EU ACHO …

RELENDO HENRY DAVID THOREAU

Uma vida inspirada no isolamento do historiador americano

O poeta e historiador americano Henry David Thoreau (1817-1862) nasceu e se criou em Concord, uma cidadezinha perto de Boston. Formou-se em Harvard, logo ali. Era um homem cultíssimo, criativo, inconformado e autor do icônico livro sobre desobediência civil. Em plena pandemia do novo coronavírus, como esquecer do Walden Pond, o laguinho que Thoreau escolheu para viver a experiência de isolar-se do mundo? Com materiais de demolição, ele mesmo construiu uma cabana rústica, de 15 metros quadrados (há hoje uma réplica exata no local). Lá morou por dois anos, em 1845 e 1846, enfrentando impávido os invernos da Nova Inglaterra. Tudo o que comia era plantado por ele mesmo. Queria demonstrar três teses ao fazer referência a Thoreau: (1) com uma vida despojada, pode-se sobreviver com o que se planta e colhe; (2) é muito melhor que a correria do cotidiano para ganhar dinheiro; e (3), o que interessa aqui, isolar-se faz bem à alma, atalho para fruir com mais intensidade o fluxo da vida.

Thoreau levou seus livros favoritos, escrevia, observava embevecido o desenrolar das estações, estudava os peixes e conhecia todos os pássaros. Para enfrentar o isolamento social, alguns podem inspirar-se nele. Modestamente, segui as suas pegadas, ficando nas montanhas em Minas Gerais, em local escassamente povoado, na companhia dos meus livros, meu computador e minhas panelas. Fotografo os pássaros e as plantinhas. Pelo ruído do motor, tento identificar os aviões que passam. Na minha oficina, brinco de marceneiro. Não deixa de ser um privilégio. Mas limpo a casa (nada romântico).

Comparo minhas rotinas com as de Thoreau. Somos fiéis aos livros, mas ele escrevia com uma pena, eu no teclado. Porém, divergimos na culinária. Eu capricho na cozinha. Ele só comia o que tinha na horta (feijão e batatas). Uma vez por semana, vou às compras. Ele também ia à bodega, comprar o essencial. E fazia uma contabilidade rigorosa. Não queria despender mais do que ganhava vendendo sua produção. Nisso sou desleixado, mas suspeito gastar menos agora. Não há ninguém para fiscalizar as minhas rotinas. Mas me apego a elas. Não como sem a mesa posta, faço a cama, mantenho horários, equilibro lazer e trabalho. Por que eflúvios recônditos mantemos o dia organizado?

Thoreau não evitava o contato humano, não era um ermitão (e sua mãe costumava lavar sua roupa). Às vezes, visitava algum conhecido ou convidava para sua cabana quem ia pescar no lago (mas só oferecia água). Tampouco me isolo totalmente e, pelos meios digitais, cultivo um círculo de amigos e colegas.

Estudos recentes mostram que o isolamento voluntário pode ser salutar. Já o afastamento involuntário maltrata a saúde e a alma. Para Thoreau, foi a sua escolha. O meu começou involuntário, é óbvio. Mas tentei seguir sua linha. Decidi gostar dessa nova vida. E logrei desfrutar o lado bom de estar só. Sinto a vida fluir, com mais tempo para prestar atenção nas pequenas coisas. Acho que não voltarei totalmente ao estilo de antes. Cito um amigo, o pensador Roberto Brant: “Quem não é capaz de ficar só perde uma parte importante da alegria e tristeza de viver. Nem tudo no ser humano é para ser compartilhado”.

*** CLAUDIO MOURA CASTRO

OUTROS OLHARES

COQUETÉIS DIGITAIS

Devido à pandemia, bartenders tiveram que aderir às redes sociais e oferecer cursos e lives com as mais diversas produções

O período mais traumático para os profissionais que servem bebidas alcoólicas misturadas, drinques e coquetéis, foi de 1920 a 1933, nos EUA, durante a lei seca. Mas, a partir de março deste ano, tudo mudou. Em todas as partes do globo, bares e restaurantes foram fechados, as aglomerações proibidas e consequentemente os mestres desse tipo de produção, os bartenders, se viram abandonados a própria sorte. O trabalho de um bartender, a forma e os ingredientes que usa em cada preparação de um drinque estão diretamente envolvidos na relação estabelecida com o seu cliente. A produção do coquetel tem relação com o diálogo desenvolvido no balcão. “Depois de uma boa conversa, traçamos um perfil do nosso consumidor”, conta Diogo Servílio, bartender há quinze anos. A partir desse ponto, esses profissionais migraram para atuar no formato digital, com cursos básicos de como preparar uma boa bebida, até lives mais detalhadas e com receitas exclusivas. Percebeu-se com isso, uma maneira de arrumar alguma remuneração e divulgar o nome nas redes sociais.

