EU ACHO …

DIVERSIDADE HUMANA

Valorizar as diferenças tem sido uma meta das organizações que reconhecem a importância de respeitar e promover a integração dos colaboradores

A diversidade entre as pessoas é intrínseca ao ser humano. Ser um indivíduo significa ser diferente de qualquer outro, na forma de pensar, agir ou de interpretar o mundo e a realidade. Além desses, há diversos pontos que nos diferem, como os limites individuais, as qualidades e talentos, os medos, as crenças, os objetivos de vida as gerações, a relação étnica-cultural, enfim, a própria história pessoal.

François-Marie Arouet, conhecido por seu pseudônimo Voltaire, disse uma vez: “os chineses são iguais a nós, têm paixões e choram”. Já o pensador alemão Johann Friedrich Herbart, afirmou: “Entre uma cultura e outra, não há comunicação. Os seres são diferentes”. De alguma forma, ambos tinham razão,mas a realidade é que essas duas verdades devem ser articuladas, compreendidas e integradas.

Pensamos o quanto a relação com as pessoas diferentes de nós – de outros países ou com outras opiniões – enriquece a nossa experiência, amplia os pontos de vista e expande a nossa flexibilidade, adaptabilidade e capacidade de inovar, além de permitir o nascimento de novas culturas. Conversar sobre a diversidade significa elaborar uma discussão atual, que se expressa nos mais variados aspectos, como igualdade, tolerância, aceitação e capacidade de considerar as próprias ideias, opiniões e visão da realidade não como um fator absoluto, mas como uma das possíveis maneiras de entender o mundo.

Mas como viver a igualdade sem prejudicar ou desqualificar as diferenças? O tema é vasto e complexo, porém bem sabemos que não é tão simples de aceitar, conhecer, lidar e integrar as diferenças de forma harmoniosa e eficaz, seja no contexto pessoal ou no profissional. Muitas vezes, os tãoesperados encontro e integração tornam-se desencontro e conflito.

Ao avaliar esses aspectos, as organizações reconhecem cada vez mais a importância de respeitar e promover a integração das diferenças dos colaboradores. Nos últimos 30 anos, podemos observar uma nova sensibilidade nas empresas, que corresponde aos novos cenários, às novas realidades e exigências de reconhecer e valorizar o fator humano, o potencial individual, a harmonia nos relacionamentos interpessoais e no trabalho em equipe.

Em síntese, respeitar as diversidades significa “fazer a diferença” no contexto e nos resultados. Assim, é possível promover o intercâmbio de ideias e a realização do trabalho em conjunto, aumentar o desempenho corporativo e a concretização dos objetivos.

Olhar para o indivíduo com as suas diversidades – como começo e fim de qualquer processo de evolução, como fator constitutivo de uma vantagem competitiva – e utilizar ao máximo a contribuição que cada um pode oferecer são atitudes que representam um diferencial estratégico para as empresas.

A integração da diversidade constitui uma abordagem necessária em todos os contextos, considerando as mudanças no mundo, as diversificações – dos mercados, dos clientes e dos trabalhadores, as novas modalidades de trabalho e as diferenças ligadas a idade, gênero, etnia, crenças, formação escolar, situação familiar, localização geográfica, experiência profissional, entre muitas outras.

A diversidade não é excludente, mas sim complementar. É liberdade e está diretamente ligada ao ato criativo, às ideias e aos pensamentos diferentes, que permitem o acender da centelha da inspiração, da inovação, da evolução e da descoberta. A diversidade não nos deixa ficar prisioneiros em armadilhas mentais e em padrões de pensamentos automáticos. O olhar diferente sobre o mundo, além de ser benéfico para o ambiente corporativo, também alimento a arte, a literatura, a música, a poesia e a ciência. A diversidade é generosidade, riqueza, representa as possibilidades, soluções, permite-nos não cair em uma uniformidade vaga, reduzida, simplista e unilateral.

