A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NECESSIDADES PSICOLÓGICAS E EMOCIONAIS NA GESTAÇÃO

A mãe, ao conceber um filho, é totalmente arrebatada por uma série de sentimentos; eles têm início já durante o planejamento da gravidez e vão até meses depois do parto

PROJETO MAMÃE

Antes da concepção do bebê, normalmente uma série de dúvidas e questionamentos toma conta da mente e da vida não só das futuras mães como do casal. Por isso é preciso muita tranquilidade na gestação.

Antes mesmo da concepção do bebê, as dúvidas e incertezas já começam. Será que é o momento certo? Será que poderei proporcionar tudo o que sonhei para o meu filho? Será que preciso me capitalizar mais para a sua chegada? Vou dar conta de abrir mão de tantas coisas que gosto em função dele? Não seria melhor trocar o carro antes de engravidar? Afinal, não temos ideia de quando poderemos trocar novamente. A casa não está pequena para a chegada da criança e todos os apetrechos necessários? Essas e muitas outras dúvidas permeiam a mente e a vida do casal.

Talvez, se esperarmos satisfazer todas as exigências imaginadas para alcançar a perfeita condição para trazer um filho ao mundo, esse filho nunca venha. Sempre precisaremos de mais alguma coisa para que o futuro bebê chegue ao “ambiente ideal” imaginado pela futura mamãe como fundamental para proporcionar uma infância feliz, segura e tranquila. Poucas são as vezes em que a vida oferece todos esses requisitos e as futuras mamães precisam rearranjar esse planejamento e aceitar, às vezes com algum sofrimento, fazer o melhor possível para a chegada do seu filho.

Esta é uma situação bem comum na preparação para a primeira gravidez. E, no caso, a inexperiência, as crenças e as inseguranças da futura mamãe podem tumultuar ainda mais esse momento, causando sofrimento, “fantasmas” e estresse desnecessários. Issofaz com que a mamãe de primeira viagem precise de aconselhamento de alguém mais experiente e maduro e de um apoio mais próximo, a fim de ajudá-la a distinguir o que será, realmente, necessário para que o bebê possa chegar e ter seus primeiros anos de vida felizes e tranquilos. Será que um bebê feliz é aquele que tem o carrinho de última geração, o quarto bem decorado e cheio de apetrechos caros, iluminados e sonoros, um lindo e gigantesco apartamento de frente para o mar? Ou um bebê feliz é aquele que tem uma mãe tranquila e presente, dando o que ele necessita para se sentir satisfeito e confortável (leite, banho, agasalho, afeto) num ambiente tranquilo e calmo? E quando falo em ambiente tranquilo e calmo, refiro-me a uma mãe tranquila, que se cuide se alimentando, tomando seu banho e deitando para descansar sempre que possível. Mas isso envolverá muitas vezes uma casa bagunçada, as roupas do bebê acumuladas para lavar e até mesmo o choro dele nos momentos em que a mãe necessita ir ao banheiro ou tomar o seu banho. Não é fácil saber, a princípio, o que de fato é ser uma boa mãe.

Se a mãe não se policiar, acaba se auto exigindo para dar conta e ser “boa”‘ em tudo. É humanamente impossível, nessa fase, dar conta de tudo como fazia antes do bebê e estar linda, cheirosa, bem-humorada e descansada quando o marido chega em casa.

A mãe precisa saber que, passados os primeiros dias em que ela, geralmente, tem a ajuda do marido e/ ou de mais algum familiar, precisará se cuidar, se nutrir e se amar, também, porque o bebê precisa de uma mãe tranquila e abastecida. Ele não precisa de uma casa arrumada, de comidas elaboradas para o jantar, das suas roupas engomadas e impecáveis. Precisa sim de uma mãe que tenha inteligência emocional e se dê a si mesma e ao bebê. Deitando e descansando sempre que ele dorme, abrindo mão de ser “perfeita” em todos os outros quesitos, ela se permitirá ser mãe durante aquele período.

