EU ACHO …

VIVER EM PAZ

As pessoas falam em amor à primeira vista. Não creio que isso exista – a mim, parece ilógico, uma conexão impossível, uma vez que o amor é uma construção, e não uma fagulha, um instante. Acredito em paixão à primeira vista, pois é a paixão que solta faíscas, é a paixão que dá o disparo, a paixão que desassossega e faz perder a razão.

O amor é um produto da convivência, da admiração, do pensar sobre o outro, do sentir a ausência de maneira calma, e não em desespero. Por isso, uma vida em paz é uma vida com amor, uma vida que surge depois que a energia explosiva da paixão se converte em amor perenizável. Gosto mesmo da ideia de amar o amor – a capacidade de guardar aquilo que me faz bem. É claro que a paixão também faz bem, mas só por um certo tempo. Ela não pode ser persistente, caso contrário ela faz adoecer, ela descontrola, suspende a noção de tempo e espaço.

Assim, paz de espírito é aquilo que faz com que eu consiga orquestrar as minhas paixões de maneira que elas se convertam em energia positiva e controlável.

Por esse ponto de vista, para ter paz de espírito, viver em paz é saber que está fazendo o que precisa fazer. Isso exige racionalidade.

Obedecer ao coração não é ser dominado pelo coração, não é excluir a razão. Obedecer ao coração é agir em equilíbrio, numa parceria entre o coração e a razão. Para mim, o equilíbrio ideal é aquele da bicicleta, o equilíbrio que só existe quando se está em movimento.

Algumas religiões consideram o equilíbrio e o alcance da paz como estados de ausência de qualquer emoção. Para mim, equilíbrio não é um ponto estático entre dois opostos, não é estar no meio. É ir aos extremos e não se perder, seja na ciência, na religião, na política, nos experimentos, no erótico. É ser capaz de vivenciar os múltiplos territórios da vida sem neles se ancorar.

A pessoa que vai para a “balada” e fica com um, depois fica com outro e no próximo final de semana fica com mais outro, bem, essa pessoa não é alguém que tem muitas possibilidades, e sim alguém com uma lacuna de sentimentos. Excesso de oferta muitas vezes é incapacidade de escolha. Quem transa com quem quer quando quer não é um libertário, e sim uma pessoa com um sentimento caótico em relação a suas escolhas. Pode-se argumentar que a pessoa escolheu ficar com muitos. Tudo bem, mas tenha em mente que, se tudo é prioridade, então não existe prioridade nenhuma. É como mural de faculdade: lotado ou vazio dá no mesmo, já que ninguém lê.

Escolher é adotar certas posturas e deixar outras de lado. Em sânscrito, havia uma ótima palavra para isso: cria, que quer dizer purificar. Ela deu origem à palavra crisis, em grego, de onde vem a palavra crítica e também a palavra critério. Criticar é separar o que uma pessoa deseja do que ela não deseja. Assim, ter uma vida crítica é ter uma vida consciente. Aquele que leva uma vida não crítica, ou sem critérios, não tem rumo, é um alienado.

Por isso, o equilíbrio não está em vivenciar tudo e qualquer coisa, mas em saber fazer escolhas sabendo que nem toda escolha é válida. Se toda escolha tiver validade, estamos no campo do relativismo, que é ausência de critério.

Se tudo tem validade, até a apreciação do mundo fica afetada. Gostar de qualquer comida ou de qualquer pessoa denota que a noção de gosto está prejudicada. Gostar, ter afeto, desejar sem critério só demonstra ausência de capacidade de entendimento.

Assim como a carência define os nossos rumos, é a ausência que molda nossos gostos. Uma pessoa só sente felicidade ou paz porque a felicidade e a paz não são contínuas. Nós só valorizamos algo quando há a possibilidade desse algo se ausentar. O exílio dá saudade. A felicidade contínua é uma impossibilidade, uma vez que as pessoas vivem em meio a outras pessoas e a atribulações. Mas, se a felicidade pudesse ser um estado contínuo, nós não a perceberíamos, assim como não percebemos nossa respiração, exceto na carência, quando o ar falta.

