EU ACHO …

A DIFERENÇA ESTÁ NA ATITUDE

Hoje a maioria dos pais trabalha por mais tempo e, mais distante, e não tem como acompanhar direito o cotidiano dos filhos – e menos ainda o processo de aprendizagem, a evolução na escola. Para isso, recomendo duas providências. A primeira se resume a um simples olhar nas lições que foram feitas durante o dia. Olhar não é vigiar, que é uma agressão. É supervisionar. Há uma enorme diferença de postura, de atitude entre uma coisa e outra. Quem dá uma festa supervisiona os convidados, não os vigia.

A segunda providência exige humildade dos pais perante os filhos. Normalmente, quando uma criança chega da escola, a mãe, ou o pai, chama-o e pergunta, parecendo que está fazendo uma auditoria: “E aí, filhão, o que você aprendeu hoje?”. Mas dá para fazer muito melhor mudando a pergunta: “E aí, filhão, o que você pode me ensinar hoje?”. A resposta provavelmente será a mesma. A diferença está na atitude. Isso vale para a família, para a comunidade, para as empresas. Auditoria é a caça ao culpado para aplicar punição, enquanto avaliação é análise de processos para alcançar melhorias.

A possibilidade de que o outro se pronuncie gera uma disponibilidade, cria uma oportunidade para o relato. Muitos pais, muitos educadores reclamam que os filhos não estão abertos ao diálogo. Isso só é verdade quando não se estabelece uma ponte com eles, ignorando um dos princípios básicos da política: Não se queimam pontes. Só com pontes se estabelecem conexões. Se não há diálogo com os jovens, é por que pais e educadores não encontraram a ponte para se conectar com eles. O maior prazer do ser humano, não importa a idade, é falar de si mesmo. Outro grande prazer é ensinar, pois ensinar é uma afirmação de valor, do seu próprio valor.

Pergunte a um jovem como funciona um programa do computador, como baixar uma música da internet, como mudar a aparência da tela do celular. Num primeiro momento, ele pode até reagir com uma risada, com aquela cara de “não vai me dizer que você não sabe fazer uma coisa tão fácil?!”. Tudo bem, os pais precisam estar preparados para ouvir isso, até porque eles também fazem o mesmo com os filhos em relação a outros assuntos, como uma operação matemática ou a capital de um país. Mas, num segundo momento, se os pais demonstram interesse sincero pelo que o filho pode lhes ensinar, imediatamente cria-se uma ponte, estabelece-se uma conexão. Há aqui uma constatação óbvia, mas que muitas vezes é negligenciada: só sabe ensinar quem sabe aprender. Se eu peço a um jovem que me ensine alguma coisa, isso gera não só uma oportunidade para que ele se valorize como também cria uma predisposição para que ele me escute na hora que quero ensinar algo.

Se você quer mesmo saber algo de alguém, não o investigue nem o interrogue. Isso só fará com que a pessoa se sinta pressionada, acuada. Mas, se tem interesse legítimo em conhecer algo, se quer uma resposta sincera, pergunte: “O que você pensa disso?”, pois essa é uma pergunta que pressupõe uma troca. Todo mundo aprende melhor quando há a possibilidade de ensinar alguém. E todo mundo ensina melhor quando há chance de também aprender. Em outras palavras, quando existe uma condição de respeito e de igualdade. E a igualdade, no caso, não é financeira, de classe social nem nada disso. É uma igualdade expressa numa clássica frase do grande educador Paulo Freire, meu mestre: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. As pessoas se educam reciprocamente mediatizados pelo mundo”. Isto é: eu não sou apenas líder, sou também liderado. Não sou apenas chefe, sou também chefiado. Não sou apenas professor, sou também “aprendente”.

Pais e filhos aprendem a sê-los juntos e se ensinam reciprocamente – o pai ensina o filho ao mesmo tempo em que filho vai ensinando o pai a ser pai. A própria relação faz com que um mude o outro. Eis, inclusive, uma

coisa que vale para todas as relações pessoais, o que torna ainda mais curiosa aquela frase em tom de reclamação que todo mundo ouve mais cedo ou mais tarde, aquele fatídico “quando eu te conheci, você não era assim”. Mas é claro que eu não era! Pois quando eu te conheci, eu era “sem você”. E, quando eu me tornei alguém “com você”, passei a ser diferente, pois não sou impermeável à mudança. A convivência traz mudanças. A coerência contínua é sinal de loucura – uma das maiores características da loucura é nunca ter dúvidas, é pensar como faz e fazer como pensa.

