EU ACHO …

APRENDENDO A SER HUMANO

SOBREVIVENCIA COMUM

A humanidade conseguiu sobreviver até hoje com a capacidade detrabalhar junto. A ideia de “cada um por si e Deus por todos”, ou “o acaso que nos proteja” pode ser uma possibilidade em tempos de águas mais calmas. Em tempos de tempestade, é preciso lançar mão da nossa possibilidade de colaborar

DE MÃOS DADAS

Quando nos encontramos em impasses muito fortes, temos a necessidade de conexão. Quando precisamos pensar que ninguém larga a mão de ninguém – mas ninguém segura a mão de ninguem, pela proteção -, refletir sobre a cooperação é uma forma de ter na vida uma jornada que não seja traumática.

PARA CHEGAR MAIS LONGE

Um ditado de alguns países da África diz “Se quiser ir apenas rápido, vá sozinho. Mas, se quiser ir também longe, vá com alguém”. Isso vale para uma caminhada, para cozinhar, para estudar. Acompanhados, temos mais condição.

REVERENCIA A VIDA

Otimismo tem a ver com gratidão à existência ou o que eu chamo de reverência à vida. E a possibilidade de imaginar que a vida é uma dádiva, um mistério. Diante do que é complexo, mas não uma impossibilidade, há caminhos para não se deixar abater. Pessimismo é incapacidade de enxergar alternativas. Não carrego em mim essa amargura

A ESCOLHA DE UM CAMINHO

Não se trata de ingenuidade. Diante de dificuldades já se dizia ou senta e chora ou levanta e enfrenta. Eu pretiro chorar caminhando e seguindo. Não abandono as lágrimas em alguns momentos, mas elas não são capazes de me sufocar. Prefiro acender uma vela a amaldiçoar a escuridão.

COMO LIDAR COM AS ENCRENCAS

A nossa caminhada não deixa de ter coisas que são danosas encrencas. Se eu me puser nesse momento dizendo “está tudo bem”, “vamos viver o momento”, “é a vida”, estou sendo alienado. É necessário que a gente tome providências, que a gente se junte, que a gente não desista.

INÉDITO VIÁVEL

O que não é ainda, mas pode ser é uma utopia. E aquilo que Paulo Freire chamava de inédito viável. Outra forma é chamá-lo de sonho. Há pessoas que entendem utopia como perda de tempo. Eu costumo dizer para quem não tem sonhos: que pena, já foi derrotado.

CHAVE E O OUTRO

O segredo da vida, em geral, é a biodiversidade. Diversidade é patrimônio, não é encargo. É a outra pessoa que me alerta, que me faz enxergar outros olhares, especialmente a pessoa que não necessariamente concorda comigo.

APRENDER A CONVERSAR

Neutralidade é uma impossibilidade na comunicação. O que se pode buscar é a objetividade. O primeiro passo é ter clareza do que em mim pode ser preconceito. Isso ficando nítido, posso me aproximar de quem tem outros conceitos com generosidade.

ÚNICOS E ÚNICAS

Não há ninguém como eu, ou como você, no universo. Cada um é único ou única. Mas atenção: eu sou único, mas não sou o único. Tal como sou, outras pessoas o são. Se queremos caminhar juntas e juntos temos de lidar exatamente com essa diversidade.

MÁRIO SÉRGIO CORTELLA – é professor, escritor e filósofo. Acaba de lançar pelo selo Littera, da editora 3DEA, o livro A Diversidade.

OUTROS OLHARES

INFLUENCERS IMUNIZADOS

O avanço dos testes da vacina contra a Covid-19 no país faz aumentar o debate sobre a eficácia do tratamento e voluntários se tornam influenciadores nas redes sociais

A anestesista carioca Bárbara Pinto, de 45 anos, nem tinha tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19 quando começou a receber ligações de vizinhos pedindo que “não entrasse no estudo”. Ao interfone, eles alardeavam medos e inseguranças. Antecipadamente, sentenciavam a ineficácia do imunizante em teste e afirmavam que a médica seria responsável por “contaminar outras pessoas do prédio”. Bárbara ainda nem tinha contado aos mais próximos sobre o assunto quando, diante da confusão, resolveu tornar pública a experiência de cobaia. “Era tanta desinformação que resolvi, quando tomei a dose, expor a experiência nas redes sociais, mostrando a seriedade do processo e os protocolos de segurança para combater fake news que se espalham”, disse a anestesista.