O erótico, claro, é um princípio vital. Freud dizia que as pessoas são regidas por duas pulsões, dois impulsos, aos quais ninguém consegue resistir: o erótico (vital) e o tanático (destrutivo). Freud tem uma grande descrença na capacidade humana. Para ele, biologia é quase destino.

Para mim, não é bem assim. Concordo, por exemplo, que o impulso tanático deve ser controlado, pois, se não fosse, não haveria civilização. Mas discordo quando ele diz que o erótico é o impulso da paixão e, portanto, também destrutivo e insustentável. O erótico, na minha concepção, é o impulso do amor, da construção, da vibração – pois a vida vibra. Vibrar significa ressoar, fazer sentir a presença. E você vibra perante a pessoa que você ama, o prato que aprecia, a música que frui, numa vibração que inevitavelmente estabelece uma conexão. Os gregos chamavam essa conexão de simpatia, ou aquilo que cria uma ligação, uma união entre nós. Já em latim, isso seria conhecido como amizade.

Tudo isso passa por uma lógica que aprendi com Janete Leão Ferraz, com quem sou casado. Quando começamos a namorar, mais de 25 anos atrás, ela colocou uma música do Djavan para deixar claro como deveria ser um relacionamento no entender dela: ”Se você quer zero a zero, eu quero um a um”.

São dois empates, mas dois empates diferentes. O empate do zero a zero é aquele do caminho do meio, aqueles que os gregos antigos chamavam de caminho da virtude. Já o empate do um a um exige movimento.

Exige esforço e apego, e não acomodação e desapego.

***MÁRIO SÉRGIO CORTELLA

Extraido do livro “O QUE A VIDA ME ENSINOU”

OUTROS OLHARES

ALÉM DA BARBA, CABELO E BIGODE

Nova geração de cosméticos masculinos ultrapassa a mera vaidade: apostam em saúde, inovação, bem-estar e praticidade

A divisão de gênero na indústria da beleza começou com o perfume, as colônias e as águas de cheiro: “Pour Homme”, em francês, para dar luxo à fragrância e “Pour Femme”, quando destinados às mulheres. Mas, por muito tempo, os setores voltados à beleza e aos cosméticos no País ignoraram o lucrativo mercado masculino. As linhas “Homem” das principais marcas brasileiras como Natura, Boticário e Avon, eram pequenas até meados dos anos 2000 e se baseavam basicamente nos desodorantes, produtos para a barba, xampu e o condicionador. A partir de 2010, marcas como a Dove, da gigante Unilever, e suas concorrentes, começaram a expandir a vasta gama de produtos de beleza para os homens. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o Brasil é segundo País do mundo que mais consome produtos e fragrâncias masculinas.

“Lembro do meu pai, depois de jogar futebol com amigos, ir para o vestiário com uma toalha e um sabonete em barra qualquer. Hoje, a nécessaire é um item amplamente aceito entre os homens”, diz Alain Muramatsu, um dos fundadores da startup Kásia Cosméticos. A marca trouxe conceitos inéditos para o mercado nacional, como a argila modeladora para cabelos e o xampu probiótico, que controla a saúde do couro cabeludo. A existência de uma startup fundada por dois ex-funcionários, um da Natura e outro da Cless Cosméticos, chama a atenção. “A empresa surgiu para produtos masculinos com o nome Go Man, mas a demanda foi tanta que virou o braço de uma marca maior, que atenderá outros públicos”, afirma Bruno Weiers.

