EU ACHO …

A INTOLERÂNCIA É BRUTAL

O rabino Schlomo Hofmeister, 45 anos, testemunhou o ataque terrorista em frente à sinagoga de Viena

Desde que me formei na escola, quando ainda morava na Alemanha, aos 18 anos, sabia que queria ser rabino. Estudei em Londres e em Jerusalém para alcançar meu objetivo e ingressei no rabinato da comunidade judaica de Viena, na Áustria, há doze anos. Durante todo esse tempo, nunca tinha presenciado nada parecido com o ataque terrorista do início de novembro, uma amostra triste e brutal da intolerância que insiste em se manter entre nós neste século XXI. Estava no meu apartamento, em frente à Grande Sinagoga e ao Rabinato, onde trabalho diariamente, quando ouvi uma centena de tiros. Era uma noite quente e muita gente estava na rua antes do anunciado segundo lockdown contra o novo coronavírus. Demorei a entender o que estava acontecendo. Afinal, ninguém espera tamanha violência. Fui tomado por uma sensação avassaladora de impotência. Da minha janela, via gente tentando desesperadamente se refugiar em bares e restaurantes, e o terrorista correndo atrás. Dava para perceber que ele estava descontrolado. Seu objetivo era matar o maior número possível de pessoas antes de a polícia chegar. Ao ser abatido, havia deixado quatro mortos e 22 feridos.

Depois daquela noite, apesar de anestesiado pelo choque e pela dor, voltei ao trabalho. Uma coisa parecia ter mudado: em meio às velas e flores depositadas na área do ataque, o clima era de profunda solidariedade, como nunca tinha visto. As pessoas exibiam calma. Talvez o susto diante de algo tão atroz tenha despertado o desejo de agir com delicadeza. Não ficou claro se o alvo do agressor era a comunidade judaica, até porque a sinagoga estava fechada, mas aquilo foi, sem dúvida, um ataque à sociedade civilizada. É inegável que a intolerância esteja aumentando em toda a Europa. Algumas semanas atrás, estava caminhando de manhã com três crianças e um grupo de homens gritou: “Olha, é um porco judeu e seus leitões”. Esse tipo de abuso acontece quase toda semana. Por enquanto, não sofri violência física. Não sei o que aconteceria se tentasse responder. Eu e representantes da comunidade judaica em todo o mundo estamos em alerta devido à ascensão do antissemitismo. Tenho certeza de que, se a sinagoga estivesse aberta, a tragédia teria sido mais extensa.

A Grande Sinagoga já foi alvo de um ataque em 1981, quando dois membros de um grupo palestino tentaram invadir o prédio, matando duas pessoas e ferindo 21. No tiroteio de novembro, as forças de segurança conheciam, mas não deram maior atenção ao atacante, que já havia sido preso por tentar se unir ao Estado Islâmico na Síria. As autoridades não estão levando a ameaça terrorista a sério. Dito isso, acendo um alerta: a sociedade não deve atacar a comunidade muçulmana como um todo. Além de não ser humanamente aceitável, isso pode exacerbar ainda mais o extremismo, como vimos na França. A espiral de ódio e violência é sempre alimentada por dois lados.

Em vez de sucumbir ao medo, precisamos evitar a polarização e fugir das generalizações descabidas, visto que o extremismo não tem nada a ver com a religião. É muito fácil culpar uma comunidade inteira – os judeus sentiram isso na pele. Mas o Islã tem tão pouco controle sobre seus radicais quanto qualquer outra doutrina. A Europa também está tomada por terroristas de extrema direita, que alegam defender valores cristãos europeus, e os cristãos sabem que não é verdade. Temos que compreender que, aos olhos da maioria dos muçulmanos, os terroristas islâmicos não estão agindo em nome de Alá. Enquanto essa visão não prevalecer, é só uma questão de tempo até que outro ataque aconteça. Como espectador da história, garanto que ninguém quer ser testemunha de um capítulo tão horrendo.

