EU ACHO …

COMO MELHORAR A SUA IMUNIDADE

Algumas medidas simples e práticas podem aumentar sua resistência aos vírus

À medida que a ansiedade por causa do coronavírus se espalhou, proliferaram as falsas panaceias prometendo proteção contra ela. Mas há algumas medidas baseadas na ciência que se pode “adotar” para manter um sistema imune saudável.

Para começar, não fume. Fumantes são muito mais vulneráveis a infecções respiratórias. Segundo, certifique-se de seguir uma dieta com uma ampla variedade de vegetais, frutas e outros elementos de uma dieta saudável. “Uma ótima dieta diminui o risco de infecções e reduz a severidade delas”, diz Wafaie Fawzi, professor de nutrição e saúde global na Universidade Harvard. Terceiro, pratique uma boa higiene do sono para aumentar as chances de um adequado descanso noturno. E quarto, faça regularmente exercícios, o que também ajudará a dormir.       

Na área da dieta, vários nutrientes têm sido associados a uma resistência melhor aos vírus. Tomar suplementos de zinco, por exemplo, foi associado a uma menor taxa de infecções respiratórias e menor duração de sintomas relacionados. A deficiência em zinco, um mineral encontrado em carnes, moluscos, nozes e cereais integrais, é mais comum em países pobres, diz Fawzi, mas pode ocorrer em países ricos, em períodos de alto desemprego e interrupções na cadeia de abastecimento alimentar.

Também se mostrou que as vitaminas C e D melhoram a resistência a infecções respiratórias. A vitamina C desempenha um papel em reduzir danos teciduais criados por nossas próprias respostas imunes, o que talvez seja relevante para a covid-19. Doses orais da vitamina também abreviaram o período de permanência na UTI e na ventilação em pacientes de cirurgias cardíacas, segundo uma metanálise de 2019. Ela poderia ajudar pacientes de covid? Isso está sendo investigado, diz Fawzi.

Quanto à vitamina D, uma metanálise de 2017 de 25 ensaios randomizados controlados descobriu que suplementos de vitamina D reduzem o risco de infecção respiratória aguda, em especial para pessoas com baixos níveis dessa vitamina, o que corresponde a cerca de 40% dos americanos. A porcentagem é muito maior em afro-americanos e hispânicos. Fawzi observa que o final do inverno, quando a pandemia teve início nos Estados Unidos, também é a época em que os níveis de vitamina D estão baixos porque nós a adquirimos principalmente através da exposição ao sol. Fawzi e seus colegas co1meçaram a investigar se a vitamina D pode ajudar pacientes da covid.

Sabemos há muito tempo que o sono é essencial para melhorar nossas defesas. Estudos mostram que se uma pessoa é privada de sono depois de receber uma vacina, ela produzirá uma resposta de anticorpos mais fraca do que alguém que dormiu. Pesquisas sugerem que o sono acentua a migração de células T para os nodos linfáticos, onde são apresentadas às estrangeiras que desencadeiam a produção de anticorpos, diz Luciana Besedovsky, da Universidade de Tübingen, na Alemanha.

Um estudo de 2015 que mediu a duração média do sono de 164 voluntários saudáveis e então pingou um rinovírus em seus narizes descobriu que os que dormiram seis ou menos horas por noite tinham quatro vezes mais chance de desenvolver um resfriado do que os que dormiam mais de sete horas. E outro estudo que acompanhou 57 mil mulheres concluiu que as que dormiam cinco ou menos horas por noite foram 40% mais propensas a sofrer uma pneumonia, ao longo de quatro anos do que as que dormiam oito horas. Uma privação do sono extensa, diz Besedovsky, pode criar um estado inflamatório de baixo grau: “Isso parece esgotar seu sistema imune no longo prazo, de maneira que ele pode não ser capaz de combater infecções tão bem”.

Comprometer-se com uma hora regular de ir para a cama e uma rotina noturna que ajude a dormir, junto com uma dieta saudável – e talvez um multivitamínico – não vai necessariamente manter o coronavírus longe. Mas essas medidas têm um verdadeiro lado positivo de ajudá-lo a aguentar e resistir melhor a quaisquer ameaças à saúde que soprem em sua direção.

