EU ACHO …

À ESPREITA

As pandemias raramente têm um fim rápido e definitivo, sugerem os surtos anteriores

Em 7 de setembro de 1854, no meio de uma epidemia de cólera violenta, o médico John Snow procurou a administração da paróquia de St. James para obter permissão para remover a alça de uma bomba de água pública na Broad Street, no Soho, em Londres. Snow observou que 61 vítimas do cólera haviam recentemente retirado água da bomba e concluiu que o líquido contaminado era a fonte da epidemia. Seu pedido foi atendido e, embora demorasse mais 30 anos para a teoria dos germes do cólera ser aceita, sua ação acabou com a epidemia.

À medida que nos adaptamos a mais uma rodada de restrições por causa do coronavírus, seria bom pensar que há em vista um ponto final semelhante para a Covid-19. Infelizmente, a história sugere que as epidemias raramente têm términos tão definidos quanto a do cólera no Reino Unido de 1854. Ao contrário, como observou o historiador social da medicina Charles Rosenberg, a maioria das epidemias “flutua sem pressa para o encerramento”.

Já se passaram 40 anos desde a identificação dos primeiros casos de Aids, mas a cada ano 1,7 milhão de seres humanos são infectadas pelo vírus HIV. Na verdade, na ausência de uma vacina, a Organização Mundial da Saúde não espera encerrar o processo antes de 2030. Embora o HIV continue a representar uma ameaça biológica, não inspira nada parecido com os temores que produziu no início dos anos 1980, quando o governo de Margaret Thatcher lançou sua campanha “Não Morra de Ignorância”, cheia de imagens assustadoras de lápides no chão. Na verdade, do ponto de vista psicológico, podemos dizer que a pandemia da Aids terminou com o desenvolvimento de medicamentos antirretrovirais e a descoberta de que os pacientes infectados podiam conviver com o vírus até a velhice. A defesa por professores de Harvard da disseminação controlada do coronavírus em grupos mais jovens, juntamente com a proteção dos idosos, explora um desejo semelhante de banir o medo da Covid-19 e encerrar a angústia dessa pandemia. Está implícita a ideia de que as pandemias são fenômenos tão sociais quanto biológicos, e que, se nos dispusermos a aceitar níveis mais elevados de infecção e morte, atingiremos mais rapidamente a imunidade coletiva, ou “de rebanho”, e retornaremos à normalidade mais cedo. Em texto na revista Lancet, cientistas sustentam, no entanto, que a estratégia se baseia em uma “falácia perigosa”. Não há evidências de “imunidade de rebanho” duradoura ao coronavírus após a infecção natural. Em vez de acabar com a pandemia, argumentam eles, a transmissão descontrolada entre os mais jovens poderia simplesmente resultar em epidemias recorrentes, como ocorreu com várias doenças infecciosas antes do advento das vacinas. Não por acaso, eles chamaram sua petição rival de “Memorando de John Snow”.

A ação decisiva de Snow em Londres pode ter acabado com a epidemia de 1854, mas o cólera voltou em 1866 e 1892. Foi somente em 1893, quando começaram os primeiros ensaios em massa de vacinas, na Índia, que se tornou possível imaginar o controle científico racional da doença e de outras enfermidades. O ponto alto desses esforços foi em 1980, com a erradicação da varíola, a primeira e ainda única doença a ser eliminada do planeta. Esses esforços começaram, no entanto, 200 anos antes, com a descoberta, por Edward Jenner, em 1796, de que era possível induzir imunidade contra a varíola com uma vacina feita a partir do vírus relacionado da varíola bovina.

Com mais de 170 vacinas para a Covid-19 em desenvolvimento, é de se prever que não tenhamos de esperar tanto desta vez. O professor Andrew Pollard, diretor do teste da vacina da Universidade de Oxford, adverte, porém, que não devemos esperar uma injeção no futuro próximo. Em um seminário online, Pollard disse acreditar que o mais cedo que uma vacina estará disponível será no segundo semestre de 2021, e somente para profissionais de saúde da linha de frente. A conclusão é que “poderemos precisar de máscaras até julho”, afirmou.

A outra maneira como a pandemia poderia ser encerrada é com um sistema de teste e rastreamento verdadeiramente revolucionário. Uma vez que possamos suprimir a taxa reprodutiva para menos de 1 e ter confiança de mantê-la assim, a tese do distanciamento social dilui-se. Claro, algumas medidas locais podem ser necessárias de vez em quando, mas não haveria mais a necessidade de restrições gerais para evitar que os sistemas de saúde sejam sobrecarregados. Essencialmente, a Covid-19 se tornaria uma infecção endêmica, como a gripe ou um resfriado comum, e desapareceria no segundo plano. É o que parece ter acontecido depois das pandemias de gripe de 1918, 1957 e 1968. Em cada caso, até um terço da população mundial foi infectado, mas, apesar do número alto de mortos (50 milhões na pandemia de 1918-19, cerca de 1 milhão cada naquelas de 1957 e 1968), em dois anos elas acabaram, seja porque a imunidade coletiva foi alcançada, seja porque os vírus perderam a virulência. O cenário de pesadelo é que o Sars-CoV-2 não desaparece, mas retorna continuamente. Foi o que aconteceu com a Peste Negra do século XIV, que causou repetidas epidemias europeias entre 1347 e 1353. Algo semelhante ocorreu em 1889-90, quando a “gripe russa” se espalhou da Ásia Central para a Europa e a América do Norte. Apesar de um relatório do governo inglês indicar 1892 como data oficial do fim da pandemia, na verdade a gripe russa nunca foi embora. Em vez disso, foi responsável por ondas recorrentes da doença na virada do século XIX para o XX.