Bárbara não se vê como influenciadora digital, mas faz de suas redes um canal para se posicionar no debate virtual. Num ambiente polarizado, onde a discussão sobre a pandemia virou palco político, ela, ao lado de outros profissionais de saúde que se apresentaram como voluntários para tomar uma das quatro vacinas em teste no Brasil, abriram seus perfis pessoais para tentar influenciar com informações sobre o avanço da pesquisa no país.

O reumatologista Fábio Jennings, de 47 anos, voluntário do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, fez de seu Instagram um balcão para tirar dúvidas. No dia 2 de setembro, ele publicou uma foto logo depois de tomar a segunda dose. Nos comentários, questionado, explicou que a primeira injeção causou dor por alguns dias, mas que não teve outras reações.

Outra seguidora quis saber se estava tendo o efeito esperado. Ele respondeu que os resultados preliminares eram animadores. O médico ainda alertou sobre a necessidade de manter os cuidados de prevenção, mesmo depois de participar do teste. “A maior parte das pessoas nem sabe como o ensaio clínico funciona, não sabe do grupo de controle, acha que quem tomou a vacina está protegido. Eu posso não estar imunizado”, explicou o reumatologista. Ele vai ficar mais dois anos sendo acompanhado por pesquisadores para a análise dos efeitos a longo prazo.

Quando Oxford suspendeu os testes em razão de uma suspeita de reação adversa grave em um voluntário no Reino Unido, Jennings foi às redes desmistificar o problema. Ele fez postagens esclarecendo como funcionam os ensaios clínicos e como a transparência em relação a essa reação é importante. Em uma das imagens, ele explicou que a fase 3 é um processo fundamental exatamente por mostrar que efeitos podem ter as vacinas quando aplicadas em grandes grupos, mas ponderou que a reação do paciente no Reino Unido foi pontual e era “até esperada”. “Eles analisaram as predisposições dos voluntários e perceberam que aquele efeito adverso estava dentro do escopo dos procedimentos de tantas outras vacinas. Há sempre um pequeno número de pessoas que serão afetadas, mas elas estavam dentro do grupo estatístico esperado. A transparência deles me fez mais confiante no processo, pois percebemos, como cientistas, o comprometimento com a informação ao público”, disse. Os testes com o imunizante inglês foram retomados nesta semana depois que os pesquisadores não identificaram uma relação direta com a vacina.

Tomar ou não a vacina chinesa, russa, do político A ou do político B tem impulsionado o debate nas redes e influenciado Bárbara, Jennings e outros profissionais de saúde a relatarem suas experiências e se tornarem influencers informais da vacina. “É importante que especialistas em saúde estejam dispostos a participar do debate on-line e publiquem conteúdo informativo, analítico, esclarecedor e desmentidos”, afirmou Tatiana Dourado, pesquisadora da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV DAPP).

Em Ribeirão Preto, analistas ligados à União Pró-Vacina (UPVacina), um grupo de instituições que têm relações com a Universidade de São Paulo (USP), identificaram um aumento de 383% em postagens com conteúdo falso ou distorcido sobre vacinas contra a Covid-19 no Facebook entre março e julho deste ano. Um outro estudo, conduzido pelo site Avaaz, mostrou que seis em cada dez internautas receberam algum tipo de fake news pelo WhatsApp durante a pandemia no país. “Há duas formas de impedir que esses conteúdos falsos se disseminem tão rapidamente. Uma são os mecanismos de controle das próprias plataformas, que de fato vêm sendo expandidos e ficando mais eficientes, mas que ainda não são o suficiente. A outra é aumentar o número de informações verídicas e comprovadas cientificamente nas redes, com conteúdo produzido por especialistas”, afirmou o pesquisador Gregório Fonseca, que estuda o comportamento de vídeos sobre vacina em redes sociais desde 2018 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A velocidade de propagação e engajamento de conteúdos falsos ligados às vacinas e a outros tratamentos de saúde foi quatro vezes maior do que a de informações provenientes de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, de acordo com um estudo global realizado pelo grupo Avaaz nos últimos dois anos. No Brasil, o impacto da desinformação foi constatado em uma pesquisa do Ibope de agosto. O levantamento mostra que um de cada quatro entrevistados não sabe se vai tomar a vacina, caso aprovada.