Atuando na internet Diogo teve sucesso. Apesar das etapas de adaptação terem sido meio complicadas. “Tive que aprender como me portar diante das câmeras”, conta. Bem articulado, entendeu rapidamente como apresentar os drinques e coquetéis. Escolheu a dedo alguns amigos e, de acordo com o perfil de cada um, preparou kits para a produção das bebidas multicoloridas. Um casal de noivos, amigo do bartender, Mariana Oliveira de Souza, 34, e Matheus Felipe Gouvea Ferreira, 34, foi premiado: recebeu um kit, entregue numa sacola bordada pela esposa de Diogo: Havia vodca, gin, laranja, limão, compota de goiaba e um licor de fogo paulista. Para preparar, durante a live foram usados 50 ml de gin, 20 ml de suco de limão, dois ou três pedaços de compota de goiaba e 100 ml de tônica. Na coqueteleira, deve-se amassar os pedaços de compota, misturar, coar e servir com gelo. A experiência foi tão agradável que a dupla resolveu repetir a dose. Então, em 27 de junho, dia do aniversário de Mariana, o casal e o bartender montaram uma live especial em que participaram 40 pessoas. “Hoje cada um tem sua receitinha”, conta Mariana.

EM HOME OFFICE

O bartender Spencer Junior sofreu com a pandemia, mesmo sendo um dos mais premiados profissionais. Ficou em home office, ganhando menos, e foi atuar em lives, dar cursos e palestras para empresas de bebidas. “Foi uma boa saída para ter renda”, conta. Spencer explica que o contexto é diferente, mas mantém o foco na coquetelaria. “Faço algo semelhante nas aulas que dou na Associação Brasileira de Sommeliers”. A profissão de bartender é uma das mais antigas do mundo e ainda guarda seus segredos. “É impossível saber quantas misturas de drinques existem. Já que lidar com o paladar alheio é algo complexo e surpreendente”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 01 DE NOVEMBRO

QUANDO O CÉU DESCEU À TERRA

E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura (Lucas 9.29).

O futuro foi antecipado e a glória do céu, antegozada. Jesus subiu ao monte para orar e levou consigo Pedro, Tiago e João. Enquanto orava, seu rosto se transfigurou e passou a brilhar como o sol, e sua roupa resplandecia como a luz. Moisés e Elias, os representantes da lei e dos profetas, em estado de glória, apareceram e falavam com Jesus sobre sua partida para Jerusalém. A cruz era a agenda daquela conversa. Imediatamente, uma nuvem luminosa envolveu os discípulos, e do meio da nuvem saiu uma voz divina: … Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi (v. 35). Os discípulos testemunhavam milagres, mas não discerniram a centralidade da pessoa Jesus nem sua missão redentora.  Viam milagres, mas, porque lhes faltava discernimento, compararam Jesus a Moisés e Elias, os representantes da lei e dos profetas. Porque Pedro falou sem pensar, o próprio Deus o corrigiu, mostrando a singularidade de seu Filho. Porque Jesus orou, seu rosto foi transfigurado. Pela oração, Jesus se deleitou no Pai, e o Pai demonstrou seu prazer nele. Pela oração,  Deus consolou Jesus antecipadamente e o preparou para marchar vitoriosamente até a cruz como um rei caminha para sua coroação. Pela oração, o céu desceu a terra.

GESTÃO E CARREIRA

DECODIFICAÇÃO DA MENSAGEM NÃO FALADA

O corpo é a realidade mais imediata, por meio da qual se entra em contato com o outro. Talvez por isso a linguagem corporal seja considerada a mais antiga do mundo

Já aconteceu com você de encontrar em uma loja alguém com a cara fechada e o tom de voz desanimado, dizendo algo como “na nossa loja, a cortesia e a disponibilidade são importantes”? Ou de se deparar com alguém dizendo “estou muito feliz em revê-lo” enquanto olha o relógio?