Mesmo quando as pandemias eventualmente chegam a uma conclusão médica, entretanto, a história sugere que elas podem ter efeitos culturais, econômicos e políticos duradouros. A Peste Negra é amplamente associada ao colapso do sistema feudal e à obsessão artística por imagens funéreas. Da mesma forma, diz-se que a praga de Atenas no século V a.C. destruiu a fé dos atenienses na democracia e abriu o caminho para a instalação de uma oligarquia espartana conhecida como os Trinta Tiranos. Embora os espartanos tenham sido expulsos posteriormente, Atenas nunca recuperou sua confiança. Se a Covid-19 levará a uma avaliação política semelhante, só o tempo dirá.

***MARK HONIGSBAUM – é professor da City University de Londres e autor de The Pandemic Century: One Hundred Years of Panic, Hysteria and Hubris.

OUTROS OLHARES

O TRIBUNAL DA VERGONHA

Vídeo do tratamento humilhante de uma jovem em audiência de um caso de estupro, mostra como o ambiente machista da Justiça costuma vilanizar mulheres que buscam reparo contra essa violência

No fim dos anos 70, o julgamento do assassinato da socialite mineira Ângela Diniz marcou época pela linha de defesa adotada pelo advogado Evandro Lins e Silva e se transformou em um divisor de águas no tratamento dado pela Justiça às mulheres. Silva era defensor do empresário paulista e assassino confesso Raul Fernando do Amaral, o Doca Street. Motivado por ciúme, ele matou Ângela com quatro tiros, três deles no rosto da namorada. Para justificar o crime bárbaro, o advogado gastou grande parte do tempo destruindo a honra da vítima, a quem chamou de “Vênus lasciva”, “prostituta de alto luxo da Babilônia” e “pantera que, com suas garras, arranhava os corações dos homens”. Graças à estratégia, ele inverteu os papéis e transformou Doca Street em vítima de uma mulher fatal que o havia ofendido em sua dignidade masculina. O réu saiu do tribunal aplaudido e com uma pena modesta de dois anos. Somente dois anos depois, e em meio a uma gigantesca mobilização feminina apoiada na campanha “Quem ama não mata”, a Justiça enfim seria feita. Um segundo julgamento resultaria em uma condenação maior.

Passadas quase quatro décadas e, guardadas as devidas proporções, ecos do caso Ângela Diniz ressurgiram no país, mostrando que os tribunais não se livraram do ranço machista que costuma vilanizar mulheres vítimas de violências justamente quando elas procuram reparação na Justiça. O episódio que trouxe à tona a triste lembrança de um julgamento moral refere-se a uma denúncia de estupro em uma boate de luxo em Florianópolis, o Café de La Musique. A acusadora, a influencer Mariana Ferrer, diz que, depois de ser drogada, acabou violentada pelo empresário André de Camargo em um camarim privado da casa noturna. A agressão ocorreu em dezembro de 2018. Nas roupas dela, a perícia encontrou sêmen do empresário. O inquérito policial concluiu que Camargo cometeu estupro de vulnerável, definição jurídica para os casos em que a vítima não tem condições de oferecer resistência. Em sentença publicada no dia 9 de setembro, porém, seguindo a percepção do Ministério Público, o juiz Rudson Marcos absolveu o empresário sob o argumento de que não haveria “provas contendentes nos autos a corroborar a versão acusatória”.

Depois da sentença, protestos feministas chamaram a atenção ao desfecho da história, mas ela parecia destinada a cair na vala comum de processos de estupro que são engavetados deixando no ar uma incômoda sensação de que não se fez justiça à vítima. Na semana passada, no entanto, o episódio voltou ao noticiário graças a uma reportagem do site The Intercept Brasil, que revelou um degradante vídeo dos bastidores do julgamento de Mariana. Nele, o advogado de defesa insurge-se contra a influencer, ofendendo-a e a acusando-a de publicar fotos provocativas nas redes sociais, como se isso, de alguma maneira, justificasse o avanço de alguém sobre o corpo dela. Em dado momento, o defensor Cláudio Gastão da Rosa diz, dirigindo-se a Mariana, que “jamais teria uma filha de seu nível”. Enquanto isso, o juiz assiste impassível às barbaridades.