OUTROS OLHARES

A FOME VOLTA A ATORMENTAR

A nova geografia da insegurança alimentar reflete tristemente os velhos problemas do Brasil

Sheila Lemos tinha só 8 anos quando pediu esmola no semáforo pela primeira vez. Estava acompanhada da mãe e dos seis irmãos. Hoje adulta, aos 25 anos, está de volta aos cruzamentos. As crianças agora são outras. Os filhos Paulo Henrique, de 11 anos, Jennifer, de 9 anos, Brian, de 7 anos, e Kemilly, de apenas 5 anos de idade. Com as escolas fechadas por conta da pandemia e sem ter com quem deixá-los, Sheila os carrega ao cruzamento da Rua Vergueiro com a Avenida Ricardo Jafet, na Zona Sul paulistana. Em um dia de sorte, as doações chegam a 50 reais. O dinheiro garante a viagem de volta para casa e as refeições da família naquele dia – as crianças faziam a maioria das refeições na escola. Embora beneficiária do Bolsa Família e alcançada pelo auxílio emergencial de 600 reais, a situação melhorou pouco. As parcelas garantem o pagamento do aluguel de uma casa humilde em Ferraz de Vasconcelos, a 40 quilômetros da capital, e as despesas básicas. Sem esperança de conseguir um emprego fixo e diante do corte iminente do benefício, ela teme pelo futuro. “Passei fome muitas vezes”, lembra, com angústia. O que mais lhe dói, porém, é o julgamento daqueles que cruzam com ela e as crianças nas ruas. “Ninguém escolhe estar nessa situação e depender de doações. Às vezes saio de casa só como dinheiro da passagem.”

Sheila é pobre, negra e cria os filhos menores de idade sozinha. Brasileiras como ela são hoje, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as mais ameaçadas pela insegurança alimentar. Após anos recentes de progresso, esse drama tão característico da vida brasileira tem voltado a crescer. A pesquisa mais recente do instituto, com dados de 2018, mostra que quatro em cada dez lares brasileiros convivem com a incerteza em relação a quanto, como e o que vão comer. Dessa legião, 10,3 milhões passam fome de fato: ficaram ao menos um dia da semana sem comer. A conta não inclui aqueles em situação de rua. Dois anos atrás, escapamos por pouco de voltar ao Mapa da Fome, rol de países onde mais de 5% da população enfrenta insegurança alimentar grave, do qual o Brasil foi excluído em 2014 por conta dos programas sociais, do crescimento da economia e da expansão na renda. Faltam dados consolidados dos anos seguintes, também não há nenhum sinal de reversão dessa tendência. Admitindo-se que o crescimento da fome se manteve em projeção linear, em 2020 o drama atingirá cerca de 15 milhões de brasileiros, 6,6% da população.

No Brás, não muito longe do ponto no qual Sheila implora por trocados, o frade José Francisco dos Santos lida na outra ponta com a situação. Há 14 anos na linha de frente do Serviço Franciscano de Solidariedade, Santos nota aumento expressivo e contínuo na procura pela entidade, que distribui refeições diárias a moradores de rua, migrantes e catadores em São Paulo e no Rio de Janeiro. A pandemia atraiu um público diferente dos outros anos, gente que vive na fronteira entre a fome e a fome iminente. “Muitos não estão em situação de rua, conseguiram o auxílio emergencial. Mas entre comer e morar, têm privilegiado a moradia. E vêm até aqui porque não têm o que comer. Além das refeições prontas, o Sefras passou a distribuir também cestas básicas. Foram mais de 30 mil nos últimos seis meses. “Temos de ajudá-los antes que venham para o lado de cá.”