Nesses casos, qual mensagem chegou com mais impacto para você? Certamente, a mensagem que prevalece – e sobre a qual fazemos as considerações para tomar as decisões – é a da comunicação não verbal.

Estudos sobre o assunto nos confirmam que a decodificação que fazemos das mensagens da linguagem não verbal é a base para as nossas reações nos relacionamentos pessoais, como simpatia, antipatia, confiança, desconfiança. No trabalho, por exemplo, seja em reuniões, em entrevistas ou em encontros com clientes e fornecedores, precisamos nos observar e olhar com atenção o interlocutor para melhor compreendê-lo nas suas intenções e emoções.

Um líder precisa estar atento para perceber e compreender quando alguém está motivado ou desmotivado, entusiasmado ou apático, comprometido ou desinteressado, para direcionar e focar ações que concretizem os resultados. Além de saber o que estamos comunicando, precisamos estar conscientes de como estamos comunicando.

A linguagem corporal tem um grande impacto na vida profissional e pode fazer ou quebrar um acordo ou uma relação de negócio. Se a coerência entre verbal e não verbal cria uma percepção de autenticidade, uma comunicação incongruente e incoerente cria conflito, confusão, desconforto.

O que a pessoa está dizendo pode vir a ser desconsiderado ou questionado por um movimento inadequado, uma mímica facial ou um gesto contraditório, que anulam a sua confiabilidade e credibilidade. A linguagem do corpo é tão primordial e radicada em nós que, usando-a de forma consciente, hábil e eficaz, melhoramos o diálogo e os relacionamentos interpessoais.

Mas o quanto estamos conscientes da linguagem corporal? E por que é tão importante compreender a linguagem não verbal, nossa e do outro? A linguagem corporal transmite elementos adjuntos à comunicação verbal e é mais decisiva, pois é mais natural e espontânea na transmissão das informações, além de expressar pensamentos e emoções de forma mais intensa e direta que as palavras.

Sinteticamente, podemos identificar alguns papéis que a linguagem não verbal exerce no contexto da comunicação como um todo:

REPETIÇÃO: a linguagem não verbal pode confirmar e repetir a mensagem transmitida pela linguagem verbal. Por exemplo, o gesto de “Ok” com o polegar para cima confirma uma mensagem verbal de “está tudo bem”;

CONTRADIÇÃO: a linguagem não verbal pode negar aquilo que a pessoa está dizendo com as palavras. Por exemplo, a fala diz que “está tudo bem”, mas a expressão do rosto é fechada;

SUBSTITUIÇÃO: isso acontece quando a linguagem não verbal é mais forte que a verbal. O interlocutor não lembra as palavras que foram ditas, mas lembra, por exemplo, do olhar;

COMPLEMENTAÇÃO: os gestos do corpo podem complementar a mensagem verbal. Por exemplo, as palavras “eu gosto de você, meu filho” acompanhadas de um abraço;

ENFATIZAÇÃO: quando a linguagem corporal acentua e deixa a mensagem verbal mais forte. Por exemplo, a pessoa, depois de uma conquista, fala “consegui” e ergue o braço com o punho fechado.

Podemos ver, então, que a comunicação verbal e a não verbal precisam estar em harmonia para que a comunicação se torne coerente e poderosa, e a eficácia da palavra se potencialize com a energia da presença física.

O neurocientista Antônio Damásio nos diz que entramos em relação com os outros não só com a linguagem verbal, mas, especialmente, por meio das ações e dos movimentos do nosso corpo. Muitos dos nossos resultados são frutos da compreensão, da interação interpessoal, de um olhar assustado ou de um olhar confiante, de um microgesto labial de agrado ou de desagrado, de uma postura do tronco receptiva ou defensiva.

A linguagem não verbal é o espelho dos hábitos mentais, das crenças, das emoções, das experiências de vida e de como a pessoa se posiciona perante os seus objetivos e os desafios da vida. Desvendar o mistério da linguagem corporal, e utilizá-la, é a fonte para irmos além da imagem cotidiana e, por vezes, incompleta que temos de nós mesmos e do outro. É a fonte para criarmos um diálogo e uma ponte que superem as diferenças e unam forças para uma convivência harmoniosa e cooperativa.