As imagens com cenas explícitas de um absurdo linchamento moral que nada tinha a ver com o mérito do caso provocaram reações fortes entre a sociedade e as autoridades. A história viralizou nas redes sociais com ajuda da expressão “estupro culposo”. Ela não consta nem na decisão do MP nem na do juiz, mas foi publicada pelo Intercept para tentar resumir a tese de que o criminoso não deveria ser condenado porque, em teoria, não tinha como saber que a vítima não estava totalmente consciente. A infame audiência provocou imediata reação de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que publicou em seu Twitter que o tratamento dado a Mariana Ferrer na ocasião era estarrecedor. “O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação”, escreveu. Pouco depois, a Ordem dos Advogados de Santa Catarina convocou Gastão a prestar esclarecimentos. Celebridades também se manifestaram sobre o assunto. Com a hashtag #justicapormariferrer, nomes como Bruna Marquezine, Iza, Deborah Secco e Rafa Kalimann declararam apoio a ela.

Independentemente do desfecho do julgamento (a defesa da influencer recorre para tentar reverter a decisão que absolveu o empresário), o caso mostra como o ambiente dos tribunais ainda é um terreno hostil às mulheres que, de forma corajosa, se dispõem a tentar alguma reparação depois de sofrer uma experiência traumática. Na audiência do caso Mariana, promotor, advogado de defesa, réu e juiz eram do sexo masculino. Eles seguiram regras de um tribunal liderado por homens e se ancoraram em uma legislação cuja espinha dorsal tem quase um século de idade. “Note-se que o tratamento ao réu é bastante diferente daquele direcionado à vítima”, diz a socióloga Eva Blay. “O rosto dele aparece escondido e é tratado sempre como empresário, enquanto mal se fala que ela foi demitida após denunciar o estupro.”

A cena da humilhação sofrida pela influencer está longe de ser uma exceção, assim como a linha de atuação de Gastão da Rosa não é um caso isolado no direito brasileiro. “Essa é uma tendência e uma estratégia de defesa está ancorada num viés cultural muito forte, notadamente machista e que põe em suspeição a palavra da vítima”, afirma o advogado Fernando Castelo Branco. “É uma estrutura que impõe à vítima a condição de investigada e uma forma de inibir o surgimento de outras denúncias.” Castelo Branco defende as mulheres que foram abusadas por um famoso nutrólogo de São Paulo, Abib Maldaun Neto, condenado a dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto por violação sexual mediante fraude. O advogado lembra que a primeira denúncia apresentada contra o médico foi rejeitada por uma juíza. Segundo ela, uma mulher de 30 anos era madura o suficiente para não sofrer um abuso como o que foi cometido por Maldaun Neto. No caso em questão, o nutrólogo aproveitava-se das consultas para introduzir os dedos na vagina das pacientes. No processo, a advogada do nutrólogo chegou a afirmar que as mulheres abusadas por ele estavam em conluio para obter alguma vantagem e até requisitou que uma delas fizesse um exame psiquiátrico. “O que se viu na audiência da Mariana Ferrer é abominável. Aquilo não é a celebração do direito, mas uma execração pública”, diz Castelo Branco.

No fim dos anos 70, o julgamento do assassinato da socialite mineira Ângela Diniz marcou época pela linha de defesa adotada pelo advogado Evandro Lins e Silva e se transformou em um divisor de águas no tratamento dado pela Justiça às mulheres. Silva era defensor do empresário paulista e assassino confesso Raul Fernando do Amaral, o Doca Street. Motivado por ciúme, ele matou Ângela com quatro tiros, três deles no rosto da namorada. Para justificar o crime bárbaro, o advogado gastou grande parte do tempo destruindo a honra da vítima, a quem chamou de “Vênus lasciva”, “prostituta de alto luxo da Babilônia” e “pantera que, com suas garras, arranhava os corações dos homens”. Graças à estratégia, ele inverteu os papéis e transformou Doca Street em vítima de uma mulher fatal que o havia ofendido em sua dignidade masculina. O réu saiu do tribunal aplaudido e com uma pena modesta de dois anos. Somente dois anos depois, e em meio a uma gigantesca mobilização feminina apoiada na campanha “Quem ama não mata”, a Justiça enfim seria feita. Um segundo julgamento resultaria em uma condenação maior.

Passadas quase quatro décadas e, guardadas as devidas proporções, ecos do caso Ângela Diniz ressurgiram no país, mostrando que os tribunais não se livraram do ranço machista que costuma vilanizar mulheres vítimas de violências justamente quando elas procuram reparação na Justiça. O episódio que trouxe à tona a triste lembrança de um julgamento moral refere-se a uma denúncia de estupro em uma boate de luxo em Florianópolis, o Café de La Musique. A acusadora, a influencer Mariana Ferrer, diz que, depois de ser drogada, acabou violentada pelo empresário André de Camargo em um camarim privado da casa noturna. A agressão ocorreu em dezembro de 2018. Nas roupas dela, a perícia encontrou sêmen do empresário. O inquérito policial concluiu que Camargo cometeu estupro de vulnerável, definição jurídica para os casos em que a vítima não tem condições de oferecer resistência. Em sentença publicada no dia 9 de setembro, porém, seguindo a percepção do Ministério Público, o juiz Rudson Marcos absolveu o empresário sob o argumento de que não haveria “provas contendentes nos autos a corroborar a versão acusatória”.

