EU ACHO …

DINHEIRO EMPRESTADO

Na quarentena, cuidado para não perder a grana e os amigos

Empréstimo, quem gosta de pagar? Quantia pequena nem se fala. O devedor reage: “Você vai me cobrar essa miséria?”. Quando eu tinha 20 anos, passei uma temporada nos Estados Unidos. Até me surpreendi quando alguém me devolveu 2 dólares. Lá, não importa a quantia. Empréstimo é empréstimo. Na quarentena, os pedidos explodiram. Mesmo com a flexibilização, muitos negócios não voltaram a ser como antes – e talvez não voltem nunca. A situação é difícil. Mas muitos já pediam antes do isolamento social. Um amigo, certa vez, precisava muito resolver uma emergência, nem me lembro qual. Ajudei. Passaram-se os anos. No Instagram, vi posts de suas viagens, na Bahia no Carnaval, em Trancoso no verão. Agora houve um corte em sua empresa. Vou salvar a situação de novo? Generosidade não é burrice. O pior é quando o calote assume o papel de justiça social. “Você não precisa” – é um mantra que sempre ouvi dos devedores. Quando cobro, sou acusado de mesquinharia. Surgem comentários entre os amigos.

Eu já emprestei bastante, até ajudei um amigo a fazer um curso. Prometeu que, quando arrumasse emprego, devolveria tudo. Nem um centavo. Agora, na pandemia, crise em seu trabalho. Pediu-me um empréstimo mensal, para quitar aluguel, supermercado…Sem deixar cair o nível de vida. Respondi a ele que empréstimo mensal não dá. Ofendeu-se. Caloteiro se ofende fácil. Nunca foi tão válido o velho ditado: “Quando se empresta dinheiro, perdem-se o dinheiro e o amigo”.

Há dois anos, um deles me ligou de madrugada. Tinha batido o carro em outro veículo, era culpado, estava sem seguro. Tinha emprego, carro… Avisei-o que teria uma responsabilidade: se não me pagasse, nunca mais eu emprestaria dinheiro a ninguém. Estaria prejudicando os outros no futuro. Em lágrimas, a pessoa me agradeceu. Bem mais tarde, saiu do emprego, vendeu seu carro, viajou… E nada! Foi uma lição.

Outra modalidade é o empréstimo de cartão. Uma funcionária deu o próprio para a melhor amiga comprar um eletrodoméstico a crédito. A tal amiga sumiu, óbvio. Da amizade, sobraram as prestações. Pior foi aquele que emprestou o nome. Primeiro, para a irmã montar uma empresa. Ela faliu. Depois de uma temporada no exterior, ele pediu um novo cartão no banco. Não conseguiu. Nome sujo. A irmã não encerrara o negócio, nem pagara o imposto de renda de anos. Gastou uma grana para resolver. Novamente, tentou o cartão de crédito. Ainda bloqueado. Muito antes, tinha emprestado o nome à namorada para financiar um carro. Ela não só não pagara, como devolvera o veículo. Este foi leiloado. Mas não quitou a dívida, que continuou rolando. Juros e juros. O rapaz teve de pagar tudo, e nem carro tinha para compensar. E se lamenta: “Se ela já estava com o nome sujo, qual a lógica de emprestar o meu?”.

Caia na real: quem tem o hábito de pedir empréstimo, seja de grana, seja do nome, não gosta de pagar. A quarentena está difícil? Quer ser generoso? Faça uma doação. Pelo menos você não vai passar pelo stress de brigar para receber.

