EU ACHO …

A COVID-19 ROUBARÁ O NATAL?

Entre a esperança das vacinas e o desânimo de uma nova onda

“Você pode ter se cansado do vírus, mas ele não se cansou de você.” As palavras de Anthony Fauci, o mais conhecido e teatral imunologista americano, são de um didatismo quase insuportável. Não só nos cansamos do vírus, como gostaríamos de soterrar na mais profunda das cavernas da memória todo esse annus horribilis, o horrível ano do coronavírus. Mas como ele não se cansou de nós, 2020 ainda vai demorar uns cinco anos para terminar. Todos os prognósticos de recrudescimento da pandemia no fim do ano, em especial nos países do Hemisfério Norte a caminho do inverno, estão sendo, infelizmente, confirmados. Até a Suécia, uma espécie de aldeia de Asterix na resistência às quarentenas e medidas extremas, proibiu eventos públicos com mais de oito pessoas. “A coisa vai piorar, repito, a coisa vai piorar, repito, a coisa vai piorar. Cumpram seu dever e assumam a responsabilidade de parar a propagação dessa doença”, dramatizou Stefan Löefven, primeiro-ministro do país onde vivem Papai Noel, em seus domínios na Lapônia, e o imunologista Anders Tegnell, o campeão do ceticismo em relançar as virtudes da quarentena — uma intervenção à qual a Suécia continua arredia.

Os repiques nos números de contágio, com o cortejo de hospitalizações e mortes, comprovam que o fechamento das atividades públicas são a única ferramenta da caixa para controlar os surtos. Adicionalmente, tratar as populações como crianças rebeldes — “Comportem-se e talvez seja possível ter um Natal em família” — virou uma espécie de atitude-padrão das autoridades, competentes ou incompetentes. Os pequenos ditadores que vivem no interior de todos nós, aumentando de intensidade na mesma razão do poder que acumulam, manifestaram-se nas instruções do governo da Califórnia sobre como deveria ser o dia de Ação de Graças, uma prévia do Natal: no máximo três famílias reunidas sob o mesmo teto e por menos de duas horas. De preferência, falando bem baixinho. “Todas as pessoas que forem cantar ou fazer um coral devem usar máscara o tempo todo”. E também são “fortemente encorajadas” a prender a voz, cantando em volume semelhante ou abaixo do tom de uma conversa normal. Pobres corais. Uma das consultoras médicas do governo britânico, Susan Hopkins, disse que os cinco dias de “liberdade” que os súditos da rainha provavelmente poderão desfrutar de 23 a 27 de dezembro não serão uma ceia grátis. “Para cada dia de relaxamento vamos precisar de dois dias de restrições aumentadas”, avisou. Quase entrou para os anais das decisões infames, como a do governo do estado americano de Wisconsin, que recomendou a seus funcionários o uso de máscara em reuniões virtuais mesmo quando trabalhando remotamente de casa, para dar o exemplo. Exemplo de quê? Parvoíce?

O recrudescimento do vírus que pode estragar o Natal convive com o otimismo provocado pela enxurrada de resultados mais positivos ainda do que o antecipado para as vacinas em estágios mais avançados. Aguentar mais um pouco com a solução parecendo tão próxima é um massacrante teste de paciência, esta qualidade que, segundo um dos maiores autores de autoajuda de todos os tempos, Aristóteles, é amarga, mas dá frutos doces.

*** VILMA GRYZINSKI

OUTROS OLHARES

MAS NÃO ERA ESQUISITO?

Grifes como a Fendi e a Paco Rabanne adotam a combinação de meia com chinelo e chancelam uma tendência que já despontava nas ruas e redes sociais

Quando as modelos da Fendi entraram na passarela para exibir a coleção Verão 2021, em Milão, em outubro, todo mundo olhou para baixo. Os pés é que chamaram atenção, pousados em chinelos e com meias três-quartos estampadas como inconfundível F duplo da grife italiana. Tratava-se, segundo a estilista Silvia Fendi, da família fundadora e diretora de criação da marca, de oferecer uma imagem mais simples em dias tão difíceis. “Eles enxergaram o que o consumidor quer agora, usar peças confortáveis”, diz a consultora de moda Lilian Pacce.

