EU ACHO …

SAUDADE E NOSTALGIA, RAÍZES E ÂNCORAS

Na vida, nós devemos ter raízes, e não âncoras. Raiz alimenta, âncora imobiliza. Quem tem âncoras vive apenas a nostalgia e não a saudade. Nostalgia é uma lembrança que dói, saudade é uma lembrança que alegra. Uma pessoa tem saudade quando tem raízes, pois o passado a alimenta (mais de 40 anos atrás, eu saí de Londrina, minha cidade natal, mas minha saudosa Londrina não saiu de mim). Pessoas que têm nostalgia estão quase sempre às voltas com um processo de lamentação.

Como curiosidade, lembro que a palavra nostalgia foi criada por um médico alemão no século 19. Naquela época, quem tinha um ferimento feio tinha de amputar o membro ferido. E, como hoje, muita gente que perdeu uma parte do corpo relata continuar sentindo desconforto, coceira ou dor no membro que não existe mais. E então o médico alemão pegou duas palavras gregas antigas e as uniu: nostos, que significa volta, e algo, que quer dizer dor. Assim, nostalgia ficou sendo a dor da volta, a dor daquilo que já se foi e continua doendo.

Todos nós temos raízes e também âncoras. O problema é quando as âncoras superam as raízes. O nostálgico amarga e sofre, o saudoso se alegra, pois ele deixa fruir aquilo que viveu. O nostálgico se aproxima daquilo que os antigos chamavam de melancolia e que hoje é chamado de depressão, esse perigo. Vez ou outra é preciso fazer um “balanço” de mim mesmo, de modo a ver se estou sendo puxado para a as raízes ou para as âncoras, para a saudade ou a nostalgia, para a alegria ou para a depressão.

Em qualquer ano que uma pessoa tenha atravessado, é impossível viver sem cicatrizes. Por isso, uma das coisas que mais me chateia é quando encontro alguém depois de um ano e essa pessoa me diz: “Cortella, você não mudou nada!”. Como não mudei?! Só o fato de eu ter partilhado, compartilhado, vivenciado, convivido com pessoas, experimentado coisas, tudo isso faz com que eu mude. Muitas coisas que eu pensava no começo do ano não penso mais e vice-versa, pois sou capaz de mudanças, graças aos céus.

Sou um ser flexível, e ser flexível é muito diferente de ser volúvel. Flexível é aquele que muda quando considera adequado mudar. Volúvel é aquele que muda por qualquer coisa. A nostalgia é a tristeza da mudança contínua. A saudade é a experiência da mudança que conduz ao crescimento. A nostalgia é uma armadilha, registrada pelo estupendo poeta português Fernando Pessoa em um dos versos mais brilhantes da língua portuguesa, que está num poema escrito em 1930 e assinado por Álvaro de Campos, um de seus heterônimos: “Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro”. À criança a quem sucedi por erro!! Ora, isso é nostalgia pura, dor pura. Não é uma raiz. É uma âncora, nostálgica e dolorosa, aquilo que Carlos Drummond de Andrade chamou de “a pedra no meio do caminho”.

Percalços são inevitáveis, toda vida é composta por erros e acertos, por dores e delícias. A maioria das pessoas acredita piamente que aprendemos com os erros. Cautela com isso. Na minha opinião, aprendemos é com a correção dos erros; se aprendêssemos com os erros, o melhor método pedagógico seria errar bastante. Ora, brincando, podemos lembrar que todo cogumelo é comestível – só que alguns uma única vez… Eis um equívoco que não dá para corrigir depois.

Não é o erro; é a correção do erro que ensina.

*** MÁRIO SÉRGIO CORTELLA

Extraído do livro “O QUE A VIDA ME ENSINOU”

OUTROS OLHARES

NINGUÉM É DE FERRO

Com a flexibilização da quarentena, cresce o interesse pelas bicicletas elétricas, um veículo mais ecológico e econômico do que o carro – e também mais saudável

Os seis meses de pandemia deflagraram evidentes mudanças no cotidiano, com o esvaziamento dos escritórios e o fechamento das áreas públicas de diversão, como os restaurantes, as salas de cinema e os estádios de futebol. Há alterações urbanas mais silenciosas – silenciosas como o barulho tímido do pequeno motor de uma bicicleta elétrica, celebrado personagem das grandes cidades. Em 2020, as vendas de modelos movidos a eletricidade devem crescer 30% em relação ao ano passado.