Depois da sentença, protestos feministas chamaram a atenção ao desfecho da história, mas ela parecia destinada a cair na vala comum de processos de estupro que são engavetados deixando no ar uma incômoda sensação de que não se fez justiça à vítima. Na semana passada, no entanto, o episódio voltou ao noticiário graças a uma reportagem do site The Intercept Brasil, que revelou um degradante vídeo dos bastidores do julgamento de Mariana. Nele, o advogado de defesa insurge-se contra a influencer, ofendendo-a e a acusando-a de publicar fotos provocativas nas redes sociais, como se isso, de alguma maneira, justificasse o avanço de alguém sobre o corpo dela. Em dado momento, o defensor Cláudio Gastão da Rosa diz, dirigindo-se a Mariana, que “jamais teria uma filha de seu nível”. Enquanto isso, o juiz assiste impassível às barbaridades.

As imagens com cenas explícitas de um absurdo linchamento moral que nada tinha a ver com o mérito do caso provocaram reações fortes entre a sociedade e as autoridades. A história viralizou nas redes sociais com ajuda da expressão “estupro culposo”. Ela não consta nem na decisão do MP nem na do juiz, mas foi publicada pelo Intercept para tentar resumir a tese de que o criminoso não deveria ser condenado porque, em teoria, não tinha como saber que a vítima não estava totalmente consciente. A infame audiência provocou imediata reação de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que publicou em seu Twitter que o tratamento dado a Mariana Ferrer na ocasião era estarrecedor. “O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação”, escreveu. Pouco depois, a Ordem dos Advogados de Santa Catarina convocou Gastão a prestar esclarecimentos. Celebridades também se manifestaram sobre o assunto. Com a hashtag #justicapormariferrer, nomes como Bruna Marquezine, Iza, Deborah Secco e Rafa Kalimann declararam apoio a ela.

Independentemente do desfecho do julgamento (a defesa da influencer recorre para tentar reverter a decisão que absolveu o empresário), o caso mostra como o ambiente dos tribunais ainda é um terreno hostil às mulheres que, de forma corajosa, se dispõem a tentar alguma reparação depois de sofrer uma experiência traumática. Na audiência do caso Mariana, promotor, advogado de defesa, réu e juiz eram do sexo masculino. Eles seguiram regras de um tribunal liderado por homens e se ancoraram em uma legislação cuja espinha dorsal tem quase um século de idade. “Note-se que o tratamento ao réu é bastante diferente daquele direcionado à vítima”, diz a socióloga Eva Blay. “O rosto dele aparece escondido e é tratado sempre como empresário, enquanto mal se fala que ela foi demitida após denunciar o estupro.”

A cena da humilhação sofrida pela influencer está longe de ser uma exceção, assim como a linha de atuação de Gastão da Rosa não é um caso isolado no direito brasileiro. “Essa é uma tendência e uma estratégia de defesa está ancorada num viés cultural muito forte, notadamente machista e que põe em suspeição a palavra da vítima”, afirma o advogado Fernando Castelo Branco. “É uma estrutura que impõe à vítima a condição de investigada e uma forma de inibir o surgimento de outras denúncias.” Castelo Branco defende as mulheres que foram abusadas por um famoso nutrólogo de São Paulo, Abib Maldaun Neto, condenado a dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto por violação sexual mediante fraude. O advogado lembra que a primeira denúncia apresentada contra o médico foi rejeitada por uma juíza. Segundo ela, uma mulher de 30 anos era madura o suficiente para não sofrer um abuso como o que foi cometido por Maldaun Neto. No caso em questão, o nutrólogo aproveitava-se das consultas para introduzir os dedos na vagina das pacientes. No processo, a advogada do nutrólogo chegou a afirmar que as mulheres abusadas por ele estavam em conluio para obter alguma vantagem e até requisitou que uma delas fizesse um exame psiquiátrico. “O que se viu na audiência da Mariana Ferrer é abominável. Aquilo não é a celebração do direito, mas uma execração pública”, diz Castelo Branco.

Esse cenário é ainda mais preocupante em um país onde crescem as estatísticas de violência contra a mulher. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve 11.958 estupros registrados oficialmente no país em 2007. No ano passado, o número foi de 66.123, um salto indigesto de mais de 400%. Os dados mostram que, a cada oito minutos, uma mulher é estuprada, mas esses números certamente são muito maiores – e humilhações impostas a vítimas como a influencer Mariana Ferrer certamente desencorajam mulheres a prestar queixa contra seus agressores. Tratadas como vilãs, exatamente como Ângela Diniz quatro décadas atrás, as vítimas escondem-se no anonimato, preferindo guardar a tragédia para si em vez de correr o risco de ser expostas ao escrutínio de homens inclinados a acusá-las.

Diversos estudos reforçam a tese da subnotificação. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 58,5% dos entrevistados colocaram a culpa na vítima do estupro. A justificativa não poderia ser mais torpe: eles dizem que, se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros. “É como se a palavra da mulher fosse posta em jogo toda vez que ela fala”, afirma Gabriela Manssur, promotora conhecida por suas lutas a favor dos direitos da mulher. Outra pesquisa, também realizada pelo Ipea, estima que somente 10% dos casos são registrados, o que escancara o abismo entre a violência sofrida pelas mulheres e o que de fato está demarcado nos dados oficiais brasileiros.