De acordo com o último “Caderno de Tendências” da ABIHPEC, a expectativa pré-pandemia era de que o mercado brasileiro masculino de cuidados pessoais passasse a marca de US$ 6,7 bilhões comercializados até 2020. “A maioria dos cosméticos são vendidos em farmácias, mercados ou pelo e-commerce, lugares abertos durante a pandemia. O impacto, para nós, não será grande”, diz Weiers. O corretor de imóveis de luxo, Dante Manfrim, divide o espaço do banheiro com a mulher quando o assunto é cosmético. “Eu uso protetor solar, produtos para a barba, protetor labial, creme para o rosto e para corpo, mais perfume e desodorante”. Manfrim, contudo, segue à risca o movimento de muitos brasileiros que ainda focam no perfume. Com 14 frascos, descarta apenas a maquiagem, mas não nega a possibilidade de vir a pintar o cabelo no futuro, por exemplo.

Entretanto, outra tendência do mercado é ampliar o leque ainda mais: tirar o gênero do rótulo de vários produtos, diminuir o tamanho das embalagens e deixá-las com cores neutras e com informações claras. A explosão das barbearias com mesas de sinuca e cerveja artesanal foi um movimento forte no Brasil. Produtos em formato de bebidas, caveiras, motocicletas e vários elementos ligados ao imaginário do “macho alfa” não devem prosperar. Manfrim, aos 37 anos, diz que usa produtos de beleza desde os 12 e seu filho de 16 segue seus passos. “Não tenho vergonha de ser vaidoso e como diria aquela música: use filtro solar”, diz.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

13 DE OUTUBRO

NÃO RASGUE AS VESTES, RASGUE O CORAÇÃO

Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes… (Joel 2.13a).

O povo hebreu manifestava sua profunda tristeza rasgando as vestes. Era sinal de pesar e prova de verdadeiro quebrantamento. Com o passar do tempo, as pessoas continuaram a praticar o gesto, mas sem o sentimento correspondente. Rasgar as vestes tornou-se apenas um ato cênico, sem nenhuma sinceridade diante de Deus. Era uma mostra de quebrantamento diante dos homens, sem nenhum arrependimento diante de Deus. Tornou-se um show, um teatro, uma encenação para impressionar as pessoas. Tornou-se consumada hipocrisia. O profeta Joel alertou o povo de Israel a rasgar o coração, e não as vestes. Não adianta fazer um espetáculo diante dos homens, com gestos profundos, emoções abundantes e palavras piedosas. Deus não se impressiona com o nosso desempenho exterior. Ele vê o coração e procura a verdade no íntimo. Deus não se satisfaz com palavras vazias e gestos exteriores. Não aceita uma espiritualidade apenas de aparência. Ele repudia o farisaísmo e não tolera a hipocrisia. Aqueles que tentam justificar-se diante dos homens e impressionar Deus rasgando suas vestes enganarão a si mesmos. A falsa modéstia é orgulho consumado. A espiritualidade farisaica não passa de tola vaidade. Não são aqueles que rasgam as vestes que são recebidos por Deus, mas os que rasgam o coração.

GESTÃO E CARREIRA

GUERRA DO LUXO

O conglomerado francês LVMH, dono da Louis Vuitton, e a grife americana de joias Tiffany & Co. deixam a elegância de lado e lavam a roupa suja nos tribunais após compra dar errado. Negócio de US$ 16,2 bilhões, firmado em novembro, não previa a ocorrência de uma pandemia

Anunciada com pompa e circunstância em novembro do ano passado, a compra bilionária da Tiffany & Co. pela gigante LVMH tinha tudo para ser um sucesso. Ambas as partes sairiam ganhando. Porém, no meio do caminho tinha uma pedra, e não era de diamantes, e sim uma pandemia mortal que fechou todas as portas e derrubou as bolsas de valores de todo o mundo. Se, no ano passado, a soma de US$ 16,2 bilhões (R$ 92 bilhões em reais com o dólar atual) parecia apenas um punhado de dólares para Bernard Arnault, diretor da LVMH e um dos dez homens mais ricos do mundo e o mais rico da França, em setembro de 2020, ele decidiu pensar melhor.