Saber viver com as diferenças significa ter atitudes solidárias, competitivas e construtivas, integrando e respeitando as diversidades e desenvolvendo um pensamento mais flexível, criativo e inovador, que leva à realização pessoal e aos objetivos coletivos para um bem comum.

Cada indivíduo é diferente e único, não só em relação ao outro ser humano, mas também em relação a si mesmo, pois estamos em contínua evolução e transformação, no movimento do nosso caminhar pela vida. Não somos os mesmos de ontem. O que acreditamos sobre a vida se modifica no decorrer de nossas experiências – ou seja, os objetivos se alteram.

Uma. vez que reconhecemos as nossas próprias diferenças e transformações, compreendemos o valor, a aceitação de nós mesmos, elevamos a autoestima e expandimos a dignidade. Além disso, desenvolvemos a empatia, a solidariedade e o respeito ao próximo.

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, ereferência em ampliar o crescimento e a autoliderança das pessoas.

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OUTROS OLHARES

ESPREMIDO É POUCO

O gargalo habitacional é um dos motores a empurrar uma parcela da população rumo à pobreza — e às ruas, contra o governo local e a China

Imagine espremer em um espaço equivalente ao de uma vaga de garagem cama, livros, objetos — tudo o que você acumulou na vida. A equação parece impossível de fechar, mas é desse jeito que mais de 200.000 pessoas vivem hoje em Hong Kong, lugar conhecido pela economia livre de amarras burocráticas e, mais recentemente, pela onda de protestos contra o governo que varre as ruas há cinco meses. As imagens de famílias amontoadas em cubículos cuja área é delimitada por grades (daí o nome casa-gaiola) têm rodado o mundo e levantado uma questão que não quer calar: como é habitar uma dessas unidades? Resposta consensual: um inferno, com consequências devastadoras sobre a saúde física e mental que estendem seus efeitos à demografia.

Segundo a ONG We Care, que acompanha o drama das moradias nesse território semiautônomo da China, 40% sofrem de depressão e mais da metade das mulheres abriu mão de ter filhos. “A linha entre viver nesses apartamentos e na rua é muito tênue”, diz Geerhardt Kornatowski, especialista em urbanismo da Osaka City University, no Japão. Em geral sem janelas, eles se convertem em verdadeiras estufas no verão, quando registram temperaturas de 40 graus. O ar fica irrespirável e germinam doenças. A noção de privacidade desaparece nessas colmeias humanas: como as casas são fruto da subdivisão de imóveis, compartilham-­se banheiro e cozinha e esbarra-se o tempo todo com o vizinho de gaiola. Existem casas assim em outras partes da Ásia, inclusive no Japão, mas em nenhum local elas são tão numerosas e precárias. “Nada se compara à tragédia habitacional de Hong Kong”, enfatiza Kornatowski.

Uma explicação fácil para a proliferação desses cortiços asiáticos é a geografia da ilha, povoada por 7,4 milhões de pessoas e emoldurada por montanhas que limitam o espaço para construir. O relevo de fato engole um naco do território, mas mesmo assim sobra muita área livre. Aí vem o problema real: todas as terras são de propriedade do governo, que as libera a conta-gotas para as empreiteiras justamente para poder cobrar caro por elas e ainda impõe taxas raras de ver nos demais setores. As empresas, por sua vez, transferem a conta para a população. Há seis anos Hong Kong possui o metro quadrado mais inflacionado do planeta, em seguida vem Singapura. Em nenhum outro canto é tão árduo concretizar o sonho da casa própria: um cidadão de renda média precisa juntar o que acumula em vinte anos de salário para poder arrematar um quarto e sala por lá (veja o quadro abaixo).

