EU ACHO …

O CÓDIGO DA FOME

Dá para imaginar o que é isso? Ficar dias e dias com o estômago a ronco, aquela dor aguda, lancinante, enganada às vezes a caldo de folha ou na maisena insossa de farinha com água e nada mais? Nem aroma para consolo? Sentado no declive do chão de pedra, proximidade do teto de palha, parede de barro e pau, que ameaça todo dia cair, no castigo do sol e da chuva, com o odor incessante de esgoto a céu aberto, em um ambiente onde a miséria espreita como sina, dividir a parca ração do dia é quase um privilégio de poucos ali — cenário mais extenso e predominante Brasil afora do que imaginam os benfejados pela sorte. Quem não está lá nem desconfia da sinopse de angústias desses humildes desvalidos, o contingente populacional classificado por institutos oficiais na condição de carência alimentar extrema, consumidos pela privação, cujas vidas são uma experiência de risco em alta cadência, rotineiramente. As crianças desnutridas, que mais sofrem, com seus corpos miúdos, pernas mirradas, braços de tão magros estendidos como asas sem serventia, remela nos olhos entre insetos, reclamam no choro instintivo (manhã, tarde e noite) por um prato de alimento sólido. Uma refeição honesta, quem sabe! No amplo universo dos desesperados sociais brasileiros, viver com fome é realidade constante. Ao menos 10,3 milhões deles estão no momento sem nada para comer, segundo a mais recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, divulgada semana passada. Uma barbaridade! Número que tende a piorar com a pandemia, depois de um incremento recente de mais de 3,1 milhões de necessitados na mesma condição, agravando um quadro que já é vergonhoso e inaceitável no País que se autoproclama “celeiro do mundo”, detentor do maior cinturão verde planetário, onde tudo que planta dá, com área cultivável de dimensões continentais. A verdade do evento trágico é deveras pior. Atualmente, segundo o levantamento, 36,7% dos lares brasileiros — isso mesmo! — têm dificuldade para garantir qualidade e quantidade de alimentos a todos os integrantes da família. Atente para o drama: está se falando de mais de um terço, quase a metade das casas no País, onde falta comida suficiente para seus membros. É suportável aceitar tamanha indigência? Talvez até para não chocar em demasia uma sociedade acostumada ao descaso, os famintos são, eufemisticamente, enquadrados em três níveis de “insegurança alimentar” — todas elas abomináveis, mas que tendem a abrandar o choque de quem não compreende a dimensão do desastre social, de proporções épicas, agora em curso. Na escala, existem as famílias que não podem comprar o suficiente para sustento e passam aperto. No pelotão intermediário é considerado restrição alimentar “moderada” o constrangedor estratagema de pular refeições. E no grau extremo, não há mesmo nada o que comer, muitas vezes por dias, e a mendicância, apelando nas ruas, segue como último subterfúgio. É desolador aceitar, mas a fome por aqui adquire rosto e move um Brasil mais comum do que muitos imaginam. Por que falhamos em providências essenciais e prementes para boa parte da população? Como pudemos chegar a esse grau de desamparo? A face mais arrasadora e ultrajante da calamidade alimentar está no contraste da consciência de líderes, senhores do Estado, que negam o destino comum a tantos brasileiros. O mandatário Jair Bolsonaro, por exemplo, é o primeiro a desdenhar do infortúnio: “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”, disse recentemente, desconsiderando as evidências e até chacoteando dos desvalidos. “Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas, com físico esquelético”. Provavelmente, o parvo chefe da Nação não está frequentando as ruas que devia na condição que o cargo lhe exigiria. Todos sabem, sanha corrente, Bolsonaro não desperdiça uma chance de errar, como confirmam as baboseiras lançadas em qualquer direção. Foi agraciado pelo Congresso com uma política de transferência de renda de R$ 600, que não era seu intento e acabou encampando como ideia sua para fins eleitoreiros, capaz de, na esteira do isolamento, conter em parte a extenuante procissão de miséria dos pés-descalços, descamisados, desabrigados indolentes da paisagem nacional. Mas agora se depara na encruzilhada de como resolver um problema em crescente avanço. Após enterrar, espetaculosamente, o “Renda Brasil”, maquina alternativas, nem todas claras, que passam pelo resgate da famigerada CPMF para fazer brotar verba suficiente. É bom desconfiar da produção de gambiarras no Planalto Central. Quando o capitão Bolsonaro tem uma ideia, convém trancá-lo no banheiro e esperar que passe. O vendaval de aflitos não pode esperar muito tempo, na crueza da escassez, para saciar suas necessidades. Na calada da noite, nos barracos construídos ilegalmente ou na cobertura de papelão cercada por pneus velhos, debaixo do viaduto, em palafitas rudimentares, tentando sobreviver por meios insanos, são seres humanos, cidadãos, favelados ou não, invasores de terras e de imóveis abandonados, “pobres e paupérrimos” — na lembrança, essa sim providencial, do presidente — que acalentam e esperam diariamente resposta para a fome. João, Genésia, José, Francisca, são tantos os nomes e rostos dessa tragédia que machuca até encará-los. O pequeno Gerson, da comunidade paulista de Paraisópolis, deitado no chão, numa miserável confraternização com seu vira-lata, é todo dia engabelado pela mãe para sair às brincadeiras, tentando driblar a fome. É dor que não passa assistir à cena. Qualquer um, no mínimo de discernimento humanitário, vergaria lágrimas. A miséria mostra seu código de necessidade mais evidente na fome. Ela atinge e faz vítimas em escala bíblica no Norte e no Nordeste, que abrigam a parcela prevalente dos domicílios com privação alimentar. As carências, no caso, são mais sentidas em áreas rurais, regiões ribeirinhas, lares chefiados por mulheres, por negros ou pessoas autodeclaradas pardas. É a fome reforçando o preconceito. Perceba, também, o tamanho da frequência do drama enfrentado pelo rebento Gerson, acima citado: metade das crianças com menos de cinco anos (6,5 milhões ao todo no País) cresce em residências com algum grau de insegurança alimentar. O que tamanha chaga representa no desenvolvimento do País a maioria desconfia. A alimentação adequada é condição “sine qua non” para o aprendizado e desempenho escolar. Parte majoritária do público de pequeninos encontrava o que comer nas escolas e entidades de ensino. Com o fechamento dos estabelecimentos, em meio à quarentena, nem isso. A merenda de crianças e adolescentes sumiu da rotina e a leitura lógica sinaliza que a pandemia intensificou a vulnerabilidade dos que não comem, numa escalada sensivelmente agravada pelo aumento conjuntural dos preços dos alimentos. Na pororoca de situações inesperadas, todas conspirando para o mal, o desperdício de bilhões de sacas de grãos, frutas e vegetais — que se deixam cair nos transportes de safra, nos equívocos de escoamento ou de armazenamento indevido — parece inconcebível e poderia reparar ao menos parte do drama. Restam ainda a autoestima e esperança dos desvalidos e o caminho da solidariedade, capaz de fazer milagres. Há ainda um Brasil capaz de oferecer um prato a mais para uma boca a mais. Não apenas por meio das entidades filantrópicas e mutirões assistenciais. Cada um pode e deve fazer a sua parte, começando ontem, para legitimar a erradicação dessa doença da fome, que teimou em maltratar logo o povo habitante do celeiro do mundo.

