EU ACHO …

O MUNDO SERÁ 5G

As conexões 3G democratizaram o acesso às redes. O 4G ofereceu mais entretenimento e programas de mobilidade urbana. Mas nada se compara à nova era que começa agora

A imaginação é uma das mais valiosas características da civilização. Fonte de ideias e catalisadora da criatividade, permite ao ser humano ver além do tempo presente, vislumbrar e até mesmo criar o futuro. Pensando nisso, proponho aqui um exercício de reflexão: como você imagina que a tecnologia impactará sua rotina nos próximos dez anos? Em poucos segundos, sua imaginação oferecerá uma série de possibilidades para responder a essa pergunta. E, posso assegurar, a materialização de grande parte dessas ideias está intrinsecamente conectada a dois pontos: o aprimoramento e a expansão da rede 5G.

Para projetarmos o futuro, é indispensável um olhar atento ao presente. Com a intensificação da integração entre pessoas e tecnologia que vem ocorrendo nos últimos meses, é nítida a necessidade de desenvolvimento de plataformas capazes de oferecer mais velocidade, suporte a múltiplos usuários simultaneamente, sem perda de desempenho, e maior nível de confiabilidade, sempre levando em consideração as particularidades de privacidade e segurança de dados.

Nas gerações anteriores de conexão, o 3G teve papel fundamental na democratização do uso da internet móvel, facilitando a navegação em redes, o acesso a e-mails e o compartilhamento de fotos. O 4G, por sua vez, possibilitou a criação de novos serviços relacionados a mobilidade urbana, delivery e elevou o nível de entretenimento em dispositivos móveis, com plataformas de streaming de vídeo e áudio. Nada disso, porém, se compara ao que o 5G pode proporcionar.

Em constante evolução, o 5G é um pilar de transformação do mundo como o conhecemos. Por meio de sua capacidade de conexão e congruência com o conceito de Internet das Coisas, impactará diversos setores da indústria, como saúde, construção civil, mobilidade urbana, agronegócio, logística e telefonia. Modificará a arquitetura das cidades, casas e economia. Mais do que isso: mudará nossa vida.

A rede 5G é peça-chave na construção de veículos autônomos, fortalecendo a inteligência artificial (IA), gerando informações em tempo real e diminuindo o tempo de reação de acordo com cada situação. Na telemedicina, o 5G viabilizará a realização de alguns procedimentos mesmo com o médico a quilômetros de distância do paciente. Modelos de empresas, escritórios e fluxos de trabalho serão repensados. Além de otimizar as indústrias existentes, o 5G contribuirá para o surgimento de novos modelos de negócio e formas de relacionamento.

Um dos pontos mais relevantes do 5Gserá, justamente, a potencialização do desenvolvimento de dispositivos convergentes ao conceito de Internet das Coisas. Cada vez mais produtos, dos mais variados tipos, passarão a operar on-line, criando, assim, uma grande rede integrada. Casas automatizadas ganharão ainda mais força, com os equipamentos eletrônicos conectados a um único sistema, desde o smartphone até a televisão, o notebook, o refrigerador, o aspirador, o ar-condicionado e a lavadora.

Grandes companhias em todo o mundo já estão voltando seus investimentos para o desenvolvimento de soluções com base no 5G. A Samsung assumiu uma posição de liderança na busca pela ampliação de produtos que sejam integrados à nova rede. De acordo com estudo conduzido pela Universidade Técnica de Berlim e pela IPlytics, divulgado em janeiro deste ano, a empresa é a que mais registrou patentes para 5G no mundo (2.633), com diversas aplicações, inclusive, já existentes em equipamentos como smartphones. A implementação da rede 5G e a tangibilização de produtos que tenham o 5G como ponto central serão graduais, assim como ocorre com as principais e mais inovadoras tecnologias disponibilizadas no mercado. Em um primeiro momento, a mudança mais evidente será em atividades comuns do cotidiano, potencializadas pelo substancial aumento da velocidade de conexão e pelo nível de desempenho de dispositivos com essa rede de conexão.