Alegando problemas diplomáticos entre França e Estados Unidos, tarifas comerciais e valor incompatível com mercado atual, a LVMH adiou a fusão, tentou negociar e por fim anunciou que não compraria mais a marca americana. Os acionistas da Tiffany & Co. resolveram não deixar por isso mesmo. Entraram com um processo na justiça americana pedindo a realização da compra nos termos previamente acordados. Em nota, a LVMH se disse “surpresa” com o processo e que vai contra-atacar. A LVMH ainda tentou colocar a culpa no governo francês, dizendo que recebeu uma carta pedindo para que a aquisição não acontecesse antes de janeiro de 2021, devido a possíveis tarifas alfandegárias dos produtos franceses no mercado americano. O Ministério de Finanças da França tirou o corpo fora e disse que não tinha nada a ver com a história.

A Tiffany alega que o conglomerado está fazendo de tudo para não cumprir o combinado, o que parece ser o caso. Contudo, Bernard Arnault não largará o osso tão cedo e prometeu “lutar vigorosamente” na justiça de Delaware, estado americano onde o processo foi movido “O processo movido pela Tiffany demonstra a desonestidade da empresa em suas relações com a LVMH. A ação diz que a LVMH falhou em tomar as medidas razoavelmente necessárias para obter as aprovações das várias autoridades regulatórias em tempo hábil. Essa acusação não tem fundamento e a LVMH vai demonstrar isso ao Tribunal de Delaware”, disse a empresa em nota escrita por Arnault.

NO BRASIL

Se o futuro é incerto, isso pode afetar o consumidor? Com seis lojas no Brasil, a famosa joalheria com sede na Quinta Avenida em Nova York, não deve perder o seu glamour com as brigas nos tribunais. Muito menos as mais de 70 marcas da LVMH que, além da Louis Vuitton, incluem Dior, Givenchy e Marc Jacobs. Isso para ficar na ala “fashion”. O grupo também comanda o mercado de bebidas, lojas de maquiagem e recentemente adquiriu 5% das ações de um grupo de mídia, que comanda a revista Paris Match, por exemplo. “O mercado de luxo já passou por muitas crises e sempre se recuperou. Algumas grifes não pararam de vender nem mesmo durante as grandes guerras.

O que muda agora é que todos foram obrigados a fechar e a repensar o modelo de negócio”, explica a especialista em mercado de luxo, Malu Albertotti. Com formação em Negócios de Luxo pela ESSEC Business School em Paris, a especialista acredita que o setor de joias demore mais para ser aquecido, mas não vê a possibilidade de uma marca como a Tiffany falir num futuro próximo. A Hermès, por exemplo, marca francesa das famosas bolsas Birkin que não cedeu a pressão de compra da LVMH há dez anos, vai muito bem, obrigada. Continua sendo uma empresa familiar, comandada pela sexta geração de herdeiros.

O luxo chegou tarde ao País. Foi apenas na década de 1980 e 1990 que as grandes marcas começaram a aparecer por aqui. Em 1989, momento de alta inflação e incertezas financeiras, abria a primeira loja da Louis Vuitton no Brasil. “É algo recente na nossa história e o mesmo acontece com o mercado chinês, por exemplo”, diz Malu Albertotti. Ou seja, em países em desenvolvimento e onde há maiores chances de mobilidade social, o mercado vai se recuperar. O problema parece estar na própria Europa. Em Paris, 40% do consumo acontecia por meio do turismo. Se ninguém está viajando para a cidade mais visitada do mundo, há um problema enorme.