OUTROS OLHARES

LEITURAS NA QUARENTENA

O período prolongado da quarentena em casa teve um aspecto positivo e inesperado para as famílias brasileiras: o público infanto juvenil está lendo mais

Há pelo menos um aspecto positivo nesses tempos de quarentena pelo qual as famílias estão passando: o período prolongado em casa levou as crianças a ler mais. No início da pandemia, passaram mais tempo em frente às telas, celular, videogame e computador. De um tempo para cá, porém, houve um aumento nas vendas de livros infantis em todo o País. Na casa de Benício, de seis anos, a leitura passou a fazer parte do cotidiano. “À noite, antes de dormir, ele nos pede para contar uma história”, conta o designer Murilo Blasich, pai do menino.

Essa família paulistana não tinha o hábito da leitura, mas percebeu a importância de incentivar a prática e dar bom exemplo ao filho. Nos últimos meses Benício já leu dois exemplares: o bem-humorado “O livro do corpo para lá de repugnante”, de Emma Dodson e Sarah Horne, e “Amoras”, do rapper Emicida. Para Dayana da Silva Bueno, da Fundação Abrinq, a leitura faz as crianças conhecerem melhor as palavras e desenvolve a capacidade de interpretação. “A leitura é um meio de entretenimento, mas também de conhecimento e prazer”, diz.

CRESCIMENTO

No último levantamento realizado pela Nielsen Bookscan, em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, o mercado dos livros infanto juvenis cresceu cerca de 20% em julho e agosto, na comparação com abril e maio. O fato também foi percebido pela escritora Janine Rodrigues, proprietária da EdTech Piraporiando, que fornece material literário a escolas do Brasil e do exterior. “Tivemos um aumento de 40% nas vendas durante a quarentena”, disse. Ela defende que a leitura na infância é essencial. “Além de fortalecer o vínculo familiar, a criança aprende a questionar as coisas”, diz.

Para a família da fotógrafa carioca Rachel Cruz dos Santos, o livro foi um remédio, uma vez que sua filha Luiza, de seis anos, desenvolveu ansiedade durante a quarentena. Rachel conta que o pediatra chegou a prescrever medicamentos para a menina em julho. “Percebemos que ela ficava agitada ao passar muito tempo na frente das telas”, conta. Em vez de remédios, a mãe comprou livros. “Ela está lendo as ‘Reinações de Narizinho’, de Monteiro Lobato, e adora a Emília”, conta. A leitura reduziu os sintomas de ansiedade de Luiza. Em um País onde a média por habitante é de dois exemplares por ano e 30% da população nunca comprou um livro, a notícia de que as crianças brasileiras estão lendo mais é uma boa surpresa em meio a um ano complicado para todo o mundo.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

14 DE OUTUBRO

FILHOS QUE HONRAM AOS PAIS

Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo (Efésios 6.1).