Houve um salto nos últimos dias, com a gradual flexibilização da quarentena e o cotidiano retomado de um outro modo. “As pessoas querem agora se locomover com distanciamento, sem aglomerações em ônibus ou metrô, de forma mais econômica e ecológica que o carro”, diz Daniel Guth, diretor executivo da Aliança Bike, Associação Brasileira do Setor de Bicicletas. Um levantamento conduzido pela instituição mostrou que mais da metade dos usuários de bicicletas elétricas deixou de usar automóvel e 87% sentiram melhora na qualidade de vida.

E, como ninguém é de ferro, pedalar, com providencial ajuda da tecnologia é sempre menos cansativo para quem ficou parado tanto tempo entre quatro paredes. Culpa por apelar para o motorzinho? Não. A energia elétrica serve, na verdade, para auxiliar os movimentos. Como o esforço físico (e o suor) é menor, o corpo consegue ficar mais tempo em atividade. Pode parecer paradoxal à primeira vista, mas os modelos convencionais costumam atingir picos de velocidade mais altos que as elétricas – chegam a 35 quilômetros por hora, 10 a mais que as irmãs envenenadas. O motivo: a legislação brasileira não permite motores com velocidade maior. Com preços que variam de cerca de 3.000 reais a 30.000 reais, os modelos são diversos. Os mais caros têm resistência semelhante a uma mountain bike, motores sofisticados e mais tempo de bateria – a autonomia chega a 120 quilômetros. Os mais simples têm fôlego para até 30 quilômetros. As baterias são carregadas na tomada, como qualquer aparelho elétrico. Uma das razões para o alto preço é o imposto sobre produtos industrializados (IPI). Hoje é de 35%, porcentual muito superior aos 10% cobrados das bicicletas comuns. A equiparação é um clamor dentro do setor, que encaminhou uma proposta de redução ao governo federal. Em dezembro de 2013, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) regulamentou o uso da bicicleta elétrica no país, equiparando-a às bicicletas comuns.

O tal do “novo normal”, enfim, se dará nas ciclovias. Na capital paulista, hoje com uma malha de 500 quilômetros, há a promessa de ampliação para 673 quilômetros até o fim do ano. Será bom para o trânsito e bom para a saúde de quem pretende viver em cima de duas rodas. Estudo publicado no Jornal Europeu de Fisiologia Aplicada mostrou que manter o hábito de andar de bicicleta por quarenta minutos, três vezes por semana ao longo de um mês, reduz as taxas de glicose, aumenta a oxigenação e diminui os riscos de doenças do coração. Há ótima eletricidade no ar.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

08 DE OUTUBRO

UMA MULHER AOS PÉS DO SALVADOR

… Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada (Lucas 10.42b).

Maria era irmã de Marta e Lázaro. Sua biografia é curta, mas sua influência é extensa. Ela aparece apenas três vezes nos evangelhos; no entanto, nas três vezes está assentada aos pés de Jesus. Na primeira vez, está aos pés de Jesus para aprender. Marta, sua irmã, corria agitada de um lado para o outro, servindo. Nessa labuta, pede que Jesus dê um toque em Maria para ajudá-la, mas Jesus lhe diz: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada (v. 41,42). A segunda vez em que Maria aparece é aos pés de Jesus para chorar. Seu irmão Lázaro estava morto e sepultado, e ela lança suas lágrimas aos pés do Salvador. Jesus chora e em seguida ressuscita seu irmão. Na terceira vez em que Maria aparece no relato dos evangelhos, está aos pés de Jesus para agradecer, quando derrama sobre seus pés um perfume caro. Mesmo censurada pelos discípulos de Jesus, ela recebeu aprovação do Mestre. Maria foi uma mulher que viveu aos pés do Salvador para aprender, chorar e agradecer. Ainda hoje, este é o melhor lugar para estarmos. Aos pés de Jesus, encontramos a mais avançada universidade da vida. Aos pés de Jesus, encontramos uma fonte de consolo. Aos pés de Jesus, devemos erigir o altar da gratidão.