Existe ainda o comportamento das novas gerações diante do consumo, pois tendem a consumir de forma mais questionadora: de onde vem esse produto que eu estou comprando? Que ideia essa marca quer me vender? Ela respeita o meio ambiente? O mercado está de olho nessa tendência. “A moda e o luxo são coisas diferentes. A moda é cíclica, feita para ser descartada, mas o luxo é para sempre”, diz Albertotti. LVMH e Tiffany sabem disso e, apesar da suspensão do negócio, continuarão se sustentando com a força de suas marcas. Só se lamenta a falta de elegância de uma briga judicial.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESVENDANDO A PSICOPATIA – X

PSICOPATAS NA FICÇÃO

Os personagens mais famosos em series, livros e filmes

DEXTER

Quando o assunto é psicopata, Dexter Morgan é o representante número um no mundo das séries. Protagonizando a atração que leva seu nome, o personagem é um policial durante o dia e…um assassino à noite! A obra é baseada nos livros de Jeff Lindsay e estreou em 2006, contando a história de Dexter, um assassino em série que trabalha como analista forense na polícia de Miami, nos Estados Unidos. Ainda criança, o personagem teve o perfil psicopata diagnosticado pelo pai adotivo, que ensina o garoto a seguir um código, em que ele pode saciar suas vontades sanguinárias matando apenas aqueles que merecem, que para ele são outros assassinos.

Dexter cresce escondendo seu lado sombrio durante o dia e “fazendo justiça” durante a noite. Porém, ao longo da série, o cerco vai se fechando, e fica cada vez mais difícil ocultar seus instintos, principalmente daqueles que ele ama, como sua família e sua esposa. A atuação do ator Michael C. Hall para a adaptação em série de TV foi tão boa que rendeu o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro, em 2009.

HANNIBAL LECTER

Difícil não se deixar levar pelo poder de convencimento deste personagem tão complexo. Interpretado pelo premiado ator Anthony Hopkins, o personagem Hannibal Lecter faz parte de diversos filmes, tamanho foi o sucesso do primeiro longa, O Silêncio dos Inocentes, de 1991. Em seguida, vieram Dragão Vermelho, Hannibal e Hannibal – A Origem do Mal, todos em torno deste personagem enigmático. Dr. Lecter é um psiquiatra com tendências canibais e assassinas. Criado pelo escritor Thoma Harris, é conhecido como um dos assassinos mais frios e inteligentes da ficção. Isso porque possui uma personalidade calma, e centrada, ao mesmo tempo em que é um assassino sem piedade.

Longe da imagem de um psicopata desequilibrado, Hannibal possui um perfil meticuloso e inteligente. Mesmo após ser capturado; o assassino ajuda a polícia a perseguir outros criminosos. Porém, até que ponto se pode confiar em um psicopata? Além dos filmes, ainda há a série Hannibal, com a mesma abordagem psicopática assassina.

JOHN DOE

Poucos filmes conseguiram prender o espectador do começo ao fim como Seven Os Sete Crimes Capitais, de 1995. A trama envolve dois detetives em busca de um assassino em série que baseia seus crimes nos sete pecados capitais: gula, avareza, inveja, luxúria, ira, preguiça e orgulho. O criminoso em questão é John Doe (Kevin Spacey), que se mantém ausente fisicamente durante boa parte do filme. John extermina suas vítimas inspirado no pecado que ela mais comete, como ao obrigar um homem a comer até a morte, representando o pecado da gula. Ao ser revelado, Doe apresenta uma personalidade doentia e sádica, e não se considera um assassino ou um psicopata. Acredita estar fazendo o melhor para essas pessoas, já que elas haviam sucumbido doentiamente a algum dos pecados. O passado do personagem envolve uma infância com abusos da mãe alcoólatra e a traição de sua esposa. O acumulo de todas essas emoções junto ao transtorno de personalidade antissocial colaboraram para a transformação de John Doe emum psicopata que mata em nome de Deus.