*** WALCYR CARRASCO

OUTROS OLHARES

MEU GALPÃO, MINHA VIDA

A pandemia provocou inédito aumento de procura pelos self storages, como são chamados os espaços para guardar objetos pessoais e estoques de empresas

O isolamento social provocado pelo novo coronavírus afetou a forma como as pessoas e as empresas ocupam espaços. Áreas de convivência familiar passaram a ser usadas para as aulas dos filhos e o trabalho dos pais. Com a desaceleração abrupta da economia, escritórios e comércios viram o movimento cair e muitos tiveram de migrar para lugares menores. Ao mesmo tempo, outras atividades aproveitaram as mudanças de comportamento para adequar os negócios à crescente demanda pelo comércio eletrônico, o que obrigou grandes e pequenos varejistas a recorrer a locais específicos para estocar e distribuir mercadorias com agilidade. O novo cenário criou o ambiente perfeito para o avanço dos self storages. O conceito surgiu nos Estados Unidos na década de 60, mas apenas nos últimos anos se profissionalizou a ponto de atrair investimentos. Agora, virou febre. Para quem não conhece, os self storages são galpões onde é possível alugar boxes – que vão de 1 a 200 metros quadrados. Os usos são os mais variados: podem servir para guardar o berço aposentado até o estoque de cosméticos vendidos pela internet.

Fernanda Orbite, 40 anos, consultora de vendas do setor farmacêutico, se mudou há dois anos com a filha Lara, de 4, para a casa da mãe, que na época se recuperava de uma cirurgia. Ela optou por alugar seu imóvel e parte da mudança foi parar em um self storage. Com a pandemia, foi preciso fazer um novo ajuste na área do apartamento para que Lara assistisse às aulas pelo computador e Fernanda pudesse trabalhar em casa. “Só mantenho comigo o que realmente preciso usar”, diz. “Guardo de tudo, de aquecedor a impressora, além de brinquedos e roupas que não uso”. O boxe da consultora de vendas de São Paulo tem 3 metros quadrados e não lembra em nada os antigos e empoeirados guarda-móveis. O acesso é com senha e é possível chegar de carro até as docas para descarregar os volumes.

Os números confirmam a expansão do setor. Uma recente pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Self Storage (Asbrass), realizada pela consultoria Brain, mostra que, na comparação entre o primeiro e segundo trimestre do ano, o total de boxes no país subiu de 69.445 para 79.300. Com mais clientes, houve uma pressão nos preços. O valor médio do aluguel mensal do metro quadrado passou de 94 reais para 99 reais. “Com a pandemia e a necessidade de isolamento social, as pessoas estão buscando mais espaço em casa”, diz Rafael Cohen, presidente da Asbrasss. “Além disso, muitas empresas entregaram seus escritórios depois de migrar para o home office.”

O crescimento também vem sendo puxado pelas vendas do e-commerce. Concentrados nas maiores cidades do país, os galpões têm avançado para regiões centrais, o que torna o serviço de armazenamento uma espécie de extensão dos centros de distribuição. Com isso, as empresas conseguem descentralizar seus estoques e reduzir prazo de entrega dos pedidos. Maior companhia do setor, a GuardeAqui Self Storage, com 25 pontos, detectou uma disparada na procura por boxes. No primeiro semestre, o número de novas locações aumentou 33%, em comparação aos primeiros seis meses de 2019. Mariane Wiederkehr, CEO do GuardeAqui, conta que a demanda maior vem de contratos assinados por pessoas físicas, mas que o atendimento a empresas tem aumentado. “O self storage passou a ser uma extensão da casa e também atende ao novo mercado de trabalho”, diz a executiva.

Não à toa, as companhias do setor têm atraído um volume expressivo de recursos. O GuardeAqui recebeu nos últimos anos aportes do Pátria Investimentos e da Equity International. Outra empresa do ramo, a GoodStorage captou 300 milhões de dólares no mercado. Na GoodStorage, o processo de contratação do espaço é on-line e o acesso aos galpões é feito por senhas e biometria. Segundo o fundador Thiago Cordeiro, a pandemia impulsionou a procura em cerca de 20%. Apesar de o maior volume de negócios ainda vir de pessoa física, Cordeiro acredita que os pequenos empresários que voltarem seus empreendimentos para o comércio eletrônico deverão aderir a esse tipo de armazenamento. “Com o crescimento do e-commerce, as entregas aumentaram muito, o que foi facilitado pela quantidade menor de veículos em circulação durante a pandemia”, diz o executivo. Como será quando o tráfego voltar ao normal? “As empresas e as pessoas vão precisar de espaços pulverizados pelas cidades para diminuir o tempo de entrega dos pedidos, e é aí que nós entramos”, diz o presidente da companhia. Tudo indica, portanto, que o bom e velho quartinho da bagunça ficará definitivamente para trás.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 16 DE SETEMBRO

RENDIÇÃO, UMA NECESSIDADE IMEDIATA

Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará (Salmos 37.5).