*** CLAUDIA WALLIS – é uma premiada escritora de ciência e ex-editora-chefe de Scientific American Mind.

OUTROS OLHARES

UMA PAIXÃO NACIONAL (E CADA VEZ MAIS ESPECIAL)

Há quase 300 anos o café chegava ao Brasil para provocar uma revolução na história do País. Do cafezinho ao blend mais sofisticado, o consumo só evolui mais a cada dia

Consagrado universalmente durante o período industrial, o café passou por uma transformação cultural e gastronômica através dos anos. Beber café virou um ato social tão valorizado que hoje a escolha de determinado blend da bebida traduz quem tem ou não um paladar sofisticado.

“O movimento econômico que acontece com a maioria dos produtos após o consumo em massa gera um momento de requinte e faz surgir novos mercados”, afirma o consultor Ensei Neto, um dos maiores especialistas em café do país. Hoje qualquer um pode tomar um pingado por R$ 3, mas também é possível pagar até R$ 40 em uma bebida especial como aquela em que a fruta passa por processos extremamente complexos antes de ser levada para a torra. A única certeza nesse mercado é que o segmento do café especial é uma realidade e veio para ficar. As cafeterias, locais que caíram no gosto do público e onde esse tipo de produto era geralmente consumido antes da pandemia, sofreram com o cenário. A boa notícia, porém, é que o hábito se transferiu para o home office: a procura pela bebida aumentou 35%.

Café Especial ou Café de Especialidade é o nome dado para as bebidas que possuem um selo oficial de qualidade. O termo vem do inglês Speciality Coffee e designa a bebida que obtém a classificação de 80 pontos ou mais em uma escala de 100 da “Metodologia SCAA” (Specialty Coffee Association of America) de avaliação sensorial. Se os sommeliers precisam de formação para avaliar corretamente um bom vinho, o mesmo acontece com o café. Apenas degustadores certificados pela SCAA ou por um Q-Grader licenciado pelo Coffee Quality Institute (CQI) podem fazer a pontuação. Apesar dos termos em inglês, os cursos são oferecidos no País, inclusive online.

A associação americana começou somente em 1982 a da parâmetros à qualidade das bebidas. Como explica a barista e mestre de torra, Isabela Raposeiras, essa preocupação com o café é muito recente. “Na história da humanidade o café é uma das bebidas mais jovens. Para se ter uma ideia, vinho, cerveja, destilados e chá são milenares. Já o café possui apenas 500 anos de história dentro do consumo que conhecemos hoje: a bebida, a infusão, a torra”, afirma Isabela. Para ela, o interesse pela gourmetização da bebida é recente. “O café é uma bebida complexa que sempre esteve presente na mesa do brasileiro. As novidades do mercado chamam a atenção do público”, diz ela, que, durante o período de isolamento social, colocou todas as suas forças nos cursos voltados para a formação de profissionais e entusiastas na área. “O café possui mais de mil compostos aromáticos, enquanto o vinho tem de 600 a 800, assim como o chocolate. Ou seja, o café é hoje a bebida popular aromaticamente mais complexa que existe”

Para o empresário Diego Gonzales, responsável pela rede de franquias Sofá Café, o consumo da bebida passou por diversas fases. Inicialmente, não havia preocupação com a qualidade. “Foi somente após a Segunda Guerra que se começou a olhar com mais seriedade para o café. Em seguida, veio o Café Especial”. Gonzales possui seis franquias no país, uma delas dentro do escritório do Google em São Paulo. “Eu só fechei uma loja nos EUA. No Brasil, eu consegui segurar tudo, inclusive funcionários”, diz ele, que faturava cerca de R$ 1 milhão por ano antes da pandemia. Em público ou em casa, o brasileiro não vai abandonar a bebida mais exportada e a segunda mais consumida do País – o café perde apenas para a água.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE CONSOLO PARA A ALMA

DIA 14 DE SETEMBRO

MINHA DOR NÃO VAI PASSAR

Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece (Jó 3.25).