Convicção absoluta é loucura plena. Quem não tem dúvida faz sempre do mesmo modo. Quem tem dúvida se inova, se reinventa.

***MÁRIO SÉRGIO CORTELLA

Extraído do livro “O QUE A VIDA ME ENSINOU”.

OUTROS OLHARES

NUDEZ MILIONÁRIA

A rede social OnlyFans ganha adeptos e leva celebridades a embolsar pequenas fortunas com a promessa de conteúdo erótico exclusivo

Nos últimos meses, a rede social britânica OnlyFans se tornou um fenômeno da internet graças a uma estratégia criativa. Apesar de oferecer conteúdo adulto – ou seja, fotos e vídeos eróticos -, ela conseguiu a proeza de ser reconhecida como um site, digamos, sério. Ao mesmo tempo que é possível acessar, mediante o pagamento de uma assinatura, imagens pornô, o usuário encontra aulas de música, dicas de ioga, consultoria de moda e uma série de outras utilidades. Assim, a pessoa que é adepta da rede pode dar a desculpa, para o parceiro ou parceira, que não está ali por causa da nudez, mas sim pelos demais tópicos disponíveis. Outro fator decisivo para o sucesso foi a estratégia de remunerar influenciadores digitais e produtores de conteúdo para que se exponham no site. Eles recebem um valor pelo número de acessos, e podem realmente amealhar pequenas fortunas.

Foi o que ocorreu com a atriz americana Bella Thorne, de 22 anos, conhecida por estrelar produções da Disney e seguida por 24 milhões de pessoas no Instagram. Bella embolsou 2 milhões de dólares menos de uma semana depois de prometer publicar nudes na rede social. Cada assinante pagaria 200 dólares para receber um pacote exclusivo de imagens. Um deles chegou a perguntar se ela estaria realmente nua. “Sem roupas”, respondeu a atriz. Não foi o que aconteceu. Bella, ao contrário do prometido, publicou fotos de biquíni e lingerie, mas evitou a nudez completa. Revoltados, os seguidores começaram a pedir reembolso, o que obrigou a plataforma a mudar algumas regras de uso. As gorjetas, antes sem limite de valor, ficaram estipuladas em, no máximo, 100 dólares. A remuneração paga aos criadores de conteúdo passou a ser mensal, em vez de semanal, como anteriormente. A OnlyFans afirmou que as adaptações já estavam nos planos. Além de Bella, a rapper Cardi B também tem um perfil na plataforma e o site foi citado em uma música da cantora Beyoncé.

No mercado desde 2016, a OnlyFans foi criada na Inglaterra pelo empreendedor Timothy Stokeley. Estima-se que o faturamento da empresa fique entre 90 e 100 milhões de dólares. No ano passado, seu crescimento superou 300%, até chegar à marca de 60 milhões de assinantes. Em nota, a companhia afirmou “que está vivendo forte crescimento na América Latina”, embora não abra informações financeiras. Até o momento, mais de 1,5 bilhão de dólares foram pagos a criadores de conteúdo. “A OnlyFans revolucionou a forma como influenciadores se relacionam com os seus seguidores, ao entregar conteúdo mais rico e autêntico, livre de apoios de marcas, campanhas e comissões de publicidade no YouTube”, disse a empresa.

Após a repercussão negativa com as falsas promessas de nudez, Bella Thome se manifestou publicamente e, é claro, disse que tudo não passou de um mal-entendido: “Quis chamar atenção para o site. Quanto mais gente nele, maior a chance de normalizar os tabus. Ao tentar fazer isso, magoei vocês. Vou me encontrar com a OnlyFans para discutir novas restrições e descobrir o que houve”. Ela, porém, não sem manifestou sobre a possibilidade de devolver os 2 milhões de dólares. Mesmo após a derrapada, a rede não para de crescer: a cada 24 horas, 250.000 novos usuários se cadastram na plataforma. Durante a pandemia, com as opções de entretenimento limitadas às possibilidades dentro de quatro paredes, a plataforma registrou um aumento de 42% na criação de contas. Sites assumidamente pornográficos também tiveram forte expansão durante os meses de confinamento. A nudez, como sempre, é um afrodisíaco para os negócios.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

07 DE OUTUBRO

A BÊNÇÃO DOS FILHOS

Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim [são] os filhos da mocidade (Salmos 127.3,4).