A Segunda Guerra Mundial estava chegando ao fim. Era o ano de 1945. Hiroshima e Nagasaki haviam sido varridas do mapa pelo poder da bomba atômica. Os países do eixo, Alemanha, Itália e Japão, estavam derrotados. O presidente norte-americano e o primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchil, desembarcaram em Tóquio, a fim que Hiroíto, o imperador japonês, assinasse o tratado de rendição. O imperador disse: “Eu assino o tratado, mas tenho algumas exigências a fazer”. Churchil respondeu com firmeza: “Não aceitamos exigências nem condições. Primeiro assine o tratado de rendição, depois reconstruiremos o Japão”. É assim que Deus faz conosco também. Não podemos exigir nada dele. Primeiro, nós nos rendemos a seus pés e depois ele restaura nossa vida. Não há esperança para o pecador enquanto ele não se render aos pés do Salvador. Não há cura para nossas feridas enquanto não nos curvamos diante daquele que tem o bálsamo de Gileade. Não há esperança para nossa alma a menos que nos prostremos diante daquele que é poderoso para perdoar, restaurar e salvar. Deus resiste ao soberbo, mas dá graças ao humilde. Somente aqueles que se ajoelham diante de Jesus, o Rei dos reis, poderão ficar de pé no Dia do Juízo final.

GESTÃO E CARREIRA

SALVAÇÃO OU ARMADILHA?

Quem abre um negócio por necessidade costuma sofrer com a alta carga emocional e com o despreparo para gerir uma empresa. Saiba como se preparar para empreender com segurança

Quando Kelli Carretoni, de 36 anos, e o marido, Marcos Senise, de 35, decidiram sair de Sidrolândia (MS) para recomeçar a vida em Florianópolis (SC) imaginaram que seria fácil abrir um food truck e se sustentar vendendo lanches. Desempregados, eles estavam morando de favor com a família havia seis meses quando decidiram arrumar as malas em agosto de 2018. Como já haviam visitado a ilha catarinense durante as férias de verão, pensaram que a multidão de turistas significaria sucesso garantido.

Mas a realidade do inverno em que chegaram à cidade foi bem diferente. Além de custos com locação e manutenção do trailer, o casal teria de arcar com alvará de funcionamento – e, também, com o aluguel de apartamento e todos os outros custos de vida. As contas não fechavam. “Decidimos recuar do nosso projeto inicial. Ficamos apavorados, pois tínhamos muitas despesas, o dinheiro estava indo embora e o desespero bateu”, diz Kelli. O sonho de ter um food truck durou apenas dois dias. Marcos começou a procurar emprego em lojas e restaurantes de Florianópolis. Apesar de carregar um diploma universitário de agronomia, ele não teve sucesso em sua área. Para piorar a situação, Kelli passou por um problema na coluna que exigiu repouso, internação e medicamentos – o que tornou a situação financeira do casal ainda mais preocupante. Foi então que tiveram a ideia de fazer bolos no pote para vender no comércio e na praia. Advogada de formação, Kelli sempre gostou de preparar doces e ficou encarregada. da produção, enquanto Marcos cuidava das vendas. Ele havia conseguido um emprego de vendedor durante o horário comercial e saía para vender bolos após o expediente. Depois de dez meses empregado, Marcos foi demitido e passou a se dedicar integralmente ao negócio. Com muito esforço, saíram do vermelho e hoje conseguem pagar todas as contas com os doces. A história poderia ter terminado mal, mas eles tiveram sorte. Em seu segundo verão na ilha, o casal está se preparando para formalizar a empresa e já sonha em abrir uma loja própria.