Jó foi um homem aprovado por Deus, questionado por Satanás e acusado pelos homens. Mesmo amado no céu, foi fuzilado na terra. Sofreu as maiores perdas, enfrentou as maiores angústias, curtiu as maiores dores. Perdeu bens, filhos e saúde. Perdeu o apoio da mulher e dos amigos. Ficou só no pó e na cinza, amargando sua dor. Quando estava encarquilhado, magérrimo, com a pele necrosada e o corpo tomado por feridas cheias de pus, ergueu aos céus sua queixa. Do profundo de sua alma clamou, dizendo: Se eu falar, a minha dor não cessa; se me calar, qual é o meu alívio? (16.6). O sofrimento de Jó foi atroz. Incluía sofrimento físico e emocional, moral e espiritual. Porém, no meio da noite escura da alma, esse velho patriarca ergue os olhos rumo ao futuro e diz: Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus (Jó 19.25,26). No tempo oportuno de Deus, brotou a cura para Jó. Deus restaurou sua sorte. Devolveu-lhe seus bens em dobro. Restaurou seu casamento e deu-lhe mais dez filhos. Sua dor cessou, e seu testemunho ainda ecoa nos ouvidos da história. O mesmo Deus que consolou Jó e restaurou sua sorte pode trazer um tempo de refrigério para a sua alma.

GESTÃO E CARREIRA

O ZOOM NOSSO DE CADA DIA

O número de downloads dos aplicativos de videoconferência quase dobrou nos últimos dois meses. Conheça os impactos e aprenda a lidar com essa nova realidade

O movimento começa cedo na casa de Josiane Santiago, de 37 anos, em Curitiba. Às 7h30 ela e o marido levantam e às 8 horas já estão trabalhando – ambos para a Copel, companhia de energia do Paraná. O filho Nicolas, de 7 anos, vê os vídeos gravados da escola às 10 horas, cinco vezes por semana. Já o mais novo, Leonardo, de 2 anos, acorda por volta das 10 horas. “Tenho deixado ele dormir”, diz Josiane, que é gerente da universidade corporativa da Copel. Desperto, Leonardo vê TV no quarto, que virou o escritório adaptado da mãe.

Em home office desde 23 de março e com expediente das 8h às 17h, Josiane e seu marido tiveram de priorizar a escola do menino mais velho, em fase de alfabetização. Além dos vídeos matutinos, à tarde Nicolas tem aulas virtuais ao vivo por três horas, de segunda a sexta, e inglês três dias por semana. O estudo acontece na sala de estar, que se transformou no local de trabalho do pai. Josiane ainda faz aulas de doutorado por Skype e aproveita o vídeo para falar com a família e ensaiar com o coral da igreja. “Nossa vida se tornou uma eterna reunião. Você olha a agenda e vê oito, nove compromissos por dia – e, na maioria dos casos, nem tem a opção de recusar”, diz Josiane. A história da gerente ilustra o que tem acontecido em outros lares: a vida em quarentena foi dominada pelos encontros virtuais. Prova disso é que os aplicativos de videochamada explodiram ao redor do mundo. Hangout, Microsoft Teams e Zoom alcançaram 72 milhões de downloads nas lojas do Google e da Apple globalmente durante a semana de 14 a 21 de março, um crescimento de 90% na média semanal de 2019, de acordo com uma pesquisa da App Annie. Só o Zoom tem registrado por dia mais de 300 milhões de pessoas em reuniões online no mundo – algo que contribuiu para o valor de mercado da empresa bater 49,78 bilhões de dólares, mais do que as sete maiores companhias aéreas juntas. No Brasil, as buscas no Google por termos relacionados a videoconferência tiveram um salto repentino de março a maio, sendo que a palavra “Zoom”, especificamente, subiu mais de 300%. Ficou claro que as reuniões não servem só para trabalhar ou estudar quando o próprio Zoom identificou um aumento de quase 2.000% nas videochamadas nos fins de semana. O fato é que a prática se tornou tão normal que zooming virou verbo nos Estados Unidos.