Nos países em que a rede 5G começou a ser implementada, como Coreia do Sul, Estados Unidos, Emirados Árabes e Alemanha, já é evidente o avanço na comunicação e nas opções de entretenimento, por exemplo. A alta velocidade e o nível de performance garantem urna conexão estável e imagens de alta qualidade em videoconferências. O aumento da capacidade de desempenho melhora a experiência de consumir e baixar conteúdo em plataformas de streaming de vídeo. Oferece, também, a possibilidade de que as pessoas desfrutem, no smartphone, mais qualidade e variedade de games, que antes eram disponibilizados apenas em consoles ou computadores.

Na América Latina, a expectativa é que, conforme a rede 5G seja expandida, os países da região, principalmente Brasil e México, que estão entre as nações em que a população mais utiliza a internet no mundo, tenham essa tecnologia como ponto central do contínuo desenvolvimento social, diminuindo as barreiras de acesso à educação e saúde de qualidade. Pois, além de otimizar as indústrias existentes, contribuirá para o surgimento de novos modelos de negócio e formatos de relacionamento. E essa, talvez, seja uma das principais razões pelas quais eu acredito que sua implantação possa vir a ser mais rápida que as gerações de conexão anteriores.

O momento atual reforça um caminho sem volta, uma estrada inescapável já inaugurada: o futuro exigirá uma integração ainda mais ampla e acelerada entre humanidade e tecnologia. Mais do que isso, essa valorosa união será benéfica ao criar mais oportunidades e integração entre famílias e culturas, que estarão a apenas um clique de distância, e ao vencer os desafios que aparecerão no caminho da humanidade, proporcionando uma qualidade de vida superior. Afinal, a tecnologia deve sempre estar a serviço das pessoas.

**MÁRIO LAFFITTE – é vice-presidente de Relações Institucionais da Samsung na América Latina

OUTROS OLHARES

SUCESSOS DA QUARENTENA

A pandemia criou novos hábitos de consumo: o maior tempo em casa fez com que produtos como cadeiras e pijamas virassem campeões das vendas online

É difícil imaginar que um dia pijamas e quebra-cabeças seriam os itens com maior crescimento nas buscas do Google, mas aconteceu. Junto às fritadeiras elétricas, cadeiras de escritório, pantufas e aspiradores de pó, esses produtos são os maiores objetos de desejo da quarentena. Se não há festas, por que comprar um vestido? Para o especialista em consumo Renato Meirelles, responsável pelo Instituto Locomotiva, entidade que analisa padrões de comportamento e compra, o processo de escolhas é natural. “No início, as pessoas compraram o que era prático e necessário”, diz Meirelles. “A importância dada a um produto, porém, é diferente entre as camadas sociais. Há moradias na favela que valorizam TVs de alta de definição, porque são fontes de entretenimento nesse período.”

PANTUFAS E MOLETONS

O professor universitário Tiago Andrade aproveitou a quarentena para realizar uma mudança radical em seu apartamento. “Nas primeiras semanas, dei aulas online na mesa da cozinha. Quando vi que o vírus veio para ficar, percebi que precisava montar uma estação de trabalho melhor.” Tiago comprou um computador novo, uma mesa e uma cadeira “gamer”, modelo voltado para quem passa longas jornadas na frente da tela. “Essas cadeiras são ideias para quem passa horas jogando videogame. Tem ajustes até para o pescoço”, afirma o professor, que chega a ficar mais de 46 horas sentado à frente do computador por semana.

Segundo o Google Trends, plataforma que analisa os termos mais buscados no Google, os quebra-cabeças tiveram um aumento de 150% nas buscas em maio, algo inédito até em datas como Natal e Dia das Crianças. A estudante Giovana Cassoni, de 17 anos, aproveitou as férias para montar quatro quebra-cabeças. Adquiriu ainda um kit complementar, com tapete imantado e potes organizadores para as peças. “Montar quebra-cabeças foi bom para passar o tempo, além de ser tranquilizante. Também me ajudou a ter uma pequena meta a ser cumprida”, diz Giovana.

