legislação de forma a estimular e a beneficiar empresas que adotem, em suas políticas de recursos humanos e condutas de seus funcionários, regras nas áreas de Direitos Humanos, antirracismo, assédio sexual, igualdade entre os gêneros, antitransfobia e de combate à homofobia.

O Estado deveria, por exemplo, usar de seu grande poder de compra para beneficiar empresas que têm nos seus corpos diretivos e gerenciais maior presença de negros, mulheres, integrantes LGBTQ+, bem como aquelas que praticassem compliance nas áreas de Direitos Humanos, antirracismo, contra assédio sexual, de igualdade de gênero e boas práticas nas questões de cidadania.

Deveria, portanto, haver legislação muito mais rígida de sanção a empresas que descumprissem tais normas de convivência social. O Ministério Público, as polícias e os órgãos de investigação deveriam agir com muito mais rigor em relação a empresas e grupos econômicos que desrespeitassem esse conjunto de regras. Isso implica reconhecer que a Constituição de 1988 não é uma Carta neutra nessas questões: é comprometida com opções ideológicas, morais e políticas nos temas relativos aos Direitos Humanos. Ou seja, é compromissada com políticas antirracistas, antitransfóbicas, anti-homofóbicas, de igualdade entre os gêneros e outras medidas de sociabilidade livre e democrática.

A Constituição de 1988 é, em vista disso, francamente favorável aos valores e princípios próprios da vida civilizada e da democracia constitucional. E, como tal, exige não apenas do Estado, mas também dos grupos econômicos, o cumprimento desses princípios e valores. É preciso incorporar essa dimensão ao debate sobre o racismo e as consequências do brutal assassinato de João Alberto. Não se pode mais permitir e aceitar que um grupo econômico potente, como o Carrefour, saia impune de um homicídio bárbaro como este, sob pena de reinar a barbárie e não a civilização em nossa sociedade.

*** PEDRO SERRANO

OUTROS OLHARES

EM PRIMEIRA MÃO

Antropólogos australianos dizem ter encontrado indícios, com estudos que remontam ao século XIX, de que o homem moderno ainda está em processo de evolução

O homem é um tipo especial de símio, define Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford e autor dos best-sellers Sapiens e Homo Deus. Um símio que, ao longo de milhões de anos, passou por mutações aleatórias, que foram repassadas aos descendentes por meio de complexos códigos genéticos. Para Charles Darwin, que revolucionou o estudo da evolução no século XIX, as mutações levaram a variações e adaptações que foram incorporadas ao longo de gerações até chegarmos ao que somos hoje. A lenta evolução, obviamente, não pôde ser monitorada. Tudo que sabemos sobre nossos antepassados está nos fósseis estudados pelos antropólogos. Entretanto, um estudo recente publicado por Teghan Lucas, pesquisadora da Universidade Flinders, na Austrália, traz evidências de que, neste momento, o homem moderno está passando por uma relevante, embora discreta, evolução.

Comparando dados que remontam ao século XIX com necrópsias em australianos mortos em 2015 e 2016, Teghan e uma equipe de antropólogos concluíram que 33% dos antebraços examinados apresentavam uma terceira artéria que não deveria estar ali – pelo menos, não nesse nível de ocorrência. A chamada artéria mediana irriga o feto durante a gestação, mas desaparece na oitava semana, quando aparentemente não é mais necessária. Segundo registros forenses dos anos 1880, 10% da população apresentava esse fenótipo na vida adulta, enquanto exames realizados no fim do século XX indicavam incidência em quase 30% dos indivíduos.

Hoje em dia, um em cada três adultos tem a mesma variação, o que apontaria um crescimento de 23 pontos porcentuais em 140 anos. Quando a prevalência da artéria mediana atingir 50% da população mundial, ela deixará de ser uma variação e terá de ser considerada uma estrutura humana normal. Além disso, mantendo a progressão, todos os indivíduos nascidos no próximo século teriam a artéria mediana permanente.

O trabalho dos pesquisadores australianos, publicado recentemente no diário científico britânico Joumal of Anatomy, não está livre de contestações. Cientistas de outras instituições questionam tanto a amostragem do século XIX quanto a atual, de apenas 78 antebraços dissecados – o número seria muito pequeno para um veredicto confiável, além de haver o viés de as amostras serem exclusivas de australianos descendentes de europeus, ignorando as demais etnias.

Para Ariane Ramaekers, professora Ph.D. do Instituto Curie, laboratório de genética e biofísica de Paris, “não existem evidências robustas do aumento da ocorrência da terceira artéria do antebraço, mas, se houvesse, eu diria que os efeitos seriam impactantes”. Além disso, Ariane lembra que evolução não implica seleção natural. Ou seja, não existe esse tipo de ajuste para se adaptar ao meio ambiente. A natureza simplesmente não funciona assim.