O quinto mandamento da lei de Deus ordena que os filhos honrem os pais. Este, na verdade, é o primeiro mandamento com promessa. Os filhos que honram os pais recebem de Deus duas preciosas promessas: vida longa e prosperidade. O contrário também é verdade: os filhos que desonram os pais encurtam seus dias sobre a terra e fazem provisão para o desastre. Nenhum filho pode ter um relacionamento certo com Deus se desonrar pai e mãe. Os filhos honram os pais quando os respeitam e lhes obedecem no temor de Deus. Os filhos honram os pais quando seguem seus conselhos e se pautam pelos princípios cristãos aprendidos no lar. Os filhos honram os pais quando buscam sábia orientação destes para suas decisões na vida. Os filhos honram os pais quando são convertidos a eles. Os filhos honram os pais quando cuidam deles na velhice. Um dos sinais de decadência da sociedade é a desobediência dos filhos aos pais. A rebeldia é como o pecado da feitiçaria; é algo abominável aos olhos de Deus. Por isso, os filhos rebeldes são a tristeza dos pais, mas os filhos obedientes são o seu deleite. Filhos bem-aventurados no tempo e na eternidade são aqueles que honram pai e mãe. Honram pela obediência; honram pelo amor desvelado; honram pelo cuidado protetor.

GESTÃO E CARREIRA

A LUTA POR NOVAS CORES NAS EMPRESAS

O movimento negro aumenta a pressão por mais diversidade no mundo corporativo

A ONG Educafro, com um largo histórico de defesa da causa negra, enviou cartas em agosto para três nomes influentes no mercado financeiro brasileiro: Gilson Finkelsztain, presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3: Marcelo Barbosa, presidente da Comissão de Valores Mobiliários, (CVM), órgão estatal que regula e fiscaliza o mercado de capitais; e Pedro Melo, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), dedicado ao fomento de boas práticas de governança nas empresas.

Com um preâmbulo respeitosamente protocolar, o texto não economiza no tom de denúncia bem característico da retórica ativista adotada há décadas pela ONG, uma das pioneiras na defesa de cotas raciais em universidades no Brasil. Em resumo, acusa as entidades dirigidas pelos três executivos de se omitir diante da ausência de pretos e pardos nas salas refrigeradas onde são tomadas as decisões nas empresas de um pais em que eles são 56% da população.

A carta assinada por Frei David Santo, fundador da Educafro e Handemba Mutana dos Santos, um jovem advogado que ajudou a ONG a estruturar a ofensiva, argumenta que as entidades responsáveis pelas regras e pelos padrões que regem o mercado de capitais precisam exigir um compromisso de empresas de capital aberto com ações efetivas de equidade racial e de gênero em postos de liderança. Anúncios recentes de programas dirigidos a pretos e pardos, como os feitos por uma varejista brasileira e uma multinacional alemã, tendem a ter foco em trainees, não na alta direção.

No Brasil, cotas sociais com reserva de vagas para pardos, negros e indígenas vigoram em universidades federais desde 2012. No ano passado, o IBGE detectou pela primeira vez que o número de pretos e pardo superou o de brancos nas universidades públicas, chegando ao patamar de 50,3%. Nas faculdades privadas, o acesso também ficou mais fácil com crédito universitário. No entanto, isso ainda não se refletiu no mercado de trabalho, onde a falta de profissionais qualificados sempre foi uma das explicações preferidas para a ausência de diversidade racial.  Ainda hoje, negros se concentram nas funções operacionais e de menor remuneração e enfrentam taxa de desemprego de 17,8%, bem acima dos 10,4% entre os brancos. Não há sequer um negro entre os presidentes das 100 maiores companhias listadas na Bolsa. O problema não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, onde 10% dos formandos em universidades são negros, eles são apenas 4% dos altos executivos. No Reino Unido, negros e outras minorias étnicas já são 22% dos universitários, mas só 8% dos líderes nas empresas não são brancos.

A distorção brasileira é maior porque aqui, diferentemente desses dois países, a população negra é a maioria. Aproxima-se mais do cenário da África do Sul, onde 79% são negros marcadas pelo passado recente de segregação, mas ocupavam apenas 16% das funções executivas nas companhias em 2017, segundo dados da consultoria McKinsey.  “No Brasil. as empresas e esses órgãos que organizam o mercado atuam como se estivessem na Noruega. Há escritórios formados só por brancos e ninguém se sente questionado por isso”, disse Frei David. O Brasil não se diferencia somente pelo tamanho do problema, mas também pela defesa de cotas como solução.  Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, critérios raciais são levados em conta nas admissões de muitas universidades e de uma parte das empresas, mas reservas especificas de vagas são mais raras.