Antes da pandemia, as reuniões da assessora de comunicação Amanda Rinaldi com clientes exigiam um figurino elegante. Hoje, passando mais tempo em casa, ela investiu em roupas confortáveis. “Comprei três pijamas e dois casacos de moletom”, diz Amanda. Com aumento de 500% nas buscas na quarentena, o pijama virou a peça mais querida do guarda-roupa.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 19 DE SETEMBRO

MEMÓRIAS QUE TRAZEM ESPERANÇA

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança (Lamentações 3.21).

Jeremias foi testemunha ocular da destruição de Jerusalém. Viu a cidade cercada pelos inimigos e saqueada de suas riquezas. Viu o templo queimado e o povo passado ao fio da espada. Houve pranto e dor; gemidos e lamentos. Os velhos eram pisados pelas botas dos soldados caldeus, e as crianças eram arrastadas pelas ruas como lama. As jovens eram forçadas, e as mães choravam por seus filhos. O quadro era de total desolação. O profeta chorou amargamente essa realidade sofrida. Chegou, porém, um momento em que ele resolveu estancar no peito sua dor. Deixou de alimentar sua alma de absinto e buscou nos arquivos da memória aquilo que lhe poderia dar esperança. Jeremias tomou a decisão de recomeçar. Aqueles que alimentam a alma apenas com lembranças amargas adoecem. Aqueles que não se libertam do passado e não colocam o pé na estrada do recomeço acabam sendo vencidos pela mágoa. Como Jeremias, é importante tomar uma decisão: trazer à nossa memória aquilo que nos pode dar esperança. A única esperança que temos é a mesma que consolou Jeremias: As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha  porção  é o  SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele (Lamentações 3.22- 24).

GESTÃO E CARREIRA

A BELEZA SEGUNDO JESUS

Empresário carioca Daniel Fonseca de Jesus, que fundou a Niely e a vendeu para a L’Oréal, deve superar R$ 100 milhões em vendas neste ano com sua nova empresa, a Duty Cosméticos.

Quando a fabricante brasileira de cosméticos Niely foi vendida para a francesa L’Oréal, em 2014, muitos imaginavam que o fundador da maior empresa de produtos de beleza para pele e cabelo afro, Daniel Fonseca de Jesus, se tornaria um nome fora no cenário em pouco tempo. Com R$ 1 bilhão no bolso, porém, ele decidiu começar de novo, e investiu R$ 200 milhões para lançar sua nova marca, a Duty Cosméticos. Assim, Jesus voltou ao promissor mercado nacional da beleza – e tem conseguido multiplicar seus resultados.

Com atenção voltada aos cabelos das mulheres das classes C e D, a companhia, sob gestão da filha, Danielle de Jesus, comercializa produtos para coloração, além de xampus e condicionadores, e calcula faturar R$ 100 milhões em 2020. O foco inicial está nos pontos de venda de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “O Brasil tem dimensões continentais e um mercado consumidor enorme que busca novidade, qualidade e preço justo. Estamos expandindo e vamos levar a marca para todos os cantos do País. Com o nosso e-commerce, já entregamos de Norte a Sul”, diz a vice-presidente Danielle, em entrevista à DINHEIRO.

A herdeira e empresária tem se mostrado satisfeita com a resposta dos consumidores aos produtos da empresa, apesar do curto tempo nas prateleiras – a comercialização começou em outubro, um mês após a apresentação da marca ao setor. “Estamos muito felizes com a aceitação do mercado. Sabemos que o ramo de cosméticos é maduro, com grandes marcas consolidadas. Conseguimos abrir os principais clientes do mercado conforme nosso plano de distribuição para 2019. Também batemos nossa meta de vendas no e-commerce”, afirma ela, sem revelar números.