Os filhos não são um peso, mas uma bênção de Deus. São a alegria dos pais e a continuação de sua história na terra. Os versículos mencionados acima trazem algumas figuras importantes. Primeiro, os filhos são a herança de Deus para os pais. Nossa herança não é uma moeda de troca, mas os nossos filhos. Não são coisas, mas pessoas. Não são pessoas estranhas, mas os próprios descendentes. Segundo, os filhos são a recompensa de Deus para os pais. São o galardão de Deus para os pais. Uma família sem filhos perde a continuidade na história. Os filhos vêm como presente e galardão de Deus. Terceiro, os filhos são instrumentos nas mãos de Deus. São como flechas na mão do guerreiro. Essa figura nos sugere três fatos: um guerreiro carrega suas flechas; um guerreiro lança suas flechas para longe; um guerreiro não desperdiça suas flechas, mas as atira num alvo certo. Os pais carregam os filhos na mente, nos sonhos, no bolso, nos braços. São seus provedores. Não criam os filhos para si mesmos. Preparam-nos para a vida. Lançam-nos na direção da vontade de Deus. Os pais não desperdiçam seus filhos, mas os equipam para cumprirem os sonhos de Deus. Felizes são os pais que assim procedem. Felizes são os filhos cujos pais assim agem. Feliz é a igreja que recebe esses pais e filhos. Feliz é a nação que abriga em seu seio hospitaleiro famílias desse jaez.

GESTÃO E CARREIRA

NEGÓCIO NA REDE

Aprenda as dicas de quem entende e faça da sua plataforma social uma ferramenta de empreender

Mesmo com pequena melhora no nível de desemprego – 11;6% no trimestre que fechou em outubro de 2019 – ainda existem 12,4 milhões de pessoas sem emprego no País, além de um crescente aumento nos trabalhos sem carteira assinada, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa hora, a criatividade toma conta e todas as opções passam a ser cogitadas. É o caso da professora Euzinete Vieira. Hoje ela complementa renda como tutora em aulas específicas de duas universidades, e faz bolos caseiros para vender. ”Logo eu vi que não dava só para fazer boca a boca com as vendas. Agora, estou desenvolvendo uma identidade visual para as redes sociais e pensando em cadastrar em plataformas como o iFood. Com uma foto mais bonita que coloquei no Facebook, já recebi várias encomendas. Sem isso, o negócio simplesmente não anda”, conta.

É fato que o marketing digital acabou se tornando um dos investimentos mais importantes de qualquer negócio. Mas é possível ir além e fazer da rede social o próprio negócio? É o caso dos influenciadores digitais, que conseguem engajar milhares de pessoas apenas postando sobre um produto. A questão maior é por onde começar tudo isso. “Os passos são muitos, mas é essencial criar um planejamento anual com agenda de postagens, desenvolvidas por um time que tenha envolvimento real com o tema e que seja consumidor de redes sociais. É muito fácil errar e criar um perfil que mais atrapalha do que ajuda. Às vezes, é uma boa pedir um planejamento semipronto com algum influenciador de sucesso que faça consultoria”, sugere Marimoon, que, além de ser uma das pioneiras no ramo, é apresentadora de TV e já passou por programas de sucesso como Acesso MTV.

Ela começou em 2002, com uma loja on-line para vender produtos relacionados à moda e cultura japonesa. A maneira assertiva como entendeu seu público e seu espaço rendeu uma carreira de sucesso. Hoje, além de seguir com seu trabalho nas redes, está em processo de desenvolvimento de outros novos projetos, um para a televisão e sobre saúde mental e outros para a internet falando sobre viagem e tecnologia, mostrando que estar sempre um passo à frente no quesito tendências é essencial para a área. “Na época que iniciei, por ser um assunto m1uito novo, havia muitas entrevistas sobre o tema e eu virei uma referência presente nessas matérias, sendo até capa da Folha de SP e de revistas que iam de Jovens Empreendedores a Capricho. Acabei indo bem cedo para a grande mídia e saindo da bolha da internet, que na época era um universo ainda bem restrito (é ‘tudo mato’ que fala, né?), até que a MTV me contratou e aí a coisa tomou proporções ainda maiores”, lembra.