A afirmação da professora traz à tona uma questão ainda mais decisiva. Se confirmada a microevolução, que benefício ela traria? Segundo os próprios autores do estudo, prontuários médicos apontam para efeitos deletérios na vida dos indivíduos dissecados, como aneurisma, trombose e síndrome do túnel do carpo. O professor Danilo Moretti-Ferreira, livre-docente em genética médica da Unesp, diverge desse ponto: “Como toda artéria tem por função suprir de sangue uma região posterior ao fluxo, isso melhoraria a irrigação de nossas mãos, elemento fundamental na evolução do Homo sapiens”.

As evidências ainda serão submetidas ao rigoroso escrutínio da comunidade científica internacional, mas a equipe australiana insiste em afirmar que outras microevoluções estão em andamento. O aumento significativo de bebês nascendo sem o terceiro molar, conhecido como dente do siso, seria o melhor exemplo, mas não o único. “Realmente não faz sentido ainda termos o dente do siso, uma ferramenta de que o homem dispunha para triturar alimentos duros, ou a costela cervical, que pode ter sido útil quando nossos ancestrais andavam arqueados”, diz Cézar Augusto de Oliveira, neurocirurgião do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Para ele, “a capacidade de adaptação humana é grande, porque nosso cérebro é dotado de neuroplasticidade”. Por meio do sistema nervoso central, ele é capaz de promover no organismo certas mudanças. A humanidade, portanto, estaria em constante evolução.

No caso da artéria mediana permanente, os especialistas da Universidade Flinders projetam que 100% da população ainda a terá, um dia. E fica a permanente indagação: a vida segue um caminho predestinado ou é um evento completamente acidental? Os cientistas pragmáticos creem apenas no aleatório, mas uma resposta definitiva está longe de ser obtida. Eis a beleza da evolução.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 07 DE DEZEMBRO

IRA, UMA BOMBA EXPLOSIVA

O que presto se ira faz loucuras, e o homem de maus desígnios é odiado (Provérbios 14.17).

A ira é um fogo crepitante e assaz perigoso. Uma pessoa iracunda é uma bomba mortífera prestes a explodir. E, quando explode, joga estilhaços para todos os lados e fere as pessoas à sua volta. Quem se zanga facilmente fala muito, pensa pouco e provoca grandes transtornos a si mesmo e aos demais. O homem de maus desígnios é odiado. Torna-se persona non grata. O destempero emocional provoca muitas tensões e conflitos no lar, no trabalho e nos demais setores da vida comunitária. É melhor morar no deserto que relacionar-se com uma pessoa rixosa. É melhor viver só que ser acompanhado por uma pessoa irritadiça. Há duas maneiras erradas de lidar com a ira. A primeira é a explosão da ira. Um indivíduo temperamental e explosivo machuca as pessoas com suas palavras e atitudes. Torna-se duro no trato e maligno em suas ações. A segunda atitude errada é o congelamento da ira. Há aqueles que não explodem, mas armazenam a ira. Não jogam sua agressividade para fora, mas a acumulam no coração. Tornam-se pessoas amargas, mal humoradas, que se fecham como uma cabeça de repolho e acabam azedando a alma. A solução não é a explosão nem o congelamento da ira, mas o exercício do perdão. O perdão cura e restaura. O perdão é assepsia da alma, a faxina da mente e a cura das emoções.

GESTÃO E CARREIRA

O VERDADEIRO NETWORKING

Cultivar uma boa rede de contatos exige dedicação e cuidado – não importa se as conexões estão no mundo online ou offline

Ter uma rede de contatos é fundamental para a busca de oportunidades no mercado de trabalho e para a geração de novos negócios. Entretanto, para obter benefícios é necessário ter em mente que essa troca entre profissionais com interesses comuns precisa ser cultivada, cuidada e valorizada.

Conviver com pessoas inspiradoras é uma oportunidade que qualquer um tem para aprimorar ideias e fazer crescer seu potencial criativo. E manter-se conectado é uma forma de melhorar as chances de crescimento e adquirir novos conhecimentos.

Só não pense que o networking é uma relação na qual você só ganha. É importante perceber que essa rede é pautada na troca de informações, experiências e aprendizados. Uma das formas de se diferenciar é postar nas redes e fóruns pequenos textos, compartilhando assim pensamentos e reflexões sobre sua área de atuação, pois atualmente é fundamental participar de grupos temáticos que tenham a ver com seus interesses.