O.k., o conforto é compulsório – mas vale até chinelo com meia, composição sempre tratada com desconfiança, mistura esquisita, para dizer o mínimo? Vale. A Fendi, a rigor, chancelou uma tendência que já começava a ser notada nas ruas e redes sociais, é claro. Tudo começou com a recente mudança de comportamento, com mais tempo em casa (esse era o caso de alguma tarefa do lado de fora, para que tirar o surrado chinelão?). E, então, deu-se a tração, alimentada por postagens de famosos. O ator Lázaro Ramos publicou uma foto no Instagram com meias brancas e chinelos pretos de tiras. “Pausa no trabalho para mostrar o look do dia”, escreveu. A apresentadora Sabrina Sato fez o mesmo com um slide – aquele de borracha e faixa larga, com aplicações de paetê prateado, da Paco Rabanne. Disse a atriz americana Sophie Turner, de Game of Thrones: “Não quero outra coisa além de dar aos meus pés o carinho e descanso necessários”.

De acordo com uma pesquisa publicada pela Lyst, plataforma americana especializada em tendências de consumo, a busca internacional por chinelos de dedo teve um aumento de 53% desde junho, em relação ao primeiro semestre deste ano. Líder no Brasil e com vendas em diversos países, as Havaianas lançaram um modelo de meia que pode ser usado com chinelo de dedo – tem uma divisória entre o dedão e os outros quatro dedos para que não incomode e escape a cada passo. No terceiro trimestre houve crescimento de vendas de 280% em relação aos três meses anteriores. E atire a primeira pedra quem não prefere conforto a um sapato alto ou apertado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 30 DE NOVEMBRO

A DURA REALIDADE DA MORTE

E, assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hebreus 9.27).

A morte não respeita idade nem posição social. Chega a todos irremediavelmente: ricos e pobres, doutores e analfabetos, velhos e crianças, religiosos e ateus. O encontro com a morte é inevitável. Ela chega de súbito sem mandar telegrama. Até Jesus voltar, todos terão de atravessar esse vale sombrio. Por mais que a morte seja certa, não nos acostumamos com ela. Não fomos criados para a morte. Sempre que a morte coloca suas mãos geladas sobre quem amamos, abre sulcos de dor em nossa alma. Sempre que ela nos espreita, ficamos sobressaltados. A morte é o rei dos terrores. A morte, porém, foi vencida. Ela não tem mais a última palavra. Jesus arrancou seu aguilhão. Jesus matou a morte com a própria morte e trinfou sobre ela em sua ressurreição. Não precisamos mais temer a morte. Podemos dizer como Paulo: Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? … Tragada foi a morte pela vitória (1Coríntios 15.55). Agora, morrer para o cristão não é mais sinal de desespero. Morrer é uma bem-aventurança, pois significa descansar das fadigas. O salmista disse que a morte dos santos é preciosa para Deus. Paulo disse que morrer para o cristão é lucro. Morrer é deixar o corpo e habitar com o Senhor. Morrer é partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.

GESTÃO E CARREIRA

VOCÊ É UM LÍDER PROGRAMADOR MENTAL?

Muito tem se falado em Programação Neurolinguística, e muitas empresas já estão usando a PNL em todo o mundo. Mas, afinal, o que seria? E como essa tecnologia pode ser aplicada em sua empresa?

A PNL contempla um conjunto de técnicas, padrões e estratégias cognitivas funcionais modeladas da genialidade humana, que tem como objetivo realizar mudanças específicas na estrutura subjetiva da mente, provocando respostas comportamentais assertivas. Essa tecnologia da mente humana foi desenvolvida na década de 1970 nos Estados Unidos por dois gênios, o Dr. Richard Bandler e o PhD John Grinder. As ferramentas e técnicas linguísticas e comportamentais da PNL proporcionam uma reprogramação mental e comportamental em seus praticantes, o que possibilita um processo de aprendizagem de como pensar e comunicar de forma mais eficiente consigo mesmo e com os outros. Além disso, proporciona um autodesenvolvimento que estimula as capacidades de persuasão e Influência.

A PNL pode ser utilizada no mundo dos negócios, pois apresenta estrutura e modelo. de comunicação claros e assertivos, fazendo que o profissional se destaque ao perceber a potencialidade das pessoas com quem se relaciona. Isso se torna possível por meio do conhecimento sobre o nosso próprio funcionamento interno e de seus colaboradores, ampliando as possibilidades de escolhas de atitudes e comportamentos que vão ao encontro dos resultados desejados.

