EU ACHO …

FELIZMENTE EXISTE O MOVIMENTO FEMINISTA

Que não está tranquilo nem favorável, disso todos nós sabemos. Da avalanche de informações que ameaça nos soterrar, destacam-se alguns acontecimentos que revelam a persistência de práticas criminosas que se mantêm, mesmo com os supostos avanços civilizatórios. O caso do jogador Robinho é um desses episódios que nos levam a pensar com e para além dos fatos. Acusado pela justiça italiana de estuprar uma jovem albanesa, violentada por seis homens, entre eles o próprio Robinho, as declarações do jogador e de seus apoiadores dão mais uma volta no parafuso do sexismo e do patriarcado — tecnologias de exclusão e destituição que legitimam toda e qualquer violência de gênero. Em interceptações telefônicas, testemunha-se alguém absolutamente tranquilo, convicto que vai se safar do delito cometido. Diz o jogador: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu…”. Cravando ainda mais o parafuso no muro do sexismo e do desrespeito com mulheres, exatamente por serem mulheres, acrescenta Robinho, sem pestanejar: “infelizmente, existe esse movimento feminista”.

Ao contrário do que diz o jogador, felizmente existe o movimento feminista, considerado um dos movimentos mais importantes do mundo, responsável por mudar significativamente o cartão postal do século XX. Provavelmente Robinho não sabe, mas foi graças ao movimento feminista que mulheres (e homens) puderam estabelecer novos arranjos familiares em virtude da presença feminina no mercado de trabalho, dos direitos sexuais e reprodutivos, entre tantas outras coisas; foi e é graças ao movimento feminista que práticas violentas, como o estupro, são consideradas abomináveis, inaceitáveis e criminosas.

Pelas conversas telefônicas interceptadas, entende-se o porquê Robinho lamenta a existência do feminismo. Do alto de sua masculinidade grotesca, alimenta um mundo em que a brutalidade siga sendo um símbolo de virilidade e de vontade que deve se sobrepor aos corpos submissos. O fato de “debochar” da situação (“eu tô rindo porque não estou nem aí) demonstra que Robinho sabia a quem estava violentando. Para ele, mulher, bêbada, e ainda por cima albanesa (portanto a escória do mundo) sequer é gente. Do alto de sua masculinidade sórdida, mesmo na condição de vítima do racismo italiano, quando por lá jogou e morou, Robinho parece tirar da cartola a única tecnologia de destituição que possui o machismo, para violentar e violar. Abominável!

*** ROSANE BORGES

OUTROS OLHARES

O PREÇO DA VAIDADE

Ao anunciar que estreará na bolsa de valores, influenciadora digital italiana levanta a discussão sobre o papel e os riscos desse tipo de marketing digital

“Ipo de si mesma.” Assim, em tom laudatório e com a vaidade potencializada pela beleza e pelos 21,6 milhões de seguidores no Instagram, a italiana Chiara Ferragni, de 33 anos, anunciou um ineditismo: a possível abertura de sua imagem na bolsa de valores por meio de uma “oferta pública inicial”. Muita água há de rolar até que as ações de Chiara subam ou desçam no mercado financeiro da Itália. Mas uma pergunta se impõe: o que há de tão valoroso no trabalho dela que mereça ser negociado? Para ela, seu estilo de vida. Blogueira de moda e influencer (eis como ela registraria sua profissão ao preencher uma ficha de hotel), a moça se tornou uma poderosa marca nas redes sociais exibindo sem pudor roupas de grife, itens de consumo, viagens espetaculares e seu filho, Leone, de 2 anos. Nada que publica sai de graça – por cada post patrocinado, recebe quase 60.000 dólares, o equivalente a 340.000 reais. “Se o passo de Chiara realmente se concretizar, ele abre portas para um novo mercado”, diz Eric Messa, coordenador do Núcleo de Inovação em Marketing Digital da Faap, em São Paulo.