Hoje, no país, quatro estão na fase de testes. Além da imunizante de Oxford, há a chinesa Coronavac, a americana produzida pela Pfizer-Wyeth e uma europeia em desenvolvimento pela Johnson & Johnson. A russa Sputnik V poderá ser a quinta autorizada pela Anvisa. Antes mesmo de os testes começarem, nos últimos sete dias, a frase “a vacina russa é segura” foi a sexta mais pesquisada na plataforma no Brasil, quando usuários pesquisavam sobre o termo “vacina”.

Um dos voluntários da vacina com maior número de seguidores é o psiquiatra Arthur Danila, de 32 anos. Ele é um dos 9 mil voluntários da vacina que vem sendo desenvolvida pela China. O médico postou uma foto recebendo uma das doses no último dia 4. Imediatamente, parte dos 16 mil seguidores interagiram com ele. “Como pesquisador, fiquei positivamente surpreso com os protocolos de segurança da vacina e, por isso, resolvi fazer o post. Tomei os cuidados para passar apenas as informações já comprovadas cientificamente, porém, tenho receio de que os medos infundados da população possam levar a uma baixa adesão à vacina e a gente não consiga evitar novos surtos” afirmou Danila.

O engajamento desses novos influencers não tem restrições, de acordo com os responsáveis pelos testes consultados. Em caso de abuso ou irregularidades, pode haver fiscalização por entidades de classe, como o Conselho Federal de Medicina (CFM). O manual de ética da entidade médica restringe fazer publicidade ou divulgar, fora do meio científico, “processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”. “É preciso cautela”, avaliou o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM/PR), Roberto Issamu Yosida.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

03 DE OUTUBRO

FALTA PÃO NA CASA DO PÃO

Nos dias em que julgavam os juízes, houve fome na terra… (Rute 1.1a).

Era o tempo dos juízes, um período de instabilidade política e apostasia religiosa. Belém da Judeia, a casa do pão, fora visitada pela fome e faltou pão na casa do pão. A família de Noemi, em vez de enfrentar a crise e esperar a visitação de Deus, mudou-se de Belém para Moabe, uma terra idólatra. Ali buscavam a sobrevivência, mas encontraram a morte. Ali morreram o marido de Noemi e seus dois filhos. Ela ficou só, viúva, velha, pobre e desamparada em terra estrangeira. A igreja é a casa do pão. Muitas vezes tem faltado pão na igreja. Os fornos estão frios, e as prateleiras, vazias. Os famintos vêm, mas não encontram pão com fartura. Temos receita de pão, mas não pão. Falamos aos famintos que no passado houve abundância de pão, mas as memórias do passado não podem aliviar a dor da fome. A solução, porém, não é sair da casa do pão nos tempos de crise, mas buscar a Deus para visitar novamente o seu povo. A fuga para Moabe tem um preço muito alto. Moabe tirará de você seu casamento, seus filhos, sua vida. Sair da igreja para o mundo em busca de pão que satisfaça a alma é loucura. Precisamos orar para que Deus visite sua casa, trazendo pão com fartura para seu povo. Quando houver em Moabe um rumor de que Deus se lembrou do seu povo, dando-lhe pão, os pródigos voltarão a Belém, e não voltarão sozinhos. Trarão consigo aqueles que dirão: … o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus (v. 16).