Para a vice-presidente, a experiência do pai no ramo e a aposta da Duty nas classes C e D da população são essenciais para o fortalecimento da marca no País. “Daniel de Jesus possui anos de experiência no mercado, chegando a conquistar marcas inéditas no setor de cosméticos com uma empresa nacional e familiar”, diz ela, destacando os maiores legados de seu pai, como o conhecimento da consumidora brasileira e, principalmente, relacionamento com a malha de clientes de perfumaria, distribuidores, atacado e varejo. “A aposta nas camadas C e D se dá por causa da realidade no nosso País, onde a grande maioria da população se encontra nessas classes. É uma forma de chegar a todo o Brasil levando produtos de qualidade e a preço justo.”

MERCADO

O avanço da Duty no mercado brasileiro de cosméticos se dá em momento de transformações no ramo, que registrou crescimento real de apenas 0,69% em 2019. Para 2020, se estima avanço de 1,54%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec). Aquisições ou fusões estão entre as estratégias traçadas pelas empresas para ampliar mercado e conquistar consumidores. A compra da Avon Products pela Natura &Co, no ano passado, aqueceu o setor, que já há alguns meses acompanha as negociações para comercialização da francesa Coty, dona de marcas como Monange, Risqué e Bozzano. A empresa prevê faturar entre US$ 8 bilhões (R$ 33 bilhões) e US$ 9 bilhões (R$ 37,1 bilhões) com as vendas da divisão de produtos profissionais para cabelo e unha, como Wella e Clairol, e da operação brasileira. Meta é reduzir dívida líquida de US$ 7,4 bilhões (R$ 30,5 bilhões), além de simplificar a estrutura.

O Grupo Boticário está entre os interessados no ativo da Coty, a exemplo do empresário Daniel de Jesus. Danielle, no entanto, não confirma a informação, mas admite futuras aquisições. “A Duty, no momento, está focada em desenvolver suas marcas próprias, mas tendo o objetivo de ser uma grande empresa de beleza. Porém, não descartamos a possibilidade de adquirir empresas do mercado”, afirma.

A empresa tem fortes aliados em busca da expansão. O empresário Jorge Paulo Lemann e os sócios Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira compraram participação na Duty Cosméticos ainda em 2019. Fatia adquirida e quantia desembolsada não foram reveladas pelas partes. “Temos contrato de confidencialidade com nossos sócios”, afirma a vice-presidente.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ELOGIO PODE, SIM, SER DEMAIS

A ciência mostra que enaltecer o tempo todo as conquistas e qualidades dos filhos tem o efeito de despregá-los da realidade e levar à insegurança e à aversão ao risco

Sai uma geração, entra outra e o debate sobre o ponto de equilíbrio entre o liberal e o severo na educação dos filhos segue firme. Cada família, imersa em sua própria cultura e modo de enxergar o mundo, envereda por uma trilha, num processo quase que intuitivo, à base de tentativa e erro. Mas já há boa ciência acumulada nesse terreno – um conhecimento capaz de derramar luz sobre os dilemas vividos por qualquer pai ou mãe e lhes dar algum norte sobre como agir. Uma nova frente de pesquisas vem se atendo a uma questão central, que atormenta progenitores de todo o planeta: até que ponto elogiar a criançada? Pois a conclusão colide com o velho ditado “Elogio nunca é demais” e sustenta que o excesso de manifestações positivas pode, sim, atrapalhar.

Uma das constatações a que os estudiosos chegaram reforça a ideia de que enaltecer o tempo todo os pequenos tende a gerar grandes bolhas, dentro das quais eles se percebem livres de defeitos e predestinados ao sucesso, conceitos naturalmente distorcidos. Outro efeito colateral do elogio em demasia é desencadear um ciclo movido a pressão, em que os filhos ficam constantemente tentando fazer frente às imensas expectativas depositadas neles. “Muitas vezes, avaliações generosas e abundantes sobre a habilidade da criança alimentam nela uma elevada ansiedade para corresponder”, frisa o holandês Eddie Brummelman, coautor de uma das relevantes pesquisas sobre o tema, liderada pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Ele e os colegas alertam ainda sobre um desdobramento na vida adulta daqueles que sempre recebem nota 10 dos pais (mesmo quando não merecem). “O choque de realidade pode levar à insegurança e à dificuldade de lidar com o fracasso. E a tendência acaba sendo a opção por caminhos mais fáceis com o objetivo de alcançar a sensação de vitória a qualquer custo”, diz Brummelman.