As estatísticas comprovam a percepção cotidiana do frei. Desde 2015 aumenta a cada ano o porcentual de brasileiros empurrados de volta à miséria. Chegaram a 13,88 milhões em 2019, segundo dados da Pnad Contínua do IBGE. Cinco anos antes, eram 9 milhões. São considerados extremamente pobres aqueles cujos ganhos diários não passam de cerca de 10 reais. Em 2020, o contingente de miseráveis lançados à própria sorte em um país que optou por desmantelar as tênues redes de proteção social só não foi maior graças ao pagamento do auxílio emergencial. Mais de 67 milhões foram beneficiados, a maioria das regiões Norte e Nordeste. O desemprego e a informalidade, contudo, aumentam em ritmo acelerado. Em julho, a taxa chegou a 13,8%, atingindo 13,1milhões de brasileiros, maior índice desde 2012. Neste cenário, o alívio propiciado pelo auxílio é circunstancial: tão logo finde a concessão do benefício, o número de pobres deixados à própria sorte tende a ser ainda maior. Os 600 reais mensais viraram 300, e devem acabar antes do fim do ano. Com a comida mais cara e o corte pela metade no apoio financeiro estatal, a conta não fecha. Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome durante o governo Dilma Rousseff, defende uma reformulação do Bolsa Família. “É preciso aumentar o valor do benefício, e incluir na fila do programa aqueles que caíram na pobreza por conta da crise.” O problema do Brasil não está na produção de alimentos. O País comemorou recentemente uma “supersafra” de grãos, estimada em 257 milhões de toneladas. Em um ano, a participação do agro­ negócio nas exportações subiu de 40% para 46%, e o setor é o único do PIB a não sofrer com a pandemia. O agro é pop, diz a propaganda, mas não é tudo: a comida que alimenta 1 bilhão de seres humanos no globo tem ficado cada vez mais cara em nossas fronteiras. Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostrou que nos últimos 12 meses, a inflação para quem ganha até 1,6 mil reais foi duas vezes maior do que para quem fatura acima de 16 mil por mês. A explicação é simples: os itens da cesta básica estão cada vez mais caros. A alta do arroz é o caso mais exemplar. Em agosto, segundo o Dieese, o trabalhador gastou, em média, 48,85%, do salário mínimo líquido – ou seja, após o desconto referente à Previdência Social – para comprar os alimentos básicos para um adulto. Em julho, o porcentual foi de 48,26%.

Em 2015, os países membros da Organização das Nações Unidas estabeleceram como meta erradicar a fome até 2030. Naquele ano, contudo, a curva de escassez voltou a subir. Quase 690 milhões de seres humanos passam fome hoje, segundo o relatório mais recente da FAO e do Programa Mundial de Alimentos, duas agências da ONU. Nessa velocidade, o mundo chegará à próxima década com 850 milhões de subalimentados. Um drama global, mas particularmente angustiante na América Latina e no Caribe. Nas décadas anteriores, a região chegou a ter os melhores índices de segurança alimentar do mundo: entre 1990 e 2014, caiu em 60% a proporção de latinos e caribenhos subalimentados, tornando a região a única do mundo a conseguir atingir a meta fixada para aquele período. Desde então, a legião de famintos disparou: cresceu 9 milhões, somando hoje 48 milhões. Com a pandemia, pode aumentar em 269%. O colapso nas estratégias bem-sucedidas de combate à fome está intimamente ligado aos turbilhões políticos e econômicos vividos no continente. “Com a sucessão de crises econômicas e políticas, os orçamentos sociais acabam prejudicados. Esse setor costuma ser o primeiro a sofrer cortes. Com uma população ampla e extremamente vulnerável, a insegurança alimentar logo volta a crescer”, explica o economista Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome e representante do PMA no Brasil.

Aqui, a troca de guarda forçada no Planalto trouxe o desmonte de muitas políticas bem-sucedidas de segurança alimentar. No início de 2019, foi extinto o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o que deu cabo de uma experiência extremamente exitosa de participação social e de construção e implementação coordenada pública. À época, a FAO advertia sobre o alto risco de retorno ao Mapa da Fome. O Programa de Aquisição de Alimentos, uma das principais políticas de apoio e incentivo à agricultura familiar, perdeu boa parte do orçamento. Os estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento praticamente zeraram. “Em 2017, alertamos para o risco de o Brasil voltar para o Mapa da Fome. Mas o governo usou o argumento do teto de gastos para desmontar essas políticas. Estamos pessimistas”, lamenta o economista Francisco Menezes, ex-presidente do Consea.