Conforme aumentou o tempo em isolamento, cresceu a variedade de usos dos vídeos online. Mundo afora, há concertos, espetáculos de circo, peças teatrais e até festas de aniversário de adulto ou de criança acontecendo na tela. Um estudo do centro de pesquisas Pew apontou que um terço dos americanos adultos já participou de uma comemoração virtual com amigos ou familiares.

ENCONTRO VIRTUAL, ESTRESSE REAL

O tempo em frente às telas – seja por diversão, seja por trabalho – tem gerado também exaustão. Para os especialistas, essa sensação é causada não só pelo maior número de reuniões, mas por termos de nos adaptar a muitas novidades desse estilo de vida isolado. “Enquanto essa rotina estiver sendo construída, ela será cansativa. O cansaço não vem da falta de energia, mas de sistemas que estão constantemente monitorando nosso comportamento e tentando resolver situações novas. O fato de não estarmos no piloto automático deixa o cérebro em alerta, e isso gera estresse e exaustão”, diz Carla Tieppo, neurocientista e fundadora da consultoria Ilumne. As reuniões também têm seu peso na fadiga. E isso tem a ver com a maneira como o ser humano aprendeu a se comunicar. Para interpretar uma mensagem, nosso sistema de transmissão e recepção avalia, além da linguagem verbal, as expressões faciais, o olhar, o movimento corporal e a distância entre os corpos. “A comunicação é o resultado do impacto que você causa em mim –   daquilo que eu estou dizendo e da forma como capto suas respostas. Para tal, uso as áreas sensoriais – os órgãos do sentido. Tudo isso me dá o poder de interpretar sua linguagem”, explica Vera Martins, consultora especializada em comunicação assertiva e inteligência emocional. “Essa linguagem não verbal equivale a dois terços do processo de comunicação”, diz Vera, que também é autora de Seja Assertivo (Altabooks, 58 reais). Na videoconferência, essas entrelinhas ficam de fora. Ninguém consegue vero pé do outro balançando em sinal de nervosismo, por exemplo. Quando um desses elementos é perdido, tanto quem fala como quem ouve precisam se concentrar mais para compreender a outra parte.

As ferramentas de conference call provocam outros desconfortos. Geralmente, quem tem a palavra ganha destaque na tela. Para os tímidos é um problema. Para os extrovertidos, também. Os primeiros nunca querem estar em evidência, enquanto os outros odeiam ficar de escanteio. Além disso, quem está falando fica com um rosto enorme na tela. Nosso cérebro, ao ver a imagem, interpreta o indivíduo como muito perto e liga o instinto de lutar ou correr, segundo um estudo da Universidade Stanford.

Fato é que precisamos nos esforçar mais nas conferências online. Uma reunião com vários participantes, exibidos no modo galeria, desafia a visão central do nosso cérebro. Ao sermos forçados a decodificar tantas pessoas ao mesmo tempo, ninguém passa por uma análise significativa, nem mesmo o orador. A mente fica sobrecarregada pelo excesso de estímulos, ao mesmo tempo em que se concentra na busca de pistas não verbais – que não consegue encontrar. Esse esgotamento generalizado fez surgir nos Estados Unidos o termo “Zoom fatigue” ou “fadiga do Zoom”. Essa sensação acontece por diferentes motivos. Um deles é a impossibilidade de fitar diretamente os olhos da outra pessoa. Para ver o interlocutor, temos de focar sua imagem na tela, mas, para dar a impressão de que estamos mirando seus olhos, precisamos encarar a câmera – e deixamos de ver o outro. “Sem o olhar profundo, a gente não fecha os ciclos, algo importante para a construção de grupo”, diz a neurocientista Carla. Outras pesquisas indicam que as pessoas se sentem desconfortáveis em ver suas expressões faciais na tela e ficam o tempo todo se analisando, preocupadas com a luz e com a imagem que irão passar. Por outro lado, com a câmera desligada, ficam com medo de os outros pensarem que estão escondendo algo ou que não estão produzindo. Além disso, há as questões de conexão de internet. Um artigo publicado no International Journal of Human-Computer Studies indica que atrasos de 1,2 segundo na transmissão fazem o interlocutor parecer menos atencioso, amigável e disciplinado.

