A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UMA SINFONIA EXPLOSIVA

Apesar de grande músico, Beethoven era solitário, com temperamento tempestuoso e paranoico. Sua personalidade é citada por seus transtornos de conduta e comportamento

Compositor e pianista, Ludwig van Beethoven nasceu em 1770, em Bonn, no Reino da Prússia, atual Alemanha. De família de origem flamenga, seu sobrenome significa “horta de beterrabas”. Filho de Johann, também músico, recebeu seu nome em homenagem a seu avô, que era maestro e considerado grande músico da cidade. Teve um total de sete irmãos, sendo que cinco morreram ainda na infância. Sua mãe, Magdalena, era vista como uma mulher extremamente moralista e seu pai, mesmo sendo músico, era mais conhecido pelo alcoolismo do que pelo seu trabalho artístico. Apesar disso, foi dele que recebeu suas primeiras lições de música. O objetivo de seu pai era afirmá-lo como “menino prodígio”, por essa razão, a partir de apenas 5 anos de idade, era obrigado a se dedicar quase integralmente a música, diariamente e por horas. E, a qualquer deslize nessa rotina, era açoitado por seu pai (e a mãe conivente com os castigos), trancafiado e privado de sono, tudo em prol da música.

Mesmo com pouca idade, mostrou-se extremamente talentoso e criativo. Aos 7 anos fez sua primeira performance em Colônia, cidade no norte alemão. Seu pai o anunciou como um garoto de 6 anos, fato esse que o levou a sempre acreditar que era um ano mais novo do que sua idade verdadeira, até mesmo anos depois, ao receber uma cópia de seu certificado de batismo, acreditando que o documento se tratava de um irmão. Foi um adolescente introspectivo, tímido e melancólico. Saiu da escola aos 11 anos e aos 17 já ajudava no sustento da família, trabalhando como organista, professor e músico. Aos 19 anos, com a morte do imperador Joseph II, recebeu a honra de compor um memorial musical que, por razões desconhecidas, nunca chegou a ser tocado. Mais de 100 anos depois, a Cantata Sobre a Morte do Imperador Joseph II foi descoberta por Johann Brahms – é considerada sua primeira grande obra.

Beethoven tomou-se amigo do conde Waldstein, a quem dedicaria mais tarde algumas de suas obras. O conde, percebendo grande talento no jovem músico, enviou-o para Viena, na Áustria, a fim de que estudasse música. Foi imediatamente aceito como aluno por Joseph Haydn, e também foi aluno de Antonio Salieri. Tornou-se um pianista virtuoso, com muitos admiradores, muitos desses da aristocracia vienense. Começou a publicar suas obras, seu Opus I é a coleção de três trios para piano, violino e violoncelo, chamada Piano Trios. Sua estreia para o público de Viena ocorreu em 1795 e em 1800 estreou sua Sinfonia número 1 em Dó Maior, no Teatro Real Imperial. Em 1804, após Napoleão ter se proclamado Imperador, compôs a Sinfonia número 3, chamada posteriormente de Sinfonia Heroica.

Foi também em Viena que surgiram os primeiros sintomas de sua tragédia. Foi diagnosticado em 1796, aos 26 anos de idade, com “congestão dos centros auditivos internos”, fato case que o levou a várias depressões e isolamentos. Consultou-se com dezenas de médicos, realizou diversos procedimentos, mas nada o ajudou. Desesperado, entrou cm uma crise depressiva e pensou em suicidar-se. Apesar de todas as adversidades, continuou compondo. No período de 1803 a 1812, em menos de dez anos, compôs dezenas de obras, dentre as mais famosas dessa época estão: Sinfonia Número 5, Sonata ao Luar, Kreutzer para Violino e Fidelio, sua única ópera. Após 1818, aparentemente recuperado de uma depressão severa, continuou compondo; surgem então alguns sucessos aclamados, como a conhecida Sinfonia Número 9 em Ré Menor, considerada por muitos sua obra-prima.

Mesmo com diversas tentativas de tratamento, durante o passar dos anos a doença progrediu e, aos 46 anos, estava praticamente surdo.

Apesar de grandioso músico, Beethoven era solitário, com temperamento tempestuoso e até mesmo paranoico. Costumava brigar com todos à sua volta, incluindo irmãos, amigos e patrões. Talvez, devido a sua dificuldade em se relacionar, Beethoven nunca casou. Sua personalidade hoje é frequentemente citada por seus transtornos de conduta e comportamento. Paranoico, mimado, explosivo e muito infantil são adjetivos que o definem.

Apesar da vida pessoal conturbada e praticamente surdo, suas melhores composições foram próximas à sua morte, incluindo Missa Solemnis e Quarteto Número 14.

Em 1814, já era conhecido como o maior compositor do século. Entre o período de 1816 e 1827 (ano de sua morte), compôs cerca de 44 obras. Beethoven morreu trabalhando em uma nova sinfonia, e com projetos para um réquiem. Em sua autópsia, foram citados, como causa da morte: cirrose, sífilis, hepatite infecciosa, envenenamento, sarcoidose e doença de Whipple (inflamação e dor articular, diarreia, perda de peso, dor crônica abdominal e escurecimento da pele). Além disso, descobriu-se que a surdez havia sido por decorrência de tifo, e não de uma doença arterial. É considerado por muitos o maior compositor do século XIX, e também o inaugurador do Romantismo.

ANDERSON ZENIDARD – é mestre em Psicologia pela PUC-SP, supervisor e palestrante. Coordenador e professor do curso de especialização em Transtornos e Patologias Psíquicas pela Facis, professor de pós-graduação no curso de Psicologia de Saúde Hospitalar na PUC-SP. Atua há mais de 30 anos em atendimento clínico em diversos segmentos da Psicologia, com especial dedicação a psicossomática, transtornos e patologias psíquicas.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.