JIGSAW

Quem assistiu a algum dos oito filmes da saga Jogos Mortais já deve ter escutado a frase “eu quero jogar um jogo”. O autor dela é John Kramer (Tobin Bell), um serial killer maníaco por jogos de tortura. O assassino sequestra pessoas que considera que não dão valor para a própria vida, e as submete a jogos psicológicos de tortura e armadilhas mortais. Kramer não se considera um psicopata, já que acredita ajudar essas pessoas, dando a elas uma segunda chance para viver. O personagem é um engenheiro civil vítima de um câncer de cólon; ao saber que seu caso não teria cura, tenta cometer suicídio jogando o próprio carro em uma ribanceira. Ao sobreviver ao acidente, vê uma segunda chance para sua vida e decide fazer o mesmo com outras pessoas, porém, de forma bem mais macabra. Kramer se apresenta como o boneco Jigsaw DJ, que tortura suas vítimas envolvendo o sacrifício de algum ente querido do prisioneiro em questão, ou algum valor moral muito importante para a vítima (como fobias ou traumas de infância). A assinatura do serial killer é o desenho de uma peça de quebra-cabeça no corpo da vítima, uma brincadeira com seu próprio nome, Jigsaw DJ, que significa “peça de quebra-cabeça” em inglês.

ANNIE WILKES

Como os traços característicos de um psicopata, Annie Wilkes apresenta mudanças abruptas de humor e ataques de fúria imprevisíveis. É personagem do romance Louca Obsessão, escrito por Stephen King foi lançado em 1987. A obra fez tanto sucesso que ganhou uma adaptação nos cinemas, com o filme Louca Obsessão, de 1990, estrelado porKathy Bates no papel de Annie Wilkes, lhe rendendo o Oscar de melhor atriz. Annie é uma ex- enfermeira que vive isolada em um sítio, até que encontra o escritor Paul Sheldon ferido após uma nevasca próximo ao local em que vive. Ao vê-lo machucado, a enfermeira o leva para sua casa, para cuidar dele até que a estrada esteja desimpedida pela nevasca. Quando o escritor retoma a consciência, Annie diz ser sua fã e apaixonada pela personagem Misery, de um dos romances de Paul, e pelo próprio escritor. Porém, Sheldon começa a achar que existe algo estranho na ex- enfermeira, pois percebe que ela não tem pressa em levá-lo ao hospital. Quando Annie descobre que Misery morre no livro, obriga o escritor a escrever uma nova obra para trazer sua personagem favorita de volta, mantendo Paul preso na cama. Annie chega ao ponto de quebrar seus tornozelos com uma marreta, para garantir que ele não fugisse.

PATRICK BATEMAN

Não poderia haver nome melhor para o filme estrelado por Christian Bale no papel de Patrick Bateman: Psicopata Americano. O longa de 2000 conta a história de Bateman, um jovem bem sucedido, bonito, narcisista, apreciador do luxo e da riqueza, que atua entre investidores e acionistas na Wall Street, em Nova York: Porém, o que o galã esconde é seu prazer em matar, sendo um verdadeiro serial killer. impulsionado pelo materialismo e pela inveja, Bateman comete crimes com justificativas banais, como assassinar um colega de trabalho apenas porque ele tem um cartão de visita de melhor qualidade que o dele.

Muitas características do transtorno de personalidade antissocial podem ser identificadas no protagonista, como seu comportamento frio e egoísta. Além disso, sofre com ataques de psicose, tornando seu comportamento ainda mais sinistra. Porém, diferentemente da maioria dos serial killers, Bateman não possui um tipo específico de vítima. Ele dá fim àqueles que entram em seu caminho e têm algo (material ou não) que ele não possui. O gatilho para seu desejo de matar é a busca incessante pela perfeição profissional e estética.

PEYTON FLANDERS

A personagem central do longa A Mão que Balança o Berço, de 1992, concentra várias características psicopatas, principalmente a vontade de conseguir o que quer. Interpretada por Rebecca De Mornay, Peyton Flanders é uma mulher traumatizada com o suicídio do esposo e a perda de seu filho. Porém, decide trabalhar justamente na casa da mulher que fez seu marido se matar para, então, buscar sua própria vingança. A moça apresenta-se como uma candidata perfeita para a vaga de babá: é educada e muito dedicada. Ela começa a se apegar à filha da patroa e quer ficar com a bebê para si. Por isso, passa a fazer de tudo para eliminar a mulher, como preparar uma armadilha na estufa. Peyton arma as maldades de forma indireta, sem levantar suspeitas, e aos poucos vai destruir não a vida de toda a família sem ser descoberta, até ficar fora de si.

