EU ACHO …

ÓDIO MOBILIZADOR

Ao contrário do que pode parecer, o ódio não impede a felicidade. De fato, pode até mesmo contribuir com ela, sobretudo o ódio 2.0

No meu curso de Psicologia, havia uma aluna que acabou virando a “mascote” da nossa turma. Isso porque ela, na faixa doa seus 50 e poucos anos, era a maia velha da classe. Sua sabedoria (sobretudo contrastada com a vasta experiência de uma média etária de 20 anos) saltava aos olhos. Lembro com carinho de muitas de suas frases, mas de uma delas em especial:         “As pessoas pensam que o que move o mundo é o amor. Mas não é o amor, é o ódio!”.

Na época, achei aquilo engraçado. Acho que tomei a frase como uma piada porque a compreendi de maneira errada. Atribui a ela uma conotação pessimista diante da condição humana que, uma vez que não encontrava correspondência com a personalidade da autora, só poderia tratar-se de uma brincadeira dela.

Foram necessários muitos anos (necessário talvez que eu também chegasse aos 60) para compreendê-la. Foi ainda preciso que eu me propusesse a escrever sobre o caráter prático da Psicologia Positiva 2.0 para que a lembrança de tudo isso me viesse à tona.

O fato é que a emoção do ódio (raiva e todos os seus derivados) não é tão negativa quanto se haveria de supor. Minha amiga talvez tenha exagerado um pouco ao colocar tal emoção como a única a mover o mundo. Por outro lado, a capacidade mobilizadora do ódio é inegável. E é aí justamente que entra a necessidade da Psicologia Positiva. Toda mobilidade envolve uma direção, de forma que, mobilizados pelo ódio ou pela raiva, podemos tomar diferentes caminhos que, basicamente, se resumem a dois tipos: destrutivo ou construtivo. Observe que negativa, nesse caso, é muito maia a direção pela qual nos deixamos conduzir do que a emoção que estamos sentindo.

O caminho destrutivo da raiva (e utilizo “raiva” ao invés de “ódio” a fim de facilitar que você, leitor, se identifique maia facilmente com os exemplos) é bem conhecido por todos nós: brigas inúteis, agressões desnecessárias, pessoas que metem os pés pelos mãos e que, invariavelmente, acabam prejudicando a si mesmas, mais até do que os outros. Isso sem falar nos relacionamentos desgastados e perdas afetivas muitas vezes deles decorrentes.

Já o cominho construtivo da raiva ou ódio, ou aquilo que aqui estou chamando simplesmente de ódio 2.0, é bem diferente. Em primeiro lugar, ele nos mobiliza à ação. Importante esclarecer, contudo, que não me refiro aqui a uma ação de vingança ou desforra, já que isso fugiria ao aspecto construtivo do referido trajeto. Nesse sentido vale dizer que o uso construtivo do ódio torna-se construtivo na medida cm que nos leva ao desenvolvimento.

Podemos, por exemplo, movidos pela raiva, nos dedicarmos mais intensamente à conquista de uma meta: “Me largou por outra pessoa? Pois ele (a) vai ver que não preciso dele (a) pra viver!”. Além disso, a raiva também serve para testar nosso autocontrole. E a cada vez que conseguimos modular nossa resposta a ela, esforçando-nos a tomar um caminho construtivo diante dessa emoção, é como se colocássemos mais um “tijolinho” na nossa capacidade de nos controlarmos diante doa impulsos. Em outras palavras, se não sentíssemos raiva (e também frustração, e uma série de emoções negativas) não teríamos oportunidade de desenvolver nosso autocontrole.

Isso significa que é também por causa da raiva que nos tornamos seres humanos melhores, o  que, sem dúvida, pode parecer um tremendo paradoxo, mas que, de fato, nada mais é do que um exemplo claro da complexidade das emoções e, sobretudo, das limitações em classificá-las cartesianamente como positivas ou negativas.

Por fim, gostaria de compartilhar com você, leitor, que hoje tive um dia difícil. Basicamente, e como provavelmente já aconteceu também com você, fui vítima de uma certa “sacanagem” que, por diversas circunstâncias que obviamente não vêm ao caso, como agravante me impediu qualquer tipo de resposta (o que acabou por elevar sobremaneira o nível da minha raiva, é claro!). Impedida de dormir (experimente tentar dormir com raiva!) e de tomar uma atitude direta em relação ao fato, levantei às duas horas da manhã e fui escrever esta coluna e… bingo! Descobri que araiva pode também nos tornar mais produtivos!

LILIAN GRAZIANO – é psicóloga e doutora em Psicologia pela USP, com curso de extensão em Virtudes e Forças Pessoais pela VIA Institute on Charater, EUA. É professora universitária e diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, onde oferece atendimento clínico, consultoria empresarial e cursos na área.

graziano@psicologiapositiva.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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