Os influenciadores digitais, de fato, se transformaram em peças valorizadas na estratégia de marketing do mundo da moda – não por acaso, empresas de todo o mundo já perceberam a vitalidade dessa turma e dedicam 20% de suas verbas de marketing às postagens. Essa é a faceta visível, rentável e gloriosa – mas ela esconde sombras. Há fragilidades, é claro. Do ponto de vista de recurso de propaganda, aos olhos do consumidor, há um risco evidente – quem garante a qualidade do que é oferecido? Como são estabelecidas as fronteiras entre aquilo que parece espontâneo e o que, é espaço comprado? No mundo da publicidade tradicional, que sofre com o avanço dos influenciadores, há normas claras e agências de controle; como o brasileiro Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

Dada a novidade, a trama jurídica ainda precisa ser construída. Sabe­se, contudo, de ao menos um caso de uma influencer condenada por um Juizado Especial Cível de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, por ter indicado uma loja para a compra de um smartphone que nunca foi entregue. Descobriu-se depois, que a promoção era um golpe aplicado em todo o país. A ré recorreu, mas teve seu pedido negado. Ou seja: os influenciadores podem, sim, ser má influência, se não houver cuidadosa atenção.

Um modo de entender o estrago que pode vir atrelado ao mundo que brotou nas redes sociais, ali onde pululam boas histórias mas também mentiras, é medir a força dos personagens que só expõem a cara em smartphones. Um estudo da MuseFind, plataforma americana de pesquisas, mostrou que 92% dos consumidores confiam mais em um influenciador do que em um anúncio ao modo antigo. “O peso dos influenciadores digitais se tornou muito relevante”, reconhece Sabrina Balles, líder de measurement da Nielsen. Relevante ou exagerado? A paulista Bruna Tavares, de Campinas, em São Paulo, fez fama ao exibir produtos de maquiagem. Com 2,8 milhões de seguidores só no Instagram, ela cobrava até 70.000 reais por acordo publicitário. Parabéns à Bruna. Ela é correta, digna e faz bem seu trabalho. Nem todos, porém, seguem o seu competente e ético exemplo.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 20 DE NOVEMBRO

BAIXA AUTOESTIMA, A SÍNDROME DE GAFANHOTO

Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei… (Isaias 43.4a).

Milhões de pessoas vivem com a autoestima achatada. Sentem-se esmagadas pelo complexo de inferioridade. Olham para si mesmas com desprezo. Sentem-se inferiores aos demais. São como os espias de Israel, que se viram como gafanhotos diante de gigantes. Precisamos entender que não somos o que pensamos ser, nem mesmo o que as pessoas dizem que somos. Somos o que Deus diz que somos. Temos valor para Deus. Fomos criados à sua imagem e semelhança. Pertencemos a ele por direito de criação. Aqueles que creem no Senhor Jesus pertencem a ele também por direito de redenção. Somos duplamente de Deus. Temos valor para ele. Quando rejeitamos o projeto, estamos rejeitando também o projetista. Quando nos sentimos um zero à esquerda, estamos menosprezando o Criador. Quando nos sentimos sem valor, estamos fazendo pouco caso do Redentor. A Bíblia diz que somos filhos de Deus, herdeiros de Deus e habitação de Deus. Somos a herança de Deus, a menina dos olhos de Deus e a delícia de Deus, em quem ele tem todo o seu prazer. Não deve haver espaço para orgulho nem para autodesprezo em nosso coração.  Somos o que somos pela graça de Deus. Nele devemos alegrar-nos!

GESTÃO E CARREIRA

RIACHUELO QUER SER STARTUP

Aos 72 anos, tradicional empresa de varejo de moda intensifica parcerias com universidades e empresas tecnológicas para reinventar seu modelo de negócio

O período para reflexão e revisão de estratégias. Foi assim que a rede varejista Riachuelo usou a pandemia. A companhia, com faturamento de R$ 7,8 bilhões no ano passado, aproveitou a suspensão de atividades das 323 unidades no País para intensificar a estratégia de incorporação de novas tecnologias para seu modelo de negócio e de aproximação com startups e centros de pesquisas de universidades Brasil afora. “As startups estão nos ajudando a encontrar respostas rápidas tanto na contratação como na execução dos serviços”, diz o head de Inovação, Demetrio Teodorov, executivo responsável por orquestrar a revolução digital da companhia. “O mais importante é que elas nos apresentam um pensamento não óbvio. Sair do óbvio é um tesouro.”