PURA NECESSIDADE

Histórias como a desse casal estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil – e não é porque o brasileiro se descobriu como empreendedor. O enfraquecimento da atividade econômica e o avanço do desemprego nos últimos anos são dois dos fatores que têm levado cada vez mais pessoas a abrir um negócio por necessidade.

Uma pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostrou que a taxa de empreendedorismo no Brasil está crescendo rapidamente, chegando a 38% em 2018, o equivalente a 52 milhões de pessoas. E, dos que abriram um negócio, 37,5% o fizeram por necessidade. A abertura de empresas que se enquadram no MEI (microempreendedor individual) também é um indicativo dessa tendência: de janeiro a outubro de 2019, o Brasil ganhou 1,5 milhão de novos microempreendedores, alcançando um total de 9,2 milhões. Com o registro, os empresários cujo faturamento chega a até 81.000 reais por ano podem ter CNPJ e emitir notas fiscais, além de ter acesso a direitos previdenciários e a auxílio-maternidade. “Há muita gente que não tem opção no trabalho formal e consegue no MEI um caminho para se formalizar e estar no mercado de trabalho”, afirma o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

COM EMOÇÃO

Se empreender por oportunidade já é desafiador, empreender por necessidade é ainda pior. Segundo especialistas, quem abre um negócio por não encontrar uma alternativa de renda costuma sofrer mais riscos de fracassar porque a carga emocional é muito mais intensa e tende a impactar a qualidade das decisões. “São muitas camadas de emoção envolvidas junto com um nível de conhecimento quase zero. As pessoas nessa situação ficam desesperadas porque o dinheiro nem sempre vem rápido”, afirma Marina Proença, especialista em marketing e criadora do curso Empreenda Simples.

Ao mesmo tempo, não há as mesmas garantias oferecidas por um emprego de carteira assinada, como fundo de garantia, férias remuneradas e 13º salário. Segundo Sandro Magaldi, fundador da startup Meu­ sucesso.com, que atua com educação empreendedora, a instabilidade dos rendimentos aliada a essas condições é um dos fatores mais desafiadores. “Empreender é sinônimo de risco. A segurança não é a mesma quando se tem uma ocupação formal”, afirma.

Outro ponto de atenção é a pressa para retirar uma renda de seu negócio, o que não permite que a empresa receba os investimentos necessários ao longo do tempo. “Esses ingredientes formam um bolo perigoso”, afirma Rubens Massa, professor no Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV Eaesp.

Em muitos casos, é preciso encontrar alternativas de renda até o negócio começar a dar certo. Foi o que fez Kênia Nazaro, de 33 anos. Formada em arquitetura, ela teve dificuldade para encontrar um emprego na área quando se formou em 2014. “O Brasil já estava em crise e meu mercado tinha quase chegado ao fundo do poço”, diz. Em vez de esperar por uma vaga, ela decidiu entrar em ação e começar a atuar por conta própria. “Precisava de dinheiro e também valorizar a graduação que eu fiz”, afirma. Com a marca Nazario Arquitetura, criou um perfil no Facebook com seu portfólio e, com dinheiro emprestado de sua mãe, imprimiu 5.000 panfletos para divulgar o negócio. Alguns meses depois, conseguiu o primeiro cliente. “Ele sabia que eu era inexperiente, mas decidiu arriscar”, diz. A clientela demorou a crescer e, até o início de 2018, Kênia precisou diversificar seu leque de atuação. Além de projetos de arquitetura, ela locava equipamentos recreativos para festas infantis. “Eu ficava por meses sem clientes e, para poder pagar as contas, comecei a alugar esses brinquedos”, diz. Agora, graças ao forte trabalho de divulgação nas redes sociais e na internet, Kênia conseguiu consolidar seu negócio de arquitetura. “O Instagram e o Facebook me dão clientes. Cheguei a um ponto em que eu não preciso mais ficar pagando para fazer propaganda porque os próprios clientes me indicam a outros”, diz a arquiteta, que está pensando em contratar um estagiário para ajudá-la.

