EU ACHO …

AS ONDAS, AS ONDAS

Talvez não dê para vê-las no horizonte ou talvez muitas pessoas simplesmente tenham optado pela cegueira. Contudo, elas espreitam o Brasil despeitado que finge não existir pandemia. Nesse Brasil despeitado, o mal que aflige o mundo acabou como que por milagre e não haverá de voltar, porque, afinal, Deus é brasileiro independentemente da fé. As ondas, as ondas. O mar, o mar, o livro de Iris Murdoch que li repetidas vezes na adolescência. Divago.

As ondas existem, como já era previsível no início do início. O vírus é novo, a pandemia é jovem – tem menos de dez meses, quiçá ainda não tenha aprendido a andar sem bambolear. Mas na cabeça de muitos nós estamos “no meio da pandemia”, tal qual se escuta por aí. Na cabeça de muitos já estamos no fim da pandemia porque a vacina está logo ali, e quando a vacina vier tudo se resolve porque é assim que acontece nos filmes sobre pandemias imaginárias. Na cabeça daqueles que lotam as praias e os bares sem o uso de máscaras, que se aglomeram com parentes pois todos estão tomando muito cuidado e não vai acontecer nada, ora, vão a festas ou organizam eles próprios tais eventos em ambientes fechados, pouco ventilados, quem é o vírus? Quem o vírus pensa que é? Somos todos imunes, estamos todos protegidos, nada nos atinge, quanta gente histérica a fazer birra com o resfriado alheio. Mortes? Ah, não vamos falar sobre isso. Que assunto mórbido, que pessoa amarga você é, como ousa tirar a alegria da liberdade recém-conquistada. Veja, fulano teve Covid e está super bem, já até voltou a trabalhar, o vizinho me contou. A sicrana então, teve foi nada, nem um espirrozinho. Estamos livres! Vamos viver a vida!

Mas, as ondas, as ondas. Elas aí estão. Na Europa, é possível enxergá-las com nitidez pois nesses países houve controle da epidemia, o número de casos caiu e o de mortes também. Logo, o recrudescimento é demasiado nítido. Por esse motivo, governos reagem com novas medidas restritivas. A França com seu toque de recolher entre as 21 horas e as 6 horas da manhã, algo feito apenas durante as duas guerras do século passado. Disso alguns fazem troça e perguntam, “mas será que o vírus só circula durante a noite?”. Acham muita graça e têm nas redes sociais a confirmação de que de fato saíram-se com uma tirada genial. Que lacrada fabulosa. Enquanto isso, pessoas morrem e as sequelas se amontoam. Encefalopatias, problemas vasculares, disfunções neurológicas, fibroses pulmonares.

Ainda assim, já foi determinado pelo presidente que o vírus é nada, ele o venceu. Pouco importa que tenha tido acesso a tratamentos que sequer foram aprovados pela agência de vigilância sanitária, a Food and Drug Administration. Importa menos ainda que esses tratamentos não estejam ao alcance da população. A economia não pode parar, as pessoas têm de aproveitar a vida, ninguém deve ser submisso ao vírus. Pouco a pouco os hospitais voltam a encher em várias localidades que, inclusive, trataram o vírus com o devido respeito. Mas, como ocorre no Brasil, quando as pessoas viram estatística – mais um caso de Covid-19, mais uma internação, mais um falecimento – elas são rapidamente esquecidas. A não ser, é claro, se forem parentes ou amigas de alguém. E as pessoas sempre são parentes ou amigas de alguém. Qualquer pessoa, inclusive aquelas que se julgam imbatíveis e que acreditam que as tragédias só atingem os outros.

Querendo ou não, as novas ondas haverão de afetar as economias. Não à toa, nessa semana das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial não se fala sobre outra coisa. Como ficarão os cenários à frente para a economia mundial? O que fazer com um mundo de dívidas, e como fazer em um mundo de dividas? E a desigualdade, como vamos freá-la? Há alguma chance de freá-la?

“Existe hoje uma tendência a criticar e rebater de modo quase instintivo tudo o que soa inconveniente”. Esta frase está no primeiro parágrafo do décimo capítulo de Ruptura, meu mais novo livro. De que trata o capítulo? Das quarentenas intermitentes. Das ondas, das ondas.