Hoje, estar no lugar certo e na hora certa não precisa ser exatamente uma coincidência. O primeiro passo é identificar uma necessidade, um problema que você acredite que possa resolver para alguém, como em qualquer novo negócio. Uma pesquisa de campo sempre é importante, para verificar se a lacuna que você observou de fato faz sentido para um público. O grande pulo é saber se resolver essa questão pelas redes sociais faz sentido,

entendendo se o seu público de fato está ali e engaja o bastante. Sabe-se, por exemplo, que fotos bem feitas de belos pratos de comida engajam bem – o que significa que você, enquanto chef de cozinha, pode ter um bom público no Instagram. Já dicas sobre videogames são um ótimo mote para criar conteúdo no YouTube, e assim por diante. Identificar o objetivo, saber onde está o público, estudar a concorrência e criar conteúdo de qualidade são mais do que dicas, são passos essenciais para um negócio on-line.

SE DANDO BEM NA REDE

O Donuts Damari é uma amostra do que pode ser feito. A loja on-line é 100% baseada no Instagram e foi criada pelas empresárias Carolina Vascen e Mariana Pavesca em 2016, quando elas perceberam que havia um gap no mercado de donuts no Brasil. “O diferencial é um item imprescindível na criação de um novo negócio em um momento em que tudo pode ser feito pela internet, ter algo que o destaque da multidão faz toda a diferença no momento de compra para o consumidor. Além disso, é importante criar uma conexão real entre cliente e marca, onde os dois fiquem do mesmo lado e não se distanciem como se fossem duas coisas opostas”, afirmam.

Nessa fase do comércio digital, elas dizem que a conexão importa como nunca antes, as pessoas que pessoalmente preferem espaço para fazer suas compras, no on-line querem proximidade – até mesmo intimidade com a marca. “Um exemplo muito legal é quando postamos stories sobre nossa produção. Algo que para nós é tão comum deixa os clientes extremamente empolgados e engajados, é como se eles se sentissem parte da empresa, e essa é a chave do sucesso”, revela o casal.

Mesmo assim, ainda há desafios na caminhada. Marimoon atenta que o tal do “fazer sucesso” nos tempos atuais acabou ficando mais complexo – seja pela demanda de concorrência, seja pelas mudanças nas próprias plataformas. “Tem o algoritmo, que é praticamente um jogo cheio de regras que mudam o tempo todo. Saber como ele funciona é um game changer. Tem alguns nichos que, se ainda inexplorados, costumam ser uma boa aposta por render muito engajamento. Às vezes, algo dá certo por que está ligado a temas do momento, mas o uso do tema sem envolvimento real pode virar um tiro no pé, como rola com o pink money (marcas que usam a temática LGBTQ+ para faturar com esse público, mas não estão realmente engajadas na causa). O que me leva à questão da veracidade, que na minha opinião é a mais importante. O público está cada vez mais esperto e consegue sacar quem é autêntico e quem é fake. Trabalhar um tema, associar-se a alguma causa, estar atrelado a questões com significado e importância reais é um diferencial que gera o respeito do público”, completa.

No fim das contas, apesar de fatores como qualidade de imagem, identidade visual bem desenvolvida, análise de público, planejamento de conteúdo e cronograma impactarem diretamente o engajamento dessas plataformas, um conteúdo vazio de personalidade pode derrubar todos os outros tópicos na hora do relatório final. Prova disso é que os micro -influenciadores – aqueles com uma média de dez mil seguidores – conseguem gerar mais conversão de resultados para uma marca do que aqueles com números de muitos dígitos. A pesquisa Influencer Marketing 2019: Benchmark Report mostrou ainda que o Instagram segue como a rede que cresce mais rápido em 2019, além de liberar cada vez mais novas atualizações que permitem um conteúdo diversificado e interativo com diferentes públicos.

Outra plataforma para ficar de olho é o Tik Tok, que permite conteúdos em vídeo e já ultrapassou o próprio Instagram e Facebook em número de downloads.