NA HORA MARCADA

Ana Reno, vice-presidente de RH da Airbus, acredita que a pandemia fez crescer a quantidade de informações com que precisamos lidar. “As pessoas mandam mais e-mails, convites para webinars e lives.” Para ela, a covid-19 também misturou os papéis. “A gente está trabalhando em casa e vivendo no trabalho. Você tenta criar fronteiras, mas o emprego invadiu o canto do repouso. É a maior confusão. É como se você estivesse no bar e chegassem sua mãe, o padre, o professor”, afirma a executiva, que tem aproveitado as videoconferências para praticamente tudo.

De seu apartamento em Miami, nos Estados Unidos, ela participa de calls de trabalho; organiza happy hours com os colegas da Airbus espalhados por países como Itália, Índia e Espanha; encontra os amigos paulistas; aprende a tocar ukulele e flauta transversal; fala com a mãe duas vezes por dia; e faz atendimento psicológico como trabalho voluntário aos fins de semana. Além disso, arruma tempo para cursos e palestras virtuais. Como ela organiza tudo? “É preciso ter disciplina”, afirma Ana.

Disciplina é a palavra do momento. Se há um lado bom da pandemia, é que as pessoas aprenderam a respeitar uma simples regra de etiqueta: a pontualidade. As reuniões começam e terminam no horário e, caso alguém precise se atrasar por 2 minutos, já manda uma mensagem de aviso aos colegas. Ter o número certo de integrantes na sala virtual também garante eficácia na discussão. “Estão sendo convidadas pessoas realmente importantes para cada tema. Antes, a gente colocava 30 numa sala em que cabiam 20. Hoje, a média é de dez participantes e as decisões ficaram mais rápidas. Uma reunião que durava 3 horas agora acontece em 1 hora – e as pessoas saem sabendo o que devem fazer”, diz Silene Rodrigues, vice-presidente de RH da Sephora.

MAIS COMPAIXÃO

Talvez a lição mais importante da crise do coronavírus seja importar-se com o outro. Foi necessário o mundo se isolar em casa e se contatar apenas por máquinas para despertar nas pessoas o lado humano e trazer à tona a empatia. Fica difícil para um líder hoje ligar para o funcionário que tem três filhos e está trabalhando de casa, na mesa de jantar, com a internet ruim, e não perguntar como vão as coisas. “A situação cria compaixão não só pelo outro, mas também a autocompaixão. Mas muita gente que está em home office não consegue se olhar assim e entender que faz parte do momento não conseguir entregar tudo”, afirma Henrique Bueno, especializado em psicologia positiva e CEO do Wholebeing Institute Brasil.

Por isso, é importante que a fala seja focada, acolhedora e enfática. Outra estratégia na conversa a distância é checar se a mensagem está sendo entregue ao receptor. “Fale com frequência: ‘Eu estou te ajudando? Isso está fazendo sentido para você?’. No mundo virtual, aumentou a necessidade desse feedback”, diz Vera. Não é por acaso que, em muitas empresas, perguntar “Como você está?” virou script de começo de reunião, orientado pela área de recursos humanos. A busca é por conexão.

“Antes, nós estávamos ao lado uns dos outros, mas não estávamos verdadeiramente juntos. Achávamos que sentar perto já era o bastante”, diz

Josiane, da Copel. “Agora nós estamos rompendo barreiras. Quando voltarmos, tudo será diferente.”