Assim, a PNL nas empresas é uma poderosa ferramenta de mudança que proporciona grandes benefícios em termos de comunicação, relacionamento, auto­desenvolvimento e estratégias de gerenciamento de conflitos.

1. Os desafios das empresas são constantes, engana-se quem pensa que a vida de gestor e/ ou empreendedor é fácil. Como você se percebe em relação à resolução de problemas?

A) Sou um bom solucionador de problemas, pois tenho todos os recursos internos para fazer o que for necessário, caso contrário, sou capaz de criá-los.

B) Acredito que consigo resolver os problemas que aparecem, mas em determinado momento, não consigo sair dele.

C) Quando tudo parece estar indo bem, surge um novo desafio, atrapalhando os resultados.

2. Como você gerencia os conflitos gerados por opiniões divergentes em sua empresa?

A) Não deve haver conflitos dentro de uma empresa. Em uma organização todos devem possuir o mesmo mapa, ou seja, pensar da mesma forma. Cada colaborador deve resolver os seus próprios conflitos e não externalizar as suas opiniões divergentes.

B) Percebo que para entender uma pessoa é importante compreender que ela responde à sua

experiência, e não à realidade em si. As reações que as pessoas têm DEPENDEM de seu MAPA MENTAL e do AMBIENTE em que estão inseridas.

C) Me coloco no lugar do outro e tento perceber o que passa na mente dele, entendendo também todo o contexto. Porém, a hierarquia deve ser sempre respeitada e a minha opinião, como líder, deve ser mantida.

3. Como você lida com a sua equipe quando não obtém os resultados esperados?

A)  Todos estamos sujeitos a erros, busco entender toda a situação e contextos, porém cada um deve ser responsabilizado pela sua falha e corrigi-la de forma rápida.

B) Sei que estamos sempre aprendendo com os resultados alcançados, portanto os “erros” e as “falhas” são apenas ajustes do processo.

C) Procuro sempre o culpado. Jamais me responsabilizo como líder e cada um deve se responsabilizar pelas suas ações, isso inclui os erros.

4. Se o que está fazendo não conduz ao resultado esperado, como você age?

A)  Prefiro buscar mais informações, analisar e ver o que deve ser feito, entretanto não quero correr riscos e postergo novas ações.

B) Fico focado no problema e não consigo pensar em outras soluções. Muitas vezes transfiro para fatores externos (governo. o mercado que não está favorável, crise econômica, funcionários não estão engajados etc.)

C) Procuro fazer algo diferente. Quando sei o que desejo alcançar, busco outras estratégias para alcançar o resultado desejado.

5. Como você estabelece a comunicação com seus colaboradores?

A) Acredito que quando me comunico e a outra pessoa não compreende, o problema é dela por não ter entendido.

B) Eu assumo a responsabilidade pela comunicação para explicar o que quero dizer, prestando atenção no feedback do outro.

C) Procuro me comunicar da melhor maneira possível, porém não presto atenção no efeito da minha comunicação sobre o meu colaborador.

6. Mudando a forma de pensar modificamos nosso pensamento. Alterações e desequilíbrio no estado emocional de um líder, inevitavelmente, têm efeito sobre as pessoas ao seu redor. Como você controla o seu estado emocional (como você age quando está triste, desanimado ou nervoso)?

A)  Quanto mais sei a respeito de mim mesmo, mais poderei ajudar outras pessoas. Tenho a capacidade de escolher e controlar o meu estado emocional e influencio positivamente a minha equipe.

B) Consigo perceber o meu estado emocional desprovido de recurso, porém acredito que os meus problemas, assim como o da minha equipe, devem ficar fora da empresa.

C) Não consigo controlar o meu estado emocional e acabo descontando em minha equipe.

7. É necessário conhecer o estado atual, porém com um planejamento estratégico você consegue alcançar o objetivo desejado utilizando os recursos que possui ou criando outros. Como você planeja e desenvolve estratégias para obter os resultados esperados?

A) Sei que todo resultado e comportamento são conquistas. Quanto mais persisto, mais conhecimento, experiência e resultado obterei.

B) Quero que meus projetos e negócios aconteçam perfeitamente do jeito que planejei, custe o que custar.

