EU ACHO …

A ECOLOGIA, O APEGO E O EROTISMO

O QUE A VIDA ME ENSINOU

Algumas concepções orientais milenares pregam o desapego ao mundo. Mas, para proteger algo ou alguém, é preciso ter apego. Como proteger e cuidar sem apego? É essa uma das razões por que as pessoas em geral e a maioria dos jovens em particular ainda não se envolvem com temas fundamentais como a ecologia, não se preocupam em zelar pela natureza para garantir um mundo sustentável. Para os jovens, o erotismo permeia tudo e esse tema, a ecologia, não foi erotizado. As campanhas publicitárias conseguem erotizar um jeans de tal forma que ele pode ser vendido pelo preço de uma tv de plasma de 42 polegadas. Conseguem erotizar um par de tênis e vendê-lo pelo preço de dois pneus de carro. Conseguem, em resumo, transformar objeto em desejo. As pessoas precisam do que desejam.

O tema da sustentabilidade, no entanto, jamais foi erotizado.

A maioria das campanhas se apoia na tese de que devemos nos desapegar para proteger o planeta. Mas, insisto, o que nos faz zelar, proteger, cuidar é o apego, e não o desapego. É por me apegar àquilo que gosto, que usufruo, que desfruto, que quero cuidar da minha saúde. É por me apegar a alguém que quero cuidar dessa relação, para que ela não se esgarce. É por me apegar, por exemplo, à beleza da natureza que quero protegê-la. A falta de erotização das campanhas em prol da natureza resulta que, para um jovem, a única coisa que se entende é que ele precisa abrir mão de alguma coisa para manter o planeta. E abrir mão inevitavelmente significa gerar desinteresse.

Assim, é preciso erotizar a responsabilidade socioambiental, transformá-la em desejo de cuidar da vida em suas múltiplas faces, para que se possa ter apego ao rio, à sociedade humana, de forma que o rio não fique poluído e a sociedade não se frature numa comunidade de vítimas.

Há um grande pensador chamado Enrique Dussel, que vive hoje no México. Ele escreveu um livro intitulado Ética da Libertação, no qual ele recusa a palavra “excluídos” para se referir a quem vive à margem da sociedade. Ele usa a palavra “vítimas”. O “excluído”, de certa forma, reduz o problema, banaliza-o, pois desde sempre há o excluído da rodinha, o excluído do time, da festa, da empresa. Já a vítima é diferente. Vítimas têm peso, gravidade. Sobre isso, inclusive, é útil lembrar do professor José de Souza Martins, grande sociólogo da Universidade de São Paulo, que, tratando do tema da exclusão, também fala de inclusão precária, referindo-se àqueles que estão mas não estão de fato.

Dussel também diz coisas sensacionais sobre ética. Para nós, a ética nasce na Grécia clássica. Mas Dussel sustenta que ela nasce na África, nas comunidades banto, e se consolida no Egito antigo com os faraós. O mais curioso nisso é que o nascimento da Ética, entendida como a arte de conviver com o outro, está relacionado à escravatura. A Ética, inclusive, nasce por causa da escravatura. Antes dela, nas batalhas da humanidade, matavam-se os inimigos. E matavam porque não valorizavam a vida deles. Mas, no momento em que deixo de liquidar o inimigo e o aprisiono para que trabalhe para mim, ele passa a fazer sentido para mim, passa a ser útil, passa a ser valorizado. Cria-se com isso uma relação entre senhor e escravo que necessariamente obriga a ter regras de convivência, o que, por sua vez, conduz ao apego.

Por isso, no começo do século 19, Hegel, inestimável filósofo alemão, dizia que existe uma dialética entre senhor e escravo. Isto é: há uma identidade entre o senhor e o escravo. Isso fica mais evidente ainda no que se convencionou chamar de Síndrome de Estocolmo, na qual o sequestrado desenvolve uma relação de apego com seu sequestrador, e vice-versa. Apegar-se é olhar o outro como a um igual, que deve ser preservado, e não como a um estranho, que pode ser descartado.