É natural que a mãe de primeira viagem sinta-se só ou se queixe de sua vida paralisada. Essa pode ser a sensação da mãe nos primeiros meses de vida do bebê, já que passadas algumas semanas todos retornam à sua rotina e ela fica realmente sozinha com todos os afazeres relacionados ao bebê. Os cuidados pessoais como banho, roupa, alimentação, consultas médicas, tentativas de adivinhar o motivo do choro ininterrupto e resolver o problema, sem tempo para falar com amigas, parentes e às vezes até com o marido. A privação do sono costuma deixar a mãe mais irritada, sensível e pode ocasionar ataques de choro, discussões, tristeza e/ou estresse.

MUDANDO OS PAPÉIS

Essa fase de preparação de uma mulher, que, até então, foi habituada a desempenhar vários outros papéis (como o papel de filha, neta, sobrinha, esposa, irmã etc.) e, finalmente, começa a se preparar para um papel totalmente novo e desconhecido em sua vida, que é o papel de mãe, nem sempre é uma fase tranquila e feliz.

Realmente, essa pode ser uma fase bastante delicada, na qual a mulher passa por um processo de despersonalização, deixando de ser vista como sempre foi para se tornar a mãe da fulaninha ou do fulaninho. Em muitos casos, devido à sensibilidade em que se encontram nesse período, futuras mães sentem-se reduzidas a uma barriga ou à mãe do astro principal. Podem apresentar sinais de menos-valia e depressão e sofrerem com isso. Algumas sofrem, inclusive por isso, uma culpabilização, julgando-se péssimas mães por não estarem felizes e radiantes com a gestação, como a sociedade espera que seja, e por toda a atenção recebida por sua barriga.

Essa transição envolve questões complexas, como a mudança total do foco de atenção para o bebê e a desconsideração da mãe em função dele. Além dos circundantes, até mesmo as futuras mães deixam de se preocupar com gostos, interesses e necessidades próprias e passam a priorizar as necessidades e interesses do bebê que está a caminho.

Algumas dessas mães costumam se queixar dos familiares, que passam a cobrar delas novos hábitos alimentares, que por vezes lhes são desagradáveis, porém necessários para o desenvolvimento sadio e/ ou seguro do bebê que ela está gerando.

E é isso mesmo! Por estar gerando esse bebê tão esperado por todos, cai sobre a mãe toda a responsabilidade de se alimentar adequadamente, cuidar para que nenhum excesso ou esforço físico ocorram, evitar traumas e choques para o bebê, além de ter que continuar dando conta de seus afazeres diários e de todo o planejamento para a chegada dele, como mudanças necessárias na casa, para a recepção do mais novo membro da família, compra do enxoval, realização de exames e do acompanhamento da gestação e, muitas vezes, das necessidades adicionais do(s) filho(s) mais velho(s) e marido, diante da expectativa da chegada de mais um membro da família.

Isso,se pensarmos numa gravidez sadia, sem qualquer tipo de problema ou trauma envolvido. Pois se pensarmos no caso de uma primeira gravidez, na qual os pais estão cheios de medo, ânsia e expectativas, ou no caso de uma gravidez de risco, uma gravidez indesejada ou até mesmo no acompanhamento da gestação para o processo de adoção de uma criança, essa fase pode se tornar ainda mais delicada e sofrida.

VIAJANTES NO TEMPO

Um movimento natural da futura mãe é dificilmente se manter no momento presente. Talvez por isso muitas mães se queixem de uma dificuldade de memória e concentração desde o início da gestação.

Elas se tornam grandes viajantes do tempo durante a gravidez. E, nessas viagens, é comum notá-las regressando a sua infância, avaliando o tipo de criação em que foi pautada e toda a base da educação dada por seuspais. E, então, começam a avaliar e decidir o que, a princípio, elas irão “copiar” do seu modelo de criação e o que vão procurar modificar. Começam a separar o que julgam servir ou não para a criação de um “bom filho”. E nos meses de gestação se pegam relembrando e repassando momentos bons e ruins pelos quais passaram até ali.

