A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESAPEGUE-SE! – II

DEIXE A VIDA MAIS LEVE

Diferentemente do que muitos pensam, desapega-se não é sinônimo de frieza, e egoísmo. Entenda como essa atitude melhora suas relações e promove a liberdade no seu dia a dia

Você tem o costume de se apegar a coisas, ideias, pessoas, sentimentos ou situações a ponto de não conseguir abandoná-las, mesmo que já não lhes sirvam mais? Uma roupa apertada, um erro cometido por outra pessoa, uma mágoa guardada por muitos anos, um relacionamento que está fazendo ma… Para ficar em paz consigo mesmo é preciso deixar ir embora aquilo o que não acrescenta e, assim, abrir espaço para o novo. Mas, na prática, desapegar-se pode ser mais complicado do que parece e demanda ajuda.

O apego geralmente está relacionado à ideia de que, para encontrar a felicidade, é preciso ter, sejam objetos, amizades, relacionamentos, entre outras coisas. “O ser humano acredita que, ao possuir algo, ele será mais feliz. Mas, com isso, ele acaba caindo na armadilha de ter cada vez mais, muitas vezes pelo status ou por querer reconhecimento daquilo que possui”, comenta a neuropsicopedagoga e psicanalista Barbara Fernandes.

PRECISO ME DESAPEGAR?

É importante, em primeiro lugar ter em mente do que se trata o “desapego”.  Para o psicólogo Roberto Debski, é uma atitude necessária para seguirmos em frente e evoluirmos na vida. “Desapegar é deixar que as pessoas, fatos e objetos do passado façam parte de nossa história, mas que não fiquemos presos a eles. Não se trata de esquecer, mas de colocar cada coisa em seu devido lugar”, explica.

O americano Dave Bruno, professor de História na Universidade Nazarena de Point Loma, em San Diego, decidiu que era a hora de desapegar, de mudar suas atitudes. Em 2008, ele assumiu o desafio de viver um ano inteiro com apenas 100 itens, incluindo roupas, livros, aparelhos eletrônicos, lembranças de família e objetos pessoais. Dave abriu exceções para os bens que também eram usados pela mulher e os filhos, como móveis e eletrodomésticos, mas nada além.

Apesar de sua atitude ter sido considerada radical por muitos, ele acabou conquistando seguidores ao redor do mundo, ganhou a atenção da mídia e publicou o livro The 100 Things Challenge (O Desafio das 100 Coisas, em tradução livre).

“Desapegar é uma atitude de coragem, de ousadia, de acreditar que o novo será melhor do que aquilo que já passou”, afirma Roberto. Mas, cuidado com o excesso: é preciso se perguntar se a obsessão pelo consumo deve ser substituída pela obsessão do não consumo, ou seja, pelo desapego. A psicanalista Simone Vitale explica que esse ato torna-se um exercício saudável na medida em que aprendemos que não é necessário possuir para ser feliz e que a felicidade como diz o psicanalista Jorge Forbes em seus artigos, “não é bem que se mereça”.

Do desapego surgem algumas ramificações, como o que envolve o material, e o emocional. “O desapego emocional é conseguir deixar ir as pessoas e relações que já passaram, tiveram um lugar na história, mas já tiveram seu ciclo encerrado”, esclarece Roberto. Já o desapego material é o se desfazer das coisas que não têm mais utilidade e abrir espaço nos armários, e na vida. O acúmulo de objetos e materiais gera estagnação de energia mental, que não flui, e isso prejudica a pessoa em vários sentidos. “Passa uma mensagem inconsciente de que não há espaço para o novo, e pode gerar dificuldades em mudar, evoluir e crescer”, elucida o especialista.

ALERTA VERMELHO

O medo de perder coisas ou pessoas é comum, mas, em excesso, ele pode afetar a saúde psicológica e até mesmo física de um indivíduo. A falsa sensação de que precisamos manter algo, de que aquilo não pode ser descartado, mesmo não tendo mais utilidade alguma, faz com que sintomas como ansiedade, preocupação excessiva e nervosismo surjam. “Por motivos conscientes ou não, a tentativa de preservar algo em nossas vidas a qualquer custo pode gerar angustia e sofrimento, desenvolvendo, assim, outras patologias e psicopatologias”, explica a psicóloga e escritora Marilene Kehdi.