E aqui volta-se à ironia histórica: o escravo não podia ser descartado, pois ele era um bem. A escravatura, por incrível que pareça e por mais horrorosa que seja, vai introduzir na história humana o conceito de que é preciso proteger a vida do outro porque ele é um bem para mim – e patrimônios precisam ser cuidados.

Voltando à ecologia, é aqui que está o erro do tratamento do ambiente em relação aos jovens. Eles não enxergam o mundo como um bem e, portanto, são indiferentes a ele.

Para piorar, em ecologia trabalha-se com a noção de que “vai acontecer”, em vez de “está acontecendo”. Com esse discurso, é praticamente impossível fazer com que alguém com 20 anos de idade se preocupe com algo que pode acontecer daqui a 50 anos.

Não dizem que a diferença entre um jovem e um idoso é que o jovem tem tempo mas não tem projetos e um idoso tem projetos mas não tem tempo? Sem projeto, não se defende o futuro. Mas, se as campanhas conseguirem erotizar a sustentabilidade, a visão dos jovens terá outra dimensão, que possibilitará que eles exijam a sustentabilidade já e agora, como um objeto do desejo.

Isso vai gerar apego – e apego impede que se fira aquilo que se ama, pois ferir o que se ama é ferir a si mesmo. Apego, simpatia, amizade, essas coisas só podem existir com o que está conectado à minha própria vida. O meu equilíbrio, por sua vez, só pode existir se tenho apego também a mim mesmo.

***MÁRIO SÉRGIO CORTELLA

Extraído do Livro “O QUE A VIDA ME ENSINOU”

OUTROS OLHARES

A GRANDE APOSTA

A guerra entre os bancos tradicionais e as fintechs se acirra com o desempenho conflitante de suas ações na bolsa e põe à prova modelos de negócios antagônicos

Desde a sua origem, os bancos têm um modelo de negócios simples: captar dinheiro dos correntistas e emprestá-lo a juros. Muito mais do que uma atividade de “pessoas gananciosas” – imagem consagrada pelo personagem Shylock no clássico O Mercador de Veneza, de Shakespeare -, os bancos foram fundamentais para as maiores realizações do homem moderno, das grandes navegações aos avanços tecnológicos, da conquista da democracia às inovações na medicina. Sem concessão de crédito, não haveria o mundo tal qual o conhecemos. Segundo o economista americano Robert Shiller, ganhador do Nobel, o sistema financeiro permite a transformação de “impulsos criativos em produtos e serviços vitais”. Na aurora da era digital, tudo isso tem sido posto em xeque de algum modo. Cresce entre os investidores a ideia de que o modelo tradicional dos bancos está se tornando ultrapassado e que, em vez deles, haverá lugar apenas para as chamadas fintechs, instituições financeiras baseadas em aplicativos.

No Brasil, a desconfiança tem sido justificada pela comparação do desempenho das ações dos quatro maiores bancos do país – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – com o das do Inter, uma das instituições digitais que melhor simboliza os novos tempos. Desde que o Inter estreou na bolsa, em abril de 2018, seu valor de mercado multiplicou oito vezes. Além do Inter, outra estrela do segmento é a corretora XP, que tem papéis negociados na americana Nasdaq. De dezembro do ano passado, quando abriu o capital, até agora, a alta das ações chega a 60% em dólares. Já os quatro grandes, somados, tiveram queda próxima de 30% no mesmo período. A pandemia piorou o quadro: enquanto as ações dos grandes bancos amargam perdas que chegam perto de 40% entre o fim de fevereiro e o começo de outubro, como é o caso do Banco do Brasil, os papéis do Inter subiram cerca de 25%. O fenômeno não é apenas local. Nos Estados Unidos, na lista das dez maiores quedas nas bolsas em 2020 aparecem quatro das mais tradicionais instituições financeiras do país: JP Morgan, Wells Fargo, Bank of America e Citigroup.

