EU ACHO …

FRUSTRAÇÃO COTIDIANA

Acertarem sempre, ainda mais em um processo dinâmico como é a educação. Mesmo com todo empenho e dedicação da família, os filhos sempre sentirão falta de algo

Uma das lições mais difíceis que aprendemos enquanto pais é que, embora amemos nossos filhos de modo incondicional e lhes dediquemos o melhor de nossa atenção, nem sempre eles percebem ou recebem nossas manifestações de amor e dedicação com a mesma intensidade. Mesmo com tudo que lhes oferecemos, eles crescem ressentidos com a falta de algo que julgam que teria sido perdido em suas vidas. E, não raramente, nos acusam de não os termos observado, ouvido ou até compreendido como pessoas e concluem que não lhes demos exatamente o que precisavam ou queriam. Que frustração!

É comum os pais acharem que tais queixas não correspondem à realidade, pois recordam em quantas oportunidades deixaram seu descanso de lado, para brincar e acompanhar as crianças, ou mesmo o investimento de tempo e recursos que colocamos à sua disposição, ao longo da infância e adolescência, em detrimento de seus prazeres pessoais. Mas será que isso ficou claro para elas?

Sabemos ser impossível, como pais e educadores, acertarmos sempre, ainda mais em um processo tão dinâmico como é a educação: em meio às obrigações diárias, a correria e os imprevistos, é difícil prestarmos toda a atenção que desejávamos poder dar a nossos filhos. Isto é fato!

Mas se pensarmos retroativamente, nossos avós e pais também se queixavam de terem pais que poderiam ter dado maior acolhimento aos seus desejos durante seu desenvolvimento, e essas pessoas muito provavelmente tinham uma vida menos estressante do que a que temos hoje. E crianças de décadas atrás eram bem menos conscientes de seus desejos e direitos, e pode-se entender que dessa forma fosse mais fácil satisfazê-las. Contudo, quem não ouviu queixas de seus pais sobre os avós e a forma como foram criados?

Nessa delicada relação entre pais e filhos, talvez sempre exista uma falha, porque é humano errar e porque não se consegue dar conta de tamanha empatia, a ponto de nunca frustrar outra pessoa por mais atenção que lhe dediquemos.

Por isso, a partir do pressuposto (em que acredito) de que não há nada mais importante do que a relação que construímos com nossos filhos, pois isso molda suas vidas e determina o ambiente que vivemos em casa, venho procurando compreender cases encontros e desencontros e suas consequências para a aprendizagem.

Porém, há muito a aprender sobre essa relação, que é fundamentalmente de interdependência: embora continuemos inteiros com nosso próprio perfil e vontades, devemos nos ligar aos filhos com respeito e amor. A interdependência demora para ser conquistada, mas é um caminho seguro para a autoconfiança e fortalecimento de um bom relacionamento familiar.

As crianças têm seus direitos assim como os adultos, e o mais importante de todos é o respeito ao seu momento de vida: ainda imaturas neurológica e mentalmente, precisam sentir segurança, apoio, limites enquanto crescem. Precisam viver em um ambiente no qual os adultos sejam responsáveis por si próprios e por ela, para que ao crescerem tenham a mesma relação de dignidade com seus filhos e para que convivam com respeito na própria família e também fora dela.

Proximidade, confiança geram colaboração espontânea, criam diálogos produtivos, diminuem a distância entre gerações e mantêm o respeito ao outro, principalmente aos familiares. Todos tornam-se mais capazes de ouvir, compreender e trabalhar de modo a buscar soluções e atender as necessidades uns dos outros.

Acontece que na tentativa de orientarmos nossos filhos, nos esquecemos por vezes de reconhecer suas competências e habilidades pessoais como traços de sua personalidade, falhamos no respeito a eles e até criamos um ambiente hostil, distanciando-nos de quem mais amamos. Damos “broncas”, não ouvimos seus argumentos, deixamos de lado seus desejos sem ao menos explicarmos por quê.

Uma forma de modificar um clima desagradável e evitar mágoas futuras deve começar por pensar em nossos filhos e tratá-los como se fossem os filhos de nossos amigos, sendo corteses, escutando e orientando com respeito. Mostramos muitas vezes mais interesse por estranhos, mantemos   mais nosso humor e cortesia com pessoas que não são de nossa família.

Compreender que pais não podem ser “os melhores amigos de seus filhos” é parte desse mesmo aprendizado: há o papel funcional dos adultos na educação dos filhos, que não lhes permite que deixe seu perfil e assuma outro, sem consequências graves na formação de um adulto autônomo, capaz, e socialmente adequado.

Criança alguma por mais inteligente e amadurecida que seja, está perto de poder ser a melhor amiga de seus pais: não tem maturidade emocional, moral e intelectual para esse papel. Pais e filhos não podem juntos ser “sócios” na tomada de decisões sobre a própria educação, por exemplo. As crianças podem e devem opinar, mas as decisões são sempre dos adultos, até porque estes são legalmente responsáveis pelos atos de seus filhos. Uma coisa é dizer ao filho que não se pode comprar tudo ou mesmo um brinquedo mais caro naquele momento. Outra é trocar confidências e preocupações como: “não sei como pagar a sua escola este mês”.

Pais e filhos estão geneticamente programados para se amarem; mas fazer desse amor uma conquista é tarefa dos pais.

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/2007). É autora de artigos nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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