GESTÃO E CARREIRA

O MELHOR CEP PARA LUCRAR

O primeiro passo antes de instalar uma unidade ou começar um novo negócio é saber quais são as cidades fora do eixo RJ – SP que se destacam

Os seus planos já dizem: você quer abrir uma franquia. Se no ápice da crise econômica isso foi uma “válvula de escape” para quem foi pego de surpresa pelo desemprego, agora, com os primeiros sinais – mesmo que leves – de retomada do crescimento, pode ser o momento de urna guinada ainda maior.

No entanto, além de decidir o tipo de franquia ou qual forma de negócio, o mais importante é escolher corretamente a cidade onde investir. Afinal, esse é o primeiro passo e o que pode ser decisivo para o futuro da empresa.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF) aponta que as cidades fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo foram as que mais cresceram em número de unidades e de franquias.

Cuiabá, capital do Mato Grosso, é um exemplo disso. Registrou 20% de variação positiva de 2018 para 2019 (de 534 para 642 operações). Saltou do 29° lugar para o 1° no ranking das 30 cidades com maior crescimento. Tudo motivado pela abertura de diversos shoppings centers.

Já sobre as redes, outras duas não capitais também se destacaram: Guarulhos (SP) e Londrina (PR) assumem o topo da lista de cidades com mais redes instaladas. Regiões metropolitanas e cidades de médio porte, portanto, têm se destacado positivamente – e a tendência é que isso continue por mais algum tempo, segundo a ABE. “São cidades e regiões que normalmente possuem infraestrutura melhor e mais ampla, fluxo e equipamentos.

Em época de retornada do crescimento econômico, a questão da análise de risco e custo-benefício faz que essas cidades e regiões tenham maior preferência junto a novos investidores em franquias”, explica o CEO da Aurélio Luz Franchising & Varejo, Márcio Tadeu Aurélio.

E aqui tanto faz se uma cidade está inserida em um contexto de região metropolitana ou se opera de forma isolada. “As regiões metropolitanas se destacam por alguns fatores, como quantidade populacional, renda per capita, PIB, economia, divisão de lucros, riquezas, os segmentos e as necessidades de cada cidade, seja ela industrial ou com mais necessidades de serviços”, afirma o diretor executivo e operacional da Franchise4u, feira de baixo custo que reúne franqueadores e interessados em abrir franquias, Ricardo Branco.

O executivo aponta alguns exemplos dos dois tipos de municípios: Campinas (SP), inserida em uma região metropolitana (RM) com 20 cidades, considerada polo industrial do estado, e São José do Rio Preto (SP), que não está inserida em nenhuma RM, mas que tem apresentado crescimento expressivo no atendimento às demandas de municípios vizinhos.

CAMINHOS PARECIDOS

O estudo da ABF mostra um caminho parecido. Campinas é a única cidade não capital no ranking das dez cidades que têm maior número de franquias, e Rio Preto é a quinta colocada no ranking de variação. Aqui também se destaca Sorocaba (SP), líder de uma região metropolitana com 27 cidades, em terceiro lugar. ”Abrir uma franquia fora de Rio de Janeiro e São Paulo é bem mais confortável atualmente. No interior, os custos, a concorrência e o investimento em marketing, só para citar alguns pontos, são bem menores”, conta o sócio -fundador da Rockfeller Language Center, André Belz. A ideia da empresa é se instalar em municípios do interior das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul.

VALE ANALISAR

Para a gestora de expansão e novos negócios da rede de franquias Morana, Márcia Ucha, é preciso pensar um pilar antes de iniciar qualquer investimento. “A análise tem que levar em conta a lucratividade líquida sobre o faturamento; a rentabilidade sobre o investimento; e o retorno do investimento, o pay back”, detalha. A ideia da rede que a executiva representa é abrir franquias em Três Lagoas (MS), além das capitais Aracaju (SE), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ).

