A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NÃO HÁ PROBLEMA EM COMER CARNE?

Publicações científicas podem causar danos quando são irresponsáveis

Em outubro passado, o Comitê Médicos pela Medicina Responsável, uma organização com 12 mil associados, pediu à promotoria pública da Filadélfia que lançasse uma investigação sobre imprudência perigosa. A causa desse pedido foi uma série de estudos e diretrizes de dieta publicados em Annals of Internal Medicine, sugerindo que não há problema se os americanos mantiverem uma dieta rica em carnes vermelhas processadas.

As diretrizes geraram um frenesi na mídia, e manchetes dramáticas sugeriam que houve uma reviravolta no conhecimento nutricional. Isso gerou uma reação contrária, e vários estudiosos e organizações de saúde pública atacaram as diretrizes.

Os críticos apontaram numerosas falhas na publicação em Annals. Em especial, os autores usaram uma metodologia de revisão que valoriza os testes clínicos randomizados (TCR). Mas, uma vez que é difícil fazer TCRs na área da nutrição, ao escolherem essa ferramenta em particular, os pesquisadores excluíram a maioria dos estudos de referência sobre carne vermelha e saúde. Pouco depois, soube-se que alguns deles tinham laços não revelados com a indústria de alimentos. Em particular, o autor principal é autor sênior de um estudo semelhante de 2016 que contestou a orientação de se ingerir menos açúcar. Esse estudo, também publicado em Annals of lnternal Medicine, foi pago pelo International Life Sciences Institute, um grupo fundado por um executivo da Coca-Cola, notório por suas reiteradas tentativas de contrariar orientações internacionais de saúde.

Mais precisamente, a mensagem “carne vermelha é boa” vai contra um grande e bem estabelecido corpo de evidências de estudos epidemiológicos de coorte, testes randomizados com fatores de risco comprovados e estudos com animais. Pessoas (e animais de laboratório) cujas dietas contêm expressivos percentuais de carnes vermelhas e alimentos processados têm maior probabilidade de sofrer e morrer de diabetes do tipo 2, doença cardiovascular, problemas respiratórios, doenças neurodegenerativas e câncer do que aquelas com dietas menos carregadas em carnes. Um estudo com dezenas de milhares de pessoas acompanhados por 26 anos, na média, mostrou que cada porção diária extra de carne vermelha foi associada a um risco 13% mais alto de morte por todas as causas. Comer carne vermelha processada para 20%. Considerando-se o que a literatura tem informado sobre carne, mais de uma dúzia de especialistas pediram a Annals a retratação do estudo. Alguns sugeriram que ele nunca deveria ter sido publicado.

Se a ciência estiver aberta a novas evidências e ideias, estudos ruins ou mesmo irresponsáveis serão publicados algumas vezes. Mas a Annals fez duas coisas problemáticas. Primeiro, não publicou apenas uma série de estudos sobre nutrição: publicou uma série de diretrizes. Seus autores, além disso, sugeriram “a continuidade do atual consumo de carne vermelha não processada (recomendação fraca, evidência com baixo grau de certeza), …[e] sugerimos a continuidade do atual consumo de carne processada (recomendação fraca, evidência com baixo grau de certeza)”.

Mais do que isso, Annals não apenas publicou as diretrizes, mas as promoveu com um editorial e material para a imprensa que começa com uma manchete sem ressalvas: “Não é preciso reduzir o consumo de carne vermelha processada para ter boa saúde” – e termina com uma declaração que, em 24 horas, foi contrariada com credibilidade: “Aqueles que buscam contestar as conclusões terão dificuldades para encontrar evidências adequadas para construir um argumento”.

A indústria exagera a incerteza científica e promove visões anômalas para defender atividades e produtos perigosos. Cabe às publicações especializadas cautela ao publicar descobertas polêmicas e não tomar posições. Já há som e fúria suficientes na imprensa para nos confundir. A última coisa de que precisamos são publicações científicas contribuindo para a cacofonia.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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