A receita perversa conta ainda com uma consequência paradoxal: o aumento da obesidade. No mesmo 2018, dos 10 milhões de famintos, o número de brasileiros acima do peso bateu recorde e chegou a 55% da população. Comparado a 2006, o aumento excessivo de peso cresceu 68%. É o outro lado da moeda. Enquanto a comida de verdade fica mais cara, os alimentos ultra processados, mais baratos, ganham espaço nas compras. A quantidade média anual per capita consumida de feijão, calcula o IBGE, recuou de 12 quilos em 2003 para 6 quilos em 2018. No caso do arroz, o recuo é de 37%, de 31 para 20 quilos. A obesidade dos pobres, vale lembrar, não é a mesma dos ricos. “Quando há dificuldades de comprar comida, tenta-se manter a sensação de saciedade com alimentos mais calóricos e pobres em nutrientes”, explica Menezes. A fome oculta é velha conhecida dos brasileiros. O médico Josué de Castro, maior estudioso do tema no Brasil, no livro Geografia da Fome, publicado em 1984, descreveu a situação: “Grupos inteiros de populações se deixam morrer lentamente de fome, apesar de comerem todos os dias”.

Da fome explícita à fome oculta, os mais afetados por esse drama são as crianças. De acordo com pesquisa Ibope encomendada pelo Unicef, as famílias com crianças e adolescentes foram as mais impactadas pela pandemia. Perderam mais renda e enfrentaram mais situações de incerteza alimentar. O aumento do consumo de fast-food e bebidas açucaradas também foi mais comum nesses domicílios. Cerca de 42 milhões de alunos que se alimentam nas escolas públicas estão sem acesso ao direito previsto em lei. Para muitos, a refeição na escola é a mais importante do dia, quando não a única. Na pandemia, houve enorme revés: o governo federal renunciou à responsabilidade de coordenar e articular esse processo, deixando a decisão para estados e municípios. Alguns distribuíram cestas básicas. Outros, vouchers. Grande parte, nada.

Além do impacto na mesa das famílias, houve problemas no campo, pois a agricultura familiar é responsável pelo fornecimento de 30% da merenda. Sem vender, famílias do campo deixaram de comprar outros produtos. Quando a comida começa a rarear, os pais são os primeiros a deixar de se alimentar. Se a situação não melhora, logo começa a faltar para os pequenos. Em três meses, uma criança mal alimentada entra em estágio de desnutrição. A falta de nutrientes nem sempre leva à morte, mas compromete o desenvolvimento motor e cognitivo, muitas vezes para o resto da vida. Sem um plano concreto, ágil e efetivo, o Brasil que falhou com Sheila corre o risco de errar de novo com Paulo, Brian, Jennifer e Kemilly. Em relatório recente, o “ortodoxo” Fundo Monetário Internacional aponta os riscos de uma crise social sem precedentes no mundo e sugere o aumento dos impostos dos mais ricos para financiar o combate à fome, à miséria e à desigualdade. Em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, um liberal oldfashioned, nem cogita dessa alternativa. Prefere tirar dos pobres para dar aos paupérrimos, enquanto sabota qualquer plano para impedir o aprofundamento de uma tragédia que o País parecia ter superado.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 25 DE NOVEMBRO

PORNOGRAFIA, UM VÍCIO DEGRADANTE

Porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação (1Tessalonicenses 4.7).

A pornografia é a deturpação e a banalização do sexo. A pornografia é a maior inimiga do sexo. O uso errado do sexo mina-o, esvazia-o, destrói-o. O sexo é bom, puro, santo e deleitoso, mas a pornografia o torna sujo, impuro e indecoroso. Fomos criados com desejo sexual e com a capacidade de dar e receber prazer sexual. Mas o sexo é um privilégio para ser desfrutado com segurança e prazer no casamento. Antes do casamento, a prática do sexo é fornicação, e os que andam por esse caminho estão debaixo da ira de Deus.  Fora do casamento, a prática do sexo é adultério, e só aqueles que querem destruir-se cometem tal loucura. Mas no casamento o sexo é uma ordenança divina. A relação sexual entre marido e mulher precisa ser sem mácula. A santidade do sexo não é contrária ao pleno prazer, mas condição indispensável. Aqueles que navegam pelos pântanos imundos dos sites pornográficos e alimentam sua mente com a impureza destroem a própria alma. Aqueles que buscam a autossatisfação sexual adoecem a mente e tornam-se prisioneiros de um vício degradante. Somente pelo poder do Espírito, podemos ter uma vida sexual pura e santa. Somente assim, poderemos triunfar sobre a armadilha da pornografia.