E será que existe diferença do perfil de franqueado do interior e da capital? Para muitos empresários, não. André Belz acredita que a gestão adequada é fundamental para que um negócio tenha sucesso, em qualquer situação. “O franqueado ou franqueador precisa ter em mente que nos grandes centros há um nível maior de exigência por parte do cliente, maior necessidade de profissionalização das pessoas, e, na maioria das vezes, a necessidade de mais capital para investimento inicial e capital de giro, ou seja, o risco aumenta um pouco”,  pondera.

NOS MÍNIMOS DETALHES

Para quem deseja abrir um negócio ­ seja inovador ou não, o estudo tem que ser minucioso. Desde dados geográficos, obtidos no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como os perfis sociocultural e econômico. Mas também há alguns dados mais curiosos.

Mareio Tadeu Aurélio, da Aurélio Luz Franchising & Varejo, conta que quando a criação de “petshops móveis” estava em alta, a empresa teve que coletar os mais variados dados possíveis, desde a quantidade de cachorros por habitante até classe social, sexo e tipo de residência dos tutores. Com tudo isso, foi possível determinar qual era o potencial de mercado para uma franquia na região avaliada. “Devemos avaliar se o mix de produtos ou serviços que a franquia oferece não é um modismo passageiro, a estrutura de suporte da franqueadora e a cultura da sociedade local, principalmente se for uma franquia inovadora”, acrescenta. Ricardo Branco cita outro detalhe que precisa ser levado em conta: o clima, especialmente para quem quer trabalhar com produtos sensíveis às condições do tempo, como chocolates, por exemplo.

Não acaba por aí. ”O relacionamento com o cliente também é importante. Por isso, é bom que a pessoa que deseja ser franqueadora tenha fortes raízes na região onde pretende operar”, conclui o CEO da SEDA Intercâmbios, Helicon Alvares.

E, se o momento está favorável ao investimento, um lugar para tentar buscar mais informações é a feira Franchise4u. O evento chega em 2020 com a expectativa de realizar 23 feiras em 22 cidades (em São Paulo serão dois dias). Na lista constam cidades do interior, como Campinas (SP), Santo André (SP) e Ribeirão Preto (SP), mas também capitais ”estreantes”, caso de Campo Grande (MS), São Luís (MA) e Natal (RN). Porém, o foco não é apenas nas sedes, mas sim em um raio que abranja municípios próximos como forma de atender a uma demanda que eventualmente precise ser suprida.

4 FRANQUIAS QUE ESTÃO DE OLHO ALÉM DO EIXO RIO-SP

MORANA

No segmento de joias e acessórios, desde 2012 a empresa tem procurado formas de diversificar as operações. Tanto que prevê apenas para o ano que vem a instalação de uma unidade no Rio de Janeiro. Márcia Ucha considera que essa é uma tendência normal, mas faz uma análise sobre as expectativas de cada franqueado. “Muitas vezes, candidatos de cidades maiores vêm com uma expectativa de faturamento e lucratividade muito maior do que o custo que a cidade (principalmente relacionado à locação e quadro de colaboradores) pode oferecer. Já quem vem de municípios menores acabam muitas vezes se surpreendendo com o resultado em função do menor custo operacional”, detalha.

RAIO -X:

FUNDAÇÃO: 2002 • INÍCIO NO FRANCHISING: 2002 • NÚMERO DE UNIDADES PRÓPRIAS: 2 • NÚMERO DE UNIDADES FRANQUEADAS: 276 • INVESTIMENTO INICIAL: Morana Tradicional –  R$ 380 mil / Morana Light – R$230 mil • TAXA DE FRANQUIA: R$40 mil • CAPITAL DE GIRO: R$30 mil • ROYALTIES: Incluso no produto • TAXA DE PUBLICIDADE: 3% sobre o faturamento   • FATURAMENTO BRUTO DA UNIDADE: Morana Tradicional –  R$90 mil / Morana Light – R$45 mil • LUCRO LÍQUIDO DA UNIDADE: dado não informado pela rede • RETORNO DO INVESTIMENTO: de 10% a 20% sobre o faturamento • E-MAIL: marcia.ucha@grupoornatus.comSITE: www.morana.com.br

ROCKFELLER LANGUAGE CENTER

Fundada em 2004 para atender a um segmento que tem imensa demanda de educação de idiomas, a empresa tem mais de 60 franqueados espalhados fora do eixo Rio-São Paulo.