As mulheres enfrentam a agravante de o Brasil ser uma sociedade notadamente conservadora. O primeiro código penal da República, que vigorou de 1890 a 1940, criou a ilusão da legítima defesa da honra – um recurso usado por hábeis advogados toda vez que seu cliente era acusado de bater na esposa.

Os juristas do código penal seguinte, promulgado em 1940 e em vigor até hoje, eliminaram do texto a esdrúxula distinção entre mulher “honesta” e “pública” e até aumentaram as penas para até dez anos de reclusão, mas incluíram outro artigo que só complicaria mesmo a vida do perpetrador se a vítima fosse menor de idade. “A história do Brasil está marcada pelo abuso contra o sexo feminino”, diz Maria Arminda do Nascimento Arruda, socióloga e coordenadora do escritório USP Mulheres, que estuda temas ligados à violência e à igualdade de gênero. Outros avanços ocorreram nas últimas décadas, como a criação das delegacias da mulher, mas reproduzir essa lógica dentro do Judiciário é muito mais complexo. Segundo especialistas, não há uma legislação que obrigue um magistrado a impedir uma argumentação depreciativa e a solução seria investir mais na formação humanitária nas escolas de direito para além dos pontos técnicos e jurídicos.

Como mostram as imagens do caso Mariana Ferrer, ainda há um longo caminho a percorrer nesse aspecto. Após a divulgação das cenas, o Ministério Público de Santa Catarina publicou uma nota garantindo que o promotor de Justiça interveio quando o advogado do réu teve atitudes desrespeitosas com a jovem. O defensor do réu, por sua vez, também por meio de uma nota, justificou sua atitude da seguinte forma: “Acredito ter atuado dentro dos limites legais e profissionais, considerando-se a exaltação de ânimos que costuma ocorrer em audiências como aquela”. Atual advogado de Mariana, Júlio César Ferreira da Fonseca apresentou em outubro um termo de apelação para tentar reverter a sentença. Menos de três meses após denunciar o estupro, Mariana se mudou para outro estado. Foi com a mãe, Luciane Aparecida Borges, e a irmã de 16 anos, morar em Uberaba, Minas Gerais. Ela parou com o trabalho de influencer. Hoje, posta em suas redes sociais, basicamente, assuntos relacionados ao caso de estupro. A mãe, que tinha uma loja de acessórios em Florianópolis, fechou o negócio e atualmente faz comida natural para vender. Segundo uma amiga da família, Mariana passa o dia no quarto, lendo e relendo o processo. Faz tratamento para síndrome do pânico e, por isso, sai pelo menos uma vez por semana para ir a psicóloga. Nessas ocasiões, usa um boné e fica o tempo todo olhando para o chão para não ser reconhecida. Até aqui, só a vítima foi punida.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 13 DE NOVEMBRO

O SILÊNCIO DE DEUS

Atenta para mim, responde-me, SENHOR, Deus meu!… (Salmos 13.3a).

O silêncio de Deus grita mais alto em nossos ouvidos que os berros da natureza. Os trovões que ribombam das nuvens tempestuosas são mais suaves que o silêncio de Deus nas noites escuras da alma. Não é fácil lidar com o silêncio de Deus. Quando Deus se cala, ficamos confusos e perturbados. Muitos salmos de lamento expressam essa angústia. O patriarca Jó lidou com o silêncio de Deus. Fuzilado pela dor e esmagado pelas perdas, Jó bradou desde a terra até os céus, à espera de explicações. Perdeu bens, filhos e saúde. Perdeu o apoio da mulher e a compreensão dos amigos. Perdeu a dignidade da vida e a compaixão das pessoas. Mergulhado numa dor atroz, endereçou a Deus dezesseis vezes a mesma pergunta perturbadora: Por que…? Por que…? Por que…? Jó esperava que uma explicação vinda de Deus pudesse aliviar sua dor. Mas essa explicação não chegou. O silêncio de Deus foi cabal. Os céus cerraram suas comportas. A única voz que Jó ouviu no epicentro da tempestade foi o total silêncio de Deus. Quando Deus resolveu falar com Jó, não respondeu a nenhuma de suas perguntas. Ao contrário, fez-lhe setenta perguntas, todas revelando sua majestade. Jó foi restaurado por Deus, mas não obteve nenhuma explicação dos céus. Recebeu em dobro tudo quanto possuíra. Saiu dessa experiência mais perto de Deus e mais maduro espiritualmente. O silêncio de Deus não o destruiu, mas o fortaleceu.

GESTÃO E CARREIRA

PEQUENO, PORÉM NOTÁVEL

Os pequenos produtores rurais têm se destacado e conseguido sobreviver em meio aos grandes produtores. O agronegócio é a locomotiva do Brasil, então que tal pegar carona em um dos vagões?

Foi um dos motivos para o Brasil se tornar o que é hoje. O agronegócio representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. E há uma expectativa bastante positiva. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), reviu para cima o incremento que o setor acrescenta ao PIB, de 0,5% para 1,4% em 2019. Muito disso foi motivado pelo bom desempenho até agora, pouco mais de 1,3%.

Segundo o fórum Agrocenário 2020, o ano que vem deve ser ainda melhor para quem trabalha no campo. Tanto nas plantações como na exportação de carne, os preços devem se elevar.