“Acredito na força dos relacionamentos. Não se vendem mais produtos e serviços. As pessoas consomem sonhos e transformações. O empreendedor precisa conhecer seu público, e a melhor maneira é se relacionando com ele. É necessário criar laços, gerar empatia, credibilidade, e o resultado dessa relação é somente positivo”, reflete a idealizadora do Bellas & Empreendedoras, projeto social de economia colaborativa realizado no bairro da Mooca, em São Paulo, Marcella Porta.

De acordo com ela, digamos que você precise comprar um vestido para ser madrinha de casamento. Pode ir ao shopping, ir à rua de lojas especializadas ou ter uma empreendedora que mora no seu bairro e, às vezes, se encontram na padaria perto de casa, aproveitam e tomam um cafezinho. Ela conta sobre sua loja de vestidos de festas, é sempre muito alegre, gentil, vocês se divertem por alguns minutos e seguem seus caminhos. “Mas de quem você vai se lembrar de consultar sobre o vestido que precisa? Esta é a fórmula do sucesso: construir relacionamentos de verdade, integridade, troca de boas energias, conhecimento e credibilidade. A realização é a consequência. As redes sociais? São as ferramentas que lhe possibilitam tomar o ‘cafezinho’ com milhares de pessoas ao mesmo tempo”, demonstra.

SUA LOJA VAI VENDER MAIS

Engajar é bom. Vender, melhor ainda. As dicas de Marimoon incluem atentar a datas e tendências (assuntos que estão pipocando nas redes e nos grupos), ter uma identidade forte, comunicar com clareza e de modo sucinto suas novidades, fazer uso das ferramentas das plataformas (enquetes, IGTV, chats e outros), responder à clientela com muita agilidade e inteligência (veja a Netflix como um bom exemplo), fazer colaborações com perfis que tenham sintonia com o empreendimento e o público-alvo. Acredito que um dos maiores segredos é agradar o seu público oferecendo algo que seja bom e útil para ele. Por exemplo, patrocinar um projeto que seja do interesse deles, apoiar uma ONG de que eles gostem, patrocinar uma web série de um influenciador que eles acompanhem, criar um evento físico”, elucida.

O instrutor de desenvolvimento de negócios na Udemy, André Bernardo de Oliveira, lembra que é uma pessoa real que está do outro lado da rede social, com anseios, medos, desejos e emoções. “Primeiro, captamos a emoção. Depois, racionalizamos a opção de compra. Dizem que o marketing bem-feito nem parece marketing. Esse é o segredo. Entreter e gerar valor. Um tiro no pé seria querer vender antes de conquistar – falar o tempo todo apenas da sua empresa e do seu produto”, conta.

As empresárias do Donuts Damari concordam, ressaltando que número de seguidores não significa número de clientes. ”É importante ter em mente que você precisa criar uma comunidade em torno do seu negócio, onde você não somente venda seu produto, mas o que ele representa. Quem é o seu cliente ideal? O que ele gosta de fazer, como ele se veste? Crie e trabalhe em cima de uma persona para que não seja mais um na multidão de marcas, e sim conhecido pela essência dela”, explicam.

Criar uma persona não é uma dica metafórica. No seu planejamento, enxergue sua marca como um personagem e coloque as características dele. É fofo? Engraçado? Sério? Quantos anos ele tem? Se ele fosse uma mistura de personalidades conhecidas, quem seriam elas? Visualizar a sua pessoa/ marca faz total diferença.

COMO COMEÇAR

Buscar referencial? é sempre um primeiro passo importante. Além disso, se possível, tenha uma equipe para auxiliar nos planejamentos diários e relatórios de análise. Ter um conteúdo guardado para emergências também é importante, para que a rotina não tenha “buracos”. “Mas a chave de quase todo sucesso on-line é a collab. Fazer parceria com perfis que tenham a ver com o seu projeto é sempre bom por gerar awareness, prestígio, agregar valores e causar mais impacto. Muitos perfis, inclusive, estão buscando parceiros para realizar coisas em conjunto – e um investimento em algo que já está meio caminho andado e que lhe dá acesso a um público que faz sentido pode ser bem mais interessante e custar mais barato do que “contratar uma agência”, acrescenta Marimoon.