Capitaneada pela especialista Carol Dweck, autora do best-seller A Nova Psicologia do Sucesso, a pesquisa de Stanford mergulhou de forma qualitativa em um universo de 400 estudantes, entre 11 e 12 anos. De um lado, ficou a turma que recebia frequentes elogios de pais e professores acerca de suas notas e intelecto, e, do outro, um grupo exaltado pelo esforço envolvido na aquisição de saber na escola. Com todo o rigor científico, descobriu-se que aqueles que haviam sido sistematicamente valorizados pelo empenho se tornaram alunos mais interessados e abertos a desafios do que os que se acreditavam “brilhantes” – estes revelavam mais nervosismo antes das provas e preferiam explorar questões simples às mais complexas.

A ciência pode ajudar a tornar menos intuitivo o árduo exercício da maternidade, para o qual, como se sabe, não há gabarito. Pedagoga e também mãe, Maya Eigenmann, 33 anos, aprendeu a pisar no freio nos rasgados elogios que tecia à prole. “Fazia festa a cada pequena conquista, pois achava que essa era a melhor forma de incentivar e de demonstrar amor”, conta ela, que tem os filhos Luca, 5 anos, e Nina, 3, com quem vive na Inglaterra. Maya, que é adepta das teses de Dweck, acha que a mudança de rota funcionou: “Parei de celebrar tudo e sinto que hoje eles são mais independentes, demandando menos aplausos”, diz.

A ascensão do elogio como ferramenta para a educação data da década de 70, quando se popularizou nas universidades americanas o movimento “autoestima positiva”, em contraposição a uma rigidez então percebida como limitadora para o livre pensar. Daí nasceu a ideia, que viria a proliferar, de que professores e pais deveriam dar retornos favoráveis à turma jovem, como um estímulo para que eles não desistissem dos estudos. Esses novos ares foram ventilados também no ambiente familiar, logo suscitando correntes contrárias – e até hoje vivas – que se arvoram contra o que chamam de “aplauso tóxico”. Em 2010, o polêmico Grito de Guerra da Mãe Tigre, da escritora americana descendente de filipina Amy Chua, trouxe à baila, mais uma vez e com grande estrondo, a questão da disciplina na criação dos filhos, que fervorosamente defende – incluindo penalidades para os que não fazem a sua parte. Foi torpedeada por muita gente, mas propôs uma essencial reflexão sobre o equilíbrio na formação das novas gerações.

Outra que sacolejou o debate foi a americana Pamela Druckerman, que se mudou para Paris e percebeu no modo de educar francês um misto de autoridade e autonomia capaz de, segundo ela, produzir seres menos dependentes e mimados. Seu best-seller Crianças Francesas Não Fazem Manha concluiu que a chave estava em traçar limites sólidos, envolver as crianças na rotina da casa e jamais tornar a maternidade ou a paternidade o trabalho número 1 na vida de um adulto. Isso tudo não exclui o elogio quando ele bem couber. “Nunca reconhecer conquistas ou uma melhora de atitude descamba para o excesso oposto, podendo causar baixa autoestima”, pondera a psicóloga Ana Lídia Zerbinatti, ressaltando que aplauso tem hora e lugar (veja o quadro abaixo). Mãe de um quarteto, a professora Daniela Mazzarella, 33 anos, diz que tenta eleger de maneira racional o momento certo de bater palmas. “Aplaudo, principalmente, quando o resultado de meus filhos inclui uma mudança de postura”, explica ela, ciente de que não há resposta certa. Na dúvida, vale o bom senso: nunca exagere.

ENCORAJAR SEM ESTRAGAR

5 dicas para alcançar o tão delicado equilíbrio na educação dos filhos