Isso é reflexo de algo que já acontece hoje. A demanda mundial por proteína animal aumentou significativamente neste ano, impulsionada especialmente pela China, que vem enfrentando problema sanitário no rebanho de suínos – e que, segundo os especialistas, deve demorar anos para que todo o estoque seja reconstruído. Até lá, devem faltar 23 milhões de toneladas de carne suína no país asiático, o que pode significar que a boa fase das exportações brasileiras persista por algum tempo.

No entanto, mesmo com a solução do problema chinês, ainda assim a expectativa para o agronegócio brasileiro é muito positiva para os próximos anos. Estudos feitos por entidades que avaliamo crescimento populacional apontam que, até 2050, o mundo terá dez bilhões de pessoas. Países como China e Índia, os mais populosos, estão em pleno desenvolvimento apresentando maior poder aquisitivo. Com isso, o Brasil deve suprir boa parte da demanda com a vocação para a produção de alimentos. “A nossa área tem que crescer, aproximadamente, dez milhões de hectares nos próximos dez anos para abastecer o mundo com os grãos necessários. Mesmo com essa expansão, vamos usar apenas 10% da terra do País para a produção de grãos, cana-de-açúcar, laranja – um índice ainda muito baixo. O Brasil vai continuar importante no cenário mundial do agronegócio e o crescimento é sensacional para os próximos anos”, aposta o professor titular das faculdades de Administração da USP de Ribeirão Preto (SP) e da FGV em São Paulo, especialista em planejamento do agronegócio, Marcos Fava Neves.

PARA OS PEQUENOS

E se as expectativas são positivas para os grandes produtores, também são para os donos de pequenos agronegócios. A agricultura familiar, que foi a base lá atrás, está mais forte do que nunca. Tanto que muitos investidores do agronegócio já começaram a traçar estratégias nesse sentido.

Mas será que é possível concorrer com os grandes? “É perfeitamente possível. A agricultura familiar é responsável por mais de 70% dos alimentos postos à mesa do consumidor brasileiro. Em todos os estados do Brasil, a agricultura familiar apresenta números significativos”, diz o CEO da Granter e membro da Vertical Agronegócio da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), Clovis Rossi.

Só em Santa Catarina, são mais de 150 mil propriedades. Esse número expressivo na economia local pode crescer ainda mais. Restaurantes em todo o País, atendendo às demandas de consumidores mais interessados em produtos naturais ou que utilizem os métodos menos industrializados possíveis, procuram produtores locais para abastecer os estoques. Um exemplo disso é a Leve Bem Delivery. Criada em 2013, a startup surgiu com o objetivo de fazer parte de um sistema de produção sustentável, respeitando o ecossistema. Entregando nas regiões de Alphaville, Cotia e alguns bairros de São Paulo, o portal funciona como uma feira on-line de orgânicos, em que os clientes escolhem frutas, verduras e legumes por meio do site da marca. Depois do pedido, a empresa solicita a colheita para os produtores credenciados, com selo do Produto Orgânico Brasil, monta a cesta e realiza o envio desses produtos recém-apanhados da horta.

Além dos frutos, a marca dispõe de uma diversidade de insumos, através de um empório, também on-line, onde é possível escolher geleias, cafés orgânicos e outros produtos. “Nesses anos de operação, aprendemos a valorizar o trabalho do pequeno produtor que trabalha de domingo a domingo e pode perder tudo a qualquer momento, e a respeitar o poder de escolha dos nossos clientes, entregando produtos frescos e selecionados”, afirma o cofundador, Eduardo Castagnaro. Para o futuro, a ideia é expandir ainda mais a área de entrega e agregar novos produtores ao esquema, acompanhando as tendências do setor.

O Surgimento de Agtechs, que apresentam soluções nas mais diversas frentes, acabou por facilitar e beneficiar a agricultura de pequena escala. Essas empresas facilitam o acesso ao crédito, aos ganhos de produção e algumas até o acesso do produtor ao consumidor final. “De uma maneira ou de outra os produtores serão beneficiados com o aumento de renda, favorecendo a permanência no campo e a redução do êxodo rural, pois a atividade será cada vez mais atrativa”, acrescenta Clóvis Rossi.

O GRANDE MEDO

Apesar do otimismo, muitos produtores têm medo de concorrer com os grandes players do mercado. Medo de não conseguir suprir a demanda, a ideia de que “um produto local pode não ser tão bem-visto quanto um feito em larga escala” são alguns dos pensamentos. Para quem trabalha na área de estudos do agro, o momento não é de fugir e simpartir para cima. ”A melhor maneira de estar no setor é fortalecendo a ação coletiva, a cooperativa, o associativismo que podem ligar o produtor às principais tecnologias existentes no mundo e, ainda, proporcionar o uso compartilhado delas”, explica Marcos Fava.