GESTÃO E CARREIRA

OS MAIORES ERROS DE UM LÍDER (E COMO CONSERTÁ-LOS)

Em uma recente pesquisa divulgada pela consultoria Mckinsey foi constatado que mais de 90% dos CEOs planejam aumentar seus investimentos em desenvolvimento de lideranças, porque eles veem isso como uma das questões mais importantes enfrentadas por suas empresas. Em um mundo em constante transformação onde o capital intelectual ganha cada vez mais relevância, formar lideranças passou a ser imprescindível para escalar as empresas. Na verdade, em muitas empresas, como as de tecnologia, formar lideranças passou a ser a única forma de melhorar eficiência, aumentar rentabilidade e, consequentemente, gerar mais valor de mercado.

Porém, por mais que este assunto já seja tratado com a sua devida prioridade, ainda é comum encontrarmos empresas que não sabem exatamente o que é analisar e muito menos como desenvolver novas Lideranças. Abaixo identifico alguns erros comuns em líderes e como resolvê-los.

1. O LÍDER ”GURU”

Esta é, talvez, a maior confusão em novos líderes: assumir que o líder é aquele que tem as respostas para todos os problemas que o time enfrenta. Na visão destas pessoas o líder deveria ser um oráculo que ao ser consultado deveria ter uma solução, quando na realidade um verdadeiro líder deveria fazer as perguntas certas para que o seu time pense e chegue às soluções. Se você, como líder, não deixa que seu time contribua com ideias e tome riscos, o que acaba acontecendo é que você se vê isolado em um time que apenas “aperta parafuso”. Para exercer a verdadeira liderança, tenha na cabeça que você, provavelmente, não tem a melhor resposta. E é justamente para isso que você contrata e capacita pessoas para o seu time.

Uma forma prática de não cair nesse erro é ser curioso e incentivar o time a compartilhar suas ideias. Além disso, deixar claro que as ideias que foram compartilhadas são importantes para você. O resultado que você vai observar é que, ao invés de se tornar um líder mais fraco, isso vai fazer com que o time o admire e, consequentemente, você se torne um líder inspirador.

2. O LÍDER ”AMIGÃO”

Este tipo de líder é aquele que orienta todas as suas tomadas de decisões para um objetivo: satisfazer o lado pessoal dos integrantes do time. Este líder é muito preocupado em promover pessoas, deixá-las felizes, mas em contrapartida não entrega nenhum resultado. Sim, olhar para as pessoas do time é essencial, mas de nada adianta se o resultado não for entregue. Um líder deve otimizar para o coletivo e nunca para o indivíduo. Isso significa que as tomadas de decisões devem olhar para o bem do grupo, da empresa – sempre, claro, respeitando os indivíduos. Se você olha apenas para agradar uma ou várias pessoas do grupo, é muito provável que o resultado seja prejudicado.

O líder com essas características deve garantir que os resultados sejam entregues. Para isso, é importante absorver incertezas internas e manter o time focado em um objetivo específico. Acompanhar as metas e compartilhar informações com os liderados é essencial para garantir as entregas sem grandes surpresas.

3. O LÍDER ”CARRASCO”

Este tipo de líder é o oposto do líder “amigão”. Aqui, o gestor está preocupado apenas com a entrega de resultados, não importando se para isso ele tenha que sacrificar os anseios e desejos das pessoas integrantes do time. Os resultados até podem vir no curto prazo, porém no médio prazo os liderados perdem motivação e param de produzir.

Se você se vê nesta situação, pense em como pode contribuir para desenvolver os membros do seu time profissionalmente e pessoalmente. Você está de fato dando autonomia para que eles aprendam a pensar e não apenas a executar? Você está orientando para que eles desenvolvam competências que os tornem mais eficientes? Além disso, você os inspira compartilhando o propósito (o motivo) pelo qual o time foi formado? Essas são questões essenciais para ter uma visão mais orientada a pessoas.