EDUARDO SHINYASHIKI – é mestre em Neuropsicologia, liderança educadora e especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal. Com mais de 30 anos de experiência no Brasil e na Europa, é referência em ampliar o crescimento e a autoliderança das pessoas.

www.edushin.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

VAMOS FALAR SOBRE O AUTISMO? XIV

CONVÍVIO NECESSÁRIO

Viver em sociedade é importante para o bom desenvolvimento dos autistas

A vida em sociedade é o grande desafio para os seres humanos. No caso dos autistas, é uma tarefa ainda mais árdua. Acostumados com ambientes e rotinas específicas, conviver com pessoas e situações desconhecidas é um grande dilema. No entanto, a inclusão social é fundamental para a maior qualidade de vida dos indivíduos com TEA, incluindo seus cuidadores. Confira, a seguir, como a vida em grupo é possível.

COMO FAZER PARA QUE A INCLUSÃO ESCOLAR SEJA TRANQUILA?

Antes mesmo de ocorrer a inclusão em si, como a ida a um lugar novo, é preciso que haja um preparo. Autistas costumam não lidar bem com mudanças de rotina e ambiente, por isso, é importante explicar aos poucos o que irá acontecer. “Em relação à criança, deve-se prepará-la para a escola, conhecendo o ambiente antecipadamente e organizando a rotina para que saiba onde irá e o que vai acontecer”, afirma a psicóloga Maria Helena Jansen de Mello Keinert.

A especialista sugere que uma boa forma de familiarizar o autista com o novo ambiente é tirar fotos do local (sala de aula, banheiro, pátio, etc.) e apresentá-las à criança antes de iniciar as aulas. Outra possibilidade é a criação de uma história sobre o tema, contando como a mudança é benéfica e detalhes da nova rotina.

No entanto, a preparação não deve surgir somente por parte dos pais e cuidadores: a instituição igualmente deve se atentar a isso. “A escola também deve se preparar para receber a criança, conhecendo tudo a seu respeito, organizando o ambiente de acordo com suas necessidades e, se possível, preparando a rotina de forma a ser compreendida visualmente pela criança”, salienta a psicóloga.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO SOCIAL PARA A QUALIDADE DE VIDA DOS AUTISTAS?

As dificuldades de comunicação que os indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam no contexto social, como interesses restritos e comportamentos repetitivos, são obstáculos para a boa convivência com outras pessoas. No entanto, como destaca a psicóloga e psicopedagoga Helen Cazarú, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Bauru (SP), “pessoas com ou sem deficiência necessitam do convívio social. É no meio social que adquirimos conhecimento e desenvolvemos plenamente as funções intelectuais que nos diferem dos animais, como a linguagem e o raciocínio abstrato. Se pensarmos a partir desse ponto de vista, no autismo, o convívio social é de extrema importância, pois será nesse meio que os portadores do transtorno irão desenvolver e/ ou aprimorar habilidades de comunicação social e habilidades cognitivas necessárias para o seu desenvolvimento como um todo”. Assim, para a maior qualidade de vida e bem-estar, é fundamental que a inclusão seja incentivada.

HÁ ALGUMA LEI QUE GARANTE A FREQUÊNCIA DE AUTISTAS NAS ESCOLAS?

Toda criança tem o direito à educação, que é dever do Estado, como consta no artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No caso de portadores de TEA, o Estado deve garantir atendimento especializado.

Já a Lei 12.764, de 2012, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. No artigo 3º desta lei, entre outras definições, consta: “São direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista o acesso à educação e ao ensino profissionalizante”.

E NO CASO DE A ESCOLA SE RECUSAR?

Qualquer instituição que recuse cumprir as exigências das leis está cometendo um crime. Os responsáveis da criança devem tentar entrar em acordo com a escola, deixando claro que conhecem os direitos dela à educação. Caso mesmo assim não consiga, é possível apelar à Defensoria Pública, ao Conselho Tutelar e à Promotoria Pública. Há ainda a Lei nº 8.069, que garante a igualdade de condições de acesso à escola e ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência.