Nas cartas às entidades. Frei David pediu encontros para apresentar sugestões concretas. Acostumado a ver suas correspondências serem ignoradas, ele recebeu cm poucos dias convites para reuniões on-line com representantes das três entidades, um sinal de que alguma coisa está mudando no radar do ambiente empresarial brasileiro.

Uma série de fatores contribui para isso. Um dos principais é a onda de movimentos antirracistas desencadeados em todo o mundo pelo assassinato do cidadão negro George Floyd por um policial branco nos Estados Unidos, que chegou ao Brasil. As empresas estão sendo chamadas por ativistas, consumidores, investidores e seus próprios funcionários a se posicionar contra o racismo e ter uma atitude coerente para dentro e para fora, expostas à velocidade dos debates que ameaçam a imagem delas nas redes. E estão atônitas.  “Ouvimos as sugestões da Educafro e, com muita humildade, respondemos: para muita coisa a gente não tem resposta. Compreendemos que precisamos avançar nesse ponto, mas ainda estamos avaliando como”, disse Pedro Melo, dirigente do IBGC, único dos três destinatários das cartas da Educafro que aceitou ouvir Frei David na companhia de seus diretores.

Valéria Café, diretora de Vocalização e Influência do IBGC, disse que os movimentos antirracistas evidenciaram o diagnóstico de que há um problema racial no país, que até agora não foi abordado pelas empresas no Brasil. Segundo ela, o primeiro passo da entidade deverá ser viabilizar uma nova pesquisa para medir a presença de negros em cargos de decisão nas empresas. O último levantamento consistente, para ela, é o do Instituto Ethos, de 2016, que diagnosticou apenas 4,7% de pretos e pardos entre altos executivos e 4,9% nos conselhos de administração. “Temos um papel, sim, de construir uma agenda positiva no sentido de inclusão”.

Dados do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3, que reúne desde 2005 empresas listadas na Bolsa comprometidas com o desenvolvimento sustentável, indicam que a mudança é mínima. Da atual carteira formada por 30 empresas (como Natura, Bradesco, Banco do Brasil e Renner, entre outras), que somavam R$ 1,6 bilhão em valor de mercado no fim do ano passado, somente 3% delas têm negros em seus conselhos. E 30% dizem discutir ou avaliar estratégias de inclusão em cargos da alta administração.

No ano anterior, com uma composição diferente, eram 7% e 21%, respectivamente. Na carteira de 2018, quando o questionário usado para admitir as empresas era menos especifico sobre esse tema, 69% das candidatas ao selo de sustentabilidade informaram que não tinham negros no conselho e nem programa de inclusão.

Por isso a B3 se tomou o principal alvo da Educafro. A ONG sugeriu cinco ações que a Bolsa poderia tomar para fomentar a inclusão de pretos e pardos nas empresas. Uma delas é justamente aperfeiçoar o questionário nesse tema. Em vez de apenas perguntar às empresas, a sugestão é estabelecer desde metas de inclusão até mesmo veto a quem não tiver políticas para atingi-las.

O presidente da B3 delegou a conversa com Frei David à superintendente de Sustentabilidade da Bolsa, Gleice Donini. Procurado, Finkelsztain também a indicou para falar do assunto. Assim como o IBGC, a executiva disse que a B3 ainda analisa as propostas da Educafro, mas afirmou que a instituição está estudando uma nova mudança na avaliação de diversidade racial na revisão que está fazendo do questionário do ISE para o próximo ano, que leva em consideração sugestões de empresas e da sociedade civil por meio de uma consulta pública.

Donini disse que as perguntas sobre raça já foram ampliadas na última revisão, em 2018, mas admitiu que é preciso mais “assertividade” nesse tema: “Estamos distantes do ideal nessa área, mas o ISE estimula a empresa a mensurar o problema para definir como tratá-lo”, afirmou a superintendente. Ela frisou que o papel do ISE é de “inclusão” e avaliou que a transparência dos dados e a comparação entre as empresas já é suficiente para estimular as empresas a adotar melhores práticas, apesar do avanço lento.

Ela também não tem uma resposta ainda para outra sugestão da Educafro: criar um índice de equidade racial e de gênero que pudesse mostrar o desempenho só das empresas que investem nisso. Em março, ao participar do evento anual Ring the bell for gender (Toque o sino pela equidade de gênero), o presidente da B3 disse, ao lado de executivas convidadas para a abertura simbólica do pregão que um índice capaz de “tangibilizar” a inclusão da mulher como “vetor de mudança” seria uma evolução. Para Donini a pauta racial deve ganhar força também. “Essa é uma agenda que mudou na sociedade agora, assim como a feminina anteriormente”, disse a executiva. “As empresas estão claramente mudando sua postura, ouvindo essas demandas na questão racial. É um tema que veio para ficar.”

Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos, uma das maiores consultorias de RH do país, admitiu que o tema de gênero teve mais espaço nas empresas, mas disse que isso está mudando. “Políticas de gênero ainda são difíceis de avançar, mas, como a questão racial envolve uma dor, empurra-se para debaixo do tapete. Só que agora isto não é mais possível”, afirmou. Na Cia de Talentos, 80% dos clientes pedem algum corte racial nos processos seletivos. E para aumentar a atração, ela já segue há anos uma receita: deixar para trás exigências como faculdade de primeira linha ou inglês fluente. “Isso não faz mais sentido. Para a empresas, o que conta mesmo é o perfil do indivíduo, de onde ele veio e de que lugar vê o mundo. Não há dúvidas de que as empresas têm melhores resultados com isso”, disse Esteves

Pesquisas tendem a mostrar que diversidade muitas vezes traz benefícios financeiros e de inovação paras as empresas. Um dos estudos mais citados é o da McKinsey, que apontou um aumento de 1% na geração de caixa a cada 10% de avanço na diversidade em companhias. Uma pesquisa da consultoria americana BCG com 1.700 empresas em oito países identificou que, entre as empresas com diversidade acima da média, 45% inovavam. Entre as menos diversas da amostra, só 16%. As do primeiro grupo tinham faturamento 9% maior que as do segundo grupo.

Outro fator econômico que favorece a agenda racial é o fato de que os conceitos de sustentabilidade são vistos cada vez mais pelos investidores como uma coisa ampla, que se resume hoje em três dimensões na sigla em inglês ESG: ambiental, social e de governança. A primeira assombra as multinacionais e exportadoras brasileiras diante da condenação mundial da política do governo brasileiro para a Amazônia, desencadeando uma série de iniciativas delas para se afastar desse risco de imagem. A de governança é a mais desenvolvida já pelas empresas. “A dimensão social é a que está ganhando mais força agora e ficou mais latente na pandemia”‘, avaliou Marcella Ungaretti, analista de ESG da XP Investimentos.

“Já são USS 30 trilhões gerenciados no mundo por fundos que consideram os parâmetros ESG para decidir em que empresas vão investir. É uma demanda crescente de investidores e analistas, que só ganhou destaque no Brasil mais recentemente, mas avança rápido”, disse Ungaretti.

Em vez de indicar um porta-voz, a CVM respondeu sobre as sugestões de Frei David – que foi ouvido por um conjunto de executivos da autarquia sem a presença do presidente – por meio de um comunicado. Diz que incentiva a transparência das empresas em relação à diversidade e tem a previsão de revisar o Formulário de Referência (conjunto de informações que empresas de capital aberto são obrigadas a oferecer ao mercado) para reforçar a divulgação dos aspectos ESG. A nota também afirma que desenvolve ações de inclusão no sistema financeiro e recomenda aos gestores de empresas considerarem as recomendações de diversidade em órgãos de administração e gerenciais do Código Brasileiro de Governança Corporativa (CBGC). “A questão racial insere-se na temática da diversidade e é um dos aspectos a serem considerados pelos emissores (de ações)”, diz o texto, sem mencionar iniciativa regulatória.

Para o historiador Douglas Belchior, dirigente da rede de cursos preparatórios de universitários negros Uneafro e integrante da Coalizão Negros de Direitos, as empresas estão chegando muito tarde a esse assunto, mas terão de acelerar o passo. Ele não tem dúvida de que o mercado de trabalho é a nova fronteira dos movimentos negros por inclusão, que já conseguiram as cotas em universidades e no serviço público federal. “O racismo no Brasil é perverso a ponto de conseguir manter as pessoas fora das empresas sem ter segregação institucionalizada”, afirmou Belchior. “Os Jovens, inclusive os brancos, não aceitam mais isso. Meus filhos não vão mais aceitar que não há lugar para eles. Não será nunca mais como é agora”, completou o historiador.

A PSIQUE E AS PSICOPATIAS

DESVENDANDO A PSICOPATIA – XI

SEM DÓ NEM PIEDADE

Os 10 serial killers mais terríveis da história mundial

Segundo dados do Mapa da Violência 2014, mais de 52 mil homicídios – de pessoas entre 15 e 29 anos – foram registrados no Brasil somente no ano de 2011. É fato que nem todos foram cometidos por psicopatas ou assassinos em série; entretanto, casos conhecidos de crimes violentos costumam estampar as páginas policiais de jornais brasileiros e internacionais todos os meses.

Alguns deles parecem histórias de filmes de ficção por conta do seu grau de frieza e meticulosidade, enquanto outros são movidos por uma violência extrema de corrente de uma súbita emoção ou simplesmente daquilo que o homicida considera o correto a ser feito.

A seguir, contamos a história dos dez maiores assassinos em série da vida real, levando em conta registros de números de vítimas. Em cada caso, há uma justificativa diferente para os crimes e atos cometidos sem dó, nem piedade.