MONICA DE BOLLE – é pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics e Professora da Universidade Johns Hopkins

OUTROS OLHARES

TÃO LONGE, TÃO PERTO

Dezenas de especialidades aderiram ao atendimento a distância depois do isolamento imposto pelo vírus

A afirmação pode parecer otimista demais diante da tragédia da pandemia do novo coronavírus, mas há um fruto inexoravelmente positivo do ponto de vista da medicina. Para além de estudos em torno de remédios antivirais e do desenvolvimento de vacinas em tempo recorde, a saúde se reinventou em 2020 em seu aspecto mais básico: o do contato entre médicos e pacientes, desta vez feito por meio do atendimento a distância. A interação entre as duas partes com smartphones, tablets e computadores feita de forma direta — apenas com a intermediação de um especialista. Ou seja: profissionais de branco com profissionais de branco se encontravam no mundo dos vídeos, mas os enfermos eram afastados de tal possibilidade, só podiam ver e ser vistos presencialmente. Isso mudou. O aval para a comunicação sem um mediador foi concedido oficialmente no Brasil em março deste ano pelo Ministério da Saúde.

A medida deflagrou um movimento inexorável e revolucionário: de lá para cá, segundo dados da startup Conexa Saúde, 1,3 milhão de consultas virtuais foram realizadas nas mais variadas especialidades — e em 80% dos casos não se necessitou de complementos ao vivo. Antes, o recurso era quase inexistente, incipiente.

E a telemedicina se impôs, como uma das facetas do mundo que se inaugura. Telos, em grego, raiz da expressão telemedicina, significa distância. No exercício da pragmática medicina dos Estados Unidos, por exemplo, essa distância nunca foi impeditiva — a consulta virtual já está mais do que estabelecida entre os americanos. Um marco no país ocorreu em 1967, quando o Hospital Geral de Massachusetts foi ligado ao aeroporto da cidade de Boston, com o objetivo de atender qualquer emergência que ocorresse entre embarques e desembarques. No Brasil, onde o olho no olho foi sempre prezado, sobretudo porque as imposições sociais sempre favoreceram uma medicina de ambulatórios, há resistências — estas que começam a ser ultrapassadas, embora a história esteja apenas começando.

Em 2019, deu-se a regulamentação da telemedicina. Houve tanta polêmica, tanto ruído, que o Conselho Federal de Medicina (CFM) recuou e revogou a medida duas semanas depois de sua divulgação. A disseminação do vírus parece ter mudado o rumo da prosa, inapelavelmente. Na quarta-feira 30, VEJA acompanhou um procedimento por telemedicina que reuniu ciência e afeto de forma excepcional, conduzido pelo Hospital Infantil Sabará, em São Paulo: a consulta de Lorenzo, de 1 ano de idade, portador de uma malformação no intestino. Era a primeira avaliação no hospital depois da operação e de um período de internação encerrado há pouco tempo. A delicada consulta foi acompanhada pelos médicos do menino, virtualmente, no Rio de Janeiro. Diz Sidney Klajner, presidente do Albert Einstein: “Não há como discordar de um fato evidente: ampliar o acesso médico é uma forma de absoluto humanismo”.

O Einstein, em São Paulo, aliás, instituição que usa o recurso desde 2012 de forma experimental, é exemplo do que está por vir. Cerca de 25 milhões de reais foram investidos em equipamentos e programas que oferecem segurança e facilidade na conexão. Entre os apetrechos mais espetaculares, há um robô controlado por celular cuja missão é visitar os pacientes nos quartos de UTI. No topo da máquina, numa tela, aparece o rosto do médico, que pode estar a milhares de quilômetros. No conglomerado gigante Dr. Consulta, de 45 clínicas particulares voltadas para as classes C e D, a telemedicina cresceu de tal forma a deflagrar a criação de uma cartilha de boas práticas aos profissionais, com orientações básicas, mas de extrema importância, como se preocupar como o local de trabalho (deve estar sempre claro e organizado), realizar testes de conexão na internet antes das consultas para que o serviço não seja desabilitado de surpresa diante do paciente e ser absolutamente pontual. O alastramento das consultas on-line já começa inclusive a extrapolar as questões ligadas à pandemia. Na rede Prevent Senior, em São Paulo, que lida apenas com pacientes idosos (e, em tese, os que mais deveriam recorrer a problemas com a Covid-19), as queixas ligadas à infecção não chegam mais a 15%. O grupo criou uma sala de 350 metros quadrados para os médicos atenderem apenas virtualmente às mais variadas especialidades. Diz o diretor médico do grupo Pedro Batista Junior: “A agilidade trazida pelas ferramentas digitais é impressionante, o paciente se sente mais à vontade e procura mais rapidamente o atendimento médico”. Na Inglaterra, país com tradição em telemedicina, o impacto já foi comprovado em números. Lá, a rapidez dos serviços de cuidados a distância para idosos com doenças crônicas reduziu em 15% as visitas de emergência e em 20% as admissões hospitalares.