Isso pode causar alguns transtornos ou perturbações emocionais, já que a futura mamãe está fragilizada e sensível, devido a toda alteração hormonal a que está submetida, e devido, também, a essa alternância de papéis. Pois agora ela não relembra esses fatos do lugar de filha e sim do lugar de futura mamãe, julgando e avaliando tudo que, a seu ver, pode afetar ou ajudar o desenvolvimento sadio de seu bebê.

E já começa a busca por estudos e leitura sobre todos os assuntos! Desde tipos de parto e os prós e contras de cada um, a possibilidade de congelar um pedaço do cordão umbilical a fim de combater doenças futuras, decoração do quarto, modelos de ensino e por aí vai. Muitos são os blogs, artigos e livros escritos por e para as futuras mamães. E neles elas se apoiam, se orientam e deles se utilizam para decidir o que julgam ser o melhor caminho para seu filho. E enquanto a futura mamãe se distrai com tantas coisas aqui fora, lá dentro de sua barriga um verdadeiro milagre acontece diariamente na formação e nutrição do bebê, sem que ela se dê conta disso, muitas vezes.

Nos momentos em que o bebê já está bem crescido e chuta e se movimenta na barriga da mãe, como nos exames de imagem durante a gestação, ela pode estar realmente presente. Conectada a ele. Sentindo-o, comunicando-se com ele e estando grávida naquele momento, habitada por um novo ser que já, já dará o ar da graça.

Outra maneira que a futura mamãe pode buscar para se manter no momento presente, aproveitando-o, é buscar a prática de atividades destinadas a gestantes. Temos, por exemplo, grupos de meditação, yoga, pilates, hidroginástica. E se as mães se percebem em sofrimento, ou de alguma forma não conseguem curtir e aproveitar com alegria e tranquilidade esse momento, devem procurar algum tipo de ajuda terapêutica. Pois esses são momentos preciosos, que marcarão para sempre a vida da família, e merecem ser aproveitados.

CRIAÇÃO DE FANTASMAS

Paralelamente a tudo isso, a gestação é um período em que a mãe tende a enfrentar diversos medos e dúvidas. E isso envolve muitas questões. Tipo de parto mais indicado, anestesia, amamentação, sua capacidade de cuidar daquele bebê e até o medo da morte costumam rondar a futura mamãe, que se vê agora gerando alguém que passará a depender dela para crescer e se desenvolver.

Muitos podem ser os fantasmas presentes nesse momento. E a existência de familiares que se disponham a acompanhar, ajudar e, principalmente, ouvir a gestante nesse momento ajuda a tranquilizá-la e dá segurança. Em muitos casos, ela precisa apenas se sentir acompanhada e ser ouvida!

Emitir muitas opiniões, conselhos e contar casos em que ocorreram desgraças em relação à maternidade acaba atrapalhando. Mesmo que a intenção seja a melhor possível, o resultado disso costuma ser desastroso para os envolvidos. Esse excesso de informação pode gerar ou intensificar inseguranças, dúvidas e ansiedade na mãe, que já está num momento de pressão grande e muito fragilizada e sensível devido às alterações hormonais do período.

Cabe ao futuro papai a tarefa de filtrar e proteger a futura mamãe do excesso de “invasão” sobre as decisões e cuidados a serem tomados com a criança, a fim de evitar o disparo de quadros psicopatológicos, inclusive, como transtornos de ansiedade e de humor, por exemplo, que ao surgirem tendem a prejudicar essa fase, que deveria ser aproveitada.

Não temos receita para lidar com uma gestante. Mas se soubermos observar e sentir o estado dela e tivermos bom senso, saberemos acompanhar e nutrir na medida certa, a fim de obter uma gestação tranquila e saudável para a mãe e o bebê.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.