ISABEL BÁTHORY (A CONDESSA DRÁCULA)

NACIONALIDADE: HÚNGARA

NÚMERO DE VÍTIMAS: POR VOLTA DE 650

PERÍODO DE ATUAÇÃO: ENTRE 1600 E 1620

Também chamada de “A condessa sangrenta”, casou-se aos 15 anos com o conde Nádasdy. No entanto, seu esposo passava muitas temporadas longe de casa por ser um militar. Assim, Isabel assumiu os deveres de cuidar do castelo e de toda a família. Muito cruel com os seus funcionários, Isabel costumava punir friamente quem desrespeitasse suas ordens. Ela espetava agulhas nas partes sensíveis do corpo de suas vítimas ou as executava, deixando-as nuas e fazendo-as andar na neve até morrerem congeladas. Quando retornava à casa, o marido costumava ajudar a condessa com as punições. Mesmo após o falecimento do conde, as mortes continuaram. Isabel passou a beber o sangue de suas vítimas e contava com a ajuda de cinco cúmplices que acobertavam seus crimes. Depois de anos, ela começou a ser investigada e encontraram uma agenda com os nomes de mais de 650 vítimas.

SENTENÇA: seus ajudantes foram decapitados ou jogados na fogueira, enquanto Isabel – por ser nobre – foi condenada à prisão perpétua.

HENRY LEE LUCAS

NACIONALIDADE: NORTE-AMERICANO

NÚMERO DE VÍTIMAS: CONFESSOU MAIS DE 600 ASSASSINATOS

PERÍODO DE ATUAÇÃO: ENTRE 1960 E 1983

Henry Lee teve uma infância conturbada. Ele era filho de uma prostituta que agredia os filhos e os obrigava a assisti-la ter relações sexuais com os clientes. Em uma briga com um dos irmãos, foi atingido no olho e teve uma infecção, precisando utilizar um olho de vidro. A mãe também o vestia com roupas de menina e o obrigava a ir para a escola dessa maneira, onde era ridicularizado pelas outras crianças. Foi seu irmão mais velho – que também o molestava – quem ensinou o garoto a torturar e matar animais.

Aos 18 anos, ficou preso por roubo durante seis anos. Em 1960, após ser libertado, assassinou a própria mãe e voltou à detenção por mais dez anos. Depois de sair da cadeia, conheceu seu parceiro de crimes, Ottis Toole. Juntos, os dois mataram centenas de mulheres e cometeram atos de necrofilia e até canibalismo.

Lucas confessou muitos outros crimes ao longo dos anos, pois assim suas condições de vida na prisão melhoraram. Em alguns casos policiais chegaram a inventar crimes, dos quais o assassino se afirmava culpado.

SENTENÇA: prisão perpétua. Morreu em 2001 devido a um problema cardíaco.

PEDRO ALONSO LÓPEZ (MONSTRO DOS ANDES)

NACIONALIDADE: COLOMBIANO

NÚMERO DE VÍTIMAS: MAIS DE 300

PERÍODO DE ATUAÇÃO: DÉCADAS DE 1970 E 1980

López é acusado de matar e estuprar mais de 300 pessoas no Peru, na Colômbia e no Equador. Filho de uma prostituta, foi expulso de casa aos oito anos, por tentar abusar sexualmente de sua irmã mais nova. Durante a infância, foi acolhido por um pedófilo que abusou dele nessa fase da vida.

Aos 18 anos, foi preso por roubo de carros. Na cadeia, foi espancado por uma gangue e vingou-se assassinando quatro integrantes do grupo. Ao ser solto, começou a matar meninas entre nove e 12 anos. López declarou ter preferência pelas equatorianas, por pensar que eram mais gentis e inocentes. Ele estuprava e assassinava suas vítimas, depois as enterrava.

Então, em 1980, uma enchente revelou alguns cadáveres escondidos. Pedro foi acusado e capturado pela polícia, confessando seus crimes. No entanto, os investigadores não acreditaram na história até López levá-los ao local onde estavam enterrados cerca de 50 corpos.

SENTENÇA: condenado a 20 anos de prisão. Foi liberado, em 1998, e nunca mais visto.

HAROLD SHIPMAN (DOUTOR MORTE)

NACIONALIDADE: BRITÂNICO

NÚMERO DE VÍTIMAS: EM TORNO DE 215

PERÍODO DE ATUAÇÃO: NOS ANOS DE 1970 A 1990

Ainda aos 17 anos, Harold acompanhou lentamente a mãe lidar com o câncer. Ele viu seus últimos anos de agonia serem aliviados pelo uso das doses diárias de diamorfina (nome científico da heroína) que os médicos aplicavam. Após a morte da mãe, ingressou na Escola de Medicina de Leeds, no Reino Unido, e tornou-se médico.

O primeiro assassinato ocorreu em 1975, após se formar. Harold aplicava grandes doses de diamorfina em seus pacientes; a maioria era mulheres acima dos 40 anos, semelhante ao perfil de sua mãe.

