A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESAPEGUE-SE! – III

VIVA COM MENOS

Muito além de reduzir o consumo excessivo, o estilo de vida minimalista propõe o desapego de tudo o que temos em excesso

O termo minimalismo é atribuído a um conjunto de movimentos artísticos, culturais, e científicos do século XX que eram adeptos daquilo que é simples e fundamental e que se utilizava de poucos elementos essenciais como base de expressão. Com o tempo, o minimalismo foi influenciando diversas áreas, como design, literatura, música, decoração, entre outras.

Mas, o que significa quando alguém se autodenomina uma pessoa minimalista? Nem sempre quer dizer que esse indivíduo vive em uma casa pequena com poucos móveis e apenas vinte peças de roupa. Na verdade, essa é uma maneira de caracterizar aqueles que se cansaram do consumo excessivo, e estão dando mais atenção ao que realmente importa, coisas que, geralmente, o dinheiro não pode comprar.

SOMENTE O NECESSARIO

Alguma vez você já sentiu um vazio interno e, a fim de preenche-lo, foi fazer umas comprinhas? ou, então, achou que adquirir aquele item que está em alta iria te deixar mais feliz, porém a sensação de alegria durou apenas poucos dias? Isso é mais comum do que se imagina, e um dos motivos para situações como essa ocorrerem frequentemente é a cultura de consumismo extremo em que vivemos. Para fugir disso e levar uma vida mais leve, apostar no minimalismo vem sendo uma opção para muitas pessoas. “Ele se tornou um estilo de vida por focar no que é essencial ao ser humano, na qualidade de vida sem exageros e com desprendimento dos bens materiais”, comenta a psicóloga Lidiane Silva.

Mas se engana quem pensa que, para ser minimalista é preciso abrir mão de tudo e viver com pouco. ”Ser minimalista não significa que não podemos ter mais de dois pares de sapatos, roupas diversas, uma casa bem decorada e estruturada. “Essa forma de viver é sobre não se tornar escravo do consumo, pois, muitos estão sempre endividados e continuam comprando aquilo que não lhes acrescenta, vivendo sob pressão interna e externa, além de passar por um estresse que só tende a aumentar”, ressalta Lidiane. Ao direcionarmos toda nossa atenção aos bens materiais, deixamos de aproveitar momentos importantes, viajar, descansar e passar tempo com quem amamos. “Trabalhar somente para comprar traz um cansaço emocional muito grande”, completa a psicóloga.

Segundo Lidiane, é importante que o minimalismo seja introduzido e ensinado às crianças desde cedo, para que não se tornem adultos desenfreados, a comprar desnecessariamente”. Esse é um estilo de vida que tende a trazer benefícios a curto e longo prazo, na individualidade de cada um, contribuindo ainda para uma saúde mental devidamente equilibrada”, afirma.

NA PRÁTICA

Querer se livrar dos excessos já é o primeiro passo para a mudança. Mas, no dia a dia, é importante analisar de onde nasce o desejo de consumir, de ter coisas e de acumular bens que serão pouco utilizados, e entender a real necessidade que precisa ser suprida – e de que forma isso pode ser feito.

“Inicialmente, o minimalismo pode parecer subjetivo, mas, na prática, é surpreendentemente simples: ocupar os espaços com itens que realmente possuem utilidade, lutar contra a tentação de guardar coisas velhas, e parar de pensar em nossa casa e em nossa vida como um estoque, um depósito, e sim como um ambiente de convivência são algumas das formas de aderir ao novo estilo de vida”, sugere Adriana Schneider, coach especialista em desenvolvimento humano.

O minimalismo deve ser utilizado em todas as áreas, servindo como uma estratégia, técnica ou ferramenta para trazer controle essencial ao consumo. “Ele pode ser aplicado, por exemplo, ao ir ao supermercado e comprar apenas aquilo que será consumido em uma quantidade adequada, para que não ocorra desperdício; ao comprar roupas e refletir se aquela aquisição é necessária, se aquela peça será usada ou se será apenas mais uma no guarda-roupa,  ao querer trocar de carro e avaliar se terá mesmo condições financeiras para não passar aperto, em outras áreas ou se tornar escravo de prestações, abrindo mão de práticas que trariam qualidade de vida”, lista Lidiane.

DESAPEGO

Ao aderir ao estilo de vida minimalista, o desapego às coisas que não são essenciais passa a ser automático. Conforme se inicia esse processo, de maneira consciente e comprometida, é possível reavaliar prioridades e, assim, abrir mão daquilo que não agrega valor em todos os sentidos da vida – objetos, ideias, sentimentos, pessoas e atividades. Com o minimalismo, o foco deixa de ser no material, tangível e imediato, e imigra para a vivência de experiências significativas. Ele amplia nossa consciência e nos obriga a rever as coisas que valorizamos e a remover tudo o que nos distrai, ocupa e aprisiona”, destaca Adriana.

Portanto, se o objetivo é desapegar-se do que está tomando um espaço na sua vida que poderia ser preenchido com o que realmente importa, seguir por este caminho vai, sem dúvidas, trazer resultados surpreendentes. “Com isso, é possível retirar o foco de vida no “ter” e enxergar a importância ou essência da alegria que está relacionada ao “ser”: ser fiel, bem resolvido, tranquilo, menos estressado, menos exigente consigo mesmo, levando ao desapego do que não desperta uma evolução sentimental e comportamental positiva na existência”, completa Lidiane. Vale lembrar que o minimalismo não descarta a importância de sentir-se bem e autorrealizado com conquistas materiais, ele apenas destaca o valor de não se tornar refém do consumismo inconsciente.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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