4. O LÍDER QUE NÃO ESTÁ PRÓXIMO AO TIME

Para estes líderes, há uma hierarquia a ser respeitada e por este motivo o líder não deveria estar próximo aos seus liderados. É uma relação muito mais de comando e controle do que de time. O pensamento é que caso ele fique muito próximo dos membros do time, o respeito será perdido. Este é um dos maiores erros que um líder pode cometer. Independentemente de qualquer teoria de liderança, é imprescindível que o gestor esteja próximo não apenas fisicamente como emocionalmente a todas as pessoas que ele lidera.

Liderar não é um trabalho fácil. Muitos anseiam se tornar líderes em suas carreiras, mas   poucos conseguem ter a real dimensão da responsabilidade que isso traz. É praticamente impossível aprender sobre liderança lendo livros ou assistindo a palestras. Liderança se aprende na prática, errando e aprendendo. Não se sinta culpado se você perder o time por algum momento. Não se sinta responsável se algum resultado não vier. O mais importante é o processo de aprendizagem que você e os membros do time tiverem. No final, liderar não é um fim. Deve ser encarado como uma jornada de evolução do gestor.

MARCELO FURTADO – é fundador e CEO da Convenia. Fundada em 2012 pelos sócios Marcelo Furtado, Rodrigo Silveira e Andersen Poli, a Convenia é uma HRTch com soluções voltadas para otimização de tempo e custos de pequenas e médias empresas. O objetivo é trazer alta tecnologia para o setor de RH, de forma acessível e prática, economizando tempo das empresas com rotinas operacionais e destinando-o para as pessoas. Atualmente, os produtos abrangem folha de pagamento, contratação e gestão de benefícios e departamento pessoal, com os quais se pode gerir todos os funcionários em um sistema em nuvem.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NECESSIDADES PSICOLÓGICAS E EMOCIONAIS NA GESTAÇÃO – II

O MÊS QUE ANTECEDE o PARTO

Quando o dia da chegada do bebê estiver próximo, as gestantes precisam aceitar que já não podem realizar todas as tarefas, muito menos com a mesma rapidez que executavam antes de a barriga estar avantajada

No mês anterior ao parto, a ansiedade da gestante e, geralmente, da família toda, pela chegada do bebê, associada ao desconforto físico do final da gravidez (barriga bem grande e pesada, dor na coluna, inchaço de pés e pernas, falta de posição confortável para dormir etc.), faz a mãe querer mais ainda que o momento do parto chegue logo.

Contudo, as futuras mamães acabam se esquecendo de seguir um conselho antigo e frequentemente recebido pelas gestantes que é aproveitar para dormir e descansar antes da chegada do bebê. Algumas mamães ativas enfrentam dificuldades nesta reta final da gestação, que envolvem desde a inaceitação da sua limitação física até a autopermissão para um cochilo no meio da tarde.

Embora o dia da chegada do bebê esteja próximo e, por vezes, os afazeres ainda sejam muitos, as gestantes precisam aceitar que já não podem realizar todas as tarefas, muito menos com a mesma rapidez com que as executavam antes de a barriga estar avantajada. O barrigão impede que elas possam subir em bancos com a mesma segurança e equilíbrio e que executem movimentos, às vezes bem simples, como cortar as unhas dos pés. Além disso, faz com que se sintam mais cansadas, por vezes inchadas pelo peso que carregam, aliado à dificuldade de circulação do sangue. Em seu abdome, todos os outros órgãos são espremidos pelo útero aumentado, e alguns têm seu funcionamento comprometido, causando azia, enjoo, falta de ar, necessidade de ir ao banheiro inúmeras vezes durante noite e dia etc.

Nosso corpo, retrato fiel da natureza, nos indica que talvez este seja o momento de limitar as tarefas e dar lugar às necessidades da mãe e do bebê. Seria muito bom se a mamãe conseguisse simplesmente deitar e dormir no meio do dia. Descansar! Mesmo que isso signifique comprometer o restante do funcionamento da casa ou o atraso na entrega dos trabalhos, por exemplo.

Ali, dentro dela, há um ser terminando de ser formado, recebendo toda a nutrição de que ele necessita (alimento, oxigênio, segurança emocional) e depositando, de volta, tudo que não lhe serve mais e precisa ser liberado ou renovado. É a mãe também funcionando como um grande filtro para o bebê. Nesse período, pode até faltar algo para a mãe, como cálcio ou ferro, mas, impressionantemente, ao examinar o bebê, muitos médicos atestam que ele está devidamente abastecido.