PLANEJAMENTO É A CHAVE

Para quem está pensando em empreender por não encontrar mais nenhuma opção, a dica é buscar informação e pla11ejar o máximo possível antes de começar. Cursos gratuitos do Sebrae e informações disponíveis na internet são uma ótima alternativa para quem não tem dinheiro para investir em capacitação. Estar em contato com outros empreendedores também é uma boa ideia, seja por meio da internet, seja em feiras e eventos.

É essencial formular um modelo de negócios levando em conta o que a empresa vai fazer, quem será o cliente, como será o relacionamento com esse público, quais serão as principais atividades e os parceiros, assim como custos e receitas. “É preciso dar um primeiro passo e pesquisar”, diz Marina. Caso contrário, o risco de trabalhar muito e não ganhar dinheiro é alto. Também é importante considerar como seu negócio vai se diferenciar da concorrência, oferecendo produtos inovadores ou lançando mão de campanhas de marketing originais. “Se não souber responder qual dor você cura, nem comece”, afirma Pedro Superti, especialista em marketing de diferenciação.

Esse planejamento faz parte da história de Beatriz Carvalho, de 27 anos. Jornalista que nunca conseguiu atuar na área, ela criou, em 2017, o projeto Mulheres de Frente, que tem como objetivo usar a internet como ferramenta de empoderamento de mulheres da periferia da cidade do Rio de Janeiro. A ideia é ensiná-las a usar as redes sociais como ferramenta de trabalho. “As mulheres da favela são muito estigmatizadas pelo machismo e pelo racismo, e isso me incomodava muito”, diz. Para ajudar a mudar essa realidade, Beatriz oferece consultoria em mídias sociais, produção de eventos e também realiza workshops e oficinas presenciais em áreas carentes. Com isso, ela ajuda empreendedoras a divulgar seus produtos e serviços na internet de forma positiva, servindo de inspiração para outras mulheres.

Para tirar o negócio do papel, Beatriz precisou criar uma rede de contatos na região metropolitana do Rio. Sua principal fonte de negócio são as organizações não governamentais (ONGs) que atuam nessa região. “Procuro oferecer ajuda para eventos que elas realizam, e assim vou criando uma rede de contatos”, conta. Grupos de mensagens e participação em coletivos feministas também têm ajudado Beatriz em sua jornada empreendedora.

Em meados de 2017, o projeto foi mapeado pela Rede Favela Sustentável, da ONG Comunidades Catalisadoras. Em 2019, passou a fazer parte de uma incubadora de outra ONG, a Asplande. Na incubadora, Beatriz está aprendendo sobre modelo de negócios, marketing digital e gestão de negócios. “Esse mapeamento tem me dado mais visibilidade e um networking muito importante”, conta. No mesmo ano, ela se registrou como MEI para poder emitir notas fiscais. No longo prazo, sua intenção é levar o Mulheres de Frente para outros estados do Brasil e até para o exterior. Da necessidade pode ter surgido um grande projeto de vida.

POR QUE SER O PRÓPRIO PATRÃO?

A abertura de uma empresa é baseada na oportunidade ou na pura necessidade de conseguir renda. Veja como andaram essas duas motivações ao longo dos últimos anos

10 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR DE SUCESSO

1. É atento a mercado e aposta em inovação

2. Dedica tempo ao planejamento

3. É resiliente e focado

4. Consegue manter a calma apesar das turbulências

5. Procura maneiras de se diferenciar da concorrência

6. Sabe quem é seu público-alvo

7. Tem clareza de receitas e custos

8. Entende que empreender é um processo

9. Não desiste se a primeira ideia não der certo

10. Gosta de aprender

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POR QUE FIZ ISSO?

Estudos científicos mostram que não estamos totalmente no controle de nossas atitudes

Você já se pegou pensando por que fez uma pergunta em um momento importuno? Ou então, por qual motivo comprou aquele livro que jamais foi folheado? Todo mundo já teve algum desejo, medo ou ideia que surgiu sem se saber bem como e de onde. Essas atitudes podem ter sido influenciadas pela manifestação do inconsciente, que atua sobre nossa mente o tempo todo, seja enquanto dormimos ou estamos acordados.

