GESTÃO E CARREIRA

SEM EXPERIÊNCIA, MAS COM CHANCE DE SUCESSO

Insegurança de quem quer empreender pode ser um problema, por isso, a orientação de quem entende pode ser decisiva. Redes que não exigem experiência prévia mostram por quais motivos isso não está, necessariamente, ligado ao sucesso ou fracasso da operação

O crescimento do setor de franquias tem sido exponencial nos últimos meses. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que 2019 teve uma alta de 6.9% no faturamento em comparação com todo o ano de 2018. Os números são importantes para contextualizar esse cenário que atrai tanta gente, o de franquias.

Ainda passeando pelo desempenho, pelo segundo ano consecutivo, os dados parciais apontam uma expansão mais intensa nas unidades em operação (5,1%) e redes (1,4%). Já o total de empregos diretos do setor subiu 4,8%, chegando a cerca de 1,34 milhão.

Porém, ao mesmo tempo que o setor aponta um otimismo crescente, o medo e a insegurança de quem quer entrar no mundo das franquias também são grandes. Como muitas pessoas têm procurado alternativas depois da queda nos empregos, o interesse natural pela área desperta o empresário que existe em muitos, mas também potencializa os eventuais problemas.

Para a profissional do Grupo de Excelência em Franquias (GEF) do CRA/SP, Adriana Camargo. a falta de cautela pode atrapalhar. Não é necessário ter pressa para fechar um negócio, desde que o interessado procure e levante todos os dados da franqueadora com a qual pretende fazer a parceria. “O detalhamento financeiro não precisa ser só o que está na planilha, mas o que os demais franqueados estão conseguindo”, afirma.

Para combater essa insegurança, as melhores armas são a prática e o conhecimento, diz o CEO da Business Franquias, Daniel Costa. Com a internet e as ferramentas de pesquisa – a missão se tornou até mais fácil. “Ser o próprio patrão requer estudo, autoconhecimento, investimento, desenvolvimento de habilidades e persistência”, elenca Costa.

NÃO FOI PRECAVIDO

O consultor empresarial da Cury Franchising, Luiz Cury Filho, conta uma história que vivenciou. Um franqueado de uma grande marca rompeu o contrato pouco menos de quatro meses depois ao descobrir que a rede “não prestava assessoria”. “Ele não pesquisou previamente a marca antes de assinar o contrato. Por isso aconselhamos verificar, antes de fechar um negócio, se a marca entrega aquilo que promete”, explica.

O especialista considera que o sucesso de um franqueado segue, em termos gerais uma divisão: 25% marca, 25% know-how e 50% trabalho do franqueado. “Ou seja, sem arregaçar as mangas o sucesso poderá não vir ou demorar para ser atingido”, acrescenta.

TEM QUE TER VONTADE

A metade que diz respeito ao trabalho parece realmente fazer muita diferença na hora de investir. O CEO da rede de franquias Slice Cream, Eduardo Schlieper, que comercializa gelatos em formatos diferenciados, acredita que a vontade em aprender e acompanhar todos os processos pode superar a falta de experiência. “O importante é empreender em algo que lhe dê prazer, assim tudo funciona muito bem”, diz.

A postura da rede comandada por ele é de acompanhar de forma intensiva todo o processo e, quando há alguma dificuldade com um franqueado, fazer um “plano de ação” para que o problema seja solucionado. “Mesmo considerando o segmento altamente competitivo, o franqueado precisa ter força de vontade e saber que está realizando um sonho”, pondera.

COM ASSESSORIA

O método de trabalho pode ser diferente, mas o que a maioria das franqueadoras precisa levar em conta é que prestar assessoria tem um significado muito relevante para o próprio sucesso da marca. “Teoricamente, as franqueadoras deveriam avaliar o perfil do interessado antes de ele investir ou operar uma unidade franqueada. Assim, podem ser evitados problemas antes mesmo da largada”, comenta Adriana Camargo.

E é por isso que algumas investem em uma espécie de “test-drive” antes de fechar negócio. O diretor-executivo da rede SUAV, de cuidados estéticos, Diogo Cordeiro de Oliveira, explica que esse sistema – uma espécie de imersão do novo franqueado antes de abrir a própria loja – tem funcionado.

Após o acordo fechado, a franqueadora auxilia na escolha do ponto e nos itens necessários para instalação, bem como em relação aos fornecedores. O franqueado e a equipe passam por treinamento de pré-inauguração e acompanhamento de pós-inauguração. “O objetivo é fazer com que o franqueado conduza a operação sozinho da forma mais simples possível. Claro que em todo início de negócio eles acabam sentindo certa dificuldade, o que é normal”, relata.

Auxílio também é prestado pela franquia camisetas da Hora, uma marca on­line que permite que o franqueado trabalhe de casa. Uma “inovação”, nas palavras do CEO Marcelo Ostia, mas que também requer atenção especial. “Com planejamento e organização, fatores essenciais para uma boa administração, você poderá obter sucesso com seu novo empreendimento”, orienta.

SEM APUROS

Schlieper explica que, no caso da Slice Cream, quando um franqueado se vê em apuros, uma equipe passa a analisar o caso em detalhes. O acompanhamento intensivo gera, ao final, um plano de ações para que o quadro seja revertido. “Temos que identificar as dificuldades, depois as alternativas viáveis e, o mais importante de tudo, criar processos, objetivos e prazos para a superação efetiva dos problemas”, aponta. O objetivo final é sempre o equilíbrio – seja financeiro, seja operacional.