C) Acredito que feito é melhor que perfeito, executo sempre e me preocupo com o resultado, não importa a forma como será feito ou a análise e planejamentos anteriores.

8. Respeitar as suas ações e as de outros como sendo as melhores possíveis no momento. Ao tomar uma decisão, você considera quais fatores?

A) Não me dou o trabalho de descobrir o que as outras pessoas desejam.

B) Me preocupo com o sistema geral. Verifico o quanto a minha decisão se encaixa dentro desse sistema mais amplo e se essa mudança não vai causar problemas em outras áreas.

C)  As ações devem causar ganhos, isso eu observo bem. Efeitos colaterais não são determinantes e devem ser controlados por outras áreas.

9. Quando você precisa inovar na sua empresa, de que forma você pensa?

A)  Identifico que existem modelos para serem seguidos, mas fico ressentido quando alguém faz algo melhor do que eu.

B) Acredito que as pessoas nascem com “talento inato” como explicação de desempenho excelente.

C) Busco constantemente modelos de excelência para que eu possa aprender com eles e aplico as melhores soluções que percebo no meu negócio.

PERFIL 1

AGENTE DE MUDANÇA (DE 23 A 27 PONTOS)

Parabéns, você é um praticante de PNL na sua empresa. Você entende os principais conceitos da PNL e os aplica, atuando como um agente de mudança no seu meio. Você é uma pessoa capaz de mudar a si próprio e seu mundo com as ideias e técnicas aqui apresentadas. Você se conhece bem, e consegue compreender os outros de forma mais clara. Possui um recurso inestimável para integrar a sua equipe com uma comunicação bem alinhada e eficaz.

PERFIL 2

AGENTE COM POTENCIAL (DE 16 A 22 PONTOS)

Você possui algum conhecimento sobre a PNL, mesmo que de forma inconsciente. Porém não o aplica de modo efetivo na sua empresa. Mais importante do que conhecer é saber aplicar e construir as habilidades para tornar reais as ideias. Procure aprofundar os seus conhecimentos sobre a PNL e como incorporá-la na sua empresa, sabendo que pode proporcionar uma melhor capacidade de comunicação e estratégias de como lidar com sua equipe.

PERFIL 3

AGENTE ESFORÇADO (DE 9 A 15 PONTOS)

Você é um líder esforçado, tem boa intenção, mas precisa se desenvolver, conhecer a si mesmo e o potencial da sua equipe para melhor aproveitá-la. Uma dica: seja curioso e procure conhecer a PNL e como ela poderá auxiliar na condução da sua equipe. Tenha em mente os benefícios dessa tecnologia e o que ela pode proporcionar para você melhorar como líder e gestor.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A ESSÊNCIA NÃO ESTÁ NA BELEZA

A experiência com o diferente pode acionar mecanismos de fuga e rejeição que vão além da consciência e nos levam a viver a ilusão de um mundo dividido em perfeição e imperfeição

O prêmio do livro da americana R. J. Palacio surgiu de uma experiência pessoal, vivida quando ela e seus filhos estavam numa sorveteria e um deles, o caçula de 3 anos, assustou-se com a deformidade facial de uma garotinha e começou a observar. Com esse impacto, Palacio escreveu a obra Extraordinário, com energia suficiente para mobilizar seus leitores, fazendo a hist6ria tornar-se um best-seller, já convertido em filme.

A obra conta a história de um menino de 10 anos, August Auggie, que, escolhido pelo jogo das combinações genéticas, nasceu com rosto sem a harmonia e as proporções das formas, deixando-o em oposição ao belo. Ele sofria por não conseguir ser para os outros, um garoto comum.

A educação escolar foi dada pela mãe até os 10 anos, quando resolveram colocá-lo numa escola, sob seus protestos. Ele aceitou depois de um acordo de poder desistir se assim desejasse. A mãe superprotetora quase não dava conta da existência da irmã de August. Assim, Via (Olivia) sofria, resignada, mas conseguia amar o irmão.

Com sua aparência “extraordinária”, August faz amigos, sofre bullying e até consegue descobrir uma forma de estar no mundo como um garoto comum, apesar de seus pais lhe dizerem que ele é “extraordinário”. O desejo de Auggie era de que todos os dias fossem Halloween, pois assim “poderíamos ficar mascarados o tempo todo e, então, andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem máscaras”.