André Belz considera isso uma grande vantagem, já que a demanda nessas cidades tem se mostrado à altura. “Temos uma unidade em uma cidade de 18 mil habitantes em Santa Catarina e que vai muito bem. O franqueado já tá abrindo uma segunda unidade em uma cidade vizinha, com 30 mil habitantes”, cita.

RAIO-X:

FUNDAÇÃO: 2004 • INÍCIO NO FRANCHISING: 2006 • NÚMERO DE UNIDADES PRÓPRIAS: 1 • NÚMERO DE UNIDADES FRANQUEADAS: 64 • INVESTIMENTO INICIAL: a partir de R$110 mil • TAXA DE FRANQUIA: a partir de R$ 15 mil • CAPITAL DE GIRO: média de R$20 a R$40 mil ROYALTIES: O • TAXA DE PUBLICIDADE: O• FATURAMENTO BRUTO DA UNIDADE: aproximadamente 100 mil • LUCRO LÍQUIDO DA UNIDADE: lucratividade média de 30% • PRAZO DE RETORNO DO INVESTIMENTO: até 20 meses • E-MAIL: expansão1@rockfellerbrasil.com.br • SITE: rockfeller.com.br/seja-franqueado

YES

Fundada em 1972, entrou há 13 anos no mercado de franchising atendendo a uma demanda de mercado por escolas de idiomas. Forte no Centro-Oeste, a ideia é que a empesa se expanda para o Nordeste (Salvador, Recife, São Luiz estão na “mira”). Sediada no Rio de Janeiro, a distância é algo a superar. “Por isso, trabalhamos na elaboração de processos, um planejamento detalhado. “Temos uma consultoria constante que atua ao lado do franqueado”, explica.

RAIO-X:

FUNDAÇÃO: 1972 • INÍCIO NO FRANCHISING: 2006 • Número de unidades PRÓPRIAS: 10 • NÚMERO DE UNIDADES FRANQUEADAS: 170 • INVESTIMENTO INICIAL: a partir de R$96 mil • TAXA DE FRANQUIA: de R$12 mil a R$25 mil • CAPITAL DE GIRO:  de R$18 mil a R$40 mil • ROYALTIES: isento • TAXA DE PUBLICIDADE: isento • FATURAMENTO BRUTO DA UNIDADE: média de R$48 mil/mês • LUCRO LÍQUIDO DA UNIDADE: média de 30% • PRAZO DE RETORNO DO INVESTIMENTO: média de 18 a 36 meses • E­MAIL: franqueadora @yes.com.br • SITE: http://www.yes:com.br

SEDA INTERCÂMBIOS

Criada em 2014, a agência de intercâmbios tem uma escola em Dublin, na Irlanda, e já levou mais de 5 mil estudantes para estudar lá fora. Hoje, além da unidade na capital paulista, tem também uma em Sorocaba (SP).

Helicon Alvares afirma que, mesmo com um investimento alto, é possível ter oportunidades em cidades menores. Por isso, foi criado um modelo móbile em que o franqueado pode trabalhar de casa. “Neste modelo, o investimento é de R$7,5 mil e permite ao franqueado trabalhar de casa e até conciliar a atividade com um emprego fixo graças à tecnologia”, explica. O CEO considera que a paixão e o comprometimento do franqueado, aliado a todo estudo feito para implantação de uma nova loja, determinam o sucesso da empresa.