GESTÃO E CARREIRA

AS LIÇÕES DO GOOGLE

A empresa lança cursos profissionalizantes com duração de apenas seis meses e põe em xeque a formação oferecida pelas universidades tradicionais

Como a maioria das empresas da área de tecnologia, o Google é uma companhia inquieta. Por mais que a sua atividade principal, o serviço de buscas pela internet, continue a ser um sucesso fabuloso, não há limites para novos projetos. A mais recente empreitada está ligada à educação e poderá levar, no futuro próximo, a uma revolução no setor. Trata-se do Google Career Certificates (em português, Certificado de Carreira do Google), projeto que consiste em oferecer cursos rápidos, de três a seis meses de duração, para formar profissionais com habilidades específicas e, eventualmente, aproveitá-los nos quadros da empresa. O programa traz oportunidades para analistas de dados, gerentes de projetos, designers de interface e especialistas em tecnologia da informação, além de técnicos de outras áreas. “Estamos oferecendo os cursos como uma forma de apoiar as pessoas que gostariam de ampliar os seus conhecimentos durante a pandemia da Covid-19 e, assim, aumentar as chances de conseguir um emprego”, disse Marcelo Lacerda, diretor de relações governamentais do Google Brasil. “Estamos comprometidos em ajudar a tornar a educação acessível para todos.”

Os cursos estreiam em outubro e, por ora, serão oferecidos apenas nos EUA. O preço vai ser acessível: em torno de 50 dólares mensais, ou apenas 300 dólares (quase 1.600 reais) por um semestre. Para efeito de comparação, frequentar uma faculdade no país custa, em média, 30.000 dólares anuais. Obviamente, a correlação é injusta, à medida que as disciplinas acadêmicas são mais abrangentes. O Google, ao contrário, quer dinamizar o processo, encurtando ao máximo o período de formação. “Os cursos do Career Certificates não oferecem diplomas de nível superior”, reforça Lacerda. Mesmo assim, há quem veja na iniciativa outras intenções. “Se o Google fala em contratar pessoas que participaram desses cursos e que não têm diplomas universitários, o objetivo da empresa é claramente mudar as regras do jogo”, diz Liz McMillen, editora executiva da Chronicle of Higher Education, a maior publicação dos EUA sobre o ensino superior. “Não à toa, nomes como a Amazon e a IBM pretendem seguir os seus passos.”

De fato, grandes empresas do ramo tecnológico parecem dispostas a formar os próprios profissionais. A Apple e a Microsoft possuem projetos parecidos e, mesmo no Brasil, já foram realizadas relevantes iniciativas nesse sentido. Uma delas, do próprio Google. Há quatro anos, a empresa oferece programas de treinamento a profissionais para que possam desenvolver habilidades digitais, como o Cresça com o Google. Até o início de 2020 o programa levou treinamentos gratuitos e presenciais para as cinco regiões do país. Desde 2017, foram realizadas sessões em catorze capitais, capacitando 100.000 pessoas em habilidades de marketing digital, empreendedorismo e ferramentas digitais.

Ideias como essas suscitam vários questionamentos. As faculdades estão preparadas para formar profissionais capazes de responder às demandas das empresas? Como será o futuro das grandes universidades? O ensino superior está atento às mudanças do mundo corporativo? Especialistas afirmam que o debate é importante, mas que as transformações, se vierem, serão apenas a longo prazo. “As universidades estão passando por mudanças há algum tempo, mas a reforma do diploma universitário é um processo complexo e lento”, constata Liz Reisberg, pesquisadora do Centro Internacional de Educação Superior. “O que o Google e as demais empresas estão fazendo é criar cursos que atendem às necessidades imediatas sem se sujeitar a processos tão longos. Não podemos esquecer que são dois tipos de educação, sendo que a universitária tem objetivos mais amplos e ricos.” De todo modo, é inegável que projetos educacionais promovidos por grandes corporações não apenas aumentam o nível de conhecimento dos estudantes, mas criam novos horizontes também paras as empresas. Nesse aspecto, o Google tem lições valiosas a oferecer.  

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESVENDANDO A PSICOPATIA – V

O COLEGA AO LADO

Depois da cadeia, o ambiente corporativo é o lugar que mais concentra psicopatas

Ele não mede esforços para ser reconhecido, procura estabelecer os contatos certos e não pensa duas vezes quando precisa agir com frieza. Conhece algum colega de trabalho com estas características? Cuidado, ele pode ser um psicopata.

