EU ACHO …

PENSO, LOGO DESISTO

Se há um elemento que não podemos subestimar atualmente é o limite da estupidez humana. Se vivesse no Brasil de hoje, e não na França do século 17, Descartes não teria dito “penso, logo existo”, mas “penso, logo desisto”. Não há nada mais frustrante do que tentar ver a realidade sob o prisma da lógica. O pensamento cartesiano, inspirado por Descartes, foi descartado. A lista de fatos que mostra isso é quase infinita, mas vamos nos ater à discussão recente: a politização da vacina anti coronavírus. O uso político de uma doença já é de uma baixeza inigualável, uma vez que o número de mortos — seres humanos com famílias, carreiras, sonhos — passa a importar apenas para justificar uma narrativa, sem qualquer empatia com as vítimas. Os negacionistas negam, no fundo, o direito ao conhecimento. Esse governo federal ainda se sentará no banco dos réus, não apenas por sua incompetência evidente, mas por sua crueldade dolosa.

O presidente Bolsonaro não se importa que os brasileiros morram — desde que se mantenha no poder. Sua mais nova estratégia contra os inimigos é defender que “a vacina não será obrigatória”. O capitão cloroquina diz isso por uma única razão: a opção mais avançada não é a que ele patrocinou, mas sim o governador de São Paulo, João Doria, seu adversário político.
É um argumento tão infantil que nem parece que vem de um homem de 65 anos, mas de um moleque de nove, brigando no playground. É óbvio que a eficácia da vacina deve ser provada, não é disso que se trata. O boicote que o presidente sugere deixa de ser uma posição política para se tornar uma questão criminosa. A vacina não nasce da origem ideológica do cientista, mas dos testes em laboratório. Alguém sabe quem fez a vacina contra poliomelite? Varíola? Sarampo? Isso só importa para terreplanistas e apoiadores cegos.

Bolsonaro engana a população com gráficos comprados em bancos de imagem e militares irresponsáveis sem respeito por suas próprias patentes. Ser vacinado durante uma pandemia mundial não tem nada a ver com liberdade, porque quem não se vacina pode contrair a doença e transmiti-la a outras pessoas. Explicando para um moleque de nove anos: um cidadão tem a liberdade de beber uma garrafa de cachaça, mas não tem liberdade de fazer isso e sair dirigindo por aí porque pode matar outras pessoas. Da mesma forma, fazendeiros vacinam o gado para que infecções não se espalhem pelo rebanho. O gado não tem liberdade para decidir se é vacinado ou não. Ou tem? Temo que o Brasil de hoje tenha virado uma grande fazenda — e com o líder do rebanho no comando.

*** FELIPE MACHADO

OUTROS OLHARES

TRAGA (BOM) CONTEÚDO

Twitter permitirá que pessoas sigam ‘temas’ em vez de apenas acompanhar as contas de usuários

Toda rede social tem uma preocupação inescapável. Fazer com quem o usuário volte (muitas vezes) e poste (muitas vezes). O resultado dessa equação permite que cada um de nós entregue tempo e dados para as plataformas. Por esse motivo a decisão que o Twitter adotará globalmente esta semana é emblemática para amplificar sua relevância. Ele permitirá que as pessoas passem a seguir temas e não apenas contas. Em outras palavras, em vez de acompanhar somente a ressonância verbal-visual vinda de seus amigos virtuais você poderá localizar novos grupos e fazer interações a partir de segmentos temáticos. Inicialmente, o cardápio trará 300 assuntos.

O Twitter pretende, assim, resolver algo que não é pequeno. Pense na seguinte situação: você é um amante de gastronomia e passa a seguir as contas dos seus chefs preferidos. Acabará consumindo um festival de postagens autopromocionais (menus, pessoas da equipe, horários), mas não exatamente estará mais bem-informado pelas novidades e tendências gastronômicas. A opção de seguir temas justamente serviria para aumentar a qualidade dos conteúdos.

Essa solução, chamada Topics, permitirá que sejam escolhidos assuntos de interesse do usuário dentro das três centenas de opções, que vão de esportes a entretenimento, de contas que são ‘autoridades’ no assunto. A intenção é tornar a plataforma mais acessível para usuários novos ou ocasionais e, ao mesmo tempo, dar alternativas aos heavy users.