Há, no entanto, uma grande e real barreira a ser vencida no Brasil, e ela é de ordem prática: ampliar o acesso digital no país. De acordo com o último censo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada cinco residências brasileiras não tem conexão com a internet. Nas áreas rurais, quase metade das casas está fora do universo on-line. Como estabelecer a telemedicina de forma ampla no Norte, por exemplo, se apenas 70% das pessoas estão conectadas à internet? “Oferecer acesso a quem está em áreas onde não há infraestrutura é fundamental. Essas regiões devem ser as mais beneficiadas”, diz Donizetti Giamberardino Filho, vice-presidente do CFM. Por oferecer acesso entende-se o que fizeram, em parceria, o Albert Einstein e os ministérios da Defesa e da Saúde, em julho. Eles implementaram atendimento virtual a pacientes de uma área remota, onde há comunidades indígenas no território do Alto Rio Negro, no Amazonas. O projeto, que levou serviços de neurologia pediátrica, psiquiatria, ginecologia, cardiologia e reumatologia a 44 moradores, foi um experimento para saber se seria possível utilizar internet via satélite nas teleconsultas no local, cercado pela Floresta Amazônica. Funcionou, mas exigiu empenho redobrado. Há obstáculos, sem dúvida, mas parece irreversível ver, num futuro muito próximo, exemplos extraordinários de telemedicina. Hipócrates (460 a.C.-375 a.C.), o pai da medicina, intuiu a necessidade de detalhar as doenças de quem o procurava para chegar ao diagnóstico, com conversas minuciosas e exames clínicos. Continuará desse modo — o que muda, pela primeira vez na história, e talvez definitivamente, são as ferramentas utilizadas.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 08 DE NOVEMBRO

O JUGO DE JESUS

Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 1.30).

Você está cansado! Esse cansaço não é físico, mas emocional. O descanso para essa fadiga emocional não é conseguido com uma noite bem-dormida ou mesmo com calmantes. Mais que cansado, talvez você esteja até mesmo sobrecarregado. Sua alma está gemendo debaixo de tanto peso. Tenho uma boa notícia para você. Jesus pode dar descanso à sua alma e alívio ao seu coração. Ouça seu convite: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (v. 28-30). Você encontra descanso para sua alma quando se achega a Jesus. Ele é a fonte que refrigera sua alma. Jesus convida você para colocar seu pescoço debaixo do seu jugo. O jugo é uma canga na qual dois animais são atrelados. Normalmente se atrela um boi inquieto e bravo a um boi manso. O boi bravo tenta espernear, mas não consegue. Está sujeito ao mesmo jugo. Jesus usa essa figura para convidar você e colocar seu pescoço debaixo do seu jugo. Ele irá caminhar com você, ensinar você, aquietar sua alma e serenar seu coração. O jugo de Jesus é suave, e seu fardo é leve. Ele nos chama não para a escravidão, mas para a liberdade. Ele veio não apenas nos trazer descanso, mas vida, e vida em abundância.

GESTÃO E CARREIRA

O NOVO HOMEM

Mercado global de beleza masculina que movimentou US$ 57,7bilhões em 2017 projeta US$ 78,6 bilhões para 2023.

Com mais de 960 mil inscritos, o canal do YouTube Maquiagem de Homem, do maquiador paulista Fabiano Okabayashi, é uma prova de que os homens estão cada vez mais vaidosos. Marcas e lojas de maquiagem passaram a se preocupar mais com esse público, em um mercado que – tudo indica – só tende a crescer.

“Os homens perderam o preconceito e passaram a se olhar mais, de forma mais carinhosa”, afirma Okabayashi. Segundo o maquiador, o mercado de beleza masculina passou por um boom global entre 2011 e 2012. Na época, a marca norte-americana Tom Ford lançou uma linha exclusiva de maquiagem para o homem, que não deslanchou. “Se fosse hoje, teria sido um sucesso”.