A criação de cooperativas agrícolas é característica desse movimento. Juntos, os produtores conseguem “unir forças” para entrar em um determinado mercado. E, com a ampliação do acesso à internet no campo e a tecnologia com custo menor, tudo é potencializado e a competitividade é acirrada. ”Vimos que nos sistemas de integração a união de pequenos produtores e da indústria de alimentos gera riqueza e transforma a economia de regiões inteiras. A soma das forças favorece ambos. “Neste tipo de sistema, a criação de suínos e aves se estabeleceu no sul do Brasil na década de 1970 e hoje observamos a representatividade econômica do setor, gerando gigantes do agronegócio. Como atuamos na suinocultura, levando tecnologia para esses produtores integrados, observamos não só a predisposição de produtores para adesão, mas também como a tecnologia pode influenciar na melhoria de resultados”, exemplifica Clovis Rossi.

A informação é considerada como chave para que o sucesso seja garantido. Os produtores podem ter acesso facilitado ao crédito, alimentar a competitividade com adesão a tecnologias compatíveis com o negócio e melhor gerir os recursos da propriedade. As mudanças que estão ocorrendo em todas as áreas do conhecimento também afetam o agronegócio. A chamada “revolução 4.0”, por exemplo, gera impactos muito positivos, o que pode ser um marco na transformação da agricultura de pequena escala, em que pequenos produtores podem assumir o papel de empreendedores rurais, com estratégias corporativas aplicadas à própria gestão. É a internet das coisas sendo transportada para todas as áreas possíveis.

A ideia de ser diferente é o primeiro passo que um produtor precisa pensar antes de investir no agronegócio. Cada região tem uma característica, por isso a busca pela informação – olha ela mais uma vez – é primordial.

Aprender com ”vizinhos” e o compartilhamento de experiências também pode diferenciar um sistema que funciona daquele que enfrenta dificuldades. E ainda há o apoio do poder público. “As melhores oportunidades estão nas culturas nas quais a mão de obra possa ter mais valor, como aquelas que não precisam de grande escala, que possam estar mais próximas aos consumidores e a rentabilidade por hectare seja maior”, afirma Fava.

Segundo ele, alguns exemplos são atividades de horticultura, fruticultura e até agricultura integrada. O produtor deve evitar aquelas em que são necessários módulos mínimos para ficar eficiente. Caso queira utilizá-las, os módulos devem ser construídos com vizinhos para compartilhar máquinas, implementos e serviços, usando toda essa nova tecnologia que está chegando à agricultura.

MELHORANDO…

Na questão patrimonial, a avaliação é que o Brasil está melhorando, com novas gestões sobre segurança – tanto de dados quanto dos próprios negócios. As invasões de terra diminuíram, apesar de a insegurança no campo ainda ser muito grande. Aí a tecnologia entra em cena mais uma vez. Assim como em bairros residenciais, produtores rurais estão se unindo em grupos nos aplicativos de mensagens e redes sociais para buscar essa sensação de segurança.

Seguradoras e cooperativas de crédito rurais são as principais instituições de apoio. As empresas de extensão rural ligadas ao estado podem reduzir os riscos relacionados e direcionar o produtor ao cultivo ou à criação que melhor se desenvolvem na região. Fazer benchmark, ou seja, identificar o que dá certo e o que dá errado nas propriedades próximas e se servir disso estrategicamente pode ser o fator primordial para definir o sucesso ou o fracasso.

Nada melhor do que uma boa reflexão e até mesmo um bom papo sobre como as coisas têm funcionado com produtores em negócios similares. “O produtor deve observar atentamente as tendências de tecnologia e avaliar aquelas que podem contribuir com a melhoria de processos e até mesmo da produtividade”, finaliza Rossi.

OS OVOS DE OURO

Os ovos fazem parte da alimentação do povo brasileiro desde sempre, e, essa relação tem se mostrado ainda mais próxima com a alta do preço da carne. Mas, para o empresário mineiro Leandro Pinto (foto), a história é ainda mais antiga. O enxoval foi comprado com dinheiro da venda de adubo feito pela granja da família.

Os anos passaram e o jovem foi trabalhar em uma loja de máquinas agrícolas na cidade de Itanhandu (MG), logo uma oportunidade saltou aos olhos: um amigo estava mal de saúde e ofereceu a granja para que Leandro cuidasse. Eram 30 mil galinhas no total.

O 30 tem outro significado: são três décadas de existência do Ovos Mantiqueira, que começou na Serra. Hoje são várias fazendas e está chegando a primeira fábrica de processamento de ovos em Primavera do Leste (MT). A extensa linha de ovos é distribuída em quase todo o território nacional, além do mercado internacional, principalmente Oriente Médio, África e Ásia.

Dentro do processo de adaptação ao novo momento do mercado, a criação de galinhas fora das gaiolas também se tornou destaque. E foi com a aposta em tecnologia que a Mantiqueira mudou o cenário da avicultura no país, desenvolvendo granjas totalmente automatizadas através de novas tecnologias para produção.

Outro pilar forte da marca é o investimento constante em ecologia, em que um departamento desenvolve técnicas de preservação do meio ambiente com todas as certificações do mercado – formas de se manter conectada e conquistar novos mercados.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TDP – TIPOS DE TRANSTORNO

Conheça os principais, as diferenças e as características de cada um segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a bíblia dos especialistas em saúde mental

Normalmente a pessoa que possui algum tipo de transtorno mental não consegue enxergar com clareza om que está ocorrendo, qual é seu tipo de personalidade e nem tem capacidade para resolver sozinha os problemas e desafios do seu dia a dia. Por isso é tão importante que os que vivem bem próximos estejam sempre observando. E para diagnosticar e tratar, os psiquiatras e psicólogos são os que maispodem ajudar. Conheça agora os tipos de transtorno e suas peculiaridades.

