A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEM CONTROLE

Em equilíbrio, a ansiedade e o estresse podem ser úteis, mas, em excesso, se tornam transtornos mentais graves

“A diferença entre o remédio eo veneno é a dosagem”. A frase popular é uma explicação para o desenvolvimento da ansiedade e do estresse de recursos naturais do organismo para distúrbios da mente. Partes da experiência humana, ambas emoções são extremamente úteis para o processo de sobrevivência da espécie. Até mesmo hoje em dia ter essas reações afloradas pode ser um combustível extra para sair da zona de conforto e empreender as mudanças necessárias na vida. Em situações de perigo, esses sentimentos são ferramentas ainda mais valiosas e essenciais para o indivíduo conseguir agir de forma apropriada. Entretanto, quando presentes de forma recorrente no cotidiano, podem se tomar prejudiciais, tirando o sujeito do controle de suas emoções.

Na atualidade, a ansiedade e o estresse têm se mostrado cada vez mais populares no Brasil. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, o cenário do país é alarmante. Segundo o estudo, cerca de 9% dos brasileiros sofrem com algum tipo de ansiedade na rotina, o que deixa a nação na liderança dos índices mundiais do transtorno. Já em relação ao estresse, a pesquisa mais recente realizada pela instituição lnternational Stress Management Association (ISMA) aponta que mais de 70% dos brasileiros convivem com essa reação do organismo – o dado deixa o Brasil atrás apenas do Japão no quesito.

MUDANÇAS PSICOLÓGICAS

A origem da ansiedade e do estresse é ainda motivo de discussão. Uma das causas apontadas é experiências traumáticas, que são capazes de gerar uma forte instabilidade na psique, possibilitando o desenvolvimento de condições patológicas. Uma mudança brusca no ambiente profissional ou pessoal também pode ser um fator condicionante para o surgimento de distúrbios – Uma maior exigência no trabalho, separação conjugal ou demissão são alguns dos exemplos. Outro fator importante para se observar é o aspecto genético. Estudos apontam que, como em grande parte dos quadros psíquicos, a ansiedade e o estresse estão relacionados ao processo de neurodesenvolvimento que por sua vez, conta com uma significativa contribuição genética.

Ainda em relação às causas, uma avaliação realizada por neurocientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco nos Estados Unidos, apontou que duas áreas do cérebro são ativadas e trocam sinais entre si em pessoas ansiosas ou depressivas. A pesquisa que contou com 21 pacientes, descobriu que, em 113 dos voluntários que demonstraram tais características, houve uma movimentação entre a amigdala cerebelosa (neurônios pertencentes ao sistema límbico responsável pelas emoções) e, o hipocampo (estrutura cerebral que tem controle sobre os sentimentos) em formato de ondas cerebrais. Essa relação entre ambas partes neurais e uma mudança de humor foi tratada como uma informação importante por possibilitar aos pesquisadores avançarem na direção de um diagnóstico e de tratamentos mais precisos dos transtornos.

PERIGO CONSTANTE

Sentir-se sempre com os nervos à flor da pele é um perigoso sinal de que o estresse e a ansiedade se instalaram de forma prejudicial. No cenário em que tais reações se tornam patologias, os sintomas corporais começam a se manifestar e a mente, que antes exercia controle sobre os pensamentos, se embaralha, passando a não ter mais domínio sobre si própria.

Na ansiedade, a perspectiva de um confronto futuro gera no indivíduo um temor constante e presente, percebido como uma ameaça pela psique. Nas diversas manifestações do distúrbio, é possível notar reações de ansiedade e medo. “Na primeira, a pessoa presencia tensões musculares e comportamentos de vigilância para um problema que está por vir. No segundo, encontram-se presentes pensamentos de perigo e a necessidade de fuga imediata”, explica o neuropsicólogo Thiago Gomes.

Esse tipo de manifestação pode acontecer de diversas formas. Entre elas, as mais comuns são fobias, transtorno obsessivo compulsivo, ataques de pânico, transtorno de estresse pós traumático e ansiedade generalizada. Nesses casos o sujeito pode apresentar alguns sintomas físicos universais do quadro: tontura, tremores, sudorese, falta de ar, insônia e desmaios. Além disso, caso não busque tratamento psicológico, a pessoa ansiosa também pode observar um avanço do seu quadro para distúrbios consequentes, como a depressão.

REAÇÃO ROTINEIRA

Em relação ao estresse a desordem ocorre, muitas vezes, por problemas profissionais, pessoais ou sociais que inserem o indivíduo em um ambiente exaustivo, responsável por incapacitar suas ordens mental, emocional e física naturais. “Somos expostos a situações que vilanizam o estresse à medida em que ele começa a nos causar diversas dificuldades”, aponta a hipnoterapeuta Luciene Lima.

Dessa forma, o distúrbio surge em aspectos físicos como dores de cabeça, tensão muscular, problemas estomacais e decorrentes da baixa imunidade como gripe. “O estresse também se manifesta a partir do cansaço mental, gerando problemas de comportamento e diminuição da capacidade de pensar de modo produtivo, organizado e criativo. Apesar dos sintomas variarem, falta de paciência, desânimo, cansaço físico, distúrbios do sono e repetição de hábitos são alguns dos sinais mais comuns”, salienta Luciene.

REEDUCAÇÃO NECESSÁRIA

Para lidar com quadros emocionais de forma adequada é essencial alterar alguns pensamentos. De início, muitas vezes, as pessoas precisam mudar essa concepção de que procurar ajuda psicológica é um sinal de fraqueza e, por virtude, uma experiência negativa. Da mesma forma, que, ao sofrer de um problema cardíaco, procurar um cardiologista para saber se o quadro é grave é o mais adequado, buscar a opinião de especialistas da psique é o mais indicado para tratar um transtorno mental.

outra etapa fundamental para obter uma maior chance de cura é rever comportamentos prejudiciais. Por mais que seja difícil alterar alguns hábitos e se acostumar a isso de uma hora para  a outra, entender que a importância da exclusão de alguns atos da rotina para evoluir é um passo crucial no caminho para ter mais bem-estar.

À PROCURA DE AUXÍLIO

Tanto o estresse quanto a ansiedade precisam ser diagnosticadas por profissionais para que sejam tratados de forma apropriada. Apenas a partir de uma análise aprofundada – responsável por mapear sintomas e possíveis causas -, que o quadro emocional poderá ser constatado, possibilitando ao indivíduo um posterior tratamento sob medida. “Todo transtorno é diagnosticado somente quando os sintomas não são consequência dos efeitos fisiológicos, do uso de um medicamento ou não são mais bem explicados por outro distúrbio”, afirma o neuropsicólogo Thiago Gomes.

Para identificar a ansiedade, são recomendados profissionais como psiquiatras, neurologistas, psicólogos clínicos ou neuropsicólogos. É importante salientar que determinar uma desordem, é o primeiro passo para obter auxílio, pois contar com uma visão analítica pode proporcionar à pessoa uma valiosa oportunidade de compreender a si mesmo e buscar meios para o seu próprio bem-estar.

Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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