O gargalo habitacional é um dos grandes motores a empurrar os habitantes de Hong Kong rumo à pobreza, em que 20% hoje já estão — e às ruas, contra o governo local e a China. Na ponta abastada da pirâmide, encastela-se a maior concentração de pessoas com fortuna superior a 30 milhões de dólares do mundo (e muito mais espaço para morar). Adivinhe de onde elas emergem. Da construção civil, ramo lucrativo para alguns poucos felizardos que ganham em concorrências públicas o direito de fazer uso de tão disputadas terras. E assim vai se aprofundando a desigualdade — e, com ela, as insatisfações que fazem com que uma parcela da população não arrede pé das manifestações. Em meio a tanto sacolejo, na quinta-feira 31 Hong Kong entrou em recessão. “A revolta é disseminada e sem precedentes”, avalia Emily Lau, presidente do partido Democrata, o terceiro maior da ilha. Sem reação à altura, o governo liderado por Carrie Lam prometeu erguer um conjunto de ilhas artificiais que alojaria 1 milhão de pessoas no distante 2032. Se não houver uma reviravolta até lá, o destino de muitos será a vida subumana dentro de uma gaiola.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 23 DE NOVEMBRO

A BUSCA DESENFREADA DA FELICIDADE

Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso  era vaidade (Eclesiastes 2.1).

O homem foi criado para ser feliz. A felicidade é um anseio legítimo. O problema do homem é contentar-se com uma felicidade pequena demais, terrena demais, enquanto Deus o criou para a maior de todas as felicidades: amá-lo e glorificá-lo para sempre! Salomão estava à procura da felicidade. Embora fosse o homem mais rico, mais famoso e mais cobiçado do seu tempo, ainda estava à procura da felicidade. No segundo capítulo de Eclesiastes, ele diz que procurou a felicidade na bebida, mas o que encontrou no fundo de uma garrafa foi a ilusão e a vaidade, não a felicidade. Depois, procurou a felicidade na riqueza. Amealhou grandes fortunas, enriqueceu e acumulou riquezas colossais, mas todo o seu dinheiro não lhe trouxe a felicidade verdadeira. Buscou, então, a felicidade nas aventuras amorosas. Multiplicou para si mulheres e mais mulheres. Chegou a ter setecentas princesas e trezentas concubinas, mas o que achou nessa vasta saga de aventuras foi só desilusão. Enfim, procurou a felicidade na fama e no sucesso. Tornou-se o homem mais famoso do seu tempo. Conquistou inúmeras medalhas, ergueu muitos troféus, foi aplaudido como ídolo nacional. Mas o fim dessa linha de tantos requintes foi a vaidade. A felicidade que ele buscava nas coisas e nas aventuras estava em Deus!

GESTÃO E CARREIRA

SEM EXPERIÊNCIA, MAS COM CHANCE DE SUCESSO

Insegurança de quem quer empreender pode ser um problema, por isso, a orientação de quem entende pode ser decisiva. Redes que não exigem experiência prévia mostram por quais motivos isso não está, necessariamente, ligado ao sucesso ou fracasso da operação

O crescimento do setor de franquias tem sido exponencial nos últimos meses. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) mostram que 2019 teve uma alta de 6.9% no faturamento em comparação com todo o ano de 2018. Os números são importantes para contextualizar esse cenário que atrai tanta gente, o de franquias.

Ainda passeando pelo desempenho, pelo segundo ano consecutivo, os dados parciais apontam uma expansão mais intensa nas unidades em operação (5,1%) e redes (1,4%). Já o total de empregos diretos do setor subiu 4,8%, chegando a cerca de 1,34 milhão.

Porém, ao mesmo tempo que o setor aponta um otimismo crescente, o medo e a insegurança de quem quer entrar no mundo das franquias também são grandes. Como muitas pessoas têm procurado alternativas depois da queda nos empregos, o interesse natural pela área desperta o empresário que existe em muitos, mas também potencializa os eventuais problemas.