10 DICAS PARA CONFERÊNCIAS ONLINE

O que fazer e o que não fazer, de acordo com os especialistas entrevistados nesta reportagem

1- Nem toda reunião precisa da câmera ligada. Quando as atualizações são rápidas, é possível fazê-las só por áudio

2- Evite videoconferências consecutivas. Dê a seu cérebro um intervalo

3- Estabeleça as regras do encontro: o objetivo, o tempo estimado para cada item e o resultado esperado. No final, destaque os próximos passos

4- Reduza o número de slides. Mais chato do que uma reunião longa é uma reunião longa lotada de apresentações online. Incentive a discussão

5- Nomeie uma pessoa para guiar a conversa, evitar falas atropeladas e mediar a participação de todos. No final, peça que cada um abra o microfone e dê sua opinião

6- Anote as ideias principais num papel – isso ajuda a reter o conhecimento

7- Seja seletivo na hora de convidar as pessoas. Quanto menos gente, melhor

8- Chamadas individuais, para saber como o outro está, ajudam a quebrar o isolamento social e a manter o time conectado

9- Reunião como mecanismo para checar se o funcionário está trabalhando é uma afronta.

10- Use aplicativos diferentes para conferências de trabalho e de lazer. Isso ajuda a criar uma separação das coisas

REUNIÃO PARA QUÊ?

Como os americanos têm usado as ferramentas de videoconferência para além do trabalho

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SEM CONTROLE

Em equilíbrio, a ansiedade e o estresse podem ser úteis, mas, em excesso, se tornam transtornos mentais graves

“A diferença entre o remédio eo veneno é a dosagem”. A frase popular é uma explicação para o desenvolvimento da ansiedade e do estresse de recursos naturais do organismo para distúrbios da mente. Partes da experiência humana, ambas emoções são extremamente úteis para o processo de sobrevivência da espécie. Até mesmo hoje em dia ter essas reações afloradas pode ser um combustível extra para sair da zona de conforto e empreender as mudanças necessárias na vida. Em situações de perigo, esses sentimentos são ferramentas ainda mais valiosas e essenciais para o indivíduo conseguir agir de forma apropriada. Entretanto, quando presentes de forma recorrente no cotidiano, podem se tomar prejudiciais, tirando o sujeito do controle de suas emoções.

Na atualidade, a ansiedade e o estresse têm se mostrado cada vez mais populares no Brasil. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, o cenário do país é alarmante. Segundo o estudo, cerca de 9% dos brasileiros sofrem com algum tipo de ansiedade na rotina, o que deixa a nação na liderança dos índices mundiais do transtorno. Já em relação ao estresse, a pesquisa mais recente realizada pela instituição lnternational Stress Management Association (ISMA) aponta que mais de 70% dos brasileiros convivem com essa reação do organismo – o dado deixa o Brasil atrás apenas do Japão no quesito.

MUDANÇAS PSICOLÓGICAS

A origem da ansiedade e do estresse é ainda motivo de discussão. Uma das causas apontadas é experiências traumáticas, que são capazes de gerar uma forte instabilidade na psique, possibilitando o desenvolvimento de condições patológicas. Uma mudança brusca no ambiente profissional ou pessoal também pode ser um fator condicionante para o surgimento de distúrbios – Uma maior exigência no trabalho, separação conjugal ou demissão são alguns dos exemplos. Outro fator importante para se observar é o aspecto genético. Estudos apontam que, como em grande parte dos quadros psíquicos, a ansiedade e o estresse estão relacionados ao processo de neurodesenvolvimento que por sua vez, conta com uma significativa contribuição genética.

Ainda em relação às causas, uma avaliação realizada por neurocientistas da Universidade da Califórnia, em São Francisco nos Estados Unidos, apontou que duas áreas do cérebro são ativadas e trocam sinais entre si em pessoas ansiosas ou depressivas. A pesquisa que contou com 21 pacientes, descobriu que, em 113 dos voluntários que demonstraram tais características, houve uma movimentação entre a amigdala cerebelosa (neurônios pertencentes ao sistema límbico responsável pelas emoções) e, o hipocampo (estrutura cerebral que tem controle sobre os sentimentos) em formato de ondas cerebrais. Essa relação entre ambas partes neurais e uma mudança de humor foi tratada como uma informação importante por possibilitar aos pesquisadores avançarem na direção de um diagnóstico e de tratamentos mais precisos dos transtornos.