O primeiro passo da empresa para se reinventar em meio à pandemia tem sido a integração de todos os setores e a simplificação dos processos internos, segundo Teodorov. A execução do plano é feita por meio de programas, por exemplo, com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Outra ação em parceria com a UFPE é o patrocino ao Cesar Summer Job, programa de capacitação para os alunos durante o período de férias, oferecendo mentoria para os participantes e analisando a possibilidade de implementação do resultado final do curso dentro da empresa. “Todas as atividades têm sempre um viés estratégico, como testar comportamentos requeridos, entender as oportunidades de novos negócios, as necessidades do cliente e a ultracustomização”, afirma Teodorov. “A universidade nos traz um frescor, pois é um ambiente em que as pessoas não estão acostumadas ao mundo corporativo, elas têm uma mentalidade diferente.”

Já no programa Citi, de estímulo à inovação patrocinado pelo banco americano, a Riachuelo tem acesso às soluções de dezenas de empresas juniores da instituição para o desenvolvimento de estratégias omnichannel. “Fazemos análise de todas essas startups e geramos um book mensal com o objetivo de fomentar a cultura da inovação dentro da empresa.” Ele desataca que as melhores ideias são cadastradas no Riachuelo Lab, iniciativa lançada no início do ano que funciona como um banco de contatos de parceiros em todas as vertentes do negócio: varejo, banco, financeira, fábricas, têxtil, transportadoras, centros de distribuição, call center e empreendimentos.

Atualmente, a Riachuelo possui no banco de dados mais de 200 startups, que têm propostas de soluções para as novas demandas das redes de varejo. Entre as iniciativas está o espaço RCHLO + (Riachuelo Mais), que é uma área dedicada à customização de peças. O cliente pode criar uma estampa, adicionar textos, emojis e até fotos e imprimir na hora. Outra possibilidade de personalização das peças são as aplicações de patches. No espaço, também há a possibilidade de realizar workshops, bate-papos, ativações com artistas, entre outras ações. “A partir do início da pandemia da Covid-19, começamos a rever contratos com empresas e estamos verificando a viabilidade de trocar fornecedores por startups e microempresas para fomentar o mercado dos pequenos empreendedores”, diz Teodorov.

O plano de modernização da companhia, fundada há 72 anos – o fundador do grupo dono da marca, Nevaldo Rocha, morreu na quinta-feira (18), aos 91 anos –, tem orçamento de R$ 168 milhões. O recurso já tem sido utilizado em infraestrutura de tecnologia da informação, segurança e projetos como o Self Check Out (modalidade de autopagamento), RFID (método de armazenamento e recuperação de dados remoto que usa dispositivos como cartões ou tags) e omnicanalidade, estratégia que visa à integração dos canais de venda, oferecendo a mesma experiência em todos eles.

CONSUMIDOR EXIGENTE

Para o período pós-pandemia, a expectativa na empresa é de que o consumidor seja mais exigente com as marcas e use mais os meios digitais. E isso levou à antecipação de projetos. As vendas pelo WhatsApp, por exemplo, estão habilitadas para 100% das lojas físicas e disponíveis em todos os mercados operados pela companhia, e o serviço Click & Collect, que permite que os clientes retirem os produtos adquiridos on-line nas lojas físicas, também está disponível em toda a rede. A empresa implementou ainda o drive-thru em 156 lojas e criou um projeto para transformar seus colaboradores em novos promotores de venda.