TRÊS GRUPOS

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os diferentes tipos de transtorno de personalidade estão divididos em três grupos. Porém, a maioria dos especialistas também concorda que os indivíduos podem manifestar sintomas característicos de categorias diferentes, ou seja, essa classificação não tem a intenção de delimitar a expressão dos sintomas. O neurocientista Aristides Brito cita algumas características típicas de cada uma delas:

GRUPO A

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANOIDE, ESQUIZOIDE E ESQUIZOTÍPICA

“São indivíduos desconfiados ao extremo, suspeitam e costumam entrar em conflito com tudo e com todos. Muitas vezes acham os outros maldosos, pensam que todos querem prejudicá-lo. Acabam se tornando excêntricos, esquisitos mesmo.”

PARANOIDE – Podem enxergar “conspirações” por todos os lados. Pensam que estão sendo constantemente explorados pelas outras pessoas. Imaginam que toda e qualquer informação pode ser usada contra eles a qualquer momento. A vida a dois pode ser complicada por causa das desconfianças exageradas. Podem guardar raiva e reagir violentamente a insultos.

ESQUIZOIDE – Podem parecer pessoas sempre frias e distantes. Aparentam não sentir prazer naquilo que estão fazendo. Parece que não estão ali. Muitas vezes optam por fazer as coisas sozinhos e fugir das emoções. Têm muita dificuldade em se relacionar com qualquer pessoa que não seja bem próxima, tipo familiares mais chegados.

ESQUIZOTÍPICA – São indivíduos que podem ter percepções distorcidas dos fatos à sua volta. Frequentemente possuem crenças bizarras. Sentem-se frequentemente fora do contexto social em que transitam e também muito ansiosos. Relações mais íntimas costumam ser evitadas a qualquer custo, por medo de rejeição.

GRUPO B

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL, BORDERLINE, HISTRIÔNICA E NASCISISTA

“São os mais emotivos, vivem reclamando o tempo todo. Costumam ser dramáticos ao extremo. São indivíduos que não gostam de respeitar leis e regras.”

ANTISSOCIAL – Digamos que eles não gostam de seguir regras. Mesmo que interfiram nos direitos e vontades das outras pessoas. Se utilizam disso para tirar vantagens em várias situações: mentir e enganar pode fazer parte do seu jeito de levar a vida. Atitudes irresponsáveis e até ilícitas infelizmente podem fazer pane do dia a dia destes indivíduos.

BORDERLINE – Os portadores deste transtorno apresentam mudanças de humor bruscas. Superfelizes e agitados num momento. Tristes e depressivos em outro. Agem com total impulsividade, prejudicando, inclusive a si mesmos com frequência. Fica bastante difícil manter relacionamentos amorosos, por exemplo.

HISTRIÔNICA – Praticamente necessitam de atenção das pessoas o tempo todo. Fazem um verdadeiro teatro dramático com fatos corriqueiros do dia a dia para conseguir aquilo que querem. Costumam ser o centro dos acontecimentos, nobilizando tudo e todos em seus propósitos. Os argumentos costumam ser espalhafatosos e impressionantes.

NARCISÍSTICA – Realmente aqui estão os indivíduos que se supervalorizam. São fantasias de grandeza a cerca da própria personalidade. Independentemente de qualquer coisa, se acham o máximo. Sentem que estão acima do bem e do mal, tirando vantagens e até chantageando os outros para atingir as coisas que quer. Acreditam ser especiais e únicos.

GRUPO C

TRANSTORNOS DA PERSONALIDADE EVITATIVA, DEPENDENTE E OBSESSIVO-COMPULSIVA.

“São mais isolados, se tornam até agressivos se seus espaços forem “invadidos”. Têm um apego exagerado à organização e vivem arrumando as coisas por onde passam. Podem parecer medrosos e ansiosos.”

EVITATIVA – São extremamente sensíveis às críticas negativas. Podem até fugir de situações onde tenham que interagir com outras pessoas, tamanha a insegurança. Há um receio exagerado de passar vergonha ou serem rejeitados. Sentem-se inadequados na maioria dos lugares e situações. Não acreditam nas próprias qualidades.

DEPENDENTE – Indivíduos que não se sentem bem sozinhos. Preferem que outras pessoas assumam o controle de suas vidas, principalmente quando se deparam com algum desafio mais contundente. Têm dificuldades em tomar decisões. Sofrem nas relações amorosas, até por conta do comportamento excessivamente submisso.

OBSESSIVA-COMPULSIVA – Sentem necessidade de seguir algum tipo de organização, de arrumação em muitas de suas atividades diárias. Podem se dedicar em excesso ao trabalho. Tentam buscar um perfeccionismo que talvez nem exista, o que na maioria das vezes acaba gerando ansiedade e estresse. Têm o costume de guardar coisas, mesmo que não vá usá-las.