Em relação aos objetos, existem pessoas que possuem uma dificuldade extremamente grande em se desfazer deles, ainda que não signifiquem nada para os outros ou que não funcionem mais. Nesses casos o item passa a ter uma importância tão grande que chega a ocupar uma condição de continuidade do próprio corpo. É como se, ao livrar-se daquilo, o mundo interno daquele indivíduo estivesse sendo alterado. Há ainda os acumuladores, porém, isso passa a ser considerado uma questão patológica.

De acordo com a psicóloga Sirlene Ferreira, uma maneira de saber se o apego está além do que é considerado normal é tentar analisar se você está, de fato, conseguindo definir a verdadeira importância das coisas, pessoas ou sentimentos que insiste em manter.

POR DENITRO DA MENTE

Além de questões emocionais que estão diretamente ligadas ao apego, é possível encontrar em nosso cérebro explicações para essa dificuldade em deixar as coisas irem. Segundo Barbara, existe uma estrutura cerebral chamada amígdala – um grupo de neurônios – cuja função é proteger o ser humano contra perdas, riscos ou perigo. “O apego é, geralmente, uma atitude de quem quer se proteger de perdas. Por isso, podemos dizer que essa é, também, uma questão fisiológica”, pontua a psicanalista.

A fim de analisar casos mais graves, o pesquisador David Tolin, da Escola de Medicina da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, realizou um estudo para descobrir o que ocorre no cérebro de pessoas acumuladoras. Para isso, ele selecionou 43 adultos já diagnosticados com o problema, outros 31 com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), e mais 33 saudáveis. Para a pesquisa, cada um precisou levar uma pilha de papéis de sua casa, como jornais, revistas e correspondências antigas. Os próprios cientistas também levaram os itens pedidos. Depois, um total de 50 itens dos convidados e outros 50 levados pelos profissionais foram fotografados e mostrados aos voluntários dentro da máquina de ressonância magnética. Ao olharem para as imagens desses dois grupos, eles deveriam escolher se gostaram de guardar para si aqueles itens ou se preferiam descarta-los.

Ao fim do experimento, verificou-se que as pessoas saudáveis optaram por jogar fora uma média de 40 dos 50 itens que haviam levado. As que possuíam TOC descartaram por volta de 37 itens. Já os acumuladores só rejeitaram cerca de 29 dos 50. Eles também demoraram mais tempo para tomar a decisão sobre o que fazer com os itens e demonstraram mais ansiedade, tristeza e indecisão do que os outros grupos ao fazer as escolhas.

Nesse mesmo estudo, os pesquisadores ainda compararam exames de ressonância magnética do cérebro de pessoas com e sem o distúrbio e o resultado sugeriu algumas alterações na região anterior do encéfalo (principalmente em estruturas como o córtex cingulado e a ínsula). Essas diferenças, segundo os cientistas, seriam a causa das falhas em tomar decisões, e o receio de optar por escolhas erradas, além de justificar o apego aos acúmulos.

VOCÊ MAIS LEVE

Apego excessivo é sinônimo de sobrecarga, e isso pode ser aplicado em todas as áreas de nossa vida. Por isso, desapegar-se é uma forma de criar espaço para momentos, relações e até mesmo bens materiais novos. Por mais difícil que seja, é importante exercer essa mudança e entender que o presente é o que mais importa. “Focar no aqui e no agora é fundamental para a qualidade de vida. Viver o presente faz com que você esteja atento aos seus comportamentos e ao tipo de vínculo que está criando com todos ao seu redor. Ao longo da vida, algumas perdas vão deixando um profundo vazio, e elas precisam ser compreendidas, aceitas e elaboradas. Caso contrário, a tendência é se apegar demais a tudo aquilo o que não se quer mais perder, completa Marilene.

Em alguns casos, é preciso buscar a ajuda de um profissional para conseguir lidar da melhor maneira com essa questão. “O auxílio de um psicólogo pode ser fundamental na busca interior de uma resposta para determinadas atitudes, como o apego além do comum, por exemplo. “A psicoterapia tem o objetivo de proporcionar autoconhecimento, e isso é muito importante para a saúde mental”, ressalta Sirlene.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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