NORMAN BATES

Um dos psicopatas mais conhecidos da telona arrancou muitos gritos no filme Psicose, de 1960, do conceituado diretor Alfred Hitchcock. Inspirado em Ed Gein, um dos serial killers mais famosos dos Estados Unidos, Norman Bates (Anthony Perkins) é um jovem tímido, criado por sua mãe Norma Bates, de forma muito autoritária, o que o fez ter uma personalidade inconstante e possessiva. Após a morte do pai de Norman, mãe e filho ficam ainda mais próximos, até que ela arruma um namorado, despertando um ciúme enlouquecedor no filho. Em uma espécie de complexo de Édipo; o rapaz envenena a própria mãe e o namorado. Depois disso, o personagem apresenta um transtorno psicológico em que assume a personalidade da mãe em alguns momentos. Além disso, o assassino mantém o corpo da mãe em seu quarto por anos, vivendo em um hotel da família. Quando a jovem Marion Crane se hospeda no hotel de Bates, o assassino apaixona-se pela garota ao mesmo tempo em que assume a personalidade ciumenta da mãe, assassinando a facadas a garota no chuveiro, vestido com as roupas de Norma, em uma das cenas mais clássicas do cinema. Atualmente a série de TV Bates Motel é um prólogo da trama, que retrata a vida de Norman e de sua mãe antes dos eventos do filme.

AMY DUNNE

Outra personagem que saiu dos livros direto para as telonas, Amy Dunne (Rosammund Pike) é a personagem central da obra Gone Girl de Gillian Flynn, que ganhou o título Garota Exemplar nas telonas, em 2014. Trata-se de um ótimo exemplo de psicopata, já que Amy vai até as últimas consequências para conseguir o que quer. A personagem é uma jovem linda e doce que passa a imagem de “cool girl”, ou garota legal, aparentemente sem defeitos, que se dá bem com todo mundo. Porém, por trás do rosto angelical, Amy se apresenta como uma verdadeira manipuladora e mentirosa, envolvendo a todos que cruzarem seu caminho, como seu marido. Sob a impunidade que a imagem de “mulher perfeita” a fornece, ela trama uma história visando somente seu benefício próprio, em nome do poder, do egoísmo e da absoluta falta de empatia. Um verdadeiro caso de psicopata – dissimulada e sem escrúpulos.

JOE CARROLL

Mais um representante das séries, Joe Carrol, James Purefoy) é um sedutor professor de literatura na série de TV The Following. Carismático e pai de família, ele se revela um serial killer e vai parar na cadeia após matar de forma cruel 14 alunas na universidade onde lecionava. Nove anos mais tarde, Joe, condenado à morte, escapa da cadeia e passa a reunir uma rede de discípulos, criando uma verdadeira seita de homicidas que agem segundo suas instruções. Com seus seguidores e esperteza de sobra, Joe volta a matar. O protagonista é um assassino carismático, inteligente e estrategista, que consegue atingir psicologicamente o detetive que está atrás dele. Bem psicopata, não? O espectador nunca sabe qual será seu próximo passo.

MAX CADY

Acusado por assassinatos e estupros, e por culpa de seu advogado de defesa que ocultou informações importantes do caso, Max (Robert De Niro), personagem central do filme Cabo do Medo, de 1991, passa 14 anos na cadeia. Porém, usa esse tempo para planejar sua vingança e se aprofundar no estudo de direto. Até sair da prisão, põe em prática um jogo psicológico com seu advogado, tudo dentro da lei, revelando sua natureza psicopata. Entre seus planos, Max seduz a filha do advogado e coloca em risco a vida de todos da família. A atuação de Robert De Niro valeu uma indicação ao Oscar como melhor ator