Para a profissional do Grupo de Excelência em Franquias (GEF) do CRA/SP, Adriana Camargo. a falta de cautela pode atrapalhar. Não é necessário ter pressa para fechar um negócio, desde que o interessado procure e levante todos os dados da franqueadora com a qual pretende fazer a parceria. “O detalhamento financeiro não precisa ser só o que está na planilha, mas o que os demais franqueados estão conseguindo”, afirma.

Para combater essa insegurança, as melhores armas são a prática e o conhecimento, diz o CEO da Business Franquias, Daniel Costa. Com a internet e as ferramentas de pesquisa – a missão se tornou até mais fácil. “Ser o próprio patrão requer estudo, autoconhecimento, investimento, desenvolvimento de habilidades e persistência”, elenca Costa.

NÃO FOI PRECAVIDO

O consultor empresarial da Cury Franchising, Luiz Cury Filho, conta uma história que vivenciou. Um franqueado de uma grande marca rompeu o contrato pouco menos de quatro meses depois ao descobrir que a rede “não prestava assessoria”. “Ele não pesquisou previamente a marca antes de assinar o contrato. Por isso aconselhamos verificar, antes de fechar um negócio, se a marca entrega aquilo que promete”, explica.

O especialista considera que o sucesso de um franqueado segue, em termos gerais uma divisão: 25% marca, 25% know-how e 50% trabalho do franqueado. “Ou seja, sem arregaçar as mangas o sucesso poderá não vir ou demorar para ser atingido”, acrescenta.

TEM QUE TER VONTADE

A metade que diz respeito ao trabalho parece realmente fazer muita diferença na hora de investir. O CEO da rede de franquias Slice Cream, Eduardo Schlieper, que comercializa gelatos em formatos diferenciados, acredita que a vontade em aprender e acompanhar todos os processos pode superar a falta de experiência. “O importante é empreender em algo que lhe dê prazer, assim tudo funciona muito bem”, diz.

A postura da rede comandada por ele é de acompanhar de forma intensiva todo o processo e, quando há alguma dificuldade com um franqueado, fazer um “plano de ação” para que o problema seja solucionado. “Mesmo considerando o segmento altamente competitivo, o franqueado precisa ter força de vontade e saber que está realizando um sonho”, pondera.

COM ASSESSORIA

O método de trabalho pode ser diferente, mas o que a maioria das franqueadoras precisa levar em conta é que prestar assessoria tem um significado muito relevante para o próprio sucesso da marca. “Teoricamente, as franqueadoras deveriam avaliar o perfil do interessado antes de ele investir ou operar uma unidade franqueada. Assim, podem ser evitados problemas antes mesmo da largada”, comenta Adriana Camargo.

E é por isso que algumas investem em uma espécie de “test-drive” antes de fechar negócio. O diretor-executivo da rede SUAV, de cuidados estéticos, Diogo Cordeiro de Oliveira, explica que esse sistema – uma espécie de imersão do novo franqueado antes de abrir a própria loja – tem funcionado.

Após o acordo fechado, a franqueadora auxilia na escolha do ponto e nos itens necessários para instalação, bem como em relação aos fornecedores. O franqueado e a equipe passam por treinamento de pré-inauguração e acompanhamento de pós-inauguração. “O objetivo é fazer com que o franqueado conduza a operação sozinho da forma mais simples possível. Claro que em todo início de negócio eles acabam sentindo certa dificuldade, o que é normal”, relata.

Auxílio também é prestado pela franquia camisetas da Hora, uma marca on­line que permite que o franqueado trabalhe de casa. Uma “inovação”, nas palavras do CEO Marcelo Ostia, mas que também requer atenção especial. “Com planejamento e organização, fatores essenciais para uma boa administração, você poderá obter sucesso com seu novo empreendimento”, orienta.

SEM APUROS

Schlieper explica que, no caso da Slice Cream, quando um franqueado se vê em apuros, uma equipe passa a analisar o caso em detalhes. O acompanhamento intensivo gera, ao final, um plano de ações para que o quadro seja revertido. “Temos que identificar as dificuldades, depois as alternativas viáveis e, o mais importante de tudo, criar processos, objetivos e prazos para a superação efetiva dos problemas”, aponta. O objetivo final é sempre o equilíbrio – seja financeiro, seja operacional.