Não se julguem preguiçosas, futuras mamães! Mesmo com a aparente baixa produção do lado de fora, lá dentro, o trabalho é contínuo e árduo. Tornem-se conscientes disso a fim de se permitirem momentos de “preguiça” e descanso de seus corpos e mentes. Isso também é fundamental para o bom desenvolvimento do bebê! Uma mãe tranquila, descansada e equilibrada, emocionalmente, é fundamental para o desenvolvimento de um bebê sadio. E mais do que uma casa impecável, uma mãe supercompetente ou qualquer outra exigência que uma futura mamãe possa se impor, seu bebê necessita de uma mãe consciente, presente e tranquila.

MUDANÇAS

Quando a hora chega, a grande mudança está para acontecer. Se até ali o bebê veio se desenvolvendo de forma tranquila, de maneira que a mãe tenha podido continuar a cumprir toda a sua rotina diária, normalmente, sem alterações consideráveis de humor, ansiedade ou estresse, a partir do nascimento essa mudança será sentida. A começar pelo simples fato de antes da ida para a maternidade saírem dois integrantes de casa e retornarem três… (ou saem três e voltam quatro, e por aí vai…) E ao retornar para casa com mais um membro na família muitas mudanças se farão necessárias.

Geralmente, somente nesse momento as mães compreendem o conselho, sabiamente dado, de descansar e aproveitar para dormir enquanto o bebê estava na barriga. Porque a rotina de sono acaba sendo alterada pelas mamadas e/ ou possíveis cólicas e trocas de fralda.

A arrumação da casa também pode ficar bastante comprometida com a chegada do bebê. Para facilitar o dia a dia atarefado das mamães, nos deparamos com trocadores, mamadeiras e fraldas espalhados em pontos diferentes e estratégicos da casa, uma almofada de amamentação horrorosa bem no meio da sala de estar, móveis e objetos de decoração começam a ser suspensos ou escondidos, a fim de assegurar que o novo integrante da casa esteja seguro ali.

Devido a isso, nos casos em que o casal mantém alguma rigidez ou autocobrança no sentido de manter o ambiente organizado da mesma forma que costumava ficar antes, seja pelo motivo que for, ainda poderá sofrer demais momentos de ansiedade, estresse e/ou depressão. Os horários todos se modificam, ajustando-se aos horários das mamadas e do soninho do bebê. Assim como as saídas do casal. Passam a ser escolhidos locais mais tranquilos, com infraestrutura mais adequada para a permanência e os cuidados do bebê. Com o passar do tempo são priorizados locais que possuem áreas destinadas a crianças, de forma que sejam combinados momentos de lazer de pais e filhos, na busca de minimizar o sacrifício de ambas as partes. Outros casais escolhem abrir mão temporariamente de seu lazer em função do bem-estar do bebê. O que não pode deixar de ser considerado é o bem-estar psicológico de todos os envolvidos, para que a escolha seja a mais adequada para cada família. Cada caso é um caso único, e a escolha mais acertada varia de acordo com isso. Permitam-se abrir mão de conceitos predefinidos e de decisões ansiosas e precipitadas que não poderão ser modificadas no dia a dia do casal com base na cobrança rígida de ter decidido o “melhor” pelo seu filho. De nada adianta o casal abrir mão, radicalmente, de seus momentos de lazer, em nome do bem-estar do filho, se algum dos pais se ressentir disso e isso significar alguma forma de prejuízo ao casal. Tudo deve ser analisado com calma, levando em consideração todos os fatores. Às vezes, mais vale expor uma criança a um ambiente barulhento e agitado do que uma mãe, diariamente, deprimida ou estressada, por exemplo.

É muito legal quando as mães conseguem curtir essa fase que envolve muitas tarefas e cuidados com os bebês, tais como mamadas, sono, troca de fraldas, umbigo a cair, banho de sol, primeiras consultas, vacinas do bebê etc. E, também, com elas mesmas, como os cuidados com os seios, a limpeza e retirada dos pontos do parto, alimentação, sono etc.