A ideia de permitir que as pessoas sigam tópicos além de (ou em vez de) contas individuais remonta aos primeiros dias da empresa. Mas foi preciso o desenvolvimento de ferramentas de aprendizado de máquina e a contratação de uma equipe editorial humana para que isso acontecesse. O lançamento fará com que aprimoramentos ocorram. As perguntas são as mais variadas – de quantas contas serão seguidas a quantos temas aparecerão na timeline? E, por enquanto, um tópico está proibido: política.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 19 DE NOVEMBRO 


DEPRESSÃO, A DOR DA ALMA

Desfalece-me a alma, aguardando a tua salvação… (Salmos 1 9.81a).

A depressão é uma doença que provoca muitas outras enfermidades. Ela dói na alma, atordoa a mente e fragiliza o corpo. A depressão atinge milhões de pessoas em todo o mundo. É como um parasita que suga a seiva das emoções. É como uma sanguessuga que extrai o néctar da vida. A depressão é a maior causa de suicídio. Empurra suas vítimas para um corredor escuro, para um deserto inóspito, para um vale profundo, para um quarto sem janelas.

A depressão é multicausal, e seus sintomas são variados. As pressões da vida, as decepções nos relacionamentos, as crises financeiras, o agravamento da saúde, o luto doloroso são algumas das causas mais comuns da depressão. A boa notícia é que a depressão é cíclica. Não dura para sempre. Há uma saída para a depressão. Há cura. Há luz no fim do túnel. Há uma janela de escape nesse quarto escuro. Devemos tratar a depressão com remédio, terapia e fé. Aqueles que atribuem a depressão apenas à influência de demônios estão equivocados.

Aqueles que julgam que depressão é pecado não estão calçados pela verdade. Uma pessoa temente a Deus e cheia do Espírito Santo pode ficar deprimida. O profeta Elias um dia ficou deprimido e pediu para si a morte. Deus, porém, o curou, o restaurou e devolveu-lhe o ministério. Não se desespere. O Senhor pode tirar sua alma do cárcere!

GESTÃO E CARREIRA

TECHNO PELE

O setor de skincare cresce com o uso de tecnologia e apelo ao público jovem: bem-estar impacta na confiança no trabalho

Exposta diariamente a impurezas e agressões invisíveis, a pele precisa de cuidados mais do que especiais. E o setor de skincare tem desenvolvido novas formas de atendera essa demanda, investindo na inovação de técnicas, equipamentos, protocolos e produtos.

Segundo o portal de estatística alemão Statista um dos mais completos do mundo, em 2025 o mercado de produtos para a pele deve chegar perto de US$ 190 bilhões – em 2019, fechou em US$ 141bi. Segundo o instituto de pesquisa de mercado NPD, nos EUA as vendas de produtos para a pele cresceram 13% em 2018 (para efeito de comparação as vendas de maquiagem tradicional cresceram apenas 1%).

Em fevereiro deste ano, a Avon realizou a primeira edição de seu Skineare Summit, em Nova York. A empresa anunciou uma novidade, desenvolvida em parceria com a Universidade de Manchester: uma molécula que estimula e reequilibra a produção de tipos de colágeno fundamentais para o antienvelhecimento.

Outro nicho que começa a ganhar relevância é o de produtos que usam canabidiol em sua formulação. Em janeiro, a Saint Jane, marca de cremes à base de CBD, estreou nas lojas da Sephora nos EUA – Algumas novidades no mercado são o iMask Magic, da Basali, que cria máscaras faciais de colágeno a partir ingredientes naturais, quase como um liquidificador de máscaras (US$300); o ZIIP Nano Current Facial Device, da ZIIP Beauty, que é uma máquina de nano corrente elétrica que se propõe a tonificar, esculpir e dar contorno à pele, prometendo antienvelhecimento (US$ 495): e a LightStim for Acne LED Light Therapy, da Light Stim, que usa luzes LED azuis e vermelhas para “destruir bactérias causadoras da acne (US$165).”O efeito bactericida e anti-inflamatório do LED azul diminui o período de inflamação da acne e previne manchas”, explica a dermatologista e colunista da Forbes Letícia Nanci. Segundo ela, alguns aparelhos de tratamento antiacne contam também com a tecnologia de vibração sônica, que estimula a circulação local e melhora a drenagem e eliminação de toxinas.

O sistema de cuidados com a pele Optune, da Shiseido, incorpora inteligência artificial (IA) e internet das coisas (loT) para criar fórmulas personalizadas – são 80 mil combinações possíveis. Personalização também é a premissa da tecnologia Neutrogena MaskiD, da Johnson & Johnson, que produz máscaras faciais impressas em 3D.