PERIGO CONSTANTE

Sentir-se sempre com os nervos à flor da pele é um perigoso sinal de que o estresse e a ansiedade se instalaram de forma prejudicial. No cenário em que tais reações se tornam patologias, os sintomas corporais começam a se manifestar e a mente, que antes exercia controle sobre os pensamentos, se embaralha, passando a não ter mais domínio sobre si própria.

Na ansiedade, a perspectiva de um confronto futuro gera no indivíduo um temor constante e presente, percebido como uma ameaça pela psique. Nas diversas manifestações do distúrbio, é possível notar reações de ansiedade e medo. “Na primeira, a pessoa presencia tensões musculares e comportamentos de vigilância para um problema que está por vir. No segundo, encontram-se presentes pensamentos de perigo e a necessidade de fuga imediata”, explica o neuropsicólogo Thiago Gomes.

Esse tipo de manifestação pode acontecer de diversas formas. Entre elas, as mais comuns são fobias, transtorno obsessivo compulsivo, ataques de pânico, transtorno de estresse pós traumático e ansiedade generalizada. Nesses casos o sujeito pode apresentar alguns sintomas físicos universais do quadro: tontura, tremores, sudorese, falta de ar, insônia e desmaios. Além disso, caso não busque tratamento psicológico, a pessoa ansiosa também pode observar um avanço do seu quadro para distúrbios consequentes, como a depressão.

REAÇÃO ROTINEIRA

Em relação ao estresse a desordem ocorre, muitas vezes, por problemas profissionais, pessoais ou sociais que inserem o indivíduo em um ambiente exaustivo, responsável por incapacitar suas ordens mental, emocional e física naturais. “Somos expostos a situações que vilanizam o estresse à medida em que ele começa a nos causar diversas dificuldades”, aponta a hipnoterapeuta Luciene Lima.

Dessa forma, o distúrbio surge em aspectos físicos como dores de cabeça, tensão muscular, problemas estomacais e decorrentes da baixa imunidade como gripe. “O estresse também se manifesta a partir do cansaço mental, gerando problemas de comportamento e diminuição da capacidade de pensar de modo produtivo, organizado e criativo. Apesar dos sintomas variarem, falta de paciência, desânimo, cansaço físico, distúrbios do sono e repetição de hábitos são alguns dos sinais mais comuns”, salienta Luciene.

REEDUCAÇÃO NECESSÁRIA

Para lidar com quadros emocionais de forma adequada é essencial alterar alguns pensamentos. De início, muitas vezes, as pessoas precisam mudar essa concepção de que procurar ajuda psicológica é um sinal de fraqueza e, por virtude, uma experiência negativa. Da mesma forma, que, ao sofrer de um problema cardíaco, procurar um cardiologista para saber se o quadro é grave é o mais adequado, buscar a opinião de especialistas da psique é o mais indicado para tratar um transtorno mental.

outra etapa fundamental para obter uma maior chance de cura é rever comportamentos prejudiciais. Por mais que seja difícil alterar alguns hábitos e se acostumar a isso de uma hora para  a outra, entender que a importância da exclusão de alguns atos da rotina para evoluir é um passo crucial no caminho para ter mais bem-estar.

À PROCURA DE AUXÍLIO

Tanto o estresse quanto a ansiedade precisam ser diagnosticadas por profissionais para que sejam tratados de forma apropriada. Apenas a partir de uma análise aprofundada – responsável por mapear sintomas e possíveis causas -, que o quadro emocional poderá ser constatado, possibilitando ao indivíduo um posterior tratamento sob medida. “Todo transtorno é diagnosticado somente quando os sintomas não são consequência dos efeitos fisiológicos, do uso de um medicamento ou não são mais bem explicados por outro distúrbio”, afirma o neuropsicólogo Thiago Gomes.

Para identificar a ansiedade, são recomendados profissionais como psiquiatras, neurologistas, psicólogos clínicos ou neuropsicólogos. É importante salientar que determinar uma desordem, é o primeiro passo para obter auxílio, pois contar com uma visão analítica pode proporcionar à pessoa uma valiosa oportunidade de compreender a si mesmo e buscar meios para o seu próprio bem-estar.