Saber para quem você quer vender é outro aspecto importante do processo. A partir daí, realizar pesquisas de público e concorrência, criando uma audiência fiel para quem você consegue gerar valor com consistência e autenticidade. Escolha a rede social que mais atende a suas necessidades, lembrando que a comunicação para cada plataforma é diferente, indo de LinkedIn a Tik Tok. Você até pode reaproveitar conteúdos em cada rede, mas é preciso lapidá-los para cada situação. “Outro passo é elaborar uma estratégia de produção de conteúdo e seguir essa estratégia, formando uma audiência. Vale também separar verba para impulsionar seus melhores conteúdos todos os meses com campanhas de ADs. Isso ajuda a dar mais tração e atingir pessoas que o orgânico ainda não alcançou”, completa Oliveira.

Como qualquer negócio, é preciso equilibrar expectativa e realidade, além de fazer funcionar com estratégia e trabalho.  “Vejo muitas marcas temerosas, comprando, por exemplo, uma foto no feed e três stories dos influenciadores ao invés de se envolver ou patrocinar um projeto legal que ele já tenha embaixo do braço, pronto para funcionar. Há muita gente na internet com projetos ótimos, mas que estão engavetados por falta de orçamento. Custam mais caro do que uma sequência pequena de postagens, mas geram impacto e engajamento bem maior. Sinto que as marcas, especialmente pelo momento econômico que vivemos, têm muito receio de investir. Mas, neste momento em que todos estão na internet, vai se sobressair quem for esperto e souber investir”, comenta Marimoon.

As tendências ficam por conta de projetos com propósitos reais e úteis para a sociedade, principalmente relacionadas à sustentabilidade – sempre respeitando a veracidade do tema para os valores da empresa e tomando cuidado com temas e palavras mal colocados. Oliveira ressalta ainda que conteúdos como podcasts e audiobooks têm ganhado bastante espaço, além das buscas por voz.

“Quando começamos a Donuts Damari, pegamos R$100 e fomos ao mercado comprar os ingredientes necessários para produzir. Esse valor retornou praticamente meio milhão ao ano. Financeiramente, comece algo que não vá levar você à falência, faça testes. Se não der certo, tenta de novo e por aí vai. Qualquer negócio que você investe muito dinheiro e não sabe nem o que está fazendo não anda para a frente. Na área comercial, o que realmente importa é você investir em algo que saiba fazer e faça com vontade”, completam as sócias da marca.

FAÇA DAR CERTO

São três os pilares que auxiliam o empreendedor:

1. AGREGAR MUITO VALOR.

Não adianta só postar por postar. Tem que entender realmente o que sua empresa pode entregar de melhor para ajudar as outras pessoas de forma gratuita. Sem colocar foco na intenção de venda.

2. POSTAR PERIODICAMENTE E COM CONSISTÊNCIA.

Garantir volume de conteúdo, garantir que sua audiência saiba o que esperar da sua empresa.

3. QUEBRAR O PADRÃO, POSTAR CONTEÚDO DIFERENCIADO.

Tem muita distração nas redes sociais. A melhor alternativa para ser visto é fazer algo bem diferente da concorrência. Ser engraçado, inusitado, apelar para o emocional.

ANOTA AÍ

•  SEJA CLARO EM RELAÇÃO AO QUE VOCÊ VENDE. Repita nos seus posts e stories sobre seu processo de compra e como funciona a logística. Não é tão simples fazer com que todo mundo entenda tudo logo de cara.

•  TENHA CONEXÃO. Seja uma marca acessível, converse com seus clientes, compartilhe seus processos.

•  PUBLIQUE BOAS FOTOS. Se você trabalha com roupas, mostre pessoas usando, se com doce, poste coberturas e recheios – transmita a essência da sua marca. Mas lembre­ se: utilizar fotos de produtos que não são seus diminui a credibilidade e pode causar problemas legais

•  SEJA GENUÍNO E VERDADEIRO. O perfil precisa inspirar confiança.

ONDE ESTÁ QUEM NAS REDES?