O fenômeno não representa o fim dos bancos clássicos. Muito longe disso. Quando os números entram em cena, as desvantagens dos estreantes em relação aos tradicionais começam a aparecer. Enquanto o Inter registrou pouco menos de 3 milhões de reais em lucros no segundo trimestre e tem 12,4 bilhões em ativos, o Santander, com 27 milhões de clientes, obteve lucros de 2,13 bilhões de reais e 987 bilhões de reais em ativos. Em junho, a carteira de crédito do Itaú totalizava 811,3 bilhões de reais. No Inter, o valor mal chegou a 6 bilhões de reais. “Os grandes bancos são máquinas geradoras de dinheiro”, diz Alberto Amparo, analista da Suno Research. Apesar da competição com as fintechs, eles ainda têm muitas vantagens.”

Entre elas, a escala, a eficiência e a capacidade de captar dinheiro no mercado a um custo mais baixo que o das instituições menores. A despeito de toda a roupagem descolada dos aplicativos dos bancos digitais, o negócio dos bancos ainda é o mesmo de 500 anos atrás: emprestar dinheiro. “As fintechs precisam crescer muito para emprestar no montante de um grande banco”, destaca Amparo.

Com o tamanho – e os lucros bilionários -, os bancos podem simplesmente absorver parte da concorrência. No marketing, o Itaú briga com a XP no crescente mercado do investidor pessoa física. Mas, em 2017, comprou quase 50% da corretora, participação que pode aumentar nos próximos anos. “As fintechs devem ser parceiras, e não apenas concorrentes”, diz Renato Lulia, head de Relações com Investidores e Inteligência de Mercado do Itaú.

Dito isso, é inegável que os bancos tradicionais parecem enfrentar uma tempestade perfeita. Eles sofrem com questões pontuais provocadas pela pandemia. A principal delas: a quarentena levou ao fechamento de inúmeros negócios e instalou milhões de pessoas na fila dos desempregados. O efeito imediato é o maior risco de inadimplência. Para se ter ideia, no primeiro semestre do ano passado o Itaú destinou 8 bilhões de reais para cobrir eventuais calotes. Em 2020, o montante subiu para quase 18 bilhões de reais. Isso afeta de forma decisiva os resultados: o lucro caiu quase 14 bilhões de reais do ano passado para cá. Como não poderia deixar de ser, a estratégia aborrece os investidores da bolsa, que têm nos bancos uma decisiva fonte de dividendos.

O que mais ameaça os grandes bancos, porém, é o aumento da concorrência. Um país com juros historicamente altos e pouca competição sempre garantiu gordos lucros às instituições que passaram no processo de seleção natural do ambiente econômico do Brasil. Historicamente, os retornos dos bancos brasileiros são maiores do que os dos estrangeiros. Desde 2010, o ROE (sigla em inglês para retorno sobre o patrimônio) do Itaú ficou abaixo de 20% somente em 2012. Nos EUA, o retorno do JP Morgan nos últimos dez anos nunca ultrapassou 15%. No ano passado, chegou a13,9%.

Recentemente, o Banco Central, seguindo o exemplo de nações civilizadas, iniciou uma série de mudanças regulatórias que permitiram a abertura do mercado para as fintechs – o que, de quebra, tira receita dos grandes bancos. A mudança mais recente é o PIX, um sistema de pagamentos e transferências bancárias instantâneas que pode zerar o custo do TED ou DOC, fontes relevantes de recursos para as instituições tradicionais.

O impacto das ações do BC foi uma concorrência nunca vista no país. Há uma profusão de fintechs especializadas em venda de seguros, concessão de crédito, crowdfunding, plataformas de investimentos, gestão financeira, entre outros serviços. Segundo o Radar Fintechlab, existem no país 771 empresas desse tipo, um aumento de 27% desde o ano passado. Dessas, 270 foram fundadas nos últimos doze meses. Há dezessete bancos digitais e 114 plataformas de empréstimos. “Essas empresas mudaram o mercado de uma forma saudável”, diz João Carlos Santos, da consultoria Accenture.