IA te m sido usada para dar conselhos aos usuários – caso do HiMirror, um espelho inteligente controlado por voz que faz uma análise diária da pele e que simula maquiagens com o uso de realidade aumentada (RA). Em 2019, a P&G lançou o Opté Precision Skincare, que detecta manchas na pele e aplica maquiagem em pontos específicos. Empresas como a L’Oréal, por sua vez, estão levando o conceito de personalização ao nível genômico.

Sustentabilidade (incluindo o conceito de animal-free) nos produtos e nas embalagens também estão na pauta do dia. A unicórnio Ginkgo Bio Worksm, por exemplo, criou uma levedura geneticamente modificada para produzir óleo de rosas sem utilizar a planta propriamente dita.

Mas a sensação do momento são as escovas sônicas de limpeza facial. Além de massagear e dar um toque suave à pele, o aparelho promete a desobstrução dos poros, a remoção de resíduos e uma maior retenção de água e sabonete, possibilitando uma higienização mais efetiva. Essa foi a aposta da Foreo, empresa sueca fundada em 2013 que, com uma agressiva e bem calculada estratégia de marketing, popularizou seu produto principalmente entre o público jovem. A marca chegou ao Brasil em 2016 e investiu RS 20 milhões em parcerias com mais de 140 influenciadores, youtubers e celebridades. “[A estratégia] foi importante para nos apresentarmos ao mercado brasileiro, afirma Bianca Tavares, gerente geral da marca no Brasil “Mais do que cuidar da pele, queremos que nossos consumidores vivenciem uma experiência única”

Essa experiência inclui o mais recente lançamento da Foreo: o Luna Mini 3, com suas 8 mil pulsações por minuto em 12 intensidades diferentes. Os produtos da marca também são fabricados e vendidos por empresas nacionais e transnacionais, como as brasileiras Avon e Multilaser e a gigante chinesa Xiaomi. “Essas esponjas não devem ser usadas diariamente”, adverte Letícia Nanci. “A pele deve ser limpa suavemente com sabonete mais adequado ao seu tipo de pele; a orientação seria usá-las duas vezes por semana”. Com mais de 10 milhões de produtos vendidos pelo mundo, a Foreo foi avaliada em US$ 1 bilhão.

Nas clinicas dermatológicas existem avançados tratamentos não invasivos para as queixas mais frequentes: manchas, envelhecimento e gordura localizada. Ainda novo no mercado, o ultrassom macro focado (de nome comercial Scizer) promete diminuir a gordura localizada de regiões como abdome, costas, coxas e braços. O tratamento (de uma a três sessões) é praticamente indolor.

O laser de picossegundos, uma grande inovação na área da dermatologia, permite a remoção de manchas e tatuagens em todos os tipos de pele – inclusive negra e asiática, que mancham mais. Esse tipo de laser emite energia muito rapidamente na pele, não causando o efeito de aquecimento comum dos outros lasers. Além da remoção de manchas, também é usado para rejuvenescimento, tratamento de cicatrizes, linhas finas e flacidez.

Para homens com queixa frequente de calvície, existem inúmeros tratamentos eficazes. Uma boa opção, cientificamente comprovada e aprovada pela FDA, são os capacetes e bonés de laser de baixa intensidade, infravermelho e LED vermelho. que promovem fotobiomodulação – com melhora da densidade do folículo e estímulo de crescimento de novos fios. Algumas marcas são IGrow, Hair max e a nacional Capelux. “A recomendação é usá-los diariamente por alguns minutos”, conclui a doutora Letícia.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESAPEGUE-SE! – III

VIVA COM MENOS

Muito além de reduzir o consumo excessivo, o estilo de vida minimalista propõe o desapego de tudo o que temos em excesso

O termo minimalismo é atribuído a um conjunto de movimentos artísticos, culturais, e científicos do século XX que eram adeptos daquilo que é simples e fundamental e que se utilizava de poucos elementos essenciais como base de expressão. Com o tempo, o minimalismo foi influenciando diversas áreas, como design, literatura, música, decoração, entre outras.

Mas, o que significa quando alguém se autodenomina uma pessoa minimalista? Nem sempre quer dizer que esse indivíduo vive em uma casa pequena com poucos móveis e apenas vinte peças de roupa. Na verdade, essa é uma maneira de caracterizar aqueles que se cansaram do consumo excessivo, e estão dando mais atenção ao que realmente importa, coisas que, geralmente, o dinheiro não pode comprar.