“No dia a dia, nos deparamos com fatos que nos fazem pensar ‘por que fiz isso?’, ‘de onde veio esse pensamento?’ ou até ‘como fui capaz disso?’, Eles seriam difíceis de explicar apenas com a suposição da consciência e que precisam ser investigados a fundo. As nossas atitudes são permeadas por esses atos psíquicos que nos surpreendem e por pensamentos cuja origem não conhecemos”, destaca a psicóloga Maria Carolina Martins Furini.

PSIQUE EM ORDEM

Grande parte do que fazemos diariamente são processos inconscientes – ainda que sejam invocados de maneira voluntária, como andar, comer e falar. Aprendemos durante a vida e os realizamos automaticamente, pois ficam registrados na mente na forma de memória. Já outras lembranças ficam no inconsciente porque simplesmente julgamos que não sejam tão relevantes (ou você se lembra do número de telefone de todas as pessoas que já te passaram um dia?). Por último, nas profundezas do inconsciente, existem memórias de experiências que vivemos mas que, por algum motivo particular, insistimos em reprimir (geralmente situações que causaram desconforto, medo ou sofrimento).

Essa organização existe para que fosse possível manter a ordem da psique, já que seria impossível viver tantos anos guardando nitidamente todas as experiências passadas. Somos bombardeados o tempo todo por imagens, sons e sensações e o cérebro não tem tempo de processar racionalmente tudo.

NO COTIDIANO

Ainda que a influência do inconsciente chegue a ser imperceptível, ela é constante. O pai da psicanálise, Sigmund Freud, acreditava que a “voz” do inconsciente podia escapar de forma direta ou indireta, por meio de sonhos, por exemplo. Há ainda os atos falhos, que podem ocorrer por equívocos na fala (trocar o nome das pessoas), na memória (se confundir onde guardou as chaves) e até nas ações (abraçar em vez de apertar a mão em um cumprimento). Claro que o episódio também pode ocorrer por pura distração, porém, se for recorrente, é importante ser analisado por você mesmo e até com a ajuda de um psicólogo.

Em seus estudos sobre o inconsciente, Freud aponta a influência do psíquico em nosso cotidiano. “Ao examinar a dificuldade em compreender o motivo ou a determinação de alguma conduta pessoal, ele compreende que os critérios utilizados pela consciência para tal decisão não conseguem se justificar ou não alcançam a totalidade da compreensão. Isso demonstra que algo para além da consciência, ou seja, algo do inconsciente, está inscrito aí”, explica Maria Carolina.

A análise poderia ser interpretada de que, mesmo o inconsciente estando presente nas ações, ele é despercebido por ser de difícil apreensão. “A racionalidade nos faz pesar os prós e os contras de nossas atitudes e decisões, enquanto o inconsciente se revela nas ações que julgamos inadequadas, impertinentes ou que não encontramos uma justificativa satisfatória para a mesma”, destaca a psicóloga Glaucia Guerra Benute.

A CIÊNCIA PROVA

Somar 8 mais 2 exige que você faça um pequeno esforço mental consciente, certo? De acordo com um estudo francês, você não precisa calcular racionalmente o resultado, já que a leitura e as operações matemáticas simples (com até três números de 1 a 9) podem ser executadas inconscientemente.

Por meio de alguns experimentos, os cientistas da Universidade de Bordeaux concluíram que diversas ações, até então consideradas racionais, podem ser feitas inconscientemente. No estudo, 300 voluntários foram expostos a palavras e equações com uma técnica chamada supressão contínua do flash (CFS, em inglês). Ela consistia em mostrar uma frase ou sequência numérica em frente ao olho esquerdo de cada indivíduo, ao mesmo tempo em que o olho direito recebia imagens com formas coloridas que mudavam rapidamente – que serviam para chamar a atenção, enquanto as outras informações eram registradas inconscientemente. Em seguida, ao ser apresentada a uma série de números, a pessoa reconhecia os números que representavam o resultado da soma ou a subtração que acabava de ver ou, então, as palavras e frases. Para os cientistas, o ser humano guarda e usa sem saber mais informações do que a ciência imaginava.