Em entrevista em abril, o CEO da Riachuelo, Oswaldo Nunes, falou da aposta da companhia em ações de inovação, como as plataformas digitais. “Esses canais vêm num ritmo de crescimento bem maior do que antes da crise”, disse na ocasião. “A partir de agora teremos um cliente mais digital. E investir nessa transformação é cada vez mais necessário.” Parte do processo para o desenvolvimento destas soluções se dá a partir do evento Demodays, no qual times internos mapeiam os desafios e buscam microempresas que apresentem recursos que possam resolver essas questões. Além disso, o custo normalmente equivale a cerca de 10% do valor cobrado por uma empresa convencional. Inovar, além de tudo, sai mais barato.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESAPEGUE-SE! – IV

DE OLHO NA SUSTENTABILIDADE

Pense no meio ambiente e seja responsável na hora de se desapegar de objetos

Sabe aquele item eletrônico que não funciona mais e fica lá no cantinho da casa acumulando poeira? Ou até mesmo aquele aparelho que, para você, não tem mais uso algum, mas que ainda funciona? E as cascas de alimentos? Ah, e aquela. comia que venceu? A bateria e a pilha que acabaram? A lâmpada que queimou? Pois é, não é bom deixar tudo isso dentro, de casa sabendo que não, são mais úteis, mas é importante saber desapegar dessas coisas com responsabilidade ecológica.

Segundo o Pnuma, um programa da ONU para o meio ambiente, o mundo descartou cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2017. Em 2014 o Brasil gerou cerca de 1,4 milhão de toneladas, tornando-se o principal gerador desse tipo de lixo na América Latina. A última edição do estudo Panorama dos Resíduos Sólid0os no Brasil feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), constatou que o total de resíduos sólidos urbanos gerado no pais aumentou 1,7% de 2014 a 2015, período em que a população brasileira cresceu 0,8% e a atividade econômica (PIB) retraiu 3,8%. Apesar do aumento, a porcentagem é menor do que em anos anteriores e, de acordo com o mesmo estudo, reflete um modelo de consumo que aderiu ao descartável e não mudou isso com a chegada da crise econômica.

LOCAIS INADEQUADOS

Segundo a Abrelpe os avanços percebidos pelo setor ainda não são suficientes para reduzir o               volume total de resíduos sólidos urbanos que são encaminhados para locais inadequados. Em termos percentuais houve uma melhora relativa de 0,3% em relação ao ano anterior, porém em termos absolutos, cerca de 30 milhões de toneladas de resíduos foram dispostas em lixões e aterros controlados, uma quantidade que é 1% maior do que o montante registrado em 2014. O desafio apresentado ainda é bastante considerável, uma vez que, apesar das determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010) e de outras Leis Ambientais, mais de 3.300 municípios ainda fazem uso de unidades irregulares para destinação dos resíduos coletados.

DESAPEGO CORRETO

BATERIAS DE TELEFONES CELULARES: geram lixo tóxico. Por isso, uma possibilidade ao descarte deste material no lixo doméstico é entregar as baterias antigas em lojas de eletrônicos. Muitas delas providenciam ou encaminham o material para reciclagem.

RESTOS DE MEDICAÇÕES: o descarte incorreto pode levar ao uso inadvertido por outras pessoas resultando em reações adversas graves e intoxicações. Medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações desde 1996, de acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas. Existem diversas iniciativas que permitem o descarte de forma segura de medicamentos vencidos ou sobras de tratamentos, bem como, de suas embalagens e de objetos perfuro -cortantes usados para ministrá-los.

PILHAS E BATERIAS: o ideal é separar o lixo tóxico dos outros, pois facilita a coleta e o armazenamento em aterros especiais.

LÂMPADAS FLUORESCENTES: essas lâmpadas contêm substâncias químicas que afetam o ser humano, como o mercúrio, um metal pesado que, uma vez ingerido ou inalado, causa efeitos devastadores ao sistema nervoso. É recomendável que se armazene em locais secos. Lembre-se de identificar a caixa e de nunca quebrar a lâmpada.