O cenário é, de fato, desafiador. “Os bancos estão sofrendo ataques de todos os lados”, afirma Renoir Vieira, gestor da Aurora Capital e crítico do modelo de negócios das instituições financeiras do país. Vieira ganhou fama ao sugerir a venda das ações do Itaú – uma operação especulativa em que o operador aposta na desvalorização do preço de determinada ação. Segundo ele, os bancos tradicionais estão perdendo a batalha para as fintechs. “Eles continuarão sendo empresas boas e bem administradas, mas com lucros muito menores do que os atuais. Por que o Itaú teria um retorno maior do que o do JP Morgan? Não faz sentido”, diz Vieira. O Inter é o melhor exemplo da nova geração. “Não somos um banco, mas uma plataforma de serviços financeiros e não financeiros”, afirma João Vitor Menin, presidente do Inter. A isca para atrair clientes, geralmente jovens, é o custo zero na abertura e manutenção da conta- corrente. Para isso, é preciso contar com uma estrutura leve. Não ter agências é um dos diferenciais apontados por Menin. Segundo ele, o custo de manutenção dos clientes corresponde a apenas 15% do que os grandes bancos gastam com a mesma atividade.

Uma vez dentro da plataforma, aí vale tudo para faturar. O aplicativo não se restringe aos serviços bancários tradicionais, mas permite a compra de produtos como roupas, tênis e passagens aéreas. No segundo trimestre, o marketplace cresceu 218%, com vendas de 123 milhões de reais. O ritmo de abertura de contas chega a 20.000 por dia. Atualmente, são cerca de 7 milhões de correntistas. É esse ritmo frenético de investimentos, com uma pitada de inovação, que está seduzindo os investidores na bolsa.

Criar um ecossistema com diversas marcas é a estratégia do Santander para competir com as fintechs. Recentemente, o banco espanhol comprou 60% da corretora on-line Toro Investimentos. A Toro se junta à Sim, plataforma de crédito para pessoa física, e à em Dia, de renegociação de dívidas, entre outras 22 marcas coligadas que atuam em segmentos como crédito, imóveis, seguros, tecnologia, entretenimento, investimentos, entre outros. “Nós podemos criar um grande ecossistema e ser tão bons quanto fintechs especializadas em um único produto”, diz Sérgio Rial, presidente do Santander. Os bancos públicos também aumentaram a presença digital. A Caixa lançou o aplicativo Caixa Tem que, entre outras funcionalidades, permite o pagamento de contas sem cartão nas casas lotéricas, e o Banco do Brasil criou há alguns dias uma conta digital movimentada totalmente por celular.

Quem vencerá a batalha? Talvez ambos. Alguns analistas acreditam que os bancos clássicos apenas diminuirão de tamanho, mas continuarão a ser empresas tão sólidas quanto sempre foram. As fintechs, por sua vez, precisam ter ganhos de escala iniagináveis para superar gigantes que estão no mercado há mais de 200 anos, como é o caso do Banco do Brasil. O que se sabe de antemão é que, como sempre acontece num mercado em plena competição, quem ganha é o consumidor.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 15 DE OUTUBRO

O SABOR DO PÃO DO CÉU

Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas… (Mateus 6.16a).

O jejum é uma prática antiga e encontrada nas maiores religiões do mundo. O jejum é uma disciplina espiritual muito importante. Por meio do jejum, nós nos humilhamos diante de Deus e somos fortalecidos por ele. Jejuamos quando nos abstemos daquilo que nos é importante para buscarmos aquilo que nos é essencial. Jesus disse que não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. O jejum é o banquete de Deus, a provisão do céu para o fortalecimento da alma. O jejum não é penitência. É abstinência temporária do pão da terra, para nos alimentarmos do pão do céu. Jejum é fome de Deus; é saudade do céu. Infelizmente o jejum tem sido negligenciado na igreja contemporânea porque temos perdido o sabor do pão do céu. Estamos tão acostumados com o sabor do pão da terra que nos esquecemos do sabor do pão do céu. Enquanto apuramos o paladar com os diversos sabores da provisão da terra, perdemos a fome pelas coisas lá do alto. Com isso não estamos dizendo que a provisão da terra seja má. Não, ela é boa. Então, qual é a diferença entre comer e jejuar, se comemos e jejuamos para a glória de Deus? É que, quando comemos, alimentamo-nos do pão da terra, símbolo do pão do céu; mas, quando jejuamos, não nos alimentamos do símbolo, mas de Jesus, a própria essência do pão do céu. Como anda seu paladar pelo pão do céu?