Adriana Camargo considera que a relação saudável entre marca e franqueado faz bem para todos. Se uma franqueadora pouco ajuda o parceiro, a conversa é a primeira chave. O diálogo entre franqueado e franqueador precisa ser verdadeiro e deve-se chegar a um acordo. Não resolvendo o problema, o jeito é partir para outras esferas. “Caso isso ocorra, na minha opinião, o melhor a se fazer é conversar com a franqueadora ou propor uma mediação de conflitos, com o auxílio de um profissional capacitado”, diz.

Cury Filho acredita que a falta de experiência não é o fator determinante para o insucesso, mas a falta de afinidade com o segmento de negócio sim. E ele exemplifica: “se o franqueado não tem interesse em lidar com público, deve fugir do varejo ou das vendas.

Já o diretor-executivo da SUAV acredita que o desenvolvimento de uma unidade pode ser prejudicado se o empreendedor tem dificuldades em saber o que significa. “empreender”. “Normalmente aqueles que não têm experiência, quando encontram dificuldades normais no dia a dia do negócio, desesperam-se”, afirma.

TRABALHO DURO

Não dá para brincar de ser empresário. Franquia é coisa extremamente séria, não é um hobbie. É trabalho duro. Daniel Costa propõe uma reflexão: por mais que o discurso utilizado hoje seja o do “testado e aprovado”, a simples transferência de know-how não deve ser a única base de relacionamento entre franqueador e franqueado. “Acho imprudente confiar apenas no conhecimento transferido pela franqueadora, não é o perfil da maioria dos franqueados de sucesso”, argumenta.

Mas, se ainda parece pouco, o medo pode ser dissipado facilmente. Afinal, abrir um negócio também pode ser traduzido em apenas uma palavra: conhecer. Com uma pesquisa sólida e bem-feita, todas as informações coletadas e todas as dúvidas postas e esclarecidas, o medo e a insegurança podem se dissipar. Mesmo se restar alguma ponta, uma boa conversa pode solucionar tudo. “Conver­se muito com o franqueador, tenha afinidade com as pessoas com quem você passará a conviver e esteja em sintonia com o posicionamento da marca”, mostra Adriana Camargo.

Luiz Cury Filho lembra que, em média, um tempo de contrato de franquia é de três a cinco anos, e que esse período não pode simplesmente “ser jogado fora”. “Procure ajuda com especialistas do setor e faça a escolha com menos riscos. Com certeza terá sucesso na sua jornada empresarial”, finaliza.

COMO NÃO DEIXAR O SONHO VIRAR PESADELO

Os especialistas em franquias enumeram quatro dicas que podem ajudar na hora de tornar uma decisão sobre empreender ou não.

PESQUISAR: quando se faz um estudo prévio do mercado é possível obter dados, indicadores e informações importantes que ajudam a tomar a decisão de investir ou não investir em uma franquia. Para uma pesquisa inicial, a própria internet pode ajudar muito. Sites especializados, revistas, jornais e canais de negócios podem ser muito uteis. A Associação Brasileira de Franchising fornece dados, estatísticas e informações sobre o mercado de franquias.

ANALISAR: o futuro franqueado deve analisar a viabilidade do negócio colocando uma “lupa” sobre os números do mercado local e pesquisando, por exemplo: qual o público alvo, pontos comerciais, a demanda pelo produto ou serviço que será comercializado, a concorrência local, as possíveis ameaças e oportunidades. E analisar outros fatores, como o cenário econômico brasileiro, o quanto o segmento que pretende investir está crescendo no País, o quanto em faturamento representa no mercado, se ainda há espaço para o segmento no Brasil, entre outros fatores.

FILTRAR: após definir o ramo em que pretende atuar, a dica é filtrar quais franquias já operam, quais as que estão em maior evidência. Você também deve avaliar quais as melhores condições de investimento, as que oferecem mais vantagens, as mais consolidadas, as que possuem maiores diferenciais competitivos, quais são as mais recomendadas pelos consumidores. Também é muito importante se identificar com a cultura da empresa.

INVESTIGAR: a palavra parece forte, mas a ideia é essa. Consultar outros franqueados sobre satisfação com a rede, suporte, se estão felizes. E procurar quem já não faz mais parte da franquia. A Circular de Oferta da Franquia, documento exigido por lei que deve ser entregue dez dias antes da assinatura de um contrato, mostra quais são os atuais franqueados e quem se desfiliou nos últimos 12 meses.

RAIO-X DAS FRANQUIAS

CAMISETAS DA HORA

Número de lojas em operação: 103 franquias on-line

Investimento inicial: R$10,5 mil

Royalties: RS240.00/mês

Capital de giro: R$4.4 mil

Faturamento mensal: RS30 mil

Média de lucro mensal: R58 mil

Prazo do contrato: 18 meses

Tempo de retorno do Investimento: de 4 a 6 meses

SLICE CREAM

Número de lojas em operação: 5 (1 própria e 4 franquias)

Investimento inicial: R$169 mil (incluindo taxa de franquia)

Royalties: 5″ sobre o faturamento bruto

Capital de giro: RS20 mil

Faturamento mensal: R$50 mil

Média de lucro mensal: 30%

Prazo do contrato: de 12 a 24 meses

Tempo de retomo do investimento: de 12 a 24 meses

SUAV

Número de lojas em operação: 28 (2 próprias e 26 franquias).

Investimento inicial: R$167,6 mil

Royalties: 5% sobre o faturamento

Capital de giro: R$36 mil

Faturamento mensal: R$70 mil

Média de lucro mensal: 20%

Prazo do contrato: 5 anos

Tempo de retorno do investimento: de 24 a 36 meses

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.