“As leis existentes referentes à inclusão preveem o acesos para as pessoas com Transtorno do Espectro Autista nas escolas e outros setores da sociedade. Mas, infelizmente ainda não é o suficiente. É necessário que haja uma conscientização do poder público e da sociedade como um todo para que as pessoas possam se capacitar e ambientes físicos possam ser transformados para receber essas pessoas”, salienta Cazani. A especialista cita o exemplo da APAE de Bauru (SP), que tem lutado pela inclusão social por meio de ações para usuários que estão matriculados na escola de educação especial e em outros diversos programas existentes que vão desde o apoio à inclusão escolar no ensino comum até o encaminhamento para o mercado de trabalho.

QUANDO SE DEVE MATRICULAR A CRIANÇA EM UM COLÉGIO?

A criança diagnosticada com TEA deve ir para a escola regular o mais cedo possível, pois é um local privilegiado para desenvolver a interação social. Além disso, muitas vezes, são os profissionais da instituição que alertam os pais sobre a necessidade de se fazer uma avaliação mais apurada sobre o desenvolvimento dos pequenos.

O QUE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO AO ESCOLHER A INSTITUIÇÃO DE ENSINO?

Além de aspectos básicos que todos os responsáveis devem se atentar no momento de eleger a escola para seus filhos, como a proximidade de casa e facilidade de acesso, pais de autistas precisam também considerar o preparo dos professores e demais profissionais da instituição, além do próprio espaço físico. Conversar com a equipe gestora é fundamental para sanar todas as dúvidas, como questionar a maneira que os alunos especiais são tratados.

EXISTEM AUTISTAS NO MERCADO DE TRABALHO?

Ainda que em baixo número, há, sim, autistas que trabalham nos mais diversos cargos. Como pessoas especiais costumam encarar muitas dificuldades para a inserção no mercado de trabalho, algumas leis foram criadas para incentivar tal inclusão. Uma delas é a chamada Lei de Cotas (8.213), de 1991. Em 2011, um levantamento mostrou que cerca de 325 mil pessoas com deficiência estavam inseridas no mercado de trabalho no Brasil. No entanto, o autista não encontra respaldo nesta lei, já que o Transtorno do Espectro Autista não é considerado uma deficiência.

HÁ EXEMPLOS BEM SUCEDIDOS DE INCLUSÃO PROFISSIONAL?

Não faltam de empreendimentos que possuem autistas em seu quadro de empregados. É o caso do Puzzle Gourmet Store and Café, nas Filipinas. Ysabella Canoy conviveu toda sua vida ao lado do irmão autista Jose e presenciou as diversas dificuldades que ele enfrentou, principalmente de inclusão. Aos 12 anos, ele teve que parar de frequentar a escola, pois não havia um colégio preparado para lidar com autistas.

O contato próximo levou Ysabella a fazer a faculdade de Educação Especial, uma espécie de pedagogia voltada a alunos com dificuldades de aprendizado e outros tipos de necessidades diferenciadas. Em 2014, sua mãe abriu uma cafeteria com o intuito de ser um lugar para Jose trabalhar. Ysabella acabou se tornando a gerente do estabelecimento e, com isso, criou um espaço para treinar outros autistas e portadores de síndrome de Down para serem inseridos no mercado de trabalho. Desde então, 14 pessoas já fizeram o treinamento. Eles passam duas horas por dia na cafeteria praticando várias funções, como caixa, assistente de cozinha e garçom. Os participantes têm surpreendido os clientes e a própria Ysabella com a vontade de aprender e empenho em fazer as coisas certas. A iniciativa está sendo reconhecida em várias partes do mundo.

Outro exemplo é a Specialisterne, uma iniciativa social que proporciona formação e emprego às pessoas com síndrome de Asperger e autismo de alto funcionamento no setor de TI (tecnologias da informação). O projeto oferece acompanhamento na inserção no trabalho por profissionais com formação específica. O fundador, Thorkil Sonne, iniciou as atividades na Dinamarca há 11 anos. Hoje, está presente em 114 países, trabalhando para grandes empresas como a Microsoft. No Brasil, ainda é novidade, mas já existe nas cidades de São Paulo (SP) e São Leopoldo (RN).