Apesar de tantas coisas a fazer, há mães que conseguem aproveitar o momento de ter seu tão sonhado bebê nos braços e sentir prazer e satisfação nas tarefas diárias. Como, por exemplo, poder contemplar as diferentes expressões do bebê durante uma mamada ou um sono gostoso, que vão do biquinho de choro a um largo sorriso.

É um momento fascinante em que a mãe é tudo para o bebê! A responsável por identificar e saciar todas as demandas dele. E o vínculo materno se fortalece mais ainda aqui do lado de fora. A cada mamada, cada olhar e em cada momento que a mãe se empenha em descobrir a causa do choro de seu bebê, por exemplo. Será frio, fome, cólica ou qualquer outra coisa? Elas chegam a se tornar experts em reconhecer a necessidade de seu filho pela “qualidade” do seu choro em cada momento. Diferenciam, inigualavelmente, o choro de fome do choro de dor, por exemplo.

Há mães que se sentem preenchidas e extasiadas nesse momento pós-parto. Alguns pais e demais filhos do casal chegam a se ressentir, pois ela passa a se dedicar quase exclusivamente ao novo bebê. Parece que nada mais lhe interessa. Tal reação acaba gerando casos nos quais os irmãos mais velhos passam a adotar um comportamento atípico, tornando-se rebeldes, depressivos ou agressivos, alimentando na mãe uma necessidade ainda maior de resumir seu mundo a ela e ao novo bebê, que só demanda elogios e paparicos de sua parte. Em outros casos, vemos maridos se envolverem mais em seu trabalho ou ocuparem seu tempo com TV, jogos ou qualquer outra coisa que lhes ocupe a mente e lhes traga algum conforto naquele momento.

COMPLEXIDADE

Muitas são as mudanças presentes nesse período pós-parto. Essas mudanças significativas e, por vezes, complexas, somadas à alteração hormonal, que ainda se mantém presente, e a muitos outros fatores sociais, culturais, genéticos e biográficos (como a bagagem de vida resultando em traumas e habilidades) vão fazer com que cada mulher sinta e reaja de forma diferente em cada gestação.

Há casos em que mães que sonharam com essa realização a vida inteira percebem não conseguir curtir o momento diante de complicações de ordem emocional ou física. Outras, portadoras de problemas psiquiátricos severos, relatam que apesar de necessitarem suspender ou diminuir sua dose de medicação, a fim de não afetar o desenvolvimento do bebê, se recordam de terem vivido os momentos mais sãos e prazerosos de suas vidas. Percebemos assim que, infelizmente ou não, não há receita a ser seguida.

Não só as futuras mamães mas também os que as cercam devem estar alertas para poder lidar com isso de forma compreensiva e coerente. Lembrando sempre que essa é apenas uma fase que passará bem rápido e logo acabará. Poderá deixar saudade, frustração, alegria ou tristeza, dependendo da forma que for vivida.

Permitam-se abrir mão de fazer e serem “perfeitos” e cuidem de fazer o melhor que puderem fazer enquanto pais. A única qualidade inexistente na maternidade é a perfeição. As mães erram sempre! E posso afirmar mais. Erram, muitas vezes, acreditando fazer o melhor para seus filhos.

Por isso, permitam-se ser mães com seus acertos e erros e ensinem seus filhos a serem falíveis também. Pois pior do que fazer errado é não se permitir tentar por medo de falhar.

Ser mãe é se permitir ser quem é e ser um exemplo vivo para o seu filho de tudo o que você deseja que ele se torne um dia. Se você não pretende cobrar que seu filho seja perfeito, se pretende admitir seus erros e falhas e ensiná-lo que o erro nada mais é do que uma tentativa equivocada de acertar, por que viver algo diferente disso? Seja complacente e generosa com você, para que seu filho amanhã possa fazer o mesmo com ele e com os demais.

Se notar que errou ao longo dessa caminhada junto dele, por que não ensinar a ele a forma adequada de se desculpar e reparar seu erro? Afinal, ser mãe envolve aprendizado para ambas as partes. E caso o seu erro não tenha como ser reparado, posteriormente, permita-se recomeçar e tentar modificar o rumo de sua história. Isso é permitido a todo instante. O ser humano é sábio e criativo. Precisa se permitir. Apenas isso.