NINHO DE COBRAS

Conviver com pessoas com transtorno de personalidade antissocial no local de trabalho é muito mais comum do que se imagina. Chamados de psicopatas corporativos, o ambiente competitivo das empresas é perfeito para eles, já que enfatiza suas características. A crescente procura por parte das organizações por profissionais agressivos, frios, calculistas e competitivos é um prato cheio para quem sofre do transtorno. “São características que a pessoa já tem, e o próprio ambiente no qual ela irá trabalhar faz esses traços de personalidade serem ainda mais evidenciados”, afirma o especialista em ética e comportamento no trabalho José Roberto Heloani.

A frieza moral faz do psicopata o profissional ideal para liderar aquela reestruturação que implicará na demissão de dezenas de funcionários, por exemplo. “São pessoas que possuem baixo sentimento de culpa, que têm uma tendência ao egocentrismo, portanto, agem de acordo com seus interesses”, explica Heloani. Além disso, a habilidade de atuar faz com que ele consiga viver socialmente, porém, tudo não passa de teatro para alcançar seus objetivos. “São capazes de serem gentis, mostrarem que se sacrificam pela empresa, mas possuem alto grau de dissimulação. Se contrariados, literalmente, passam por cima”, complementa o especialista.

MANIPULAÇÃO SEM LIMITES

Outra característica marcante que ganha terreno ao bater o ponto é a de manipular outros indivíduos, fazendo-os agir conforme os seus próprios interesses. Um estudo realizado por Paul Babiak, Craig Neumann e Robert Hare, especialistas na área, apontou que os níveis de psicopatia no meio corporativo estavam correlacionados às habilidades verbais. “Se alguém demonstra notórias habilidades sociais que permitem manipular de forma eficaz outros indivíduos, então, no mundo corporativo, esse alguém irá levar vantagem e pode ainda usar essa capacidade para interesses egoístas e, em muitos casos, escusos”, explica Sílvio José Lemos Vasconcellos, professor de psicologia. “Psicopatas veem os outros como instrumentos da sua vontade, instrumentos que se usa e depois se descarta. É muito comum a pessoa estar em determinado grupo e de uma forma repentina, simplesmente muda de lado. Esquece os laços, esquece os compromissos e vai para o grupo que detém mais poder”, destaca Heloani.

Você pode estar pensando que, em um ambiente profissional, faz parte lutar pelo seu próprio sucesso, tendo que concorrer com os colegas. No entanto, psicopatas não são apenas profissionais ambiciosos. Para eles, as relações de trabalho vão além de vivência profissional; é uma questão de prazer e conquista pessoal. Esse sentimento faz com que ele se torne um verdadeiro mau-caráter, chegando a cometer até crimes contra os colegas de trabalho e à própria empresa, como fraudes na contabilidade.

COMPETITIVIDADE A TODO VAPOR

Chegar ao topo da hierarquia de uma organização pode ser o sonho de muitos profissionais. Para o psicopata, o caminho costuma ser mais curto, já que ele convive facilmente com a competição. “Essa pessoa, entrando em um ambiente que já tem uma cultura altamente hostil, de uma competição interna brutal, não encara o outro como colega, mas como inimigo. Isso faz com que desenvolva, ainda mais, esse perfil hostil, agressivo”, afirma Heloani.

Como não se importam com os colegas de profissão e não sentem remorso, acabam ganhando vantagem em um ambiente de competição. “Uma das características mais frequente do psicopata é a frieza, ausência de culpa aliado busca de vantagens para benefício próprio, pois são pessoas muito egoístas. Em um ambiente competitivo pessoas com essa característica conseguem se destacar e crescer na organização de forma desleal, pois são capazes de mentir, enganar manipular informações e, até mesmo fraudar a empresa para conseguir o que querem, salienta a psicóloga Milene Rosenthal.

Para completar o cenário, cargos de liderança valorizam traços do transtorno, como agressividade, autoconfiança e frieza, Não à toa, quanto mais alto o cargo, maiores as chances de serem ocupados por psicopatas, É o que revelou um estudo na Universidade British Columbia, no Canadá. Se, entre a população em geral, até 4% são considerados psicopatas, de acordo com os pesquisadores, entre os CEOs, diretores executivos das empresas, o índice chega a 16%, “Não podemos esquecer que esse transtorno apresenta uma baixa prevalência na população em geral se comparado a outros quadros. Isso significa que há bem mais probabilidade de encontrarmos um psicopata atuando como executivo de uma grande empresa do que ocupando cargos que não envolvam liderança em outras esferas sociais”, destaca Vasconcellos.