Adriana Camargo considera que a relação saudável entre marca e franqueado faz bem para todos. Se uma franqueadora pouco ajuda o parceiro, a conversa é a primeira chave. O diálogo entre franqueado e franqueador precisa ser verdadeiro e deve-se chegar a um acordo. Não resolvendo o problema, o jeito é partir para outras esferas. “Caso isso ocorra, na minha opinião, o melhor a se fazer é conversar com a franqueadora ou propor uma mediação de conflitos, com o auxílio de um profissional capacitado”, diz.

Cury Filho acredita que a falta de experiência não é o fator determinante para o insucesso, mas a falta de afinidade com o segmento de negócio sim. E ele exemplifica: “se o franqueado não tem interesse em lidar com público, deve fugir do varejo ou das vendas.

Já o diretor-executivo da SUAV acredita que o desenvolvimento de uma unidade pode ser prejudicado se o empreendedor tem dificuldades em saber o que significa. “empreender”. “Normalmente aqueles que não têm experiência, quando encontram dificuldades normais no dia a dia do negócio, desesperam-se”, afirma.

TRABALHO DURO

Não dá para brincar de ser empresário. Franquia é coisa extremamente séria, não é um hobbie. É trabalho duro. Daniel Costa propõe uma reflexão: por mais que o discurso utilizado hoje seja o do “testado e aprovado”, a simples transferência de know-how não deve ser a única base de relacionamento entre franqueador e franqueado. “Acho imprudente confiar apenas no conhecimento transferido pela franqueadora, não é o perfil da maioria dos franqueados de sucesso”, argumenta.

Mas, se ainda parece pouco, o medo pode ser dissipado facilmente. Afinal, abrir um negócio também pode ser traduzido em apenas uma palavra: conhecer. Com uma pesquisa sólida e bem-feita, todas as informações coletadas e todas as dúvidas postas e esclarecidas, o medo e a insegurança podem se dissipar. Mesmo se restar alguma ponta, uma boa conversa pode solucionar tudo. “Conver­se muito com o franqueador, tenha afinidade com as pessoas com quem você passará a conviver e esteja em sintonia com o posicionamento da marca”, mostra Adriana Camargo.

Luiz Cury Filho lembra que, em média, um tempo de contrato de franquia é de três a cinco anos, e que esse período não pode simplesmente “ser jogado fora”. “Procure ajuda com especialistas do setor e faça a escolha com menos riscos. Com certeza terá sucesso na sua jornada empresarial”, finaliza.

COMO NÃO DEIXAR O SONHO VIRAR PESADELO

Os especialistas em franquias enumeram quatro dicas que podem ajudar na hora de tornar uma decisão sobre empreender ou não.

PESQUISAR: quando se faz um estudo prévio do mercado é possível obter dados, indicadores e informações importantes que ajudam a tomar a decisão de investir ou não investir em uma franquia. Para uma pesquisa inicial, a própria internet pode ajudar muito. Sites especializados, revistas, jornais e canais de negócios podem ser muito uteis. A Associação Brasileira de Franchising fornece dados, estatísticas e informações sobre o mercado de franquias.

ANALISAR: o futuro franqueado deve analisar a viabilidade do negócio colocando uma “lupa” sobre os números do mercado local e pesquisando, por exemplo: qual o público alvo, pontos comerciais, a demanda pelo produto ou serviço que será comercializado, a concorrência local, as possíveis ameaças e oportunidades. E analisar outros fatores, como o cenário econômico brasileiro, o quanto o segmento que pretende investir está crescendo no País, o quanto em faturamento representa no mercado, se ainda há espaço para o segmento no Brasil, entre outros fatores.