Na Psicologia de C. G. Jung, cada sujeito precisa se relacionar com o mundo externo e objetivo se adaptando a ele; mas também existe um mundo interno e subjetivo, repleto de experiências do ser humano e de nossas próprias vivências guardadas, com diversas tonalidades afetivas, que também exigem que possamos nos relacionar e nos adaptar a ele. Nesse modelo de Psicologia, a estrutura da relação com o mundo externo foi chamada de “Persona”, que é um modo de imaginarmos como somos vistos pelos outros. A imaginação de Auggie, sobre nos conhecer com máscaras e depois nos sentirmos em contato com a verdade. evitaria o preconceito, para permitir que pudéssemos ser conhecidos em nossa essência.

Nem sempre tomamos consciência da existência da máscara que usamos e de como nos importamos com ela. Na Psicologia de Jung, a estrutura da relação para com o mundo mais profundo de nossa natureza, o mundo interior, foi chamada de “Alma”. E são esses conteúdos existentes na “Alma” que, ao se manifestarem, sofrem a ação da consciência, separando-os em opostos irreconciliáveis.

No mundo da “Alma”, tudo está unido. É nele que nossos ancestrais sentiram que Deus criou os céus, a Terra e contemplou o universo como o todo belo. Também faz parte desse todo Lúcifer, o demônio, uma obra de sua criação. Na “Alma” não há separação entre o perfeito e o imperfeito, existe o ser. É ao passar pela consciência que esse ser pode se transformar no belo, com as suas  formas harmônicas e proporcionais, ou em sua oposição, a feiura Monstros e Velhos Sábios, como o Jedi (personagem de Guerra nas Estrelas), são opostos em suas funções. Enquanto o primeiro mostra feiura em suas ações puramente instintivas, o Velho Sábio, com sua sabedoria, orienta os menos experientes de vida. Embora sejam comuns em suas aparências disformes, o primeiro mostra a feiura do ser, enquanto o segundo, a beleza. Olhe agora para aquela velhinha que você tanto ama! O que acontece com sua “feiura”? Dilui-se na beleza do amor e as polaridades desmancham-se na “Alma”.

Umberto Eco, em sua obra A História da Feiura, relata-nos que na Antiguidade acreditava-se que as criaturas vistas por fora como feias eram prenúncio de infortúnio. Com a evolução da consciência, no Renascimento, os seres monstruosos passaram a ser objetos de observação científica em vez de profetas das tragédias.

No Mundo Moderno, os consultórios médicos tornaram-se uma arena de luta contra o feio no corpo. Até os genitais, como disse Freud, são vistos como feios, mas exercem excitação e desejo ou fascínio. Mesmo assim, alguns ginecologistas, urologistas e até proctologistas dedicam-se a trabalhar na estética desses órgãos.

Na Mitologia Grega, Hefesto, o deus rejeitado por sua feiura, torna-se o artesão que constrói as mais belas obras do Olimpo. Notamos aqui a feiura como estímulo intelectual e pulsão artística, para criar o belo. Hefesto casa-se com Afrodite, deusa da Beleza. Podemos perceber aqui o sentido de “casar-se” como uma relação entre o feio e o belo para tornarem-se um. Portanto, o sentimento da “Persona”, em ser visto como o feio, ao casar-se com a “Alma”, que sente em si a beleza interior, faz-nos conseguir um todo em equilíbrio.

O menino August Auggie, diante dos colegas que o isolam, convive com um conceito sobre si mesmo, o de alguém que assombra os outros. Com o amor manifestado por sua família, nutre seu valor interior e aos poucos é notado por sua capacidade carismática, até adquirir uma nova percepção do outro sobre si e conseguir fazer os amigos enxergarem um outro tipo de beleza. É o casamento da beleza, do fazer com a beleza do ser.

Auggie são todas as pessoas que ficam mergulhadas na escuridão de um eu que imagina sua imagem mostrada ao mundo em colisão com o ideal de uma sociedade. O sentimento de assombrar o outro, ser motivo de risos, acontece até essas pessoas encontrarem a capacidade de amar a si mesmas, para ser possível serem vistas em sua essência.

CARLOS SÃO PAULO – émédico e psicoterapeuta Junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.

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