Outro fator significativo é não se esquecer de dar atenção às pessoas: não há nada mais indelicado do que só responder ao que interessa e é conveniente. Dê retorno aos convites que receber. Não importa se você não tem como ajudar ou comparecer, além de ser educado, é uma forma de consideração e respeito com quem procurou você primeiro.

Lembre-se de que, a todo instante, estamos realizando pequenas ações que nos aproximam de diversas pessoas, que, até então, não conhecíamos. Existe até uma teoria para isso. Batizada de “the small world problem” (ou “o problema do mundo pequeno”), diz que todos nós estamos a apenas seis pessoas de distância de qualquer outra na Terra. Agora, outra ideia vem à tona, a “teoria da aprendizagem digital”, que explica o efeito que as tecnologias têm sobre a forma como as pessoas vivem e convivem na sociedade contemporânea. Nesse contexto, as redes sociais são ferramentas poderosas para viabilizar e também para visualizar tais conexões.

Mas é necessário tomar muito cuidado para não se acomodar apenas na facilidade da vida digital: o verdadeiro networking exige manutenção e atualizações personalizadas constantes.

Além disso, vale entender que, embora tenhamos muitas benfeitorias e facilidades vindas do ambiente online, é preciso se conectar também no mundo real. Sempre que você conseguir, abra um espaço na agenda para as relações pessoais. Torne real aquela mensagem, diminua as distâncias e não deixe de tomar um café, marcar” uma happy hour. Nada substitui a troca de experiências e bagagens por meio do bom e velho olho no olho.

SOFIA ESTEVES – é fundadora e presidente do conselho do grupo Cia de Talentos, professora e pesquisadora de gestão de pessoas

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRANSTORNOS EMOCIONAIS – VI

FUNDO EMOCIONAL

Dores pelo corpo, problemas de pele e de digestão e queda de cabelo são alguns dos problemas físicos causados pelos transtornos mentais

Vários estudos tentam desenvolver exames que detectem transtornos emocionais. Mas a maioria dos casos, por não poder ser diagnosticado por meio de um teste de sangue ou de imagem, dependem apenas da avaliação clínica para ter o diagnóstico. Por serem doenças “invisíveis” quem sofre com esses transtornos muitas vezes precisa encarar preconceitos por parte de quem não tem informação sobre elas. Enquanto uma infecção bacteriana é detectada pelo sangue e um osso quebrado pelo raio-X, transtornos emocionais só são percebidos pelos sintomas que o paciente apresenta. Porém, essas doenças não são tão invisíveis assim – elas podem se manifestar pelo corpo todo e até provocar outras doenças. Diversos problemas de saúde e sintomas, portanto, podem ter fundo emocional e passar com a causa despercebida. “Osdistúrbios emocionais podem apresentar sintomas físicos como esgotamento físico, falta ou aumento de apetite, ânsia de vômito constante, problemas digestivos ou gastrointestinais, dor de cabeça, cansaço ou fadiga, mudança no ciclo de sono, mudanças no peso, dores no corpo e baixa imunidade”, lista a psicóloga e palestrante Aline Fortes Ribeiro. Confira algumas das manifestações pelo corpo:

PROBLEMAS DE PELE

Estresse e ansiedade fazem com que o corpo libere diferentes hormônios que circulam pela corrente sanguínea e afetam a imunidade. Esse efeito vai ser visível especialmente na pele, causando problemas como hiperidrose, urticária, vitiligo, coceiras e queda de cabelo. O cortisol, um dos hormônios cuja quantidade está elevada em pessoas estressadas, faz as glândulas sebáceas trabalharem mais, o que aumenta o aparecimento de acnes. Em casos graves, podem aparecer sintomas como tricotilomania (hábito de arrancar os cabelos de forma compulsiva) e dermatite artefacta, (ímpeto de provocar feridas na própria pele).

Quem já tem alguma doença de pele e precisa controlar pode ter o problema agravado pelo estado emocional. É o caso da dermatite atópica, um dos tipos mais comuns de alergia de pele. A doença é genética, crônica e deixa a pele seca e com erupções que coçam. Situações de nervosismo e ansiedade podem levar ao aumento da vermelhidão e da coceira. A rosácea é outro problema que pode ser mais percebido durante as crises emocionais. É uma doença vascular inflamatória crônica que ocorre principalmente em mulheres de causa ainda desconhecida, mas com fator de risco genérico. O tratamento da dermatite atópica é feito com cremes ou pomadas à base de corticoides, além de medicamentos antialérgicos. Contudo, administrar o estresse e a ansiedade é fundamental para que os sintomas não se agravem.