FILTRAR: após definir o ramo em que pretende atuar, a dica é filtrar quais franquias já operam, quais as que estão em maior evidência. Você também deve avaliar quais as melhores condições de investimento, as que oferecem mais vantagens, as mais consolidadas, as que possuem maiores diferenciais competitivos, quais são as mais recomendadas pelos consumidores. Também é muito importante se identificar com a cultura da empresa.

INVESTIGAR: a palavra parece forte, mas a ideia é essa. Consultar outros franqueados sobre satisfação com a rede, suporte, se estão felizes. E procurar quem já não faz mais parte da franquia. A Circular de Oferta da Franquia, documento exigido por lei que deve ser entregue dez dias antes da assinatura de um contrato, mostra quais são os atuais franqueados e quem se desfiliou nos últimos 12 meses.

RAIO-X DAS FRANQUIAS

CAMISETAS DA HORA

Número de lojas em operação: 103 franquias on-line

Investimento inicial: R$10,5 mil

Royalties: RS240.00/mês

Capital de giro: R$4.4 mil

Faturamento mensal: RS30 mil

Média de lucro mensal: R58 mil

Prazo do contrato: 18 meses

Tempo de retorno do Investimento: de 4 a 6 meses

SLICE CREAM

Número de lojas em operação: 5 (1 própria e 4 franquias)

Investimento inicial: R$169 mil (incluindo taxa de franquia)

Royalties: 5″ sobre o faturamento bruto

Capital de giro: RS20 mil

Faturamento mensal: R$50 mil

Média de lucro mensal: 30%

Prazo do contrato: de 12 a 24 meses

Tempo de retomo do investimento: de 12 a 24 meses

SUAV

Número de lojas em operação: 28 (2 próprias e 26 franquias).

Investimento inicial: R$167,6 mil

Royalties: 5% sobre o faturamento

Capital de giro: R$36 mil

Faturamento mensal: R$70 mil

Média de lucro mensal: 20%

Prazo do contrato: 5 anos

Tempo de retorno do investimento: de 24 a 36 meses

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

UMA SINFONIA EXPLOSIVA

Apesar de grande músico, Beethoven era solitário, com temperamento tempestuoso e paranoico. Sua personalidade é citada por seus transtornos de conduta e comportamento

Compositor e pianista, Ludwig van Beethoven nasceu em 1770, em Bonn, no Reino da Prússia, atual Alemanha. De família de origem flamenga, seu sobrenome significa “horta de beterrabas”. Filho de Johann, também músico, recebeu seu nome em homenagem a seu avô, que era maestro e considerado grande músico da cidade. Teve um total de sete irmãos, sendo que cinco morreram ainda na infância. Sua mãe, Magdalena, era vista como uma mulher extremamente moralista e seu pai, mesmo sendo músico, era mais conhecido pelo alcoolismo do que pelo seu trabalho artístico. Apesar disso, foi dele que recebeu suas primeiras lições de música. O objetivo de seu pai era afirmá-lo como “menino prodígio”, por essa razão, a partir de apenas 5 anos de idade, era obrigado a se dedicar quase integralmente a música, diariamente e por horas. E, a qualquer deslize nessa rotina, era açoitado por seu pai (e a mãe conivente com os castigos), trancafiado e privado de sono, tudo em prol da música.

Mesmo com pouca idade, mostrou-se extremamente talentoso e criativo. Aos 7 anos fez sua primeira performance em Colônia, cidade no norte alemão. Seu pai o anunciou como um garoto de 6 anos, fato esse que o levou a sempre acreditar que era um ano mais novo do que sua idade verdadeira, até mesmo anos depois, ao receber uma cópia de seu certificado de batismo, acreditando que o documento se tratava de um irmão. Foi um adolescente introspectivo, tímido e melancólico. Saiu da escola aos 11 anos e aos 17 já ajudava no sustento da família, trabalhando como organista, professor e músico. Aos 19 anos, com a morte do imperador Joseph II, recebeu a honra de compor um memorial musical que, por razões desconhecidas, nunca chegou a ser tocado. Mais de 100 anos depois, a Cantata Sobre a Morte do Imperador Joseph II foi descoberta por Johann Brahms – é considerada sua primeira grande obra.