Outras pesquisas com o mesmo viés também apontam essa concentração nos pontos mais altos das instituições, As posições executivas e de grande responsabilidade são muito atrativas para o psicopata, pois favorecem que eles tenham um maior poder sobre as outras pessoas e, dessa forma, conseguem atingir seus objetivos”, completa Rosenthal. Mas é claro que, por mais alarmante que sejam esses índices, não significa que todo chefe seja psicopata.

ESPALHANDO O VENENO

Aquela imagem de psicopatas sanguinários não é aplicável na maioria dos casos, inclusive no trabalho. Para alcançar uma promoção, ele não vai sair cortando cabeças, pois nem sempre age por meio de comportamentos criminosos. Porém, é especialista em prejudicar o próximo que cruza seu caminho. “Se, por exemplo, dentro de uma empresa, na tentativa de galgar postos mais altos, alguém espalha boatos o tempo todo, mente sobre promoções que não irão ocorrer e deprecia seus colegas diante dos superiores, esse alguém está se comportando de forma antissocial, mas não necessariamente criminosa”, explica o professor de psicologia. Além disso, é importante destacar que nem todo funcionário que adora uma fofoca no cafezinho é um psicopata, certo?

COMO IDENTIFICAR

Você já sabe que o psicopata é manipulador, mentiroso, frio, dissimulado e muitas outras coisas ruins. Porém, fique atento para identificar essas características no dia a dia do trabalho. Pode ser que seu colega não seja um psicopata, mas, se ele age conforme alguns dos tópicos a seguir, é sinal que tem algum problema de caráter.

CHARMOSO: seduz sobretudo os chefes, já que estes podem oferecer vantagens. Porém, até o office boy pode ser sua vítima, para entregar as correspondências primeiro para ele.

COMPORTAMENTO PARASITA: repassa trabalho e não se pode contar com ele, pois não assume responsabilidades e, ainda por cima, procura tomar o crédito do trabalho dos outros. Podemos chamar de folgado também, não é?

INTOLERANTE: não consegue respeitar as diferenças, além de praticar bullying, fazer fofoca e criar conflitos com qualquer pessoa que estrague seus planos.

NÃO SENTE REMORSO: para o psicopata, demitir alguém é algo natural, por exemplo.

EGOCÊNTRICO E NARCISISTA: ele, ele e ele, sempre em primeiro lugar. Pensa nos outros somente quando precisa de ajuda para conseguir o que quer.

MENTIROSO PATOLÓGICO: “A pessoa é capaz de afirmar uma série de coisas que sabe que é mentira, e tem consciência que você sabe que ela está mentindo. E faz sem nenhum pudor”, explica Heloani.

INTERESSADO DEMAIS: Não há nada de preocupante em querer saber mais sobre seus colegas de trabalho, inclusive informações pessoais. Contudo, quando o interesse é excessivo e inoportuno, fique atento. “Pode ser uma estratégia para descobrir os pontos fracos e vulneráveis de um colega, como forma de facilitar a manipulação no ambiente de trabalho. Nesse sentido, uma pergunta que surge é: somente psicopatas fazem isso? Certamente que não, mas o fato é que psicopatas fazem isso com muita eficiência e de uma forma que as vítimas raramente percebem”, destaca Vasconcellos.

A psicóloga Milene Rosenthal resume bem o psicopata corporativo: “geralmente é aquela pessoa que sempre está envolvida em intrigas e conflitos, não assume responsabilidades, assedia moralmente uma pessoa em público, não segue as regras da organização, invade a privacidade dos colegas de trabalho e principalmente, trata as pessoas de forma desigual, prejudicando subordinados e bajulando chefes e superiores. São pessoas que, dentro da organização, sempre valorizam o poder e sentem prazer em colocar medo nas pessoas”. É importante destacar que somente um profissional capacitado, como psiquiatras e psicólogos, são capazes de fazer um diagnóstico, porém, não custa nada ficar longe de gente mau-caráter!