NA POLÍTICA

Outro exemplo de como o inconsciente influencia de forma imperceptível muitas de nossas ações tidas como racionais é uma pesquisa realizada em 2006 por psicólogos da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Os cientistas apresentaram aos participantes do estudo fotos de candidatos a cargos políticos do país por apenas um quarto de segundo. Em seguida, pediam que eles dissessem qual candidato parecia ser mais competente. Para a surpresa dos pesquisadores, 69% dos candidatos escolhidos pelos participantes tinham vencido as eleições para o governo e 72% se tornaram senadores. Incrível, não é?

ATÉ NAS COMPRAS

Nossas decisões na hora de fazer compras também são regidas pelo inconsciente. Um estudo realizado na Escócia indicou como o som do ambiente pode influenciar inconscientemente as atitudes do consumidor. Os pesquisadores colocaram vinhos franceses e alemães do mesmo tipo e preço nas prateleiras de um supermercado. Alternadamente, o estabelecimento tocava música francesa em um dia e alemã no outro. Nos dias em que o som do local era música francesa, 77% dos vinhos vendidos eram da França; já quando a música era alemã, 73% dos consumidores levaram garrafas da Alemanha. Ao entrevistarem os participantes da pesquisa, um em cada sete admitia a influência da música em suas compras, sendo que apenas um em cada 44 afirmou que o som ambiente neste caso teve um papel decisivo na escolha do vinho.

Como a compra de algo que exige tanta análise, como tipo de uva, região de origem e prato que será servido, pode ser influenciado simplesmente pelo som do momento? Só mesmo o enigma do inconsciente para explicar!

NEUROMARKETING

A importância da ação do inconsciente nas vendas é tanta que publicitários vêm apostando em um ramo conhecido como neuromarketing para despertar cada vez mais a atenção da mente do consumidor. Derivado da junção do marketing e da ciência, o objetivo é entender a essência do comportamento do consumidor – desejos, impulsos e motivações – visando a um maior lucro das marcas. Os resultados das pesquisas ainda são inconclusivos, porém, já se sabe que a maior parte das decisões de compra é tomada em nível subliminar. Sendo assim, é importante impactar o inconsciente do consumidor com memórias, emoções e experiências positivas para que ele se lembre mais facilmente de uma marca ou um produto na hora de escolher o que levar para casa.

FREUD X NEUROCIÊNCIA

O físico norte-americano Leonard Mlodinow é um defensor da ideia de que a mente subliminar é responsável pelos instintos que nos ajudam a sobreviver e socializar. Para explicar o funcionamento do inconsciente e medir todo seu poder, Mlodinow escreveu o livro Subliminar (Editora Zahar), onde reuniu uma ampla bibliografia sobre o assunto – da filosofia do século 18 aos estudos dos anos 2000, quando o surgimento das máquinas de ressonância magnética revolucionou as pesquisas sobre o tema. O autor defende que inconsciente é diferente daquele imaginado por Sigmund Freud. Até onde a ciência sabe, Freud acertou ao supor que o pensamento racional ocupa apenas uma parte pequena do cérebro, mas errou ao descrever o inconsciente como uma parte totalmente reprimida da mente. Exames de ressonância magnética mostram que o cérebro usa os mesmos circuitos neurais tanto para processar pensamentos conscientes quanto inconscientes, ou seja: as áreas racionais e irracionais estão interconectadas o tempo todo. O inconsciente seria a soma de memórias infinitas, porém, além de arquivá-las, ele as coloca em um processo de associação por meio de um método que ainda foge à compreensão do ser humano. Isso explica por que algumas lembranças, que nem sabíamos que tínhamos, simplesmente surgem em nossa mente sem que a invoquemos. “O inconsciente é um sistema psíquico que busca aparecer por meio da consciência, ou seja, são conteúdos que mesmo de forma confusa ou escondida tentam se manifestar em nossas atitudes e em nossa forma de agir no mundo”, completa a psicóloga Maria Carolina Martins Furini.