Seus colegas de consultório, então, começaram a desconfiar do grande número de mortes dos seus pacientes. Após a abertura de uma investigação, Shipman foi considerado um serial killer. Mais de três mil nomes constavam nos arquivos de seu consultório, mas apenas 215 casos do Doutor Morte foram investigados.

SENTENÇA: condenado à prisão perpétua em 1998. Contudo, cometeu suicídio na sua cela em 2004, enforcando-se com os lençóis da cama.

PEDRO RODRIGUES FILHO (PEDRINHO MATADOR)

NACIONALIDADE: BRASILEIRO

NÚMERO DE VÍTIMAS: EM TORNO DE 100

PERÍODO DE ATUAÇÃO: DÉCADAS DE 1970 E 1980

Da pequena cidade mineira de Santa Rita do Sapucaí, Pedro começou seus crimes ainda aos 14 anos, quando assassinou o prefeito do município. Seu pai trabalhava em uma escola municipal e foi acusado de roubar a merenda. Assim, foi despedido pela própria prefeitura. No entanto, o verdadeiro ladrão era um guarda do colégio, que Pedro também assassinou pouco tempo depois. Dessa forma, começaram os crimes daquele que se considera um justiceiro por matar apenas aqueles que “merecem”.

Na infância e adolescência, envolveu-se em brigas de facções, executando traficantes. Foi preso aos 19 anos, mas isso não o impediu de matar criminosos na cadeia durante sua estadia. Pedro também foi responsável pela morte do pai, após descobrir que ele teria assassinado sua mãe com 21 facadas. Ele jurou vingança, e, quando o pai foi preso, Pedro deu-lhe 22 facadas, arrancou o coração, mordeu um pedaço e cuspiu-o no chão. Ao todo, foram comprovados 71 homicídios cometidos por Pedro mas ele afirma ter matado mais de 100 pessoas.

SENTENÇA: foi condenado a 120 anos de prisão, mas cumpriu aproximadamente 30 anos, quando foi solto em 2007. No entanto, três anos depois, foi preso novamente por participação em rebeliões.

DONALD HENRY GASKINS (PEE WEE)

NACIONALIDADE: NORTE-AMERICANO

NÚMERO DE VÍTIMAS: POR VOLTA DE 100

PERÍODO DE ATUAÇÃO: DE 1953 A 1982

Durante a infância, sua mãe foi muito negligente. Quando tinha um ano de vida, Donald bebeu uma garrafa de querosene e sofreu com convulsões até os três anos. Depois do trauma, vieram as agressões físicas dos padrastos. Seus primeiros crimes, durante a adolescência, foram roubos. Gaskins foi identificado por uma testemunha e enviado para uma escola reformatória. Após algumas fugas e retornos constantes à instituição, foi solto aos 18 anos.

No entanto, voltaria à cadeia poucos anos depois, acusado de tentar assassinar uma adolescente que teria o insultado. Ficou preso por mais seis anos, até conseguir fugir da prisão. Assim, viu-se livre para cometer seus crimes, motivado por ter sido insultado, roubado ou por lhe deverem dinheiro. Donald costumava torturar suas vítimas ao máximo e utilizava métodos como facadas, mutilação e asfixia. Ele também chegou a praticar canibalismo com os corpos de algumas pessoas.

SENTENÇA: foi denunciado por uma testemunha que ouviu, durante uma conversa, o local onde ele enterrava os corpos. Após confessar te matado mais de 100 pessoas e seu colega de cela, foi condenado a morte na cadeira elétrica.

THEODORE ROBERT COWELL (TED BUNDY)

NACIONALIDADE: NORTE-AMERICANO

NÚMERO DE VÍTIMAS: ENTRE 30 E 35 MULHERES

PERÍODO DE ATUAÇÃO: DÉCADA DE 1970

Na infância, uma tia do criminoso disse ter acordado no meio da noite e encontrado o garoto brincando com facas, ao lado de sua cama. Já na faculdade de direito, era conhecido por ser um excelente aluno e visto por seus amigos como sincero, bonito e bom comunicador. Em seus crimes, Bundy costumava se aproximar de mulheres jovens com cabelo liso e escuro, parecidas com sua primeira namorada. Por meio de sua simpatia, Theodore as abordava em locais públicos e convidava para passear em seu Fusca. Em seguida, a atingia com uma pancada na cabeça e sequestrava para praticar o estupro. Ted também gostava de ter relações sexuais após a morte das jovens ainda que os corpos estivessem em estado de putrefação. O assassino decapitou, pelo menos 12 mulheres e manteve suas cabeças em seu apartamento, como troféus.

Seus crimes foram descobertos quando, ao ser abordado por um policial, fugiu em seu carro, sendo capturado como suspeito de um roubo. Algum tempo depois, confirmou-se que era o assassino das jovens. Ted também fugiu da prisão duas vezes, mas foi capturado.