GESTÃO E CARREIRA

QUEM ENSINA TAMBÉM APRENDE

Um dos maiores do setor de educação do País, o grupo yduqs tem de reestruturar seu modelo de negócio para reverter prejuízo causado pela pandemia. Agora, quer ir às compras para ter mais salas de aula cheias no futuro, além de reforçar a participação no ensino a distância

As salas de aula vazias nos últimos meses pode passar a ideia de que o segundo maior grupo de educação do País, a Yduqs, está com pouco trabalho. É o oposto disso. Desde o ano passado, a companhia convive com um intenso ritmo de novas notícias, com mais motivos para comemorar do que para se preocupar. Em 2019, sua base de alunos cresceu 10% e superou a marca de 570 mil matriculados. Em 2020, a companhia contabilizou mais um aumento de quase 10% no volume de calouros, tanto nos cursos presenciais quanto na educação a distância (EAD). “Tomamos decisões determinantes para que nossos resultados permanecessem positivos”, disse Adriano Pistore, vice-presidente da Yduqs. “Como em 15 dias tivemos de fechar 110 campi em todo o Brasil, buscamos formas de manter as aulas e de preservar a interação dos professores com os alunos de forma remota”, afirmou o executivo, referindo-se à pandemia.

Em parceria com a americana Microsoft, dona da plataforma de reuniões Teams, a Yduqs conseguiu implementar aulas a distância para cerca de 300 mil alunos em apenas uma semana. Isso exigiu mobilizar todo o time de docentes e desenvolvedores de tecnologia, capacitar mais de 8 mil professores para o ensino não presencial e distribuir equipamentos apropriados a todos eles. Nada disso seria possível sem acesso à internet de qualidade. Para isso, o grupo precisou fazer acordos com as operadoras de telefonia do País para garantir a conexão. “Já tínhamos a expectativa de que 2020 seria muito forte para o EAD, mas a pandemia acelerou todas essas previsões”, disse Pistore.

Segundo ele, a Yduqs não sentiu impacto relevante em suas operações no primeiro semestre. Até mesmo o efeito temporário no resultado é visto como algo positivo. “Tivemos de abrir mão de uma parcela da receita para garantir a permanência dos alunos que tiveram a renda afetada pela pandemia, e decidimos distribuir bolsas integrais para 31 mil alunos”, afirmou o executivo. O resultado foi afetado por concessão de descontos de R$ 67,5 milhões referentes ao programa de bolsas Estácio com Você – da Universidade Estácio de Sá – e redução na receita do segmento presencial, impactado pela redução de 53% nas receitas provenientes do Fies.

Por essa razão, a Yduqs registrou prejuízo de R$ 79,5 milhões no segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 194,7 milhões no mesmo período de 2019. No ano passado, o resultado financeiro do grupo foi o maior entre as empresas de educação do País, o que garantiu o primeiro lugar no anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2020. Este ano, a receita da companhia cresceu 3,5% de abril a junho, para R$ 991,1 milhões, na comparação anual. “Para nós, mais importante do que um impacto temporário nos números é a permanência dos nossos alunos pelos próximos anos”, disse Pistore. Nesse contexto de mudanças, a Yduqs quer sair às compras. Após o anúncio de que o concorrente Ser Educacional fechou acordo de intenção de negócio com a Laureate Brasil, a Yduqs entrou na disputa. Se a ofensiva der certo, o grupo vai incorporar 50 campi universitários e cerca de 267 mil estudantes da Laureate.

Sobre a pandemia, a Yduqs acredita estar aprendendo a trabalhar unindo o presencial ao virtual. Segundo Pistore, 100% das salas terão wi-fi de alta qualidade para que as aulas sejam interativas. “Constatamos que 94% dos alunos aprovaram nossa reação ao isolamento e nossas novas tecnologias de ensino remoto”, afirmou. Afinal, quem ensina também aprende. Com ou sem crise.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PESO NÃO É TUDO

Excesso de foco na balança favorece estigmas e práticas preconceituosas

No começo de quase toda consulta, é provável que você tenha de subir em uma balança para ter seu peso registrado, e será difícil que o médico não fale de peso em algum momento. Mas muitas conversas sobre peso dificultam, ao invés de favorecer, a campanha para tornar as pessoas mais saudáveis. As recomendações para perder alguns quilos são comuns, embora o uso de um modelo único de corpo como referência de saúde possa esconder a complexidade da fisiologia de cada indivíduo.