Beethoven tomou-se amigo do conde Waldstein, a quem dedicaria mais tarde algumas de suas obras. O conde, percebendo grande talento no jovem músico, enviou-o para Viena, na Áustria, a fim de que estudasse música. Foi imediatamente aceito como aluno por Joseph Haydn, e também foi aluno de Antonio Salieri. Tornou-se um pianista virtuoso, com muitos admiradores, muitos desses da aristocracia vienense. Começou a publicar suas obras, seu Opus I é a coleção de três trios para piano, violino e violoncelo, chamada Piano Trios. Sua estreia para o público de Viena ocorreu em 1795 e em 1800 estreou sua Sinfonia número 1 em Dó Maior, no Teatro Real Imperial. Em 1804, após Napoleão ter se proclamado Imperador, compôs a Sinfonia número 3, chamada posteriormente de Sinfonia Heroica.

Foi também em Viena que surgiram os primeiros sintomas de sua tragédia. Foi diagnosticado em 1796, aos 26 anos de idade, com “congestão dos centros auditivos internos”, fato case que o levou a várias depressões e isolamentos. Consultou-se com dezenas de médicos, realizou diversos procedimentos, mas nada o ajudou. Desesperado, entrou cm uma crise depressiva e pensou em suicidar-se. Apesar de todas as adversidades, continuou compondo. No período de 1803 a 1812, em menos de dez anos, compôs dezenas de obras, dentre as mais famosas dessa época estão: Sinfonia Número 5, Sonata ao Luar, Kreutzer para Violino e Fidelio, sua única ópera. Após 1818, aparentemente recuperado de uma depressão severa, continuou compondo; surgem então alguns sucessos aclamados, como a conhecida Sinfonia Número 9 em Ré Menor, considerada por muitos sua obra-prima.

Mesmo com diversas tentativas de tratamento, durante o passar dos anos a doença progrediu e, aos 46 anos, estava praticamente surdo.

Apesar de grandioso músico, Beethoven era solitário, com temperamento tempestuoso e até mesmo paranoico. Costumava brigar com todos à sua volta, incluindo irmãos, amigos e patrões. Talvez, devido a sua dificuldade em se relacionar, Beethoven nunca casou. Sua personalidade hoje é frequentemente citada por seus transtornos de conduta e comportamento. Paranoico, mimado, explosivo e muito infantil são adjetivos que o definem.

Apesar da vida pessoal conturbada e praticamente surdo, suas melhores composições foram próximas à sua morte, incluindo Missa Solemnis e Quarteto Número 14.

Em 1814, já era conhecido como o maior compositor do século. Entre o período de 1816 e 1827 (ano de sua morte), compôs cerca de 44 obras. Beethoven morreu trabalhando em uma nova sinfonia, e com projetos para um réquiem. Em sua autópsia, foram citados, como causa da morte: cirrose, sífilis, hepatite infecciosa, envenenamento, sarcoidose e doença de Whipple (inflamação e dor articular, diarreia, perda de peso, dor crônica abdominal e escurecimento da pele). Além disso, descobriu-se que a surdez havia sido por decorrência de tifo, e não de uma doença arterial. É considerado por muitos o maior compositor do século XIX, e também o inaugurador do Romantismo.

ANDERSON ZENIDARD – é mestre em Psicologia pela PUC-SP, supervisor e palestrante. Coordenador e professor do curso de especialização em Transtornos e Patologias Psíquicas pela Facis, professor de pós-graduação no curso de Psicologia de Saúde Hospitalar na PUC-SP. Atua há mais de 30 anos em atendimento clínico em diversos segmentos da Psicologia, com especial dedicação a psicossomática, transtornos e patologias psíquicas.