A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PESO NÃO É TUDO

Excesso de foco na balança favorece estigmas e práticas preconceituosas

No começo de quase toda consulta, é provável que você tenha de subir em uma balança para ter seu peso registrado, e será difícil que o médico não fale de peso em algum momento. Mas muitas conversas sobre peso dificultam, ao invés de favorecer, a campanha para tornar as pessoas mais saudáveis. As recomendações para perder alguns quilos são comuns, embora o uso de um modelo único de corpo como referência de saúde possa esconder a complexidade da fisiologia de cada indivíduo.

Uma massa corporal mais alta é associada ao aumento do risco de hipertensão, diabetes e doença cardíaca. Muitos estudos epidemiológicos de centenas de milhares (em alguns casos, milhões) de pacientes mostraram que pessoas mais pesadas apresentam risco maior dessas doenças. Mas esse não é o quadro completo. Pesquisadores identificaram um subgrupo de pessoas obesas consideradas “metabolicamente saudáveis”, o que significa que elas não apresentam pressão sanguínea elevada ou o precursor de diabetes chamado resistência à insulina, por exemplo. Embora os números variem muito, dependendo do estudo, a população metabolicamente saudável poderia englobar algo entre 6%e 75% dos indivíduos obesos.

Um relatório intrigante publicado em 2016 concluiu que um índice de massa corporal mais alto (IMC, a relação entre peso e altura) “aumenta apenas moderadamente os riscos de diabetes entre pessoas saudáveis” e que as pessoas magras doentias apresentam o dobro de probabilidade de sofrer de diabetes do que as pessoas gordas saudáveis. Claramente, há algo além do peso nessa equação. Embora a associação entre excesso de peso e doenças seja muito real, a experiência individual pode variar muito e depende de fisiologia e comportamento pessoais.

Apesar dessas descobertas, os médicos recomendam rotineiramente dietas para perda de peso como uma forma de “tratar” indicadores fracos de saúde como colesterol alto e insônia de pacientes obesos – uma abordagem com pouco sucesso. Virtualmente nenhuma dieta funciona no longo prazo (companhias que propagandeiam dietas têm poucos dados, quando os têm, para apoiar suas alegações de eficácia). O resultado: 95% a 98% dos que tentam perder peso fracassam e até dois terços terminam mais gordos do que antes de começar. Passar anos preso ao círculo de perder peso, ganhar e perder de novo está associado com resultados piores de saúde cardiovascular e contribui para hipertensão, resistência insulínica e colesterol alto. É hora de os médicos descartarem os cuidados de saúde baseados na balança e focarem comportamentos que são positivos para a saúde. Mudanças no estilo de vida, como melhorar a nutrição com ingestão de frutas, verduras e grãos integrais, além de aumentar a atividade física e parar de fumar, podem melhorar a pressão no sangue e sensibilidade à insulina – com frequência, sem exigir mudanças no peso corporal.

Entre os subprodutos mais insidiosos nos cuidados à saúde centrados no peso estão o crescente estigma sofrido por quem tem sobrepeso. Pela experiência amplamente relatada por diversas pessoas gordas, os médicos costumam prescrever perda de peso sem fazer  exames, testes ou outros procedimentos normais que seriam automaticamente aplicados a magros. Pesquisas nas últimas duas décadas mostram que profissionais de saúde têm atitudes negativas com os obesos, conforme escreveram os autores de um grande estudo de revisão publicado em 2013 em Current Obesity Reports. Também as consultas com pacientes gordos, na média, são mais curtas, e os médicos rotineiramente usam palavras negativas nos prontuários dessas pessoas. Tais práticas preconceituosas afastam as pessoas de seus exames anuais e impedem a detecção de graves doenças de base. E a pesquisa sugere que o estresse crônico de viver com a vergonha de ser uma pessoa pesada pode dar origem a mudanças metabólicas que aumentam o acúmulo de gordura, elevam a pressão arterial e aumentam os níveis de lipídios no sangue.

Para praticar a medicina com base em evidências, livre de estigmas, os médicos devem parar de confiar apenas no peso como indicador de saúde e de prescrever servilmente a redução de peso. Em vez disso, devem se concentrar em mudanças comportamentais para melhorar os resultados do tratamento. Pessoas de todos os tamanhos têm direito aos protocolos baseados em evidências que as empoderam e as mantêm saudáveis.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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