SOMENTE O NECESSARIO

Alguma vez você já sentiu um vazio interno e, a fim de preenche-lo, foi fazer umas comprinhas? ou, então, achou que adquirir aquele item que está em alta iria te deixar mais feliz, porém a sensação de alegria durou apenas poucos dias? Isso é mais comum do que se imagina, e um dos motivos para situações como essa ocorrerem frequentemente é a cultura de consumismo extremo em que vivemos. Para fugir disso e levar uma vida mais leve, apostar no minimalismo vem sendo uma opção para muitas pessoas. “Ele se tornou um estilo de vida por focar no que é essencial ao ser humano, na qualidade de vida sem exageros e com desprendimento dos bens materiais”, comenta a psicóloga Lidiane Silva.

Mas se engana quem pensa que, para ser minimalista é preciso abrir mão de tudo e viver com pouco. ”Ser minimalista não significa que não podemos ter mais de dois pares de sapatos, roupas diversas, uma casa bem decorada e estruturada. “Essa forma de viver é sobre não se tornar escravo do consumo, pois, muitos estão sempre endividados e continuam comprando aquilo que não lhes acrescenta, vivendo sob pressão interna e externa, além de passar por um estresse que só tende a aumentar”, ressalta Lidiane. Ao direcionarmos toda nossa atenção aos bens materiais, deixamos de aproveitar momentos importantes, viajar, descansar e passar tempo com quem amamos. “Trabalhar somente para comprar traz um cansaço emocional muito grande”, completa a psicóloga.

Segundo Lidiane, é importante que o minimalismo seja introduzido e ensinado às crianças desde cedo, para que não se tornem adultos desenfreados, a comprar desnecessariamente”. Esse é um estilo de vida que tende a trazer benefícios a curto e longo prazo, na individualidade de cada um, contribuindo ainda para uma saúde mental devidamente equilibrada”, afirma.

NA PRÁTICA

Querer se livrar dos excessos já é o primeiro passo para a mudança. Mas, no dia a dia, é importante analisar de onde nasce o desejo de consumir, de ter coisas e de acumular bens que serão pouco utilizados, e entender a real necessidade que precisa ser suprida – e de que forma isso pode ser feito.

“Inicialmente, o minimalismo pode parecer subjetivo, mas, na prática, é surpreendentemente simples: ocupar os espaços com itens que realmente possuem utilidade, lutar contra a tentação de guardar coisas velhas, e parar de pensar em nossa casa e em nossa vida como um estoque, um depósito, e sim como um ambiente de convivência são algumas das formas de aderir ao novo estilo de vida”, sugere Adriana Schneider, coach especialista em desenvolvimento humano.

O minimalismo deve ser utilizado em todas as áreas, servindo como uma estratégia, técnica ou ferramenta para trazer controle essencial ao consumo. “Ele pode ser aplicado, por exemplo, ao ir ao supermercado e comprar apenas aquilo que será consumido em uma quantidade adequada, para que não ocorra desperdício; ao comprar roupas e refletir se aquela aquisição é necessária, se aquela peça será usada ou se será apenas mais uma no guarda-roupa,  ao querer trocar de carro e avaliar se terá mesmo condições financeiras para não passar aperto, em outras áreas ou se tornar escravo de prestações, abrindo mão de práticas que trariam qualidade de vida”, lista Lidiane.

DESAPEGO

Ao aderir ao estilo de vida minimalista, o desapego às coisas que não são essenciais passa a ser automático. Conforme se inicia esse processo, de maneira consciente e comprometida, é possível reavaliar prioridades e, assim, abrir mão daquilo que não agrega valor em todos os sentidos da vida – objetos, ideias, sentimentos, pessoas e atividades. Com o minimalismo, o foco deixa de ser no material, tangível e imediato, e imigra para a vivência de experiências significativas. Ele amplia nossa consciência e nos obriga a rever as coisas que valorizamos e a remover tudo o que nos distrai, ocupa e aprisiona”, destaca Adriana.

Portanto, se o objetivo é desapegar-se do que está tomando um espaço na sua vida que poderia ser preenchido com o que realmente importa, seguir por este caminho vai, sem dúvidas, trazer resultados surpreendentes. “Com isso, é possível retirar o foco de vida no “ter” e enxergar a importância ou essência da alegria que está relacionada ao “ser”: ser fiel, bem resolvido, tranquilo, menos estressado, menos exigente consigo mesmo, levando ao desapego do que não desperta uma evolução sentimental e comportamental positiva na existência”, completa Lidiane. Vale lembrar que o minimalismo não descarta a importância de sentir-se bem e autorrealizado com conquistas materiais, ele apenas destaca o valor de não se tornar refém do consumismo inconsciente.