SENTENÇA: foi julgado e executado na cadeira elétrica em 1989.

JEFFREY LIONEL DAHMER (O CANIBAL DE MILWAUKEE)

NACIONALIDADE: NORTE-AMERICANO

NÚMERO DE VÍTIMAS: 15

PERÍODO DE ATUAÇÃO: ENTRE AS DÉCADAS DE 1970 E 1990

Na adolescência, Dahmer tinha o hobby de dissecar animais e até mantinha um cemitério particular nos fundos de sua casa. Seus amigos o descreviam como estranho e logo descobriram que o adolescente era alcoólatra.

Foi abandonado pela mãe – sem dinheiro e semcomida – após terminar o ensino médio. Mesmo assim, começou a faculdade e desistiu três meses depois. Nessa época, cometeu seu primeiro assassinato. O pai, semsaber do crime, o fez entrar no Exército. Nos dois anos de serviço prestado, Dahmer aprendeu muito sobre a anatomia humana e acabou sendo dispensado por conta do alcoolismo. Em 1982, foi morar com a avó por seis anos. Na cidade, foi detido algumas vezes por se masturbar em público e cumpriu dez meses na prisão. Sua avó então o expulsou de casa por conta de suas noitadas e pelos maus cheiros que vinham do porão. Assim, Jeffrey mudou-se para a cidade de Milwaukee, nos Estados Unidos, onde cometeu crimes como necrofilia, canibalismo e abuso sexual. Foi descoberto, em 1991, após uma de suas vítimas escapar. Ao vasculhar a casa, policiais encontraram fotos dos assassinados, partes do corpo no freezer e cadáveres em vasilhas com ácido. Ainda foi descoberto um altar com velas e crânios dentro do seu armário.

SENTENÇA: 957 anos de prisão. No entanto, foi espancado até a morte por outro preso.

DENNIS ANDREW NILSEN (O ASSASSINO GENTIL)

NACIONALIDADE: ESCOCÊS

NÚMERO DE VÍTIMAS: APROXIMADAMENTE 15

PERÍODO DE ATUAÇÃO: DE 1978 ATÉ 1983

Nilsen não lidava bem com a sua orientação sexual, nem a sua família. Sua mãe, por exemplo, o pressionava para casar-se com uma mulher e ter filhos, mas isso não era o que ele queria. Então, a família se afastou e, solitário, Dennis passou a abusar de bebidas alcoólicas e a paquerar homens mais jovens nos bares.

Após alguns relacionamentos darem errado, Nilsen começou a se aproximar, na maior parte dos casos, de jovens homossexuais ou desabrigados. Ele os convidava com o intuito de oferecer abrigo, comida e alguns drinques. Depois, estrangulava suas vítimas ou as afogava em banheiras. Em seguida, deixava os corpos em sua cama por semanas, masturbando em cima deles e, algumas vezes, conversando com os cadáveres. Para escondê-los, costumava dissecar e mantê-los embaixo do assoalho, queimava junto a pneus no quintal ou desmembrava os corpos para jogá-los fora pelo encanamento. Os crimes foram descobertos após os canos do esgoto entupirem e um funcionário encontrar alguns pedaços de carne e pequenos ossos de origem desconhecida.

SENTENÇA: em 1983, recebeu a sentença de cumprir, pelo menos, 25 anos preso. Embora o tempo mínimo tenha passado, Nilsen continua preso.

FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA (MANÍACO DO PARQUE)

NACIONALIDADE: BRASILEIRO

NÚMERO DE VÍTIMAS: CERCA DE 10 MULHERES

PERÍODO DE ATUAÇÃO: FINAL DA DÉCADA DE 1990

Segundo os depoimentos do próprio Francisco, durante a infância, ele havia sido molestado por uma tia e criou grande fixação por seios. Além disso, em um de seus relacionamentos amorosos, uma namorada gótica quase arrancou-lhe o pênis com a boca. Assim, Francisco tinha fortes dores durante as relações sexuais com suas vítimas.

O Maníaco do Parque ficou conhecido por estuprar e matar diversas vítimas no Parque do Estado, ao sul da cidade de São Paulo. O motoboy, que trabalhava na região do Brás, na capital paulista, abordava as mulheres na rua, estacionando sua moto e apresentando-se como agenciador de modelos. Assim, convencia suas vítimas a fazer uma sessão de fotos na natureza. Então, eram levadas até o Parque do Estado. No local, ele estuprava e estrangulava as moças.

Em meados de julho de 1998, seiscorpos nus foram encontrados com marcas de mordidas nas coxas, ombros e seios. A polícia então começou as investigações e encontrou três mulheres que haviam registrado tentativas de estupro na região. Assim, após a divulgação de um retrato falado do Maníaco do Parque, Francisco foi encontrado.

SENTENÇA: foi acusado de estupro, roubo, homicídio e ocultação de cadáver. Passou por alguns julgamentos e foi sentenciado a cumprir cerca de 270 anos de prisão.