RAIO-X:

FUNDAÇÃO: 2014 • INÍCIO NO FRANCHISING: 2019 • NÚMERO DE UNIDADES PRÓPRIAS: 2 • NÚMERO DE UNIDADES FRANQUEADAS: 2 • INVESTIMENTO INICIAL: de R$7,5 mil a R$100 mil • TAXA DE FRANQUIA: de R$7,5 mil a R$50 mil • CAPITAL DE GIRO: de R$500 a R$$25 mil • ROYALTIES: não cobra • TAXA DE PUBLICIDADE: de R$50 a R$450 por mês • FATURAMENTO BRUTO DA UNIDADE: R$15O mil • LUCRO LÍQUIDO DA UNIDADE: de 10 % a 20% • PRAZO DE RETORNO DO INVESTIMENTO: de 3 a 15 meses • E-MAIL: expansao@sedaintercambios.com.br • SITE: www.franquiasdaintercambios.com.br

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MUITO ALÉM DA ESTÉTICA

Consolidado pela capacidade de eliminar rugas sem bisturi e para crises de enxaqueca, o Botox agora é estudado para o tratamento de depressão – e com sucesso

Há trinta anos, quando o casal de médicos canadenses Alastair e Jean Carruthers notou em seus consultórios que a toxina botulínica, o Botox, usada então para controlar espasmos faciais também suavizava as rugas da pele, o mundo nunca mais foi o mesmo. O composto tornou-se um estrondoso sucesso nas clínicas dermatológicas. Hoje, apenas no Brasil, 300.000 mulheres e homens recorrem ao produto, todos os anos, para disfarçar as marcas da idade. Recentemente, o Botox ganhou bem-sucedido espaço em áreas da medicina distantes da estética, como no tratamento da enxaqueca. A toxina bloqueia a liberação de neurotransmissores associados com a origem da dor, diminuindo sua frequência e intensidade. Pois ao lidar com dores de cabeça severas, os pesquisadores descobriram uma nova e promissora utilidade para a substância: ela também combate a depressão.

Pesquisas demonstram que a toxina tem efeito antidepressivo quando aplicada entre as sobrancelhas. Parece esquisito, mas foram realizados exames de ressonância magnética que confirmaram a tese. Quando as pessoas são incapazes de fazer expressões faciais de raiva (o Botox reduz o estímulo muscular), há menos atividade na amígdala, uma região cerebral associada ao controle da ansiedade e à resposta para o medo. Se uma pessoa não pode franzir a testa, o cérebro não registra um sentimento negativo, portanto.

Uma outra explicação baseia-se no (princípio de que emoções negativas como medo, raiva e tristeza estão relacionadas à ativação de músculos específicos da parte superior da face. As injeções de Botox dificultam os movimentos da face para expressões negativas, como o franzir da testa quando há chateações. Uma expressão mais leve deflagra contrapartidas de sociabilidade, atalho para melhora nas emoções, de forma involuntária e espontânea.

Um novíssimo trabalho foi além e mostrou que a toxina pode funcionar no trato do mau humor químico mesmo nas aplicações em diversas áreas do corpo. Conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos EUA, o estudo analisou o efeito do composto em 40.000 pessoas que receberam as injeções por oito motivos diferentes. Entre eles, enxaqueca, estética, torcicolo e excesso de suor nas axilas. Os dados, obtidos de uma base da FDA, a agência reguladora de medicamentos americana, que reúne relatos de efeitos adversos associados à tratamentos, foram comparados com os de pessoas que se submeteram a terapias diversas para as mesmas condições. Aquelas que receberam a substância corriam risco significativamente menor de depressão (veja abaixo). Diz o psiquiatra Rodrigo de Almeida Ramos, diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas: “O estudo aumentou o potencial de inclusão do Botox no rol de tratamentos para serem usados na depressão.”

Há ainda vasto campo de investigação, e é preciso cautela. Entre as possibilidades analisadas está o fato de a substância ajudar na remoção da tensão muscular do organismo, onde quer que seja aplicada – sintoma comum na depressão. Outra hipótese, fascinante em sua simplicidade, está associada ao bem-estar gerado pela resolução de problemas crônicos. “Tudo o que alivia a dor ou aumenta a autoconfiança e a autoestima traz uma sensação de bem-estar e prazer”, diz a dermatologista Adriana Vilarinho. E a vaidade dá as mãos à saúde.