Uma massa corporal mais alta é associada ao aumento do risco de hipertensão, diabetes e doença cardíaca. Muitos estudos epidemiológicos de centenas de milhares (em alguns casos, milhões) de pacientes mostraram que pessoas mais pesadas apresentam risco maior dessas doenças. Mas esse não é o quadro completo. Pesquisadores identificaram um subgrupo de pessoas obesas consideradas “metabolicamente saudáveis”, o que significa que elas não apresentam pressão sanguínea elevada ou o precursor de diabetes chamado resistência à insulina, por exemplo. Embora os números variem muito, dependendo do estudo, a população metabolicamente saudável poderia englobar algo entre 6%e 75% dos indivíduos obesos.

Um relatório intrigante publicado em 2016 concluiu que um índice de massa corporal mais alto (IMC, a relação entre peso e altura) “aumenta apenas moderadamente os riscos de diabetes entre pessoas saudáveis” e que as pessoas magras doentias apresentam o dobro de probabilidade de sofrer de diabetes do que as pessoas gordas saudáveis. Claramente, há algo além do peso nessa equação. Embora a associação entre excesso de peso e doenças seja muito real, a experiência individual pode variar muito e depende de fisiologia e comportamento pessoais.

Apesar dessas descobertas, os médicos recomendam rotineiramente dietas para perda de peso como uma forma de “tratar” indicadores fracos de saúde como colesterol alto e insônia de pacientes obesos – uma abordagem com pouco sucesso. Virtualmente nenhuma dieta funciona no longo prazo (companhias que propagandeiam dietas têm poucos dados, quando os têm, para apoiar suas alegações de eficácia). O resultado: 95% a 98% dos que tentam perder peso fracassam e até dois terços terminam mais gordos do que antes de começar. Passar anos preso ao círculo de perder peso, ganhar e perder de novo está associado com resultados piores de saúde cardiovascular e contribui para hipertensão, resistência insulínica e colesterol alto. É hora de os médicos descartarem os cuidados de saúde baseados na balança e focarem comportamentos que são positivos para a saúde. Mudanças no estilo de vida, como melhorar a nutrição com ingestão de frutas, verduras e grãos integrais, além de aumentar a atividade física e parar de fumar, podem melhorar a pressão no sangue e sensibilidade à insulina – com frequência, sem exigir mudanças no peso corporal.

Entre os subprodutos mais insidiosos nos cuidados à saúde centrados no peso estão o crescente estigma sofrido por quem tem sobrepeso. Pela experiência amplamente relatada por diversas pessoas gordas, os médicos costumam prescrever perda de peso sem fazer  exames, testes ou outros procedimentos normais que seriam automaticamente aplicados a magros. Pesquisas nas últimas duas décadas mostram que profissionais de saúde têm atitudes negativas com os obesos, conforme escreveram os autores de um grande estudo de revisão publicado em 2013 em Current Obesity Reports. Também as consultas com pacientes gordos, na média, são mais curtas, e os médicos rotineiramente usam palavras negativas nos prontuários dessas pessoas. Tais práticas preconceituosas afastam as pessoas de seus exames anuais e impedem a detecção de graves doenças de base. E a pesquisa sugere que o estresse crônico de viver com a vergonha de ser uma pessoa pesada pode dar origem a mudanças metabólicas que aumentam o acúmulo de gordura, elevam a pressão arterial e aumentam os níveis de lipídios no sangue.

Para praticar a medicina com base em evidências, livre de estigmas, os médicos devem parar de confiar apenas no peso como indicador de saúde e de prescrever servilmente a redução de peso. Em vez disso, devem se concentrar em mudanças comportamentais para melhorar os resultados do tratamento. Pessoas de todos os tamanhos têm direito aos protocolos baseados em evidências que as empoderam e as mantêm saudáveis.