DISFUNÇÕES NAS ARTICULAÇÕES TEMPOROMANDIBULARES

Você acorda com dores de cabeça mesmo aparentemente tendo dormido bem? Sente os músculos do pescoço e ombros tensos? Cansaço na hora de mastigar? Estalos na mandíbula? Dentes sensíveis? Tudo isso pode ser sinal de uma disfunção no ATM, a articulação temporomandibular. Chamado de DTM, o problema pode ser tão intenso a ponto de causar todos esses sintomas juntos, além de zumbido no ouvido, dores ao abrir muito a boca, mudanças no encaixe dos dentes. Estresse, ansiedade e até depressão estão relacionados com a DTM, que também pode ser causada por deformidades faciais e má inclusão da arcada dentária.

Um tipo de DTM é o bruxismo, caracterizado pelo ranger de dentes durante o sono, de forma involuntária, o que pode resultar em desgaste, amolecimento dos dentes e até quebra dos dentes eproblemas na gengiva. Não se sabe ao certo as causas do problema, mas a tensão e a ansiedade podem agravar os sintomas.

 O tratamento da DTM envolve medicação analgésica e relaxantes musculares, que devem ser usados com orientação médica; uso de placas de mordida para pessoas que rangem os dentes enquanto dormem; exercícios físicos, terapia para melhorar a mobilidade da mandíbula e aliviar a inflamação. “Não se: pode falar em ‘cura’ efetiva, pois a doença pode deixar de ocorrer por um tempo e se fazer novamente presente. O preferível é falar em termos de ‘administrar o problema’, minimizando-o a ponto de que não cause efeitos colaterais”, aponta o especialista em ortodontia e ortopedia facial Gerson Kõhler.

ENXAQUECA

Caracterizada por fortes dores de cabeça de alta intensidade, a enxaqueca atinge cerca de 30 milhões de pessoas somente no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC). A dor incessante é capaz de atrapalhar ou mesmo impedir as atividades do dia a dia, sendo perturbadora até mesmo na   hora de dormir. As causas para o desenvolvimento do problema são variadas, podendo envolver estresse, noites mal dormidas, luzes e sons intensos e até mesmo perfumes e outros odores muito fortes.

Outros motivos também podem estar relacionados com a dor pulsante na cabeça. “A enxaqueca é consequência de algumas alterações nos seus neurotransmissores encefálicos, em consequência de ter herdado de um dos pais ou dos dois alguns genes anormais. “Tal anormalidade fará com que a química do cérebro não seja igual a de pessoas que não têm enxaqueca, tornando o paciente mais sensível a alguns estímulos (alimentos, fase menstrual, perfumes, odores em geral, álcool, etc.)”, explica o neurologista José Speciali. Segundo um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP), o estresse provocado pelo trabalho é um importante fator de risco para a enxaqueca. Profissões extremamente exigentes e ambientes de trabalho ruins estão associados a uma maior frequência desse tipo de dor. Essa relação é mais forte entre mulheres do que homens, porém os pesquisadores afirmaram que o motivo dessa diferença ainda deve ser estabelecido de forma mais aprofundada.

GASTRITE

Em quem já tem o problema, as situações estressantes são capazes de piorar sintomas como dores e queimação no estômago. Isso porque a quantidade elevada de hormônios do estresse (cortisol e adrenalina), aumentam a secreção de suco gástrico e reduzem a defesa do órgão. A gastrite pode ser causada por infecção bacteriana, uso regular de medicamentos para dor, consumo excessivo de álcool e tabagismo. Se não for tratada, pode se tornar crônica e evoluir com lesões e úlceras. Além de manejar o estresse, manter uma alimentação saudável é indispensável.

QUESTÃO DE SAÚDE

A importância do tratamento dos transtornos emocionais fica ainda mais evidente ao destacar todos os problemas físicos que eles podem causar. Informar-se sobre essas doenças e suas consequências é fundamental para evitar problemas ainda mais graves, como o suicídio, uma vez que muitas pessoas que pensam em dar fim à vida apresentam sinais. ”São sinais de forma indireta, por exemplo, com frases como ‘minha vida não tem sentido’. É possível identificar os sintomas e o passo inicial para a prevenção é a informação para o esclarecimento de alguns mitos relacionados ao suicídio, como pensar que a pessoa que fala ou ameaça não se mata; perceber o suicídio como um ato de covardia ou coragem; achar que quem tenta suicídio quer chamar atenção; que é falta de Deus ou do que fazer; e que falar sobre suicídio incentiva o ato”, diz a psicóloga Aline Fortes Ribeiro.