PRÉ-ADOLESCENTES: TikTok + YouTube + Snapchat

ADOLESCENTES + JOVENS ADULTOS: Instagram + Twitter

ADULTOS E IDOSOS: Facebook

JOVENS ADULTOS E IDOSOS COM FOCO EM CARREIRA: Linkedln

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DESVENDANDO A PSICOPATIA – IV

LOBO EM PELE DE CORDEIRO

Embora pareçam inofensivas, crianças também podem apresentar características do transtorno de personalidade antissocial

Desrespeitar as regras estabelecidas pelos pais ou professores, maltratar animais, brigar com colegas da escola, mentir com frequência, colocar a culpa das suas ações em outras pessoas … Estas são algumas das atitudes de “psicopatas mirins”. Entretanto, o diagnóstico só é dado aos 18 anos, pois, até essa idade, os pequenos ainda não têm a personalidade totalmente formada. “Pode simplesmente haver um transtorno de conduta que pode caminhar ou não para um transtorno antissocial no futuro. Portanto, é recomendada uma avaliação profissional o quanto antes, caso haja suspeita”, explica o psicólogo Luciano Passianotto.

QUAL A ORIGEM?

De acordo com o psicólogo Flávio To!1’ecillas, não se sabe ao certo a origem e a causado transtorno. “Tantos os fatores genéticos quanto os fatores neurobiológicos podem estar implicados tanto na evolução quanto no desenvolvimento da doença”, explica. Os fatores ambientais também podem contribuir quando, por exemplo, há negligência dos pais e conflitos no ambiente familiar, além dos abusos físicos, verbais e sexuais. Assim, a vulnerabilidade do indivíduo aumenta.

Diferente de outras patologias, “não há evidências de uso de medicamentos na infância aumentando o risco para o transtorno”, acrescenta o psiquiatra Claudinei Biazoli. Entretanto, “outra possibilidade é a desnutrição. Crianças de três a 17 anos, que vivenciaram mal nutrição, mostram mais agressividade e atividade motora maior”, explica a neuropsicóloga Renata Alves Paes. Assim, apresentam mais probabilidade de desenvolver algum transtorno de conduta.

PEQUENOS MALVADOS

Até os sete anos de idade, toda criança pratica um pouco de maldade. Isso faz parte do desenvolvimento pois, até essa fase, os pequenos não tomaram a consciência total do que é permitido ou não. Ao longo dos anos, eles adquirem conhecimentos do seu ambiente e começam a se comportar conforme as regras sociais e culturais do local em que vivem. Dessa maneira, “crianças expostas a situações de abuso ou violência têm exemplos claros de ferramentas que elas podem adicionar a seu repertório para realizar seus desejos, reproduzindo facilmente comportamentos inadequados”, elucida Passianotto.

Ainda de acordo com o psicólogo, não há um padrão de comportamento, mas algumas pistas que apontam para a necessidade de procurar um especialista. Além disso, desde a infância, os pequenos desenvolvem habilidades para acobertar suas práticas.

DE OLHO DESDE CEDO

Segundo a psicóloga Cristiane Martin, os pais devem estar sempre atentos ao comportamento de seus filhos. Antes de dar o laudo, “é de fundamental importância que as avaliações sejam feitas por uma equipe multidisciplinar, com médicos (neurologista e psiquiatra), psicólogos e assistentes sociais. A partir dessas avaliações, teremos condições de fazer um diagnóstico mais preciso e não apenas rotular a criança”, acrescenta Martin.

Mesmo assim, segundo Passianotto, “quanto antes houver intervenção, maiores são as chances de a criança ter os efeitos desse transtorno diminuídos”. Por isso, é preciso que os responsáveis estejam sempre de olhos bem abertos para atitudes estranhas.

IDENTIFICANDO

Segundo o psicólogo Cristiane Martin, geralmente, os traços de comportamento indicativos de transtornos de conduta, em crianças e adolescentes, são:

• Comportamento irresponsável, explorador e insensível;

• Colocar a culpa nos outros;

• Baixa tolerância à frustração.

• Estabelecer relacionamentos, porém não manter vínculos por muito tempo;

• Não respeitar normas, regras e obrigações sociais;

• Presença de mentiras em todas as histórias;

• Falta de solidariedade;

• Cometer atos de vandalismo, sem a menor culpa;

• Maltratar, torturar e até matar animais;

• Serem altamente egocêntricos.