MANTENDO DISTÂNCIA

Enquanto ainda não há cura para o transtorno, o melhor é o velho remédio: prevenção. Se for possível, evite se envolver com essa pessoa ao máximo. Mas, se for o colega da mesa ao lado ou uma situação em que vocês precisam trabalhar em conjunto, limite-se a diálogos profissionais. Evite dar informações que podem ser usadas contra você, já que a matéria-prima do psicopata são as informações que você passa a ele. Por exemplo, confidenciar que você já contou uma mentira no trabalho pode tornar-se em uma fofoca enorme sobre como você altera relatórios. “As pessoas precisam parar de ser ingênuas e achar que o ambiente corporativo é uma família. Você pode vir a construir amizades sólidas, mas, primeiro é necessário conhecer bem as pessoas”, destaca José Roberro Heloani, especialista em ética e comportamento no trabalho.

Porém, dar lições de moral ou parar de falar de repente com essa pessoa não é o melhor caminho. “É comum indivíduos com esse transtorno apresentarem descontroles comportamentais quando percebem que a pessoa que estão tentando manipular não está correspondendo”, destaca Vasconcellos. Também não é nem um pouco indicado sair espalhando aos outros colegas que há um psicopata entre eles. Nesse caso, você é que estará se passando de descontrolado. A melhor forma de agir quando se percebe que alguém está tentando manipular os outros ao redor é continuar agindo normalmente, porém, com a atenção redobrada para não se tornar mais uma vítima.

COMO AGIR SE …

…FOR SEU CHEFE

Lidar com chefias já não é algo naturalmente fácil, por tratar-se de um relacionamento envolvendo poderes. Quando há a desconfiança de sua liderança ser um psicopata, o ideal é ter ainda mais cautela. Em primeiro lugar, não o ameace ou bata de frente, mas pelo contrário. Seja político e procure seguir suas ordens, sem dar motivos para reclamações por parte dele. Em segundo lugar, procure registrar por escrito todas as tarefas que ele solicitar; assim, se houver algum problema, ele não terá como pôr a culpa em você. Porém, se ele ultrapassar o limite da ética ou estiver o prejudicando, talvez seja a hora de procurar os superiores do seu chefe. No entanto, somente faça isso se tiver provas concretas de que ele está agindo de má-fé; caso contrário, você é quem pode se queimar. Pedir transferência para outro setor também é uma opção. Se nada der certo, nunca é tarde para procurar um novo trabalho em busca de satisfação profissional

…FOR SEU COLEGA

Psicopatas tendem a querer se dar bem sempre e, por isso, muitas vezes, acabam repassando seu trabalho para os mais próximos: se der certo, ele fica com os créditos, se não, coloca a culpa em você, claro. Por isso, a regra número um é manter a distância do colega que você acredita haver algo fora do normal. Isso engloba tirar o seu da reta quando ele vier pedir algum favor ou repassar trabalho na cara dura. Siga suas tarefas e, caso o trabalho de vocês seja em conjunto, arquive e-mails, atas, telefonemas e o que mais conseguir para deixar bem claro o que cada um deve fazer. Em hipótese alguma tente testá-lo ou desafiá-lo: psicopatas são espertos e podem virar o jogo contra você. Alertar outros colegas ou até mesmo a chefia só funciona quando há provas concretas e, mesmo assim, pense bem se vale a pena. Você pode acabar se passando por “coitado” com mania de perseguição ou o vilão que quer manchar a reputação do colega. Se a situação estiver insuportável, peça para mudar de cargo ou cogite mudar de empresa.

…FOR SEU FUNCIONÁRIO

Estar do lado “mais forte” também não é tarefa fácil. Nenhum superior pode sair despedindo subordinados sem motivo justo, já que provar que alguém é mau-caráter não é algo muito fácil. Aqui vale a mesma dica que nos outros casos: registre tudo. Além disso, se for possível troque-o de cargo para prejudicar o menor número possível de pessoas. Porém, tudo com muita cautela, já que você pode se passar pelo chefe malvado. ”Ao identificar um funcionário com traços de psicopatia, o mais indicado é o desligamento desta pessoa para evitar que ocorram problemas mais sérios; entretanto, cada empresa deverá agir de acordo com suas “normas internas”, indica Milene.