É difícil pontuar o momento exato em que o público masculino começou a consumir artigos do tipo. “O que vem acontecendo é a reconstrução do masculino, e um dos movimentos mais marcantes nessa cena é o dos jovens, que celebram o diferente, a individualidade”, explica o especialista em tendências Marco Bodini, consultor da Stylus Brasil. Ele ressalta que o homem não quer transformar a aparência, mas sim refiná-la com produtos como base, corretivo e lápis.

Com o aumento da demanda masculina, o mercado, claro, tem respondido à altura. Em 2017, a marca MMUK Man fez história ao anunciar a primeira loja física de maquiagem masculina no Reino Unido. Criada em 2011, a companhia funcionava anteriormente apenas por e-commerce. Já em agosto de 2018, a francesa Chanel lançou sua primeira linha de maquiagem para homens, intitulada Boy de Chanel e composta por uma base com protetor solar, um lápis para sobrancelhas e um hidratante labial.

Ao todo, o mercado global de beleza masculina alcançou USS 57,7 bilhões em 2017, segundo relatório da Research & Markets. A previsão da mesma instituição é a de que a soma chegue aos USS 78,6 bilhões em 2023.

No Brasil, segundo o youtuber Okabayashi, uma parcela dos produtos oferecidos no mercado é importada do Japão e da Coreia do Sul, principalmente no ramo de cuidados com a pele. Outra parte está concentrada entre O Boticário e a Natura. Nesse caso, os produtos “não são muito variados e não chegam a ser propriamente maquiagem”, restringindo-se a tonalizastes para fios brancos, cremes hidratantes e fragrâncias.

Se o cenário local ainda é relativamente tímido quando se trata de maquiagem, o verdadeiro potencial está aqui: de acordo com uma pesquisa realizada pela Minds & Hearts em 2016, com 414 brasileiros de 16 a 59 anos, 45 % dos homens disseram que buscam informações sobre cosméticos e tratamentos masculinos na internet. E, segundo a consultoria britânica Euromonitor, as vendas no segmento de beleza masculina cresceram 70% no Brasil entre 2012 e 2017, indo de R$ 11,7 bilhões para RS 19,8 bilhões. Entre as principais categorias está a de produtos para a pele – que apresentou um crescimento de 75%.

O instituto de pesquisa europeu afirmou que o mercado brasileiro de produtos para homens representa 13 % das vendas globais do setor e é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

E mais: a previsão é a de que até 2021, a América Latina seja a líder do crescimento no mundo – com o Brasil acima da média do continente.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VAMOS FALAR SOBRE O AUTISMO? – XXI

É VERDADE QUE …?

11 mitos e verdades a respeito do Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Mesmo os estudos envolvendo o TEA terem evoluído bastante com o tempo, existem algumas questões que podem causar certos preconceitos em relação ao autista. Por isso, saiba de uma vez o que é ou não verdade sobre esse transtorno.

1. AUTISTAS TÊM INTELIGÊNCIA MAIS DESENVOLVIDA?

MITO. Essa é uma afirmação comum entre o grande público, porém equivocada. Apesar de existirem pessoas dentro do espectro autista com habilidades excepcionais para pintura, desenhos detalhados, dons naturais para a música, memória fotográfica, cálculos matemáticos e outras áreas, isso não os torna exclusivamente capacitados. Ou seja, do mesmo modo que há autistas que se destacam com suas capacidades, também há pacientes fora do quadro com talentos impressionantes.

No entanto, há pesquisas que indicam que indivíduos com a síndrome de Asperger -, uma forma de autismo com sintomas mais brandos, geralmente demonstram uma performance acima da média ou na média em testes de inteligência.

2. O TEA SE TORNOU MAIS COMUM COM O TEMPO?

DEPENDE. Na verdade, o que mudou com o tempo não foi a maior ou menor incidência de casos de autismo, mas sim os estudos da medicina envolvendo a identificação do quadro. Na quinta e mais atual versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5,sigla em inglês) foram inclusos critérios de diagnóstico antes não considerados dentro do espectro autista. Além disso, o maior conhecimento do distúrbio pelo grande público reflete no reconhecimento cada vez mais precoce em crianças, deixando-o mais visível.

3. O AUTISTA DEVE SER INTERNADO?

MITO. O que os cuidadores de pacientes autistas devem ter em mente é que o contato afetivo com amigos e familiares é o mais importante para assegurar uma melhor qualidade de vida à pessoa. Portanto, o isolamento social, mesmo em instituições especializadas, pode ser algo prejudicial.

4. AUTISTAS TÊM DIFICULDADE EM LIDAR COM CARINHO?

MITO. Uma das principais características do TEA é a presença de uma hipersensibilidade em relação a sons, gostos e texturas, por vezes, até dolorosa. E isso pode criar o pensamento errôneo de que indivíduos com o transtorno têm aversão ao toque humano por não serem afetuosos. O que ocorre, como explica a psicóloga Mariana Arend, é uma “dificuldade em demonstrar essa ternura, já que existe um comprometimento na linguagem e na interação social, e por isso esse mito da ausência de afeto acabou se perpetuando”.

5. O DESENVOLVIMENTO DO AUTISMO NOS FILHOS TEM A VER COM A POUCA IDADE DOS PAIS?

DEPENDE. Essa é uma questão ainda nebulosa até mesmo para a ciência. Contudo, sabe-se que o desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é multifatorial, ou seja, está relacionado com diferentes indicadores, ambientai genéticos, etc.

Porém, há pesquisas que analisam a influência da idade dos pais no autismo, como é o caso de um estudo financiado pela organização norte-americana Autism Speaks, publicado na revista científica Molecular Psichiatry em junho de 2015. Analisando mais de 5 milhões de crianças, sendo 30 mil casos de autismo, a pesquisa associou pouca idade da mãe (abaixo dos 20 anos), pai (de 50 anos pra cima) e mães (entre 40 e 49 anos) com idades mais avançadas e casais com grande diferença de idade com o risco de desenvolvimento do autismo. Porém, não foram encontradas evidências para delimitar a faixa etária parental como um fator determinante para o TEA.

6. O AUTISMO TEM RELAÇÃO COM A PSICOPATIA?

MITO. É importante frisar que a única semelhança entre os quadros é que ambos são transtornos mentais. O que pode causar essa confusão é a dificuldade das pessoas com autismo em demonstrar simpatia, sendo a antipatia uma característica marcante dos psicopatas. Porém a psicopatia vai muito além, apresentando ausência total da preocupação com o próximo.

7. A REJEIÇÃO MATERNA INFLUENCIA NO TEA?

MITO. Apesar de o carinho materno ser importantíssimo para o autista, a rejeição por parte da mãe não é uma casa para o desenvolvimento do distúrbio. Essa é apenas uma teoria antiga que nunca chegou a ser comprovada cientificamente.

8. O CONTATO COM ANIMAIS É BENÉFICO PARA O AUTISTA?

VERDADE. E isso se dá muito pela relação com um animal não exigir um sistema complexo como as relações interpessoais. Outro fator importante é que os bichinhos normalmente apesentam boas reações às crianças, podendo ser até uma forma de terapia, como é o caso da equoterapia – parte da Terapia Assistida por Animais (TAA), com cavalos, que promove o desenvolvimento físico e psicológico.

9. GRITOS E OUTROS SINAIS CORPORAIS SÃO APENAS PIRRAÇA?

MITO. Novamente uma característica do autista é mal interpretada. Devido à grande dificuldade em comunicação, o paciente não encontra formas fáceis de se manifestar caso algo lhe incomode. Isso faz com que se expresse por meio de movimentos repetitivos (estereotipias), como balançar as mãos, gritar, tampar os ouvidos, etc. “No autismo, as estereotipias se intensificam, por exemplo, em momentos de estresse, servindo como uma tentativa de se adequar a algo que está desconfortável”, comenta Mariana.

10. O AUTISTA SE ISOLA EM SEU PRÓPRIO MUNDO?

MITO. A única mudança é o modo como a pessoa dentro do espectro autista interage com o ambiente externo. No entanto, o autista não vive em um universo paralelo, apenas com uma perspectiva diferente.

11. HÁ REMÉDIOS PARA O AUTISMO?

MITO. Assim como as causas, um tratamento medicamentoso eficaz para o TEA também é uma incógnita para a ciência. Existem pesquisas avançadas sobre o assunto, porém o meio mais eficiente de garantir ao autista uma boa qualidade de vida é pelo acompanhamento de uma equipe multidisciplinar e o apoio e carinho total de familiares e amigos. Desse modo, as dificuldades presentes na vida desse indivíduo podem ser amenizadas por partes, trabalhando tanto questões físicas como psicológicas.